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A arte de ensinar além das fronteiras
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Discurso
03 setembro 2026
Paz e Tolerância nas Eleições 2026
Bom dia a todas e todos e muito obrigado pelo convite. Muito me engrandece representar o Sistema das Nações Unidas no Brasil neste evento. Em nome de nosso secretário-geral, cumprimento:Senhor Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal;Senhor Ministro Nunes Marques, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Senhor Ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Alexandre Espinosa, da Procuradoria-Geral Eleitoral;Sidney Neves, do Conselho Federal da OAB;Autoridades presentes;Representantes das instituições religiosas, da sociedade civil e das organizações parceiras. Senhoras e senhores,É uma honra para as Nações Unidas participar deste momento em que instituições tão diversas se reúnem para firmar um compromisso com a paz, com o diálogo e com a democracia.Estive recentemente em outros eventos promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral em preparação para as eleições e fiquei muito impressionado com o preparo, a seriedade e a inovação do sistema eleitoral do país. Gostaria de deixar registrado um reconhecimento ao papel fundamental desta Corte na construção e na proteção da democracia brasileira.O Brasil possui uma das maiores democracias eleitorais do mundo. Ao longo de décadas, o país construiu instituições eleitorais sólidas, um sistema de votação reconhecido internacionalmente e uma capacidade extraordinária de organizar eleições de grande escala, de forma segura, transparente e eficiente.As eleições brasileiras são, portanto, motivo de orgulho não apenas para o Brasil, mas também para todos aqueles que, no mundo, trabalham pela democracia e pelo Estado de Direito.E é justamente porque a democracia brasileira é forte que iniciativas como esta são tão importantes.A democracia não se restringe ao ato de votar. Democracia é também conviver, ouvir, respeitar. É aceitar a diversidade de opiniões e construir caminhos a partir da divergência. Para isso, precisamos reconhecer no outro — inclusive naquele que pensa diferente de nós — um cidadão ou uma cidadã com os mesmos direitos.É nesse espírito que a iniciativa “Paz e Tolerância nas Eleições” ganha um significado especial. A democracia precisa de instituições fortes, mas também precisa de uma cultura democrática. E essa cultura é construída todos os dias — nas escolas, nas famílias, nas comunidades, nas redes sociais, nas igrejas e organizações religiosas, nos espaços públicos e nas relações entre cidadãos.Por isso, o pacto que hoje será celebrado tem um valor que vai muito além do período eleitoral. Ele reafirma que divergência não precisa significar hostilidade e que convicções diferentes podem e devem coexistir, sem animosidade ou violência. É daí que sai a riqueza do debate político, que deve, sempre, ser um espaço para que possamos desenhar coletivamente o nosso futuro comum.A visão das Nações Unidas sobre democracia parte exatamente dessa premissa.Para a ONU, a democracia é um princípio universal, indivisível e interdependente dos direitos humanos, do desenvolvimento e da paz. A democracia pertence aos povos, e seu fundamento está na vontade livremente expressa das pessoas. Como estabelece o artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: a vontade do povo deve ser a base da autoridade do governo, expressa por meio de eleições legítimas e periódicas.Mas, para que essa vontade possa ser verdadeiramente manifestada, é preciso garantir as condições que tornam a democracia possível. Cito aqui algumas: liberdade de expressão; liberdade de reunião e associação; participação; igualdade; acesso à informação.E para alcançarmos tudo isso, precisamos de instituições com condições e coragem de proteger os direitos de todas as pessoas, especialmente daquelas que historicamente enfrentam maiores barreiras para participar plenamente da vida pública.Por isso, a democracia e os direitos humanos caminham juntos.Da mesma forma, democracia e paz também caminham juntas. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável traduz essa conexão de maneira muito clara no ODS 16, que nos convoca a promover sociedades pacíficas, garantir acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.Eleições são, por definição, momentos em que precisamos administrar a diferença. É natural — e até saudável — que existam projetos políticos distintos, visões diferentes sobre o futuro do país e debates intensos sobre as escolhas que precisam ser feitas.O desafio democrático é garantir que essas diferenças possam ser expressas, debatidas e decididas de maneira pacífica e harmoniosa, afinal, ninguém possui o monopólio da verdade e ninguém deve ser privado do direito de participar porque pensa diferente.O secretário-geral das Nações Unidas tem enfatizado essa dimensão da democracia. Como ele afirmou:“A democracia é movida pela vontade do povo — pelas suas vozes, pelas suas escolhas e pela sua participação. Prospera quando os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todas as pessoas são respeitados — especialmente das mais vulneráveis.”E essa mensagem é particularmente importante no momento que vivemos.Ainda nas palavras do secretário-geral: “Num momento em que a democracia e o Estado de Direito estão sob ataque através da desinformação, da divisão e da redução do espaço cívico, estes esforços são mais vitais do que nunca.”Hoje, uma das grandes ameaças à convivência democrática não está apenas nos conflitos que acontecem no mundo físico. Ela também se manifesta no ambiente digital.A desinformação pode corroer a confiança nas instituições, a manipulação pode aprofundar divisões, e o discurso de ódio pode transformar adversários políticos em inimigos. Sabemos ainda que a violência verbal pode, em determinadas circunstâncias, abrir espaço para a violência física.Por isso, defender eleições pacíficas é também defender um ambiente público em que as pessoas possam receber informação confiável, formar suas próprias opiniões e participar do debate sem medo, intimidação ou violência.É uma responsabilidade que cabe às instituições, mas que também exige a participação de toda a sociedade. E é exatamente por isso que a presença das instituições religiosas e das organizações da sociedade civil nesta iniciativa é tão significativa.Essas instituições têm uma presença profunda e capilarizada nas comunidades brasileiras. Elas estão próximas das pessoas, conhecem suas realidades e podem desempenhar um papel fundamental na promoção do diálogo, da solidariedade e da não violência.É também nesse espírito que as Nações Unidas trabalham no Brasil. Nosso papel não é escolher candidatos, partidos ou projetos políticos. Nosso papel é apoiar os princípios que permitem que os cidadãos façam suas próprias escolhas livremente, promover os direitos humanos, fortalecer a participação, e combater a discriminação, sempre respeitando plenamente a soberania nacional. Senhoras e senhores,Às vésperas de mais um processo eleitoral, talvez a mensagem mais importante que possamos transmitir seja simples: a democracia não exige que concordemos uns com os outros; ela exige que sejamos capazes de conviver uns com os outros.Que possamos fazer deste período eleitoral uma celebração da participação cidadã e do diálogo, para lembrarmos que, acima de nossas diferenças políticas, existe algo que compartilhamos: o compromisso com uma sociedade em que todas as pessoas tenham o direito de participar e de ajudar a decidir o futuro do seu país.As Nações Unidas estão honradas em estar ao lado do Tribunal Superior Eleitoral e de todas as instituições aqui presentes nesta jornada.Muito obrigado.Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre democracia.
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História
24 agosto 2026
Juventude transforma realidades no UNOPS
A quatro mil quilômetros de casa, a jovem arquiteta Talia Fernandes, de 25 anos, encontrou seu verdadeiro propósito. Nascida em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, ela atravessou o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul para cursar o mestrado em Planejamento Urbano. Longe da família e da terra natal, a vontade de aplicar seu conhecimento em cidades devastadas por catástrofes climáticas falou mais alto e a levou a seu primeiro posto no Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). A jovem, que ingressou na organização como estagiária, hoje ocupa uma vaga regular e ajuda a monitorar de perto a recuperação de 101 unidades de saúde que foram afetadas pelas enchentes no RS no ano passado. Anteriormente, Talia sentiu a frustração com o trabalho em escritórios de arquitetura tradicionais, mas, na ONU, descobriu o valor real e prático da sua profissão. “Não é porque eu sou jovem que a minha opinião não importa. Aqui, eu me sinto muito valorizada como profissional”, destaca a arquiteta.A história de Talia reflete o tema do Dia Internacional da Juventude de 2026: “Contextos diferentes, aspirações comuns”. No UNOPS, escritório da ONU especializado em infraestrutura, 45 jovens atuam nas equipes espalhadas em todo o Brasil. Para alguns deles, a trajetória exigiu ainda mais superação. É o caso da engenheira Kércia dos Santos, 30 anos. Aos 17, ela deixou a zona rural no interior da Bahia e desembarcou em Brasília com apenas uma cesta básica e muitos sonhos. Aluna de escola pública e beneficiária de políticas públicas para acesso a transporte e alimentação, ela superou muitos obstáculos. Tornou-se a primeira pessoa da sua família inteira a conquistar um diploma de curso superior e, ao escolher a Engenharia Civil, abriu seu próprio espaço, construindo um legado em uma área tradicionalmente masculina. Hoje, atua como coordenadora de obras em um dos projetos mais complexos do UNOPS, a finalização das obras de escolas em comunidades indígenas e quilombolas afastadas dos grandes centros urbanos.“Se a minha trajetória puder fazer com que outra menina do interior olhe para a Engenharia e pense 'eu também posso chegar lá', isso já tem um significado enorme para mim”, declara a coordenadora.Por trás de cada obra monitorada por Kércia e Talia, existe uma outra frente essencial para que todo o trabalho do escritório aconteça: a área de operações. Sem o suporte técnico e o cuidado humano nos bastidores, nenhum projeto sai do papel. Gabriel Bezerra, de 26 anos, atua diariamente de forma essencial para que esse processo aconteça. Morador de uma área periférica de Brasília, o jovem cresceu longe de qualquer incentivo e atuar na ONU parecia restrito às telas de televisão.“Eu nunca iria imaginar que teria um escritório da ONU aqui em Brasília. Vindo de escola pública, isso nunca foi uma conversa que eu tive”, confessa Gabriel.Há quatro anos atrás, ele ingressou como estagiário de Tecnologia da Informação (TI) e sofreu um enorme choque cultural em um ambiente tão multicultural. O convívio transformou sua visão de mundo de maneira profunda. Ele relata que os debates sobre gênero, diversidade e inclusão dentro do escritório o auxiliaram a ter uma nova visão de mundo. Profissionalmente, apesar da insegurança, teve a oportunidade de inovar. Gabriel, mesmo tão jovem, desenvolveu um aplicativo capaz de automatizar as demandas de trabalho de uma tarde inteira em apenas 15 minutos e, com dedicação, assumiu a liderança de TI para os escritórios do UNOPS no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Inspirado na trajetória dos colegas, Gabriel iniciou um mestrado, um plano antes inexistente em sua vida. “Saber que o seu trabalho faz a diferença, desde a troca de um mouse até a compra de computadores para uma escola indígena, traz uma motivação, uma vontade de acordar com um propósito”, expressa o especialista em TI. Na operação dos Recursos Humanos, Amanda Louize, com 25 anos, apoia a seleção das equipes responsáveis por transformar vidas em todo o Brasil. Formada em Relações Internacionais, ela sofreu com rejeições sucessivas em processos seletivos na época da pandemia. O sonho de integrar as Nações Unidas parecia um objetivo distante, que somente aconteceria após anos de experiência. No entanto, esse sonho não demorou tanto quanto ela imaginava para ser realizado. Amanda entrou no UNOPS como estagiária e encontrou no setor de RH o fim das incertezas. Hoje, ela trabalha em todas as etapas dos processos de seleção de equipes do escritório e encontrou a sua vocação no trabalho: ter contato com pessoas.“Eu vivo a realidade que a Amanda de 17 anos sonhava. É uma baita responsabilidade, pois a gente lida com o sonho das pessoas”, destaca a assistente.A determinação de Talia, a força de Kércia, a superação de Gabriel e a vocação de Amanda ilustram a essência e as aspirações dos jovens profissionais que trabalham na ONU no Brasil. Mais do que um brilho no olhar, eles compartilham a mesma vontade incansável de deixar um legado no que constroem cotidianamente. Com passados e realidades tão distintas, esses jovens profissionais contribuem, cada um a seu modo, com a mudança, com a promoção da igualdade e com a superação de desafios. São as pessoas que ajudam a construir o Brasil do futuro, no presente.Para saber mais, siga @onubrasil e @unops_official nas redes sociais!
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História
17 agosto 2026
“O diagnóstico não define a criança”
A Jade (Jogos de Aprendizagem para Desenvolvimento Educacional), iniciativa de aprendizagem baseada em jogos digitais para crianças neurodivergentes, foi reconhecida pelo Prêmio Global da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) de 2026. Fundada em 2018, no Espírito Santo, a iniciativa utiliza tecnologia e acompanhamento individualizado para apoiar o desenvolvimento cognitivo e a inclusão pedagógica de crianças e adolescentes neurodivergentes.Tecnologia e inclusão: acompanhamento individualizadoA ideia surgiu quando Ronaldo Cohin, ao acompanhar o crescimento do filho, percebeu a escassez de especialistas e o alto custo do atendimento voltado a crianças neurodivergentes. Em 2018, fundou a Jade App, com a proposta de utilizar jogos digitais para compreender melhor as necessidades de cada criança e apoiar seu desenvolvimento.“Nosso intuito é usar as decisões da criança durante os jogos para entendermos as funções executivas e onde estão causando um atraso na educação. A partir dessa verificação, geramos uma série de atividades especificamente para aquela criança”, contou Ronaldo Cohin em entrevista ao Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).O aplicativo utiliza uma metodologia de ensino voltada ao desenvolvimento cognitivo de pessoas neurodivergentes, por meio de associações entre palavras, objetivos e figuras. Durante as atividades, a ferramenta coleta dados sobre o que a criança faz, por quanto tempo e de que maneira realiza cada tarefa. Essas informações permitem mensurar aspectos relacionados às funções executivas e identificar possíveis fatores associados a dificuldades no desenvolvimento escolar. A proposta não substitui o diagnóstico nem o acompanhamento de profissionais especializados. Em vez disso, busca oferecer informações que contribuam para uma compreensão mais individualizada das necessidades de cada aluno e orientar atividades voltadas ao desenvolvimento de suas habilidades cognitivas.“O olhar individualizado precisa existir. O diagnóstico não define a criança”, afirma Ronaldo.A partir desses recursos, a Jade ND busca aproximar famílias, educadores e crianças de uma compreensão mais ampla e individualizada das dificuldades de aprendizagem. “Muitas vezes as famílias não têm suporte mínimo”, afirma Ricardo. As soluções desenvolvidas pela iniciativa apoiam crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, discalculia, deficiência intelectual, síndrome de Down e dislexia. Também podem ser utilizadas por crianças e adolescentes que precisam desenvolver habilidades como atenção, flexibilidade mental, memória auditiva, controle de impulsos, raciocínio lógico, reconhecimento emocional e velocidade de processamento.Além da Jade App, a iniciativa reúne atualmente outras soluções, como a Jade Edu, Jade Academy e Jade Astea. Juntas, elas ampliam a atuação da empresa na inclusão pedagógica e na avaliação cognitiva, conectando diferentes espaços de aprendizagem– da sala de aula ao ambiente familiar. Atualmente, a Jade apoia mais de 220 mil crianças em mais de 179 países.“Colher os frutos que a tecnologia nos dá, respeitando as recomendações médicas, da ciência e da proteção de dados, é um ganho muito grande”, disse Ronaldo ao UNIC Rio. Sobre o Prêmio Global da OMPIO Prêmio Global da OMPI reconhece, anualmente, pequenas e médias empresas (PMEs) e startups que demonstram excelência no uso da propriedade intelectual para levar produtos ao mercado, melhorar vidas e gerar empregos.“As PMEs constituem a maioria das empresas em todos os países, impulsionando o crescimento, gerando empregos e, muitas vezes, promovendo as inovações mais disruptivas. No entanto, a maioria ainda não tem consciência do poder da propriedade intelectual como ferramenta de negócios”, disse o diretor-geral da OMPI, Daren Tang. A iniciativa da OMPI busca contribuir para um mundo em que os direitos de propriedade intelectual apoiem a inovação e a criatividade em qualquer lugar, para o benefício de todas as pessoas. Os prêmios são definidos por um júri independente e reconhecem empresas de menor porte que contribuem para o progresso e para a melhoria da vida das pessoas.Em 2026, um júri internacional selecionou onze vencedores entre 1.300 inscrições de 126 países. A avaliação considera planos de negócios, estratégias e cultura interna de propriedade intelectual, além da contribuição das iniciativas para o enfrentamento de desafios sociais.O diretor-geral da OMPI, Daren Tang, entregou, em julho, os prêmios aos representantes dos vencedores em uma cerimônia realizada durante a Assembleia Geral dos Estados-membros da OMPI, em Genebra, na Suíça. As iniciativas vencedoras também recebem um programa de mentoria personalizado para ajudá-las a utilizar a propriedade intelectual em prol do crescimento da empresa, além de apoio para facilitar o acesso a financiamento e oportunidades de negócios. Para saber mais, siga @wipo nas redes e acesse a página da OMPI para o Brasil: https://www.wipo.int/pt/web/office-brazil
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História
18 maio 2026
“Nós, os povos das Nações Unidas”
2025 foi ano de celebrar os 80 anos de parceria do Brasil com as Nações Unidas para a promoção da paz, do desenvolvimento, da igualdade e dos direitos humanos. O Brasil teve um papel de liderança nas negociações internacionais que ergueram as Nações Unidas sobre as cinzas e a devastação da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).Desde então, a ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta. Para celebrar essas oito décadas de parceria, em todo o Brasil, celebramos, o Dia das Nações Unidas foi lembrado por pessoas e instituições que, junto com a ONU, defendem e lutam pela paz, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável, sem deixar ninguém para trás.Exposição de fotosO Ministério das Relações Exteriores e a ONU Brasil inauguraram, em 14 de outubro, a exposição “Construindo Nosso Futuro Juntos”, em alusão aos 80 anos de criação da Organização das Nações Unidas. A abertura ocorreu em solenidade realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília, com a participação da vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, e a ministra substituta das Relações Exteriores, Embaixadora Maria Laura da Rocha.“A cooperação é o maior ato de coragem da humanidade. Agradeço ao governo do Brasil por tornar esta exposição possível; ela conta a história de como o mundo escolheu o multilateralismo,” afirmou a vice-chefe das Nações Unidas, Amina J. Mohammed no Palácio Itamaraty.“É com muita alegria que o Itamaraty abre suas portas para receber esse evento em celebração dos 80 anos da ONU,” disse a Embaixadora Maria Laura da Rocha na cerimônia de abertura da exposição. A exposição foi organizada pelo Escritório de Coordenação das Nações Unidas no Brasil e reuniu 80 fotos de duas mostras realizadas em Nova Iorque por ocasião dos 80 anos da ONU. A primeira parte apresentou 36 fotos históricas de “Revivendo o espírito de São Francisco”, exposição que resgatou os ideais que uniram a humanidade em seu momento mais sombrio. A segunda parte trouxe 32 fotos da exposição “Vidas compartilhadas, futuro compartilhado”, com imagens do presente que mostram o trabalho cotidiano das Nações Unidas e o impacto duradouro do multilateralismo construído em 1945. A mostra foi completada por 12 fotos do acervo das agências especializadas, fundos e programas da ONU no Brasil.Paz por todo ladoA ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta.Para levar a celebração dos 80 anos para todo o Brasil, a ONU convocou Prefeituras, organizações da sociedade civil e instituições de ensino de todo o país a organizar eventos para marcar o 80º aniversário de fundação da ONU.Milhares de pessoas participaram de 56 eventos organizados em 41 cidades de 16 estados de todas as regiões do Brasil. Ecoando a criatividade e a alegria do povo brasileiro, as celebrações aconteceram nos mais variados formatos, desde saraus e oficinas culturais até caminhadas e ações de recuperação da natureza. As celebrações contaram com mais de 12.000 participantes presenciais e mais de 142.000 em eventos online. A ONU Brasil preparou um catálogo digital com fotos e vídeos das celebrações que tomaram conta do Brasil em 2025. A participação de cidades brasileiras reforçou que a sustentabilidade se ancora nas cidades e comunidades, e destacou a importância do multilateralismo, da Agenda 2030 e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).“Apesar de sermos uma instituição presente em todo o mundo, é no nível local que está o verdadeiro impacto da ONU. É nos municípios que vemos como nosso trabalho ajuda a melhorar a vida das pessoas em áreas como educação, inclusão, saúde, promoção da igualdade, emprego e renda”, afirma a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse o Relatório Anual das Nações Unidas no Brasil 2025.
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17 agosto 2026
ONU News entrevista novo coordenador residente da ONU no Brasil
A prioridade do novo líder da ONU Brasil, Igor Garafulic, é construir pontes entre a sociedade e o setor público para garantir um futuro mais justo e verde. Liderando 3,5 mil profissionais nas 25 entidades das Nações Unidas que atuam no Brasil, o novo coordenador residente aposta na força das parcerias multissetoriais para acelerar o desenvolvimento sustentável. Com quase 30 anos de experiência na ONU, Igor Garafulic já serviu em países como Azerbaijão, Honduras, Guatemala, Paraguai e Peru. Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Garafulic foi governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores.Garafulic substitui a engenheira uruguaia Silvia Rucks, que liderou o trabalho da ONU no Brasil até o início deste ano e foi o ponto focal para a realização da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Belém do Pará.Em entrevista exclusiva à ONU News, o novo líder do Sistema da ONU no Brasil destacou a atuação estratégica da organização no país, priorizando o desenvolvimento sustentável e a proteção da região amazônica. Para saber mais, leia a matéria completa da ONU News e siga @ONUNews e @ONUBrasil nas redes sociais!
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História
15 outubro 2026
A arte de ensinar além das fronteiras
Franco Marval é o mais velho dos cinco irmãos criados em Santa Elena do Uairén, cidade da região de Gran Sabana na Venezuela. A mãe é indígena da etnia Taurepang e essa ancestralidade tem moldado sua história. Franco é o único da família que se tornou professor. Estudar e ensinar têm sido seu projeto de vida, junto com a meta de conhecer todos os estados brasileiros – já visitou 13. A inspiração para lecionar veio de seus professores, mas não só deles. “Professores e a televisão. A gente está falando dos anos 90, quando eu era criança. [a televisão] era a única janela que tinha para conhecer o mundo. A partir dela eu percebi que tem muita coisa interessante para fazer. Os professores na escola falavam que estávamos em um pontinho do globo terrestre, que existia todo o mundo afora. Na universidade, os professores seguiam com o mesmo papo. QQDepois chegou a internet, a globalização se reforçou. Graças a esse a essas janelinhas é que eu pude construir meu projeto de vida” conta.A cidade natal de Franco fica apenas 15 quilômetros de distância da fronteira com o município brasileiro de Pacaraima, no estado de Roraima. A proximidade geográfica fez com que ele tivesse convivência com a cultura nortista do Brasil, mas não com o idioma português.“Acho que a gente se acostuma com a ideia de que entendemos o português e o espanhol e ninguém faz o esforço para falar, tanto do lado venezuelano como o lado brasileiro. Eu cresci falando a língua indígena Taurepang e a espanhola. O português nunca esteve inserido na minha vida”, relembra.Em 2015, isso começou a mudar. Com o agravamento da crise na Venezuela e da doença renal crônica da mãe, ele e os irmãos foram para Boa Vista e solicitaram a condição de refugiado. Nesta mesma época, Franco decidiu que precisava aprender português. A determinação foi fundamental para ele conseguir ser naturalizado anos depois, revalidar seu diploma, concluir o mestrado e ser aprovado no doutorado. Professor venezuelano é Orgulho de RoraimaFranco se graduou em Educação Intercultural Bilíngue na Universidad Pedagógica Experimental Libertador (UPEL), instituição pública da Venezuela dedicada à formação de professores e profissionais da educação, conhecida também como a La Universidad de los Maestros, “a universidade dos professores”. Apto a atuar com o ensino de espanhol e língua indígena Taurepang, ele trabalhou por sete anos no Ministério da Educação da Venezuela. Em Boa Vista, enquanto lidava com a rotina hospitalar da mãe, estudou português para se comunicar com os médicos e se adaptar melhor ao Brasil. Fez o exame de proficiência, que era requisito para revalidação do diploma na época. Com o processo em andamento, ele começou a lecionar em uma escola particular da capital roraimense. Foi a partir do trabalho nesta escola que Franco recebeu a Comenda Orgulho de Roraima, da Assembleia Legislativa do Estado. A honraria reconheceu o projeto desenvolvido junto a alunos do ensino fundamental. O grupo pesquisou as propriedades do tucupi negro, produzido a partir da fermentação da mandioca, para as comunidades indígenas conservarem carnes, já que muitas não possuem energia elétrica. Do diploma revalidado à história de MacunaímaCom o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da organização social Compassiva, o diploma de Franco foi revalidado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Além da análise curricular, ele passou por uma entrevista detalhada de quatro horas de duração para testar seus conhecimentos. “Lembro que a secretária da universidade me disse que eu estava levando um diploma de uma das melhores instituições de ensino da do Brasil. Ela me explicou o que as universidades federais representam para o país”, comenta. A UFRR é uma das 54 instituições de ensino superior que fazem parte da Cátedra Sérgio Vieira de Mello e têm desenvolvido ações para fomentar o acesso e permanência de pessoas refugiadas no ensino superior. “A revalidação de diplomas muda vidas. Não se trata apenas de abrir portas para melhores oportunidades de trabalho e renda, mas também de resgatar a identidade profissional de pessoas refugiadas. Significa poder voltar a fazer aquilo para o qual se prepararam durante anos, sentir-se útil, reencontrar um espaço de reconhecimento e colocar suas capacidades a serviço da sociedade que as acolhe”, destaca a oficial assistente de proteção do ACNUR no Brasil, Andrea Zamur. Recente relatório de educação lançado pelo ACNUR indica que, no contexto global, a matrícula de refugiados no ensino superior atingiu o recorde de 11% em 2025, acima dos 9% registrados em 2024, com mais de 450 mil refugiados ingressando no ensino superior pela primeira vez. Esse aumento mantém o ACNUR e seus parceiros no caminho para alcançar a meta de 15% de matrícula de refugiados no ensino superior até 2030, por meio da ampliação do acesso a universidades, formação profissional, oportunidades de aprendizagem conectada e bolsas de estudo. Após o falecimento da mãe em Boa Vista, Franco e uma irmã mudaram para Caxias do Sul (RS) em 2024. Buscaram um lugar no Brasil que tivesse um clima parecido com a terra natal. A revalidação do diploma abriu portas para que ele pudesse fazer o mestrado em Letras e Cultura pela Universidade de Caxias do Sul. Naturalizado brasileiro, Franco foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Em junho deste ano, defendeu sua dissertação em português e na língua Taurepang. A pesquisa A Cosmovisão das Histórias de Origem na Literatura Indígena Pemon-Taurepang foi avaliada com nota máxima. Franco quer seguir aprofundando os estudos em línguas e interculturalidade indígena. Incentivado pela orientadora doutora em História, Cristine Fortes Lia, ele aplicou para o doutorado e foi aprovado. Vai estudar o personagem mítico Makunaimö, abordado por Mário de Andrade na sua obra Macunaíma: um herói sem caráter (1928). “Meu povo junto com os Makuxi e Wapichana somos descendentes desse ente sagrado”, contextualiza que o autor modernista se inspirou nas etnias para escrever o clássico. A sala de aula como segunda casaFranco foi aprovado em concurso público e, atualmente, é professor da Escola Estadual Professora Ivonne Lúcia Triches dos Reis. Em junho deste ano, o governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Educação, lançou o projeto Acolhe RS, para reduzir as barreiras de acesso e de aprendizagem vivenciadas por estudantes vindos de outros países. Franco faz parte do piloto implementado em Caxias do Sul, com a proposta de integração linguística e sociocultural para a inclusão.“Temos aproximadamente 700 alunos matriculados na escola, dos quais 12% são refugiados e migrantes. Nós oferecemos de um processo de alfabetização na língua portuguesa. Estamos recebendo também vítimas do terremoto na Venezuela, então temos palestras iniciais em espanhol. A parceria com professores e alunos brasileiros tem sido incrível”, explica.Como parte do Acolhe RS, ACNUR e UNESCO lançaram o guia Direito à educação de pessoas refugiadas e migrantes: formação de professores para o acolhimento escolar. O objetivo é fortalecer práticas pedagógicas inclusivas nas escolas que devem promover transformação social, valorização da diversidade cultural e respeito aos direitos humanos. Saiba mais aqui. Sua vez de inspirar estudantesA trajetória acadêmica já levou Franco ao Peru e ao México. Os planos de seguir viajando são muitos. Além de completar os estados brasileiros, ele quer conhecer todos os municípios do Rio Grande do Sul. “Sou muito aberto, então viajar faz parte do meu projeto de vida. No fim de semana, pego uma bicicleta e conheço muitos lugares. Eu estou muito apaixonado pelo país. Meus alunos me acompanham na rede social, me apoiam bastante. Eu os incentivo a conhecerem o estado, o município”, compartilha o professor.Franco está comprando sua casa própria e pretende comprar um meio de transporte ano que vem. “Já sou concursado, pretendo terminar o doutorado e fico por aqui”, planeja. Para saber mais, siga @acnubrasil nas redes sociais!
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História
09 outubro 2026
“É natural querermos aprender mais sobre aquilo que achamos bonito”
Escolhida para criar a identidade visual do Dia Mundial das Aves Migratórias 2026, a cantora, violonista e bordadeira carioca Luísa Lacerda uniu arte e conservação para representar sete aves migratórias. Com o lema “Cada ave conta: suas observações importam!”, a campanha deste ano destaca como registros feitos por pessoas de todo o mundo podem contribuir para a ciência e orientar políticas de proteção da biodiversidade. Quando recebeu a lista das aves que deveria bordar para a campanha, Luísa Lacerda não conhecia várias das espécies selecionadas. Antes de começar a trabalhar com linhas, tecidos e cores, ela precisou observar.Pesquisou fotografias, examinou detalhes das plumagens, conheceu a distribuição geográfica das espécies e procurou compreender as características que tornavam cada ave única. O processo artístico transformou-se, também, em uma experiência de descoberta.“Quando recebi a lista das 7 aves que teria que bordar, eu não conhecia metade, e isso foi muito interessante pois me fez pesquisar sobre cada uma das espécies, procurar por detalhes em diferentes fotos, conhecer a distribuição geográfica e até imaginar (e torcer!) para algum dia poder avistá-las mundo afora”, conta. Dentre elas, uma conquistou especialmente a artista: a marreca-colorada. “Das sete aves, a que eu mais gostei de bordar e gostaria de um dia avistar, é o Spatula cyanoptera, a Marreca-colorada”, explica. Da música para o bordadoNascida no Rio de Janeiro, Luísa Lacerda é cantora, violonista e bordadeira. Formada em violão clássico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), construiu uma trajetória profissional de mais de uma década na música e lançou seis álbuns e EPs. O bordado entrou em sua vida durante a pandemia da COVID-19, quando apresentações presenciais e projetos de gravação foram interrompidos. O que começou como passatempo tornou-se uma nova forma de expressão artística. À medida que aperfeiçoava a técnica, Luísa criou a marca Borda do Céu, que já recebeu mais de cem encomendas de diferentes partes do Brasil. Em 2025, ela começou a experimentar novos materiais e formatos, utilizando lã na criação de painéis maiores e aprendendo a costurar. Mesmo ampliando o repertório, manteve um tema recorrente em suas obras: as aves. Hoje, música e bordado convivem como linguagens complementares de sua produção artística. Seu interesse pelas aves nasceu justamente da experiência de representá-las: “Meu interesse por aves começou justamente por gostar de representá-las através dos meus bordados, por descobrir que as linhas criavam belas texturas que poderiam imitar bem a beleza das aves”. Para a artista, essa aproximação estética pode abrir caminho para a curiosidade, o aprendizado e o compromisso com a proteção da natureza.“É natural querermos aprender mais sobre aquilo que achamos bonito, interessante, instigante.” Cada ave contaCelebrado em 2026 nos dias 9 de maio e 10 de outubro, o Dia Mundial das Aves Migratórias chama a atenção para a conservação das aves migratórias e de seus habitats. A campanha acontece em duas datas para refletir o caráter cíclico das migrações e os diferentes períodos de maior movimento nos hemisférios Norte e Sul. O tema deste ano é o papel da ciência comunitária, também conhecida como ciência cidadã, na conservação das aves migratórias. Sob o lema “Cada ave conta: suas observações importam!”, a campanha reconhece a contribuição de milhões de pessoas que registram aves, ninhos, habitats e alterações percebidas na natureza.Observações realizadas em quintais, varandas, escolas, parques, praias e áreas úmidas podem ajudar pesquisadores a acompanhar rotas migratórias, tendências populacionais, transformações nos habitats e ameaças como poluição, perda de áreas naturais e colisões contra edifícios. Quando compartilhados de maneira responsável e por meio de iniciativas estruturadas, esses registros apoiam pesquisas e decisões de conservação em escala local, nacional e internacional. Como as aves migratórias atravessam fronteiras, continentes e oceanos, sua proteção depende de observações realizadas em muitos lugares e durante longos períodos. A ciência comunitária amplia o alcance do monitoramento e ajuda a construir uma visão mais completa das rotas migratórias mundiais. Os materiais da campanha buscam aproximar as pessoas da natureza. Ao observar e contar aves, participantes ampliam sua compreensão sobre as pressões enfrentadas pelas espécies e podem tornar-se agentes da proteção ambiental em suas próprias comunidades. Sete aves bordadas, nove espécies em destaqueA identidade visual criada por Luísa Lacerda apresenta sete representações artísticas que correspondem às nove espécies embaixadoras da campanha. Isso ocorre porque uma das composições reúne três espécies de ostraceiros: americano, australiano e eurasiático.As aves embaixadoras de 2026 são:marreca-colorada (Spatula cyanoptera);esmerilhão (Falco columbarius);beija-flor-de-papo-vermelho (Archilochus colubris);andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica);ostraceiro-americano (Haematopus palliatus);ostraceiro-australiano (Haematopus longirostris);ostraceiro-eurasiático (Haematopus ostralegus);maçarico-de-bico-de-colher (Calidris pygmaea);cegonha-de-abdim (Ciconia abdimii). Cada uma ajuda a contar uma parte da história das grandes rotas migratórias do planeta. Algumas podem ser acompanhadas por meio do registro de ninhos e avistamentos. Outras dependem da identificação de anilhas ou marcações individuais. Mesmo a observação de espécies mais comuns pode contribuir para detectar mudanças que somente aparecem em séries históricas construídas ao longo de muitos anos. Arte como instrumento de mudançaVer seus bordados aplicados em materiais de divulgação utilizados em diferentes países deu a Luísa uma nova dimensão do alcance do trabalho.“Fiquei muito surpresa e feliz com a divulgação da campanha. Quando vi as peças de divulgação (bottons, sacolas, materiais didáticos etc.) se espalhando por vários países com meus bordados estampados, fiquei muito emocionada”, afirma. Participar de uma mobilização internacional também permitiu que a artista conectasse seu trabalho a temas que considera urgentes.“Foi uma oportunidade não somente de divulgação do meu trabalho artístico, mas também de poder contribuir para uma campanha de conhecimento científico e preservação ambiental, temas cada vez mais urgentes e caros para nossa sociedade.” Na visão de Luísa, a arte pode aproximar assuntos complexos da experiência cotidiana e despertar interesse por espécies, ecossistemas e desafios ambientais.“Eu acredito na arte como ferramenta de mudança social e sensibilização para as mais diversas questões relacionadas ao ser humano e à natureza.” Essa relação está presente também na concepção gráfica da campanha. Segundo as orientações oficiais, o bordado representa os trajetos complexos e interligados das aves migratórias. Cada fio ajuda a construir uma espécie de tapeçaria global, ligando lugares, comunidades e ações de conservação. Observações locais, impacto globalA campanha incentiva pessoas de todas as idades e níveis de experiência a observar as aves ao seu redor e compartilhar informações com projetos de monitoramento. Aplicativos e plataformas digitais podem facilitar a identificação das espécies e o envio dos registros, mas a participação deve seguir os métodos definidos por cada iniciativa para garantir que os dados tenham qualidade e possam ser utilizados em pesquisas.Também é importante adotar práticas responsáveis: não perturbar ninhos ou locais de alimentação e descanso, manter distância das aves, evitar ruídos e respeitar os habitats visitados. Dados confiáveis dependem tanto de observações cuidadosas quanto do bem-estar dos animais observados. Em 2026, o Dia Mundial das Aves Migratórias também coincide com o 60º aniversário do Censo Internacional de Aves Aquáticas, iniciativa global de monitoramento que reúne informações sobre aves aquáticas e os ambientes dos quais elas dependem. A data reforça a importância dos registros realizados de forma contínua e da cooperação entre pessoas, instituições e países. Para Luísa Lacerda, artistas também têm um papel nesse esforço coletivo. Sua mensagem para profissionais interessados em participar de campanhas ambientais é que a responsabilidade artística ultrapassa a dimensão estética.“Acredito que nosso ofício ultrapassa a função de somente “embelezar” o mundo. Cabe aos artistas também serem críticos, responsáveis, conscientes e estudiosos daquilo que decidiram realizar.” Como participarQualquer pessoa pode contribuir com a ciência comunitária:Observe as aves de seu quintal, varanda, escola, praça, praia ou parque.Registre a data, o local e as espécies observadas.Participe de contagens e projetos locais, regionais ou globais.Compartilhe observações em plataformas de ciência comunitária.Informe o avistamento de aves anilhadas ou marcadas nos canais indicados.Acompanhe regularmente um mesmo local para perceber mudanças ao longo do tempo.Respeite ninhos, áreas de descanso e alimentação.Ajude outras pessoas, especialmente crianças e novos observadores, a conhecer as aves de sua região. Para conhecer a campanha, encontrar atividades, consultar materiais educativos ou registrar um evento, visite a página do Dia Mundial das Aves Migratórias. Nas redes sociais, acompanhe as hashtags #DiaDasAvesMigratórias #WMBD2026, #EveryBirdCounts e #YourObservationsMatter. Sobre o Dia Mundial das Aves MigratóriasO Dia Mundial das Aves Migratórias é uma campanha internacional de educação e conscientização dedicada à conservação das aves migratórias e de suas jornadas através das fronteiras. A iniciativa é coordenada por uma parceria formada pela Convenção sobre a Conservação das Nações Unidas de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), pelo Acordo sobre a Conservação das Aves Aquáticas Migratórias Afro-Eurasianas (AEWA), pela East Asian–Australasian Flyway Partnership (EAAFP) e pela Environment for the Americas (EFTA).
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História
05 outubro 2026
“A agricultura nunca saiu de mim”
As Nações Unidas declararam 2026 como o Ano Internacional da Agricultora (IYWF 2026), trazendo atenção para os papéis essenciais das mulheres em sistemas agroalimentares, que frequentemente passam despercebidos. A iniciativa foi lançada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante a Conferência Regional LARC39, em Brasília, em março de 2026.Na América Latina e no Caribe, as mulheres representam 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares, com 71% atuando fora da agricultura, no processamento e na comercialização.Historicamente enfrentam desigualdades estruturais, menor acesso à terra, crédito e tecnologia, além da sobrecarga do trabalho não remunerado e da dupla jornada de trabalho.Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), a bióloga Jaqueline Sadi e a engenheira agrônoma Lidiane Lima, coordenadoras de diferentes iniciativas municipais do Sítio Agrícola de Casimiro de Abreu (RJ), contam como construíram suas carreiras de liderança com agricultura, e, mais recentemente, um negócio próprio de consultoria ambiental e paisagismo. O município de forte tradição agrícola Casimiro de Abreu fica na região da Mata Atlântica fluminense. Para enfrentar os desafios ambientais e sociais decorrentes do êxodo rural, o município passou a investir na criação de unidades de conservação e em programas voltados à agricultura familiar e à agroecologia.É nesse contexto que nasce, em 1993, o Sítio Agrícola, vinculado à Fundação Municipal de Casimiro de Abreu, criado como espaço de demonstração de práticas agrícolas sustentáveis e de extensão rural, com foco em jovens e famílias da região. Em 2003, o Sítio deu um passo importante ao iniciar a implantação de sistemas agroflorestais, envolvendo técnicos, agricultores e jovens do programa de certificação. Nos anos seguintes, foram criados os programas de certificação que oferecem bolsa de estudo, capacitação técnica e apoio socioeducativo a adolescentes da região. A bióloga Jaqueline Sadi, uma das coordenadoras dos programas de certificação Paisagista Mirim e Jovem Agricultor Orgânico, e a engenheira agrônoma Lidiane Lima, coordenadora dos projetos de pesquisa, cresceram em famílias de agricultores. Os avós e os pais de Jaqueline, naturais do Espírito Santo e agricultores, mantiveram o vínculo com a terra mesmo depois de se mudarem para o Rio de Janeiro, onde ela chegou aos três anos de idade. Lidiane também vem de uma família de agricultores, feirantes que plantavam para subsistência e venda. O pai dela trabalha há 43 anos na mesma fazenda em Casimiro de Abreu.“A agricultura nunca saiu de mim, nem dos meus pais. E aí a gente percebe o quanto a gente consegue carregar, não vou dizer geneticamente, mas a gente carrega essa carga emocional desse amor à agricultura”, diz Jaqueline. “Com o trabalho com os jovens, percebi que amo trabalhar com a terra e colocar a mão na massa. O que mais me dá orgulho é saber que posso influenciar pessoas, e foi assim que me mantive na agricultura.”Formada em área com forte predominância masculina, Lidiane lembra que, em turmas na faculdade de agronomia, a proporção chegava a cinco ou seis mulheres para dezenas de homens.As duas relatam sobre experiências de liderança onde sofreram estigmatização, principalmente com equipes majoritariamente femininas. Contaram também sobre a dificuldade de serem ouvidas como especialistas técnicas por colegas de trabalho. “A gente, com o trabalho desenvolvido, conseguiu tirar esse estigma. Hoje eu não sinto mais nenhum olhar torto, pelo contrário: as pessoas vêm falar com a gente com admiração pelo trabalho que tem sido desenvolvido”, afirma Lidiane.Ainda assim, apesar da estabilidade que constroem tecnicamente, Lidiane e Jaqueline enfrentavam constante incerteza financeira, e a escassez de tempo para a família, um reflexo da sobrecarga da dupla jornada que afeta historicamente as mulheres no mercado de trabalho e no meio rural. Foi assim que nasceu a Jardim Vitrô, uma empresa de consultoria ambiental e de paisagismo fundada pelas duas em janeiro: “A gente viu que aquilo que parecia seguro não era tão seguro. E também viu que podia avançar muito mais do que estava avançando”, resume Jaqueline.Além da consultoria, as duas seguem trabalhando com sistemas agroflorestais (SAFs) tanto no sítio agrícola quanto na nova propriedade onde atuam, onde recuperaram um pomar antigo tomado pelo mato. “Agrofloresta pra mim é reformular a rota. É pegar algo desequilibrado, uma área que parece desertificada, que parece que não dá pra nada, e colocar as peças certas até a natureza tomar seu lugar de novo”, diz Lidiane. O que elas esperam para o futuro das mulheres na agriculturaPara Jaqueline, o maior avanço necessário é o reconhecimento:“Por muitos anos foi uma área em que os homens predominavam, e hoje a gente está assumindo esse protagonismo em grandes partes. A gente vai a reuniões de agroecologia e vê que as mulheres estão tendo voz, estão tendo vez.”Lidiane fala sobre a mudança no papel histórico da mulher na agricultura familiar, responsável pela produção de subsistência e pelo beneficiamento na ponta da cadeia, mas raramente pelo planejamento estratégico das propriedades:“Hoje a gente vê que a mulher também pode estar no planejamento, não só no operacional. Não é só mão de obra, a gente pode gerenciar, pode treinar. Isso é o que eu gostaria de ver mais.”O que vocês diriam para mulheres que pensam em trabalhar com agricultura?“A mulher carrega muito peso sobre si. Eu acho que a palavra seria resiliência, calma, menos culpa. A gente sabe que tem um propósito, e que aquilo que a gente faz inspira outras pessoas”, diz Lidiane.“Se elas tiverem certeza de que querem seguir nesse caminho, que não desistam. Não é um caminho fácil para a mulher. Tem dias que o sol brilha, e tem dias de chuva — mas a gente pode, a gente consegue, a gente supera e segue em frente. Já botamos a mão no arado”, completa Jaqueline. Descubra mais: Os dados abaixo, divulgados pela FAO no contexto do Ano Internacional da Agricultora, mostram a dimensão global das desigualdades de gênero no campo e o que está em jogo se elas forem reduzidas.41% das pessoas empregadas nos sistemas agroalimentares em todo o mundo, em 2021, eram mulheres, uma proporção quase igual à dos homens. Ainda assim, as mulheres rurais enfrentam de forma desproporcional empregos precários, más condições de trabalho e direitos limitados.24% é a diferença de produtividade da terra entre gêneros, mesmo quando mulheres e homens administram propriedades do mesmo tamanho. As agricultoras geralmente trabalham em parcelas menores.78 centavos é o que as mulheres assalariadas nos sistemas agroalimentares recebem, em média, para cada dólar pago aos homens.É estimado que o trabalho de cuidados não remunerado realizados por mulheres e meninas seja de no mínimo USD 10,8 trilhões para a economia global. Essa carga compromete a participação das agricultoras no mercado de trabalho, seu empoderamento econômico e seu bem-estar físico e mental.USD 1 trilhão seria o aumento do PIB global se as desigualdades de gênero na produtividade agrícola e nos salários fossem reduzidas, o que também reduziria a insegurança alimentar de 45 milhões de pessoas.52% da diferença na insegurança alimentar poderia ser eliminada com a redução das desigualdades de gênero em emprego, educação e renda. A prevalência da insegurança alimentar é maior entre as mulheres do que entre os homens em todas as regiões do mundo.58 milhões de pessoas poderiam ter a renda aumentada, e 235 milhões teriam a resiliência fortalecida, com o empoderamento das mulheres rurais por meio de intervenções direcionadas. Esse potencial permanece em grande parte inexplorado.Para saber mais, siga @FAOBrasil nas redes sociais e acesse a página do Ano Internacional da Agricultora na página global da FAO.
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História
14 setembro 2026
Cooperação Sul-Sul: como as soluções viajam
E se uma solução que funciona em um país também pudesse funcionar em outro? Essa é a premissa da Cooperação Sul-Sul. Em 12 de setembro, as Nações Unidas celebram o dia dedicado a essa forma de cooperação.“Em uma época de divisão e conflito, a Cooperação Sul-Sul pode ser um catalisador para reviver a solidariedade global e um forte lembrete de que, juntos, somos sempre mais fortes.” - António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, 12 de setembro de 2026Descubra nesta história como a Cooperação Sul-Sul se manifesta: soluções que viajaram a países transformando intercâmbio em práticas permanentes. Acesse a versão original na página do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG). O que é Cooperação Sul-Sul?Cooperação Sul-Sul é a prática de países do Sul Global compartilharem entre si conhecimentos, capacidades e soluções comprovadas para enfrentar desafios comuns.Experiências e conhecimentos circulam entre países que enfrentam restrições semelhantes, têm condições climáticas comparáveis ou instituições com características parecidas – fatores que ajudam a explicar por que essas soluções podem ser adaptadas e aplicadas com sucesso em outros contextos. Como a Cooperação Sul-Sul funciona na prática? O Brasil oferece um bom exemplo.Em 2025, a ONU Brasil apoiou 12 iniciativas de Cooperação Sul-Sul e Triangular, envolvendo 25 países e US$ 7 milhões em recursos executados. Participaram 18 países africanos e seis países latino-americanos, enquanto Colômbia e Peru concentraram o maior número de iniciativas. Outras cinco iniciativas foram implementadas em âmbito regional na América Latina e no Cone Sul.Uma amostra da potência de Cooperação Sul-Sul que é o Brasil vem do Programa Mundial de Alimentos (WFP). No ano passado, o Centro de Excelência contra a Fome, escritório do WFP dedicado exclusivamente à Cooperação Sul-Sul, fortaleceu seu papel como referência global em alimentação escolar, segurança alimentar e cooperação técnica.O Centro apoiou a 2ª Cúpula Global da Coalizão para a Alimentação Escolar, realizada no Ceará, reunindo autoridades governamentais de cerca de 80 países.Também ampliou a cooperação técnica do Brasil com países da África, Ásia e América Latina por meio de missões, visitas de estudo e ações de capacitação em nutrição e agricultura familiar. Além disso, tecnologias sociais para fortalecer programas de alimentação escolar foram implementadas em Benin, São Tomé e Príncipe e República do Congo.Diversas instituições do Estado brasileiro aportam conhecimentos e experiências para viabilizar esse tipo de ação, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A Cooperação Sul-Sul assumiu outros exemplos concretos ao redor do mundo em 2026: um especialista agrícola chinês trabalhando em uma plantação de arroz em Uganda ou um método de análise da qualidade da água desenvolvido em comunidades rurais da Índia sendo ensinado em uma aldeia Miskito, em Honduras.Uganda e China: técnicas agrícolasDurante anos, agricultores ugandenses produziram muito menos alimentos por área cultivada do que poderiam.Desde 2012, pelo menos 56 especialistas agrícolas chineses viajaram para Uganda para ajudar a mudar essa realidade, trabalhando lado a lado com agricultores ugandenses e especialistas locais.Eles compartilharam técnicas práticas para o cultivo de arroz, milheto, sorgo e pimenta, além de conhecimentos sobre criação de gado e piscicultura.Os resultados foram expressivos. Em uma região, a produção de arroz por hectare quadruplicou. Em outras, a produção de leite das vacas passou de 2 para 7 litros por dia.A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estruturou e coordenou a parceria, articulando a demanda de Uganda com a expertise chinesa, oferecendo apoio técnico e acompanhando a implementação das atividades.A fase final foi concluída em abril de 2026, tendo alcançado mais de 100 mil agricultores.Mas o aspecto mais significativo não está em um número relacionado à produção agrícola. Na última fase, Uganda cofinanciou a iniciativa, contribuindo com US$ 1,6 milhão, ao lado de US$ 3 milhões aportados pela China.Uganda não apenas recebeu uma solução. Investiu para mantê-la. Honduras e Índia: métodos de análise da qualidade da águaGracias a Dios, um departamento no leste de Honduras, é uma das regiões de mais difícil acesso da América Central. Não há estradas para chegar até lá: é preciso viajar de pequeno avião ou pelo rio.Para as comunidades Miskito que vivem na região, o acesso à água potável e ao saneamento seguro sempre foi um desafio. Muitos moradores não tinham banheiro e quase metade da população não tinha acesso a água potável segura.A Índia passou anos enfrentando problemas semelhantes em suas comunidades rurais: desenvolveu formas de baixo custo para tratar a água, métodos de análise que não dependem de laboratórios e capacitou moradores locais para monitorar a qualidade da água.Foram esses métodos que chegaram a La Mosquitia, levados pelo UNICEF e adaptados à realidade das comunidades Miskito.Profissionais de saúde foram capacitados em tratamento e análise da qualidade da água, materiais sobre higiene foram traduzidos para a língua Miskito e 185 voluntários locais agora visitam as famílias para ajudá-las a manter as novas práticas.A atuação das Nações Unidas envolve dois escritórios. O Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul (UNOSSC) administra o financiamento, proveniente do Governo da Índia. O UNICEF Honduras coordena o trabalho em campo, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, o município e os conselhos indígenas locais.Até o início de 2026, 12.199 pessoas haviam sido alcançadas por ações de capacitação em higiene e água. IndonésiaA Indonésia também vem adotando uma abordagem mais explicitamente institucional para a Cooperação Sul-Sul e Triangular.Em 2025, a ONU Indonésia desenvolveu uma estratégia de Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST) para apoiar o Governo na elaboração de seu futuro Grande Plano de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e formalizar parcerias, especialmente com a Indonesia AID.Desde 2021, as Nações Unidas na Indonésia apoiaram 75 iniciativas de cooperação Sul-Sul e triangular, envolvendo 18 agências da ONU e utilizando a experiência de desenvolvimento da Indonésia e as redes globais das Nações Unidas para responder à crescente demanda pela expertise indonésia e posicionar o país como um parceiro regional e global mais forte na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.Como a ONU ajuda a fazer a Cooperação Sul-Sul acontecer?Por trás de muitos desses intercâmbios existe um esforço de coordenação que nem sempre é visível.Por meio das Equipes Nacionais e dos Escritórios de Coordenação Residente, as Nações Unidas ajudam os países a identificar conhecimentos e experiências relevantes, conectar-se aos parceiros certos e adaptar soluções comprovadas aos seus próprios contextos, tornando mais fácil que ideias que funcionam possam viajar de um país para outro.Para saber mais, siga @unsdg nas redes e acesse o portal do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG).
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História
09 setembro 2026
“Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito”
Há sete anos, Glaiddys deixou a Venezuela em busca de novas oportunidades. Os caminhos no Brasil convergiram em Pacaraima, cidade fronteiriça entre o Brasil e o país vizinho, onde encontrou no trabalho a possibilidade de recomeçar. Natural de Ciudad Bolívar, no estado de Bolívar, Glaiddys começou a trabalhar como cabeleireira aos 18 anos. Após ter experiência em diferentes salões, realizou o sonho de abrir o próprio negócio na Venezuela. Porém, as dificuldades no país a levaram a deixar para trás o salão, a casa e a família para uma nova vida. Ao chegar a Pacaraima, em Roraima, ela contou com o apoio da irmã e do cunhado para dar os primeiros passos. Enquanto conhecia a cidade e construía uma nova rede de contatos, trabalhou em dois salões de beleza até perceber que era hora de voltar a empreender. O desejo de ter um espaço próprio voltava a ganhar forma. Hoje, aos 50 anos, atende clientes em um salão montado em sua própria casa. Entre o ambiente acolhedor e o cuidado com cada detalhe, reencontrou na profissão a felicidade que sempre a acompanhou. “Eu sou feliz. Quando estou trabalhando, sou feliz. Amo este trabalho e não o trocaria por outro.” Mais do que estabilidade, Glaiddys busca aperfeiçoamento constante. Desde que chegou ao Brasil, aprendeu um novo idioma, participou de cursos e segue investindo em sua formação.Em 2025, Glaiddys recebeu apoio da iniciativa “Empreendedores em Movimento”, promovida pela Agência da ONU para as Migrações (OIM). Com a doação de equipamentos e insumos, como cadeiras, lavatórios, gaveteiros e outros materiais de trabalho, foi possível ampliar a estrutura do negócio e aprimorar o atendimento. “Comecei a estudar para me preparar melhor, porque para mim isso não é apenas um trabalho. É uma forma de transformar, cuidar e ajudar outras pessoas. Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito.” Hoje, o som do secador, as conversas que envolvem o espaço e a confiança das clientes seguem marcando a rotina de Glaiddys, que demonstra como os acessos a oportunidades para pessoas migrantes fortalecem a integração e autonomia. Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes!
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Notícias
15 outubro 2026
Personagem infantil José Totoy estrela campanha do Dia Mundial da Alimentação 2026
O Dia Mundial da Alimentação (DMA), celebrado em 16 de outubro, este ano traz uma novidade: o personagem infantil José Totoy, o “Comilão”, como porta-voz da campanha no Brasil. Com o slogan “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, a campanha é uma iniciativa das agências das Nações Unidas que atuam no combate à fome no Brasil: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).Pela primeira vez, o público infantil ocupa o centro da iniciativa. Este ano, é o personagem José Totoy, “o Comilão”, que dará o recado sobre os desafios da fome e da má alimentação, e a importância da inovação para tornar os sistemas agroalimentares mais sustentáveis, inclusivos e resilientes. Por meio de uma linguagem simples, acessível e lúdica, a ideia é sensibilizar as crianças, que são o futuro do planeta, e suas famílias. TotoyA Totoy Corp, empresa que criou o personagem, em colaboração com as agências da ONU no Brasil, produziu um episódio especial dedicado ao DMA 2026. O conteúdo será lançado no dia 16 de forma simultânea no Youtube da Totoy e em todas as plataformas digitais das agências envolvidas. Além disso, José Totoy estará presente em cartazes distribuídos em mobiliários urbanos de algumas cidades do país levantando a bandeira da campanha. José Totoy foi escolhido como símbolo do DMA 2026 por incorporar valores diretamente alinhados ao tema da campanha. O personagem planta aquilo que come e traz a alimentação saudável, a amizade, a curiosidade e a natureza para o centro de suas histórias. Por meio de experiências cotidianas, José descobre que a melhor forma de aprender é pela tentativa e exploração. Fenômeno internacional entre o público infantil, com conteúdos disponíveis em mais de 30 idiomas em plataformas de streaming e no Youtube, o personagem já registrou 26 bilhões de visualizações, e tem mais de 50 milhões de seguidores em sua rede global de canais. Por isso, a parceria com a FAO, que lidera a campanha internacionalmente, extrapolou o território nacional: o episódio da animação dedicada ao DMA 2026 terá versões em inglês e espanhol, que serão reproduzidas nas redes sociais e em cerca de 190 países pelo Youtube. Herói da AlimentaçãoA FAO nomeou o personagem como “Herói da Alimentação” e “Campeão da FAO” (FAO Champion), ganhando assim uma página com sua biografia em inglês, português e espanhol, no site regional e global da organização. Os “Heróis da Alimentação” designados pela FAO são lideranças influentes, que apoiam e fortalecem suas comunidades por meio de ações concretas em torno da alimentação, gerando impactos positivos diante dos desafios globais.Inserir um personagem de desenho animado é algo inovador dentro da organização, bem como conceder o título de “Campeão da FAO”, obtido mediante um processo de avaliação de integridade, reputação e alcance público para formalização da parceria. Geralmente são designados especialistas, chefs, atletas, influenciadores, artistas ou lideranças reconhecidas em áreas relacionadas. “Esta parceria é uma oportunidade de aproximar crianças e famílias dos temas relacionados à alimentação, à nutrição e ao desenvolvimento sustentável. As crianças são especialmente receptivas ao aprendizado e à construção de valores e serão os futuros tomadores das decisões que moldarão nossos sistemas agroalimentares e o planeta”, afirma o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza. Meza acrescenta que o tema da inovação, mote do slogan da campanha do DMA 2026, deve ser compreendido de maneira ampla:“Inovar não é só investir em tecnologia de ponta. Significa também encontrar novas formas de aplicar conhecimentos tradicionais, compartilhar experiências, conectar saberes e construir soluções adaptadas às realidades locais. A inovação deve estar a serviço das pessoas e contribuir para transformar os sistemas agroalimentares.”“Neste Dia Mundial da Alimentação, somos convidados a refletir sobre como as escolhas e as ações de hoje moldam o futuro da alimentação. Com a ajuda do José Comilão, queremos inspirar crianças, jovens e famílias a adotarem hábitos alimentares mais conscientes e a se tornarem protagonistas de um futuro sem fome”, afirma o diretor do Centro de Excelência contra a fome do WFP no Brasil, Daniel Balaban. “Inovar hoje é também pensar nas condições que queremos construir para a alimentação de amanhã. Isso passa por valorizar os conhecimentos das comunidades rurais, ampliar o acesso a novas tecnologias e criar oportunidades, especialmente para os jovens rurais, para que possam permanecer, empreender e contribuir ativamente para a transformação dos sistemas alimentares”, afirmou o diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers. “Conhecer de onde vêm os alimentos é um passo importante para valorizar quem os produz e compreender a relação entre agricultura, natureza e saúde. Ao levar essa mensagem às crianças por meio do José Totoy, a campanha aproxima o campo do cotidiano das famílias e estimula o cuidado com a alimentação e o meio ambiente. Para o IICA, inovar também é criar caminhos para compartilhar conhecimentos e fortalecer uma agricultura capaz de nutrir as próximas gerações”, esclarece o representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado. “Ver o José Totoy, um personagem que criamos com tanto carinho e atenção, participar de um projeto de importância global como esse nos traz muita alegria. Essa parceria reconhece o cuidado que dedicamos às histórias e nos permite contribuir para que a alimentação seja um assunto presente na vida das crianças desde cedo. Para nós, é uma satisfação fazer parte dessa mobilização com um desenho brasileiro”, enfatiza o cofundador da Totoy Corp, André Vaz.Mobilização infanto-juvenilO DMA conta com outras ações educativas para mobilização do público infanto-juvenil. Este ano, a FAO produziu uma versão em português de uma animação infantil. Também foi distribuída a versão em português, de um Livro de Atividades para que educadores e pais ajudam crianças e jovens a explorar sobre inovações nos sistemas agroalimentares e sobre os desafios globais por meio de histórias e de projetos reais da FAO. E até o dia 6 de novembro, crianças e jovens entre 5 e 19 anos podem participar do Concurso de Cartazes com o tema “Inovar hoje para nutrir o amanhã”. Projeção urbanaQuem estiver circulando pelo Plano Piloto, em Brasília, às 18h do dia 16 de outubro, poderá assistir à exibição do vídeo institucional do Dia Mundial da Alimentação 2026 em mobiliários urbanos e nos painéis de led gigantes da fachada do CONIC, centro comercial e cultural localizado no Setor de Diversões Sul. Os painéis têm visibilidade na Esplanada dos Ministérios, no centro da capital federal, uma das áreas de maior circulação do Distrito Federal. A iniciativa das agências da ONU é realizada graças à parceria com a Mosaico/weOOH e a Visualplac, que disponibilizam seus espaços de mídia sem custos para a veiculação da campanha como contribuição de interesse público às ações de conscientização. SERVIÇOOnde assistir à animação do José Totoy em português:Canais do Youtube: https://www.youtube.com/@Jos%C3%A9TotoyPortugu%C3%AAshttps://www.youtube.com/@IICABrasilinforma https://www.youtube.com/@wfpbrasilRedes sociais: Instagram: @totoykids_brasil @onubrasil @iica_brasil @wfpbrasilFacebook: @totoykids_brasil @onubrasil @iicabrasil @wfpbrasilTikTok: @jose_official__ (dois underlines) @onubrasil @iicabrasilX (ex-Twitter): @FAOBrasil @iicabrasil @wfpbrasilOnde assistir à animação do José Totoy em inglês:Youtube: https://www.youtube.com/@Jos%C3%A9TotoyOfficialInstagram: https://www.instagram.com/fao/TikTok: https://www.tiktok.com/@faoFacebook: https://www.facebook.com/UNFAO/ Onde assistir à animação do José Totoy em espanhol:Youtube: https://www.youtube.com/@Jos%C3%A9TotoyEspanol/videosFacebook : https://www.facebook.com/FAOenEspanolAnimação Infantil Institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026
Vídeo institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026 que será exibido no CONIC e nos Mobiliários UrbanosContato para a imprensa: Bárbara Semerene, Coordenadora de Comunicação da FAO no Brasil: Barbara.Semerene@fao.org
Vídeo institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026 que será exibido no CONIC e nos Mobiliários UrbanosContato para a imprensa: Bárbara Semerene, Coordenadora de Comunicação da FAO no Brasil: Barbara.Semerene@fao.org
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Notícias
15 outubro 2026
ONU-Habitat apresenta soluções para cidades mais seguras para mulheres em Alagoas
Como iluminação, mobilidade, circulação de pessoas e preservação de espaços públicos influenciam na segurança de mulheres e meninas? Essa é uma das questões que orientam a metodologia Cidade Mulher - ferramenta participativa do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) que coloca as experiências de quem vive e utiliza os territórios no centro da análise sobre segurança urbana.Em Alagoas, a metodologia foi o centro de ações realizadas pelo Governo do Estado e o ONU-Habitat no âmbito do Visão Alagoas 2030, em apoio à Política de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher – Alagoas Lilás. Nos dias 20 e 26 de agosto, em Maceió, dois eventos apresentaram os principais resultados das ações realizadas no primeiro semestre de 2026: o “Encontro Cidade Mulher – Juventudes por cidades mais seguras”, com estudantes da rede estadual, e o “Seminário Cidade Mulher – Fortalecendo a rede Alagoas Lilás”, voltado a agentes públicos de diferentes órgãos estaduais. As devolutivas retomaram, respectivamente, as oficinas realizadas com estudantes e a formação promovida com equipes técnicas estaduais.A experiência das oficinas também foi registrada em um vídeo, com momentos de cartografia coletiva, caminhadas exploratórias e relatos das estudantes sobre os espaços e trajetos que fazem parte do cotidiano. A produção mostra como essas experiências contribuíram para identificar desafios e construir propostas para os territórios.Construção coletivaO encontro com estudantes apresentou o diagnóstico e as propostas construídas nas oficinas realizadas em março nos bairros da Ponta Grossa, Jacintinho e Benedito Bentes. Ao todo, as oficinas reuniram 81 estudantes do Ensino Médio, entre 14 e 20 anos, que analisaram especialmente os trajetos entre casa e escola e os fatores urbanos relacionados à sensação de segurança.Entre os desafios recorrentes estavam iluminação insuficiente, dificuldades de mobilidade e acessibilidade, baixa circulação de pessoas e problemas de conservação dos espaços públicos. Os relatos também mostraram como essas condições influenciam comportamentos cotidianos, levando estudantes a evitar determinados lugares e horários, alterar trajetos ou adotar outras estratégias de autoproteção. A partir dessa leitura, foram propostas melhorias na infraestrutura viária, calçadas, acessibilidade, sinalização, travessias e transporte público; requalificação de áreas de lazer, cultura e convivência; arborização e limpeza urbana; ampliação da iluminação e de medidas de prevenção à violência; e maior acesso a serviços de saúde, educação, assistência social e à rede de proteção às mulheres. “A devolutiva é uma etapa importante porque permite apresentar o que foi construído a partir da participação das estudantes. O diagnóstico não foi elaborado apenas a partir de uma análise técnica, mas principalmente a partir dos olhares e das experiências vivenciadas nos territórios”, destacou a coordenadora do Visão Alagoas 2030, Paula Zacarias.Para a moradora do Benedito Bentes e estudante da Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti Silva, Emilly Teixeira, pensar em segurança também passa pela qualidade dos espaços utilizados no dia a dia. “Nas propostas, a gente pensou bastante no nosso lazer e também na nossa segurança, porque muitos locais por onde fazemos o deslocamento até o colégio têm pouca segurança e pouca iluminação”, afirmou.Durante o encontro, os estudantes também conheceram melhor os serviços públicos disponíveis para prevenção e atendimento em situações de violência contra as mulheres. Representantes da Rede de Atenção às Violências (RAV) e do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) apresentaram a atuação da rede de proteção e os caminhos para buscar acolhimento e atendimento. Diálogo institucionalJá o “Seminário Cidade Mulher – Fortalecendo a rede Alagoas Lilás” apresentou para agentes públicos estaduais um panorama dos resultados das oficinas participativas e da formação Cidade Mulher, realizada em abril, que reuniu servidoras e servidores de órgãos e secretarias estaduais em um treinamento sobre gênero, prevenção da violência urbana e direito à cidade.A formação abordou as dimensões da violência de gênero, as desigualdades no uso da cidade e o papel dos agentes públicos na construção de respostas articuladas, buscando ampliar a compreensão sobre como uma perspectiva de gênero pode ser incorporada às políticas públicas e às ações de prevenção da violência.Ao apresentar os resultados das oficinas e da formação, o seminário colocou em diálogo diferentes perspectivas produzidas ao longo da iniciativa: de um lado, as experiências das jovens sobre segurança urbana e as propostas construídas a partir da leitura dos territórios; de outro, a perspectiva dos agentes públicos sobre os desafios e possibilidades de atuação institucional. O encontro reforçou a importância de aproximar a experiência de quem vivencia os territórios da atuação das instituições responsáveis pela formulação e implementação de políticas públicas. “Ao reunir os dois resultados, as devolutivas ajudam a aproximar a atuação institucional das experiências vividas nos territórios e a ampliar o diálogo entre diferentes áreas envolvidas no enfrentamento à violência contra as mulheres. Essa aproximação é importante para que as respostas da gestão estadual considerem as diferentes realidades e necessidades presentes nos territórios, fortalecendo a implementação da política Alagoas Lilás e contribuindo para uma atuação cada vez mais integrada e conectada às realidades das mulheres no estado”, afirmou a assessora especial de projetos da Secretaria de Estado da Governança Corporativa, Ana Cristina Farias.Resultados e produtosComo resultados dessas duas frentes, o Cidade Mulher prevê um diagnóstico territorial com recomendações para cidades mais seguras, elaborado a partir das oficinas com estudantes, e a Caixa de Ferramentas Cidade Mulher, desenvolvida a partir da formação com agentes públicos e composta por referências, conceitos e termos sobre gênero, violência e direito à cidade. Os produtos sistematizam os aprendizados das atividades e vão contribuir para incorporar a perspectiva de gênero e as experiências vividas nos territórios em ações de prevenção da violência e promoção de cidades mais seguras e inclusivas.Contatos para a imprensa: Adônis Matos, ONU-Habitat Brasil: adonis.matos@un.orgAléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.org
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14 outubro 2026
Propriedade Intelectual: OMPI e INPI oferecem curso gratuito para profissionais de comunicação
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) realizam, no dia 16 de novembro, das 17h às 19h30, em formato on-line, a edição 2026 do Curso de Propriedade Intelectual (PI) para Comunicadores. Com o tema “Comunicar para Inovar: Propriedade Intelectual e Desenvolvimento Econômico”, o evento abordará o papel da PI na economia do conhecimento e sua relação com a inovação, a competitividade e a atração de investimentos. Participação no PIBVoltado a jornalistas, assessores de comunicação e demais profissionais da área, o curso abordará temas como o Índice Global de Inovação (GII), da OMPI, e o Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID), desenvolvido pelo INPI com base na metodologia da Organização. O IBID mapeia os ecossistemas de inovação brasileiros, com um ranking dos estados, servindo como ferramenta de apoio a políticas públicas. O curso também abordará estudos que buscam ampliar a compreensão sobre o impacto econômico da propriedade intelectual. Entre os temas em destaque estará a importância dos ativos intangíveis, que, segundo estudo recente do INPI, já representam investimentos equivalentes a 7,6% do PIB brasileiro, participação superior à de setores como agropecuária, serviços financeiros e indústria extrativa. A discussão incluirá a valoração de ativos intangíveis e o uso de patentes, marcas e outros ativos de PI para apoiar a atração de investimentos e a obtenção de financiamento pelas empresas.Palestras do cursoNa programação da atividade, uma das palestras apresentará a nova edição do IBID e os estudos sobre economia da inovação e valoração de ativos intangíveis, enquanto a palestra da OMPI abordará o GII e iniciativas internacionais relacionadas à inovação. Haverá também uma apresentação sobre conceitos gerais de propriedade intelectual para profissionais de comunicação e estratégias para tornar o tema mais acessível ao público em geral. Serviço: Curso de Propriedade Intelectual para Comunicadores 2026Data: 16 de novembro de 2026Horário: 17h às 19h30Modalidade: Evento onlineInscrições: até 6/11, através de formulário disponível na página do INPI: https://epesquisa.inpi.gov.br/index.php/587957?lang=pt-BR Para saber mais, acesse a página da OMPI no Brasil: https://www.wipo.int/pt/web/office-brazil
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13 outubro 2026
UNCTAD: Crescimento global deve desacelerar para 2,6% em 2026
A ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apresentou, na última sexta-feira (09/10), o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026: Geoeconomia do Desenvolvimento, que projeta uma desaceleração do crescimento da economia global de 2,9% em 2025 para 2,6%, e de 4,7% para 4% nas economias em desenvolvimento. O comércio de bens e serviços deve crescer cerca de 4% a preços constantes, após o comércio global ter atingido um recorde de US$ 35 trilhões em 2025. Os valores mais altos do comércio em 2026 são impulsionados por aumentos de preços decorrentes do choque energético. O mapa do comércio global está mudando: o comércio entre a China e os Estados Unidos caiu mais de 20% desde 2024, enquanto o Leste Asiático ampliou o comércio tanto com a China quanto com a América do Norte. Controles de exportação, triagem de investimentos e condições das cadeias de suprimento dificultam o acesso de novos entrantes a setores estratégicos. O principal relatório anual da UNCTAD constata que os governos recorrem cada vez mais a políticas industriais, comerciais, financeiras e tecnológicas para alcançar objetivos geopolíticos e de segurança nacional. O acesso a mercados e a capacidade de avançar para atividades de maior valor agregado agora dependem mais fortemente de tecnologia e finanças. Asia lidera, mas o caminho para alcançar renda dos países industrializados está mais estreito A Ásia deve contribuir com 59% do crescimento global em 2026, com a Índia crescendo 7,3%, a China 4,5% e Indonésia 5,2%. Outros países com altas taxas de crescimento na região são Quirguistão (8,8%), Uzbequistão (7,9%), Vietnã (7,8%), Mongólia (7%) e Tajiquistão (6,6%). Algumas economias asiáticas em desenvolvimento continuam reduzindo a diferença de renda em relação aos países desenvolvidos, enquanto a convergência estagnou na maior parte do mundo em desenvolvimento desde meados da década de 2010. Isso se explica porque a trajetória industrial que impulsionou boa parte da ascensão da Ásia está se tornando mais difícil de replicar para os demais países. O Leste Asiático é central, por exemplo, para o salto na fabricação de semicondutores e na computação avançada, num momento em que os produtos de IA representam o principal motor do comércio de mercadorias. É necessária mais especialização para acessar os ganhos das cadeias globais de valor As economias industrializadas do Norte Global capturam cerca de 70% do valor dos novos projetos de investimento direto estrangeiro anunciados em setores estratégicos de alto valor, incluindo semicondutores, tecnologias de transição energética e infraestrutura de IA, segundo dados de 2020–2025. As economias em desenvolvimento lideram apenas em minerais críticos e materiais estratégicos, concentrando 60% dos novos projetos. O relatório constata que a África extrai a maior parte do cobalto do mundo, mas retém menos de 1% do valor ao longo das cadeias de suprimento. Choque energético e instabilidade financeira põem a economia global à provaO conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo Brent de US$ 70 para mais de US$ 110 por barril nas semanas seguintes à sua eclosão. Os custos de energia mais altos atingiram especialmente as economias em desenvolvimento dependentes de importações e as famílias mais pobres. Os custos de energia mais altos se somam ao aumento dos custos de financiamento e à volatilidade dos fluxos de capital para os países em desenvolvimento, que dobrou desde o início do conflito. O boom da IA também traz riscos à estabilidade financeira, à medida que os mercados se tornam mais expostos a um número reduzido de empresas. A assistência oficial para o desenvolvimento, fonte fundamental de financiamento para os países menos desenvolvidos e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, deve recuar quase 7% em 2026, seu terceiro declínio anual consecutivo. Prioridades de política para os países em desenvolvimento: priorizar setores-chave, diversificar perfis comerciais, avançar na transição energética O choque energético reforça os argumentos a favor da diversificação do fornecimento de energia. Desde 2024, as fontes renováveis têm sido mais baratas do que a alternativa fóssil recém-instalada de menor preço em mais de 90% dos casos, constata o relatório. Fontes renováveis domésticas, quando viáveis, podem reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. O relatório argumenta que enfrentar as restrições de energia e de oferta é mais eficaz contra a inflação impulsionada pela oferta do que um aperto monetário e fiscal amplo. À medida que a produção se torna mais especializada sob pressões geoeconômicas, a integração econômica ocorre cada vez mais setor a setor. Isso permite que muitas potências médias do Sul Global fortaleçam setores específicos, mantendo, ao mesmo tempo, laços econômicos e financeiros com múltiplos parceiros. O relatório recomenda a coordenação de políticas industriais, financeiras e tecnológicas, incluindo vincular o investimento direto estrangeiro a fornecedores locais e aumentar o valor agregado doméstico. Potências médias do Sul Global ancoram a cooperação regional Acordos regionais podem ampliar mercados, reduzir custos comerciais e apoiar a cooperação regulatória. A Área de Livre Comércio Continental Africana vincula a integração de mercados à diversificação e às cadeias regionais de valor. Paralelamente, o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação busca conectar 42 moedas africanas para facilitar os pagamentos. O secretário-geral interino da UNCTAD, Pedro Manuel Moreno, destaca:“As potências médias do Sul Global estão se tornando âncoras regionais, estendendo a integração comercial a novas iniciativas financeiras. Isso funciona melhor ao lado de um sistema multilateral de comércio que mantenha a não discriminação e o tratamento especial e diferenciado em seu núcleo”. Para saber mais, siga @unctad nas redes sociais e acesse o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026: https://unctad.org/publication/trade-and-development-report-2026 Contato para a imprensa:Marcelo Risi, Unidade de Comunicação e Relações Externas da UNCTAD, Gabinete do Secretário-Geral: marcelo.risi@unctad.org e unctadpress@unctad.org NOTA PARA EDITORES: Sobre a ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) A UNCTAD é o principal órgão da ONU dedicado a comércio e desenvolvimento. Fundada em 1964, apoia 195 Estados-membros com análises especializadas, assistência técnica, e serve como plataforma de diálogo intergovernamental. A UNCTAD ajuda os países em desenvolvimento a fazer com que o comércio, as finanças, o investimento e a economia digital funcionem a favor de um desenvolvimento inclusivo e sustentável.
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08 outubro 2026
Aldeia do Espraiado em Maricá (RJ) é reconhecida pelo ONU-Habitat com o Prêmio Pergaminho de Honra 2026
O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) anunciou, nesta segunda (5), os cinco vencedores do Prêmio Pergaminho de Honra 2026, durante a celebração global do Dia Mundial do Habitat. Entre as iniciativas reconhecidas está a Aldeia do Espraiado – Tekoa Ara Hovy, em Maricá, no Rio de Janeiro, que recebeu o prêmio por garantir moradia adequada, serviços essenciais e segurança jurídica sobre a terra para uma comunidade Guarani Mbyá.O Prêmio Pergaminho de Honra do ONU-Habitat reconhece indivíduos e instituições cujo trabalho contribui para a promoção da moradia adequada, da urbanização sustentável e de melhores condições de vida nas cidades, além de contribuir para a implementação da Nova Agenda Urbana e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Criado em 1989, o prêmio já reconheceu iniciativas de diferentes partes do mundo.A cerimônia de premiação foi realizada durante a celebração do Dia Mundial do Habitat, em Mascate, Omã. Neste ano, a data tem como tema “Moradia adequada para todas as pessoas”.Aldeia do Espraiado: moradia, território e direitos para o povo Guarani MbyáEm Maricá, 13 famílias Guarani Mbyá vivem hoje na Aldeia do Espraiado – Tekoa Ara Hovy, a primeira aldeia indígena estabelecida por um município brasileiro.Por mais de uma década, a comunidade viveu dentro de um parque estadual, sem acesso a um poço artesiano, posto de saúde ou segurança jurídica sobre a terra. A partir do trabalho conjunto entre a Prefeitura de Maricá e as famílias, foi criada uma nova aldeia, planejada a partir das necessidades e dos modos de vida da comunidade.A população indígena participou da escolha do terreno, e cada família contribuiu para o projeto de sua própria casa, construída com métodos tradicionais. A comunidade se mudou para a nova aldeia no início de 2025.Atualmente, o território conta com escola bilíngue, abastecimento de água por poços, iluminação solar nos espaços compartilhados, centro cultural, cozinha comunitária e posto de saúde com uma sala destinada à medicina tradicional. Financiada pelo município, a iniciativa apresenta uma possibilidade de atuação para outros governos locais interessados em garantir terra, moradia adequada e serviços essenciais para comunidades indígenas, respeitando suas formas de viver e sua cultura.“Meu desejo é que, a partir dessa premiação e desse reconhecimento pelo ONU-Habitat, outros países, outras iniciativas e outros parceiros possam replicar isso ao redor do mundo, garantindo proteção, dignidade e muito convívio e respeito aos povos indígenas, que é o que eles merecem. O que Maricá fez é uma ajuda simbólica diante do muito que pode ser feito. Em nome da Prefeitura de Maricá, em nome dos povos indígenas do mundo, nosso desejo é que essa ideia seja replicada, que a gente construa junto aos povos indígenas que a gente caminhe e combata todo o preconceito que ainda há, e que, sobretudo, a gente consiga promover dignidade e segurança habitacional, garantindo assim uma estrutura e a continuidade da cultura deles, que é o mais importante”, destaca a coordenadora de Políticas Públicas com os Povos Indígenas da Prefeitura de Maricá (RJ), Maria Oliveira. Moradia adequada como base para cidades inclusivasA iniciativa de Maricá foi reconhecida em um momento em que a crise global da moradia continua exigindo respostas urgentes. Segundo o Relatório Mundial das Cidades 2026, do ONU-Habitat, até 3,4 bilhões de pessoas não têm acesso à moradia adequada.Já o Relatório Global do ODS 11 2026 publicado pelo ONU-Habitat em parceria com outras organizações do sistema das Nações Unidas, aponta que o mundo ainda está distante de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Desde 2015, o número de pessoas vivendo em assentamentos informais e favelas aumentou em mais de 130 milhões, chegando a mais de 1,1 bilhão de pessoas.“Este ano, os premiados demonstram que a crise global da moradia não está além da nossa capacidade de enfrentamento. Seja ampliando o acesso a moradias adequadas em grandes cidades, transformando resíduos em materiais de construção ou garantindo um lugar seguro para viver a comunidades deslocadas e indígenas, cada iniciativa coloca as pessoas e seu direito à moradia no centro do desenvolvimento urbano”, destaca a diretora executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach. Rossbach também reforçou a necessidade de ampliar iniciativas capazes de responder à crise habitacional: “A moradia sustenta avanços em diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas bilhões de pessoas ainda não têm acesso a uma casa segura e acessível. Com apenas quatro anos até 2030, precisamos agir e ampliar soluções como essas”. Cinco iniciativas reconhecidas em 2026 Além da Aldeia do Espraiado – Tekoa Ara Hovy, de Maricá, o Prêmio Pergaminho de Honra 2026 reconheceu iniciativas do Paquistão, Myanmar, Tunísia e Reino Unido:Agência de Habitação e Planejamento Urbano de Punjab, Lahore, Paquistão, por sua contribuição para ampliar o acesso a moradias adequadas, seguras e acessíveis para famílias de baixa renda.Housing NOW, de Bago, Myanmar, por sua contribuição para promover moradias adequadas, acessíveis e resilientes para comunidades afetadas por conflitos, deslocamentos, pobreza e desastres.Abdelmalek Ghannem, de Bizerte, Tunísia, por desenvolver soluções de construção que transformam resíduos locais e da mineração em materiais inovadores, acessíveis e resilientes às mudanças climáticas.Prefeito Sadiq Khan, de Londres, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, por sua liderança na promoção de moradias acessíveis e sustentáveis e de um desenvolvimento urbano inclusivo e resiliente às mudanças climáticas.As cinco iniciativas foram selecionadas entre 101 indicações de países da África, Ásia, Europa e Américas, refletindo diferentes caminhos para enfrentar os desafios relacionados à moradia adequada, desde materiais de construção inovadores e habitação acessível até o apoio a comunidades afetadas por conflitos e deslocamentos e a promoção de moradias culturalmente adequadas para povos indígenas.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes e acesse a página global do Prêmio Pergaminho de Honra. Contatos para a imprensa: Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.orgFlávia Scholz, ONU-Habitat Brasil: flavia.scholz@un.org
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