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29 abril 2022
Agricultoras de AL, MG e MS vencem prêmio para mulheres rurais
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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19 novembro 2021
Violência contra mulheres: campanha da ONU Brasil pede vida e dignidade
A ONU Brasil promove, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2021, a edição anual da campanha do secretário-geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, ela apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Neste ano, a iniciativa completa três décadas de mobilização internacional. Em todo o mundo, a ONU está abordando o tema: “Pinte o mundo de laranja: fim da violência contra as mulheres, agora!”.
A campanha da ONU Brasil pede união de esforços e de ações para garantir a vida e a dignidade a todas as mulheres e meninas, inclusive na recuperação da COVID-19. A pandemia exacerbou fatores de risco para a violência contra mulheres e meninas, incluindo desemprego e pobreza, e reforçou muitas das causas profundas, como estereótipos de gênero e normas sociais preconceituosas.
Estima-se que 11 milhões de meninas podem não retornar à escola por causa da COVID-19, o que aumenta o risco de casamento infantil. Estima-se também que os efeitos econômicos prejudiquem mais de 47 milhões de mulheres e meninas vivendo em situação de pobreza extrema em 2021, revertendo décadas de progresso e perpetuando desigualdades estruturais que reforçam a violência contra as mulheres e meninas.
“A campanha aborda as diferentes causas da violência contra mulheres e meninas e demonstra por meio de ações e propostas concretas os diferentes caminhos para superar esse problema”, explica a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks.
“A violência contra mulheres e meninas afeta a todas e todos nós e depende do engajamento das pessoas, das empresas e das instituições públicas e privadas para ser superada”, completa.
Desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vem fazendo apelos pelo fim da violência contra mulheres e meninas e pedindo paz no lar e o fim da violência em toda parte. Mais de 140 países expressaram apoio, e 149 países adotaram cerca de 832 medidas, conforme destacado na Resposta Global de Gênero à COVID-19, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com colaborações técnicas substantivas da ONU Mulheres.
Por meio da Estratégia de Engajamento Político do Secretário-Geral da ONU sobre Violência baseada em Gênero, o Sistema das Nações Unidas mobilizou várias partes interessadas para atender às necessidades imediatas e vulnerabilidades de longo prazo de meninas e mulheres em risco de violência e reconheceu o papel-chave que as organizações de direitos das mulheres desempenharam durante a crise global. Para tanto, a ONU ativou suas plataformas e redes a fim de mobilizar compromissos e ações para acabar com a violência baseada em gênero no contexto da COVID-19.
A campanha UNA-SE articula compromissos com as Coalizões de Ação Geração Igualdade, especialmente a de Violência Baseada em Gênero, para acelerar investimentos, sensibilizar autoridades públicas para políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas e mobilizar diversos setores em torno da causa.
A campanha se baseia nas determinações da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e se orienta rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, especialmente o ODS 5, que pretende alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A iniciativa busca a adesão de governos, parlamentos, sistema de Justiça, empresas, academia e sociedade para a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Campanha no Brasil - Com o mote “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - Vida e dignidade para todas”, a campanha deste ano tem como foco visibilizar a complexidade da violência contra as mulheres e meninas, em que suas identidades e condições de vida acentuam e ampliam vulnerabilidades para mulheres e meninas negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAP+ (lésbicas, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais, entre outras), com deficiência, idosas, migrantes e refugiadas. Para tanto, entende ser fundamental a abordagem interseccional de análise sobre as situações de violência sofridas pelas mulheres e meninas, entendendo que elas são diferentes a partir dos locais concretos e simbólicos ocupados por elas.
A campanha pretende evidenciar que a violência contra mulheres e meninas não ocorre apenas no ambiente privado: dentro de casa ou no corpo (como nos caso da violência doméstica e da violência sexual). Ela também está presente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, na política institucional, nos esportes, nos ambientes online, nos meios de comunicação, e também no contexto da promoção e defesa de direitos.
A campanha destaca também as formas de prevenção e eliminação das diversas formas de violência. Para tanto, além do trabalho das Nações Unidas, a campanha apresenta também iniciativas e histórias de mulheres que defendem direitos e promovem a igualdade de gênero.
Baseada no entendimento de que a violência contra mulheres e meninas é uma violação de direitos humanos, esta edição tem como objetivo também estimular uma mudança de paradigma, eliminando a ideia de mulheres 'vítimas de violência' (passivas, em uma condição insuperável) e fomentando a noção de que essas mulheres são pessoas 'em situação de violência' ou ‘que sofreram violência’.
Tal mudança estimula o entendimento de que a violência é um desafio superável e que pode ser prevenida, além da visão de mulheres como protagonistas da defesa e promoção de direitos humanos, desenvolvimento sustentável, justiça climática e democracia, cujas contribuições beneficiam toda a sociedade. Também reconhece, a partir disso, que a violência afeta todas as dimensões das vidas das mulheres que a vivenciaram e que toda a sociedade é responsável pela sua erradicação. Em outra linha de ação, a campanha quer engajar homens e meninos como aliados dos direitos das mulheres e para atingir a igualdade de gênero, da qual eles também se beneficiam.
A campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres” terá como um dos focos o empoderamento de meninas e jovens por meio do esporte, como ferramenta fundamental para prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Com histórias e experiências compartilhadas, a campanha mostrará como o esporte desenvolve habilidades para a vida das meninas, como autoconfiança, autonomia e liderança, fazendo com que rompam com estereótipos de gênero e com o ciclo de violência, não só individualmente, mas em seu entorno.
Ações no Brasil - A programação da campanha deste ano conta com a realização de eventos on-line e presenciais, iluminações de prédios na cor laranja em adesão global à mensagem da prevenção da violência, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e sites da ONU Brasil e instituições parceiras. Serão ações direcionadas a ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade e suas instâncias para a realidade da violência contra as mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
Neste ano, a campanha será inaugurada com a iluminação na cor laranja do Congresso Nacional, em Brasília, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra - início da campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres; e do Abrigo Rondon V, em Roraima, de 20 a 26 de novembro, em adesão à mensagem global de prevenção contra a violência. Ainda está programada a iluminação laranja da Casa da Mulher Brasileira, na cidade de Boa Vista (RR), de 27 de novembro a 4 de dezembro, estado em que a ONU Brasil desenvolve projetos de ajuda humanitária.
A campanha é composta pelo evento on-line “Juntas e juntos para pôr fim à Violência contra Defensoras de Direitos Humanos e do Meio Ambiente”, em 29 de novembro, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e site da ONU Brasil e de instituições parceiras. As ações pretendem ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade para a realidade da violência contra mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
16 Dias de Ativismo - A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que completa 30 anos em 2021, foi criada por ativistas do Instituto de Liderança Global das Mulheres em 1991.
Desde então, mais de 6.000 organizações em 187 países participaram da campanha, alcançando 300 milhões de pessoas. Ela continua a ser coordenada, a cada ano, pelo Centro para Liderança Global de Mulheres (CWGL, na sigla em inglês) e é usada como estratégia de organização por pessoas, instituições e organizações em todo o mundo para prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Em todo o mundo, os 16 Dias de Ativismo abrangem o período de 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, a mobilização se inicia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para buscar ações de combate ao racismo e ao sexismo e pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas negras.
Contatos para a imprensa
Isabel Clavelin (ONU Mulheres) - isabel.clavelin@unwomen.org / 61 98175 6315
Roberta Caldo (UNIC Rio) – caldo@un.org
História
25 abril 2022
Após cirurgia no quadril, homem reaprende a caminhar e reconstrói a vida
Caminhar, correr e dançar são coisas triviais para muita gente. Mas, para o aposentado Dirceu Hack, 56 anos, significa muito mais. No final do ano passado, após passar por uma cirurgia reparadora no quadril, ele finalmente pode voltar a se mover com o corpo ereto. Seu Dirceu, como é chamado, é paciente hemofílico e sofria desde os anos 1970 com as limitações provocadas pela doença.
A hemofilia é uma doença genética hereditária, que compromete a coagulação do sangue. Pessoas hemofílicas não possuem uma proteína responsável pelo crescimento e reparação de tecidos, assim, sangram mais do que o normal. Com o passar do tempo, essa situação provoca danos em todo o corpo, em especial nas articulações, que ficam enrijecidas.
“Eu tinha uns 13, 14 anos quando descobri a doença. Fiquei 30 dias sozinho em Florianópolis, fazendo muitos exames, até chegar no diagnóstico”, lembra seu Dirceu, que morava à época em Concórdia, no interior de Santa Catarina, a quase 500 quilômetros da capital do estado. “Eu tinha muitos sangramentos e muita dor, é três vezes pior que uma dor de dente. Não conseguia ir para a escola, só tenho até a 4ª série”, conta ele, que, de tanto comprometimento, andava completamente arqueado.
"Ele não conseguia caminhar direito, não conseguia se abaixar para colocar a meia. Sentia muitas dores, não tinha como deitar na cama, se ajeitar para dormir, era bem difícil." detalha Queli Cristina, 37 anos, companheira de Dirceu. “Minha família me acompanhou nesse tempo todo, elas viram o meu sofrimento. Eu não ia para nenhum lugar, não me encontrava com meus amigos, porque não conseguia caminhar”, completa ele.
O aposentado foi um dos contemplados por uma ação do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) em parceria com o Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT/SC) e com a Fundação de Apoio ao Centro de Hematologia e Hemoterapia (HEMOSC)/Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), conhecida como FAHECE. A ação teve por objetivo realizar cirurgias em pacientes hemofílicos com artropatia grave.
Dirceu foi beneficiado com três cirurgias, uma já feita no quadril, em outubro do ano passado, e as outras nos dois joelhos, previstas para serem realizadas em junho. Outros dois pacientes também serão beneficiados: Valdecir de Souza, que fará uma renovação da prótese do joelho direito em abril, e Lucas Ramos Mariano, que será operado nos dois joelhos em maio.
“Quando eu fizer as cirurgias dos dois joelhos, será a realização do meu grande sonho, terei uma qualidade de vida muito maior. Eu tô com 56 anos, mas tenho uma disposição de piá (rapaz) de 25 anos”, diz seu Dirceu, que agora faz planos para a retomada da vida com a mobilidade recuperada. “O que eu mais quero fazer é trabalhar na minha propriedade aqui no interior, cuidar dos animais, da roça”, planeja ele, que tem um sítio em Peritiba, na fronteira de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.
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História
08 abril 2022
Professora ensina alunos a combater o desperdício de alimentos em Itajaí
No município de Itajaí, em Santa Catarina, o drama da falta de acesso a alimentos transformou a vida dos 46 alunos do 5º ano do ensino fundamental da Escola Básica Professor Judith Duarte de Oliveira. Isto porque a professora Patrícia Wanderlinde Alves ficou impactada com os números da fome – de acordo com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), 881 milhões de pessoas não têm o que comer em todo o mundo, sendo 48,6 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar moderada ou severa.
Inconformada também com os dados do desperdício de alimentos revelado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) – em 2019, 931 milhões de toneladas de alimentos foram para o lixo -, a professora resolveu levar para sala de aula ensinamentos para diminuir o desperdício e mudar hábitos de consumo na escola e dentro de casa.
Patrícia desenvolveu e implementou para os alunos da faixa de 10 anos de idade o projeto Tempo Esgotado: durante uma semana, eles anotaram tudo o que comeram e desperdiçaram. Impressionados com os resultados, eles reuniram informações sobre o consumo consciente de alimentos e criaram um folder e cartazes, que foram distribuídos dentro da escola, em ônibus e pontos comerciais com grande circulação de pessoas.
Os alunos também fizeram palestras para as outras turmas do colégio, que foram gravadas e disponibilizadas num canal no Youtube. O projeto trabalhou com as informações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e incluiu ainda um curta metragem mostrando como o desperdício de alimentos acontece dentro de casa.
“As crianças realmente se empenharam e queriam fazer o máximo que podiam. Toda a construção dos vídeos e folders foi feita a partir de ideias delas. Os alunos arrecadaram alimentos para famílias carentes, o que envolveu toda a escola. No final, o trabalho gerou inclusive uma conscientização financeira”, contou a professora em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Ela pretende repetir a iniciativa neste ano.
“Eu gostei muito desse projeto, ele me conscientizou muito sobre a fome que acontece no mundo. Não podemos ver todo esse desperdício e não fazer nada!”, explica o aluno Henrique Rafael. A estudante Maria Luíza conta que os ensinamentos mudaram a rotina dentro de casa: “Eu vou levar esse projeto para a minha vida toda. As atitudes da minha casa mudaram muito. Meu pai começou a usar as sobras do dia anterior. Minha mãe não usava frutas feias e agora usa”, explica a garota. Para Gustavo, o projeto pode ajudar o Brasil. “ A cada um minuto, 11 pessoas morrem de fome e isso é muito triste. Por isso, temos que parar de jogar comida no lixo!”, alerta o menino.
Alimentação escolar - Projetos como o da professora Patrícia são fundamentais para uma alimentação escolar sustentável. Segundo a coordenadora do projeto Consolidação de Programas de Alimentação Escolar na América Latina e no Caribe (Programa de Cooperação Internacional entre Brasil e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura/-FAO), Najla Veloso, esse tipo de trabalho concilia o aprendizado dos estudantes com outras áreas do conhecimento, criando conexões entre as realidades locais e o e o dia a dia de cada um.
“As ações para combater o desperdício e de educação alimentar e nutricional são importantes para promover o desenvolvimento intelectual, físico, emocional e social dos estudantes. Além disso, ao estimularem hábitos de vida saudáveis, as escolas constroem entornos mais saudáveis, uma vez que os hábitos são transmitidos também para familiares e todo a comunidade”, explica Najla.
As escolas também são fundamentais no combate à fome. De acordo com a especialista da FAO, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) brasileiro, que atende a cerca de 41 milhões de estudantes, diária e universalmente, é considerado uma referência regional e global de política pública de êxito.
O Programa Mundial de Alimentos também atua no combate ao desperdício e na superação da fome. Todos os anos, o WFP promove uma campanha global de conscientização, chamada Zerar o Desperdício, e opera o Centro de Excelência contra a Fome em conjunto com o governo brasileiro. A missão do Centro é apoiar países em desenvolvimento na criação e implementação de soluções sustentáveis contra a fome a partir das experiências exitosas desenvolvidas no Brasil.
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História
28 março 2022
Irmãos vencem festival com filme retratando impacto da COVID-19 na comunidade surda
Nos últimos dois anos as máscaras tornaram-se itens essenciais para evitar a contaminação com COVID-19. Mas para uma parte da população, ainda que elas tenham ajudado a salvar milhares de vidas, as máscaras também são sinônimo de silêncio. Um relatório divulgado em março de 2021 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou que 1,5 bilhão de pessoas têm algum grau de deficiência auditiva no mundo. Dependendo em grande parte da interpretação labial e de expressões faciais para se comunicar, a pandemia trouxe para as pessoas surdas uma sensação de impotência diante de atividades corriqueiras, como ir ao banco, supermercado ou até mesmo a consultas médicas.
São estas dificuldades que levaram os irmãos Glória e Victor Araújo, de 12 e 10 anos, a gravarem um vídeo mostrando os impactos da COVID-19 em sua família. Ambos atuam como intérpretes de libras para os pais, Jucimara e Vandro, deficientes auditivos. O filme “Silêncio na pandemia” retrata as barreiras impostas pelo uso de máscara a esta comunidade e principalmente conscientiza sobre a importância de um ensino obrigatório e universal da língua de sinais para toda população.
O filme foi premiado pelo júri internacional do PLURAL + Youth Video Festival, competição de vídeos promovida pela Agência da ONU para as Migrações (OIM), e pela Aliança de Civilizações das Nações Unidas (UNAOC). A produção dos irmãos moradores de Londrina, no Paraná, ficou em primeiro lugar na categoria até 12 anos e também recebeu outros três prêmios dentro do festival: Peacemaker Champions Award, TAL Award e o MediaB Award.
“Eu queria que as pessoas vissem esse vídeo e quisessem mais intérpretes em todos os lugares. Porque seria mais fácil para todo mundo, né?”, conta Victor.
Produção – Responsável por montar o roteiro e dirigir o filme, Glória explica que começou a produção do curta-metragem em junho de 2021, com a ajuda das primas Lorena da Silva, de 22 anos, e Alaysa Fernandes, de 18. Foi Lorena quem viu a competição promovida pelas Nações Unidas e incentivou os irmãos a se inscreverem no concurso. As duas primas também ajudaram a traduzir o conteúdo para o inglês e editar as ideias de Glória, que tem o sonho de ser cineasta. “A gente começou a gravar e acabamos esquecendo que era para a ONU. E aí a gente começou a se divertir e foi bem espontâneo. Só percebemos o que estávamos fazendo depois que a gente ganhou”, explica Glória.
O PLURAL + Youth Video Festival convida jovens de todo mundo a contarem diversas histórias sobre os temas mais urgentes do nosso tempo. Na edição de 2021, a tônica do concurso foi a diversidade, tema que chamou atenção dos jovens paranaenses. “Se a gente fosse igual, não teria graça. A gente precisa da diferença para aprender a respeitar as pessoas em qualquer hipótese”, diz Glória. “Se as pessoas fossem iguais, a gente não aprenderia muita coisa, porque para aprender é preciso ver outra pessoa fazendo diferente. Então a gente precisa de diversidade”, defende a garota.
A cerimônia online de premiação contou com a presença do diretor-geral da OIM, António Vitorino, e do alto representante da UNAOC, Miguel Ángel Moratinos. Também foi transmitida uma mensagem em vídeo da subsecretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming. Na ocasião, Glória foi convidada a discursar e aproveitou para defender a universalização da linguagem de sinais como solução duradoura para as dificuldades de inclusão da comunidade surda.
Outros vencedores – Ao todo, 29 vídeos foram premiados pelas Nações Unidas. O Brasil foi o país que recebeu o maior número de condecorações: sete no total. “Silêncio na pandemia” foi o destaque da categoria principal. Os outros seis jovens brasileiros foram laureados por parceiros da ONU.
Nicole Assunção recebeu uma menção honrosa da Children’s Film Festival Seattle, com o filme “What does opening the world mean to you?”; Mickael Lima venceu o FACIUNI Award com o curta-metragem “Ubuntu”; Joana Lara recebeu uma menção honrosa do Italian Movie Award pela produção de “The human being is a genus of which diversity is a species”; Guilherme Menezes também recebeu uma menção honrosa do FilmAid pelo filme “I could never choose where to be born”; Cassia Roriz venceu o FilmAid Award e o Visual Voices Award for Peace Advocacy com o filme “Look out for us”; e Esther Cortereal, diretora de “For the right to be diverse”, venceu o Three Cultures of the Mediterranean Award.
Os curta-metragens abordam como a diversidade é um elemento importante para inclusãode pessoas que precisam viver em diferentes culturas, como é o caso de migrantes e refugiados.
"O cinema e o audiovisual são uma importante ferramenta para informar, divertir, educar, provocar debates e promover a diversidade. Há mais de um século eles estão ligados com a migração, quando desde o início dessa arte muitos cineastas migrantes retratavam um mundo em movimento. Iniciativas como o Plural+ dão força e voz a esses jovens, que colocam na tela suas mensagens, promovendo integração e tolerância entre públicos nos diferentes cantos do mundo”, relata o Chefe de Missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux.
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História
08 março 2022
Jovem deu à luz no início da crise na Ucrânia
Mariia Shostak tem 25 anos e mora em Kyiv. Ela começou a ter contrações no dia 24 de fevereiro, data em que a Rússia lançou a ofensiva militar contra a Ucrânia.
A seguir, ela descreve as condições angustiantes que enfrentou, trazendo uma nova vida num mundo de perigo repentino e extremo.
"Tive uma gravidez complicada e fui para a maternidade mais cedo para que eu e o bebê pudemos ficar sob supervisão médica.
Quando acordei no dia 24 de fevereiro, a tela do meu celular estava cheia de mensagens de familiares. Antes mesmo de lê-las, percebi que algo havia acontecido.
Na mesma manhã, tive contrações leves e, à tarde, fomos evacuados para o abrigo do porão pela primeira vez. Foi assustador. À noite eu não dormi.
As contrações se intensificaram e as notícias também não traziam paz.
Cedo na manhã do dia 25 de fevereiro, um médico me examinou e disse que eu daria a luz naquele dia. Eu chamei meu marido para vir de casa.
Uma viagem que normalmente demoraria 20 minutos durou quatro horas por conta das filas nos postos de gasolina, lojas e farmácias.
Tive sorte em dar a luz – não foi no porão, embora algumas mulheres tenham dado à luz ali, numa sala montada para isso.
Comecei na sala de parto, mas fui transferida para o centro cirúrgico para fazer uma cesariana. Mais tarde, quando as sirenes de ataques aéreos se calaram, a equipe médica quis me levar para o porão, mas eu recusei.
Por conta da dor, eu não podia nem falar, quanto mais ir a algum lugar. O resto do tempo fiquei desconectada do mundo lá fora, e foi provavelmente a única hora em que esqueci da guerra."
Medo, fatiga e dor
"Depois da cirurgia, fiquei em cuidado intensivo por diversas horas, sem anestesia. Estava preocupada porque não sabia onde estavam meu bebê e meu marido.
Enquanto isso, mais sirenes de ataques aéreos tocaram e decidi ir para o porão. Estava com uma camisola descartável, sem sapatos, numa cadeira de rodas, carregando um cateter urinário.
Fui coberta com um cobertor e levada para o abrigo, onde vi meu filho pela primeira vez. Eu o chamei de Arthur.
Eu sentia medo, fadiga e dor. No dia depois da cirurgia, fui da enfermaria da maternidade para o porão diversas vezes. A todo o instante as sirenes de ataque aéreo tocavam.
Consegui dormir uma ou duas horas no dia. Passei a maior parte do tempo no porão, sentada em uma cadeira. Minhas costas doem e minhas pernas ainda estão inchadas pela complicação na gravidez.
A exaustão cegou o medo, até que uma bala atingiu a parte de cima do prédio, podíamos ver da nossa janela."
"Meu marido, Yurii, ajudou, tomando conta de mim e do meu recém-nascido. A equipe médica organizou refeições no bunker e depois conseguiu camas.
Eles nos ajudaram a colocar Arthur para mamar no meu peito, compartilharam remédios para os bebês, seguraram a minha mão quando tive dificuldade para andar.
Me sinto segura na capital – há abrigos suficientes e a informação precisa chega das autoridades. Meu marido conseguiu um cantinho para nós no porão de nossa casa para ficarmos.
Nasci e cresci em Kyiv, não tenho outra casa. Nós não partiremos."
Este relato foi publicado originalmente no site do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a agência da ONU para saúde reprodutiva e sexual.
Veja aqui a matéria publicada no site do UNFPA em português.
Veja aqui a matéria publicada no site do UNFPA em português.
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História
18 fevereiro 2022
Família encontra filme de 1954 com imagens históricas da sede da ONU
Uma parte da história das Nações Unidas passou os últimos 68 anos muito bem guardada em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Imagens mostrando os primórdios da Organização e o funcionamento da sede em Nova Iorque acabam de ser recuperadas pela família Strauch. Trata-se de um filme de pouco mais de dez minutos, que agora ganha importância de documento histórico.
O material foi encontrado entre os pertences de Abigail Strauch, matriarca da família que faleceu em abril de 2021, perto de completar 99 anos. Dentro de uma lata estava o rolo de filme de 16 milímetros com a etiqueta “O Brasil nas Nações Unidas”, de 1954, produzido pelo conhecido dublador Herbert Richers e narrado por Waldemar Galvão – cuja fama na época vinha de seu trabalho como locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Nas imagens, é possível ver como era o prédio em seus primeiros anos de funcionamento, com destaque para o serviço de tradução simultânea das reuniões e assembleias. Também aparecem as primeiras obras de arte que viriam a marcar a história da sede, como o Sino da Paz Japonês – badalado anualmente na abertura da Assembleia Geral–, a réplica da estátua Poseidon de Artemísio e até mesmo a menção ao espaço onde três anos depois seriam expostos os painéis “Guerra e Paz”, do artista brasileiro Cândido Portinari.
O registro do passeio pelos corredores é feito através da perspectiva de um grupo de visitantes, composto por um menino e três brasileiras, sendo uma delas Abigail. O menino é seu filho primogênito, Carlos Henrique. “Nunca ouvimos falar deste filme antes. Eu e minha irmã imaginamos que minha mãe nunca o mencionou por ser uma memória dolorosa”, conta o engenheiro Guilherme Strauch, filho mais novo de Abigail, em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
O filme da visita é um dos últimos registros de Carlos Henrique, que faleceu aos 13 anos, pouco tempo após as gravações. “Foi uma surpresa encontrarmos estas imagens dele e da minha mãe lá. Até então, só sabíamos que o meu pai havia feito parte da delegação brasileira na ONU”, conta.
Delegação – Não à toa a família Strauch é uma das protagonistas do vídeo. O patriarca Ottolmy Strauch foi um dos primeiros brasileiros a participar das atividades da ONU logo em sua fundação. Em 1946, quando ainda funcionário do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP), foi indicado ao Itamaraty para ser um dos nomes a compor a secretaria do governo brasileiro nas Nações Unidas.
Em seguida, entre 1952 e 1954, integrou as comitivas brasileiras que participaram das Assembleias Gerais em Nova Iorque e chegou a ser eleito, em 1953, para ocupar um cargo no Comitê de Contribuições da Organização. Recebeu 50 votos de um total de 54, estabelecendo naquele ano um recorde na eleição do Comitê.
É por este destaque que Ottolmy aparece no vídeo. Durante alguns segundos é possível acompanhar parte de seu discurso ressaltando o papel do Brasil na tarefa de garantir que as finanças da ONU fossem geridas da forma mais eficiente possível, assegurando assim recursos para a paz e o desenvolvimento social dos países mais vulneráveis.
“Eu acho difícil desassociar a surpresa em ter encontrado esse vídeo histórico da emoção em rever minha família e o orgulho da participação do meu pai. Ali a ONU estava começando, o mundo tinha acabado de sair de uma grande guerra e a Organização estava tentando estabelecer acordos, reconstruir a paz. É um grande orgulho saber que o Brasil tinha um grande destaque nisso”, relata Guilherme.
A coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks, destaca a importância do Brasil na diplomacia internacional e do filme. “Conhecemos, por documentos históricos, a participação do Brasil na fundação da Organização das Nações Unidas e acompanhamos, por décadas, esse protagonismo se materializar em forma de acordos que ajudaram a construir e até hoje guiam as ações da ONU em todo o mundo, como a própria Agenda 2030. Ter a oportunidade de assistir a uma pequena parte desse processo nesse vídeo é emocionante”.
Digitalização – O achado da família coincide com a recente capacitação do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (LUPA-UFF) para digitalização de filmes. Inaugurado em 2017, o LUPA é o único espaço do tipo a operar dentro de uma universidade e foi só no ano passado que conseguiu os equipamentos necessários para digitalizar filmes como este. Focado em rastrear vídeos amadores e que remontem pedaços da história do Rio de Janeiro, o LUPA é comandado pelo professor Rafael de Luna Freire. Foi para ele que a família Strauch entregou a cópia de “O Brasil nas Nações Unidas” para digitalização e restauração.
“A gente deu sorte porque filmes para durarem precisam ser guardados em baixa umidade e temperatura, sob condições estáveis. E este estava em relativo bom estado, até porque não foi muito exibido e ficou na lata por muito tempo, guardado no mesmo lugar”, explica o professor.
Conteúdo - Contente com a surpresa de encontrar tantos nomes famosos envolvidos na produção, o especialista em cinema avalia que a peça documental seja um cinejornal – formato popular de informativos que eram exibidos em cinemas antes das atrações principais, numa época em que a televisão ainda não era parte da rotina das famílias.
“Esse é um típico filme feito nesse contexto, onde cada audiovisual estrangeiro precisava ser exibido com um complemento nacional junto. Mas como historicamente os exibidores dos filmes não remuneravam os produtores pela criação destes curtas, era preciso que os produtores procurassem outras formas de financiar esses informativos”, explica Freire. “Geralmente este financiamento vinha em forma de propaganda ‘disfarçada’, tanto para empresas privadas como órgãos públicos etc. Era muito comum na época cinejornais como este trazerem esse tom mais institucional.”
A aposta do professor é que o filme foi gravado originalmente em 35 milímetros e a cópia de 16 milímetros, considerada para fins amadores, entregue para a família Strauch como forma de agradecimento pela participação.
Agora que as imagens foram digitalizadas, o LUPA ficou responsável pela preservação do rolo original, podendo exibir o conteúdo em sessões online. Com autorização da família Strauch e do LUPA, o filme completo “O Brasil nas Nações Unidas” também pode ser visto nos canais digitais da ONU.
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29 abril 2022
Cartazes sobre audiência de custódia são traduzidos para línguas indígenas
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) está divulgando um material informativo sobre audiência de custódia nas línguas Nheengatu, Baniwa e Tukano. Oito cartazes foram traduzidos em parceria com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e com o Instituto Socioambiental (ISA) a partir das versões em português lançadas em 2021. A ampliação da tradução para outras línguas já está em debate.
Além de informações sobre os passos desde o momento da prisão até a audiência de custódia, os cartazes abordam temas como direitos das pessoas presas, medidas cautelares, monitoração eletrônica, trabalho, renda e educação, saúde, moradia e benefícios socioassistenciais e prevenção a maus-tratos e a violência.
A ação de qualificação e expansão das audiências de custódia integra o programa Fazendo Justiça, fruto da parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP/DEPEN), para incidir em desafios no campo da privação de liberdade. O programa tem a parceria do UNODC no fortalecimento das audiências de custódia em quase todos os estados. Desde 2015, quando foram iniciadas no Brasil, o CNJ contabiliza pelo menos 900 mil audiências de custódia realizadas no país.
Construindo pontes- Segundo dados mais recentes do Departamento Penitenciário Nacional, o Brasil tem cerca de 670 mil pessoas privadas de liberdade, sendo 3,1 mil pessoas indígenas. No entanto, em regiões com população predominantemente indígena a barreira linguística foi identificada como uma das maiores dificuldades para a promoção dos direitos de pessoas custodiadas.
“Eliminar barreiras linguísticas aos povos indígenas vai além do respeito à diversidade, representando um necessário alinhamento a normativas nacionais e internacionais para que essas brasileiras e esses brasileiros conheçam os seus direitos”, explica o supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ, conselheiro Mauro Martins.
Em 2019, o CNJ aprovou a Resolução n. 287/2019 sobre pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade que, entre outras coisas, aborda a necessidade de intérpretes em diferentes etapas processuais.
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29 abril 2022
Agricultoras de AL, MG e MS vencem prêmio para mulheres rurais
Coletivos de mulheres de Alagoas, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul foram os vencedores da primeira edição do Prêmio Mulheres Rurais – Espanha Reconhece. O objetivo do concurso é dar destaque às experiências que incentivem a autonomia econômica das mulheres rurais para promover a igualdade de gênero, aumentar a visibilidade delas e valorizar a diversidade como matriz do desenvolvimento econômico, social e cultural.
O Prêmio é promovido pela Embaixada da Espanha em parceria com a representação brasileira do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a ONU Mulheres. As vencedoras receberam valores destinados a melhorar os seus empreendimentos. O primeiro lugar recebeu R$ 20 mil, o segundo, R$ 10 mil e o terceiro, R$ 5 mil. Além dos recursos financeiros, a premiação inclui assessoria para os negócios, capacitação e equipamentos.
Lançado em outubro do ano passado no Brasil, no marco do Dia Internacional das Mulheres Rurais (15/10), o prêmio recebeu 482 inscrições de coletivos de mulheres que trabalham pela autonomia econômica das produtoras. Foram inscritos projetos de agricultoras, pescadoras, indígenas, quilombolas e extrativistas de todos os estados brasileiros, principalmente dos estados do nordeste, que têm grande parte do território inserido no semiárido, que concentra elevados índices de pobreza rural.
Contexto - As mulheres produzem cerca da metade dos alimentos e representam 43% da mão de obra agrícola, mas ainda têm seu papel e importância negligenciados e estão fora dos principais espaços de decisão. No geral, as mulheres no campo também têm mais dificuldade de acesso à terra, ao crédito e a cadeias de alto valor, essenciais para sua subsistência e para o bem-estar das comunidades.
Trabalhar pela igualdade entre mulheres e homens no campo, reconhecendo o papel delas como beneficiárias e agentes para o desenvolvimento sustentável, é fundamental para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.
“A Covid 19 mostrou que as crises são sofridas com particular incidência pelos grupos mais desfavorecidos, como mulheres e meninas. Quero destacar o compromisso da Espanha nesta área. Somente a liderança feminina e a participação das mulheres em igualdade de condições na vida política, econômica e social alcançarão a verdadeira transformação de nossos países. Não devemos esquecer que feminismo, paz e justiça social são inseparáveis”, disse o embaixador da Espanha no Brasil, Fernando Garcia Casas. “A maior semente transformadora do campo é a igualdade”, completou.
Em sua fala, a representante da ONU Mulheres no Brasil, Anastasia Divinskaya, chamou a atenção para a falta de reconhecimento ao trabalho das trabalhadoras do campo. “É imprescindível que se invista na autonomia econômica das mulheres rurais, de forma a promover o trabalho decente e o acesso equitativo a recursos, bem como proteção de seus direitos ao incentivar sua liderança e participação na construção de leis e políticas que afetam as suas vidas”, comentou.
“As mulheres rurais têm um papel central para a agricultura mundial e ainda sim possuem acesso limitado a terras, água e renda, o que é uma violação dos seus direitos humanos básicos. Isso é consequência da falta de reconhecimento do trabalho, muitas vezes não remunerado, desempenhado por essas mulheres, o que leva a sua invisibilização e desvalorização” afirmou a representante da ONU Mulheres.
Valorização - “Na América Latina, estima-se que cerca de 40% das mulheres que vivem no campo não têm renda própria. No caso dos homens, são 14% nesta situação. Além disso, menos de um terço das mulheres rurais possuem a titularidade da terra em que elas moram. Outro desafio que temos que superar é a ausência de reconhecimento ao trabalho realizado pelas mulheres”, disse o representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado.
A premiação acontece em um momento chave para a recuperação pós-COVID-19. Segundo a FAO, os efeitos da pandemia incidiram de maneira desproporcional na capacidade produtiva, reprodutiva e de geração de renda das mulheres rurais, porque tende a reduzir suas oportunidades econômicas e acesso a alimentos nutritivos, ao mesmo tempo em que aumenta sua carga de trabalho e intensifica a violência de gênero.
“Fortalecer a liderança feminina no campo e desenvolver ações afirmativas é chave para um mundo pós-pandemia com maior promoção da autonomia econômica, eliminação da pobreza, aumento da produtividade, igualdade de acesso aos mercados e maior segurança alimentar e nutricional. Só assim seremos capazes de transformar verdadeiramente nossos sistemas agroalimentares”, explicou o representante adjunto da FAO no Brasil, Gustavo Chianca.
Coletivos vencedores
1º Lugar – Mulheres em Ação de Jequiá da Praia (Jequiá da Praia/AL)
O grupo formado por 50 mulheres articula um empreendimento sustentável voltado para a melhoria da qualidade de vida de pescadoras, marisqueiras e artesãs nas comunidades ribeirinhas. Uma de suas atividades é o reaproveitamento do resíduo do siri, que promove a segurança alimentar e tornou-se fonte de renda e referência no município. O projeto também contribui para despoluir a lagoa de Jequiá por meio da coleta dos resíduos. “Ainda não estou acreditando que ganhamos esse prêmio”, confessou Eliane Faria de Souza, de 41 anos. Ela conta que soube do concurso em um grupo de que participa no WhatsApp. “Assim que soubemos que tiramos o primeiro lugar, juntamos 40 mulheres da comunidade”, contou Josineide Pereira, 42 anos, ambas produtoras rurais do projeto vencedor. Elas contam que, com o dinheiro da premiação, pretendem comprar um barco a motor e um freezer para o projeto.
2º Lugar – Associação Comunitária dos Produtores Panelinhenses (Miravania/MG)
Por meio da colheita de frutas e da produção artesanal de alimentos como sucos, queijo e doces, a associação de dez mulheres fortalece a economia local e contribui para reduzir a insegurança alimentar de dezenas de famílias. Além da oportunidade da geração de renda, o empreendimento incentiva mudança de hábitos alimentares e promove práticas sustentáveis no reaproveitamento das sementes das frutas. “Fiquei muito surpresa. Nos inscrevemos com a ajuda de um amigo e da Emater, mas não esperava estar entre as vencedoras”, disse Marineide Alves Santos, de 41 anos. “Estamos nos sentindo uma celebridade. Há 15 dias, comentei que tinha o sonho de viajar de avião e hoje estou aqui e vim a Brasília de avião pelo projeto. Estou muito feliz”, comemorou Raimunda Pereira Nascimento, de 60 anos, ambas trabalhadoras da associação.
3º Lugar – Associação das Mulheres da Terra (Terenos/MS)
Com olhar inovador para a realidade do desperdício de alimentos durante a pandemia, o grupo de 30 mulheres se uniu para discutir as possibilidades de transformar o desperdício de frutas, legumes e verduras que acontece no hortifrúti em oportunidade. A iniciativa virou fonte de renda para as mulheres engajadas no projeto e hoje conta com a participação de 20 famílias que trabalham para o reaproveitamento de alimentos. “O valor que recebemos é importante para o projeto, mas ainda mais importante é o reconhecimento que pode chegar a ser internacional”, constatou Dalvina Helena Souza, de 59 anos. “A visibilidade é o que nos causa mais emoção”, completou Cleonilda Rodrigues, de 50 anos. Elas contaram que pretendem usar o dinheiro do prêmio para adquirir um ar condicionado para o local de trabalho e investir em serviço social.
Menções - Sete coletivos finalistas receberam uma menção especial e terão direito a um curso, na modalidade ensino à distância, voltado para o empoderamento pessoal e econômico das mulheres rurais – por parte da OEI, um certificado de reconhecimento internacional e publicações técnicas das instituições promotoras relacionadas às questões de gênero, igual que todas as iniciativas válidas apresentadas.
Os coletivos são os seguintes: Rede Mães do Mangue (PA), Guardiãs do Cacau (PA), Sacolas Camponesas (PR), Mulheres do GAU - Agricultura e Culinária Orgânica (SP), Empório da Chaya (RJ) Mulheres quilombolas: luta e resistência no Quilombo Peropava (SP), Produção Artesanal de Azeite de Babaçu: Grupo de Mulheres e Extrativistas de Centro do Coroatá (MA).
A cerimônia de premiação contou com a moderação da jornalista e militante feminista Mara Régia, que chegou a ser indicada ao Nobel da Paz em 2005. Ela é produtora e apresentadora do tradicional programa Viva Maria, da Rádio Nacional, transmitido há 40 anos para nove estados da Amazônia Legal.
Parcerias - O concurso contou com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), da Organização dos Estados Ibero - Americanos (OEI), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Serviço Social do Comércio (Sesc) e da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) e da Rural Commerce, e com o patrocínio das empresas espanholas Acciona, Indra, Mapfre, Josep Llorens e Cmr Fruits.
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29 abril 2022
PNUD e Ministério do Meio Ambiente promovem projeto Floresta+ Amazônia
Representantes de órgãos públicos estaduais e federais do Amazonas e da sociedade civil do estado participaram, nesta semana, de reuniões e atividades com a equipe técnica do Floresta+ Amazônia, em Manaus. O objetivo da missão à cidade foi aprofundar as parcerias com as instituições que apoiam as ações conjuntas do Ministério do Meio Ambiente e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), acelerar a estratégia de divulgação junto ao público-alvo e apresentar, de forma detalhada, os editais e chamada pública do projeto a grupos interessados.
O Floresta+ Amazônica desenvolve estratégias de pagamentos por serviços ambientais, até 2026, como reconhecimento pelo trabalho de pequenos produtores, proprietários ou possuidores de imóveis rurais, também apoiando projetos de povos indígenas e de comunidades tradicionais e ações de inovação com o foco no desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal.
Em reunião no Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas do Amazonas, na última quarta-feira (27), a estratégia de implementação do projeto foi discutida com representantes da Secretaria do Meio Ambiente, do Instituto de Proteção Ambiental (Ipaam) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os participantes debateram sobre temas centrais para o projeto, como o Cadastro Ambiental Rural e a consolidação de ações de preservação e recuperação de vegetação nativa.
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Juliano Valente, o projeto fortalecerá diversas atividades de conservação da vegetação nativa na região. “É uma oportunidade, de fato, para fundir as ações de conservação, mostrando que há um investimento, e há interesse, principalmente em priorizar a recuperação e preservação dessas áreas. Agradeço pelo estabelecimento dessa relação positiva. Isso tudo, para o Sistema de Meio Ambiente, tende a agregar da melhor forma possível”, afirmou.
População - A equipe do projeto também se reuniu com representantes de organizações de povos indígenas e comunidades tradicionais (PIPCTs) e de potenciais organizações parceiras para a implementação de projetos locais. O foco do encontro foi a divulgação dos editais da modalidade Floresta+ Comunidades, que selecionarão ideias de projetos de PIPCTs (inscrições até 26/05) e instituições para auxiliar na execução das ideias propostas pelas comunidades (inscrições até 03/06).
Na avaliação da coordenadora da Unidade de Gerenciamento do projeto no PNUD, Andrea Bolzon, por meio das parcerias com as instituições locais os beneficiários e beneficiárias poderão acessar as informações do projeto de maneira eficaz.
“A atuação conjunta com parceiros locais é essencial para ampliarmos o alcance do projeto junto ao nosso público-alvo. Assim, conseguiremos difundir melhor as ações para a conservação da vegetação nativa no Amazonas e chegaremos em nossos beneficiários e beneficiárias de forma mais efetiva. O apoio local tem sido fundamental nesse sentido”, disse.
Parceria - Desde 2021, o Floresta+ Amazônia e o Governo do Amazonas trabalham em conjunto para fortalecer a implementação do projeto na região, ampliar ações de divulgação e dialogar com os potenciais beneficiários (as). Por meio da parceria, foi estabelecido um posto de atendimento do projeto no Ipaam, com equipe local.
A seleção de beneficiários (as) para a modalidade Floresta+ Conservação do projeto está aberta até 30 de junho. Podem participar pequenos produtores (as) e proprietários (as) e possuidores (as) de imóveis rurais na Amazônia Legal. Os (as) beneficiários (as) selecionados (as) receberão recursos pela conservação da vegetação nativa além do mínimo exigido por lei. Para acessar o edital completo, clique aqui.
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29 abril 2022
OMS alerta para presença de Salmonella em chocolate
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta quarta-feira (27) informando que mais de 150 casos de salmonelose estão em investigação em 11 países, após as pessoas terem consumido chocolate contaminado. Na última segunda-feira, a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido divulgou 65 casos de contaminação pela bactéria Salmonella (S.) Typhimurium em chocolates Kinder, produzidos na Bélgica. O produto é distribuído em pelo menos 113 países.
O alerta sanitário da OMS confirma que há suspeitas também na Bélgica (26), França (25), Alemanha (10), Irlanda (15), Luxemburgo (1), Holanda (2), Noruega (1), Espanha (1), Suécia (4), Reino Unido (65) e Estados Unidos da América (1), o que levou a marca a fazer um recall global. Do número de pessoas contaminadas, as crianças menores de 10 anos foram as mais afetadas, representando cerca de 89% dos casos. Até o momento, os dados confirmam que nove pacientes foram hospitalizados e nenhuma fatalidade foi registrada.
Os primeiros relatos de contaminação datam de dezembro, confirmando a origem do patógeno na cidade belga de Arlon, em tanques de leitelho de uma fábrica da Ferrero Corporate. Por este motivo, a agência da ONU considerou o risco de propagação na Europa e no mundo como moderado “até que haja informações disponíveis sobre o recall total dos chocolates”.
Através de sequenciamento genético foi possível identificar que esta cepa é resistente a seis tipos de antibióticos. No entanto, os sintomas da salmonelose são relativamente leves e os pacientes se recuperam sem tratamento específico, na maioria dos casos. Os riscos são maiores para algumas crianças e pacientes idosos, para os quais uma possível desidratação pode tornar o quadro grave.
Sintomas - A doença pode durar entre dois e sete dias. Os sintomas que aparecem entre seis e 72 horas incluem febre aguda, dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia que pode ser hemorrágica como foi relatado na maioria dos casos no surto atual.
A doença surge após consumo de água contaminada ou alimentos de origem animal, principalmente ovos, carnes, aves e leite. A transmissão de pessoa para pessoa também pode ocorrer por via fecal-oral.
A OMS informa ainda que a salmonelose ocorre com frequência em animais domésticos, como gatos, cães, pássaros, répteis e tartarugas, bem como em silvestres, como aves, suínos e bovinos.
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29 abril 2022
Refugiados celebram integração no carnaval do Rio de Janeiro
Uma potente mistura de emoções e energia encheu o ar do sambódromo do Rio de Janeiro enquanto os integrantes da escola de samba do Salgueiro esperavam o começo do desfile de carnaval. Para 20 deles, o momento foi particularmente emocionante: pessoas refugiadas de Angola, Marrocos, República Democrática do Congo, Síria e Venezuela entraram na avenida pela primeira vez.
O Salgueiro, cujo tema do desfile deste ano foi a luta contra o racismo, convidou o grupo para o desfile a partir de uma parceria com o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, para promover a integração de pessoas refugiadas ao país e passar uma mensagem de solidariedade. Eles se comprometem a participar de ensaios regulares e também a aprender – e cantar – a música da escola. O esforço valeu a pena: a escola ficou em 6o lugar e eles retornam para o sambódromo no Desfile das Campeãs, no dia 30 de abril.
“Para a maioria das pessoas, ser um refugiado parece algo triste, mas isso é pura felicidade”, disse Yves Abdalá, congolês de 30 anos, ofegante depois de dançar no sambódromo vestindo um pesado traje de inspiração rastafári. “Atuar com outros refugiados de todo o mundo me encheu de energia”, completou.
Ingrid Bucan, uma cabeleireira de 47 anos que vendeu tudo para fugir da Venezuela, relatou que o desfile confirmou os sentimentos calorosos que tem pelo Brasil. Ela chegou ao país em 2020 com o marido, filhos e netos e recebeu assistência para se reerguer, incluindo aulas de português e sessões de terapia. A família dela integra o grupo de 72 mil venezuelanos realocados de Roraima para outras partes do país como parte da estratégia de interiorização, executada pelo governo brasileiro com apoio do ACNUR para ajudá-los a ter melhor acesso a empregos e habitação.
Embora admita que aprender a sambar tenha sido particularmente difícil, Ingrid disse que não poderia pensar em uma maneira melhor de comemorar a chegada à nova cidade de moradia, o Rio: “O Brasil me ensinou muito. Tenho orgulho de ter representado todas as pessoas refugiadas do mundo no carnaval. Dançar ao lado de outros refugiados me deixou muito grata”.
Para Jose Egas, representante do ACNUR no Brasil, o país sempre acolheu pessoas refugiadas de diferentes nacionalidades. “O Brasil é formado por uma mistura de raças e culturas. E as pessoas refugiadas querem recomeçar, contribuir e se sentirem inseridas na sociedade. A participação delas no desfile do Salgueiro representa esta integração e mostra que não devemos deixar ninguém para trás”.
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