“O compromisso com a Responsabilidade de Proteger é mais essencial do que nunca”
Discurso do secretário-geral António Guterres na sessão da Assembleia Geral sobre o 18º Relatório sobre a Responsabilidade de Proteger (R2P), em 9 de julho.
Senhora presidente,
Excelências, senhoras e senhores,
Há vinte e um anos, os líderes mundiais assumiram um compromisso histórico de proteger as populações contra genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade.
O compromisso com a Responsabilidade de Proteger foi um sinal claro:
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Cada Estado tem a responsabilidade primordial de proteger seu próprio povo.
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E nos casos em que as autoridades nacionais falham nessa tarefa, os Estados-membros assumiram a promessa de tomar medidas coletivas, oportunas e decisivas, em conformidade com a Carta das Nações Unidas.
Crimes de atrocidade podem ocorrer em qualquer lugar.
Mas seus efeitos sobre o mundo e sobre nossa humanidade são compartilhados.
Embora a prevenção comece em casa, ela pode ser apoiada coletivamente.
Excelências,
O relatório que estamos discutindo hoje — o 18º desde que esse compromisso foi assumido — faz um balanço de duas décadas de progresso.
Ele inclui uma reafirmação clara da responsabilidade dos Estados de garantir uma cooperação construtiva e sustentada com as comunidades afetadas, a sociedade civil, as organizações sub-regionais e regionais e as Nações Unidas.
E inclui exemplos inspiradores de liderança nacional, regional e institucional na concretização desse compromisso:
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Desde o poder da diplomacia preventiva e do diálogo, do alerta precoce e das inovações institucionais para prevenir crimes hediondos — tanto em períodos de estabilidade quanto de instabilidade;
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A importância de adotar uma abordagem de prevenção de atrocidades para identificar os riscos enfrentados por determinadas populações;
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A construção de sistemas de justiça independentes e imparciais nos quais as pessoas possam confiar;
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Até o apoio à mídia independente e aos grupos da sociedade civil no desempenho de seu trabalho essencial;
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E ao nosso progresso na integração da prevenção de atrocidades em todo o trabalho humanitário, político e de construção da paz das Nações Unidas, bem como nas operações de paz.
Excelências,
Este relatório não se trata apenas de olhar para o passado.
Trata-se também de agir, agora.
O compromisso com a Responsabilidade de Proteger é mais essencial do que nunca.
O mundo enfrentou mais de 120 conflitos em 2025.
Os conflitos estão se tornando mais prolongados, mais complexos e mais interligados.
E o discurso de ódio on-line, a desinformação e as informações falsas são disseminados e amplificados em um instante.
Com muita frequência, os sinais de alerta precoce são ignorados.
E as respostas costumam ser insuficientes e tardias.
Este relatório faz apelos específicos para fortalecer a norma da Responsabilidade de Proteger nesta nova era de instabilidade e risco geopolítico.
Vemos violações generalizadas do direito internacional e uma crescente sensação de impunidade.
A tecnologia está aumentando o perigo, com novos armamentos sofisticados — e cada vez mais autônomos —, incluindo drones, capazes de causar danos massivos às populações.
Em nível nacional, conclama os Estados-membros a investir em programas nacionais de prevenção e proteção e a estabelecer parcerias com a sociedade civil, por meio da designação de pontos focais e da criação de novos arranjos institucionais internos.
Nos níveis regional e multilateral, conclama à integração da prevenção de atrocidades em todos os instrumentos de promoção da paz, prevenção de conflitos e ação humanitária — incluindo mediação, diplomacia preventiva e diálogo, bem como marcos de segurança, tecnologia, direitos humanos e responsabilização.
Precisamos agir de forma proativa e vigilante, intervindo antes que os sinais de alerta se transformem em valas comuns.
Onde crimes de atrocidade ocorreram, a responsabilidade não se encerra quando a violência cessa.
A não recorrência exige verdade, justiça, responsabilização, reparações, reforma institucional e a participação significativa dos sobreviventes.
Exige que as vozes das mulheres sejam ouvidas e moldem ativamente esses processos, com uma perspectiva de gênero integrada a todas as etapas.
Incentivo os Estados-membros a aderirem aos instrumentos jurídicos internacionais pertinentes e a implementá-los, incluindo a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio.
Excelências,
A Responsabilidade de Proteger está no cerne da nossa missão nas Nações Unidas.
Ela oferece um caminho prático para a prevenção e a paz, fundamentado na nossa humanidade compartilhada e na dignidade de cada pessoa.
Duas décadas depois, mantenhamos a promessa feita pelos líderes mundiais em 2005.
Asseguremos que a prevenção de atrocidades e a proteção das populações se tornem uma prática permanente e universal em todos os lugares.
Muito obrigado.
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