“Essa tranquilidade e apoio que estamos recebendo amortecem os traumas e nos devolvem a esperança”
Após deixarem a Venezuela, as famílias de Sofía, Luis e Luciano, e de Kariannys e seus filhos, encontraram no Brasil apoio para reconstruir a vida.
Sofía del Carmen, técnica ambiental, e Luis Beltrán Fuentes, técnico superior petroleiro, chegaram ao Brasil atravessados por incertezas. “Chegamos nervosos, cheios de expectativas e temores”, contou Sofía. O filho do casal, Luciano Stefano, resume o período: “Eu me sentia assustado”.
Luis, o pai, foi perseguido político na Venezuela, o que forçou a família a deixar tudo para trás. “Tivemos que sair do nosso país com todos esses traumas… Em alguns momentos, precisamos deixar de comer para que nosso filho comesse”, relembrou.
“Mas aqui isso mudou. Essa tranquilidade e apoio que estamos recebendo amortecem os traumas e nos devolvem a esperança”, acrescentou.
A mudança que se descortina agora, segundo a família, é a possibilidade de pensar no futuro sem que o presente esteja permeado por emergências. “Sempre mantivemos uma postura positiva, independentemente das adversidades”, afirmou Luis.
“Mas as oportunidades que nos foram oferecidas aqui nos permitem fazer aquilo que toda família deveria poder fazer: planejar a própria vida.” O planejamento inclui também retribuir. “Queremos colocar nosso grão de areia, nossa força de trabalho e tudo o que temos de bom para colaborar com o desenvolvimento do Brasil”, disse.
Sobre o futuro, Luciano reflete: “Quero aprender português, estudar o máximo que puder e depois seguir a carreira que eu gostar. Quero ser arquiteto.”
A realidade da família se assemelha com a de muitas outras. Kariannys veio de Ciudad Guayana, na Venezuela. “Viemos quase sem nada. Tivemos que começar do zero”, lembrou. O que encontrou no abrigo da Aldeias Infantis SOS em Brasília, portanto, foi o início de um tempo diferente. Um tempo em que se pode fechar a porta do quarto, tomar banho com privacidade, guardar roupas em um armário, ter segurança alimentar e voltar a fazer planos.
“Meus filhos têm muitos sonhos”, contou. “Aqui eu me sinto confiante de que poderei realizá-los. Quero que estudem, que sejam alguém na vida. Estamos, de verdade, contentes por esse cuidado conosco.” Ela adiciona: “Aqui nos fizeram sentir em casa. É um alívio e nos devolve a confiança e a esperança para seguir adiante”.
ACNUR em ação: Operação Acolhida
Chegaram a Brasília, em janeiro, 13 famílias, 60 pessoas ao todos, por meio do processo de interiorização nas Aldeias Infantis SOS, coordenado pela Operação Acolhida - estratégia do Governo Federal em resposta ao fluxo migratório venezuelano - com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
O acolhimento ocorre no âmbito do projeto Brasil Sem Fronteiras, uma parceria que garante abrigo temporário, apoio psicossocial e acompanhamento para a integração local. A iniciativa agora entra em um novo momento, com sua continuidade assegurada por um aporte da Children’s Village Worldwide (CVW), organização que integra a rede global da Aldeias Infantis SOS, presente em mais de 130 países, referência em cuidado de crianças.
Do abrigamento emergencial ao recomeço possível: a rede por trás da integração
Para Edson Neris Bahia, representante das Aldeias Infantis SOS, o momento traz um significado especial. “Para nós é um momento de muita alegria. Estávamos ansiosos pela chegada das primeiras famílias nessa nova fase do projeto, contemplada pela CVW. Um espaço bonito e tranquilo, com uma equipe que dará o apoio necessário para que essas famílias possam ter novas oportunidades para conquistar autonomia e independência”, relatou.
A realocação voluntária dessas famílias integra o processo de interiorização coordenado pela Operação Acolhida, estratégia do Governo Federal em resposta ao fluxo migratório venezuelano iniciado em 2018. Em colaboração com parceiros estratégicos como o ACNUR, a Força-Tarefa Logística Humanitária já interiorizou mais de 156 mil pessoas para cerca de 1.100 municípios brasileiros.
“Transformar vidas é a essência do nosso trabalho. A Operação Acolhida chega ao seu oitavo ano como um marco de dignidade e proteção social, buscando garantir a integração de refugiados e migrantes venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade nos municípios de todo o país”, declarou o chefe da Assessoria de Comunicação da Operação Acolhida, Tenente-Coronel Magno Barros.
O processo de interiorização, explica, é uma das chaves dessa estratégia. “Aqui, essas famílias passam a ter acesso a serviços, como educação, trabalho e geração de renda, com o objetivo de reconstruir suas vidas com dignidade.” Um trabalho que se faz em rede e que cria condições para que famílias como as de Kariannys, Sofía, Luis e Luciano possam voltar a permanecer, planejar e seguir adiante com segurança e pertencimento.
Para saber mais, siga @acnurbrasil e visite a página do ACNUR no Brasil!