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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Notícias
18 junho 2026
Brasília sedia fórum internacional sobre acesso à terra e agricultura familiar
A agricultura familiar constitui a base dos sistemas agroalimentares globais, sendo responsável por mais de 80% dos alimentos produzidos no mundo em termos de valor e garantindo os meios de subsistência de mais de 2,5 bilhões de pessoas. Representantes de 19 países de quatro continentes se reúnem na próxima semana, em Brasília (DF), para dialogar e trocar experiências sobre políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, à governança responsável da posse da terra e à ampliação do acesso equitativo aos recursos produtivos.De 22 a 24 de junho, acontece a segunda edição dos Diálogos Inter-regionais sobre Agricultura Familiar: Inovações para uma Melhor Governança e Acesso Equitativo à Terra, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no marco das ações de sua Plataforma Técnica Regional de Agricultura Familiar, em parceria com o Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). O evento reunirá representantes de governos, organizações de agricultores familiares, organismos internacionais, especialistas e instituições de quatro continentes: América Latina e o Caribe, Ásia, África e Europa.Alinhado à Década das Nações Unidas para a Agricultura Familiar (2019–2028) e às Diretrizes Voluntárias sobre a Governança Responsável da Posse da Terra, da Pesca e das Florestas (DVGT), os Diálogos Inter-Regionais visam contribuir para o avanço do desenvolvimento rural sustentável, da segurança alimentar, e da redução das desigualdades. Além desta sessão no Brasil, esta segunda edição terá outros quatros encontros - Filipinas, Hungria, Egito e Itália - para compartilhar experiências, analisar desafios comuns e identificar oportunidades.Ao longo de três dias, os participantes analisarão evidências globais, regionais e nacionais sobre governança fundiária, conhecerão experiências de referência em políticas públicas de acesso à terra, reforma agrária e regularização fundiária, além de compartilhar soluções e boas práticas desenvolvidas em diferentes regiões do mundo.Os debates destacarão a importância de fortalecer acesso à terra e a governança fundiária de povos indígenas, comunidades afrodescendentes e outras comunidades tradicionais, reconhecendo que a proteção desses territórios é fundamental para preservar meios de subsistência, conservar a biodiversidade e contribuir para o enfrentamento da mudança climática. Segundo o estudo A Situação da Posse e da Governança da Terra, desde a adoção das Diretrizes Voluntárias em 2012, 71 países implementaram algum tipo de reforma agrária. Desses, 27 fizeram referência explícita às Diretrizes em seus processos de reforma. Ainda assim, apenas 35% das terras do mundo possuem documentação oficial de propriedade, posse ou direitos de uso registrados em cadastros ou registros reconhecidos. E mais de 1,1 bilhão de pessoas, quase 23% da população adulta mundial, sentem-se inseguras quanto à posse de suas terras.Em 2025, a primeira edição dos Diálogos reuniu representantes de mais de 40 países e permitiu identificar em práticas sustentáveis, inovação, transferência de tecnologia e parcerias estratégicas. Serviço: II Edição dos Diálogos Inter-regionais sobre Agricultura Familiar – Inovações para uma Melhor Governança e Acesso Equitativo à TerraData: 22 a 24 de junho de 2026Local: Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF)Participantes: representantes de governos, organismos internacionais, organizações da agricultura familiar, instituições de pesquisa e especialistas de diferentes regiões do mundo.Para mais informações, siga @FAOBrasilCoop e acesse a página em português dos Diálogos Inter-Regionais da FAO. Contato para a Imprensa:Palova Brito, Comunicadora do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: Palova.SouzaBrito@fao.org
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12 junho 2026
Uma Copa sob calor extremo: ONU lança pacote sobre impactos climáticos no Mundial de 2026
A Copa do Mundo da FIFA de 2026 será disputada em um momento de aumento dos níveis de calor extremo, impulsionado pelo agravamento das mudanças climáticas que afetam bilhões de pessoas em todo o mundo.Espera-se que o calor extremo seja parte importante da narrativa do torneio — em campo, nas arquibancadas, nas cidades-sede e também para os torcedores que acompanharão os jogos ao redor do planeta.O público provavelmente verá sinais visíveis de como o esporte está sendo afetado: ritmo de jogo mais lento, jogadores administrando melhor o esforço físico, mudanças táticas, substituições precoces, pausas para hidratação, toalhas refrescantes, coletes com gelo, medidas de proteção para os torcedores e possíveis interrupções, além de riscos à saúde dentro e no entorno das cidades-sede.Pacote informativo e materiais visuaisPara ajudar emissoras, veículos de comunicação de todos os formatos, narradores, comentaristas e analistas a explicar esses impactos com precisão e contar essa história de forma envolvente, a ONU Mudança do Clima (UNFCCC) preparou um pacote informativo, disponível aqui. O pacote inclui:Informações factuais sobre como o calor extremo deverá impactar o torneio, incluindo dados-chave e fontes. Um breve resumo dos principais fatos está apresentado abaixo.Depoimentos em vídeo, incluindo participações do jogador Malik Tillman (seleção dos Estados Unidos), do secretário-executivo da ONU Mudança do Clima, Simon Stiell, e do especialista em saúde Professor Ollie Jay. (Sem embargo; transcrições também disponíveis.)Imagens de apoio (B-roll) destacando impactos mais amplos das mudanças climáticas, suas causas e possíveis soluções. (Distribuídas pela UNifeed, sem restrições de direitos e sem embargo.)Lista de especialistas disponíveis para entrevistas e respectivas informações de contato.Resumo dos principais fatos sobre calor extremo e a Copa do Mundo da FIFA de 2026:Um quarto de todas as partidas da Copa do Mundo de 2026 — 26 dos 104 jogos — deverá ocorrer em condições de calor consideradas perigosas.A final da Copa do Mundo, em Nova York/Nova Jersey, duas partidas das quartas de final e a disputa pelo terceiro lugar estão entre os jogos que podem ultrapassar esse limite de calor.Quatorze dos dezesseis estádios-sede já excedem os limites considerados seguros para a prática esportiva em relação a pelo menos três grandes riscos climáticos, incluindo calor extremo, chuvas intensas que inviabilizam partidas e inundações.O público está engajado. Pesquisas com torcedores mostram um forte apoio popular à ação climática:96% dos torcedores mexicanos, 90% dos canadenses e 87% dos norte-americanos acreditam que a Copa do Mundo deve servir como modelo global de sustentabilidade no esporte.Nos três países, 86% afirmam que clubes e entidades esportivas devem se posicionar sobre a crise climática, enquanto 92% apoiam que atletas falem publicamente sobre as mudanças climáticas.Consulte o pacote informativo acima para obter mais dados e acessar os links para as fontes utilizadas.A mensagem principal é simples: o aquecimento global está afetando aquilo de que precisamos, como alimentos e empregos. Mas também está impactando aquilo que amamos — como o futebol, desde o mais alto nível profissional até as categorias de base e o esporte comunitário.As informações serão atualizadas durante o torneio.Contato para a imprensa:Dom Goggins, ONU Mudança do Clima: DGoggins@unfccc.int e press@unfccc.int Para questões técnicas relacionadas ao b-roll e/ou depoimentos em vídeo, entre em contato pelo e-mail press@unfccc.int.
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15 junho 2026
Especialistas da ONU prestam assessoria técnica para fortalecer a proteção dos Povos Indígenas em isolamento e em contato inicial
Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas concluíram uma missão de 10 dias ao Brasil, realizada de 1 a 10 de junho de 2026, para coletar informações e participar de diálogos que servirão de base para recomendações técnicas destinadas a fortalecer a proteção dos direitos dos povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial. Após a conclusão da missão internacional, o Mecanismo de Especialistas das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP) enfatizou que a proteção efetiva desses povos depende do pleno reconhecimento, da demarcação, da segurança jurídica e da proteção de suas terras, territórios e recursos, incluindo medidas preventivas contra invasões, atividades ilegais, violência e danos ambientais, em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos, incluindo a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. O Mecanismo das Nações Unidas enfatizou que o pleno respeito à decisão de permanecer em isolamento, incluindo o princípio do não contato, deve orientar todas as ações de proteção dos direitos dos povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial. O Governo do Brasil acolheu com satisfação a visita, realizada a pedido do Grupo de Trabalho Internacional para a Proteção dos Povos Indígenas em Isolamento e em Contato Inicial (GTI-PIACI), uma aliança de 21 organizações indígenas e indigenistas da América do Sul.Durante a missão, a delegação do EMRIP, composta por Anexa B. Alfred Cunningham, presidente e chefe da missão, e Ojot Miru Ojulu, vice-presidente, visitou o Território Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, uma reserva protegida de 1,8 milhão de hectares no estado de Rondônia. A missão incluiu visitas à Base de Proteção Etnoambiental de Bananeiras (FUNAI), à aldeia de Trincheiras do Povo Amondawa e à aldeia de Jamari do Povo Jupaú, bem como reuniões com autoridades em Brasília, a capital federal.Ao longo dos dez dias, os especialistas se reuniram com autoridades federais e estaduais, organizações de povos indígenas, estruturas de liderança tradicionais, sociedade civil, instituições nacionais de direitos humanos e outras partes interessadas. Eles também mantiveram intercâmbios diretos com representantes indígenas que trabalham para proteger territórios onde vivem povos em isolamento e em contato inicial. A delegação expressou seu agradecimento a todos os interlocutores pelo diálogo e pelo compartilhamento de conhecimentos.Os especialistas ressaltaram que todas as políticas e medidas devem ser elaboradas e implementadas em parceria com os povos indígenas e suas instituições representativas, respeitando seus direitos à autodeterminação, ao consentimento livre, prévio e informado e a abordagens culturalmente adequadas.Além disso, o EMRIP destacou o papel fundamental das instituições judiciais na proteção dos povos indígenas em isolamento e em contato inicial contra o contato forçado relacionado a atividades econômicas, como mineração, agronegócio, turismo e projetos de infraestrutura, bem como outras incursões de terceiros que possam levar ao deslocamento, contaminação ou outros danos.O Mecanismo de Especialistas emitirá uma nota técnica consultiva nos próximos meses. Tanto o Estado quanto as organizações solicitantes também serão convidados a compartilhar suas experiências de engajamento de país na 19ª sessão anual do EMRIP, a ser realizada em Genebra de 13 a 17 de julho de 2027.NOTAS PARA EDITORES O Mecanismo de Especialistas de Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP) é um órgão subsidiário do Conselho de Direitos Humanos da ONU com o mandato de prover o Conselho com conhecimentos especializados sobre os direitos dos povos indígenas, conforme estabelecido na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, e prestar assistência aos Estados-membros, mediante solicitação, na implementação dos direitos previstos na Declaração por meio da promoção, proteção e realização dos direitos dos povos indígenas.Mais informações (em inglês): https://www.ohchr.org/EN/Issues/IPeoples/EMRIP/Pages/EMRIPIndex.aspxContatos para a imprensa: Belen Rodriguez de Alba Freiria, EMRIP: belen.rodriguezdealbafreiria@un.orgPascal Sim, Porta-voz do Conselho de Direitos Humanos: simp@un.orgMatthew Brown, Oficial de Comunicação Pública, Conselho de Direitos Humanos: matthew.brown@un.org
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06 junho 2026
Igor Garafulic assume como coordenador residente da ONU no Brasil
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, nomeou o chileno Igor Garafulic como coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, com a aprovação do Governo brasileiro. Ele assumiu suas funções no dia 1º de junho.O Sr. Garafulic possui mais de 30 anos de experiência em desenvolvimento internacional, política econômica, diálogo político e coordenação multilateral, adquirida por meio de cargos de liderança no Sistema das Nações Unidas e no serviço público em diversos países da América Latina e de outras regiões.
Mais recentemente, atuou como Coordenador Residente interino das Nações Unidas no Azerbaijão, após desempenhar função semelhante no Paraguai. Anteriormente, foi Coordenador Residente das Nações Unidas no Peru e em Honduras. Antes de assumir essas funções, ocupou diversos cargos de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incluindo Diretor de País na Guatemala, Assessor Sênior e, posteriormente, Chefe de Gabinete do Escritório Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe.Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Sr. Garafulic foi Governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de Diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, representou o Chile em negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), ao Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).O Sr. Garafulic possui mestrado em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e graduação em Economia pela Universidade do Chile.É fluente em inglês, espanhol, português e sueco.É casado e tem dois filhos.
Mais recentemente, atuou como Coordenador Residente interino das Nações Unidas no Azerbaijão, após desempenhar função semelhante no Paraguai. Anteriormente, foi Coordenador Residente das Nações Unidas no Peru e em Honduras. Antes de assumir essas funções, ocupou diversos cargos de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incluindo Diretor de País na Guatemala, Assessor Sênior e, posteriormente, Chefe de Gabinete do Escritório Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe.Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Sr. Garafulic foi Governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de Diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, representou o Chile em negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), ao Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).O Sr. Garafulic possui mestrado em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e graduação em Economia pela Universidade do Chile.É fluente em inglês, espanhol, português e sueco.É casado e tem dois filhos.
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14 maio 2026
ONU Brasil lança Relatório Anual 2025
O recém-lançado Relatório Anual das Nações Unidas destaca os principais resultados alcançados pelo Sistema ONU no Brasil ao longo de 2025. Por meio de planejamento integrado, coordenação interagencial e investimentos catalisadores, as 25 entidades da ONU atuaram em parceria com o Estado brasileiro e com os três níveis de governo para promover o desenvolvimento sustentável do país, considerando as necessidades específicas dos diferentes grupos populacionais e a proteção do meio ambiente.Em um ano de muito destaque internacional para o Brasil, com a Cúpula dos BRICS e a realização da COP30 na Amazônia, a ONU trabalhou incessantemente para apoiar o país e ajudou na formulação, aperfeiçoamento e implementação de 85 políticas públicas, além de 18 instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário.Seguindo as diretrizes do Marco de Cooperação, vigente de 2023 a 2027, ao longo de 2025 a ONU trabalhou em temas como direitos humanos, ação climática, combate à fome e à pobreza, comércio, justiça, prevenção de desastres e trabalho decente. Foram 338 iniciativas implementadas, às quais foram destinados US$ 213 milhões. Os benefícios alcançaram milhões de pessoas em todo o país. De acordo com a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, “o ano de 2025 marcou a consolidação do Sistema das Nações Unidas no Brasil como um parceiro estratégico, coerente e de alto valor agregado para o país, em um contexto nacional e internacional de elevada complexidade”. O relatório anual ressalta, além dos resultados, os desafios, a execução financeira, os principais doadores e os 253 parceiros que trabalham junto com o Sistema ONU para que o Brasil avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Apresenta, ainda, as principais conquistas de cada uma das 25 agências especializadas, fundos e programas da ONU que atuam no Brasil.Confira dez destaques de 2025:10 anos da Livres & Iguais no BrasilFundo Brasil-ONU para a Amazônia em açãoJovens indígenas ocupam redes da @ONUBrasilApoio aos BRICSPreparação da COP30Brasil fora do Mapa da Fome80 anos da ONUONU Brasil na COP30Revisão de meio termo do Marco de CooperaçãoEliminação da transmissão vertical do HIVMarco de CooperaçãoAssinado em 2023 com o Estado brasileiro, o Marco de Cooperação é o principal documento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação das ações da ONU no país. Ele organiza o trabalho das agências especializadas, fundos e programas das Nações Unidas com atuação no país em torno de cinco eixos temáticos:Transformação Econômica para o Desenvolvimento SustentávelInclusão Social para o Desenvolvimento SustentávelMeio Ambiente e Mudança do Clima para o Desenvolvimento SustentávelGovernança e Capacidades InstitucionaisRelação das Ações Humanitárias e de Desenvolvimento Sustentável Para saber mais, leia aqui o relatório completo e siga @onubrasil nas redes!Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
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História
19 junho 2026
“Desenvolvi habilidades que eu não sabia que tinha”
Em 2025, aos 16 anos, Iara Lima, estudante da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio José de Caldas Brito, em Linhares (ES), iniciou o ano letivo no 6º ano, com cinco anos de atraso em relação à idade adequada para a série. Por esse motivo, ingressou no Programa Sucesso Escolar (PSE) – iniciativa que faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) –, implementado pela Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo. O programa tem como objetivo o enfrentamento da distorção idade-série e a recomposição das aprendizagens para que os estudantes aprendam e avancem nos estudos.“Eu estava bem defasada e vi o programa como uma oportunidade para conseguir progredir mais e alcançar meu objetivo. Eu entrei determinada a passar”, afirma.Seu desempenho consistente consolidou sua progressão para o 9º ano e reforçou seu projeto de continuar os estudos e ingressar no ensino superior. Iara assumiu um papel de protagonismo na turma, foi eleita vice-líder de classe e passou a apoiar colegas que enfrentavam dificuldades semelhantes às que ela própria vivenciou.“O professor me apoiou bastante, me deu conselhos, e eu conversava muito com ele. Percebi que tenho capacidade de liderar pessoas e desenvolvi habilidades que eu não sabia que tinha”, diz Iara. Para a mãe, Camila da Silva, o retorno à escola marcou um novo momento na vida da filha:“Fiquei muito feliz. Ela voltou mais esforçada e cada dia está se dedicando mais”.Os planos para o futuro de Iara já estão desenhados. “Quero terminar a escola e fazer faculdade de psicologia”, afirma. O interesse surgiu a partir da convivência com outras pessoas no ambiente escolar. “Eu gosto de conversar, de ajudar quando vejo alguém mais isolado. Isso me chamou atenção”. Ainda sobre o futuro, Iara conta: “Eu penso muito em como vou me ver lá na frente. Quero ter um futuro melhor e estou aproveitando as oportunidades”. Refletindo sobre sua trajetória, ela deixa um conselho para outros jovens que enfrentam dificuldades na escola: “Eu daria o conselho de não desistir. Com fé e perseverança, você vai conseguir”.Escola como ambiente acolhedorAo longo de cinco anos de implementação, o Programa Sucesso Escolar (PSE) ganhou identidade própria e se consolidou como um espaço de acolhimento para estudantes em distorção idade-série na escola. Sem rótulos, os estudantes são acompanhados por meio de tutorias individualizadas e incentivados a desenvolver o sentimento de pertencimento à escola. Durante o ano letivo, a equipe pedagógica acompanha de perto cada estudante, observando seu desenvolvimento, amadurecimento e a construção de habilidades para definir, de forma responsável, o avanço mais adequado em sua trajetória escolar.Para a coordenadora pedagógica, Carmen Gisele Martins da Silva, o acompanhamento individualizado e a tutoria são fundamentais para que os estudantes se engajem novamente: “Quando o aluno percebe que tem alguém acompanhando de perto, cobrando, orientando e entendendo o que ele viveu, ele se sente mais seguro e passa a se envolver mais com a escola. Quando eles começam a se sentir importantes dentro da escola, o desenvolvimento aparece”.A experiência de Iara reflete a de muitos estudantes atendidos pelo Programa Sucesso Escolar. Segundo o ex-professor de Iara na turma do programa, Bruno Gomes, os estudantes costumam chegar com histórico de interrupções na trajetória escolar e dificuldades acumuladas ao longo dos anos.“Esses estudantes chegam com defasagens e, muitas vezes, com dificuldades de aprendizagem e de adaptação ao ambiente escolar. O trabalho começa mostrando que é possível avançar, mas com acompanhamento próximo, diálogo e com exigência, para que o resultado seja consistente”, explica.Para a professora de Língua Portuguesa e nova tutora da turma, Andressa Alvarenga, o trabalho vai além do conteúdo escolar. “A gente procura trabalhar de forma dinâmica, com projetos, convivência, empatia e responsabilidade. Não é só aprender o conteúdo, mas também se desenvolver como pessoa e como estudante”, afirma. Ação do UNICEF e estratégia Trajetórias de Sucesso EscolarPara a subgerente de Desenvolvimento Curricular no Estado, Débora Aparecida Furieri Matos, a parceria constante com o UNICEF tem sido fundamental para fortalecer a proposta do programa:“O Programa Sucesso Escolar foi construído em diálogo com o UNICEF para enfrentar a distorção idade-série no estado. Desde então, mantemos uma parceria permanente, com reuniões, diálogos pedagógicos, visitas às escolas e apoio para o aprimoramento do programa. Essa cooperação tem sido fundamental para fortalecer a proposta, revisar o currículo ao longo dos anos e apoiar as equipes escolares no atendimento aos estudantes que chegam com maiores dificuldades”.A estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE) é desenvolvida tendo a Roda Educativa como parceiro implementador. O objetivo é facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes.A página da TSE disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.Para a estratégia, o UNICEF Brasil conta com a parceria do Instituto Claro. Para ações gerais de Educação, temos também a parceria estratégica de TP, parceria da Fundação Itaú e o apoio de FTD Educação. Além disso, o UNICEF tem a XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil.Para saber mais, acesse a página das Trajetórias de Sucesso Escolar e siga @unicefbrasil nas redes.
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História
16 junho 2026
“É muito importante ter representação indígena numa sociedade”
Em Pacaraima, Roraima, Gabriel auxilia quem vive uma realidade parecida com a qual ele mesmo já enfrentou. Natural da Venezuela, vivenciou as dificuldades de ser Warao e refugiado. Hoje, faz a identificação, atendimento e acompanhamento de pessoas indígenas que buscam proteção no país. Gabriel trabalha como mediador intercultural no Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados (SJMR), organização parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). “No acompanhamento, eu gosto de fazer perguntas, conhecer as culturas, aprender algumas palavras do dialeto da pessoa e ter essa troca de conhecimentos”, explica. Ele conta que é muito importante levar em consideração todas as etnias e suas diferenças. “Muitas pessoas chegam aqui e acham que como indígenas, não vão receber atenção”.Ele afirma que a maior demanda é justamente de sua população, Warao, mas no exercício do seu trabalho, percebeu que outras tantas etnias, por vezes, passavam despercebidas ou não identificadas. Desde que começou na função, o mediador intercultural já mapeou 19 etnias indígenas vindas da Venezuela para o Brasil.“Eu me apresento, falo o meu cargo e depois explico os serviços que presto como mediador intercultural. Eu faço eles saberem que eu vou dar atendimento por ser parte de uma etnia indígena. E que eles vão receber um atendimento diferenciado”.Hoje, possui algumas tarefas de intérprete, traduzindo português, espanhol e Warao, mas, principalmente, acompanha grupos que estão chegando no Brasil na emissão e renovação dos documentos.A importância da representação“Quando comecei como mediador, logo na primeira semana, chegou à Pacaraima uma família que tinha mais ou menos 36 pessoas Warao. Nesse grupo, havia uma mulher grávida. Pouco tempo após a chegada, ela deu à luz à criança. Eu já tinha feito o atendimento dela. Prestei apoio como mediador e os pais me perguntaram se podiam colocar o nome da criança de Gabriel Jesus, como forma de agradecimento a mim e aos Jesuítas. Eu estou representando essa gente também”, se emociona. Em 1991, o IBGE incluiu indígenas no censo demográfico nacional. Dados de 2022 registraram 1.693.535 pessoas indígenas no Brasil, de 391 etnias, que falam 295 línguas. Quanto aos indígenas vindos da Venezuela em situação de refúgio no país, dados do proGres, sistema do ACNUR voltado ao registro e à gestão de casos, indicam, até março de 2026, a presença de 13.962 pessoas. Já o Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) registrava, no mesmo período, 9,4 mil indígenas refugiados e migrantes cadastrados em diferentes estados do Brasil.“É muito importante ter representação indígena numa sociedade. Assegura as tradições e culturas das várias etnias, que fazem parte da diversidade que existe aqui no Brasil”, comenta Gabriel sobre a representatividade indígena nas políticas públicas brasileiras. O sonho dele, enquanto indígena Warao, é levar para a Venezuela o conhecimento que o Brasil oferece sobre representatividade indígena.“Quero demonstrar esse conhecimento às comunidades na Venezuela e que elas saibam da autonomia que se tem aqui”.Entre a cidade, a comunidade e um novo paísGabriel é natural da cidade de Sotillo, no estado venezuelano de Monagas. Aos seis anos, seus pais o levaram para passar um tempo na comunidade Warao de sua família para que ele pudesse aprender os conhecimentos fundamentais de sua etnia.“É uma lembrança que até hoje não esqueço. Quando fui levado para lá para conhecer como são as casas de palafita, como distribuem os afazeres e como levar esse os conhecimentos para outras pessoas. Minha avó me contou das histórias Warao dos costumes que temos na comunidade. Meu avô explicou como era o deslocamento do povo Warao navegando em rios, a responsabilidade da pesca, colheita de frutas e do trabalho do dia a dia. Eu não sabia nadar muito bem e ele me ensinou também”, conta emocionado. Hoje em dia, Gabriel mora com parte de sua família e faz questão de se comunicar no dialeto Warao. Além da língua, ele preserva a cultura do artesanato, que também aprendeu ainda pequeno.“O artesanato é algo que vem passando por anos e gerações. Esse conhecimento vem perseverando. O que mais guardo da minha cultura são essas manualidades. Ser Warao é ter essa responsabilidade de manter nossa cultura viva para quem vêm depois”.A vinda para o Brasil não foi fácil. Ele enfrentou discriminação, preconceito, dificuldades de adaptação. Mas hoje em dia, além de falar muito bem português, Gabriel tenta compartilhar com brasileiros os saberes Warao. O trabalho do ACNUR junto às populações indígenas“Pessoas refugiadas costumam chegar a um novo país bastante fragilizadas, com muitos medos e inseguranças. Mas há grupos que chegam em situações ainda mais vulneráveis, como é o caso de pessoas indígenas. É por isso que essas pessoas precisam de apoio específico, considerando suas necessidades e particularidades de suas culturas e tradições. Viabilizar a contratação de um mediador intercultural indígena com a parceria de SJMR é oferecer conforto e confiança a essas pessoas”, destaca o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli.Com o início do fluxo de pessoas refugiadas e em busca de proteção internacional da Venezuela para o Brasil, o ACNUR passou a desenvolver atividades voltadas à população indígena do país vizinho. Desde 2025, esse trabalho – incluindo a contratação de Gabriel como mediador intercultural – tem contado com o apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, iniciativa das Nações Unidas, Governo do Brasil e Consórcio Amazônia Legal, com financiamento do Governo do Canadá.No ano passado, foi assinado um Memorando de Entendimento entre o ACNUR e o Ministério dos Povos Indígenas, durante a COP30, que consolidou bases de cooperação voltadas ao fortalecimento de políticas públicas culturalmente adequadas, à ampliação da capacidade institucional de estados e municípios, à promoção da convivência pacífica entre comunidades indígenas anfitriãs e indígenas refugiada, e o apoio à liderança, participação e organização comunitária. Para saber mais, siga @acnurbrasil e visite a página do ACNUR sobre o trabalho com populações indígenas.
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História
15 junho 2026
“Sejam bem-vindos à rua mais bonita do mundo, onde a inclusão é o nosso gol de placa”
Em uma primeira reportagem, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) mostrou como moradores das ruas Capiberibe, Carlos de Vasconcelos e da comunidade Mata Machado, no Rio de Janeiro (RJ), estão revivendo a tradição de decorar as ruas para a Copa do Mundo 2026, e como essas iniciativas expressam, na prática, o ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis. Mas, para uma parcela significativa das pessoas com deficiência, eventos coletivos como as transmissões da Copa do Mundo, seguem sendo inacessíveis, seja por barreiras físicas, sensoriais ou pela simples ausência de um espaço pensado para recebê-las.Dados da PNAD Contínua 2023, realizada pelo IBGE, indicam que o Brasil possui aproximadamente 18,6 milhões de Pessoas com Deficiência (PcD) a partir dos 2 anos de idade, representando 8,9% da população.Na Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel, a mobilização comunitária para a Copa gira em torno da inclusão, transformando a rua em um espaço que expressa, além do ODS 11, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 10: Redução das Desigualdades.Para registrar essa mobilização, o UNIC Rio visitou a Pereira Nunes para entrevistar Celso Mendes, coordenador e guardião da tradição local, e a psicomotricista Amanda Mendes, uma das organizadoras responsáveis pelas atividades neste ano. Na Rua Pereira Nunes, na Zona Norte do Rio, os moradores se reuniram pela primeira vez em 1978 para pintar o chão. Celso, que organiza as pinturas desde 1994, assumiu a tarefa de evitar que a tradição desaparecesse. “Em 94, eles não iam fazer. Aí eu juntei os mais novos e falei: vamos pintar. Toda a dificuldade do mundo, a gente conseguiu. O Brasil foi campeão.” As atividades deste ano começaram em abril, no Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo. Cerca de 40 crianças com autismo e suas mães vieram à rua para pintar o primeiro desenho da temporada na rua relacionado ao tema de inclusão.“Vieram 40 crianças e elas puderam pintar o primeiro desenho da rua. Isso foi incrível para eles, para a família, para as mães atípicas verem os seus filhos participarem de um momento desses, que não acontece. Então foi muito gratificante poder trazer e ver esse trabalho feito por eles”, explica Celso Mendes, coordenador das mobilizações para a Copa na Pereira Nunes desde 1994.A escolha do tema vem de uma história pessoal. Amanda Mendes, que trabalhou por anos como psicomotricista com crianças autistas, viu na Copa uma oportunidade de unir duas lutas. Amanda conta:“Juntar esse tema com a Copa, foi de muita valia para promover o desenvolvimento motor. Porque eu, como psicomotricista, o meu trabalho é desenvolver realmente a parte cognitiva e motora das crianças. Então, por que não juntar os dois, o futebol e a luta pelo autismo?” “Aceitar a diversidade fortalece todos nós. Hoje e todos os dias, reafirmemos nossa humanidade comum e renovemos nosso compromisso com um mundo mais inclusivo para todas as pessoas.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, em mensagem para o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, assinalado em 2 de abril de 2026.O tema da inclusão na Pereira Nunes vai além das atividades de pintura. Celso conta que eles pretendem fazer uma área com acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos durante a transmissão dos jogos. “Não sei se você viu lá na rua: "Seja bem-vindo à rua mais bonita do mundo, onde a inclusão é o nosso gol de placa". Então cada pessoa que a gente incluir de verdade, a gente tá fazendo um golaço (...) todo jogo do Brasil vai ter telão, vai ter pagode, vai ter uma área só para a inclusão lá na frente do palco”, enfatiza Celso Mendes. “Quando a inclusão é real, todas as pessoas se beneficiam. Juntas e juntos, podemos construir sociedades mais acessíveis e resilientes, onde todas as pessoas possam prosperar.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, em mensagem para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, assinalado em 3 de dezembro de 2025. ODS em açãoA mobilização da Rua Pereira Nunes, no Rio de Janeiro, é um exemplo do ODS 10 (Redução das Desigualdades) em ação: ao garantir que crianças neurodivergentes, pessoas com deficiência e idosos tenham um espaço real de participação na torcida. As metas do ODS 10 incluem garantir, até 2030, a igualdade de oportunidades e reduzir as desigualdades de resultados, inclusive por meio da eliminação de leis, políticas e práticas discriminatórias e da promoção de legislação, políticas e ações adequadas a este respeito. A iniciativa também dialoga com o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), fortalecendo os espaços públicos como lugar de convivência, pertencimento e cultura.“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nasceram no Brasil. Do Rio em 1992 à Rio +20, o Brasil sempre foi uma voz de liderança para um modelo de desenvolvimento que integra as dimensões social, econômica e ambiental.” - Amina J. Mohammed, vice-secretária-geral das Nações Unidas, 1º de agosto de 2023. Descubra mais e faça sua parte:Legislação brasileira:Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei Nº 13.146/15)Convenções e estratégias das Nações Unidas sobre pessoas com deficiência: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com DeficiênciaEstratégia da ONU de Inclusão de Pessoas com Deficiência30 anos da Declaração de Salamanca sobre Educação InclusivaGuia “Incluir: o que é, como e por que fazer?"Página da OPAS/OMS sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
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História
10 junho 2026
“O saber tradicional mostra que cultivar guaraná é muito mais que produzir”
Em Maués, no estado do Amazonas, município conhecido como a Terra do Guaraná, o sítio Surucucu é exemplo da combinação sustentável entre conservação, inovação e produção agrícola. À frente dessa história, estão Claudomiro de Souza e seu filho, Cleberson de Souza, que dão continuidade a uma herança cultivada há gerações: o guaraná amazônico. Cleberson conta, com orgulho, que é a terceira geração de “guaranacultor”, como são chamados os produtores de guaraná. A história do sítio Surucucu, no entanto, não é isolada. Em Maués, cerca de mil famílias vivem direta ou indiretamente do guaraná. O fruto, considerado um dia moeda de troca entre povos indígenas, firma-se hoje como motor de uma bioeconomia em diálogo com a floresta e que sustenta as comunidades locais.As famílias que se dedicam à cultura do guaraná, como Claudomiro e Cleberson, ajudam a preservar o bioma amazônico. “O guaraná é um produto-prêmio da Amazônia. É a origem da nossa cidade, Maués, e é também o futuro para nós e para nossos filhos”, explica Cleberson. Por meio da marca Flor do Guaraná, criada pelo pai e filho, o produto chega a todo o Brasil e alcança mercados europeus e dos Estados Unidos. A produção do sítio Surucucu mantém a área de vegetação nativa da propriedade conservada e possui certificação orgânica e Indicação Geográfica (IG) – garantindo não apenas qualidade, mas também o reconhecimento e validação das técnicas tradicionais de cultivo utilizadas. Grande motor da economia local, o guaraná de Maués mantém vivas as práticas ancestrais de cultivo do pequeno produtor e mostra que é possível combinar conservação, saberes tradicionais e inovação.Floresta como sustento: ação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)A trajetória de Claudomiro e Cleberson ganhou um novo capítulo com a chegada do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), pela Modalidade Conservação do Projeto Floresta+ Amazônia. Por conservar áreas de floresta nativa e manter o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em dia, a família passou a receber apoio financeiro que se reverte em melhorias diretas para a produção e a vida comunitária. “Com gratidão, lembro que não estamos sozinhos: o saber tradicional, aliado ao apoio de parceiros como o Projeto Floresta+ Amazônia, mostra que cultivar guaraná é muito mais que produzir. É manter viva uma tradição, gerar renda com dignidade e fortalecer a raiz cultural que sustenta nossa família”, afirma Cleberson. Com os recursos do Floresta+ Amazônia, foi possível investir em embalagens modernas e atrativas, desenvolvidas também em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/Amazonas), além de garantir presença em feiras que conectam produtores locais a compradores de todo o Brasil e do mundo. As técnicas de colheita seletiva dos frutos maduros, a torra das sementes e o beneficiamento artesanal resultam em pó e bastão de guaraná considerados entre os melhores do mundo. Hoje, os produtos da família chegam a mercados exigentes dos Estados Unidos e da Europa, conquistando espaço também nas feiras nacionais e internacionais, onde são apresentados sob a marca Flor do Guaraná.Recentemente, os agricultores expuseram seus produtos orgânicos na Amazon Tech, que reuniu empreendedores de toda a América Latina e do Brasil. “O Pagamento por Serviços Ambientais nos permitiu melhorar os tratos culturais, as embalagens e levar o nosso guaraná para competir de forma justa e valorizada. Estamos felizes e agradecidos pela parceria”, ressalta Claudomiro.Para saber mais, siga @pnud_brasil e @florestamaisamazonia e visite a página do Projeto Floresta+ Amazônia do PNUD Brasil.
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História
10 junho 2026
“Pintar a rua sempre representou muito mais do que futebol”
Com a aproximação da Copa do Mundo 2026 da FIFA, pessoas em todo o Brasil seguem uma antiga prática coletiva de preparação da torcida: a decoração das ruas. Muito além do futebol, as iniciativas de pintura de rua são exemplos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis, promovendo os espaços públicos como lugar de convivência e conexão.A união de comunidades e vizinhanças na decoração de ruas é uma tradição que fortalece os laços de pertencimento de uma comunidade com sua região. Em um mundo cada vez mais digital, mobilizar a população mais jovem para participar em atividades de rua vem se tornando um desafio. Em muitos lugares essa tradição perdeu força, e até chegou a ser descontinuada. Na cidade do Rio de Janeiro, moradores das ruas Carlos de Vasconcelos, Capiberibe e na comunidade Mata Machado estão se organizando para reviver e dar continuidade à essa tradição. Em entrevistas concedidas ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), lideranças comunitárias compartilham suas experiências de reunir vizinhanças e visitantes para a Copa do Mundo 2026. Na Rua Capiberibe, em Santo Cristo, as atividades foram organizadas pelo Centro Cultural Capiberibe 27, e patrocinadas por comerciantes do bairro — uma loja de tintas, um supermercado e um depósito de bebidas. Uma moradora doou cem picolés para o almoço coletivo da pintura. Isabela Boechat, do Centro Cultural Capiberibe 27 conta:“Pintar a rua sempre representou muito mais do que futebol. É um símbolo de convivência, identidade e orgulho do lugar onde a gente vive. Quando a rua ganha cor, as pessoas também voltam a se encontrar, conversar e ocupar o espaço público de forma positiva.”“Mais do que preparar a rua para a Copa, a iniciativa busca resgatar um sentimento que parecia adormecido: o prazer de viver a rua, de conviver, de celebrar juntos. É uma forma de reforçar o sentimento de pertencimento, mostrar a força da comunidade e lembrar que pequenos movimentos coletivos ainda conseguem transformar o ambiente e aproximar as pessoas.” Na comunidade Mata Machado, no Alto da Boa Vista, o Instituto Casa Favela trouxe as crianças para misturar as tintas e decidir os desenhos. Guilherme Moraes, um dos idealizadores do programa, conta: “(essa iniciativa) representa uma identidade ao território. Podemos dizer que pintando a rua a comunidade fica mais feliz, todo mundo torcendo, em prol do Brasil, pela Copa, e deixa a comunidade mais verde, deixa a comunidade mais colorida.”“As crianças participaram de todo o processo, desde o início até o final. Elas que misturaram as tintas, foram elas que estavam pintando, a gente brincou, a gente riu, elas que deram ideias sobre o desenho, o que que ficaria melhor, o que que ficaria pior. Então, elas foram totalmente ativas, e foi muito interessante todo esse processo que a gente conseguiu realizar.” Na Rua Carlos de Vasconcelos, na Tijuca, Pedro Bottoni conta que apesar de a tradição existir na rua desde 1986, não acontece há alguns anos por falta de mobilização e recursos: “A Carlos Vasconcelos, ela começou em 86, a gente não era nem nascido, já tinha a Copa do Mundo. E depois de um tempo, foi parando, aquela coisa toda, e hoje a gente tentou resgatar. Hoje em dia são os nossos filhos que estão aqui. Então, esse resgate de fazer toda essa tradição foi mais por conta disso, entendeu?”Em todas as entrevistas coletadas os idealizadores das atividades ressaltaram a importância de envolver as crianças em atividades fora de casa e de ter uma melhor integração dos moradores com o espaço comunitário.“Na última Copa não teve, né, por dificuldades, mas esse ano, pegando nossos filhos para aprender, tá ali como você tá vendo: brincando, rindo…”, diz Bruno Oliveira, idealizador da atividade na Carlos de Vasconcelos.Apesar de limitações financeiras e logísticas, uma das grandes motivações para continuarem se mobilizando é essa esperança de transmitir uma antiga tradição para as novas gerações. ODS em ação As iniciativas de decoração das ruas do Rio de Janeiro são ações práticas de promoção do ODS 11: Cidades e Comunidades Sustentáveis, fortalecendo os espaços públicos como lugar de convivência, pertencimento e cultura.“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nasceram no Brasil. Do Rio em 1992 à Rio +20, o Brasil sempre foi uma voz de liderança para um modelo de desenvolvimento que integra as dimensões social, econômica e ambiental. Um modelo de desenvolvimento que coloca a transformação econômica no centro.” - Amina J. Mohammed, vice-secretária-geral das Nações Unidas, 1º de agosto de 2023 Para saber mais, siga @onubrasil e @onuhabitatbrasil nas redes e visite a página da ONU Brasil sobre os ODS.
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19 junho 2026
Redução da maioridade penal: UNICEF manifesta preocupação com avanço da PEC na Câmara dos Deputados
Todos estamos preocupados com a violência, incluindo a praticada por adolescentes, e queremos um País mais seguro. Mas reduzir a maioridade penal não é a solução para reduzir a criminalidade e pode até agravar o problema. Por isso o UNICEF expressou preocupação com a aprovação da admissibilidade da PEC 32/15 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, ocorrida no dia 10 de junho. A redução não é a solução por diversos motivos:Em primeiro lugar, não são os adolescentes que estão fazendo a violência aumentar. Diferentemente do que diz o senso comum, os atos infracionais cometidos por adolescente têm diminuído no Brasil. De 2019 para 2024, o número de adolescentes em conflito com a lei, apreendidos pelas polícias no Brasil, caiu mais de 35%, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025). Além disso, adolescentes são muito mais vítimas do que autores de violência. Mais de 15 mil meninos e meninas de 0 a 19 anos, em sua maioria negros e moradores de periferias, foram assassinados no País entre 2020 e 2023.Outro ponto é a reincidência. A maioria dos adolescentes que vai para o Sistema Socioeducativo não volta ao mundo do crime. Só 2 em cada 10 são apreendidos de novo. Entre adultos, 4 em cada 10 voltam para a cadeia. Os dados são de estudo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2019, e confirmam que a reincidência no sistema prisional é o dobro do sistema socioeducativo.Ou seja: expandir o sistema prisional para adolescentes, em vez de reduzir a violência, pode agravar os níveis de criminalidade no País. Colocar um adolescente em prisões com adultos o expõe ao convívio com organizações criminosas e ao aliciamento, além de submetê-lo a condições que dificultam sua reabilitação. Já responsabilizá-lo por meio de um sistema específico e de acordo com sua idade, como proposto pelo sistema socioeducativo, funciona melhor para afastá-los da criminalidade, diminuir a reincidência e consequentemente melhorar a segurança pública.A experiência internacional mostra que punir o adolescente como adulto não tem sido uma solução efetiva para reduzir a violência. A Dinamarca e o estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, por exemplo, reduziram a maioridade penal e depois voltaram atrás. A redução não só não diminuiu o número de infrações cometidas por adolescentes, como não diminuiu a porcentagem de reincidência nessa faixa etária, e resultou em pior desempenho educacional no grupo que havia tido conflitos com a lei, em comparação à antes da redução.Isso porque a adolescência é uma fase específica do desenvolvimento, em que há uma grande oportunidade de mudar comportamentos – o cérebro passa por uma reorganização profunda, que amplia a capacidade de aprender, de se transformar e de construir projetos de vida. Ele segue em desenvolvimento até o início da vida adulta e é altamente plástico, respondendo intensamente ao ambiente, para o bem e para o mal.Em um ambiente pedagógico, com escola, profissionalização e apoio psicossocial, essa plasticidade trabalha a favor da reintegração. Em uma prisão de adultos, ela trabalha a favor do crime organizado: o adolescente é especialmente sensível à influência de pares e à aceitação do grupo, e o presídio oferece exatamente o grupo errado no momento de maior permeabilidade da vida. Ou seja: tratar adolescentes como adultos é desperdiçar essa janela de oportunidade.Por fim, é preciso desfazer o mito da impunidade. O Brasil é um dos países em que adolescentes começam a responder mais cedo por seus atos, aos 12 anos. Muita gente confunde maioridade penal com idade de responsabilização. Mas não é a mesma coisa. No Brasil, a partir dos 12 anos, quem comete um ato infracional já é responsabilizado por meio do Socioeducativo, que inclui sanções que vão da advertência até a restrição de liberdade (internação).Na maior parte da América Latina, essa responsabilização começa mais tarde: no Uruguai, é a partir dos 13 anos. No Chile e na Colômbia, é aos 14 anos. Mesmo na Argentina, que tem sido destaque no noticiário, o que diminui foi a idade de responsabilização, que passou de 16 para 14 anos – não foi a maioridade penal. Em nenhum desses países adolescentes vão para a cadeia adulta. Como no Brasil, quem comete ato infracional vai para um sistema específico, pensado para sua idade. E só aos 18 anos é considerado adulto e é julgado como maior de idade.Se não é a redução, qual a solução?É preciso agir, de forma urgente, para enfrentar a violência e garantir a segurança pública. O caminho para isso, no entanto, não é mudar a lei, mas fortalecer o sistema que já existe e investir em prevenção.O Sistema Socioeducativo, embora muito bem estruturado nas leis e políticas existentes, ainda não é integralmente implementado no Brasil. Entre outras medidas, é preciso fortalecer os atores da rede de proteção que trabalham com adolescentes em conflito com a lei para que possam garantir seu acesso à educação de qualidade e à assistência social, necessários para sua reabilitação. É imprescindível, também, melhorar a estrutura das unidades de internação e criar projetos pedagógicos que permitam o fortalecimento das capacidades dos adolescentes capazes de reintegrá-los à sociedade, inclusive por meio da entrada no mundo do trabalho formal. Mesmo com esses desafios, os dados mostram uma redução significativa no envolvimento de adolescentes em atos infracionais, o que significa que esse sistema é capaz de oferecer uma resposta eficaz para a segurança pública.Além da responsabilização, é fundamental investir na prevenção. Uma resposta penal não funciona sozinha. Já a garantia do direito à educação de qualidade, o acesso a oportunidades dignas e o apoio psicossocial a adolescentes em situação de vulnerabilidade têm grande potencial de reduzir o envolvimento de adolescentes em práticas ilegais.O desenvolvimento humano é contínuo: cada fase prepara a seguinte. Privações na infância – analfabetismo, violência, abandono escolar – chegam à adolescência como vulnerabilidade, e a vulnerabilidade não tratada na adolescência chega à vida adulta como exclusão. O conceito de complementaridade dos ciclos de vida demonstra que só existem jovens em conflito com a lei porque, antes, houve crianças e adolescentes privados de direitos. Por isso a resposta efetiva à violência exige políticas articuladas para cada década da vida, e não o encurtamento artificial da adolescência por decreto.Especialmente neste ano de Eleições, o UNICEF defende que os atuais parlamentares e candidatas e candidatos ao Legislativo e ao Executivo se comprometam com a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, com governança clara, orçamento próprio e visão estratégica de longo prazo. Essa política deve integrar e fortalecer programas existentes, com um enfoque baseado em direitos, antirracista, intencional e intersetorial, articulando áreas como Educação, Trabalho e Emprego, Assistência Social, Saúde, Direitos Humanos, Justiça e Segurança Pública, sendo construída com a participação dos próprios adolescentes.O foco deve ser garantir, especialmente às meninas e meninos em maior risco, o acesso pleno a direitos, oportunidades e serviços de qualidade. E, paralelamente, investigar e responsabilizar os autores de violência, garantindo justiça por meio da responsabilização adequada.Só assim o Brasil irá enfrentar a violência e combater o ciclo vicioso em que milhares de meninos e meninas são submetidos à pobreza, ao racismo, à violência intergeracional e à criminalidade. Sem frequentar a escola, sem acesso a serviços básicos e sem oportunidades dignas, pouco resta para esses meninos e meninas, muitos dos quais terminam mortos ou encarcerados.Para saber mais, siga @unicefbrasil e visite a página do UNICEF Brasil.Contatos para a imprensa: Aline Tavares, Oficial de Comunicação - Media Relations, UNICEF Brasil: altavares@unicef.orgElisa Meirelles Reis, Especialista de Comunicação, UNICEF Brasil: ereis@unicef.org
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18 junho 2026
Novo relatório da ONU aponta caminhos para enfrentar crise global de moradia
Cerca de 3 bilhões de pessoas — quase 40% da população mundial — estão inseridas em uma crise de moradia adequada, caracterizada por preços inacessíveis, escassez de habitação, acomodações de baixa qualidade e falta de acesso a serviços urbanos essenciais, como água e saneamento, segundo novo relatório das Nações Unidas.Estima-se que as cidades absorvam 2 bilhões de habitantes adicionais até 2050, intensificando a pressão sobre sistemas habitacionais já sobrecarregados pela rápida urbanização, pelo aumento dos preços dos terrenos, pela desigualdade e pelos impactos da mudança do clima. Projeta-se que eventos climáticos extremos destruam 167 milhões de moradias até 2040. Em 2023, as consequências de catástrofes climáticas causaram perdas de US$ 280 bilhões, a maior parte delas sem cobertura de seguro.Até o final de 2024, 123,2 milhões de pessoas haviam sido deslocadas à força, o dobro do registrado uma década antes. Além disso, 64 milhões de pessoas foram removidas de assentamentos informais ao longo dos últimos 20 anos. Muitas dessas pessoas deslocadas migram para cidades na condição de refugiados ou residentes de campos de deslocados, frequentemente instalando-se em moradias inadequadas ou inseguras, onde continuam expostas ao risco de novos deslocamentos. Em países em desenvolvimento, a moradia informal representa até 80% das construções residenciais.Os preços dos imóveis aumentaram mais rápido do que a renda na maior parte das regiões do mundo. Globalmente, a relação entre preço da moradia e renda passou de 9,3 em 2010 para 11,2 em 2023, atingindo 16,8 na Ásia Central e Meridional. Em 2023, apenas 25,5% dos solicitantes conseguiram obter um financiamento habitacional em nível global. Em algumas regiões da África Subsaariana, esse índice caiu para apenas 1%, refletindo mercados hipotecários ainda em estágio inicial de desenvolvimento. As violações dos direitos humanos estão profundamente ligadas à crise global de moradia, uma vez que muitos países falham em prevenir deslocamentos, despejos forçados, insegurança na posse da terra, situação de rua e condições inadequadas de moradia.No mundo todo, 44% dos domicílios destinam mais de 30% de sua renda para moradia. A falta de acessibilidade dos aluguéis é mais grave na África Subsaariana, onde 55% de inquilinos e inquilinas enfrentam sobrecarga financeira. Os recursos financeiros internos, em todos os níveis de governo — nacional, regional e local — precisam ser direcionados de forma mais eficaz para subsídios voltados tanto à demanda quanto à oferta, a fim de reduzir essas lacunas de acessibilidade.O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), cujo mandato é dedicado à habitação sustentável e ao desenvolvimento urbano, conclui no Relatório Mundial das Cidades 2026 - Crise global de moradia: caminhos para ação, que a crise é multidimensional e sustentada por fatores estruturais. O estudo demonstra que seus efeitos são agravados por mudanças demográficas, pressões ambientais e transformações nas condições econômicas, ampliando desigualdades, pobreza e vulnerabilidade aos impactos das mudanças do clima.“É necessário um novo contrato social para a moradia adequada e acessível — um senso de responsabilidade compartilhada entre governos, setor privado e comunidades para mobilizar investimentos e alinhar as funções sociais e econômicas da habitação”, destaca a subsecretária geral das Nações Unidas e diretora-executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach.“Embora a crise da moradia tenha dimensões globais, suas soluções passam pelos territórios. No Brasil, é fundamental fortalecer políticas urbanas que reconheçam as diferentes realidades das cidades e promovam o acesso à moradia adequada como parte do direito à cidade - e temos muitos bons exemplos disso no país”, destaca a chefe do escritório do ONU-Habitat para o Brasil, Rayne Ferretti Moraes. O relatório também conclui que a crise de moradia pode ser solucionada. Indicando que é preciso parar de tratar favelas e assentamentos informais como um problema sem solução, reconhecendo que a informalidade tem sido a regra, e não a exceção, em muitas cidades. As políticas públicas devem, portanto, abandonar abordagens baseadas na erradicação e exclusão, passando a aproveitar o potencial da informalidade para melhorar meios de subsistência e enfrentar a crise habitacional.O documento destaca ainda que os mecanismos de financiamento doméstico, em todos os níveis de governo, precisam ser ampliados e melhor direcionados, por meio de subsídios eficazes tanto para a demanda quanto para a oferta. Recomenda-se uma expansão substancial dos investimentos públicos em habitação social e acessível, ao mesmo tempo em que se criam incentivos para investimentos privados que ampliem a oferta habitacional, especialmente no segmento de moradias populares.A participação comunitária e a coprodução, com atenção especial à inclusão de grupos historicamente excluídos, são apontadas como elementos centrais para a garantia de moradia adequada, tanto na formulação de políticas quanto na implementação de projetos. Esses projetos devem ser concebidos e executados em conjunto com moradores e moradoras, assegurando o envolvimento das comunidades antes e depois da ocupação das habitações. O relatório foi publicado durante a 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial (WUF), principal conferência global sobre desenvolvimento urbano sustentável, que aconteceu em Baku, no Azerbaijão, entre os dias 17 e 22 de maio.Sobre o Fórum Urbano MuindalCriado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2001 e organizado pela ONU-Habitat, o Fórum Urbano Mundial (WUF) é a principal conferência global dedicada à urbanização sustentável. Realizado a cada dois anos, o evento analisa os impactos da rápida urbanização sobre cidades, comunidades, economias e as mudanças climáticas. Desde sua criação, o fórum já foi sediado por cidades de diversas regiões do mundo, sendo sua primeira edição realizada em Nairóbi, em 2002.Sobre o ONU-HabitatO ONU-Habitat é a entidade das Nações Unidas responsável pela promoção da urbanização sustentável. Com programas em mais de 90 países, apoia formuladores de políticas públicas e comunidades na construção de cidades e assentamentos social e ambientalmente sustentáveis. A organização promove transformações urbanas por meio da produção de conhecimento, assessoria em políticas públicas, assistência técnica e ações colaborativas.Contatos para a imprensa:Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.orgFlávia Scholz, ONU-Habitat Brasil: flavia.scholz@un.org
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11 junho 2026
Brasil: Pedidos de asilo aumentam 11% em 2025
O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih, lançou nesta quinta-feira (11/06) o principal relatório anual da agência, Tendências Globais, que revela que o deslocamento forçado global diminuiu pela primeira vez em uma década, embora continue em níveis inaceitavelmente altos: 117,8 milhões de pessoas.Em 2025, 5,4 milhões de pessoas escaparam da violência e da perseguição ao cruzar fronteiras internacionais. No entanto, o relatório mostra que os retornos também estão ganhando ritmo: 14,7 milhões de pessoas deslocadas retornaram às suas regiões ou países de origem em 2025 (4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos), com aumento significativo no Afeganistão, Sudão e Síria. Os retornos de refugiados foram os segundos maiores já registrados em 60 anos, embora muitos tenham ocorrido sob pressão e em condições precárias nos países de origem.De forma geral, os dados indicam que o número global de refugiados caiu 3% em 2025, totalizando 41,6 milhões. Em um avanço positivo, quase 46 mil pessoas apátridas adquiriram cidadania em 24 países no ano passado.Com 70% dos refugiados presos em exílio por anos e muitos vivendo abaixo da linha da pobreza, Salih também fez um apelo à comunidade internacional a apoiar uma nova iniciativa para retirar milhões de pessoas do deslocamento prolongado e da dependência de ajuda humanitária.“Para muitos refugiados, o deslocamento começa como uma tábua de salvação, mas dura a vida inteira”, afirmou Salih. “A ajuda humanitária salva vidas, mas não é o objetivo final e não permite que as pessoas refugiadas se tornem agentes ativos no controle de seu próprio futuro. Precisamos de uma mudança de paradigma que crie um senso de esperança e oportunidade para pessoas que fogem da guerra e da perseguição.”As Américas: uma região de deslocamento e líder em soluçõesO deslocamento forçado nas Américas continuou a crescer, chegando a 22,8 milhões de pessoas, impulsionado principalmente por deslocamentos originados de e/ou dentro do Haiti, Nicarágua, norte da América Central, Colômbia e Venezuela. As Américas são agora a principal região do mundo em deslocamento forçado, seguidas pela África Oriental e Austral, e pelo Oriente Médio e Norte da África. As pessoas venezuelanas continuam sendo uma das maiores populações deslocadas do mundo, com a maioria (97%) acolhida na América Latina e no Caribe. No entanto, os retornos à Venezuela aumentaram nos últimos anos. Uma pesquisa recente do ACNUR em seis países de acolhida revelou que cerca de 9% das pessoas venezuelanas deslocadas planejam retornar no prazo de um ano, o que destaca a necessidade de apoiar tanto a inclusão nos países de acolhida quanto as condições para um retorno seguro e sustentável.Ao mesmo tempo, a região das Américas se destaca por sua liderança na promoção de solidariedade e soluções, demonstrando que inclusão e compartilhamento de responsabilidades geram resultados concretos.A Colômbia é o maior país acolhedor do mundo, recebendo 2,8 milhões de refugiados e outras pessoas em necessidade de proteção internacional, principalmente da Venezuela. Seus amplos esforços de regularização permitiram que milhões trabalhassem, acessassem serviços e contribuíssem de forma significativa para as economias e comunidades locais.Em toda a região, outros países também vêm expandindo suas abordagens, passando de respostas emergenciais para políticas de inclusão e autonomia. Países como Brasil, México e Costa Rica implementaram práticas inovadoras, incluindo acesso à documentação, integração no mercado de trabalho e parcerias com o setor privado.“Nas Américas, solidariedade e compartilhamento de responsabilidades não são conceitos abstratos, eles geram resultados reais para as pessoas e as sociedades”, afirmou o oficial a Cargo para as Américas do ACNUR, Juan Carlos Murillo. “Do Brasil ao México, do Peru ao Equador, do Canadá à Colômbia e além, os países estão mostrando que, quando os refugiados são incluídos, eles contribuem, as economias crescem e as comunidades são fortalecidas. É assim que se parecem as soluções na prática.”Um esforço global para encerrar o deslocamento prolongadoCom a maioria dos refugiados em situações prolongadas vivendo em países de baixa e média renda, Salih pediu uma mudança significativa de abordagem por meio de uma iniciativa que visa reduzir pela metade, ao longo da próxima década, o número de refugiados em deslocamento prolongado dependentes da ajuda humanitária.“O asilo e a proteção salvam vidas e não estão em debate, mas não podemos aceitar um futuro em que milhões de refugiados permaneçam presos por anos ou décadas sem perspectivas reais de reconstruir suas vidas”, afirmou Salih.“Agora temos uma meta ambiciosa, alcançável e mensurável para promover a autonomia e transformar vidas para melhor. O ACNUR mobilizará esforços em toda a sociedade para enfrentar esse desafio e criar caminhos que tirem milhões da rotina exaustiva do deslocamento prolongado.”A iniciativa concentra-se na ampliação dos retornos voluntários, que continuam sendo a principal solução; no aumento do acesso à educação, saúde, serviços financeiros e mercados de trabalho; e na expansão do reassentamento, da reunificação familiar e de vias complementares. Defende também o fortalecimento de parcerias com governos, atores de desenvolvimento, setor privado e sociedade civil, especialmente em países de baixa e média renda, que acolhem a maioria dos refugiados.Neste sentido, Brasil tem se destacado globalmente por manter políticas de acolhimento e inclusão que permitem as pessoas deslocadas de forma forçada reconstruírem suas vidas com dignidade.“O Brasil possui uma legislação vanguardista que concede documentação e acesso aos serviços públicos do país, garantindo às pessoas em busca de proteção internacional o direito à saúde, educação e trabalho. O setor privado brasileiro tem demonstrado cada vez mais apoio em abrir portas e oportunidades para que estas pessoas possam contribuir com seus conhecimentos e talentos para o país. O compromisso do governo federal em expandir o programa de patrocínio comunitário é também louvável. Estes são exemplos concretos de como a proteção internacional pode caminhar lado a lado ao desenvolvimento e à inclusão social”, reforça o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli.No ano marcado pelo 75º aniversário da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, o plano do ACNUR para os próximos dez anos também apela à intensificação dos esforços para preservar o asilo e a proteção, que continuam sendo mais cruciais do que nunca.Para saber mais, siga @acnurbrasil e acesse os relatórios:Tendências Globais: Espanhol (resumo) | Inglês (completo)Tendências nas Américas: Espanhol | Inglês
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11 junho 2026
Dia do Meio Ambiente 2026: ONU intensifica campanha por ação climática
O calor extremo já é considerado uma das ameaças climáticas mais letais e de crescimento acelerado, impactando vidas, economias e meios de subsistência. Com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C cada vez mais distante, especialistas alertam que reduzir emissões e ampliar estratégias de adaptação são medidas indispensáveis.Em mensagem oficial, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que os últimos onze anos foram os mais quentes já registrados e reiterou que o mundo caminha para ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C. Segundo ele, o desafio é conter esse avanço, tornando-o o mais breve e seguro possível.
Guterres defendeu ações concretas, como a redução drástica das emissões de gases de efeito estufa, a aceleração da transição energética para fontes renováveis, o corte das emissões de metano e a proteção de florestas, oceanos e solos. Também enfatizou a importância do financiamento climático para países em desenvolvimento, visando preservar vidas e fortalecer economias.Campanha global e engajamento digitalComo parte das ações, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou o primeiro Desafio Global de Dança do Clima. A iniciativa mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais, com vídeos publicados no Instagram, TikTok e YouTube, utilizando hashtags como #AjaPeloClimaAgora.A campanha contou com trilha sonora do DJ brasileiro Alok, recentemente anunciado como embaixador da Boa Vontade do PNUMA, ampliando o alcance da mensagem entre o público jovem e incentivando a participação ativa da sociedade.No Brasil, a mobilização ganhou força com a adesão de escolas, projetos sociais, artistas e cidadãos de diferentes regiões. De norte a sul do país, iniciativas locais reforçaram que a ação climática depende do engajamento coletivo. Cidades se unem contra o calor extremoOutra iniciativa de destaque foi a iniciativa 50@50, que reuniu mais de 50 cidades para enfrentar o aumento das ondas de calor. Municípios brasileiros como Teresina, Campinas e Fortaleza integraram o projeto, que busca fortalecer a resiliência urbana e compartilhar soluções sustentáveis.A iniciativa também contribui para o movimento global “Beat the Heat”, o Mutirão Contra o Calor Extremo lançado pela Presidência da COP30 em conjunto com o PNUMA, voltado à redução dos impactos do calor extremo e à promoção de sistemas de resfriamento mais eficientes e sustentáveis.Debates e soluções para cidades resilientesNo Brasil, durante a Rio Nature & Climate Week, foi apresentado um diagnóstico feito a partir de um levantamento com 53 cidades brasileiras que participam do Beat the Heat, durante evento no Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR-Rio). Segundo o estudo, 93% dos municípios classificam o calor extremo como relevante e 68% o colocam entre os três maiores desafios locais. Porém, esse reconhecimento ainda não se traduz em capacidade de resposta: a maioria das cidades está em fases iniciais de planejamento, enfrenta lacunas de dados e governança, e depende fortemente de financiamento externo para avançar.“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo. Adaptar-se à nova realidade demanda colaboração multinível e intersetorial, com apoio nacional e internacional, como neste Mutirão contra o Calor Extremo", destaca Ana Toni, CEO da COP30. No Rio de Janeiro o tema também foi debatido no Museu do Amanhã, durante a Semana do Meio Ambiente. Especialistas, autoridades e representantes do setor privado discutiram estratégias para transformar as cidades em espaços mais resilientes às mudanças climáticas.O foco esteve na adoção de soluções integradas, que envolvem desde o planejamento urbano até investimentos em infraestrutura sustentável e habitação adaptada ao clima.Próximos passosA diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, reforçou que os sinais de alerta do planeta são claros e que ainda há tempo para agir. Segundo ela, enfrentar a crise climática exige mobilização conjunta de governos, empresas e sociedade."O planeta, por anos, tem enviado sinais de que seus limites estão se aproximando. Podemos prevalecer nessa luta pelo futuro do planeta. Podemos criar nossa própria história agindo para desacelerar e nos adaptar às mudanças climáticas – proporcionando sociedades mais seguras, saudáveis, prósperas e mais justas para todos. Mas vamos precisar de todos: desde as nações e pessoas mais ricas, que têm a maior responsabilidade pela crise climática e, portanto, podem fazer a maior diferença, até ativistas climáticos e pessoas comuns", acrescentou.O Dia Mundial do Meio Ambiente 2027 será sediado pela Sérvia, dando continuidade aos esforços globais de conscientização e ação climática.Sobre o Dia Mundial do Meio AmbienteCelebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma das principais datas globais dedicadas à conscientização ambiental. Criado em 1973, o evento é liderado pelo PNUMA e mobiliza milhões de pessoas todos os anos.Sobre o PNUMAO Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal autoridade global em temas ambientais. O organismo promove cooperação internacional e apoia países na construção de soluções para o desenvolvimento sustentável, garantindo qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
Guterres defendeu ações concretas, como a redução drástica das emissões de gases de efeito estufa, a aceleração da transição energética para fontes renováveis, o corte das emissões de metano e a proteção de florestas, oceanos e solos. Também enfatizou a importância do financiamento climático para países em desenvolvimento, visando preservar vidas e fortalecer economias.Campanha global e engajamento digitalComo parte das ações, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou o primeiro Desafio Global de Dança do Clima. A iniciativa mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais, com vídeos publicados no Instagram, TikTok e YouTube, utilizando hashtags como #AjaPeloClimaAgora.A campanha contou com trilha sonora do DJ brasileiro Alok, recentemente anunciado como embaixador da Boa Vontade do PNUMA, ampliando o alcance da mensagem entre o público jovem e incentivando a participação ativa da sociedade.No Brasil, a mobilização ganhou força com a adesão de escolas, projetos sociais, artistas e cidadãos de diferentes regiões. De norte a sul do país, iniciativas locais reforçaram que a ação climática depende do engajamento coletivo. Cidades se unem contra o calor extremoOutra iniciativa de destaque foi a iniciativa 50@50, que reuniu mais de 50 cidades para enfrentar o aumento das ondas de calor. Municípios brasileiros como Teresina, Campinas e Fortaleza integraram o projeto, que busca fortalecer a resiliência urbana e compartilhar soluções sustentáveis.A iniciativa também contribui para o movimento global “Beat the Heat”, o Mutirão Contra o Calor Extremo lançado pela Presidência da COP30 em conjunto com o PNUMA, voltado à redução dos impactos do calor extremo e à promoção de sistemas de resfriamento mais eficientes e sustentáveis.Debates e soluções para cidades resilientesNo Brasil, durante a Rio Nature & Climate Week, foi apresentado um diagnóstico feito a partir de um levantamento com 53 cidades brasileiras que participam do Beat the Heat, durante evento no Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR-Rio). Segundo o estudo, 93% dos municípios classificam o calor extremo como relevante e 68% o colocam entre os três maiores desafios locais. Porém, esse reconhecimento ainda não se traduz em capacidade de resposta: a maioria das cidades está em fases iniciais de planejamento, enfrenta lacunas de dados e governança, e depende fortemente de financiamento externo para avançar.“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo. Adaptar-se à nova realidade demanda colaboração multinível e intersetorial, com apoio nacional e internacional, como neste Mutirão contra o Calor Extremo", destaca Ana Toni, CEO da COP30. No Rio de Janeiro o tema também foi debatido no Museu do Amanhã, durante a Semana do Meio Ambiente. Especialistas, autoridades e representantes do setor privado discutiram estratégias para transformar as cidades em espaços mais resilientes às mudanças climáticas.O foco esteve na adoção de soluções integradas, que envolvem desde o planejamento urbano até investimentos em infraestrutura sustentável e habitação adaptada ao clima.Próximos passosA diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, reforçou que os sinais de alerta do planeta são claros e que ainda há tempo para agir. Segundo ela, enfrentar a crise climática exige mobilização conjunta de governos, empresas e sociedade."O planeta, por anos, tem enviado sinais de que seus limites estão se aproximando. Podemos prevalecer nessa luta pelo futuro do planeta. Podemos criar nossa própria história agindo para desacelerar e nos adaptar às mudanças climáticas – proporcionando sociedades mais seguras, saudáveis, prósperas e mais justas para todos. Mas vamos precisar de todos: desde as nações e pessoas mais ricas, que têm a maior responsabilidade pela crise climática e, portanto, podem fazer a maior diferença, até ativistas climáticos e pessoas comuns", acrescentou.O Dia Mundial do Meio Ambiente 2027 será sediado pela Sérvia, dando continuidade aos esforços globais de conscientização e ação climática.Sobre o Dia Mundial do Meio AmbienteCelebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma das principais datas globais dedicadas à conscientização ambiental. Criado em 1973, o evento é liderado pelo PNUMA e mobiliza milhões de pessoas todos os anos.Sobre o PNUMAO Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal autoridade global em temas ambientais. O organismo promove cooperação internacional e apoia países na construção de soluções para o desenvolvimento sustentável, garantindo qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
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11 junho 2026
Alto Comissário: Sanções dos EUA contra Cuba colocam vidas em risco e devem ser suspensas imediatamente
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou nesta segunda-feira (08/06) que a ampliação das sanções impostas pelos EUA contra Cuba está causando danos generalizados à população e colocando vidas em risco. Ele instou para que essas sanções sejam suspensas.“As restrições de combustível impostas desde o início de 2026 e o recente endurecimento das sanções extraterritoriais, em conjunto, estão prejudicando diretamente os cubanos, especialmente os mais vulneráveis. Crianças estão morrendo porque os médicos não têm acesso a suprimentos essenciais e medicamentos. Isso é inaceitável”, afirmou Türk. “Essas sanções devem ser suspensas imediatamente”. A declaração de emergência nacional pelos EUA em janeiro interrompeu os embarques de combustível para Cuba, reduzindo drasticamente as reservas de combustível do país em meados de maio. Esse esgotamento levou a apagões diários que agora frequentemente ultrapassam 20 horas. Sanções adicionais foram impostas em maio, incluindo algumas com efeito extraterritorial sobre entidades privadas, como comerciantes, seguradoras, empresas de turismo ou de transporte marítimo, instituições financeiras e outras envolvidas no fornecimento de combustível ou ligadas aos setores de energia, defesa, mineração, finanças e segurança do país.Essas medidas, combinadas, estão afetando significativamente os direitos humanos da população, principalmente seu acesso a suprimentos e serviços essenciais, incluindo água, alimentos e assistência médica.Serviços médicos essenciais, como oncologia, diálise e saúde materna, estão sob forte pressão. Dados recentes de saúde pública mostram tendências alarmantes, incluindo a duplicação da mortalidade infantil para 9,9 por 1.000 nascimentos e uma queda nas taxas de sobrevivência ao câncer infantil de 85% para 65%, desde que as restrições de combustível foram impostas. Há uma escassez crítica de medicamentos essenciais, com os níveis de abastecimento caindo para cerca de 30%. A escassez de combustível está prejudicando a cadeia agroalimentar, levando a uma redução de 60% na produção de alimentos e a picos nos custos de itens alimentares básicos.“Esses conjuntos de sanções severas que visam setores inteiros de uma economia e produzem efeitos amplos, indiscriminados e graves sobre as populações são incompatíveis com os princípios básicos do direito internacional dos direitos humanos”, afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.Em todas as circunstâncias, as atividades humanitárias básicas devem continuar protegidas. No entanto, muitos atores do setor privado estão impondo restrições que vão além dos requisitos legais devido a preocupações com sanções. Isso leva a novos atrasos nas aquisições, interrupções no transporte e crescente incerteza nas cadeias de abastecimento humanitárias.Os impactos combinados dessas medidas coercitivas e restrições operacionais também estão dificultando o trabalho das agências humanitárias, incluindo as do sistema das Nações Unidas, na prestação de ajuda e assistência essenciais. Recentemente, a suspensão de serviços por grandes empresas de transporte marítimo devido à aversão ao risco afetou mais de 2.900 toneladas métricas de carga humanitária de alimentos.“Cuba enfrenta um isolamento crescente. As empresas estão indo embora. Menos companhias aéreas voam para o país. Está quase desconectada dos sistemas de pagamentos internacionais. O aumento das temperaturas no verão pode ampliar a propagação de doenças transmitidas por vetores e pela água. A temporada de furacões aumenta ainda mais a exposição. Isso cria uma tempestade perfeita para a deterioração social e econômica e o sofrimento do povo cubano”, afirmou o Alto Comissário.Enfatizando também que as empresas têm responsabilidades em matéria de direitos humanos, o Alto Comissário exortou as entidades empresariais e instituições a evitar o excesso de conformidade e o desligamento generalizado, de acordo com os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.Dadas as tensões criadas pela situação e o risco crescente de agitação social em Cuba, Türk instou as autoridades a exercerem a máxima moderação e a respeitarem os direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica.O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos também exortou o governo cubano a libertar todas as pessoas detidas arbitrariamente e a engajar-se em um diálogo construtivo e em esforços para promover a confiança, a fim de amenizar as tensões sociais.Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português e visite a página do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Contatos para a imprensa: Shabia Mantoo, ACNUDH, Genebra: shabia.mantoo@un.orgJeremy Laurence, ACNUDH, Genebra: jeremy.laurence@un.orgMarta Hurtado, ACNUDH, Genebra: marta.hurtadogomez@un.org Nas plataformas digitais: WhatsAppX: @UNHumanRightsFacebook: unitednationshumanrightsInstagram: @unitednationshumanrights
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