Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz
O multilateralismo faz parte do DNA das Nações Unidas.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Sobre a campanha
O que é multilateralismo?
O multilateralismo é frequentemente definido em oposição ao bilateralismo e ao unilateralismo. Estritamente, indica uma forma de cooperação entre, pelo menos, três Estados.
No entanto, essa definição "quantitativa" não é suficiente para captar a natureza do multilateralismo. Na verdade, não se trata apenas de uma prática ou de uma questão do número de atores envolvidos. Ele envolve a adesão a um projeto comum baseado no respeito a um sistema compartilhado de normas e valores.
O multilateralismo baseia-se em princípios fundamentais como o diálogo, a inclusão e a solidariedade.
Seu funcionamento é determinado por regras desenvolvidas coletivamente que garantem uma cooperação sustentável e eficaz. Elas garantem a todos os atores os mesmos direitos e obrigações ao serem aplicadas continuamente.
O multilateralismo é, desse modo, tanto um método de cooperação quanto uma forma de organização do sistema internacional.
“A cooperação internacional está sob pressão — mesmo que os desafios globais continuem provando uma verdade: nenhum país pode resolvê-los sozinho. É por isso que o multilateralismo é importante. É por isso que precisamos de um compromisso renovado com a cooperação — em um mundo verdadeiramente interconectado e multipolar.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, 14 de janeiro de 2026 - Cerimônia de transferência da Presidência do G77 + China para o Uruguai
História do Multilateralismo
Hoje, vivemos em um mundo multilateral. Mas o que isso significa? Responder a essa pergunta envolve analisar o significado do multilateralismo, compreendendo a sua natureza e o seu lugar no funcionamento do sistema internacional. Saiba mais
Revigorar o multilateralismo
Na Cúpula do Futuro, realizada nas Nações Unidas em setembro de 2024, os líderes mundiais adotaram um Pacto para o Futuro, reafirmando seu compromisso com a paz, o desenvolvimento sustentável e a proteção dos direitos humanos. No mundo interconectado de hoje, os valores do multilateralismo e da diplomacia são mais cruciais do que nunca.
“Quando a lei da força substitui a força da lei, a instabilidade torna-se contagiosa. Os conflitos transbordam as fronteiras. Os choques econômicos reverberam em todo o mundo. E as pessoas mais vulneráveis são sempre as primeiras a sofrer e as que mais sofrem.” - António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, 17 de abril de 2026 - 80º aniversário da Corte Internacional de Justiça
As Nações Unidas, o epicentro do multilateralismo
O multilateralismo faz parte do DNA das Nações Unidas. A Carta da ONU não define apenas a estrutura, a missão e o funcionamento da Organização. Ela é um dos pilares do sistema internacional em que vivemos hoje. Em seu relatório sobre o trabalho das Nações Unidas para a Assembleia Geral em 2018, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recordou que a Carta continua a ser a "bússola moral para promover a paz, avançar a dignidade humana, a prosperidade e defender os direitos humanos e o Estado de Direito".
“Estou diante de vocês neste momento turbulento, convencido de duas verdades fundamentais. Primeiro, a situação do nosso mundo é insustentável. Não podemos continuar assim. E, segundo, os desafios que enfrentamos são solucionáveis. A Cúpula do Futuro foi um primeiro passo, mas temos um longo caminho a percorrer. Os povos do mundo estão de olho em nós – e as gerações futuras olharão para trás e nos julgarão. Que eles nos vejam do lado da Carta das Nações Unidas… do lado de nossos valores e princípios compartilhados… e do lado certo da história”.
A ONU está a serviço dos Estados-membros para alcançar acordos e tomar decisões coletivas. A Carta estabelece claramente que a Organização é um "centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns", a fim de "tomar medidas coletivas eficazes para prevenir e eliminar ameaças à paz", "desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos" e "alcançar a cooperação internacional". Para este fim, as Nações Unidas devem, em particular, trabalhar para resolver "problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário" e desenvolver o "respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todas as pessoas".
Embora as Nações Unidas tenham sido o quadro multilateral por excelência por mais de 80 anos, os processos multilaterais se diversificaram. Um dos desenvolvimentos mais visíveis na diplomacia multilateral é, sem dúvida, representado pelo aumento do número de Estados-membros: de 51 em 1945 para 193 atualmente. Além dessa expansão horizontal, o quadro multilateral também se expandiu verticalmente, incluindo novos atores, como organizações não governamentais (ONGs), atores privados e outras organizações internacionais. Hoje, mais de 1.000 ONGs e organizações internacionais possuem status de observador nas Nações Unidas.
“No final, tudo se resume a valores. Queremos que o mundo que nossos filhos herdarão seja definido pelos valores consagrados na Carta das Nações Unidas: paz, justiça, respeito, direitos humanos, tolerância e solidariedade.” - António Guterres, secretário-geral da ONU
O multilateralismo alcançou resultados tangíveis que levaram a grandes avanços, como, por exemplo, a erradicação da varíola e a recuperação da camada de ozônio, protegendo as condições de vida na Terra. Importantes acordos internacionais também foram concluídos para limitar o controle de armas e para promover e fortalecer os direitos humanos. A cooperação internacional no quadro multilateral das Nações Unidas salva vidas todos os dias.
Compromisso histórico
As Nações Unidas surgiram em 1945, após a devastação da Segunda Guerra Mundial, com uma missão central: a manutenção da paz e da segurança internacionais. A Carta das Nações Unidas estabelece que um dos propósitos e princípios da ONU é o compromisso de resolver disputas por meios pacíficos e a determinação de preservar as gerações futuras do flagelo da guerra.
A prevenção de conflitos continua a ser, no entanto, um aspecto relativamente pouco divulgado do trabalho da ONU. Enquanto isso, o emprego mais eficiente e desejável da diplomacia é aliviar as tensões antes que resultem em conflito ou, caso o conflito ecloda, agir rapidamente para contê-lo e resolver suas causas subjacentes. A diplomacia preventiva é muito importante no apoio aos esforços das Nações Unidas para auxiliar na resolução pacífica de controvérsias.
“Para que a multipolaridade gere equilíbrio, prosperidade e paz, precisamos de instituições multilaterais fortes, cuja legitimidade esteja enraizada na responsabilidade e nos valores compartilhados.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, 29 de janeiro de 2026 - Coletiva de imprensa sobre as prioridades das Nações Unidas
Sobre a data
Em 12 de dezembro de 2018, a Assembleia Geral adotou a resolução que estabeleceu o Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz por uma votação registrada de 144 votos a favor e 2 contra. A Assembleia Geral convida todos os Estados-membros, observadores e organizações das Nações Unidas a celebrarem o Dia Internacional e a divulgarem as vantagens do multilateralismo e da diplomacia para a paz, inclusive por meio de atividades educacionais e de conscientização pública.
Descubra mais:
- Página especial da ONU Brasil sobre os 80 anos da ONU
- Cobertura da ONU News em português sobre paz e diplomacia
- Página do Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz
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