Guterres: "O racismo sistêmico está enraizado nas instituições, nas culturas, em sistemas jurídicos"
25 março 2025
Mensagem do secretário-geral da ONU para o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas.
O comércio transatlântico de pessoas africanas escravizadas foi um crime contra a humanidade que tem repercussões na história e continua a marcar as sociedades.
Legenda: Estabelecido pela Assembleia Geral da ONU em 2008, o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas recorda a Lei de Abolição do Comércio de Escravos, aprovada no Reino Unido em 25 de março de 1807.
Hoje, recordamos as mulheres, as crianças e os homens arrancados de seus entes queridos…
obrigados a trabalhar em condições agonizantes…
cruelmente punidos e privados da sua dignidade e direitos humanos…
e recordamos os seus atos de resistência e exigências de justiça.
Durante mais de quatro séculos, milhões de pessoas africanas foram raptadas, traficadas, abusadas e desumanizadas.
Este horrível projeto baseou-se na mentira destrutiva da supremacia branca.
E viu muitos colonizadores, corporações e instituições acumularem riquezas inimagináveis.
Durante muito tempo, estes atos impensáveis foram ignorados, não foram denunciados e não tinham solução, enquanto os seus legados continuam a moldar o nosso mundo.
Muitos beneficiam-se ainda dos odiosos lucros obtidos com a escravidão.
O racismo sistêmico está enraizado nas instituições, nas culturas, em sistemas jurídicos, entre outros.
A exclusão profundamente arraigada, a discriminação racial e a violência continuam a minar a capacidade de muitas pessoas de ascendência africana prosperarem.
Como nos recorda o tema do Dia Internacional deste ano, reconhecer os horrores do comércio transatlântico de pessoas escravizadas é um passo essencial para abordar o passado, reparar o presente e construir um futuro de dignidade e de justiça para todas as pessoas.
É imperativo implementar estruturas de justiça reparadora que abordem esta história terrível e os seus legados.
E é preciso acabar com o mal do racismo para sempre.
A dignidade humana de cada pessoa está no âmago das Nações Unidas. Estaremos sempre ao lado de todos, em todo os lugares, para combater a discriminação racial e o ódio, e para defender os direitos humanos e a dignidade de todas as pessoas.