“Sejam bem-vindos à rua mais bonita do mundo, onde a inclusão é o nosso gol de placa”
No Rio de Janeiro, moradores transformam a Copa do Mundo 2026 em uma expressão prática do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 10: Redução das Desigualdades.
Em uma primeira reportagem, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) mostrou como moradores das ruas Capiberibe, Carlos de Vasconcelos e da comunidade Mata Machado, no Rio de Janeiro (RJ), estão revivendo a tradição de decorar as ruas para a Copa do Mundo 2026, e como essas iniciativas expressam, na prática, o ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis.
Mas, para uma parcela significativa das pessoas com deficiência, eventos coletivos como as transmissões da Copa do Mundo, seguem sendo inacessíveis, seja por barreiras físicas, sensoriais ou pela simples ausência de um espaço pensado para recebê-las.
Dados da PNAD Contínua 2023, realizada pelo IBGE, indicam que o Brasil possui aproximadamente 18,6 milhões de Pessoas com Deficiência (PcD) a partir dos 2 anos de idade, representando 8,9% da população.
Na Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel, a mobilização comunitária para a Copa gira em torno da inclusão, transformando a rua em um espaço que expressa, além do ODS 11, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 10: Redução das Desigualdades.
Para registrar essa mobilização, o UNIC Rio visitou a Pereira Nunes para entrevistar Celso Mendes, coordenador e guardião da tradição local, e a psicomotricista Amanda Mendes, uma das organizadoras responsáveis pelas atividades neste ano.
Na Rua Pereira Nunes, na Zona Norte do Rio, os moradores se reuniram pela primeira vez em 1978 para pintar o chão. Celso, que organiza as pinturas desde 1994, assumiu a tarefa de evitar que a tradição desaparecesse.
“Em 94, eles não iam fazer. Aí eu juntei os mais novos e falei: vamos pintar. Toda a dificuldade do mundo, a gente conseguiu. O Brasil foi campeão.”
As atividades deste ano começaram em abril, no Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo. Cerca de 40 crianças com autismo e suas mães vieram à rua para pintar o primeiro desenho da temporada na rua relacionado ao tema de inclusão.
“Vieram 40 crianças e elas puderam pintar o primeiro desenho da rua. Isso foi incrível para eles, para a família, para as mães atípicas verem os seus filhos participarem de um momento desses, que não acontece. Então foi muito gratificante poder trazer e ver esse trabalho feito por eles”, explica Celso Mendes, coordenador das mobilizações para a Copa na Pereira Nunes desde 1994.
A escolha do tema vem de uma história pessoal. Amanda Mendes, que trabalhou por anos como psicomotricista com crianças autistas, viu na Copa uma oportunidade de unir duas lutas. Amanda conta:
“Juntar esse tema com a Copa, foi de muita valia para promover o desenvolvimento motor. Porque eu, como psicomotricista, o meu trabalho é desenvolver realmente a parte cognitiva e motora das crianças. Então, por que não juntar os dois, o futebol e a luta pelo autismo?”
“Aceitar a diversidade fortalece todos nós. Hoje e todos os dias, reafirmemos nossa humanidade comum e renovemos nosso compromisso com um mundo mais inclusivo para todas as pessoas.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, em mensagem para o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, assinalado em 2 de abril de 2026.
O tema da inclusão na Pereira Nunes vai além das atividades de pintura. Celso conta que eles pretendem fazer uma área com acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos durante a transmissão dos jogos.
“Não sei se você viu lá na rua: "Seja bem-vindo à rua mais bonita do mundo, onde a inclusão é o nosso gol de placa". Então cada pessoa que a gente incluir de verdade, a gente tá fazendo um golaço (...) todo jogo do Brasil vai ter telão, vai ter pagode, vai ter uma área só para a inclusão lá na frente do palco”, enfatiza Celso Mendes.
“Quando a inclusão é real, todas as pessoas se beneficiam. Juntas e juntos, podemos construir sociedades mais acessíveis e resilientes, onde todas as pessoas possam prosperar.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, em mensagem para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, assinalado em 3 de dezembro de 2025.
ODS em ação
A mobilização da Rua Pereira Nunes, no Rio de Janeiro, é um exemplo do ODS 10 (Redução das Desigualdades) em ação: ao garantir que crianças neurodivergentes, pessoas com deficiência e idosos tenham um espaço real de participação na torcida.
As metas do ODS 10 incluem garantir, até 2030, a igualdade de oportunidades e reduzir as desigualdades de resultados, inclusive por meio da eliminação de leis, políticas e práticas discriminatórias e da promoção de legislação, políticas e ações adequadas a este respeito.
A iniciativa também dialoga com o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), fortalecendo os espaços públicos como lugar de convivência, pertencimento e cultura.
“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nasceram no Brasil. Do Rio em 1992 à Rio +20, o Brasil sempre foi uma voz de liderança para um modelo de desenvolvimento que integra as dimensões social, econômica e ambiental.” - Amina J. Mohammed, vice-secretária-geral das Nações Unidas, 1º de agosto de 2023.
As negociações intergovernamentais e as consultas públicas que levaram à adoção unânime dos ODS foram lançadas no Brasil, durante a Conferência Rio+ 20, realizada no Rio de Janeiro em 2012
Descubra mais e faça sua parte:
Legislação brasileira:
- Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei Nº 13.146/15)
Convenções e estratégias das Nações Unidas sobre pessoas com deficiência: