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Setor elétrico brasileiro já incorpora metas da ONU em estratégias de negócio, revela relatório

05 dezembro 2017

Estudo da Rede Brasil do Pacto Global revela engajamento do setor elétrico nacional com as metas da ONU. Foto: Rede Brasil do Pacto Global
Legenda: Estudo da Rede Brasil do Pacto Global revela engajamento do setor elétrico nacional com as metas da ONU. Foto: Rede Brasil do Pacto Global





A Rede Brasil do Pacto Global da ONU divulgou neste mês (4) os resultados preliminares de estudo que avalia a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) por empresas do setor elétrico. Das 20 organizações participantes, 65% informaram já considerar a Agenda 2030 em suas estratégias de negócios para a promoção de boas práticas.



Realizada em parceria com a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FEA-RP/USP), e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a pesquisa aponta ainda que os ODS de nº 7 — Energia Limpa e Acessível —, nº 9 — Indústria, Inovação e Infraestrutura — e nº 12 — Consumo e Produção Responsáveis — são os mais relevantes para as companhias entrevistadas.



O estudo foi realizado no âmbito da iniciativa “Integração dos ODS no Setor Elétrico Brasileiro”, uma parceria do Pacto Global com a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABRADEE), a CPFL Energia e a ENEL. O programa é liderado pelo grupo de trabalho de Energia e Clima da rede de empresas brasileiras comprometidas com as metas e princípios da ONU.



Para o diretor de Sustentabilidade da CPFL Energia, Rodolfo Sirol, a implementação da Agenda 2030 ainda é um desafio e exige mudanças de paradigmas na gestão pública e privada. Segundo o executivo, isso engloba desde uma mudança na linguagem e a necessidade de atuação em parcerias até o desdobramento dos compromissos assumidos em políticas, metas e alocação de recursos que beneficiem a população brasileira.



“Ao mesmo tempo, ela (a Agenda 2030) representa uma grande oportunidade para que as empresas façam parte da solução de problemas globais, explorem novos mercados e criem novos produtos e serviços que ajudem os seus países a atingir os ODS. É a chance de todos nós falarmos uma linguagem global e trabalharmos numa causa em parceria”, completa.



“Um de nossos objetivos com a análise é justamente criar um modelo que inspire outros setores, além de influenciar em uma agenda pública”, acrescenta o secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira.



Entre os resultados da pesquisa já divulgados, estão dois mapeamentos sobre quais são os ODS mais relevantes para o setor em termos de contribuições para o alcance das metas e oportunidades de negócios. Levantamentos se distinguem pela atuação de cada empresa — um mapa foca em organizações com atividades concentradas em geração; outro reúne as que focam em distribuição e transmissão.



Conforme já esperado, o ODS de nº 7 foi elencado em primeiro lugar por todas as empresas participantes do estudo, tanto como oportunidades de negócios para o setor, como no que tange aos impactos que o ramo poderá ter para o cumprimento das metas estipuladas pela Agenda 2030.



No que se refere à matriz de empresas de distribuição e transmissão, ainda aparecem com forte destaque os ODS de nº 9, 12 e 8 — Trabalho Decente e Crescimento Econômico. Já entre os listados como de menor relevância para essas empresas, ficaram os ODS de nº 1 — Erradicação da Pobreza —, 2 — Fome Zero e Agricultura Sustentável — e 14 — Vida na Água.



Já as empresas ligadas à geração também apontaram o ODS de nº 7 em primeiro lugar quanto aos impactos que suas atividades podem ter no alcance das metas. Contudo, quando se trata das oportunidades de negócios, o ODS de nº 9 foi apontado como o de maior relevância para este subgrupo. Outros destaques da matriz de companhias de geração foram os ODS de nº 13 — Ação contra a Mudança Global do Clima — e 12.



Os ODS 14, 15 — Vida Terrestre — e 16 — Paz, Justiça e Instituições Eficazes — foram os que apresentaram menor grau de relevância para o conjunto de entidades que operam na área de geração.