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Ucrânia: Chefe da ONU alerta que referendo na Crimeia pode aumentar tensão na região

17 março 2014





O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a afirmar nesta segunda-feira (17), por meio de seu porta-voz que está “profundamente preocupado e decepcionado” com o referendo realizado na Crimeia, região autônoma da Ucrânia, afirmando que a iniciativa vai agravar “uma situação já complexa e tensa”.



“O secretário-geral continua a seguir de perto a situação na Ucrânia”, disse o porta-voz de Ban, Stéphane Dujarric, a jornalistas em Nova York, acrescentando que desde o início da crise, o chefe da ONU pediu a todas as partes que evitem “passos apressados” que poderiam exacerbar as tensões.



“Ele encoraja todas as partes a trabalhar para uma solução guiada pelos princípios da Carta das Nações Unidas, inclusive respeitando a unidade e a soberania da Ucrânia”, disse Dujarric.



A declaração surge na sequência de uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU no sábado (15), em que o órgão de 15 países foi impedido de adotar uma resolução instando a comunidade internacional a afirmar as fronteiras nacionais da Ucrânia e declarar o referendo na Crimeia inválido, devido a um veto da Rússia, membro permanente. A China – que também é membro permanente, juntamente com a França, Reino Unido e Estados Unidos – se absteve na votação.



Relatos da imprensa apontam que os eleitores da Crimeia apoiaram em peso que a região deixe de pertencer à Ucrânia e seja anexada à Rússia.



O referendo veio após meses de agitação política, desencadeada pela decisão do governo em novembro passado de não assinar um acordo mais amplo sobre a integração europeia. A capital da Ucrânia, Kiev, foi tomada por manifestações violentas e confrontos de rua no final de janeiro, culminando na queda do presidente Viktor Yanukovich, após decisão do Parlamento ucraniano.



Em sua declaração nesta segunda-feira (17), o secretário-geral condenou a violência que ocorreu no fim de semana no leste da Ucrânia e que resultou em ferimentos e perdas de vida em todos os lados.



“O secretário-geral apela mais uma vez para que todas as partes se abstenham da violência e se comprometam com o fim da violência e com o diálogo nacional inclusivo, na busca de uma solução política e diplomática”, disse Dujarric, acrescentando: “A deterioração da situação terá sérias repercussões para o povo da Ucrânia, para a região e além.”



O chefe da ONU também pediu que todas as partes na Ucrânia e aqueles com influência para evitar quaisquer medidas que possam aumentar ainda mais as tensões.