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Desastres naturais foram responsáveis por 45% de todas as mortes nos últimos 50 anos, mostra OMM

01 setembro 2021

  • O novo relatório da Organização Meteorológica Mundial e do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres mostra que mudanças climáticas e os eventos extremos causaram um aumento nos desastres naturais nos últimos 50 anos.
  • De 1970 a 2019, os desastres naturais equivaleram a 50% de todos os desastres, 45% de todas as mortes reportadas no período e 74% de todas as perdas econômicas. 
  • Mais de 11 mil desastres reportados foram atribuídos a eventos climáticos, com pouco mais de 2 milhões de mortes e 3,47 trilhões de dólares em perdas. Mais de 91% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento. 
  • Enquanto isso, as perdas econômicas aumentaram sete vezes no período de 50 anos, indo de uma média de 49 milhões de dólares a estarrecedores 383 milhões por dia globalmente. 
Legenda: O clima extremo, como uma seca generalizada, está causando perdas econômicas entre os agricultores em todo o mundo
Foto: © Albert González Farran/Nações Unidas

As mudanças climáticas e os eventos climáticos cada vez mais extremos causaram um aumento nos desastres naturais nos últimos 50 anos, afetando desproporcionalmente os países mais pobres. As informações são da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que lança um novo relatório com o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR).

Intitulado "Atlas de Mortalidade e Perdas Econômicas de Extremos de Tempo, Clima e Água", o relatório da OMM mostra que, de 1970 a 2019, os desastres naturais equivaleram a 50% de todos os desastres, 45% de todas as mortes reportadas no período e 74% de todas as perdas econômicas.  

Mais de 11 mil desastres reportados foram atribuídos a eventos climáticos, com pouco mais de 2 milhões de mortes e 3,47 trilhões de dólares em perdas. Mais de 91% das mortes ocorreram em países em desenvolvimento. 

Alerta que salva - Em um tom mais positivo, o relatório explica que, graças ao aprimoramento dos sistemas precoces de alarme e gerenciamento de desastres, o número de mortes foi reduzida a quase um terço entre 1970 e 2019 - caindo de 50 mil na década de 1970 para menos de 20 mil na década de 2010. 

"As perdas econômicas se acumulam à medida que a nossa exposição a esse tipo de desastre aumenta. Mas, para além das estatísticas sombrias, existe uma mensagem de esperança. Sistemas aprimorados de alerta precoce de múltiplos perigos levaram a uma redução significativa na mortalidade. De maneira resumida: Estamos melhores do que nunca em salvar vidas", disse o secretário-geral da OMM, Petter Taalas. 

Uma história contada por números - Dos dez maiores tipos de desastres documentados no relatório, as secas se provaram o mais mortal durante o período, causando 650 mil mortes. Em segundo lugar, tempestades causaram 577 mil mortes, seguidas de enchentes, que tiraram 58,7 mil vidas, e eventos de temperatura extrema, durante os quais 55,7 mil pessoas morreram. 

Custos ampliados - Enquanto isso, as perdas econômicas aumentaram sete vezes no período de 50 anos, indo de uma média de 49 milhões de dólares a estarrecedores 383 milhões por dia globalmente. Tempestades, que são a causa mais prevalente de danos, resultaram nas maiores perdas econômicas no mundo. 

Três dos dez desastres mais caros são furacões que ocorreram em 2017. Sozinhos eles foram responsáveis ​​por 35% do total de perdas por desastres econômicos em todo o mundo de 1970 a 2019. Nos Estados Unidos, o Furacão Harvey causou 96,9 bilhões de dólares em danos. Maria, no Caribe, custou 69,4 bilhões, ao passo que Irma, no Cabo Verde, resultou em 58,2 bilhões em perdas. 

Pegadas da mudança climática - "A frequência dos extremos de tempo, clima e água estão aumentando e se tornarão mais frequentes e graves em muitas partes do mundo como resultado das mudanças climáticas", resumiu o secretário-geral da OMM. "Isso significa mais ondas de calor, secas e incêndios florestais como aqueles observados recentemente na Europa e América do Norte".

O aumento de vapor de água na atmosfera exacerbou precipitações extremas e inundações, ao passo que o aumento da temperatura dos oceanos afetou a frequência e a extensão das tempestades tropicais, intensificando-as, o chefe da OMM explicou. 

O relatório citou artigos revisados por pares e publicados na Revista da Sociedade Americana de Meteorologia (do inglês Bulletin of the American Meteorological Society). Os estudos mostram que durante o período de 2015 e 2017, 62 dos 77 eventos reportados revelaram influência humana considerável. Além disso, a probabilidade de ondas de calor aumentou significativamente devido à atividade humana, de acordo com vários estudos feitos desde 2015.

O Atlas da OMM e do UNDRR esclarece que a atribuição de secas às ações antropogênicas, ou fatores humanos, não não é tão clara quanto para ondas de calor devido à variabilidade natural causada por grandes oscilações oceânicas e atmosféricas, como o padrão climático El Niño. No entanto, a seca de 2016-2017 no Leste Africano foi fortemente influenciada pelo aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Índico ocidental para o qual a influência humana contribuiu. 

A mudança climática também aumentou a frequência de  eventos extremos no nível do mar associados com ciclones tropicais, que, por sua vez, aumentaram a intensidade de outros eventos extremos, como inundações e impactos associados. Isso contribuiu para tornar mais vulneráveis megacidades baixas, deltas, costas e ilhas em muitas partes do mundo.

Além disso, cada vez mais estudos estão documentando influência humana exacerbada em eventos extremos de precipitação, algumas vezes combinados com outras influências climáticas. Alguns exemplos incluem a chuva estrema no leste da China em junho e julho de 2016 e o Furacão Harvey, que atingiu Huston em 2017.

Necessidade de adaptação - Somente metade dos 193 membros da Organização Mundial de Meteorologia têm sistemas de alerta precoce multi-riscos. Além disso, o relatório alerta para a existência de lacunas severas em redes de observação climática e hidrológica no continente africano, assim como em algumas partes da América Latina e em Estados Ilha no Pacífico e no Caribe. 

"Mais vidas estão sendo salvas graças aos sistemas de alerta precoces, mas também é verdade que o número de pessoas expostas aos riscos de desastre aumento devido ao crescimento populacional em áreas expostas à perigos e à crescente intensidade e frequência dos eventos climáticos", avaliou a representante especial da ONU e chefe do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, Mami Mizutori. 

"Mais cooperação internacional é necessária para combater os problemas crônicos que submetem um enorme número de pessoas ao deslocamento todos os anos por inundações, tempestades e seca", disse a chefe do UNDRR. 

Mami Mizutori fez um apelo para o aumento do investimento em uma gestão abrangente do risco de desastres para garantir que a adaptação às mudanças climáticas seja integrada nas estratégias nacionais e locais de redução do risco de desastres.

A chefe do UNDRR também alertou que o fracasso em reduzir as perdas decorrentes de desastres como foi estabelecido no Marco de Sendai, em 2015, está colocando em risco a habilidade dos países desenvolvidos de erradicar a pobreza e atingir outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Por último, o Atlas recomenda que os países revejam a própria vulnerabilidade e exposição a desastres considerando que a mudança climática influencia nas rotas dos ciclones tropicais, assim como na sua intensidade e velocidade ao passar. O relatório também pede o desenvolvimento de políticas pró-ativas e integradas em desastres de início lento, como secas. 

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNDRR
Escritório das Nações Unidas para a Redução de Desastres
OMM
Organização Mundial de Meteorologia

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