Metade das línguas faladas hoje corre risco de desparecer neste século, diz Especialista da ONU
13 março 2013
Metade das cerca de 6 mil línguas do mundo provavelmente desaparecerá até o fim do século se esforços urgentes não forem feitos para proteger as minorias e seus idiomas, afirmou nesta terça-feira (12) a Relatora Especial da ONU sobre as questões das minorias, Rita Izsak.
"A língua é um elemento central e expressão de identidade e de importância fundamental para a preservação da identidade do grupo", destacou Izsak ao apresentar relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.
A Especialista Independente acrescentou que a linguagem pode ser uma fonte de tensão já que defensores dos direitos linguísticos são algumas vezes associados a movimentos separatistas ou vistos como ameaça à integridade ou unidade de um Estado que tenha "promovido agressivamente uma única língua nacional como meio de reforçar a soberania, unidade nacional e integridade territorial.”
Além de fatores históricos, como o colonialismo, Izsak apontou como causa do desaparecimento de muitas línguas a globalização e o crescimento do uso em massa da Internet. Ela reforçou que a preservação de línguas minoritárias é uma obrigação dos Estados sob a ótica dos direitos humanos e que é importante utilizá-las na educação, na vida pública, na mídia, nos campos da administração pública e judicial, entre outros.
Em fevereiro, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) já havia recomendado o uso de livros e livros didáticos nas línguas locais.