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OMS: uma em cada 3 mulheres em todo o mundo sofre violência

10 março 2021

  • A violência contra as mulheres continua devastadoramente generalizada e começa assustadoramente cedo, revelaram novos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros.
  • Ao longo da vida, uma em cada três mulheres - cerca de 736 milhões de pessoas -, é submetida à violência física ou sexual por parte de seu parceiro ou violência sexual por parte de um não parceiro.
  • Os números permaneceram praticamente inalterados na última década. 
  • Essa violência começa cedo: uma em cada quatro mulheres jovens (de 15 a 24 anos) que estiveram em um relacionamento já terá sofrido violência de seus parceiros por volta dos vinte anos.
Relatório da OMS aponta que violência contra mulheres começa cedo, especialmente entre jovens de 15 a 24 anos
Legenda: Relatório da OMS aponta que violência contra mulheres começa cedo, especialmente entre jovens de 15 a 24 anos
Foto: © Pxhere

A violência contra as mulheres continua devastadoramente generalizada e começa assustadoramente cedp, revelaram novos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros. Ao longo da vida, uma em cada três mulheres - cerca de 736 milhões de pessoas -, é submetida à violência física ou sexual por parte de seu parceiro ou violência sexual por parte de um não parceiro.

Os números permaneceram praticamente inalterados na última década. Essa violência começa cedo: uma em cada quatro mulheres jovens (de 15 a 24 anos) que estiveram em um relacionamento já terá sofrido violência de seus parceiros por volta dos vinte anos.

“A violência contra as mulheres é endêmica em todos os países e culturas, causando danos a milhões de mulheres e suas famílias, e foi agravada pela pandemia de COVID-19”, declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

“Mas, ao contrário da COVID-19, a violência contra as mulheres não pode ser interrompida com uma vacina. Só podemos lutar contra isso com esforços sustentados e enraizados - por governos, comunidades e indivíduos - para mudar atitudes prejudiciais, melhorar o acesso a oportunidades e serviços para mulheres e meninas e promover relacionamentos saudáveis e mutuamente respeitosos”, concluiu o dirigente.

A violência praticada pelo parceiro é de longe a forma mais prevalente contra as mulheres em todo o mundo, afetando cerca de 641 milhões de pessoas. No entanto, 6% das mulheres em todo o mundo relataram abuso sexual por alguém que não seja seu marido ou parceiro. Dados os altos níveis de estigma e sub-notificação deste tipo de violência, o número real provavelmente é significativamente mais alto.

Emergências agravam a violência - O relatório apresenta dados do maior estudo já feito sobre a prevalência da violência contra as mulheres, conduzido pela OMS em nome de um grupo de trabalho especial das Nações Unidas. Com base em dados de 2000 a 2018, o documento atualiza estimativas anteriores, divulgadas em 2013.

Embora os números revelem taxas já alarmantes de violência contra mulheres e meninas, não refletem o impacto contínuo da pandemia de COVID-19. A OMS e parceiros alertam que a pandemia de COVID-19 aumentou ainda mais a exposição das mulheres à violência em razão de medidas como lockdowns e interrupções de serviços essenciais.

“É profundamente perturbador que essa violência generalizada por homens contra mulheres não apenas persista inalterada, mas seja pior para mulheres jovens, de 15 a 24 anos, que também podem ser jovens mães. E essa era a situação antes da pandemia e do pedido para ficar em casa. Sabemos que os múltiplos impactos da COVID-19 desencadearam uma pandemia sombria, de aumento da violência relatada de todos os tipos contra mulheres e meninas”, disse a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. “Cada governo deve tomar medidas fortes e proativas para lidar com isso e envolver as mulheres nisso”, acrescentou.

Embora muitos países tenham visto um aumento nas denúncias de violência pelo parceiro feitas a linhas de apoio, polícia, profissionais de saúde, professores e outros prestadores de serviços durante os lockdowns, o impacto total da pandemia na prevalência só será estabelecido quando as pesquisas forem retomadas, observa o relatório.

Desigualdade, um fator de risco - A violência afeta desproporcionalmente as mulheres que vivem em países de baixa e média-baixa renda. Estima-se que, ao longo da vida, 37% das mulheres que vivem nos países mais pobres sofreram violência física e/ou sexual por parte do parceiro, com alguns desses países tendo uma prevalência de até uma em cada duas mulheres.

Oceania, Sul da Ásia e África Subsaariana têm as maiores taxas de prevalência de violência praticada por parceiro entre mulheres de 15 a 49 anos, variando de 33% a 51%. As taxas mais baixas são encontradas na Europa (16% a 23%), Ásia Central (18%), Leste Asiático (20%) e Sudeste Asiático (21%).

Mulheres mais jovens correm o maior risco de violência recente. Entre aquelas que já estiveram em um relacionamento, as maiores taxas (16%) de violência praticada pelo parceiro nos últimos 12 meses ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos.

Impactos - A violência - em todas as suas formas - pode ter um impacto na saúde e no bem-estar de uma mulher pelo resto da vida - mesmo muito depois de a violência ter acabado. Está associado ao aumento do risco de lesões, depressão, transtornos de ansiedade, gravidez não planejada, infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV, e muitos outros problemas. Isso tem repercussão na sociedade como um todo e vem com custos enormes, impactando os orçamentos nacionais e o desenvolvimento geral.

A prevenção da violência exige o enfrentamento das desigualdades econômicas e sociais sistêmicas, garantindo o acesso à educação e ao trabalho seguro e mudando as normas e instituições discriminatórias de gênero. As intervenções bem-sucedidas também incluem estratégias que garantam que os serviços essenciais estejam disponíveis e acessíveis às sobreviventes, que apoiem as organizações de mulheres, desafiem as normas sociais injustas, reformem as leis discriminatórias e fortaleçam as respostas legais, entre outros.

“Para lidar com a violência contra as mulheres, há uma necessidade urgente de reduzir o estigma em torno dessa questão, capacitar profissionais de saúde para entrevistar sobreviventes com compaixão e desmontar as bases da desigualdade de gênero”, disse Claudia Garcia-Moreno, da OMS. “Intervenções com adolescentes e jovens para promover a igualdade de gênero e atitudes com igualdade de gênero também são essenciais.”

Os países devem honrar seus compromissos de maior e forte vontade política e liderança para enfrentar a violência contra as mulheres em todas as suas formas, por meio de:

  • Políticas sólidas de transformação de gênero, desde políticas em torno de cuidados infantis até salários iguais e leis que apoiam a igualdade de gênero;
  • Uma resposta reforçada do sistema de saúde, que garanta o acesso a cuidados centrados na sobrevivente, com encaminhamento para outros serviços, conforme necessário;
  • Intervenções escolares e educacionais para desafiar atitudes e crenças discriminatórias, incluindo educação sexual abrangente;
  • Investimento direcionado a estratégias de prevenção sustentáveis e eficazes, baseadas em evidências nos níveis local, nacional, regional e global; 
  • Fortalecimento da coleta de dados e investimento em pesquisas de alta qualidade sobre a violência contra as mulheres, além de melhorar a mensuração das diferentes formas de violência vivenciadas pelas mulheres, incluindo aquelas que são mais vulneráveis.

Sobre o relatório - O relatório Global, regional and national estimates for intimate partner violence against women and global and regional estimates for non-partner sexual violence against women foi desenvolvido pela OMS e pelo Programa Especial de Pesquisa e Desenvolvimento do PNUD, UNFPA, UNICEF, OMS, Banco Mundial e Treinamento em Pesquisa em Reprodução Humana (HRP) para o Grupo de Trabalho Interinstitucional das Nações Unidas sobre Violência contra a Mulher, Estimativa e Dados.

O Grupo de Trabalho inclui representantes da OMS, ONU Mulheres, UNICEF, UNFPA, Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a Divisão de Estatísticas das Nações Unidas (UNSD) para fortalecer a mensuração, monitoramento e denúncia da violência contra as mulheres, inclusive com o objetivo de monitorar os respectivos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A coleta de dados nacionais sobre violência por parte do parceiro aumentou significativamente desde as estimativas anteriores de 2010, embora os desafios permaneçam com a qualidade e disponibilidade dos dados. A violência sexual, em particular, continua sendo uma das formas mais estigmatizantes e tabu e, portanto, continua sendo amplamente subnotificada.

O apoio financeiro para a análise e o relatório foi fornecido pelo Foreign, Commonwealth and Development Office, do Reino Unido.

Dados regionais e nacionais - O relatório e o banco de dados apresentam dados regionais nas seguintes categorias: regiões ODS, regiões da OMS, regiões da Carga Global de Doenças (GBD), regiões do UNFPA e regiões do UNICEF. Os dados também são apresentados para 161 países e áreas.

Prevalência ao longo da vida de violência por parceiro íntimo entre mulheres de 15 a 49 anos entre as classificações regionais e sub-regionais ODS das Nações Unidas, as taxas foram as seguintes:

  • Países Menos Desenvolvidos - 37%
  • Sub-regiões de:
  • Oceania - 51% Melanésia; 41% Micronésia; 39% Polinésia
  • Sul da Ásia - 35%
  • África Subsaariana - 33%
  • Norte da África - 30%
  • Ásia Ocidental - 29%
  • América do Norte - 25%
  • Austrália e Nova Zelândia - 23%
  • América Latina e Caribe - 25%
  • Norte da Europa –23%
  • Sudeste Asiático - 21%
  • Europa Ocidental - 21%
  • Ásia Oriental - 20%
  • Europa Oriental - 20%
  • Ásia Central - 18%
  • Sul da Europa - 16%

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