Legenda: Rosicleia é uma das mais de 180 mulheres que integram a equipe do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama), atuando no combate ao fogo, ao calor e à fumaça nas florestas do país.
Rosicleia Pereira é uma das mulheres quilombolas na linha de frente da proteção ambiental, liderando a defesa dos territórios.
Quando tinha 16 anos, Rosicleia Pereira encontrou apenas um lugar vazio onde antes havia sua casa. O fogo havia destruído tudo em um incêndio. “No dia em que eu cheguei, aquilo foi um baque tão grande para mim. A gente perdeu tudo e ficou só com a roupa do corpo”, conta.
A cena, na comunidade quilombola do Povoado do Prata, no estado do Tocantins, ficou gravada na memória de Rosicleia e se transformou em um ponto de virada. Rosicleia e a irmã tornaram-se brigadistas florestais para proteger não só a própria casa, mas também a de outras famílias.
“Isso me motivou a me tornar brigadista. Se na época eu fosse uma, tenho certeza que tínhamos feito muito para salvar nossa casa.”
Com macacão, botas especiais, proteção facial e bomba costal para espalhar água, Rosicleia integra a equipe do Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama), que reúne mais de 180 mulheres em todo o país, enfrentando o fogo, o calor e a fumaça na floresta.
Legenda: “Eu me sinto muito honrada de ser brigadista porque eu sei que eu, por menor que seja, consigo combater o fogo”, afirma Rosicleia.
Ela diz que durante sua formação chegou a sofrer discriminação – “essa daí não passa, porque ela é mulher”. Rosicleia continuou acreditando e explica que, para exercer a profissão, não há distinção de gênero no uso dos equipamentos na brigada. “A gente usa tudo [que os homens usam]: bomba, se necessário, o abafador, o assoprador, tudo!”, diz.
“Eu me sinto muito honrada de ser brigadista porque eu sei que eu, por menor que seja, consigo combater o fogo.”
Além da atuação como brigadista, Rosicleia também é artesã, um ofício que aprendeu aos 13 anos, com a avó. Foi no convívio familiar e comunitário que desenvolveu o saber tradicional que hoje também é fonte de renda e sustento para sua família.
Ela carrega com orgulho o pertencimento ao lugar onde nasceu e cresceu. É mãe de três filhos e vive cercada pela família: mãe, pai, avó e tios. Todos compartilham laços que dividem história, memória, saberes e a responsabilidade de cuidar do território.
“É uma honra muito grande participar do território quilombola e ser chamada de Jalapoeira”.
Para a brigadista, o desejo para o futuro é ver o Povoado do Prata com bastante água, com as matas preservadas e “uma brigada com muitas mulheres e homens, lutando juntos por uma causa só”, diz.
Legenda: A proteção do território: mulheres quilombolas na linha de frente do combate ao fogo.
A Agência da ONU para as Migrações (OIM), por meio do programa conjunto Resiliência nas Fronteiras da Amazônia, financiado pelo Fundo Fiduciário Multiparceiros para a Migração (MMPTF, na sigla em inglês), apoia o fortalecimento da resiliência de povos e comunidades tradicionais nas fronteiras da Amazônia, incorporando a perspectiva de gênero.
O trabalho desenvolvido pela Organização contribui para redução de riscos, prevenção de deslocamentos por desastres e garantia de que todas as pessoas possam viver com segurança e dignidade em seus territórios, para que a migração seja sempre uma escolha, em linha com o objetivo do Pacto Global de Migração de minimizar os fatores adversos e os fatores estruturais que obrigam as pessoas a deixarem seus países de origem.