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Novo projeto para escolas facilita construção e manutenção em comunidades indígenas e quilombolas

09 abril 2026

O UNOPS, organismo da ONU especializado em infraestrutura, está desenvolvendo um novo projeto referencial para escolas do FNDE, com foco no atendimento a povos tradicionais que vivem longe dos centros urbanos e/ou com questões de acesso à água e à energia elétrica. 

Diretrizes arquitetônicas consideram demandas das comunidades, aspectos ambientais e a diversidade dos grupos, com inclusão de grafismos e outros elementos que conversam com a realidade local.

Parceria do UNOPS com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação amplia acesso à educação indígena e quilombola.
Legenda: Parceria do UNOPS com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação amplia acesso à educação indígena e quilombola, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Foto: © UNOPS/Divulgação.

Salas para até 40 estudantes, espaço para secretaria, diretoria, um sistema que permita a instalação de ar condicionado. Características que podem ser comuns na infraestrutura escolar em zonas urbanas não funcionam ao se considerar a realidade de comunidades indígenas e quilombolas. Nesses locais, as turmas são menores, não há necessidade de grandes espaços administrativos e os desafios construtivos e logísticos (associados à localização das comunidades) são grandes.

Por conta disso, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) está desenvolvendo um novo projeto para construção de escolas indígenas e quilombolas, como parte da parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O novo projeto referencial prevê que as unidades sejam modulares (o que permite a ampliação e adaptação de maneira mais simples), e tenham 3 tipologias-base (2, 4 e 6 salas), cada uma delas com 3 possibilidades de sistemas construtivos:  em madeira, concreto ou estrutura metálica. 

“A proposta é criar uma biblioteca de projetos, que possa ser usada considerando o contexto das diversas comunidades tradicionais. Com isso, cada comunidade pode receber uma tipologia adequada à demanda de alunos e ao contexto cultural, bem como à disponibilidade e ao custo-benefício dos materiais e sistemas construtivos em cada localidade” , explica o especialista Nacional em Gestão de Obras do UNOPS, Diogo Cavallari. 

“Pretendemos, assim, melhorar o acesso à educação em locais onde o Estado muitas vezes tem dificuldade para chegar, contribuindo para a redução das desigualdades”, completa.

Estrutura modular permite que unidades sejam ampliadas, garantindo que os espaços possam ter novos usos ao longo do tempo, conforme a demanda local.
Legenda: Estrutura modular permite que unidades sejam ampliadas, garantindo que os espaços possam ter novos usos ao longo do tempo, conforme a demanda local.
Foto: © UNOPS/Divulgação.

A presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, explica a iniciativa: 

“Estamos estruturando soluções que respeitam a realidade, a cultura e as necessidades específicas de cada comunidade. Esse novo projeto amplia o acesso à educação com qualidade, ao mesmo tempo em que valoriza a diversidade e promove a sustentabilidade.”

Os novos projetos estão em avaliação para, em breve, serem incorporados ao portfólio de soluções do FNDE.

Vantagens

Com a estrutura modular, as escolas podem ser ampliadas, permitindo mudanças no uso dos ambientes ao longo do tempo. Além disso, cria condições para a existência de salas de aula menores ou maiores que o padrão, a depender da quantidade de alunos, ou para a criação de alojamentos para a hospedagem de professores vindos de fora das comunidades.

Os novos projetos também reúnem diversas soluções que promovem a sustentabilidade e o conforto térmico, como sistema coleta de água da chuva na cobertura, utilização da luz e ventilação naturais e placas fotovoltaicas para captação de energia solar, conectadas a um sistema de baterias nas localidades onde não há ligação com a rede pública.

A adaptabilidade aos contextos locais é promovida, ainda, por meio de amplos beirais, que protegem as paredes externas da incidência direta do sol e das chuvas intensas, típicas do clima amazônico. Há também a previsão de aplicação de grafismos escolhidos por cada comunidade nas paredes externas, elevação do piso da escola em relação ao solo para proteção contra alagamentos em áreas próximas a rios e a criação de espaços de transição entre os ambientes internos e externos para práticas pedagógicas não convencionais.

Beirais amplos auxiliam no conforto térmico, diminuindo a incidência do sol nas salas e apoiando quando há chuvas intensas.
Legenda: Beirais amplos auxiliam no conforto térmico, diminuindo a incidência do sol nas salas e apoiando quando há chuvas intensas.
Foto: © UNOPS/Divulgação.

“Nosso maior desafio foi produzir uma arquitetura que sintetize, ao mesmo tempo, técnicas construtivas tradicionais e linguagem contemporânea de arquitetura, com a utilização de materiais locais para otimização de eficiência logística e inclusão de elementos visuais tradicionais nestes contextos, expressando a identidade de cada comunidade”, comenta o arquiteto Pablo de las Cuevas, da Archi5, empresa que trabalhou no projeto.

A elaboração do novo projeto referencial faz parte do acordo de cooperação técnica do UNOPS com o FNDE - iniciativa que prevê o fortalecimento da gestão da infraestrutura escolar, além da conclusão das obras de 62 escolas indígenas e quilombolas localizadas em áreas distantes dos centros urbanos. O objetivo é ampliar o acesso de comunidades tradicionais à educação, com respeito às diversidades culturais.

Cuidado com o meio ambiente

Um dos principais cuidados tomados pela equipe na elaboração dos projetos referenciais foi em relação à captação e ao tratamento da água, principalmente porque muitos dos locais onde as escolas serão implantadas não estão interligados à rede pública de esgoto. 

"Quando vamos para áreas de maior vulnerabilidade ou com acesso dificultado, precisamos pensar em tecnologias e em um layout que favoreça a manutenção por parte da própria comunidade e o cuidado com questões ambientais", detalha o engenheiro do UNOPS Ângelo Thomás Pimentel Ferreira, que coordenou o  projeto hidrossanitário.

Grafismos e outros elementos podem ser customizados conforme a cultura e os hábitos de cada comunidade.
Legenda: Grafismos e outros elementos podem ser customizados conforme a cultura e os hábitos de cada comunidade.
Foto: © UNOPS/Divulgação.

A inovação está em duas frentes principais. Na gestão de efluentes, o projeto referencial anterior previa a instalação de uma fossa a 4 ou 5 metros de profundidade. A nova versão estabelece a utilização de um tanque séptico com filtro integrado, que pode ser instalado a cerca de 2,5 metros de profundidade. Essa redução gera menos impactos ao lençol freático e facilita a manutenção pela comunidade local.

Na captação de água, o projeto prevê um estudo de qualidade das fontes hídricas disponíveis (rios, poços e nascentes próximas) a ser realizado na fase executiva, permitindo definir a melhor estratégia de captação e tratamento conforme a realidade local. Essa abordagem garante tanto a saúde e segurança das pessoas quanto a preservação dos recursos hídricos da região.

Para saber mais, siga @unops_official nas redes! 

Contato para a imprensa:

UNOPS

Carolina Vicentin

UNOPS
Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos

Entidades da ONU envolvidas nesta atividade

UNOPS
Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos

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