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24 março 2026
ONU confirma que a última década foi a mais quente já registrada
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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24 março 2026
ONU confirma que a última década foi a mais quente já registrada
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou, em 23 de março, novo estudo global que revela que o sistema climático da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história observada. O relatório sobre O Estado do Clima Global 2025, confirma que a combinação de concentrações recordes de gases de efeito estufa, aquecimento acelerado dos oceanos e derretimento de gelo está provocando mudanças rápidas e de longo alcance em todo o planeta. Segundo a OMM, o período entre 2015 e 2025 constituiu os 11 anos mais quentes já registrados, evidenciando a trajetória contínua de aquecimento global. Em 2025, a temperatura média anual ficou cerca de 1,43 °C acima da média pré-industrial (1850–1900), situando-se entre o segundo e o terceiro ano mais quente da série histórica. Concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) seguiram aumentando e alcançaram novos recordes. Esses gases são os principais responsáveis pela intensificação do efeito estufa e, consequentemente, pelo desequilíbrio climático do planeta.Em mensagem de vídeo, secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que as regras do clima estão sendo reescritas pela atividade humana, gerando calor recorde, secas mais longas e desastres cada vez mais extremos. Ele enfatiza que a ciência é a primeira linha de defesa da humanidade, mas o sistema global de observação climática está sob pressão, com lacunas críticas, especialmente nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Impactos humanos e econômicos crescentesA OMM alerta que os impactos do aquecimento acelerado já são sentidos intensamente em todos os continentes. Ondas de calor mais frequentes, chuvas torrenciais, ciclones mais intensos e secas prolongadas têm provocado perdas econômicas de bilhões de dólares, além de afetar diretamente a saúde, a segurança alimentar e os meios de vida de milhões de pessoas. De acordo com o Relatório de Avaliação Global sobre Redução do Risco de Desastres 2025, do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), os custos diretos de desastres climáticos atingiram US$ 202 bilhões em 2024. Quando são incluídos custos indiretos e impactos sobre os ecossistemas, o valor real ultrapassa US$ 2,3 trilhões por ano, em todo o mundo. Desequilíbrio energético da Terra O principal relatório da OMM foi divulgado no Dia Mundial da Meteorologia, em 23 de março, cujo tema é “Observando hoje, protegendo o amanhã”.Pela primeira vez, o relatório inclui o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. O balanço energético da Terra mede a taxa na qual a energia entra e sai do sistema terrestre. Em um clima estável, a energia recebida do Sol é aproximadamente igual à quantidade de energia emitida.No entanto, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa que retêm calor — dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — para seu nível mais alto em pelo menos 800.000 anos perturbou esse equilíbrio.O desequilíbrio energético da Terra tem aumentado desde o início dos registros observacionais, em 1960, particularmente nos últimos 20 anos. Ele atingiu um novo pico em 2025.“Os avanços científicos melhoraram nossa compreensão do desequilíbrio energético da Terra e da realidade que nosso planeta e nosso clima enfrentam neste momento”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.“As atividades humanas estão cada vez mais perturbando o equilíbrio natural e viveremos com essas consequências por centenas e milhares de anos.”“No dia a dia, nosso clima tornou-se mais extremo. Em 2025, ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais, tempestades e inundações causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e geraram bilhões em perdas econômicas”, disse Celeste Saulo. Para saber mais, acesse o relatório O Estado do Clima Global 2025 da OMM (em inglês e espanhol) e acompanhe a cobertura completa da ONU News em português: https://news.un.org/pt/tags/mudanca-climatica NOTAS A EDITORES: O relatório “O Estado do Clima Global 2025” inclui contribuições científicas de dezenas de membros, parceiros e cientistas da OMM.Todos os detalhes sobre os conjuntos de dados, referências e instituições envolvidas estão disponíveis no relatório. O Secretariado da OMM agradece a todas as pessoas que dedicaram seu tempo e conhecimento para a produção deste relatório.A Organização Meteorológica Mundial (OMM) é a voz oficial do Sistema das Nações Unidas em matéria de tempo, clima e água.Contato para a imprensa: Clare Nullis, Assessora de imprensa da OMM: cnullis@wmo.int e media@wmo.int O que eu posso fazer? A mudança climática não é uma ameaça distante. É uma realidade que impacta nosso presente e o futuro da humanidade na Terra, nosso lar compartilhado. Todas as pessoas podem apoiar a #AçãoClimática e ajudar a minimizar os impactos da mudança climática em nossas comunidades, cidades e na natureza. Confira algumas dicas da campanha da ONU Brasil pela ação climática: 📢 Pressione as autoridades a adotarem políticas e práticas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e investirem nas capacidades de adaptação de nossas cidades aos efeitos da mudança do clima. ♻️ Faça escolhas sustentáveis no seu dia a dia e coloque em prática os cinco pilares do conceito do #ResíduoZero: repense, recuse, reduza, reutilize, recicle. 🌳 Procure obter mais informações sobre as cadeias de produção, e dê preferência a produtos e empresas que adotam práticas sustentáveis, incluindo a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade. 🗣️ Informe-se e compartilhe conhecimento com pessoas próximas e familiares. Conscientização é o primeiro passo para a mudança! 💚 Apoie e participe de iniciativas e organizações que atuam para a restauração de ecossistemas degradados pela ação humana. Siga @unep_pt, @nacoesunidas e @onubrasil para mais dicas e campanhas!
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23 março 2026
Com financiamento do FIDA, projetos liderados por comunidades indígenas fortalecem a proteção florestal e a soberania alimentar na Amazônia
Projetos liderados por comunidades indígenas estão fortalecendo a proteção das florestas, a nutrição, a soberania alimentar e os meios de subsistência na Amazônia brasileira. As iniciativas contam com apoio do Mecanismo de Assistência aos Povos Indígenas (Indigenous Peoples Assistance Facility ), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que financia projetos voltados ao desenvolvimento autônomo de comunidades indígenas em todo o mundo.No Brasil, duas ações mostram como o protagonismo indígena gera resultados concretos. Os projetos são conduzidos pelos povos Ka’apor, no Maranhão, e Xipaya, no Pará, e combinam conhecimentos tradicionais, organização comunitária e uso de tecnologias.No Maranhão, o projeto desenvolvido no Território Indígena Alto Turiaçu atua em uma das áreas mais afetadas por invasores e madeireiros da Amazônia. A região sofre com desmatamento ilegal, invasões de terra e queimadas. Apesar disso, o povo Ka’apor é protagonista na preservação de suas áreas florestais e de seus modos de vida, em harmonia com a natureza. A iniciativa apoia a produção diversificada de alimentos e o manejo sustentável da biodiversidade. Entre as ações implementadas estão a criação de hortas tradicionais, a recuperação de sementes tradicionais e o fortalecimento de sistemas agrícolas ancestrais. Essas práticas ajudam a garantir o direito humano a alimentação adequada e a preservar a cultura local.No projeto Roça Ka’apor, cerca de 200 pessoas são beneficiadas diretamente e outras 500 de forma indireta. A iniciativa também incentiva a participação de jovens e mulheres indígenas em atividades de geração de renda, monitoramento do território e transmissão de conhecimentos entre gerações.No Pará, o projeto no Território Indígena Xipaya foca na proteção do território e no uso sustentável dos recursos naturais. A iniciativa já envolveu mais de 200 participantes diretos e alcançou mais de 800 pessoas de forma indireta.As atividades incluem capacitação em monitoramento territorial com drones, intercâmbio de conhecimentos entre gerações e ações de mapeamento do território indígena. Equipes locais realizam patrulhas ao longo de cerca de 83 quilômetros de divisa do território indígena, além de manter marcos de demarcação e proteger áreas estratégicas.Essas ações ajudam a identificar e denunciar atividades ilegais, como invasões e exploração irregular de recursos naturais. Ao mesmo tempo, o projeto promove alternativas de renda com base no extrativismo de produtos florestais não madeireiros, como castanha-do-pará, buriti, andiroba e copaíba.As comunidades também mapearam áreas de importância cultural, reforçando a ligação com sua ancestralidade. Reuniões locais garantem transparência, prestação de contas e participação coletiva nas decisões.Os dois projetos mostram que soluções desenhadas e lideradas por povos indígenas são eficazes para conservar a floresta e enfrentar desafios climáticos. Ao apoiar diretamente essas iniciativas, o FIDA contribui para proteger territórios indígenas, fortalecer a cultura ancestral e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira. As experiências reforçam que a cooperação internacional pode apoiar os povos indígenas a seguir na linha de frente da preservação da biodiversidade e da ação climática. Para mais informações, visite a página do FIDA (em inglês ou espanhol) e siga o FIDA em espanhol no X e em inglês no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube . NOTAS A EDITORES: O FIDA é uma instituição financeira internacional e um organismo especializado das Nações Unidas, com sede em Roma, onde se encontra o mecanismo central das Nações Unidas para o setor de alimentação e agricultura. O Fundo investe nas populações rurais e, ao empoderar essas pessoas, contribui para a redução da pobreza, o aumento da segurança alimentar, a melhoria da nutrição e o fortalecimento de sua resiliência. Desde 1978, destinou mais de 25 bilhões de dólares americanos em doações e empréstimos em condições concessionais para financiar projetos em países em desenvolvimento.O escritório regional do FIDA para a América Latina e o Caribe opera na Cidade do Panamá, de onde o Fundo lidera a gestão de programas de desenvolvimento rural, financiamento e apoio às comunidades rurais da região.Em nossa fototeca, é possível explorar e baixar uma ampla seleção de fotografias que retratam o trabalho do FIDA junto às comunidades rurais.Contato para a imprensa: Ana Lucía Llerena, FIDA: a.llerenavargas@ifad.org
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23 março 2026
Países da América do Sul impulsionam ações regionais para assegurar o abastecimento de alimentos diante da mudança climática
Nove países da América do Sul que integram a Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) avançaram na proposta de um plano de trabalho conjunto sub-regional para melhorar a capacidade de resposta dos países frente a fenômenos climáticos extremos, crises de abastecimento e pressões inflacionárias.Na região da América Latina e do Caribe, o aumento da frequência e intensidade de fenômenos climáticos extremos — como secas, inundações e ondas de calor — está afetando a produtividade agrícola e gerando maior pressão sobre os sistemas de abastecimento de alimentos. Esses impactos se somam a processos de urbanização acelerada que, sem um planejamento adequado, degradam os solos, reduzem a biodiversidade e fragmentam ecossistemas essenciais para a produção de alimentos.Para responder a esse cenário, o plano prevê três linhas de ação: o desenho de uma estratégia de estoques estratégicos de grãos básicos e o fortalecimento dos mecanismos de resposta e de gestão frente aos riscos climáticos e inflacionários;a gestão da informação agropecuária e o fortalecimento dos circuitos curtos urbano-rurais;e a cooperação regional e o intercâmbio de boas práticas.Representantes governamentais da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela participaram, na cidade de Brasília, do seminário “Desafios e soluções diante da mudança climática: impactos na agricultura e nos sistemas agroalimentares do futuro”. O encontro teve como objetivo promover o diálogo, o intercâmbio de experiências e a elaboração de um plano de trabalho no âmbito da Rede SPAA, voltado ao fortalecimento da cooperação regional frente aos crescentes desafios climáticos.Atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades e estima-se que, até 2050, esse número chegue a 70%, acrescentando mais de 3,5 bilhões de pessoas às áreas urbanas, o que aumentará ainda mais a demanda por alimentos nessas regiões. Além disso, aproximadamente 80% da energia mundial é consumida nessas áreas, onde os habitantes utilizam 70% dos alimentos e geram 60% das emissões de gases de efeito estufa (GEE).O encontro foi organizado com o apoio do Governo do Brasil, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), como parte das ações do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO para fortalecer as políticas públicas de abastecimento de alimentos na região.A Rede SPAA, composta por instituições governamentais de 19 países da região, é uma plataforma regional que, desde sua criação, promove o desenvolvimento e o fortalecimento de políticas públicas voltadas a melhorar os sistemas de abastecimento e comercialização de alimentos.O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Paulo Teixeira, lembrou que o país, por meio da CONAB, foi uma das quatro instituições fundadoras da Rede SPAA em 2014, junto com Bolívia, México e Chile. “Ao assumir novamente a presidência da rede, o Brasil reafirma seu compromisso com o fortalecimento da cooperação regional em torno das políticas de abastecimento de alimentos”, afirmou o ministro, destacando também a importância da articulação intersetorial e da participação social para “garantir a segurança alimentar e nutricional, fortalecer o abastecimento de alimentos e promover uma alimentação saudável”.Por sua vez, o presidente da CONAB, Edegar Pretto, instituição que exerce a presidência pro tempore da Rede SPAA, enfatizou que fenômenos como secas prolongadas, inundações e outros eventos climáticos extremos já afetam diretamente a produção agrícola e as cadeias de abastecimento, colocando em risco a segurança alimentar de milhões de pessoas. Nesse contexto, destacou que fortalecer as instituições públicas de abastecimento torna-se uma agenda estratégica para garantir alimentos, estabilizar preços e proteger a renda dos produtores.O analista de projetos da ABC/MRE, João Clementino, ressaltou o papel da Rede SPAA como um espaço estratégico para o diálogo técnico e a construção conjunta de soluções. “O intercâmbio de conhecimentos e boas práticas entre os países permite aprimorar as políticas públicas, fortalecer as capacidades institucionais e promover respostas mais coordenadas diante de desafios cada vez mais complexos”, afirmou.O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, destacou que a mudança climática se tornou um dos fatores que mais influenciam os sistemas agroalimentares, não apenas do ponto de vista da produção, mas também do consumo, ao modificar as dinâmicas dos mercados e os hábitos alimentares.Por sua vez, a diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Patrícia Gentil, ressaltou que os desafios atuais não se limitam à produção de alimentos, mas abrangem todo o sistema alimentar, desde a produção e distribuição até o acesso e o consumo, especialmente de alimentos saudáveis. A diretora também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas cidades da região. No Brasil, mais de 87% da população vive em áreas urbanas, onde persistem importantes desigualdades no acesso e na disponibilidade de alimentos seguros e saudáveis.Plano de trabalho para a América do SulEntre as ações previstas durante o seminário está a realização de diagnósticos sobre os programas existentes de formação de estoques e gestão de reservas estratégicas, bem como o intercâmbio de assistência técnica entre os membros da Rede SPAA para fortalecer mecanismos que contribuam para estabilizar os preços dos alimentos e evitar desabastecimentos.O plano, com foco na América do Sul, também propõe fortalecer a gestão da informação agropecuária e os circuitos curtos de comercialização entre áreas rurais e urbanas, por meio da ampliação de plataformas digitais que integrem dados sobre plantio, colheitas, previsões e monitoramento climático, preços e disponibilidade de alimentos. Essas ferramentas permitirão melhorar o monitoramento da oferta e da demanda de alimentos e facilitar a tomada de decisões pelas instituições públicas.Além disso, prevê-se o reforço de programas públicos de abastecimento e comercialização de alimentos, como feiras de produtores, mercados tradicionais, compras públicas e outras iniciativas que promovem a participação da agricultura familiar e facilitam o acesso da população urbana a alimentos frescos e saudáveis.Entre as ações de cooperação regional e intercâmbio de boas práticas estão a realização de seminários e oficinas entre os países membros, a criação de um banco regional de experiências exitosas e o estabelecimento de mecanismos conjuntos de monitoramento e avaliação que permitam medir os avanços em resiliência climática e segurança alimentar.Para mais informações, acesse: Notícia: FAO e Governo do Brasil fortalecem políticas de abastecimento e comercialização de alimentos na América Latina e no CaribeHistória: Após uma década de trabalho: cinco conquistas da Rede SPAA para impulsionar sistemas alimentares sustentáveis e resilientesNotícia: Países se comprometem a promover políticas públicas de abastecimento e comercialização na América Latina e no CaribePágina: Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAOFotos: Álbum do seminário no FLIKCR Contato para a a imprensa: Palova Brito, Comunicadora do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: palova.souzabrito@fao.org
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20 março 2026
Brasil, União Europeia e UNODC lançam projeto "Protegendo Futuros"
O Governo do Brasil, em parceria com a União Europeia e o UNODC, lançou oficialmente o Protegendo Futuros em 20 de março de 2026, em Brasília - DF. A iniciativa reforça o compromisso firme do Brasil em prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes pelo crime organizado; e fortalece a cooperação entre o Brasil, a União Europeia e o UNODC no avanço da proteção de crianças e adolescentes como elemento essencial para o fortalecimento da segurança pública, em consonância com a crescente liderança do Brasil nos esforços regionais e globais para enfrentar o crime organizado e prevenir a violência contra crianças e adolescentes.Todos os anos, estima-se que um bilhão de crianças e adolescentes em todo o mundo sejam vítimas de violência ou negligência. Crianças e adolescentes representam cerca de 15% de todas as vítimas de homicídio intencional, com o crime organizado causando níveis de violência letal comparáveis aos observados em conflitos armados. No Brasil, por exemplo, 2.489 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos foram registradas somente em 2022, com forte concentração entre adolescentes negros do sexo masculino que vivem em territórios marcados por vulnerabilidades estruturais e pela presença do crime organizado.Em diversas regiões, grupos armados e criminosos aliciam, utilizam e exploram sistematicamente — e frequentemente de forma transnacional — crianças e adolescentes para proteger autores adultos da detecção e responsabilização, além de expandir suas atividades ilícitas. As consequências para essas crianças e adolescentes são imediatas e graves, incluindo exposição a riscos extremos e danos físicos e psicológicos duradouros. Seja por meio de força explícita, pressão econômica, intimidação ou manipulação, grupos criminosos visam crianças e adolescentes em suas situações de maior vulnerabilidade, inserindo-os em ciclos de violência que destroem vidas jovens, fragilizam a estabilidade das comunidades e contribuem para a insegurança além das fronteiras. Essas dinâmicas envolvem cada vez mais o uso de mensagens criptografadas, ambientes de jogos online e direcionamento algorítmico vinculado a economias ilícitas, incluindo o tráfico de drogas e o contrabando de armas, criando novos desafios para a prevenção e os sistemas de proteção.Durante o evento de lançamento realizado no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), representantes do Governo do Brasil, da União Europeia e do UNODC destacaram a relevância do projeto para as necessidades e prioridades nacionais. O evento reuniu representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde, do Ministério da Cultura, do Ministério do Esporte, do Ministério dos Povos Indígenas e do sistema de justiça, além de importantes organizações da sociedade civil, refletindo um amplo compromisso com o fortalecimento da proteção de crianças e adolescentes contra o crime organizado.“Devemos adotar uma abordagem unificada e coordenada, que transcenda fronteiras geográficas e mandatos institucionais e reflita nossa responsabilidade compartilhada de proteger crianças e adolescentes e salvaguardar nossas sociedades das ameaças do crime e da violência. É por isso que a União Europeia busca consistentemente a troca de experiências entre países por meio de seus programas” – Maria Rosa Sabbatelli, chefe da Unidade de Ameaças e Desafios Globais e Transregionais, União EuropeiaO projeto, implementado pelo UNODC com financiamento da União Europeia, será executado de 2026 a 2029, com o objetivo de prevenir e responder ao aliciamento e à exploração de crianças e adolescentes, em plena conformidade com os direitos humanos, a igualdade de gênero e o direito internacional. A iniciativa adota uma abordagem integrada que aborda tanto os fatores que impulsionam o aliciamento quanto as necessidades daqueles que foram afetados; reconhecendo que a proteção dos direitos de crianças e adolescentes e o fortalecimento da segurança são objetivos mutuamente complementares. No contexto brasileiro, isso inclui o apoio a medidas que priorizem a prevenção, o acesso à justiça para crianças e adolescentes, a reabilitação e a reintegração, assegurando que as respostas de segurança não aprofundem vulnerabilidades existentes nem resultem em novas violações de direitos.O projeto trabalhará para alcançar dois resultados principais: fortalecimento de estratégias, políticas e mecanismos governamentais para prevenir e enfrentar o aliciamento e a exploração de crianças e adolescentes por grupos armados e criminosos; efortalecimento da resiliência de crianças, adolescentes e comunidades em situação de vulnerabilidade para reduzir os riscos de aliciamento e exploração. Esses resultados serão alcançados por meio de quatro pilares interdependentes: ampliação da conscientização global;avanço de reformas legais e políticas;fortalecimento de capacidades de profissionais; ee atuação em parceria com crianças, adolescentes e comunidades. No Brasil, as atividades previstas incluem a produção de evidências sobre padrões de aliciamento — incluindo vetores digitais e online —, apoio técnico a reformas legais e políticas, e capacitações direcionadas para profissionais das áreas de justiça, segurança, assistência social, educação e saúde, além de iniciativas comunitárias com jovens em territórios prioritários, como periferias urbanas e áreas portuárias estratégicas.Ao combinar o financiamento da União Europeia, a expertise técnica do UNODC e o compromisso institucional do Brasil, a iniciativa foi concebida para gerar resultados sustentáveis e escaláveis. Ela irá reforçar e complementar o Crescer em Paz, estratégia nacional do Brasil para proteger crianças e adolescentes da violência, do crime e das drogas, lançada em abril de 2025.“O enfrentamento ao aliciamento de crianças requer atuação integrada nos territórios, com educação, assistência social, saúde e segurança pública trabalhando de forma articulada. Essa iniciativa reafirma uma diretriz central da Política sobre Drogas no Brasil: prevenir violências e promover proteção por meio do cuidado, da inclusão e da garantia de direitos, em cooperação com parceiros internacionais e em diálogo com experiências de outros países”, destacou a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do MJSP, Marta Machado. “Reconhecemos a visão ousada do Brasil e seu compromisso em enfrentar ameaças urgentes à segurança e ao bem-estar de crianças e adolescentes, ao mesmo tempo em que promove uma transformação mais profunda nos sistemas responsáveis por seu cuidado e proteção.” – Alexandra Martins, coordenadora do Programa Global para Acabar com a Violência contra Crianças, UNODCO Protegendo Futuros baseia-se na cooperação sólida e de longa data entre o Governo do Brasil, a União Europeia e o UNODC, e foi concebido para fortalecer a reconhecida liderança e expertise do Brasil nessa área. A parceria aproveitará a ampla experiência do país e suas boas práticas nacionais na proteção de crianças e adolescentes e no enfrentamento do crime organizado transnacional, ao mesmo tempo em que criará oportunidades para dar visibilidade internacional aos avanços do Brasil. Alinhado aos recentes acordos de cooperação operacional Brasil–União Europeia e às resoluções relevantes da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre violência contra crianças e adolescentes por grupos criminosos organizados, o projeto posiciona o Brasil como parceiro-chave na formulação de respostas integradas, baseadas em evidências e orientadas pelos direitos de crianças e adolescentes.Para saber mais, siga @unodcprt nas redes e visite a página do UNODC Brasil: https://www.unodc.org/cofrb/pt/ Contatos para a imprensa: Teresa Coutinho, Delegação da União Europeia no Brasil: teresa.coutinho@eeas.europa.euBruno de los Santos Fortuna, UNODC Brasil: bruno.delossantosfortuna@un.org
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10 março 2026
Brasil, ONU-Habitat e CAU/SP lançam novo projeto para fortalecer moradia social
Apesar de ser um direito humano, o acesso à moradia digna é um dos maiores desafios atualmente no Brasil e nos países do Sul Global. Segundo a Fundação João Pinheiro, em 2022, o estado de São Paulo contava com quase 70 mil moradias precárias, e mais de 260 mil famílias vivendo em coabitação não desejada. Nesse cenário, políticas públicas voltadas a assegurar moradia adequada a quem mais precisa são essenciais. É nesse contexto que a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) se coloca como um instrumento fundamental para garantir a famílias de baixa renda o direito à orientação e ao acompanhamento gratuito de profissionais especializados, quando há necessidade de construir, reformar, ampliar ou regularizar suas moradias, promovendo melhores condições de vida.Vendo na ATHIS uma solução capaz de acelerar o desenvolvimento urbano sustentável das cidades, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) deram início, em fevereiro, ao projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global. A iniciativa busca ampliar e fortalecer os conhecimentos técnicos e institucionais para aumentar o alcance, o monitoramento e a avaliação de soluções de ATHIS no estado de São Paulo, envolvendo profissionais de Arquitetura e Urbanismo, prefeituras e organizações da sociedade civil. Além disso, o projeto vai promover o intercâmbio de experiências com países da América Latina e da África, ampliando o debate e a cooperação internacional em torno da habitação de interesse social.ATHIS na práticaPrevista na Lei Federal nº 11.888/2008, a ATHIS se dá por meio de ações concretas nos territórios e com atuação direta nas moradias, como reformas de casas precárias, solução de problemas estruturais (rachaduras, infiltrações, risco de desabamento), melhoria de ventilação, iluminação e conforto térmico, além de adaptações para idosos e pessoas com deficiência.Diferentemente de políticas voltadas apenas à construção de novas habitações, a ATHIS atua prioritariamente na casa onde as pessoas já vivem, e também no bairro e na cidade, por meio de regularização fundiária, qualificação de espaços públicos, melhoria de infraestrutura e apoio a mutirões habitacionais e processos de autogestão. Essas ações são articuladas ao trabalho social, com participação das famílias em oficinas, processos de escuta e formação para a manutenção das moradias.Dessa maneira, a ATHIS contribui diretamente para o aumento da qualidade de vida, pois reduz riscos construtivos e garante melhores condições de saúde e bem-estar. Além disso, fortalece a segurança jurídica da posse, valoriza o patrimônio das famílias e amplia o acesso a políticas públicas e serviços urbanos. Por isso, é uma política estratégica, com menor custo do que a produção de novas unidades, integrando dimensões sociais, ambientais, urbanísticas e de saúde pública.No entanto, na prática, as cidades brasileiras enfrentam uma série de desafios estruturais, institucionais e financeiros que dificultam a consolidação da norma como política pública permanente, com resultados em grande escala. Entre os principais entraves estão a ausência de dotação orçamentária específica, a baixa prioridade nas agendas locais e a falta de capacidade operacional. ATHIS em RedePensando em acelerar a implementação da política de ATHIS no Brasil, o projeto ATHIS em Rede vai promover uma série de capacitações técnicas e institucionais voltadas para gestores públicos, principalmente municipais, e profissionais da área. Além disso, a iniciativa vai realizar um diagnóstico sobre o contexto da política de ATHIS no estado de São Paulo, sugerir diretrizes de monitoramento, implementar intervenções-piloto em comunidades prioritárias e criar uma plataforma de colaboração entre profissionais do Sul Global, consolidando uma rede internacional dedicada à ATHIS. A iniciativa prevê ainda, para o segundo semestre de 2026, a realização de um Fórum do Sul Global em ATHIS.A presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo, destaca que, “nesse projeto, o profissional de arquitetura e urbanismo é nosso público-alvo prioritário, pois tem a formação mais direcionada para atuar no território. Por isso é primordial expandir e aprimorar suas capacidades sobre ATHIS". Ela ressalta, ainda, a importância estratégica da iniciativa para o CAU/SP. “Essa é uma temática fundamental para o Conselho, que possui um histórico de atuação muito relevante na área”, explica. Camila destaca, também, o fato de o projeto ampliar e reforçar esse campo de atuação para os profissionais de arquitetura e urbanismo, ao mesmo tempo em que consolida a ATHIS enquanto política pública junto ao poder público.Camila destaca, por fim, as dificuldades que a categoria enfrenta para trabalhar na área, passando pela falta de oportunidades nas instituições, a baixa valorização da assistência técnica frente ao mercado imobiliário e a ausência de mecanismos estruturados de contratação pública. Nesse contexto, gestores públicos e OSCs também acabam sendo um público estratégico do projeto, para fortalecer capacidades institucionais, incorporar a ATHIS nas agendas e nos orçamentos municipais e garantir a continuidade e a escala das ações como política pública permanente. “A moradia adequada é o ponto de partida para cidades verdadeiramente inclusivas. É enfrentando o déficit habitacional que vamos avançar para reduzir desigualdades. O Brasil tem experiências de excelência em assistência técnica para habitação social, e por meio dessa iniciativa podemos transformar esse conhecimento em ação compartilhada, fortalecendo políticas públicas e ampliando o acesso à moradia digna em diferentes contextos do Sul Global. Esperamos que, ao final do projeto, municípios, profissionais e instituições estejam trabalhando juntos para multiplicar as soluções habitacionais”, conclui a chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferreti Moraes.Mais do que capacitar e criar uma rede dedicada ao tema, o ATHIS em Rede tem como principal finalidade melhorar a qualidade e acessibilidade das soluções de habitação social para comunidades em situação de vulnerabilidade, tanto em São Paulo quanto em países parceiros do Sul Global. Nesse sentido, a abordagem do projeto segue a da norma federal, centrada nos princípios do planejamento participativo, que reconhece as comunidades como agentes centrais na identificação de suas necessidades e na formulação de soluções. Além disso, busca identificar as demandas específicas de mulheres, que são as mais afetadas pelo déficit e inadequação habitacional.Para a gerente de projetos da ABC, Mariana Falcão, “o ATHIS em Rede reforça o compromisso da Agência Brasileira de Cooperação com a promoção de políticas públicas estruturantes e com o fortalecimento de capacidades no Sul Global. Ao articular conhecimento técnico, cooperação internacional e atuação nos territórios, a iniciativa contribui para transformar o direito à moradia digna em uma realidade concreta para as populações mais vulneráveis.” Primeiros passosOs primeiros passos do projeto tiveram início em fevereiro, com a participação da equipe na Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília entre 24 e 27 de fevereiro. No evento, o ATHIS em Rede foi apresentado a lideranças de movimentos sociais e municipalistas, especialistas de entidades profissionais, acadêmicas e de pesquisa, entre outros públicos estratégicos. A participação na conferência também permitiu mapear especialistas e experiências de referência em ATHIS, divulgar o projeto e engajar gestores públicos para as fases subsequentes da iniciativa.A próxima etapa será realizada de março a maio, com visitas às dez cidades paulistas com escritórios regionais do CAU/SP: Santos, Bauru, Presidente Prudente, São José dos Campos, Guarulhos, Sorocaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas e Santo André. “Nessas ocasiões, vamos conversar com representantes das prefeituras, conhecer as organizações sociais que trabalham com ATHIS na região, visitar intervenções já realizadas, conversar com profissionais de Arquitetura e Urbanismo e realizar oficinas sobre o projeto. Tudo isso vai contribuir para o diagnóstico que realizaremos, para a formulação dos cursos de capacitação e para mobilizar esses públicos para a política de ATHIS”, explica o coordenador do projeto ATHIS em Rede, Nilcio Regueira Dias. ATHIS em RedeO projeto ATHIS em Rede integra o Simetria Urbana, iniciativa de Cooperação Sul-Sul Trilateral entre ONU-Habitat e a ABC/MRE para promover o desenvolvimento urbano sustentável em países do Sul Global por meio da troca de experiências e do fortalecimento de capacidades. Contatos para imprensa: Ana Maria Barbour: ana.alvesbarbour@un.orgAléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgAntonio Biondi: antonio.biondi@causp.gov.brJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
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História
23 março 2026
“Elas do Campo à Mesa”: a força das mulheres que sustentam a segurança alimentar no Brasil
O ofício começou cedo, uma herança passada de geração em geração sob a sombra dos coqueiros. Em Zé Doca, no interior do Maranhão, Eronildes Souza da Silva iniciou sua jornada aos 10 anos, enquanto Maria Rita Souza da Silva começou aos 12. Elas são quebradeiras de coco babaçu, mulheres que transformam a riqueza da terra em sustento, mas que muitas vezes enfrentam a invisibilidade de uma jornada dupla.“Agricultura é vida e aqui nós estamos inseridas”, resume Maria Rita, com a sabedoria de quem conhece o solo. Para Eronildes, o trabalho na extração do coco se soma aos cuidados com a casa e os filhos, evidenciando um esforço que vai além do campo. Essa sobrecarga é confirmada pelo relatório global de 2023 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que aponta que as mulheres dedicam, em média, pelo menos três vezes mais tempo do que os homens ao trabalho de cuidado não remunerado e aos afazeres domésticos. A realidade de persistência é o coração da campanha “Elas do Campo à Mesa: onde há alimento, há trabalho de mulheres”. A iniciativa é realizada no âmbito do acordo de cooperação entre o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), organismo da ONU especializado em infraestrutura, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Itaipu Binacional. A parceria estabelece o apoio do UNOPS para a reforma e modernização de armazéns graneleiros da Conab, com olhar atento às necessidades de todas as pessoas - entre elas, as mulheres. Com a campanha, que acontece ao longo de todo mês de março no Instagram da Conab, a proposta é percorrer o país para dar visibilidade às mulheres que fazem o alimento chegar ao prato dos brasileiros.Cuidado nos processosDepois do trabalho no campo, a jornada do alimento continua nos silos de armazenamento, onde a precisão é fundamental. Em Ponta Grossa, no Paraná, Juliane Aparecida Schneider de Oliveira é quem comanda esse fluxo. Com 11 anos de Conab, ela hoje opera o sistema que controla a entrada e saída de grãos, em um setor historicamente masculino.“As mulheres trazem para o setor operacional não apenas uma melhoria nas relações interpessoais, mas também uma organização ímpar e muita agilidade”, afirma. Juliane destaca que a presença feminina nos armazéns trouxe organização, mas também revelou a necessidade de adaptações estruturais. Ela lembra, por exemplo, de quando precisava dividir o banheiro com colegas homens e da falta de estrutura para motoristas mulheres. Como resposta a essas demandas, o projeto de modernização das Unidades Armazenadoras da Conab, apoiado pelo UNOPS, incluirá espaços adequados para o público feminino na sua próxima fase.Resistência nas rodoviasSeguindo o caminho dos alimentos, para que o grão saia do silo e atravesse o país, o trajeto exige resistência. É na estrada que Eliziane de Barros e Regiane Oliveira, encontram seu escritório sobre rodas. Elas fazem parte de um grupo de mais de 32 mil caminhoneiras, um número que cresceu 58% na última década, segundo dados do Ministério dos Transportes.Para Eliziane, de 26 anos, a profissão é um misto de "liberdade com responsabilidade", mas os desafios são diários: desde o preconceito até a falta de banheiros limpos e seguros nas rodovias. Regiane relata que, ao chegar para descarregar, ainda é comum ser confundida com a esposa de algum motorista. “Já passou da hora de quebrar esse tabu”, afirma.O destino final: a mesaO ciclo se encerra com a solidariedade e a nutrição. Em Santa Rosa do Piauí (PI), Francisca Idelvane Muniz recebe semanalmente alimentos frescos através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Para ela, saber que sua família é nutrida pelo alimento produzido por outras mulheres traz uma garantia extra de qualidade.“Posso garantir a segurança alimentar e nutricional da minha família com itens de qualidade, principalmente porque são produzidos por mulheres”, ressalta Francisca.Para a diretora-executiva da Conab, Rosa Neide Sandes, dar visibilidade a essas histórias é o primeiro passo para a equidade: “Tornar esse trabalho visível é fundamental, mas é igualmente fundamental que essas mulheres ocupem espaços de decisão e gestão em toda a cadeia produtiva.” Para saber mais, acompanhe a campanha no Instagram da Conab (@conab_oficial) e siga @unops_official nas redes!
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História
05 março 2026
Entre perdas e recomeços: a resiliência feminina frente aos desafios climáticos em Petrópolis
Com origem tupi, Itaipava significa “pedra que chora”. Por conta do volume de água que escorre sobre as formações rochosas da Serra da Estrela, esse é o nome do distrito de Petrópolis (RJ) que há 34 anos é lar de Cristina do Rosário. Nascida e criada no município, ela é funcionária de uma escola pública da região, mãe de três filhos e coordenadora do Núcleo Comunitário de Defesa Civil do Vale do Cuiabá (NUDEC). Embora o bairro seja conhecido por condomínios de alto padrão, a região também vivenciou, nos últimos anos, eventos climáticos cujo impacto deixou marcas no território e na população. O Vale do Cuiabá é uma das 13 comunidades mais vulneráveis a eventos climáticos extremos de Petrópolis. Em fevereiro de 2008, Cristina estava grávida de sete meses; sua casa com móveis recém-comprados e o quarto do bebê praticamente pronto. Quando a enchente começou, Cristina e o marido agiram como de costume, protegendo os objetos da casa para tentar salvar seus pertences. “A gente tinha ganchos na sala. Passava as cordas por trás do sofá, suspendia e jogava as coisas por cima. Sempre choveu assim, coisa de meio metro, até um metro de água. A gente secava a parede e pintava. Mas 2008 foi a primeira tragédia de uma proporção muito maior que aconteceu na região”, relembra. Cristina conta que, ao chegar à porta da sala, a água já estava na altura da cintura e continuava subindo rapidamente. Foi então que avisou o marido para largar tudo e sair, pois não havia mais tempo. Por conta da gravidez e da correnteza, precisou ser retirada de casa com a ajuda de moradores, e levada com o marido para a casa de um vizinho em uma área mais estável. A região foi severamente atingida por deslizamentos de terra que soterraram diversas casas, resultando em grandes perdas materiais e de vidas. A tragédia impactou profundamente a comunidade e dificultou o acesso dos bombeiros, devido ao acúmulo de água e terra.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
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História
27 fevereiro 2026
“É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”
No Alto Rio Negro, o tempo não se mede apenas em horas, mas em dias de viagem. Entre comunidades separadas por rios extensos, florestas densas e uma das maiores biodiversidades do planeta, chegar a um hospital pode significar uma jornada longa demais para uma criança pequena com diarreia ou uma gestante em situação de risco. É nesse intervalo, entre o surgimento dos primeiros sintomas e a chegada ao atendimento especializado, que a vida, muitas vezes, é decidida.É ali que entram os Agentes Indígenas de Saúde: Maura, Doriendson e Dineia. Eles vivem e trabalham em pontos diferentes do território de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, mas compartilham uma mesma missão: garantir que mães e crianças não fiquem sozinhas diante da doença, da gravidez ou do parto, mesmo onde o acesso aos serviços de saúde é limitado. Seu trabalho se constrói no cotidiano das comunidades, em diálogo direto com o território, a biodiversidade e os modos de vida que dependem do equilíbrio entre rio, floresta, alimento e cuidado.Esse olhar atento ganhou ainda mais força após as formações da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, conhecida como AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF por meio do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira”, desenvolvido pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (MPTF), no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto do Rio Negro.Desde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Instituto Amazônia Açu (Iaçu), lideranças indígenas e equipes locais de saúde para planejar ações adaptadas aos contextos culturais, linguísticos, ambientais e geográficos das comunidades. O foco é fortalecer o cuidado de base comunitária por meio da estratégia AIDPI Comunitário, reconhecendo o papel central de agentes indígenas de saúde, parteiras, pajés e lideranças comunitárias no cuidado cotidiano das crianças e de suas famílias. Dineia: saberes que nascem do territórioNo distrito de Assunção do Içana, no Alto Rio Negro, o cuidado com gestantes e recém-nascidos começa muito antes de qualquer hospital. Dineia Fernandes Dávila, 48 anos, é parteira-chefe da região e atua há mais de duas décadas acompanhando mulheres durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Seu trabalho se constrói a partir da combinação entre a medicina ocidental e os saberes tradicionais indígenas, profundamente ligados ao território e à biodiversidade local.“A gente usa o remédio do homem branco, os medicamentos que vêm da ciência da cidade, mas ao mesmo tempo usamos os nossos medicamentos tradicionais, são folhas e raízes da floresta”, explica Dineia. Esses saberes incluem práticas de cuidado transmitidas entre gerações, como o uso de chás, ervas, rezas e orientações alimentares no pós-parto, que dependem diretamente da floresta, dos rios e dos recursos naturais disponíveis nas comunidades.Para Dineia, proteger a saúde das mulheres e das crianças passa também por preservar o ambiente que sustenta essas práticas. O conhecimento que ela carrega vem das mulheres mais velhas de sua família e da convivência com outras parteiras: “Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó e com as mulheres mais velhas. É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”.Ao longo dos anos, Dineia acompanhou dezenas de partos em comunidades onde o deslocamento até um hospital pode levar dias: “Aqui a criança nasce no normal. Só quem está em risco é que vai para o hospital.”Nas formações do AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF, Dineia encontrou um espaço de troca entre saberes do seu povo e conhecimentos técnicos da saúde. Em 2025, foram realizadas duas oficinas presenciais, em Assunção do Içana e no Polo Base de Yauaretê, reunindo aproximadamente 100 participantes, entre Agentes Indígenas de Saúde, AISANs, parteiras, pajés e lideranças comunitárias. Nos encontros, são discutidos temas como aleitamento materno, alimentação no pós-parto, sinais de risco na gestação e os impactos da mudança climática no cuidado com mães e bebês. “É uma troca. A gente ensina e aprende”, resume. A mudança global do clima, cada vez mais frequentes na região, já influenciam práticas passadas de geração em geração: “Com a mudança do tempo, hoje a gente já não dá banho no bebê logo que nasce. Espera pelo menos 24 horas”.As formações abordaram o acompanhamento contínuo das crianças, o manejo inicial de diarreia, desidratação, infecções respiratórias e desnutrição, além da organização dos fluxos de encaminhamento. A adaptação do cuidado ao ambiente reforça o papel dos saberes tradicionais como práticas vivas, que se transformam para proteger a saúde das crianças.Além de atuar como parteira, Dineia acompanha o pré-natal em parceria com as equipes de saúde e orienta gestantes sobre alimentação, descanso e cuidados básicos. Para ela, fortalecer o cuidado comunitário é também fortalecer a autonomia das mulheres e reduzir riscos desnecessários. “A gente trabalha como voluntária, com amor e carinho. As pessoas chamam a gente quando precisam. Há, infelizmente, um grande número de jovens grávidas na nossa região que precisam de acompanhamento e informação”, afirma.Para Dineia, investir na formação contínua de parteiras e agentes indígenas de saúde é essencial para garantir que esse cuidado chegue a quem mais precisa, especialmente em um território marcado por longas distâncias e acesso limitado aos serviços especializados. “A capacitação é muito importante e precisa continuar. Hoje ainda precisamos de muito de materiais básicos como tesoura, materiais de parto, botas e bacias, mas com o projeto já conseguimos avançar muito nos cuidados da nossa comunidade”, defende.Maura: observar cedo para agir rápidoMaura Vaz Peixoto, 42 anos, mulher indígena do povo Tucano, conhece bem essa realidade de Dineia. Em sua área, ela percorre casas de duas comunidades, Boca da Estrada e Nova Esperança, como Agente Indígena de Saúde (AIS), parteira e liderança comunitária. Três vezes por semana, ao longo do mês, visita cerca de 38 famílias, acompanhando crianças pequenas, mulheres gestantes e idosos. “Eu faço visita domiciliar, casa por casa. Quando vejo que a criança está fraca, gripada ou com diarreia, eu observo bem. Se pode virar sinal de perigo, eu encaminho rápido”, explica. Esse olhar atento foi fortalecido nas oficinas da AIDPI Comunitário: “Antes, eu só visitava. Hoje eu observo mais. Aprendi a identificar quando a criança pode piorar.”No cuidado diário, ela combina o uso de medicamentos do sistema de saúde com práticas tradicionais, como chás preparados a partir de plantas locais para aliviar sintomas leves e fortalecer o organismo. “A gente usa dois tipos de cuidado: o medicamento dos brancos e o da nossa cultura. Os dois caminham juntos. Aprendemos com outros povos como preparar chás da nossa cultura. Cada região e cada etnia tem seus conhecimentos, nas oficinas de AIDPI a gente também troca essas experiências.”Em um território onde a qualidade da água varia conforme o período de cheias e secas, e onde a biodiversidade influencia diretamente a alimentação das famílias, reconhecer precocemente sinais de desidratação e desnutrição pode significar salvar vidas. “Esse conhecimento eu vou passar para nossas filhas e para nossas noras. São elas que vão cuidar no futuro,” afirma Maura.Doriendson: o cuidado que atravessa distânciasEm outra comunidade no Amazonas, em São Joaquim, Doriendson Felipe Paulino, de 31 anos, da etnia Koripako, enfrenta desafios semelhantes. As casas ficam espalhadas ao longo do rio, e muitas famílias só conseguem chegar ao polo base depois de horas, às vezes dias, de deslocamento.“Quando a criança começa a ter diarreia, se não cuidar logo, pode piorar rápido. Nem todas as crianças, mulheres e idosos falam português. Alguns não entendem, outros têm medo de falar. A gente também ajuda traduzindo e acompanhando”, conta. Nas formações apoiadas pelo UNICEF, ele também aprendeu a orientar as famílias, além de reconhecer quando o caso pode ser acompanhado na comunidade e quando precisa ser encaminhado:“Antes do curso, alguns enfermeiros já tinham me passado orientações básicas, mas com essa capacitação eu me aprofundei mais. Aprendi melhor como acompanhar os pacientes e agir em situações que fogem do normal”. O AIS também acompanha casos mais complexos, como o de um adolescente com epilepsia, cuja família enfrenta dificuldades para manter o uso regular da medicação. “Se ele não toma o remédio no horário certo, a crise vem. A gente acompanha de perto.”Doriendson atua como um elo entre a comunidade e a rede de saúde, ajudando a reduzir deslocamentos desnecessários e garantindo que os casos mais graves cheguem mais rápido ao atendimento especializado. “Esse curso foi fundamental. Seria muito bom ter capacitações como essa todos os anos, para atualizar nossos conhecimentos e ajudar ainda mais a comunidade”.Uma rede que se fortalece com a formaçãoDesde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI Alto do Rio Negro, lideranças indígenas e equipes locais para adaptar a estratégia AIDPI Comunitário às realidades culturais, ambientais e geográficas do território. As oficinas utilizam metodologias participativas e práticas, começando com escuta ativa e cartografia do território para identificar riscos, saberes locais e desafios específicos de cada região.Para Maura, Doriendson e Dineia, essas formações ganham sentido no dia a dia, na casa visitada, na criança observada com atenção, na gestante acompanhada desde o início. Esse cuidado se torna ainda mais urgente em um território cada vez mais afetado pela mudança climática. Secas e cheias extremas impactam a qualidade da água, a segurança alimentar e aumentam o risco de doenças de transmissão hídrica, especialmente entre crianças pequenas.Ao fortalecer a identificação precoce de sinais de desidratação e desnutrição e orientar as famílias sobre cuidados preventivos, o projeto contribui para evitar agravamentos evitáveis em regiões onde o hospital pode estar a dias de distância.No Alto Rio Negro, onde o rio é caminho e o tempo é precioso, o cuidado começa antes do hospital. Ele começa na escuta atenta, no olhar treinado e na confiança de quem conhece o território. E é assim, com Maura, Doriendson, Dineia e tantos outros Agentes, que o cuidado chega primeiro. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
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História
26 fevereiro 2026
“Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”
O sonho de Benedita de Jesus Conceição da Costa, de 15 anos, é ser policial ou enfermeira e ela estuda muito para isso. Estudante que havia ficado afastada da escola conseguiu avançar duas séries em um ano.Vinda do interior do Amapá, onde ela morava com a avó, Benedita se mudou para o município de Santana, na região metropolitana de Macapá, no início de 2025, para morar com o irmão mais velho. Como ela tinha ficado fora da escola por dois anos, ela precisou de apoio para retomar seus estudos.Foi inicialmente matriculada no 6º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Prof. Francisco Walcy Lobato Lima e passou a participar da turma do Programa Travessia, que atende 23 estudantes de 13 a 17 anos em situação de distorção idade-série no 6º e 7º ano. Ela avançou tanto nas suas aprendizagens que começou 2026 já no oitavo ano.Lançado em 2020, o Programa Travessia tem como principal objetivo promover o enfrentamento da cultura do fracasso escolar, em especial da distorção idade-ano de estudantes dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental das escolas estaduais do Amapá.A professora de matemática de Benedita, Natally Campos Vilhena, contou que tudo encantava a estudante quando chegou: a escola grande, o contato com crianças da mesma idade, pessoas com quem queria conversar. "Ela é muito alegre, empolgada para estudar", diz a professora. Apesar do entusiasmo, Benedita chegou com muitas dificuldades para ler e escrever e para realizar as operações matemáticas.Com o acompanhamento das professoras de Língua Portuguesa e Matemática, a adolescente começou a avançar no segundo semestre. “Ela começou a vir à minha mesa só para tirar dúvida e voltava para resolver sozinha, fiquei muito impressionada com o desenvolvimento dela", relembra Natally.Benedita reconhece a importância do apoio que teve dos professores da escola: “Fiquei dois anos sem estudar, e quando entrei no Walcy tive um apoio que nem sei como explicar, eu ia na mesa dos professores até saber a resposta. Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”.Uma das mudanças que aconteceram no segundo semestre foi a transferência da turma do Travessia para uma sala de aula com cinco mesas redondas, nas quais os estudantes são agrupados considerando as aprendizagens que precisam consolidar, com quatro ou cinco em cada mesa. Essa configuração permitiu que a professora estimulasse maior interação entre os grupos, mudando os estudantes de mesa conforme avançavam.Natally afirma que a transformação de Benedita foi visível. Hoje ela está bem mais confiante, consegue responder perguntas em sala de aula e demonstra estar muito mais feliz.Sobre a estratégia Trajetórias de Sucesso EscolarO programa do governo amapaense faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, iniciativa do UNICEF com o objetivo de facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes. O site da estratégia disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.Para a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Grupo Profarma e Instituto Claro, e com apoio da Fundação Itaú. A estratégia é desenvolvida em parceria técnica e de implementação com a Roda Educativa. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página das Trajetórias de Sucesso Escolar: https://www.unicef.org/brazil/trajetorias-de-sucesso-escolar-0
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História
23 janeiro 2026
Do desafio à liderança: a floresta e o poder da transformação social
Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde ficam o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu e o Rio Dona Eugênia, Edgar Martins morava a poucos metros da área da reserva natural, um refúgio que o ajudou a mudar de rota e construir uma trajetória de impacto na gestão pública ambiental. O parque está localizado no Maciço do Mendanha, formado pelas serras do Mendanha, Gericinó e Madureira. É composto por 1,1 mil hectares de área protegida da Mata Atlântica, com inúmeras cachoeiras, poços e uma rica biodiversidade. Foi nessa localidade que Edgar encontrou abrigo quando, aos 12 anos, foi aliciado pelo tráfico, um cenário comum na região. O parque se tornou um lugar de fuga da realidade, e foi onde ele conheceu Dona Olga, moradora da comunidade que se preocupou ao vê-lo sempre sozinho. Quando soube o motivo de tanta frequência, ela resolveu ajudá-lo, oferecendo almoço e lanches nas longas jornadas longe de casa. Em forma de agradecimento, Edgar começou a apoiar com tarefas no entorno do parque. A convivência com a natureza acabou despertando seu conhecimento e uma forte conexão com o meio ambiente e com a conservação do local, possibilitando que posteriormente se tornasse um guia mirim. “Foi ali que entendi, ainda bem jovem, que a natureza era meu caminho para me encontrar e encontrar saúde mental. E isso me levou a focar meus estudos no meio ambiente, pela biologia”, ele conta. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Iguaçu e pós-graduado em Gestão Pública e Ambiental, Edgar é perito em Incêndio Florestal e já acumula experiências de atuação na Secretaria de Meio Ambiente de Nova Iguaçu há 20 anos. “Minha história é um exemplo para a juventude de que existem outros caminhos. Passei por muitas dificuldades, minha mãe trabalhava muito, e hoje sou pós-graduado e mestrando em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. É preciso disposição para sair da zona de conforto e fazer a diferença no mundo em que vivemos.” Evitando a poluição dos riosSe o meio ambiente sempre fez parte da vida e da rotina de Edgar, entender o panorama da agricultura no município foi um novo desafio profissional quando assumiu o cargo de Secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Nova Iguaçu, em 2023. A iniciativa do atual subsecretário foi entender as dificuldades dos profissionais de agricultura e de que maneira ele poderia colaborar com novas soluções, já que a região enfrenta problemas de abastecimento de água e grande parte dos produtores recorria ao poço artesiano para a irrigação das plantações. Muitos desses produtores fazem uso da água em regiões que usam sistemas de “sumidouro” como solução para o esgotamento sanitário, composto por paredes vazadas e fundo permeável. Esse tipo de sistema resulta, muitas vezes, na contaminação do lençol freático. Com isso, houve a preocupação das condições da água captada nos poços artesianos e o saneamento básico. A equipe do município de Nova Iguaçu precisou buscar soluções mais sustentáveis – e assim chegou até o edital “Sanear Guandu”, do Comitê de Bacia Hidrográfica Guandu.Assim surgiu a iniciativa Gestão Integrada de Recursos Hídricos em Áreas Protegidas e Rurais, com o objetivo de evitar a poluição dos rios e córregos com a ajuda dos Comitês de Bacias Hidrográficas, investindo no tratamento do esgoto por meio de obras que tragam soluções tanto individuais quanto coletivas, com a participação da comunidade local, oficinas de capacitação e ações de mobilização social. Além disso, a iniciativa também é realizada em parceria com a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (EMLURB) e com as mulheres da cooperativa Carolinas de Jacutinga, que ajudam a dar novo destino para o lixo e os materiais recicláveis, gerando renda e impedindo que os resíduos poluam o oceano. O projeto também colabora com a recuperação da vegetação que cresce naturalmente nas margens dos rios, dentro das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e outras regiões mais afastadas. Isso cria corredores ecológicos, evita o assoreamento e protege a fauna e a flora. O plano também conta com campanhas educativas com escolas para conscientizar crianças e adolescentes sobre como cuidar da água e com a colaboração da Defesa Civil para treinar as comunidades em como reduzir os riscos de desastres, principalmente nas áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos e incêndios. Desafio dos ODSEm novembro de 2024, a ação da prefeitura de Nova Iguaçu foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) no Concurso de Boas Práticas do Desafio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na categoria ODS 6 e 14 - Uso da água e preservação dos oceanos. Promovido pelo RJ Resiliente, parceria do ONU-Habitat com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Desafio dos ODS mobilizou mais de 500 servidores públicos de 86 municípios e 9 comitês de bacia em torno de um objetivo comum: fortalecer a resiliência climática e acelerar a Agenda 2030 no estado. Ao todo, 43 iniciativas foram submetidas em 6 categorias de premiação, das quais 10 foram premiadas. A categoria vencida por ele destacou iniciativas de promoção da gestão eficiente de recursos hídricos e resíduos, assegurando o acesso à água potável e ao saneamento básico para todas as pessoas, além de proteger as fontes hídricas e os oceanos. Ela está alinhada aos ODS 6: Água e Saneamento e ODS 14: Vida na Água, buscando garantir a disponibilidade e o uso sustentável da água, assim como a biodiversidade dos ambientes marinhos. “Estar no G20, recebendo um prêmio em nome da cidade que eu nasci foi emocionante e gratificante. Relembrei de toda a minha trajetória até aquele momento. Essa é a minha obrigação como gestor público, mas o sentimento é de reconhecimento em ver a cidade de Nova Iguaçu como referência.” “Essa conquista no Desafio dos ODS é fruto do esforço coletivo e do apoio do Sanear Guandu, além do compromisso de muitas pessoas com o desenvolvimento sustentável. Agradeço a todos e todas que contribuíram ao longo do processo e destaco, em especial, o apoio de Frederico Ayres, assessor técnico de Meio Ambiente, cujo trabalho foi fundamental para que esse reconhecimento se tornasse possível”, agradeceu o gestor. Para saber mais, siga o @onuhabitatbrasil nas redes!
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26 março 2026
Viva o Verde SP: Prefeitura de São Paulo e ONU-Habitat renovam parceria para aprimorar parques
Apesar de conhecida pela estrutura urbana, a cidade de São Paulo vem se destacado também no desenvolvimento alinhado à natureza, ao reaproximar a população com as áreas verdes: inaugurou 14 parques desde 2021; conta com sete parques naturais e 122 parques municipais, alguns deles recém-inaugurados; promove uma política de ampliação das áreas verdes que elevou sua cobertura vegetal para mais de 50% do território; plantou mais de 165 mil árvores (até fevereiro de 2026) e publicou 49 decretos para transformar áreas verdes particulares em espaços de utilidade pública.Parte dessa guinada da capital paulista em prol da sustentabilidade, o Viva o Verde SP – parceria entre a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) – está dando início à sua segunda fase, depois de três anos em que realizou uma avaliação geral dos mais de 100 parques urbanos da cidade e análises específicas de 10 desses locais, além da elaboração de oito planos de gestão, propostas de inovação no financiamento e capacitação de servidores e sociedade civil, entre outras atividades (confira aqui).Após uma primeira fase que teve como foco a análise e o diagnóstico dos espaços públicos verdes, o objetivo agora é implementar as descobertas e recomendações feitas na etapa inicial. Para isso, a iniciativa vai:Desenvolver um guia metodológico para planos de gestão (documentos que guiam a administração, usos e normas de parques da cidade) e entregar planos participativos de gestão de 10 parques;Contribuir com o desenvolvimento de ferramentas digitais para promover mais acessibilidade e inclusão nos parques, com recursos para uma melhor gestão e monitoramento, sempre com foco na participação cidadã;Avaliar mais nove parques apontados como prioritários e elaborar projetos de requalificação de outros seis desses espaços públicos, com escuta ativa junto às comunidades desses locais;Desenvolver campanhas de educação ambiental em 19 parques, alinhadas ao Plano Municipal de Educação Ambiental (PMEA-SP 2024-2034), que também expressa o compromisso da cidade com um futuro mais justo e sustentável.“A nova fase do Viva o Verde SP representa um passo concreto para transformar diagnóstico em ação. Nosso objetivo é ampliar o protagonismo da população na gestão dos parques. Queremos espaços cada vez mais inclusivos, construídos com a participação ativa da sociedade, especialmente de mulheres e meninas”, ressalta o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi.A secretaria destaca que, dentre as contribuições da iniciativa para a cidade, os planos de gestão, apresentados em dezembro de 2024, estão tendo um impacto significativo: além de orientar a manutenção e a gestão compartilhada desses espaços verdes públicos, esses documentos vão servir como modelo para o desenvolvimento de planos para mais 10 parques como parte do Viva o Verde SP, e serão a base para fortalecer a gestão dos mais de 100 parques da capital paulista. O Viva o Verde SP marcou a primeira colaboração entre ONU-Habitat e Prefeitura de São Paulo. Desde então, outras iniciativas foram lançadas na capital paulista, também com a SVMA, para a elaboração dos Planos Municipais de Saneamento Ambiental Integrado (PMSAI) e de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS).Segunda faseA nova etapa da iniciativa vai concentrar seus esforços nas áreas de digitalização, avaliação, gestão e comunicação. Dados gerados pelas avaliações dos parques realizadas em 2023 e 2024 – divulgadas na Avaliação de Espaços Públicos da Cidade: Parques Municipais de São Paulo e no Quadro de Priorização dos Parques de São Paulo – serão estruturados e integrados à plataforma WebParques, que funciona como um guia eletrônico com informações detalhadas sobre os parques municipais da capital paulista. A integração vai permitir acesso simples pela população e facilitar que o município replique processos participativos adotados pelo ONU-Habitat em outros parques da cidade de forma autônoma.Mais uma vez, a atuação da iniciativa será concentrada em territórios de maior vulnerabilidade social, identificados nas avaliações como prioritários para a ação do poder público em prol das comunidades. Nesta segunda fase, os parques prioritários serão:Zona Centro-Oeste (2): Sapé e Raposo Tavares;Zona Leste (8): Ciência, Consciência Negra, Córrego Água Vermelha, Itaim Paulista, Santa Amélia, Sapopemba, Vila do Rodeio e Zilda Arns Neumann;Zona Norte (3): Anhanguera, Córrego do Bananal-Canivete e São Domingos;Zona Sul (6): Guanhembu, Jardim Prainha, Nascentes do Ribeirão Colônia, Nove de Julho, Ribeirão Caulim e Sete Campos.Dez desses locais já foram alvo de avaliações específicas do Viva o Verde SP (confira, nos links a seguir, por região: Centro-Oeste, Leste, Norte e Sul), e cinco deles – Água Vermelha, Anhanguera, Bananal-Canivete, Sapé e Sete Campos – receberam projetos de requalificação por meio da iniciativa. Agora, outros seis – Ciência, Itaim Paulista, Raposo Tavares, Ribeirão Caulim, Santa Amélia e São Domingos – também receberão projetos participativos de requalificação.“A renovação da parceria com a cidade de São Paulo reforça o compromisso da prefeitura e do ONU-Habitat com a qualidade dos espaços públicos e o combate à desigualdade de distribuição dos parques. Toda cidadã e todo cidadão precisa ter acesso a áreas verdes preservadas próximo de onde mora, em especial as meninas, as mulheres e a população que vive em bairros vulneráveis, mais afetada por essa desigualdade. A primeira etapa do Viva o Verde SP comprovou isso, e esta segunda etapa vai promover ações transformadoras e inclusivas. Promover o verde é priorizar o bem-estar da população e a urbanização sustentável, integrada à natureza, sem deixar ninguém e nenhum território para trás”, explica a chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti Moraes.Cada etapa da iniciativa contempla o envolvimento de meninas e mulheres no processo de avaliação e projetos participativos, resultando em diagnósticos que atendem necessidades específicas. Como propõe o Guia Cidade Delas, fortalecer a voz de quem historicamente foi excluída e reconhecê-las como especialistas em suas próprias vivências permite ampliar as possibilidades de transformar espaços e comunidades de forma mais equitativa e sustentável. “A primeira fase do Viva o Verde SP ajudou a aproximar a população mais desfavorecida dos parques municipais, melhorando a qualidade de vida e contribuindo com a redução das desigualdades na cidade. Nesta segunda fase, vamos consolidar e ampliar estes resultados graças aos valiosos conhecimentos e contribuições da população local, viabilizados pela participação social”, ressalta o coordenador do Viva o Verde SP, Jordi Sánchez-Cuenca. Com a nova etapa, São Paulo dá mais um passo para reforçar ações que ampliam e aprimoram parques, protegendo nascentes e contribuindo para melhorar a qualidade do ar, reduzir temperaturas e aumentar a permeabilidade do solo, adotando Soluções Baseadas na Natureza para mitigar os efeitos da mudança climática.Sobre o Viva o Verde SPO Viva o Verde SP busca promover uma reaproximação da população com as áreas verdes. Para isso, em sua primeira fase (2022-2025), realizou ações voltadas a melhorar a competência de São Paulo na distribuição equitativa de espaços públicos verdes no município e nos bairros, aprimorando, com foco na participação popular e no protagonismo de meninas e mulheres, as estruturas de gestão dos parques para impulsionar a cidade como referência internacional na atenção à rede verde e azul.Ao colaborar com modelos inovadores de gestão e manutenção das áreas verdes, o projeto também contribuiu com o Programa de Metas 2021-2024 do município, que tratou da implementação de oito novos parques no período. Envolvendo diversas frentes de atuação e projetando São Paulo internacionalmente, o Viva o Verde SP vem contribuindo para viabilizar novas e futuras parcerias da capital paulistana com outras cidades comprometidas com a igualdade na distribuição, acesso e uso de espaços públicos verdes.Em sua segunda fase, que começa em 2026, o projeto dá início à implementação das principais recomendações levantadas na primeira etapa. Com atuação concentrada nas áreas de digitalização, avaliação, gestão e comunicação, serão aplicadas estratégicas para distribuir mais equitativamente os espaços públicos verdes, elaboradas ferramentas digitais de monitoramento e desenho participativo desses locais e ampliados os espaços de engajamento da sociedade civil na gestão dos parques municipais de São Paulo.Para saber mais, acompanhe as redes do @onuhabitatbrasil!Contatos para a imprensa: Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.orgGuilherme Justino, ONU-Habitat Brasil: guilherme.justino@un.org
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13 março 2026
Com ONU-Habitat, crianças propõem melhorias para rua de escola em São Gonçalo
Já imaginou uma comunidade projetada por crianças? Esta é a proposta das oficinas participativas de Desenho de Espaços Públicos, uma das metodologias que o ONU-Habitat leva a São Gonçalo (RJ) para entender e qualificar a percepção da população local sobre o bairro onde vivem e frequentam. Realizada no dia 4 de março, a oficina promovida pela Prefeitura de São Gonçalo e pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) reuniu cerca de 30 crianças no CIEP 306 Deputado David Quindere, na comunidade da Ipuca, no bairro Jardim Catarina. A partir de técnicas lúdicas de escuta, cartografia e urbanismo, a metodologia estimula crianças e adolescentes a avaliar, imaginar e projetar melhorias para um espaço público do seu bairro. Suas contribuições ganham forma por meio de uma maquete construída coletivamente. Essas soluções serão transformadas em uma proposta de projeto arquitetônico que vai subsidiar propostas de espaços públicos no âmbito do Programa Periferia Viva, iniciativa do Ministério das Cidades. Na Ipuca, as contribuições das crianças focaram na rua Expedicionário Geraldo Martins Santana, localizada atrás da escola. Para o novo espaço, elas incluíram a construção de ciclovias, bicicletários, limites para circulação de carros, plantio de árvores, conjuntos de bancos e mesas, lixeiras, instalação de brinquedos e iluminação pública adequada.“Fiquei animada porque a gente está ajudando na melhoria do bairro e eu quero só o melhor. Anotei que a gente precisava de mais lixeiras e um campinho poliesportivo para termos mais atividades. Eu sinto que as minhas ideias podem ajudar no bairro e eu gostei da experiência”, conta Thayelle dos Santos, aluna do CIEP 306 Deputado Estadual David Quinderé. "Estamos ouvindo o que os alunos querem e o que esperam no bairro para que as vozes dos moradores, principalmente dos jovens, sejam ouvidas no processo de projetar a cidade. Os desejos dessas crianças vão subsidiar propostas de espaços públicos na Ipuca”, afirma a analista de Programas do ONU-Habitat, Cássia Rodrigues.Oficinas em São GonçaloEm outro ponto do bairro Jardim Catarina, as crianças já puderam conhecer o projeto da nova praça. Dando sequência às oficinas realizadas no final de 2025 no CIEP Anita Garibaldi, a equipe voltou à escola no início de março para apresentar a proposta às crianças participantes. O projeto final será entregue às autoridades locais, para que possam dar encaminhamento."Eu fiquei muito feliz porque é a primeira vez que perguntam algo assim para a gente. A praça ficou muito elaborada, bonita e vai ser mais perto, muito mais legal para ir. Estou muito feliz por pensarem na gente e considerarem nossa opinião”, conta Ana Clara Ferreira, aluna do CIEP Anita Garibaldi. Com o envolvimento da comunidade local, o espaço público pode se tornar mais atrativo, responder às necessidades da população, acolher as diferenças e ser seguro, acessível, confortável e democrático. Assim, surgem novas oportunidades de reduzir desigualdades e criar uma vida melhor para todas as pessoas.Periferia VivaPor meio da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais da Prefeitura de São Gonçalo, o projeto Nova Ipuca foi desenvolvido e selecionado para receber recursos federais do programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades. A iniciativa vai contribuir para oferecer serviços públicos e promover uma infraestrutura urbana adequada, incluindo saneamento básico, construção de equipamentos públicos, pavimentação, iluminação pública, áreas de lazer, regularização fundiária e melhorias habitacionais.Fortalece São GonçaloA parceria entre o ONU-Habitat e a Prefeitura de São Gonçalo fortalece a gestão do município para planejar e implementar políticas públicas baseadas em dados, reduzindo as desigualdades e beneficiando ainda mais a população. A iniciativa já implementou metodologias como o Laboratório Urbano Sustentável, que promove um espaço colaborativo para cocriação e avaliação de políticas públicas; as oficinas Cidade Mulher, que promovem a escuta de mulheres e meninas para um diagnóstico de como tornar a cidade um espaço mais seguro; a Capacitação em Gestão Pública Baseada em Dados, que ofereceu treinamentos sobre o uso estratégico de dados na tomada de decisão, planejamento urbano e formulação de políticas públicas mais eficazes e inclusivas; e lançou o Observatório Fortalece São Gonçalo, uma plataforma de dados estabelecida por lei municipal que reúne mais de 130 indicadores sobre áreas como saúde, educação, cultura e ordem pública.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes! Contato para a imprensa: David Morais, Analista de Comunicação, ONU-Habitat: david.moraisdasilva@un.org
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13 março 2026
Especialista da ONU em direitos dos migrantes visitará o Brasil
O Relator Especial da ONU para os direitos humanos dos migrantes, Gehad Madi, visitará o Brasil de 16 a 27 de março de 2026.O Relator Especial avaliará as leis, políticas e práticas atuais do país, bem como o progresso alcançado na garantia da proteção plena e efetiva dos direitos humanos dos migrantes.O especialista realizará reuniões em Brasília, Boa Vista, Pacaraima, São Paulo e Curitiba com autoridades governamentais, o poder judiciário, com agências das Nações Unidas, com organizações da sociedade civil e com migrantes. Ele também visitará centros de acolhimento e abrigos.Madi realizará uma coletiva de imprensa na sexta-feira, 27 de março de 2026, às 15h (horário local) na Casa ONU Brasil - Complexo Sérgio Vieira de Mello, em Brasília. O acesso é estritamente reservado a jornalistas. Para se inscrever na coletiva de imprensa, envie um e-mail para hrc-sr-migrant@un.org com o assunto: Solicitação de inscrição para a coletiva de imprensa.O Relator Especial apresentará seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em junho de 2027.
Gehad Madi é o Relator Especial sobre os direitos humanos dos migrantes. Os Relatores Especiais/Peritos Independentes/Grupos de Trabalho são peritos independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Juntos, esses peritos são chamados de Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho. Embora o escritório de Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.Observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Acesse aqui a página da ONU Direitos Humanos da ONU sobre o Brasil.Solicitações da imprensa, entrar em contato com: Paulina Tandiono, Oficial de Direitos Humanos, paulina.tandiono@un.org ou hrc-sr-migrant@un.org. Para consultas da imprensa relacionadas a outros especialistas independentes da ONU, entrar em contato com Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org) ou Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org) Acompanhe as notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no X: @UN_SPExperts.
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13 março 2026
ONU alerta: Metade das crianças não sabe como denunciar ciberbullying
“Hoje, nos reunimos mais uma vez em um contexto desafiador, no qual as crianças estão pagando o preço mais alto. Sua proteção e bem-estar são prejudicados pelo aumento dos conflitos, deslocamentos, pobreza, violência e múltiplas privações”, afirmou a Dra. Najat Maalla M’jid, Representante Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência contra Crianças, ao abrir um diálogo interativo sobre seu relatório anual no Conselho de Direitos Humanos, nesta terça-feira (10/03) em Genebra.
O relatório destaca tendências alarmantes no ciberbullying, ou bullying virtual, uma das principais preocupações expressas pelas próprias crianças. Uma pesquisa recente realizada pelo Escritório da Representante Especial com mais de 30 mil crianças em todas as regiões do mundo revelou que 66 % consideram que o ciberbullying aumentou e que 1 em cada 2 crianças não sabe onde e como denunciar e obter apoio. Ciberbullying, explica o UNICEF, é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Exemplos incluem: espalhar mentiras ou compartilhar fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais;enviar mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens;se passar por outra pessoa e enviar mensagens maldosas aos outros em seu nome.A IA está transformando fundamentalmente a ameaçaO rápido avanço e a acessibilidade da IA generativa estão remodelando o ciberbullying, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por várias plataformas em grande escala. Isso possibilita deepfakes, alvos automatizados e a manipulação de crianças por meio de chatbots e outras ferramentas nas quais elas muitas vezes confiam demais e não conseguem distinguir da interação humana real. Fotos e vídeos deepfake gerados por IA, inclusive por meio de aplicativos de “nudificação”, são cada vez mais usados para humilhar, ameaçar e explorar crianças on-line.O relatório alerta que as crianças não denunciam facilmente o ciberbullying porque enfrentam estigma, porque não sabem onde denunciar, temem ser rejeitadas por colegas ou julgadas pelos adultos. O impacto do ciberbullying pode ser imediato e devastador, causando sofrimento psicológico e danos duradouros à reputação em segundos. Nos casos mais trágicos, pode levar as crianças a tirarem suas próprias vidas. Participação de todas as pessoas e todos os setores da sociedade é essencial A Dra. Maalla M’jid enfatizou a necessidade de envolver todos os atores do ecossistema de proteção infantil online, incluindo governos, indústria, educadores, famílias, crianças e jovens. Essa é a única maneira de projetar uma estrutura multissetorial com o objetivo de proteger as crianças contra danos online, ao mesmo tempo em que possibilita uma participação virtual segura. Ela destacou a necessidade urgente de garantir que a segurança e a privacidade das crianças sejam incorporadas em todas as plataformas digitais e na cadeia de valor da IA.Em seu relatório anual ao Conselho de Direitos Humanos, a Dra. Maalla M’jid destacou o importante papel das crianças e dos jovens, que devem ser capacitados com pensamento crítico e cidadania digital e envolvidos nas respostas, conforme expresso por uma criança consultada por seu escritório: “Os espaços digitais não devem se tornar locais onde os danos são relatados, mas nunca resolvidos. Devem ser locais onde a ajuda chega de forma rápida, segura e humana. Não criem o futuro digital para as crianças. Façam isso conosco.”Para saber mais, siga @un_violenceagainstchildren e leia o relatório na página do Escritório da Representante Especial da ONU: https://violenceagainstchildren.un.org/en/our-work/annual-reports/human-rights-council Contato para a imprensa: Aniket Pratap Singh, Assessora de Comunicação, Escritório da Representante Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência Contra Crianças: aniket.singh@un.org
O relatório destaca tendências alarmantes no ciberbullying, ou bullying virtual, uma das principais preocupações expressas pelas próprias crianças. Uma pesquisa recente realizada pelo Escritório da Representante Especial com mais de 30 mil crianças em todas as regiões do mundo revelou que 66 % consideram que o ciberbullying aumentou e que 1 em cada 2 crianças não sabe onde e como denunciar e obter apoio. Ciberbullying, explica o UNICEF, é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Exemplos incluem: espalhar mentiras ou compartilhar fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais;enviar mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens;se passar por outra pessoa e enviar mensagens maldosas aos outros em seu nome.A IA está transformando fundamentalmente a ameaçaO rápido avanço e a acessibilidade da IA generativa estão remodelando o ciberbullying, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por várias plataformas em grande escala. Isso possibilita deepfakes, alvos automatizados e a manipulação de crianças por meio de chatbots e outras ferramentas nas quais elas muitas vezes confiam demais e não conseguem distinguir da interação humana real. Fotos e vídeos deepfake gerados por IA, inclusive por meio de aplicativos de “nudificação”, são cada vez mais usados para humilhar, ameaçar e explorar crianças on-line.O relatório alerta que as crianças não denunciam facilmente o ciberbullying porque enfrentam estigma, porque não sabem onde denunciar, temem ser rejeitadas por colegas ou julgadas pelos adultos. O impacto do ciberbullying pode ser imediato e devastador, causando sofrimento psicológico e danos duradouros à reputação em segundos. Nos casos mais trágicos, pode levar as crianças a tirarem suas próprias vidas. Participação de todas as pessoas e todos os setores da sociedade é essencial A Dra. Maalla M’jid enfatizou a necessidade de envolver todos os atores do ecossistema de proteção infantil online, incluindo governos, indústria, educadores, famílias, crianças e jovens. Essa é a única maneira de projetar uma estrutura multissetorial com o objetivo de proteger as crianças contra danos online, ao mesmo tempo em que possibilita uma participação virtual segura. Ela destacou a necessidade urgente de garantir que a segurança e a privacidade das crianças sejam incorporadas em todas as plataformas digitais e na cadeia de valor da IA.Em seu relatório anual ao Conselho de Direitos Humanos, a Dra. Maalla M’jid destacou o importante papel das crianças e dos jovens, que devem ser capacitados com pensamento crítico e cidadania digital e envolvidos nas respostas, conforme expresso por uma criança consultada por seu escritório: “Os espaços digitais não devem se tornar locais onde os danos são relatados, mas nunca resolvidos. Devem ser locais onde a ajuda chega de forma rápida, segura e humana. Não criem o futuro digital para as crianças. Façam isso conosco.”Para saber mais, siga @un_violenceagainstchildren e leia o relatório na página do Escritório da Representante Especial da ONU: https://violenceagainstchildren.un.org/en/our-work/annual-reports/human-rights-council Contato para a imprensa: Aniket Pratap Singh, Assessora de Comunicação, Escritório da Representante Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência Contra Crianças: aniket.singh@un.org
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12 março 2026
UNODC e Ministério da Justiça lançam Índice de Vulnerabilidade de Territórios Indígenas ao Crime Organizado
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), apresentaram oficialmente, durante a 69ª sessão da Comissão de Entorpecentes (CND 69), o Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado - Territórios Indígenas. A iniciativa representa um avanço importante no enfrentamento ao crime organizado e na proteção territorial de povos indígenas no Brasil.A sessão ocorre no âmbito da Comissão de Entorpecentes (CND), que em 2026 realiza sua 69ª edição como órgão central das Nações Unidas responsável por acompanhar a implementação das convenções internacionais sobre drogas e definir diretrizes globais nessa área. Composta por Estados-membros eleitos pelo Conselho Econômico e Social (ECOSOC), a CND funciona como principal fórum intergovernamental para debater tendências, desafios emergentes e respostas baseadas em evidências ao problema mundial das drogas. Reúne anualmente governos, organismos internacionais, sociedade civil e comunidade científica para negociar resoluções, lançar iniciativas e fortalecer a cooperação internacional em políticas de drogas.Desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc), em parceria com a Senad/MJSP, o UNODC e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o índice é uma ferramenta inovadora de diagnóstico territorial que integra múltiplas dimensões da vulnerabilidade — incluindo organização territorial, degradação ambiental, ameaças e violência, indicadores de atividades ilícitas e condições sociais relacionadas à renda, educação e saúde.Enfrentamento ao crime organizado e fortalecimento de territórios indígenas O índice reconhece que os territórios indígenas, especialmente na Amazônia brasileira, estão expostos a pressões crescentes relacionadas à atuação convergente de atividades ilícitas vinculadas ao crime organizado transnacional, como o tráfico de drogas, a mineração ilegal, a extração ilegal de madeira, entre outras. Essas dinâmicas afetam a segurança dos territórios, elevam os riscos de violência, agravam a degradação ambiental, tensionam formas locais de governança e comprometem as condições de proteção e de reprodução da vida comunitária.Ao sistematizar dados de múltiplas fontes públicas, o índice traz informações sobre os territórios onde vulnerabilidades sociais, pressões ambientais e atividades criminosas convergem. Essa ferramenta possibilita que gestores públicos, agências de segurança e organizações indígenas identifiquem áreas prioritárias para ações coordenadas de prevenção, proteção e desenvolvimento territorial sustentável.“Este índice representa um passo fundamental para compreendermos de forma integrada e baseada em evidências os desafios enfrentados pelos povos indígenas diante do crime organizado”, afirmou a representante do UNODC no Brasil, Elena Abbati. “Ao mapear as vulnerabilidades territoriais, contribuímos para respostas mais efetivas que combinam repressão qualificada, prevenção e fortalecimento comunitário, sempre com respeito aos direitos humanos e à autodeterminação dos povos indígenas.”A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, destacou: “O Brasil avança no desenho e implementação de políticas públicas orientadas por evidências e de base territorial. O índice permite que identifiquemos não apenas onde o crime organizado pressiona comunidades indígenas, mas também onde políticas de desenvolvimento alternativo, prevenção, proteção social e justiça podem fazer a diferença na vida dessas populações.” Sumário executivo e acesso público O documento apresentado na CND 69 é o Sumário Executivo do índice, condensando a metodologia, principais achados e implicações para políticas públicas. Um estudo completo e detalhado será lançado em breve, apresentando detalhes das análises territoriais, metodologia e conceitos teóricos utilizados.O Sumário Executivo já está disponível para consulta pública em plataforma digital acessível em www.cdesc.org.br. Com o lançamento do estudo completo, será disponibilizada também uma plataforma interativa com os resultados do índice por dimensão, na qual será possível consultar os territórios indígenas no mapa ou por nome. A ferramenta será voltada a gestores públicos, pesquisadores, organizações indígenas e à sociedade civil.Cooperação internacional e Agenda 2030 O índice e as ações do UNODC no Brasil estão alinhados aos principais marcos internacionais sobre drogas e crime organizado, em especial à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC) e às três Convenções Internacionais sobre Drogas, que estabelecem a base normativa para respostas cooperadas, integradas e orientadas por direitos humanos e saúde pública. Essas iniciativas também contribuem diretamente para a Agenda 2030, sobretudo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, 10 e 15, ao fortalecer a proteção territorial, reduzir a violência e promover governança inclusiva em áreas impactadas pelo crime organizado.Esse esforço se soma a outras ações do UNODC na proteção de territórios indígenas diante de pressões do crime organizado, como o SAR‑TI, desenvolvido com apoio do Governo da Itália, em parceria com o UNICEF e em cooperação com o ECHO, que fortalece sistemas de vigilância territorial e respostas a crimes ambientais em territórios indígenas da Amazônia brasileira, no âmbito do Projeto Tapajós. O projeto é voltado ao enfrentamento do garimpo ilegal e de violações de direitos na cadeia do ouro, e ao fortalecimento da atuação do Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc), parceiro na produção de evidências e no apoio a estratégias de desenvolvimento comunitário em territórios indígenas no contexto do problema mundial das drogas.Para saber mais, siga @unodcprt e @pnud_brasil nas redes! Contato para a imprensa: Bruno Fortuna, Oficial de Comunicação, UNODC Brasil: bruno.delossantosfortuna@un.org
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