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08 outubro 2026
“Os Capacetes Azuis da ONU são uma fonte de esperança”
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08 outubro 2026
Guterres: “O sistema postal é um dos exemplos mais antigos de multilateralismo em ação”
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08 outubro 2026
Aldeia do Espraiado em Maricá (RJ) é reconhecida pelo ONU-Habitat com o Prêmio Pergaminho de Honra 2026
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Discurso
03 setembro 2026
Paz e Tolerância nas Eleições 2026
Bom dia a todas e todos e muito obrigado pelo convite. Muito me engrandece representar o Sistema das Nações Unidas no Brasil neste evento. Em nome de nosso secretário-geral, cumprimento:Senhor Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal;Senhor Ministro Nunes Marques, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Senhor Ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Alexandre Espinosa, da Procuradoria-Geral Eleitoral;Sidney Neves, do Conselho Federal da OAB;Autoridades presentes;Representantes das instituições religiosas, da sociedade civil e das organizações parceiras. Senhoras e senhores,É uma honra para as Nações Unidas participar deste momento em que instituições tão diversas se reúnem para firmar um compromisso com a paz, com o diálogo e com a democracia.Estive recentemente em outros eventos promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral em preparação para as eleições e fiquei muito impressionado com o preparo, a seriedade e a inovação do sistema eleitoral do país. Gostaria de deixar registrado um reconhecimento ao papel fundamental desta Corte na construção e na proteção da democracia brasileira.O Brasil possui uma das maiores democracias eleitorais do mundo. Ao longo de décadas, o país construiu instituições eleitorais sólidas, um sistema de votação reconhecido internacionalmente e uma capacidade extraordinária de organizar eleições de grande escala, de forma segura, transparente e eficiente.As eleições brasileiras são, portanto, motivo de orgulho não apenas para o Brasil, mas também para todos aqueles que, no mundo, trabalham pela democracia e pelo Estado de Direito.E é justamente porque a democracia brasileira é forte que iniciativas como esta são tão importantes.A democracia não se restringe ao ato de votar. Democracia é também conviver, ouvir, respeitar. É aceitar a diversidade de opiniões e construir caminhos a partir da divergência. Para isso, precisamos reconhecer no outro — inclusive naquele que pensa diferente de nós — um cidadão ou uma cidadã com os mesmos direitos.É nesse espírito que a iniciativa “Paz e Tolerância nas Eleições” ganha um significado especial. A democracia precisa de instituições fortes, mas também precisa de uma cultura democrática. E essa cultura é construída todos os dias — nas escolas, nas famílias, nas comunidades, nas redes sociais, nas igrejas e organizações religiosas, nos espaços públicos e nas relações entre cidadãos.Por isso, o pacto que hoje será celebrado tem um valor que vai muito além do período eleitoral. Ele reafirma que divergência não precisa significar hostilidade e que convicções diferentes podem e devem coexistir, sem animosidade ou violência. É daí que sai a riqueza do debate político, que deve, sempre, ser um espaço para que possamos desenhar coletivamente o nosso futuro comum.A visão das Nações Unidas sobre democracia parte exatamente dessa premissa.Para a ONU, a democracia é um princípio universal, indivisível e interdependente dos direitos humanos, do desenvolvimento e da paz. A democracia pertence aos povos, e seu fundamento está na vontade livremente expressa das pessoas. Como estabelece o artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: a vontade do povo deve ser a base da autoridade do governo, expressa por meio de eleições legítimas e periódicas.Mas, para que essa vontade possa ser verdadeiramente manifestada, é preciso garantir as condições que tornam a democracia possível. Cito aqui algumas: liberdade de expressão; liberdade de reunião e associação; participação; igualdade; acesso à informação.E para alcançarmos tudo isso, precisamos de instituições com condições e coragem de proteger os direitos de todas as pessoas, especialmente daquelas que historicamente enfrentam maiores barreiras para participar plenamente da vida pública.Por isso, a democracia e os direitos humanos caminham juntos.Da mesma forma, democracia e paz também caminham juntas. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável traduz essa conexão de maneira muito clara no ODS 16, que nos convoca a promover sociedades pacíficas, garantir acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.Eleições são, por definição, momentos em que precisamos administrar a diferença. É natural — e até saudável — que existam projetos políticos distintos, visões diferentes sobre o futuro do país e debates intensos sobre as escolhas que precisam ser feitas.O desafio democrático é garantir que essas diferenças possam ser expressas, debatidas e decididas de maneira pacífica e harmoniosa, afinal, ninguém possui o monopólio da verdade e ninguém deve ser privado do direito de participar porque pensa diferente.O secretário-geral das Nações Unidas tem enfatizado essa dimensão da democracia. Como ele afirmou:“A democracia é movida pela vontade do povo — pelas suas vozes, pelas suas escolhas e pela sua participação. Prospera quando os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todas as pessoas são respeitados — especialmente das mais vulneráveis.”E essa mensagem é particularmente importante no momento que vivemos.Ainda nas palavras do secretário-geral: “Num momento em que a democracia e o Estado de Direito estão sob ataque através da desinformação, da divisão e da redução do espaço cívico, estes esforços são mais vitais do que nunca.”Hoje, uma das grandes ameaças à convivência democrática não está apenas nos conflitos que acontecem no mundo físico. Ela também se manifesta no ambiente digital.A desinformação pode corroer a confiança nas instituições, a manipulação pode aprofundar divisões, e o discurso de ódio pode transformar adversários políticos em inimigos. Sabemos ainda que a violência verbal pode, em determinadas circunstâncias, abrir espaço para a violência física.Por isso, defender eleições pacíficas é também defender um ambiente público em que as pessoas possam receber informação confiável, formar suas próprias opiniões e participar do debate sem medo, intimidação ou violência.É uma responsabilidade que cabe às instituições, mas que também exige a participação de toda a sociedade. E é exatamente por isso que a presença das instituições religiosas e das organizações da sociedade civil nesta iniciativa é tão significativa.Essas instituições têm uma presença profunda e capilarizada nas comunidades brasileiras. Elas estão próximas das pessoas, conhecem suas realidades e podem desempenhar um papel fundamental na promoção do diálogo, da solidariedade e da não violência.É também nesse espírito que as Nações Unidas trabalham no Brasil. Nosso papel não é escolher candidatos, partidos ou projetos políticos. Nosso papel é apoiar os princípios que permitem que os cidadãos façam suas próprias escolhas livremente, promover os direitos humanos, fortalecer a participação, e combater a discriminação, sempre respeitando plenamente a soberania nacional. Senhoras e senhores,Às vésperas de mais um processo eleitoral, talvez a mensagem mais importante que possamos transmitir seja simples: a democracia não exige que concordemos uns com os outros; ela exige que sejamos capazes de conviver uns com os outros.Que possamos fazer deste período eleitoral uma celebração da participação cidadã e do diálogo, para lembrarmos que, acima de nossas diferenças políticas, existe algo que compartilhamos: o compromisso com uma sociedade em que todas as pessoas tenham o direito de participar e de ajudar a decidir o futuro do seu país.As Nações Unidas estão honradas em estar ao lado do Tribunal Superior Eleitoral e de todas as instituições aqui presentes nesta jornada.Muito obrigado.Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre democracia.
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História
18 maio 2026
“Nós, os povos das Nações Unidas”
2025 foi ano de celebrar os 80 anos de parceria do Brasil com as Nações Unidas para a promoção da paz, do desenvolvimento, da igualdade e dos direitos humanos. O Brasil teve um papel de liderança nas negociações internacionais que ergueram as Nações Unidas sobre as cinzas e a devastação da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).Desde então, a ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta. Para celebrar essas oito décadas de parceria, em todo o Brasil, celebramos, o Dia das Nações Unidas foi lembrado por pessoas e instituições que, junto com a ONU, defendem e lutam pela paz, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável, sem deixar ninguém para trás.Exposição de fotosO Ministério das Relações Exteriores e a ONU Brasil inauguraram, em 14 de outubro, a exposição “Construindo Nosso Futuro Juntos”, em alusão aos 80 anos de criação da Organização das Nações Unidas. A abertura ocorreu em solenidade realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília, com a participação da vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, e a ministra substituta das Relações Exteriores, Embaixadora Maria Laura da Rocha.“A cooperação é o maior ato de coragem da humanidade. Agradeço ao governo do Brasil por tornar esta exposição possível; ela conta a história de como o mundo escolheu o multilateralismo,” afirmou a vice-chefe das Nações Unidas, Amina J. Mohammed no Palácio Itamaraty.“É com muita alegria que o Itamaraty abre suas portas para receber esse evento em celebração dos 80 anos da ONU,” disse a Embaixadora Maria Laura da Rocha na cerimônia de abertura da exposição. A exposição foi organizada pelo Escritório de Coordenação das Nações Unidas no Brasil e reuniu 80 fotos de duas mostras realizadas em Nova Iorque por ocasião dos 80 anos da ONU. A primeira parte apresentou 36 fotos históricas de “Revivendo o espírito de São Francisco”, exposição que resgatou os ideais que uniram a humanidade em seu momento mais sombrio. A segunda parte trouxe 32 fotos da exposição “Vidas compartilhadas, futuro compartilhado”, com imagens do presente que mostram o trabalho cotidiano das Nações Unidas e o impacto duradouro do multilateralismo construído em 1945. A mostra foi completada por 12 fotos do acervo das agências especializadas, fundos e programas da ONU no Brasil.Paz por todo ladoA ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta.Para levar a celebração dos 80 anos para todo o Brasil, a ONU convocou Prefeituras, organizações da sociedade civil e instituições de ensino de todo o país a organizar eventos para marcar o 80º aniversário de fundação da ONU.Milhares de pessoas participaram de 56 eventos organizados em 41 cidades de 16 estados de todas as regiões do Brasil. Ecoando a criatividade e a alegria do povo brasileiro, as celebrações aconteceram nos mais variados formatos, desde saraus e oficinas culturais até caminhadas e ações de recuperação da natureza. As celebrações contaram com mais de 12.000 participantes presenciais e mais de 142.000 em eventos online. A ONU Brasil preparou um catálogo digital com fotos e vídeos das celebrações que tomaram conta do Brasil em 2025. A participação de cidades brasileiras reforçou que a sustentabilidade se ancora nas cidades e comunidades, e destacou a importância do multilateralismo, da Agenda 2030 e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).“Apesar de sermos uma instituição presente em todo o mundo, é no nível local que está o verdadeiro impacto da ONU. É nos municípios que vemos como nosso trabalho ajuda a melhorar a vida das pessoas em áreas como educação, inclusão, saúde, promoção da igualdade, emprego e renda”, afirma a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse o Relatório Anual das Nações Unidas no Brasil 2025.
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História
21 maio 2026
“Resolvendo a habitação resolvemos 50% dos problemas – porque tudo começa na habitação”
Em meio às ilhas vulcânicas de Cabo Verde, arquipélago próximo à costa noroeste do continente africano, se encontra o município de São Domingos. Marcado por paisagens que vão das praias às montanhas, seus 14 mil habitantes vivem principalmente na zona rural, em atividades como agricultura e pesca. “É um povo resiliente e trabalhador. Existe esse sentimento de que qualquer pessoa, com qualquer rendimento, tem o poder de construir sua habitação, mesmo que seja com pouco”, conta o arquiteto e urbanista Marco Aurélio Furtado.Hoje com 36 anos, Marco é nascido em São Domingos, o segundo de quatro filhos. Ele cresceu em meio a uma comunidade vibrante e um ambiente familiar seguro, que compartilhava de um sonho: ampliar a casa, pequena para seis pessoas. Marco, que já tinha gosto por desenho, viu o projeto de ampliação da casa tomar forma – e, com ele, a vontade de cursar arquitetura e urbanismo. Foi quando fez do Brasil seu segundo lar. Em 2008, passou na Universidade Federal de Minas Gerais e morou cinco anos em Belo Horizonte. “O sonho de qualquer estudante em Cabo Verde era estudar na Europa ou no Brasil – mas o meu sempre foi o Brasil, pelo calor humano e pela proximidade das pessoas”, conta. Sua experiência foi marcada não apenas por um grande acolhimento, mas por observar, na prática, a extensão das semelhanças entre os dois países – da cultura aos desafios enfrentados em sua área de estudos. “A ligação que nós temos com o Brasil é surpreendente – os brasileiros às vezes não têm essa noção, mas temos um contato cultural direto”. Para ele, a única diferença entre o contexto brasileiro e sua terra natal era a escala dos problemas enfrentados. E com essa bagagem voltou a São Domingos para exercer a arquitetura. Em 2020, ele passou no concurso da Câmara Municipal de São Domingos – o equivalente cabo-verdiano das prefeituras brasileiras – e se tornou Diretor de Gabinete Técnico. No cargo, ele apoia o desenvolvimento de projetos de urbanismo, saneamento, obras de infraestrutura, espaços públicos e moradia. Na habitação, um dos desafios que enfrenta é a autoconstrução: pessoas que constroem ou reformam suas casas de modo improvisado, gerando problemas estruturais a longo prazo. Como arquiteto, ele hoje remonta ao fascínio com o projeto da casa dos pais para dar assistência técnica a projetos e orçamentos para pessoas de baixa renda, apoiando em pequenas obras como reforma dos telhados e ampliação das casas.Nesse contexto, um novo capítulo de troca com o Brasil se iniciou em 2024, por meio de uma cooperação técnica entre os dois países com o foco de contibuir para a redução do déficit habitacional em Cabo Verde: o Simetria Urbana, programa de cooperação Sul-Sul da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério de Relações Exteriores (MRE), desenvolvido em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), e com o Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação de Cabo Verde (MIOTH).Entre 2024 e 2025, o programa promoveu o intercâmbio de conhecimentos e a construção conjunta de soluções voltadas ao fortalecimento das políticas habitacionais e urbanas em Cabo Verde em eixos que abarcaram diferentes níveis de governo e instituições. No Brasil, se somaram ao projeto a Secretaria Nacional de Habitação e a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), a Fundação João Pinheiro (FJP) e a Caixa Econômica Federal (CAIXA). Do lado cabo-verdiano, além da Direção Geral da Habitação do MIOTH, participaram o Instituto Nacional de Gestão do Território (INGT), a empresa pública Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH) e as Câmaras Municipais de São Domingos, São Miguel e Sal.Nesse período, foram realizadas três visitas da delegação brasileira a Cabo Verde e uma missão da delegação cabo-verdiana ao Brasil. Marco Aurélio acompanhou a iniciativa desde o princípio. Em julho de 2024, ele foi convidado pelo Governo de Cabo Verde para participar da primeira agenda no país, cujo objetivo era desenhar o escopo da cooperação. Na sequência dos trabalhos, em março de 2025, ele teve a oportunidade de voltar ao Brasil depois de 12 anos. Integrou a delegação que visitou uma série de municípios paulistas para conhecer boas práticas em temas como planejamento habitacional, trabalho social, gestão de condomínios e Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS).“Eu tinha muita vontade de regressar ao Brasil depois de tantos anos; fiquei muito honrado. Conhecer trabalhos em outros municípios foi a melhor parte. A meu ver, o Brasil tem uma das melhores políticas habitacionais do mundo, porque é muito bem estruturada. Foi surpreendente ver a capacidade de mobilização da população em tantas ações em contextos diferentes: em vários bairros, municípios, quilombos, mutirões”, ele explica. Na ocasião, ele também apresentou o cenário de seu município. “Houve uma troca com ganhos de ambas as partes em práticas que fizemos e precisam ser melhoradas”. Dentre as várias frentes do programa para apoiar o enfrentamento às questões de moradia, a principal contribuição para São Domingos foi o suporte no desenvolvimento do Plano Municipal de Habitação – um documento de planejamento voltado a endereçar os problemas de moradia locais por meio de um diagnóstico da situação existente e um plano de ações concretas. A iniciativa se conecta ao Plano Nacional de Habitação, de modo que a estrutura municipal dialogue com a nacional para atingir seus objetivos de forma integrada. Para isso, Marco Aurélio participou, entre abril e dezembro, de todas as sessões técnicas do projeto, voltadas a acompanhar o trabalho dos municípios participantes – São Domingos e São Miguel. Ele acompanhou de perto o desenvolvimento do plano, que tomou forma e é um dos resultados concretos do programa, finalizado em dezembro.Atualmente, o plano está em fase de aprimoramento. Posteriormente, ele passará por uma ampla consulta pública municipal, para que então seja homologado e vire um instrumento permanente de planejamento da cidade. Para o Ministério das Cidades, que acompanhou os municípios na elaboração dos planos, a cooperação com Cabo Verde mostrou como o diálogo entre países do Sul Global pode fortalecer soluções construídas a partir dos territórios. “O Brasil contribuiu compartilhando experiências calcadas na tradição municipalista e participativa que marcou o fortalecimento da agenda urbana e habitacional no país, como metodologias de levantamento de necessidades habitacionais e de planejamento local”, ressalta a coordenadora-geral de Assuntos Estratégicos da Secretaria Nacional de Habitação, Julia Lins Bittencourt. “A gente apoiou a construção dos diagnósticos habitacionais, a definição de prioridades e a organização do planejamento a partir do território. Os planos desenvolvidos são um passo importante para fortalecer o planejamento habitacional no nível municipal e criar base para a implementação de políticas mais estruturadas”, complementa a coordenadora-geral de Articulação e Planejamento da Secretaria Nacional de Periferias, Luana Alves de Melo. Para Marco, o plano aponta para um horizonte positivo, em que será possível acelerar soluções para promover a regularização fundiária e a assistência técnica para melhorar a qualidade das moradias na cidade: “Pela primeira vez o município de São Domingos está falando seriamente sobre habitação junto do governo. Temos muitos problemas ligados à habitação para serem resolvidos, e resolvendo a habitação resolvemos 50% dos problemas do município – porque tudo começa na habitação. Se uma pessoa tem uma moradia condigna, ela tem condições para fazer muitas outras coisas”. Além da discussão pelas soluções, o que também se acelerou por meio da cooperação foi a integração do tema da moradia entre os governos locais. Ele espera que muitas outras cooperações sigam sendo realizadas no país, sendo uma vitrine de Cabo Verde para o mundo e uma possibilidade de aprender com outras experiências.“Tudo que sou hoje é fruto da cooperação brasileira com Cabo Verde: estudei numa universidade brasileira e aprendi todo o conhecimento; voltei para contribuir para meu país e município; regressei em uma missão de tanta importância e recebi uma formação; voltei. Com isso, contribuí para um instrumento elaborado não pelos brasileiros mas com os brasileiros, um instrumento que nós próprios desenvolvemos, com DNA 100% cabo-verdiano. É um sentimento de muita gratidão, orgulho e alegria – e eu agradeço a cooperação brasileira por essa oportunidade”.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes e acesse a publicação “Simetria Urbana - Cabo Verde: Resultados e Perspectivas da Cooperação Sul-Sul Trilateral”
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História
09 setembro 2026
“Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito”
Há sete anos, Glaiddys deixou a Venezuela em busca de novas oportunidades. Os caminhos no Brasil convergiram em Pacaraima, cidade fronteiriça entre o Brasil e o país vizinho, onde encontrou no trabalho a possibilidade de recomeçar. Natural de Ciudad Bolívar, no estado de Bolívar, Glaiddys começou a trabalhar como cabeleireira aos 18 anos. Após ter experiência em diferentes salões, realizou o sonho de abrir o próprio negócio na Venezuela. Porém, as dificuldades no país a levaram a deixar para trás o salão, a casa e a família para uma nova vida. Ao chegar a Pacaraima, em Roraima, ela contou com o apoio da irmã e do cunhado para dar os primeiros passos. Enquanto conhecia a cidade e construía uma nova rede de contatos, trabalhou em dois salões de beleza até perceber que era hora de voltar a empreender. O desejo de ter um espaço próprio voltava a ganhar forma. Hoje, aos 50 anos, atende clientes em um salão montado em sua própria casa. Entre o ambiente acolhedor e o cuidado com cada detalhe, reencontrou na profissão a felicidade que sempre a acompanhou. “Eu sou feliz. Quando estou trabalhando, sou feliz. Amo este trabalho e não o trocaria por outro.” Mais do que estabilidade, Glaiddys busca aperfeiçoamento constante. Desde que chegou ao Brasil, aprendeu um novo idioma, participou de cursos e segue investindo em sua formação.Em 2025, Glaiddys recebeu apoio da iniciativa “Empreendedores em Movimento”, promovida pela Agência da ONU para as Migrações (OIM). Com a doação de equipamentos e insumos, como cadeiras, lavatórios, gaveteiros e outros materiais de trabalho, foi possível ampliar a estrutura do negócio e aprimorar o atendimento. “Comecei a estudar para me preparar melhor, porque para mim isso não é apenas um trabalho. É uma forma de transformar, cuidar e ajudar outras pessoas. Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito.” Hoje, o som do secador, as conversas que envolvem o espaço e a confiança das clientes seguem marcando a rotina de Glaiddys, que demonstra como os acessos a oportunidades para pessoas migrantes fortalecem a integração e autonomia. Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes!
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17 agosto 2026
ONU News entrevista novo coordenador residente da ONU no Brasil
A prioridade do novo líder da ONU Brasil, Igor Garafulic, é construir pontes entre a sociedade e o setor público para garantir um futuro mais justo e verde. Liderando 3,5 mil profissionais nas 25 entidades das Nações Unidas que atuam no Brasil, o novo coordenador residente aposta na força das parcerias multissetoriais para acelerar o desenvolvimento sustentável. Com quase 30 anos de experiência na ONU, Igor Garafulic já serviu em países como Azerbaijão, Honduras, Guatemala, Paraguai e Peru. Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Garafulic foi governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores.Garafulic substitui a engenheira uruguaia Silvia Rucks, que liderou o trabalho da ONU no Brasil até o início deste ano e foi o ponto focal para a realização da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Belém do Pará.Em entrevista exclusiva à ONU News, o novo líder do Sistema da ONU no Brasil destacou a atuação estratégica da organização no país, priorizando o desenvolvimento sustentável e a proteção da região amazônica. Para saber mais, leia a matéria completa da ONU News e siga @ONUNews e @ONUBrasil nas redes sociais!
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História
05 outubro 2026
“A agricultura nunca saiu de mim”
As Nações Unidas declararam 2026 como o Ano Internacional da Agricultora (IYWF 2026), trazendo atenção para os papéis essenciais das mulheres em sistemas agroalimentares, que frequentemente passam despercebidos. A iniciativa foi lançada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante a Conferência Regional LARC39, em Brasília, em março de 2026.Na América Latina e no Caribe, as mulheres representam 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares, com 71% atuando fora da agricultura, no processamento e na comercialização.Historicamente enfrentam desigualdades estruturais, menor acesso à terra, crédito e tecnologia, além da sobrecarga do trabalho não remunerado e da dupla jornada de trabalho.Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), a bióloga Jaqueline Sadi e a engenheira agrônoma Lidiane Lima, coordenadoras de diferentes iniciativas municipais do Sítio Agrícola de Casimiro de Abreu (RJ), contam como construíram suas carreiras de liderança com agricultura, e, mais recentemente, um negócio próprio de consultoria ambiental e paisagismo. O município de forte tradição agrícola Casimiro de Abreu fica na região da Mata Atlântica fluminense. Para enfrentar os desafios ambientais e sociais decorrentes do êxodo rural, o município passou a investir na criação de unidades de conservação e em programas voltados à agricultura familiar e à agroecologia.É nesse contexto que nasce, em 1993, o Sítio Agrícola, vinculado à Fundação Municipal de Casimiro de Abreu, criado como espaço de demonstração de práticas agrícolas sustentáveis e de extensão rural, com foco em jovens e famílias da região. Em 2003, o Sítio deu um passo importante ao iniciar a implantação de sistemas agroflorestais, envolvendo técnicos, agricultores e jovens do programa de certificação. Nos anos seguintes, foram criados os programas de certificação que oferecem bolsa de estudo, capacitação técnica e apoio socioeducativo a adolescentes da região. A bióloga Jaqueline Sadi, uma das coordenadoras dos programas de certificação Paisagista Mirim e Jovem Agricultor Orgânico, e a engenheira agrônoma Lidiane Lima, coordenadora dos projetos de pesquisa, cresceram em famílias de agricultores. Os avós e os pais de Jaqueline, naturais do Espírito Santo e agricultores, mantiveram o vínculo com a terra mesmo depois de se mudarem para o Rio de Janeiro, onde ela chegou aos três anos de idade. Lidiane também vem de uma família de agricultores, feirantes que plantavam para subsistência e venda. O pai dela trabalha há 43 anos na mesma fazenda em Casimiro de Abreu.“A agricultura nunca saiu de mim, nem dos meus pais. E aí a gente percebe o quanto a gente consegue carregar, não vou dizer geneticamente, mas a gente carrega essa carga emocional desse amor à agricultura”, diz Jaqueline. “Com o trabalho com os jovens, percebi que amo trabalhar com a terra e colocar a mão na massa. O que mais me dá orgulho é saber que posso influenciar pessoas, e foi assim que me mantive na agricultura.”Formada em área com forte predominância masculina, Lidiane lembra que, em turmas na faculdade de agronomia, a proporção chegava a cinco ou seis mulheres para dezenas de homens.As duas relatam sobre experiências de liderança onde sofreram estigmatização, principalmente com equipes majoritariamente femininas. Contaram também sobre a dificuldade de serem ouvidas como especialistas técnicas por colegas de trabalho. “A gente, com o trabalho desenvolvido, conseguiu tirar esse estigma. Hoje eu não sinto mais nenhum olhar torto, pelo contrário: as pessoas vêm falar com a gente com admiração pelo trabalho que tem sido desenvolvido”, afirma Lidiane.Ainda assim, apesar da estabilidade que constroem tecnicamente, Lidiane e Jaqueline enfrentavam constante incerteza financeira, e a escassez de tempo para a família, um reflexo da sobrecarga da dupla jornada que afeta historicamente as mulheres no mercado de trabalho e no meio rural. Foi assim que nasceu a Jardim Vitrô, uma empresa de consultoria ambiental e de paisagismo fundada pelas duas em janeiro: “A gente viu que aquilo que parecia seguro não era tão seguro. E também viu que podia avançar muito mais do que estava avançando”, resume Jaqueline.Além da consultoria, as duas seguem trabalhando com sistemas agroflorestais (SAFs) tanto no sítio agrícola quanto na nova propriedade onde atuam, onde recuperaram um pomar antigo tomado pelo mato. “Agrofloresta pra mim é reformular a rota. É pegar algo desequilibrado, uma área que parece desertificada, que parece que não dá pra nada, e colocar as peças certas até a natureza tomar seu lugar de novo”, diz Lidiane. O que elas esperam para o futuro das mulheres na agriculturaPara Jaqueline, o maior avanço necessário é o reconhecimento:“Por muitos anos foi uma área em que os homens predominavam, e hoje a gente está assumindo esse protagonismo em grandes partes. A gente vai a reuniões de agroecologia e vê que as mulheres estão tendo voz, estão tendo vez.”Lidiane fala sobre a mudança no papel histórico da mulher na agricultura familiar, responsável pela produção de subsistência e pelo beneficiamento na ponta da cadeia, mas raramente pelo planejamento estratégico das propriedades:“Hoje a gente vê que a mulher também pode estar no planejamento, não só no operacional. Não é só mão de obra, a gente pode gerenciar, pode treinar. Isso é o que eu gostaria de ver mais.”O que vocês diriam para mulheres que pensam em trabalhar com agricultura?“A mulher carrega muito peso sobre si. Eu acho que a palavra seria resiliência, calma, menos culpa. A gente sabe que tem um propósito, e que aquilo que a gente faz inspira outras pessoas”, diz Lidiane.“Se elas tiverem certeza de que querem seguir nesse caminho, que não desistam. Não é um caminho fácil para a mulher. Tem dias que o sol brilha, e tem dias de chuva — mas a gente pode, a gente consegue, a gente supera e segue em frente. Já botamos a mão no arado”, completa Jaqueline. Descubra mais: Os dados abaixo, divulgados pela FAO no contexto do Ano Internacional da Agricultora, mostram a dimensão global das desigualdades de gênero no campo e o que está em jogo se elas forem reduzidas.41% das pessoas empregadas nos sistemas agroalimentares em todo o mundo, em 2021, eram mulheres, uma proporção quase igual à dos homens. Ainda assim, as mulheres rurais enfrentam de forma desproporcional empregos precários, más condições de trabalho e direitos limitados.24% é a diferença de produtividade da terra entre gêneros, mesmo quando mulheres e homens administram propriedades do mesmo tamanho. As agricultoras geralmente trabalham em parcelas menores.78 centavos é o que as mulheres assalariadas nos sistemas agroalimentares recebem, em média, para cada dólar pago aos homens.É estimado que o trabalho de cuidados não remunerado realizados por mulheres e meninas seja de no mínimo USD 10,8 trilhões para a economia global. Essa carga compromete a participação das agricultoras no mercado de trabalho, seu empoderamento econômico e seu bem-estar físico e mental.USD 1 trilhão seria o aumento do PIB global se as desigualdades de gênero na produtividade agrícola e nos salários fossem reduzidas, o que também reduziria a insegurança alimentar de 45 milhões de pessoas.52% da diferença na insegurança alimentar poderia ser eliminada com a redução das desigualdades de gênero em emprego, educação e renda. A prevalência da insegurança alimentar é maior entre as mulheres do que entre os homens em todas as regiões do mundo.58 milhões de pessoas poderiam ter a renda aumentada, e 235 milhões teriam a resiliência fortalecida, com o empoderamento das mulheres rurais por meio de intervenções direcionadas. Esse potencial permanece em grande parte inexplorado.Para saber mais, siga @FAOBrasil nas redes sociais e acesse a página do Ano Internacional da Agricultora na página global da FAO.
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História
14 setembro 2026
Cooperação Sul-Sul: como as soluções viajam
E se uma solução que funciona em um país também pudesse funcionar em outro? Essa é a premissa da Cooperação Sul-Sul. Em 12 de setembro, as Nações Unidas celebram o dia dedicado a essa forma de cooperação.“Em uma época de divisão e conflito, a Cooperação Sul-Sul pode ser um catalisador para reviver a solidariedade global e um forte lembrete de que, juntos, somos sempre mais fortes.” - António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, 12 de setembro de 2026Descubra nesta história como a Cooperação Sul-Sul se manifesta: soluções que viajaram a países transformando intercâmbio em práticas permanentes. Acesse a versão original na página do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG). O que é Cooperação Sul-Sul?Cooperação Sul-Sul é a prática de países do Sul Global compartilharem entre si conhecimentos, capacidades e soluções comprovadas para enfrentar desafios comuns.Experiências e conhecimentos circulam entre países que enfrentam restrições semelhantes, têm condições climáticas comparáveis ou instituições com características parecidas – fatores que ajudam a explicar por que essas soluções podem ser adaptadas e aplicadas com sucesso em outros contextos. Como a Cooperação Sul-Sul funciona na prática? O Brasil oferece um bom exemplo.Em 2025, a ONU Brasil apoiou 12 iniciativas de Cooperação Sul-Sul e Triangular, envolvendo 25 países e US$ 7 milhões em recursos executados. Participaram 18 países africanos e seis países latino-americanos, enquanto Colômbia e Peru concentraram o maior número de iniciativas. Outras cinco iniciativas foram implementadas em âmbito regional na América Latina e no Cone Sul.Uma amostra da potência de Cooperação Sul-Sul que é o Brasil vem do Programa Mundial de Alimentos (WFP). No ano passado, o Centro de Excelência contra a Fome, escritório do WFP dedicado exclusivamente à Cooperação Sul-Sul, fortaleceu seu papel como referência global em alimentação escolar, segurança alimentar e cooperação técnica.O Centro apoiou a 2ª Cúpula Global da Coalizão para a Alimentação Escolar, realizada no Ceará, reunindo autoridades governamentais de cerca de 80 países.Também ampliou a cooperação técnica do Brasil com países da África, Ásia e América Latina por meio de missões, visitas de estudo e ações de capacitação em nutrição e agricultura familiar. Além disso, tecnologias sociais para fortalecer programas de alimentação escolar foram implementadas em Benin, São Tomé e Príncipe e República do Congo.Diversas instituições do Estado brasileiro aportam conhecimentos e experiências para viabilizar esse tipo de ação, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A Cooperação Sul-Sul assumiu outros exemplos concretos ao redor do mundo em 2026: um especialista agrícola chinês trabalhando em uma plantação de arroz em Uganda ou um método de análise da qualidade da água desenvolvido em comunidades rurais da Índia sendo ensinado em uma aldeia Miskito, em Honduras.Uganda e China: técnicas agrícolasDurante anos, agricultores ugandenses produziram muito menos alimentos por área cultivada do que poderiam.Desde 2012, pelo menos 56 especialistas agrícolas chineses viajaram para Uganda para ajudar a mudar essa realidade, trabalhando lado a lado com agricultores ugandenses e especialistas locais.Eles compartilharam técnicas práticas para o cultivo de arroz, milheto, sorgo e pimenta, além de conhecimentos sobre criação de gado e piscicultura.Os resultados foram expressivos. Em uma região, a produção de arroz por hectare quadruplicou. Em outras, a produção de leite das vacas passou de 2 para 7 litros por dia.A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estruturou e coordenou a parceria, articulando a demanda de Uganda com a expertise chinesa, oferecendo apoio técnico e acompanhando a implementação das atividades.A fase final foi concluída em abril de 2026, tendo alcançado mais de 100 mil agricultores.Mas o aspecto mais significativo não está em um número relacionado à produção agrícola. Na última fase, Uganda cofinanciou a iniciativa, contribuindo com US$ 1,6 milhão, ao lado de US$ 3 milhões aportados pela China.Uganda não apenas recebeu uma solução. Investiu para mantê-la. Honduras e Índia: métodos de análise da qualidade da águaGracias a Dios, um departamento no leste de Honduras, é uma das regiões de mais difícil acesso da América Central. Não há estradas para chegar até lá: é preciso viajar de pequeno avião ou pelo rio.Para as comunidades Miskito que vivem na região, o acesso à água potável e ao saneamento seguro sempre foi um desafio. Muitos moradores não tinham banheiro e quase metade da população não tinha acesso a água potável segura.A Índia passou anos enfrentando problemas semelhantes em suas comunidades rurais: desenvolveu formas de baixo custo para tratar a água, métodos de análise que não dependem de laboratórios e capacitou moradores locais para monitorar a qualidade da água.Foram esses métodos que chegaram a La Mosquitia, levados pelo UNICEF e adaptados à realidade das comunidades Miskito.Profissionais de saúde foram capacitados em tratamento e análise da qualidade da água, materiais sobre higiene foram traduzidos para a língua Miskito e 185 voluntários locais agora visitam as famílias para ajudá-las a manter as novas práticas.A atuação das Nações Unidas envolve dois escritórios. O Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul (UNOSSC) administra o financiamento, proveniente do Governo da Índia. O UNICEF Honduras coordena o trabalho em campo, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, o município e os conselhos indígenas locais.Até o início de 2026, 12.199 pessoas haviam sido alcançadas por ações de capacitação em higiene e água. IndonésiaA Indonésia também vem adotando uma abordagem mais explicitamente institucional para a Cooperação Sul-Sul e Triangular.Em 2025, a ONU Indonésia desenvolveu uma estratégia de Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST) para apoiar o Governo na elaboração de seu futuro Grande Plano de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e formalizar parcerias, especialmente com a Indonesia AID.Desde 2021, as Nações Unidas na Indonésia apoiaram 75 iniciativas de cooperação Sul-Sul e triangular, envolvendo 18 agências da ONU e utilizando a experiência de desenvolvimento da Indonésia e as redes globais das Nações Unidas para responder à crescente demanda pela expertise indonésia e posicionar o país como um parceiro regional e global mais forte na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.Como a ONU ajuda a fazer a Cooperação Sul-Sul acontecer?Por trás de muitos desses intercâmbios existe um esforço de coordenação que nem sempre é visível.Por meio das Equipes Nacionais e dos Escritórios de Coordenação Residente, as Nações Unidas ajudam os países a identificar conhecimentos e experiências relevantes, conectar-se aos parceiros certos e adaptar soluções comprovadas aos seus próprios contextos, tornando mais fácil que ideias que funcionam possam viajar de um país para outro.Para saber mais, siga @unsdg nas redes e acesse o portal do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG).
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História
31 agosto 2026
No campo, a educação também semeia futuros
Filhas de agricultores familiares, as irmãs Maria Eduarda, de 19 anos, e Maria Clara, de 17 cresceram no campo e compartilham o sonho de, por meio da educação, construir um futuro melhor para suas famílias e comunidade. A equipe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) conheceu mais de perto as irmãs durante uma visita ao município de Grajaú, no Maranhão. O encontro ocorreu durante a missão de revisão de meio termo do Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), financiado pelo FIDA com recursos do Governo da Alemanha, por meio do Programa de Adaptação para a Agricultura Familiar (ASAP+).Maria Eduarda é egressa da Escola Família Agrícola de Grajaú (EFAGMA) e atualmente é primeira secretária da associação da escola. Está cursando Licenciatura em Ciências Naturais - Química na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Grajaú, onde pretende ampliar seu conhecimento técnico para aplicar nos investimentos produtivos da sua comunidade. Maria Clara está no terceiro ano do ensino médio na mesma escola. A EFAGMA adota a metodologia da Pedagogia da Alternância, que combina períodos de quinze dias de internato, dedicados à formação da base curricular comum e à formação técnica agrícola, com quinze dias de permanência junto às famílias. Essa dinâmica aproxima teoria e prática e permite que os conhecimentos adquiridos na escola sejam aplicados à realidade do campo e contribuam para o aprimoramento das práticas agroecológicas nas comunidades.Mas a realidade nem sempre foi essa.Maria Eduarda compartilhou que, antes do PAGES, a escola funcionava em condições muito precárias. Nem sempre havia garantia das três refeições diárias e os estudantes muitas vezes dormiam em redes ou colchonetes no chão da própria sala de aula, por falta de uma estrutura adequada de alojamento.Hoje, a realidade começa a ser transformada.Por meio do PAGES, foram realizados investimentos na infraestrutura dos alojamentos, com instalação de ar-condicionado, aquisição de beliches, colchões e móveis. Também foram reativados tanques para a produção de peixes e introduzidas tecnologias e investimentos produtivos, como técnicas de revolvimento do solo e kits de irrigação. Para Maria Eduarda, uma das maiores alegrias é ver sua irmã, Maria Clara, vivenciando uma realidade diferente daquela que ela própria encontrou quando estudava na escola. Nas palavras de Maria Eduarda:“Levantar a bandeira da educação do campo é ter força, é necessário ter coragem para levantar essa bandeira e seguir unidos na representação da educação no campo, pois na EFA de Grajaú teoria se torna prática e prática educação.”São histórias como a de Maria Eduarda e Maria Clara que nos emocionam, nos inspiram e reforçam o propósito de seguir trabalhando para que o desenvolvimento sustentável também signifique mais oportunidades, dignidade e esperança para quem vive e produz no campo.Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (espanhol).Sobre o FIDAO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.org
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História
27 agosto 2026
“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar”
“Meu país começou a sofrer uma crise muito forte e isso fez com que muitos indígenas saíssem de seus contextos deixando tudo, em muitos casos deixando comunidades vazias e eu também tive que migrar”.De origem Warao, a venezuelana está há três anos no estado de Roraima, se adaptando e traçando novos planos para sua vida e sua família, sem deixar de pensar no desenvolvimento de sua comunidade.Aos 44 anos, atualmente ela mora com seus pais e um de seus três filhos na comunidade Warao Janoko, localizada no município de Cantá (RR). Nesse contexto, Rosmery assumiu, assim como tantas outras mulheres refugiadas e migrantes, a responsabilidade de cuidar dos familiares que vivem com ela, já que seus pais são pessoas idosas. A comunidade, que é formada por famílias das etnias Warao e Kariña, sobrevive da agricultura, embora considerem que a terra não esteja apta para isso. Da produção familiar, Rosmery garante os alimentos diários e parte do sustento financeiro.Rosmery expressa o que significou essa mudança: “Para migrar você tem que aceitar sua realidade e deixar tudo o que você era para trás. Na Venezuela fui professora com 25 anos de serviço. Cobri todos os níveis de educação, desde educação inicial até a etapa universitária. Chegar ao Brasil foi uma mudança muito profunda e brusca”, afirma.“Busco que a minha vida no Brasil seja ativa e criativa. Por isso desde que cheguei, realizo alguns cursos e isso me ajudou a começar o meu próprio negócio, que é uma padaria”, conta. Rosmery foi aluna em cursos de Português, confeitaria, ajudante de cozinha, gastronomia e panificação, ofertados por projetos implementados por diferentes organizações, entre elas a ONU Mulheres, o ACNUR e o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). O pequeno negócio de Rosmery começou a funcionar este ano, após dois anos de planejamento e organização financeira. “Meu principal objetivo é fazer com que a minha comunidade, a comunidade Warao a Janoko, se desenvolva e seja vista como um lugar turístico. Começamos com essa padaria familiar e logo ela apoiará outras oportunidades de desenvolvimento”, explica. O fortalecimento da sua comunidade no Brasil é uma das principais motivações de Rosmery. A importância do seu engajamento para esse objetivo, fez com que ela estivesse em Brasília (DF), ao lado de outras 15 mulheres indígenas venezuelanas de diferentes etnias, durante o Acampamento Terra Livre (ATL). Durante o acampamento, Rosmery foi uma das vozes que levantou as demandas e necessidades das mulheres refugiadas e migrantes em diferentes agendas de articulação com organizações indígenas brasileiras e com representantes do governo federal. A participação do grupo de mulheres indígenas refugiadas e migrantes no ATL foi possível através do programa conjunto realizado por ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, com o apoio do Governo de Luxemburgo, que visa o desenvolvimento de políticas públicas sensíveis aos direitos humanos e ao gênero, que atendam as necessidades diferenciadas de mulheres refugiadas e migrantes e de outros grupos de pessoas que enfrentam múltiplas formas de discriminação.Para Rosmery, representar sua comunidade e desenvolver formas para que ela prospere em outro território é uma forma de garantir seus direitos individuais e coletivos:“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar, porque é um direito internacional. Ao ser migrante, não é possível que nos coíbam de muitos direitos que nos correspondem como humanos”, ressalta.Para saber mais, acompanhe a série #BrasilAcolhedor nas redes sociais da @onubrasil!
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História
24 agosto 2026
Juventude transforma realidades no UNOPS
A quatro mil quilômetros de casa, a jovem arquiteta Talia Fernandes, de 25 anos, encontrou seu verdadeiro propósito. Nascida em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, ela atravessou o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul para cursar o mestrado em Planejamento Urbano. Longe da família e da terra natal, a vontade de aplicar seu conhecimento em cidades devastadas por catástrofes climáticas falou mais alto e a levou a seu primeiro posto no Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). A jovem, que ingressou na organização como estagiária, hoje ocupa uma vaga regular e ajuda a monitorar de perto a recuperação de 101 unidades de saúde que foram afetadas pelas enchentes no RS no ano passado. Anteriormente, Talia sentiu a frustração com o trabalho em escritórios de arquitetura tradicionais, mas, na ONU, descobriu o valor real e prático da sua profissão. “Não é porque eu sou jovem que a minha opinião não importa. Aqui, eu me sinto muito valorizada como profissional”, destaca a arquiteta.A história de Talia reflete o tema do Dia Internacional da Juventude de 2026: “Contextos diferentes, aspirações comuns”. No UNOPS, escritório da ONU especializado em infraestrutura, 45 jovens atuam nas equipes espalhadas em todo o Brasil. Para alguns deles, a trajetória exigiu ainda mais superação. É o caso da engenheira Kércia dos Santos, 30 anos. Aos 17, ela deixou a zona rural no interior da Bahia e desembarcou em Brasília com apenas uma cesta básica e muitos sonhos. Aluna de escola pública e beneficiária de políticas públicas para acesso a transporte e alimentação, ela superou muitos obstáculos. Tornou-se a primeira pessoa da sua família inteira a conquistar um diploma de curso superior e, ao escolher a Engenharia Civil, abriu seu próprio espaço, construindo um legado em uma área tradicionalmente masculina. Hoje, atua como coordenadora de obras em um dos projetos mais complexos do UNOPS, a finalização das obras de escolas em comunidades indígenas e quilombolas afastadas dos grandes centros urbanos.“Se a minha trajetória puder fazer com que outra menina do interior olhe para a Engenharia e pense 'eu também posso chegar lá', isso já tem um significado enorme para mim”, declara a coordenadora.Por trás de cada obra monitorada por Kércia e Talia, existe uma outra frente essencial para que todo o trabalho do escritório aconteça: a área de operações. Sem o suporte técnico e o cuidado humano nos bastidores, nenhum projeto sai do papel. Gabriel Bezerra, de 26 anos, atua diariamente de forma essencial para que esse processo aconteça. Morador de uma área periférica de Brasília, o jovem cresceu longe de qualquer incentivo e atuar na ONU parecia restrito às telas de televisão.“Eu nunca iria imaginar que teria um escritório da ONU aqui em Brasília. Vindo de escola pública, isso nunca foi uma conversa que eu tive”, confessa Gabriel.Há quatro anos atrás, ele ingressou como estagiário de Tecnologia da Informação (TI) e sofreu um enorme choque cultural em um ambiente tão multicultural. O convívio transformou sua visão de mundo de maneira profunda. Ele relata que os debates sobre gênero, diversidade e inclusão dentro do escritório o auxiliaram a ter uma nova visão de mundo. Profissionalmente, apesar da insegurança, teve a oportunidade de inovar. Gabriel, mesmo tão jovem, desenvolveu um aplicativo capaz de automatizar as demandas de trabalho de uma tarde inteira em apenas 15 minutos e, com dedicação, assumiu a liderança de TI para os escritórios do UNOPS no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Inspirado na trajetória dos colegas, Gabriel iniciou um mestrado, um plano antes inexistente em sua vida. “Saber que o seu trabalho faz a diferença, desde a troca de um mouse até a compra de computadores para uma escola indígena, traz uma motivação, uma vontade de acordar com um propósito”, expressa o especialista em TI. Na operação dos Recursos Humanos, Amanda Louize, com 25 anos, apoia a seleção das equipes responsáveis por transformar vidas em todo o Brasil. Formada em Relações Internacionais, ela sofreu com rejeições sucessivas em processos seletivos na época da pandemia. O sonho de integrar as Nações Unidas parecia um objetivo distante, que somente aconteceria após anos de experiência. No entanto, esse sonho não demorou tanto quanto ela imaginava para ser realizado. Amanda entrou no UNOPS como estagiária e encontrou no setor de RH o fim das incertezas. Hoje, ela trabalha em todas as etapas dos processos de seleção de equipes do escritório e encontrou a sua vocação no trabalho: ter contato com pessoas.“Eu vivo a realidade que a Amanda de 17 anos sonhava. É uma baita responsabilidade, pois a gente lida com o sonho das pessoas”, destaca a assistente.A determinação de Talia, a força de Kércia, a superação de Gabriel e a vocação de Amanda ilustram a essência e as aspirações dos jovens profissionais que trabalham na ONU no Brasil. Mais do que um brilho no olhar, eles compartilham a mesma vontade incansável de deixar um legado no que constroem cotidianamente. Com passados e realidades tão distintas, esses jovens profissionais contribuem, cada um a seu modo, com a mudança, com a promoção da igualdade e com a superação de desafios. São as pessoas que ajudam a construir o Brasil do futuro, no presente.Para saber mais, siga @onubrasil e @unops_official nas redes sociais!
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08 outubro 2026
Aldeia do Espraiado em Maricá (RJ) é reconhecida pelo ONU-Habitat com o Prêmio Pergaminho de Honra 2026
O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) anunciou, nesta segunda (5), os cinco vencedores do Prêmio Pergaminho de Honra 2026, durante a celebração global do Dia Mundial do Habitat. Entre as iniciativas reconhecidas está a Aldeia do Espraiado – Tekoa Ara Hovy, em Maricá, no Rio de Janeiro, que recebeu o prêmio por garantir moradia adequada, serviços essenciais e segurança jurídica sobre a terra para uma comunidade Guarani Mbyá.O Prêmio Pergaminho de Honra do ONU-Habitat reconhece indivíduos e instituições cujo trabalho contribui para a promoção da moradia adequada, da urbanização sustentável e de melhores condições de vida nas cidades, além de contribuir para a implementação da Nova Agenda Urbana e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Criado em 1989, o prêmio já reconheceu iniciativas de diferentes partes do mundo.A cerimônia de premiação foi realizada durante a celebração do Dia Mundial do Habitat, em Mascate, Omã. Neste ano, a data tem como tema “Moradia adequada para todas as pessoas”.Aldeia do Espraiado: moradia, território e direitos para o povo Guarani MbyáEm Maricá, 13 famílias Guarani Mbyá vivem hoje na Aldeia do Espraiado – Tekoa Ara Hovy, a primeira aldeia indígena estabelecida por um município brasileiro.Por mais de uma década, a comunidade viveu dentro de um parque estadual, sem acesso a um poço artesiano, posto de saúde ou segurança jurídica sobre a terra. A partir do trabalho conjunto entre a Prefeitura de Maricá e as famílias, foi criada uma nova aldeia, planejada a partir das necessidades e dos modos de vida da comunidade.A população indígena participou da escolha do terreno, e cada família contribuiu para o projeto de sua própria casa, construída com métodos tradicionais. A comunidade se mudou para a nova aldeia no início de 2025.Atualmente, o território conta com escola bilíngue, abastecimento de água por poços, iluminação solar nos espaços compartilhados, centro cultural, cozinha comunitária e posto de saúde com uma sala destinada à medicina tradicional. Financiada pelo município, a iniciativa apresenta uma possibilidade de atuação para outros governos locais interessados em garantir terra, moradia adequada e serviços essenciais para comunidades indígenas, respeitando suas formas de viver e sua cultura.“Meu desejo é que, a partir dessa premiação e desse reconhecimento pelo ONU-Habitat, outros países, outras iniciativas e outros parceiros possam replicar isso ao redor do mundo, garantindo proteção, dignidade e muito convívio e respeito aos povos indígenas, que é o que eles merecem. O que Maricá fez é uma ajuda simbólica diante do muito que pode ser feito. Em nome da Prefeitura de Maricá, em nome dos povos indígenas do mundo, nosso desejo é que essa ideia seja replicada, que a gente construa junto aos povos indígenas que a gente caminhe e combata todo o preconceito que ainda há, e que, sobretudo, a gente consiga promover dignidade e segurança habitacional, garantindo assim uma estrutura e a continuidade da cultura deles, que é o mais importante”, destaca a coordenadora de Políticas Públicas com os Povos Indígenas da Prefeitura de Maricá (RJ), Maria Oliveira. Moradia adequada como base para cidades inclusivasA iniciativa de Maricá foi reconhecida em um momento em que a crise global da moradia continua exigindo respostas urgentes. Segundo o Relatório Mundial das Cidades 2026, do ONU-Habitat, até 3,4 bilhões de pessoas não têm acesso à moradia adequada.Já o Relatório Global do ODS 11 2026 publicado pelo ONU-Habitat em parceria com outras organizações do sistema das Nações Unidas, aponta que o mundo ainda está distante de alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, que busca tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Desde 2015, o número de pessoas vivendo em assentamentos informais e favelas aumentou em mais de 130 milhões, chegando a mais de 1,1 bilhão de pessoas.“Este ano, os premiados demonstram que a crise global da moradia não está além da nossa capacidade de enfrentamento. Seja ampliando o acesso a moradias adequadas em grandes cidades, transformando resíduos em materiais de construção ou garantindo um lugar seguro para viver a comunidades deslocadas e indígenas, cada iniciativa coloca as pessoas e seu direito à moradia no centro do desenvolvimento urbano”, destaca a diretora executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach. Rossbach também reforçou a necessidade de ampliar iniciativas capazes de responder à crise habitacional: “A moradia sustenta avanços em diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas bilhões de pessoas ainda não têm acesso a uma casa segura e acessível. Com apenas quatro anos até 2030, precisamos agir e ampliar soluções como essas”. Cinco iniciativas reconhecidas em 2026 Além da Aldeia do Espraiado – Tekoa Ara Hovy, de Maricá, o Prêmio Pergaminho de Honra 2026 reconheceu iniciativas do Paquistão, Myanmar, Tunísia e Reino Unido:Agência de Habitação e Planejamento Urbano de Punjab, Lahore, Paquistão, por sua contribuição para ampliar o acesso a moradias adequadas, seguras e acessíveis para famílias de baixa renda.Housing NOW, de Bago, Myanmar, por sua contribuição para promover moradias adequadas, acessíveis e resilientes para comunidades afetadas por conflitos, deslocamentos, pobreza e desastres.Abdelmalek Ghannem, de Bizerte, Tunísia, por desenvolver soluções de construção que transformam resíduos locais e da mineração em materiais inovadores, acessíveis e resilientes às mudanças climáticas.Prefeito Sadiq Khan, de Londres, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, por sua liderança na promoção de moradias acessíveis e sustentáveis e de um desenvolvimento urbano inclusivo e resiliente às mudanças climáticas.As cinco iniciativas foram selecionadas entre 101 indicações de países da África, Ásia, Europa e Américas, refletindo diferentes caminhos para enfrentar os desafios relacionados à moradia adequada, desde materiais de construção inovadores e habitação acessível até o apoio a comunidades afetadas por conflitos e deslocamentos e a promoção de moradias culturalmente adequadas para povos indígenas.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes e acesse a página global do Prêmio Pergaminho de Honra. Contatos para a imprensa: Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.orgFlávia Scholz, ONU-Habitat Brasil: flavia.scholz@un.org
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07 outubro 2026
ONU-Habitat e Rio de Janeiro atualizam Plano Estadual de Resíduos Sólidos
Uma gestão de resíduos sólidos integrada ao planejamento das cidades é fundamental para melhorar a qualidade de vida da população e promover um desenvolvimento urbano mais sustentável. No Rio de Janeiro, o Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS-RJ), elaborado em 2013, está sendo revisado para atualizar as diretrizes de gestão de resíduos no estado e responder aos desafios atuais. Conduzida pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a revisão contará com um processo participativo em todas as etapas, incluindo um diagnóstico que vai promover oficinas nas nove regiões hidrográficas do estado. A proposta é que o novo plano seja apresentado em 2027 e englobe temas como destinação adequada, coleta seletiva, recuperação de áreas degradadas e sustentabilidade dos serviços – tudo considerando as diferentes realidades dos municípios fluminenses. A revisão foi iniciada em julho de 2026 com a qualificação técnica de representantes dos municípios, que foram preparados para iniciar a próxima etapa: as oficinas de diagnóstico, que serão realizadas nas nove regiões hidrográficas do Rio de Janeiro entre setembro e novembro. As atividades vão contar com a participação de municípios e de outros atores envolvidos na gestão local de resíduos, buscando reunir informações e percepções sobre os desafios, avanços e especificidades dos territórios. Esse levantamento será combinado à análise de informações sobre os municípios e regiões do estado, à qualificação técnica e à escuta dos diferentes atores envolvidos.O processo vai consolidar as informações por meio do diagnóstico participativo, etapa que reúne e analisa dados sobre a gestão de resíduos sólidos e os desafios do território. Em seguida, o prognóstico projeta cenários futuros e orienta a definição de metas, diretrizes e ações para o novo plano. As etapas seguintes, de consultas públicas e audiência pública, contribuem para discutir e validar essas propostas. As contribuições de gestores públicos, equipes técnicas, municípios, sociedade civil e demais atores da gestão de resíduos serão sistematizadas e consideradas ao longo de todo o processo.Para a coordenadora de programas do ONU-Habitat, Roxana Moyano, revisar o Plano Estadual de Resíduos Sólidos é uma oportunidade de atualizar as diretrizes para a gestão dos resíduos, fortalecendo políticas públicas mais integradas e sustentáveis: “Em um contexto de crise climática, a gestão de resíduos sólidos desempenha um papel importante no planejamento urbano e nas estratégias de prevenção de impactos e redução de vulnerabilidades, contribuindo para territórios mais resilientes”.Primeiros passosA revisão foi iniciada em julho com a realização de um seminário técnico sobre gestão consorciada – prática que permite que municípios se organizem conjuntamente para planejar e executar serviços, compartilhando estruturas, recursos e responsabilidades.O encontro reuniu gestores municipais e estaduais, representantes de Comitês de Bacias e de Consórcios, de empresas públicas e privadas prestadoras de serviços na área e do Ministério Público. “Isoladamente, os municípios encontram grandes dificuldades para gerenciar seus resíduos sólidos, tanto pelos desafios operacionais quanto pelos altos custos envolvidos. A atuação conjunta, por meio de consórcios ou arranjos regionais, permite ganhos de escala e contribui para garantir a sustentabilidade institucional, operacional e econômica dos sistemas. Com a revisão do PERS-RJ, espera-se fortalecer e ampliar esses arranjos de forma consistente e sustentável”, afirma o consultor de regionalização do ONU-Habitat no âmbito da revisão do PERS-RJ, Victor Zveibil. Em agosto, a iniciativa seguiu com uma qualificação técnica voltada aos servidores municipais envolvidos na revisão do PERS-RJ. Três encontros online reuniram cerca de 70 representantes de 38 municípios das nove regiões hidrográficas do estado.A qualificação teve como objetivo apresentar o processo de revisão e suas etapas participativas, além de contextualizar o panorama da gestão de resíduos sólidos no estado e a Política Nacional de Resíduos Sólidos e seus instrumentos. “Os municípios são atores institucionais indispensáveis para que o plano consiga traduzir a realidade da gestão de resíduos sólidos no território fluminense, considerando as diferentes capacidades administrativas, os arranjos existentes, os serviços efetivamente prestados, além dos avanços e dos gargalos enfrentados em cada território”, afirma a analista de programas do ONU-Habitat e ponto focal do PERS-RJ Aline Pacheco. “Um dos objetivos do processo é contribuir para uma política de gestão de resíduos sólidos de longo prazo, que considere as diferentes realidades do estado. Entre os temas em discussão estão a gestão adequada dos resíduos sólidos urbanos, a coleta seletiva por fluxos, a recuperação de vazadouros municipais, o planejamento, a implementação e a ampliação da logística reversa no estado”, destacou Maria Fernanda Peralta, assessora técnica da Superintendência de Resíduos Sólidos durante a qualificação online.PERS-RJA revisão do Plano Estadual de Resíduos Sólidos do Rio de Janeiro (PERS-RJ) é conduzida pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) em parceria com o ONU-Habitat. Com previsão de conclusão em 2027, o novo plano deverá consolidar diretrizes, metas e prioridades para os próximos anos, considerando as transformações ambientais, sociais, econômicas e territoriais que impactam a gestão de resíduos sólidos no estado incorporando princípios da economia circular e do desenvolvimento sustentável, fortalecendo a articulação entre estado, municípios e demais atores locais.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes! Contatos para a imprensa:Livia Freire, ONU-Habitat Brasil: livia.souza@un.org Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.org
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05 outubro 2026
Em Mauá (SP), ONU-Habitat mobiliza comunidade para transformar comunidade Chafick-Macuco
Em Mauá (SP), moradores e moradoras da comunidade Jardim Zaíra/Chafick-Macuco participaram, entre agosto e setembro, de reuniões para discutir propostas para o futuro do território e possibilidades de qualificação de espaços de uso coletivo. Os encontros abordaram temas como infraestrutura, lazer, mobilidade e serviços públicos, além da identificação de locais e propostas para intervenções urbanísticas que podem ser realizadas no curto prazo.As atividades fazem parte da iniciativa de urbanização do território desenvolvida pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), em parceria com a Prefeitura de Mauá. A iniciativa vem promovendo espaços de diálogo com a população para identificar prioridades, discutir propostas e contribuir para o planejamento de futuras melhorias no território.Durante os encontros, as moradoras e os moradores foram convidados a imaginar como gostariam de ver a Chafick-Macuco no futuro por meio da dinâmica “Jornal do Futuro”. As manchetes criadas pela própria comunidade reuniram expectativas relacionadas à melhoria na rede de esgoto, à regularização das moradias, à eliminação de áreas de risco, à criação de novos espaços de lazer, à construção de escola e creche, à oferta de cursos profissionalizantes, ao atendimento de saúde e à melhoria na mobilidade. Também surgiram desejos relacionados à organização comunitária. Entre as manchetes propostas estavam “Associação para os moradores” e “Chafick-Macuco vira referência de organização comunitária”. “Está sobrando espaço no jornal, temos que sonhar grande”, disse a moradora Vanessa Cristina durante a atividade. Para a coordenadora de programas do ONU-Habitat Ana Carolina Nunes, as propostas apresentadas mostram que as expectativas para o território envolvem diferentes dimensões da vida cotidiana.“A proposta do 'Jornal do Futuro' foi trazer uma dinâmica mais lúdica e diferente para as reuniões, criando um espaço para que as pessoas pudessem imaginar e expressar, de forma criativa, como gostaria de ver a comunidade no futuro. E as propostas reuniram diferentes perspectivas da vida urbana, mostrando que a transformação do território envolve diferentes frentes que vão além das obras de infraestrutura”, afirmou.As ideias levantadas ajudam a orientar a construção do Plano de Ação, que reúne as prioridades identificadas ao longo do processo participativo da iniciativa de urbanização e as diretrizes para as futuras melhorias no território. Das ideias à ação As reuniões também deram início à discussão sobre mudanças que podem ser realizadas em menor prazo e em espaços de uso coletivo por meio de ações táticas. No Plano de Ação, elas são entendidas como intervenções de pequeno porte voltadas à qualificação urbanística de pontos específicos do território. Além de promover melhorias, a ação tática também pode contribuir para a mobilização comunitária, ao envolver moradoras e moradores no planejamento, na execução e no acompanhamento da intervenção.A proposta é construída de forma participativa, considerando as necessidades e os desejos apresentados pela população e as possibilidades de execução. Entre as formas previstas para colocar a intervenção em prática está o mutirão comunitário, no qual as moradoras e os moradores podem se organizar para realizar atividades que beneficiem a coletividade. Na Chafick-Macuco, foram apresentadas ideias como melhorias em escadarias, sinalização das ruas, instalação de guarda-corpos junto ao córrego, horta comunitária, campinho de futebol, áreas de lazer, praça para crianças e ações relacionadas à coleta de lixo. As sugestões foram relacionadas a possíveis locais de intervenção e públicos beneficiados. Outro grupo discutiu sobre possibilidades da criação de um espaço de convivência e a realização de um mutirão para a execução da ação tática.Para a moradora da Chafick-Macuco Damiana Edna de Melo Lima, a existência de um espaço de convivência mais próximo poderia facilitar o acesso das famílias ao lazer. “A Pracinha das Flores, o espaço público mais próximo, fica um pouco longe para a gente. Então, tendo um espacinho aqui, fica melhor”, afirma. Para ela, a mobilização dos próprios moradores também pode fazer diferença: “O mutirão fortalece”. Vanessa Cristina, que vive há 22 anos na comunidade, também destacou a importância da participação dos moradores. Entre as propostas discutidas, ela demonstrou maior interesse pela criação de um espaço de lazer na entrada da sua rua. “Uma praça bem bonitinha, com equipamento de academia, brinquedo para as crianças, jogos, um lugar de lazer. Um espaço desse tipo poderia ser utilizado por moradores de diferentes idades e contribuir para uma melhor convivência, melhorando a vida de todo mundo”, imagina.A proposta e os próximos passos ainda serão consolidados a partir das discussões com a comunidade. A execução da ação tática, quando definida, deverá ser precedida pelo detalhamento da intervenção e pela organização das formas de participação da comunidade. Participação comunitáriaAs reuniões realizadas na Chafick-Macuco fazem parte de um processo de participação comunitária construído desde o início da atuação do ONU-Habitat no território. Antes das discussões sobre as ações táticas e a visão de futuro, moradores e moradoras participaram de atividades de escuta, mapeamento e construção do diagnóstico territorial. A iniciativa cria espaços para que diferentes moradores apresentem problemas, façam perguntas, apontem prioridades e também proponham soluções para o território. Nas reuniões, as propostas são discutidas coletivamente e relacionadas às características e necessidades de cada área.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes!
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02 outubro 2026
ONU abre inscrições para concurso de cartazes para o Dia Mundial da Alimentação 2026
O Dia Mundial da Alimentação 2026 convoca todas as pessoas a refletirem sobre como a inovação está transformando a forma como os alimentos são produzidos, armazenados, transportados e comercializados.Inspirado no tema deste ano, o concurso de cartazes para o Dia Mundial da Alimentação convida crianças e jovens, de 5 a 19 anos, a enviarem ilustrações para inspirar ações para um futuro melhor.Os designs vencedores de cartazes serão anunciados na página do Dia Mundial da Alimentação e serão promovidos nas redes sociais da FAO e pelos escritórios da FAO em todo o mundo. As crianças e adolescentes vencedores também receberão um Certificado de Reconhecimento e um pacote de presentes surpresa.Os cartazes podem ser desenhados, pintados ou esboçados com canetas, lápis, giz de cera ou carvão, ou com tinta a óleo, acrílica ou aquarela, bem como técnicas mistas. Também são permitidas obras de arte criadas digitalmente. Fotografias não são permitidas. Ferramentas de IA generativa são proibidas para a criação da arte em si, embora possam ser usadas para ideação ou edição, desde que isso seja declarado. Como participar?A participação é gratuita.O período de inscrição se encerrará no dia 6 de novembro de 2026.Os cartazes devem ser submetidos através do formulário on-line disponível na página da campanha global da FAO: https://www.fao.org/world-food-day/contest/submit-form/en.Para saber mais, siga @FAOBrasil nas redes e visite a página do Dia Mundial da Alimentação 2026. Contato para a imprensa:Bárbara Semerene, Oficial de Comunicação do Escritório da FAO no Brasil: Barbara.Semerene@fao.org
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01 outubro 2026
ONU-Habitat capacita 150 servidores públicos do Rio em planejamento para resiliência climática
Com foco fortalecer a resiliência em municípios e identificar planos e instrumentos que contribuem para mitigar e se adaptar aos riscos climáticos, o curso “Planejamento Territorial Integrado: Estratégias para Resiliência Municipal”, promovido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), foi encerrado na sexta-feira (11) tendo capacitado cerca de 150 servidores e servidoras de municípios fluminenses e do estado do Rio de Janeiro.Com nove aulas no total, realizadas entre junho e agosto, a formação faz parte da trilha de capacitação técnica realizada pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Rio de Janeiro (SEAS), em parceria com o ONU-Habitat e com apoio da Universidade do Ambiente, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).Ao longo das aulas, 16 instrutoras – todas mulheres, fortalecendo também a perspectiva de gênero sobre a iniciativa – apresentaram e debateram as possibilidades de inclusão da dimensão climática nas agendas setoriais de saneamento, saúde, educação, assistência social, habitação, agricultura, mobilidade, dentre outras.A especialista em Resiliência e Mudança do Clima do ONU-Habitat, Leta Vieira de Sousa, ministrou três aulas que debateram como melhorar o diagnóstico climático e elaborar um Plano de Ação Climática de um município a partir de uma visão sistêmica. "Inserir a lente climática dentro do planejamento urbano se tornou indispensável. Quando um município consegue levar essa reflexão para o planejamento municipal de uma forma objetiva e realiza planejamentos de curto, médio e longo prazo, isso permite que toda a política pública do município tenha um olhar diferenciado para a resiliência", comenta. Já a especialista em Desenvolvimento Urbano Sustentável do ONU-Habitat Maria Fernandes Caldas apresentou um histórico da urbanização no Brasil, explicando como a crise climática agrava a situação das cidades, e debateu soluções que buscam integrar, mitigar e adaptar. "Trocar experiências é sempre muito gratificante. Gosto especialmente de interagir com turmas como esta, formada por pessoas técnicas que atuam na linha de frente nos municípios. Conseguimos equilibrar teoria, troca de experiências e interação em uma sequência de conteúdos bastante rica e estratégica para os municípios", diz a especialista.Resiliência nos municípiosEm Paracambi, a ação levou a um engajamento coletivo de 11 servidores de diferentes pastas da prefeitura – o maior número de participantes de um mesmo município no Curso 2. Toda semana, colegas da prefeitura reuniram-se na sala da Subsecretaria de Clima para participar das aulas ao vivo. Um momento que marcou a equipe foi a roda de conversa sobre planejamento climático com seis especialistas, que reforçou a importância da interdisciplinaridade de formação e de atuação para realizar um bom planejamento. “O fato de sermos uma turma interdisciplinar somou muito para o nosso aprendizado. A pauta da mudança do clima mudou nosso paradigma de gestão. Não podemos mais pensar numa gestão focada em cada secretaria na sua caixinha. Quando há um tema transversal, como o tema da mudança do clima, o enfrentamento também é transversal”, relata a superintendente de Clima e Eventos Extremos da Secretaria de Meio Ambiente e Clima, Mariana Oliveira da Costa. Mariana conta que a interdisciplinaridade no planejamento e no enfrentamento às questões do clima já é uma realidade do município. "Nossa ideia é manter a equipe para que participe das próximas formações. Além disso, o grupo está trabalhando ativamente do processo de elaboração do Plano Local de Ação Climática de Paracambi. As pessoas que estavam no curso também fazem parte do Grupo de Trabalho Intersetorial, então estamos aprendendo duas vezes: na teoria, com os cursos, e na prática, com a elaboração do Plano", comenta.Clique aqui e saiba mais sobre a elaboração dos Planos Locais de Ação Climática em 34 municípios do Rio de Janeiro. Sobre a trilha de capacitação A formação é parte da parceria da Seas com o ONU-Habitat para promover a resiliência climática nos municípios fluminenses, fortalecendo as metas da Agenda 2030 e os princípios da Nova Agenda Urbana em todo o estado. Outros três cursos voltados aos municípios fluminenses devem ser realizados ao longo de 2027 e 2028.Do total de 149 pessoas que concluíram o curso, 58% são mulheres. As cidades que mais mobilizaram participantes foram Paracambi, com 11 pessoas, seguidas de Macaé (10), Nova Friburgo (8), e Maricá (7).O primeiro curso da trilha, “Construindo cidades resilientes: os 10 princípios essenciais em ação”, ministrado pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR) entre janeiro e abril de 2026, reuniu mais de 130 servidores, representando 77 dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro (84%).Além dos cursos da trilha de capacitação, a parceria entre SEAS e ONU-Habitat vai entregar projetos-pilotos de Soluções Baseadas na Natureza; um piloto de Cidade Esponja; Planos Locais de Ação Climática para 34 municípios; um mapeamento preliminar de riscos de inundação no estado do Rio; notas conceituais de projetos voltados à obtenção de financiamento climático; e uma estratégia sobre cultura da resiliência nas escolas.As ações geram novos conhecimentos e fortalecem as capacidades institucionais do estado e dos municípios fluminenses, reduzindo a exposição dos territórios e da população a novos riscos e vulnerabilidades, promovendo e aprimorando a transição para cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Alinhada a marcos internacionais como o Acordo de Paris, a Agenda 2030, o Marco de Sendai e a iniciativa MCR2030, a parceria adota uma abordagem integrada de gestão de riscos e adaptação, articulando políticas públicas estaduais e municipais, incluindo a participação popular.Contato para imprensa: Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)Ludmilla BalduÍno (ludmilla.balduino@un.org)
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