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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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21 julho 2026
Relatório da ONU: Fome atinge 645 milhões de pessoas
A fome mundial diminuiu pelo terceiro ano consecutivo em 2025, mostrando que o progresso é possível. No entanto, as melhorias continuam frágeis, distribuídas de forma desigual e insuficientes para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, segundo o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo” (SOFI 2026), publicado nesta terça-feira (21) por cinco agências especializadas das Nações Unidas.O relatório estima que 7,8% da população mundial sofreu de fome em 2025, uma queda em relação a 8,1% em 2024 e 8,6% em 2022, confirmando uma melhora constante, embora lenta. De acordo com esses dados, cerca de 645 milhões de pessoas sofreram com fome em 2025, representando uma redução de quase 14 milhões em comparação com 2024 e 43 milhões em comparação com 2022. Apesar do progresso global, a recuperação permanece desigual entre as regiões. Tanto a Ásia, a América Latina quanto o Caribe têm apresentado melhorias constantes nos últimos anos. Em contraste, a África atualmente abriga cerca de 309 milhões de pessoas famintas, em comparação com 292 milhões na Ásia. Enquanto a tendência de alta observada na África nos anos anteriores começa a se estabilizar – com a proporção da população que sofre com a fome diminuindo de 20,3% em 2024 para 20,0% em 2025 – o continente agora tem o maior número absoluto de pessoas famintas, em um contexto de rápido crescimento populacional.Medidas mais amplas de acesso à comida refletem uma situação semelhante. Estima-se que 25,8% da população mundial (cerca de 2,1 bilhões de pessoas) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa até 2025, o que significa que essas pessoas precisavam consumir alimentos de menor qualidade ou menor quantidade. O percentual representa uma queda em relação aos 27,1% em 2024 e 28,7% em 2020 – quase 86 milhões a menos do que em 2024 e 135 milhões a menos do que em 2020 – embora ainda esteja acima dos níveis pré-pandemia.As disparidades regionais continuam sendo muito marcantes. Em 2025, mais da metade da população africana (56,6%) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa, em comparação com 22,9% na América Latina e Caribe, 8,7% na América do Norte e Europa, e 20,3% na Ásia. A insegurança alimentar também permanece maior nas áreas rurais do que nas áreas periurbanas e urbanas, enquanto as mulheres continuam sendo desproporcionalmente afetadas, embora a diferença de gênero tenha diminuído ligeiramente em 2025. Previsões de fome no contexto do conflito no Oriente MédioO relatório anual também apresenta previsões atualizadas de fome para os próximos cinco anos, à luz do conflito no Oriente Médio. Dependendo da duração do impacto da crise na inflação dos preços dos alimentos – impulsionada pelo aumento dos preços de energia e fertilizantes – entre 510 e 520 milhões de pessoas ainda podem sofrer de fome em 2030 (em comparação com uma projeção de 503 milhões no cenário pré-conflito), embora o número global de pessoas desnutridas esteja projetado para diminuir 20%. No entanto, essas projeções não levam em conta outros fatores potencialmente desestabilizadores, incluindo os efeitos de eventos climáticos extremos, como o El Niño em 2026 e 2027, que podem agravar ainda mais essa situação.Os autores conjuntos do relatório – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Organização Mundial da Saúde (OMS), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) – alertam que o conflito de 2026 no Oriente Médio, Juntamente com eventos climáticos extremos e reduções na assistência oficial ao desenvolvimento e no financiamento humanitário, eles ameaçam minar o progresso alcançado para acabar com a fome mundial.Progresso lento rumo aos objetivos globais de nutriçãoO relatório destaca que o progresso global em nutrição materna e infantil continua insuficiente para cumprir os compromissos internacionais, incluindo as metas nutricionais para 2030. Indicadores como retardo no crescimento infantil, emaciação, sobrepeso, baixo peso ao nascer e amamentação exclusiva mostram apenas pequenas melhorias, e o progresso é lento demais para atingir as metas. Ao mesmo tempo, a anemia em mulheres de 15 a 49 anos está piorando, enquanto a prevalência da obesidade em adultos aumenta de forma constante – de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024 – em contraste com a meta de interromper seu aumento até 2025. Apenas 30,8% das crianças de 6 a 23 meses no mundo têm uma dieta minimamente variada, e 150 milhões de crianças menores de cinco anos ainda apresentam grave retardo de crescimento.O progresso novamente varia significativamente de região para região. A prevalência do retardo infantil está diminuindo na África e está no caminho para atingir a meta de 2030 na Ásia, enquanto as taxas de amamentação exclusiva estão melhorando em todas as regiões para as quais há dados disponíveis. No entanto, quase todas as regiões estão enfrentando desigualdades crescentes no tratamento da anemia entre as mulheres, e o sobrepeso infantil está aumentando rapidamente na Oceania. O Custo de uma Alimentação SaudávelO relatório SOFI deste ano analisa em profundidade o custo de uma dieta saudável: o gasto mínimo médio necessário para comprar alimentos disponíveis localmente que atendam às necessidades energéticas e nutricionais. De acordo com a FAO e a OMS, uma dieta saudável é aquela adequada, equilibrada, variada e moderada.O relatório ressalta que os custos continuam sendo uma grande limitação para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (Fome Zero), embora reduzir custos sozinho não seja suficiente para melhorar a qualidade da dieta e os resultados nutricionais.Em 2025, o custo médio de uma dieta saudável no mundo aumentou para $4,28 com paridade de poder de compra (PPA) por pessoa e dia, acima de $3,44 PPP em 2021 e $2,94 em 2017. América Latina e Caribe registraram o maior custo ($4,91 PPP). Ao mesmo tempo, o número de pessoas que não podem pagar uma alimentação saudável no mundo caiu de 2,97 bilhões (37,4% da população mundial) em 2021 para 2,69 bilhões (32,7%) em 2025.No entanto, essa tendência esconde disparidades marcantes entre as regiões. Na África, a acessibilidade de uma dieta saudável piorou significativamente: em 2025, 66,6% da população não podia arcar com isso, uma porcentagem que é mais do que o dobro da Ásia, América Latina e Caribe.Os custos de uma dieta saudável variam consideravelmente de região para região devido às diferenças estruturais nos sistemas agroalimentares. Alimentos de origem animal, frutas e vegetais representam a maior fatia do custo total, enquanto alimentos básicos ricos em amido contribuem relativamente pouco. Alimentos de origem animal são o maior fator no custo de uma dieta saudável na África, enquanto os vegetais representam a maior parcela na América Latina e no Caribe.Cadeias de valor alimentícias desempenham papel determinante na formação dos preços. As atividades pós-produção representam de 70% a 75% do que os consumidores pagam, e até 40% do custo total se refere ao processamento, logística e atacado. Portanto, é fundamental melhorar a eficiência nesses segmentos, especialmente para reduzir o custo de alimentos perecíveis e ricos em nutrientes.Reduzir o custo de uma dieta saudável exige políticas específicas e adequadas para o contexto, que ampliem o fornecimento de alimentos nutritivos enquanto reduzem custos estruturais em todas as cadeias de valor agroalimentares. Isso inclui investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento, irrigação e cadeias de frio, além de reformas em subsídios, facilitação do comércio e marcos regulatórios.Intervenções direcionadas que aumentam a produtividade, reduzem perdas e promovem práticas sustentáveis podem, ao mesmo tempo, melhorar os resultados nutricionais, fortalecer a resiliência e contribuir para as metas climáticas.O relatório argumenta que o trabalho que está por vir até 2030 é imenso. No entanto, um mundo em que dietas saudáveis já estão ao alcance de quase uma em cada três pessoas é um mundo pelo qual vale a pena lutar.Para saber mais, acesse o Relatório SOFI 2026 na página da FAO: The State of Food Security and Nutrition in the World 2026 NOTAS PARA EDITORESDeclarações de lideranças da ONU: Diretor-geral da FAO, QU Dongyu: “O relatório mostra que é possível avançar, mas precisamos ser mais rápidos. Acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas que o facilitem. Crises recentes – desde desastres naturais como a pandemia da doença do coronavírus (COVID-19) até desastres causados pelo homem, como pontos críticos, a guerra na Ucrânia, a crise de Gaza e a recente interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz – evidenciaram tanto a resiliência dos sistemas agroalimentares quanto a necessidade de fortalecê-los ainda mais para melhor servir às pessoas mais vulneráveis do mundo, agricultores e consumidores.”Presidente do FIDA, Álvaro Lario: “O relatório SOFI mostra que o custo de uma dieta saudável continua subindo, e que quase 2,7 bilhões de pessoas ainda não podem pagar por alimentos saudáveis. Cadeias de valor resilientes devem estar no centro da solução. Agora, nosso trabalho é transformar os dados fornecidos pelo relatório SOFI em investimentos, e fazer isso por meio de parcerias. Juntos, podemos criar cadeias de valor, sistemas de mercado e economias rurais que tornem alimentos saudáveis acessíveis para todos.”Diretora-executiva da UNICEF, Catherine Russell: “Toda criança merece a oportunidade de crescer e se desenvolver ao máximo de seu potencial, e isso começa com o acesso a uma dieta nutritiva e acessível. Este relatório é um lembrete contundente de que os sistemas alimentares falham para milhões de crianças e famílias. Alimentação, saúde, educação e proteção social devem andar lado a lado para proteger as crianças e mulheres mais vulneráveis diante das crises globais.”Diretor executivo interino do WFP, Carl Skau: “Por trás de cada número neste relatório há uma família que precisa fazer as contas para pagar a comida. Conflitos e perturbações climáticas forçam essas famílias a viver cada vez mais além de suas possibilidades. Devemos continuar trabalhando com agências parceiras, governos e comunidades para construir sistemas alimentares que resistam a choques, para que as famílias possam pagar por alimentos nutritivos mesmo em tempos de crise. Agora é necessário investimento sustentado que esteja à altura da magnitude do desafio.”Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus: “Embora acolhamos o progresso claro que fizemos na redução da fome, dietas saudáveis continuam inacessíveis para uma em cada três pessoas no planeta. A obesidade continua aumentando e o progresso na nutrição materna e infantil está estagnando. Ainda assim, sabemos o que funciona: políticas que tornam a alimentação saudável a escolha mais fácil, incentivo à amamentação, rotulagem na embalagem, taxação de produtos não saudáveis e proteção das crianças contra publicidade prejudicial. Dietas saudáveis não são um luxo: elas são a base da saúde e devem estar disponíveis para todos.”Para solicitar fotografias, trechos de áudio, material em vídeo e imagens de apoio (b-roll), entre em contato pelo telefone (+39) 06 570 53625 ou pelo e-mail FAO-Newsroom@fao.org.Ferramentas online:Fotografias disponíveis por meio da conta FAOnews no FlickrFeed RSS dos comunicados de imprensa da FAO em @FAOnews no X (antigo Twitter)Contatos para a imprensa: Nicholas Rigillo, Assessoria de Imprensa da FAO, Roma: Nicholas.Rigillo@fao.org e FAO-Newsroom@fao.orgAlberto Trillo Barca, Assessoria de Imprensa do FIDA, Roma: a.trillobarca@ifad.orgNadia Samie-Jacobs, UNICEF, Especialista em Comunicação (Imprensa), Nova Iorque: nsamie@unicef.orgJordan Cox, Assessoria de Imprensa do WFP, Roma: jordan.cox@wfp.orgJin Ni, Equipe de comunicação da OMS, Genebra: mediainquiries@who.int
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07 julho 2026
Relatório ODS 2026: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável geram resultados concretos
Desde sua adoção em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) têm gerado resultados em grande escala — proporcionando acesso à água, à eletricidade e aos serviços de saúde a bilhões de pessoas. No entanto, o progresso continua desigual e insuficiente. Sem um impulso decisivo para ampliar rapidamente as iniciativas que funcionam, a promessa dos ODS corre o risco de ficar fora de alcance, de acordo com o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026, divulgado em 7 de julho em Nova Iorque. O que uma década de evidências nos mostra: os ODS geram resultadosDesde 2015, investimentos sustentados, políticas sólidas e cooperação internacional melhoraram a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo, com ganhos mensuráveis em todos os ODS:Quase um bilhão de pessoas obtiveram acesso à água potável gerenciada com segurança e 1,2 bilhão, ao saneamento gerenciado com segurança. As novas infecções por HIV caíram 30% entre 2015 e 2024, e as mortes relacionadas à AIDS, 35%.A eletricidade agora atinge 92% da população mundial. O acesso à internet disparou, passando de 40% para 74%. A proteção social abrange mais da metade da população global pela primeira vez na história. Por trás desses resultados está uma conquista importante e muitas vezes negligenciada: a revolução dos dados. Há uma década, havia dados disponíveis apenas para metade de todos os indicadores dos ODS. Hoje, um banco de dados global com mais de 3,2 milhões de pontos de dados abrange quase todos os indicadores — permitindo que os países identifiquem onde o progresso está se acelerando, onde persistem lacunas e quais políticas estão gerando resultados.“Guiados pelos dados deste relatório, nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos dar um impulso final decisivo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro saudável e próspero para todas as pessoas”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Por que o mundo está ficando para trás: crises que se sobrepõem e um déficit de financiamento cada vez maiorApesar dos avanços, persistem grandes desafios: Das 139 metas dos ODS com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado. Quase metade — 49% — avança muito lentamente.15% das metas regrediram para níveis inferiores aos de 2015.Uma em cada dez pessoas ainda vive em pobreza extrema. Cerca de 2,3 bilhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Mais de 150 milhões de crianças continuam com atraso no crescimento. A mortalidade materna é quase três vezes maior do que a meta global. Nenhuma das metas de igualdade de gênero está no caminho certo. O número de pessoas afetadas por desastres relacionados ao clima mais que dobrou desde 2015. A escalada de conflitos, a mudança climática, a desaceleração do crescimento econômico, o aumento da dívida e uma queda recorde na assistência oficial ao desenvolvimento estão agravando o déficit e afetando de forma desproporcional as pessoas mais vulneráveis do mundo.O que precisa acontecer agora: ampliar o que funcionaO Relatório destaca que os ODS continuam sendo o plano comum do mundo para a paz, a prosperidade e a sustentabilidade. Os dados acumulados ao longo de mais de uma década de implementação mostram que é possível alcançar avanços significativos — mas somente quando o compromisso político, o financiamento, a inovação e a cooperação internacional estiverem alinhados.“Mais de uma década de implementação mostrou o que é possível”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.“A tarefa agora é ampliar o que funciona — com a urgência, o investimento e a cooperação necessários para cumprir a promessa da Agenda 2030.”É essencial eliminar o déficit anual de financiamento dos ODS, de aproximadamente US$ 4 trilhões — por meio do Compromisso de Sevilha e da reforma da arquitetura financeira internacional. Isso deve ser acompanhado por sistemas de dados mais robustos, por meio do Quadro de Medellín, para direcionar os investimentos primeiro aos mais vulneráveis. Acelerar a transição energética, aproveitar tecnologias de ponta — incluindo a inteligência artificial — para o desenvolvimento sustentável, promover a igualdade de gênero como prioridade transversal e reforçar a cooperação multilateral também serão fundamentais para o sucesso.As escolhas feitas nos próximos quatro anos — em matéria de financiamento, cooperação e resposta coletiva a crises — terão efeitos duradouros para as gerações futuras, de acordo com o Relatório das Nações Unidas. Outros fatos e números importantesProgresso:A maioria das regiões estará próxima de erradicar a pobreza extrema até 2030, com exceção da África Subsaariana, do Oriente Médio e do Norte da África, e da Oceania (excluindo a Austrália e a Nova Zelândia).Entre 2012 e 2024, a prevalência de atraso no crescimento entre crianças menores de cinco anos diminuiu, resultando em 30,2 milhões a menos de crianças com atraso no crescimento em todo o mundo.A proporção de partos assistidos por profissionais de saúde qualificados aumentou de 80% para 87% entre 2015 e 2025 e está a caminho de atingir a meta de 90% até 2030.Entre 2019 e 2025, foram promulgadas 99 reformas legislativas para eliminar leis discriminatórias e estabelecer estruturas de igualdade de gênero; as mulheres ocupam agora 27,4% das cadeiras parlamentares, contra 22,3% em 2015.O trabalho infantil diminuiu em mais de 20 milhões entre 2020 e 2024.O desemprego global atingiu um nível quase historicamente baixo de 4,9% em 2025.A capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis per capita cresceu a uma taxa recorde de 14% entre 2023 e 2024 e agora é 2,2 vezes maior do que o nível de 2015.Desafios:Estima-se que a taxa global de pobreza extrema atinja 10% até 2026 — apenas 3 pontos percentuais abaixo do nível de 2015, muito abaixo da meta de erradicar a pobreza extrema até 2030.273 milhões de crianças e jovens continuam fora da escola; um em cada cinco jovens com idades entre 15 e 24 anos não está empregado, nem estuda, nem participa de treinamento, e os jovens têm quase quatro vezes mais chances de estar desempregados do que os adultos.Estima-se que 1,16 bilhão de pessoas — aproximadamente um em cada quatro residentes urbanos — vivam em conjuntos habitacionais precários ou assentamentos informais.A ajuda oficial ao desenvolvimento sofreu uma queda recorde de 23,1% em 2025 — o maior declínio anual já registrado —, voltando a níveis próximos aos de 2015.A população global de refugiados atingiu 440 por 100.000 pessoas em meados de 2025, mais do que o dobro do nível registrado uma década antes.O risco de extinção está se agravando em todos os grupos de espécies; a proteção de áreas-chave de biodiversidade atingiu, em média, apenas 45% em 2025.Os conflitos violentos atingiram seu nível mais alto em décadas. Em dezembro de 2025, mais de 117,8 milhões de pessoas estavam deslocadas à força em todo o mundo, anulando em poucos meses anos de avanços no desenvolvimento.As temperaturas globais em 2025 atingiram 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu seu nível mais alto em dois milhões de anos.A dívida externa dos países de baixa e média renda atingiu um recorde de US$ 8,9 trilhões em 2024.Para mais informações, acesse: https://unstats.un.org/sdgs/report/2026Nas redes sociais, siga @nacoesunidas e busque #SDGReport e #RelatórioODS! Contatos para a imprensa: Sharon Birch, Departamento de Comunicação Global da ONU: birchs@un.orgHelen Rosengren, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: rosengrenh@un.org
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08 julho 2026
No Congresso Nacional, ONU destaca cooperativismo como aliado do desenvolvimento sustentável
“Cooperativas por um mundo pacífico”: o tema do Dia Internacional do Cooperativismo 2026, assinalado em 4 de julho, enfatiza o papel do cooperativismo na construção de sociedades mais inclusivas, resilientes e democráticas. Estabelecida pela Assembleia Geral da ONU em 1993, a data internacional celebra o poder transformador das mais de 3 milhões de cooperativas existentes em todo o mundo - que representam cerca de 12% da população mundial. Em um mundo marcado por conflitos, desigualdades, fragmentação social e declínio da confiança nas instituições, o tema escolhido para este ano enfatiza que a paz duradoura precisa ser ancorada na inclusão e no diálogo social e na segurança econômica. Em seu discurso na Sessão Solene da Câmara dos Deputados dedicada à data internacional, em 7 de julho, o coordenador residente da ONU no Brasil, Igor Garafulic, destacou que “construir vínculos duradouros entre pessoas, comunidades e instituições deixou de ser apenas uma aspiração; tornou-se uma necessidade.” Baseadas na gestão participativa, na adesão voluntária e na responsabilidade compartilhada, as cooperativas criam espaços de diálogo, fortalecem a confiança e promovem soluções coletivas para desafios sociais e econômicos. Em todo o mundo, as cooperativas empregam mais de 280 milhões de pessoas - mais de 10% da força de trabalho global. Para o coordenador residente, “as cooperativas demonstram, todos os dias, que é possível construir pontes. Elas fortalecem a confiança entre as pessoas, ampliam oportunidades econômicas, promovem a participação democrática, reduzem desigualdades e contribuem para comunidades mais resilientes e inclusivas.” Identidade cooperativa: Força poderosa em prol do desenvolvimento sustentável Definidas pela Aliança Cooperativa Internacional como associações autônomas de pessoas que se unem voluntariamente para atender às suas necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais, as cooperativas colocam as pessoas no centro da atividade econômica. Sua atuação é orientada pelos valores de autoajuda, autorresponsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Esses princípios conferem às cooperativas seu caráter particular como instituições por meio das quais as pessoas compartilham responsabilidades, exercem voz democrática e utilizam a iniciativa empresarial para promover a dignidade humana, a inclusão social e o bem-estar da comunidade. Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o coordenador Igor Garafulic explicou a o valor conferido pela ONU às cooperativas: “As Nações Unidas reconhecem o cooperativismo como um parceiro estratégico para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e vêm incentivando, de forma consistente, que os Estados criem ambientes favoráveis ao seu fortalecimento.”As 300 maiores cooperativas do mundo registraram um faturamento total de 2,4 trilhões de dólares, ao mesmo tempo em que fornecem os serviços e a infraestrutura de que a sociedade precisa para prosperar. Presentes no cotidiano de milhões de pessoas, as cooperativas oferecem acesso a crédito, moradia, alimentação, serviços, mercados, produção, cuidados e apoio social. São empresas economicamente poderosas mas socialmente responsáveis. Enraizadas localmente, mas conectadas além das fronteiras. Autônomas, mas comprometidas com o bem comum. Ao colocar as pessoas e as comunidades à frente, o movimento cooperativo demonstra que a atividade econômica pode ser organizada de forma a promover a dignidade, a prosperidade compartilhada e o desenvolvimento sustentável, sem deixar ninguém para trás. Cooperativismo no Brasil: Visão de longo prazo para o crescimento, a inclusão e o fortalecimento da democracia No Brasil, as cooperativas desempenham papel importante na geração de emprego e renda, no fortalecimento das economias locais e na ampliação de oportunidades para pequenos produtores e empreendedores, contribuindo para reduzir desigualdades regionais. “Uma visão de longo prazo contribuiu para que o cooperativismo brasileiro se consolidasse como um importante motor da economia nacional. Hoje, milhões de brasileiros participam de cooperativas nos mais diversos setores — agropecuária, crédito, saúde, transporte, habitação, infraestrutura, consumo, trabalho e tantos outros”, afirmou o coordenador residente Igor Garafulic. Organizada pela Câmara dos Deputados em colaboração com a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), a Sessão Solene para o Dia do Cooperativismo reuniu congressistas, a sociedade civil e líderes do setor para reconhecer a contribuição do modelo cooperativista para o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e o fortalecimento da democracia brasileira. Assista à gravação no YouTube: Para mais informações, acesse a página das Nações Unidas para o Dia Internacional das Cooperativas e acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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06 junho 2026
Igor Garafulic assume como coordenador residente da ONU no Brasil
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, nomeou o chileno Igor Garafulic como coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, com a aprovação do Governo brasileiro. Ele assumiu suas funções no dia 1º de junho.O Sr. Garafulic possui mais de 30 anos de experiência em desenvolvimento internacional, política econômica, diálogo político e coordenação multilateral, adquirida por meio de cargos de liderança no Sistema das Nações Unidas e no serviço público em diversos países da América Latina e de outras regiões.
Mais recentemente, atuou como Coordenador Residente interino das Nações Unidas no Azerbaijão, após desempenhar função semelhante no Paraguai. Anteriormente, foi Coordenador Residente das Nações Unidas no Peru e em Honduras. Antes de assumir essas funções, ocupou diversos cargos de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incluindo Diretor de País na Guatemala, Assessor Sênior e, posteriormente, Chefe de Gabinete do Escritório Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe.Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Sr. Garafulic foi Governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de Diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, representou o Chile em negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), ao Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).O Sr. Garafulic possui mestrado em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e graduação em Economia pela Universidade do Chile.É fluente em inglês, espanhol, português e sueco.É casado e tem dois filhos.
Mais recentemente, atuou como Coordenador Residente interino das Nações Unidas no Azerbaijão, após desempenhar função semelhante no Paraguai. Anteriormente, foi Coordenador Residente das Nações Unidas no Peru e em Honduras. Antes de assumir essas funções, ocupou diversos cargos de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incluindo Diretor de País na Guatemala, Assessor Sênior e, posteriormente, Chefe de Gabinete do Escritório Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe.Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Sr. Garafulic foi Governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de Diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, representou o Chile em negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), ao Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).O Sr. Garafulic possui mestrado em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e graduação em Economia pela Universidade do Chile.É fluente em inglês, espanhol, português e sueco.É casado e tem dois filhos.
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14 maio 2026
ONU Brasil lança Relatório Anual 2025
O recém-lançado Relatório Anual das Nações Unidas destaca os principais resultados alcançados pelo Sistema ONU no Brasil ao longo de 2025. Por meio de planejamento integrado, coordenação interagencial e investimentos catalisadores, as 25 entidades da ONU atuaram em parceria com o Estado brasileiro e com os três níveis de governo para promover o desenvolvimento sustentável do país, considerando as necessidades específicas dos diferentes grupos populacionais e a proteção do meio ambiente.Em um ano de muito destaque internacional para o Brasil, com a Cúpula dos BRICS e a realização da COP30 na Amazônia, a ONU trabalhou incessantemente para apoiar o país e ajudou na formulação, aperfeiçoamento e implementação de 85 políticas públicas, além de 18 instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário.Seguindo as diretrizes do Marco de Cooperação, vigente de 2023 a 2027, ao longo de 2025 a ONU trabalhou em temas como direitos humanos, ação climática, combate à fome e à pobreza, comércio, justiça, prevenção de desastres e trabalho decente. Foram 338 iniciativas implementadas, às quais foram destinados US$ 213 milhões. Os benefícios alcançaram milhões de pessoas em todo o país. De acordo com a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, “o ano de 2025 marcou a consolidação do Sistema das Nações Unidas no Brasil como um parceiro estratégico, coerente e de alto valor agregado para o país, em um contexto nacional e internacional de elevada complexidade”. O relatório anual ressalta, além dos resultados, os desafios, a execução financeira, os principais doadores e os 253 parceiros que trabalham junto com o Sistema ONU para que o Brasil avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Apresenta, ainda, as principais conquistas de cada uma das 25 agências especializadas, fundos e programas da ONU que atuam no Brasil.Confira dez destaques de 2025:10 anos da Livres & Iguais no BrasilFundo Brasil-ONU para a Amazônia em açãoJovens indígenas ocupam redes da @ONUBrasilApoio aos BRICSPreparação da COP30Brasil fora do Mapa da Fome80 anos da ONUONU Brasil na COP30Revisão de meio termo do Marco de CooperaçãoEliminação da transmissão vertical do HIVMarco de CooperaçãoAssinado em 2023 com o Estado brasileiro, o Marco de Cooperação é o principal documento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação das ações da ONU no país. Ele organiza o trabalho das agências especializadas, fundos e programas das Nações Unidas com atuação no país em torno de cinco eixos temáticos:Transformação Econômica para o Desenvolvimento SustentávelInclusão Social para o Desenvolvimento SustentávelMeio Ambiente e Mudança do Clima para o Desenvolvimento SustentávelGovernança e Capacidades InstitucionaisRelação das Ações Humanitárias e de Desenvolvimento Sustentável Para saber mais, leia aqui o relatório completo e siga @onubrasil nas redes!Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
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História
10 julho 2026
“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida”
Enquanto aguarda o embarque, Kenny Rebolledo observa uma rotina que conhece bem. Durante mais de um ano, acompanhou pessoas surdas em cada etapa da interiorização. Agora, pela primeira vez, é ele quem segue nesse percurso, rumo a uma nova cidade onde pretende trabalhar, reconstruir sua vida e apoiar a família. Kenny Rebolledo, 38 anos, pessoa surda, nasceu em Ocumare del Tuy, no estado de Miranda, na Venezuela. Ainda adolescente, aos 15 anos, começou a aprender a língua de sinais com o apoio do primo, também surdo. Dois anos depois, já dominava a comunicação e participava ativamente da comunidade surda, incluindo atividades esportivas. Em fevereiro de 2024, tomou a decisão de sair da Venezuela. Atravessou a fronteira e chegou ao Brasil poucos dias depois.“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida.” Como pessoa surda, o recomeço exigiu adaptação a uma nova língua de sinais e a um novo idioma. Usuário da Língua de Sinais Venezuelana (LSV), em apenas três meses, aprendeu também a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A partir disso, passou a se conectar com a comunidade surda local, frequentar espaços coletivos e reconstruir, com autonomia, sua rede no Brasil. No dia a dia, também utiliza recursos como a leitura labial para se comunicar em outros contextos. Foi nesse processo de adaptação e aproximação com a comunidade local que Kenny passou a atuar com a Agência da ONU para as Migrações (OIM). Apoiando pessoas surdas na Estratégia de Interiorização, participou do programa da Operação Acolhida que leva voluntariamente pessoas venezuelanas de Boa Vista para integração em outras cidades do Brasil. Na agência, durante mais de um ano, trabalhou como intérprete, auxiliando em entrevistas, orientações e no acesso à comunicação para outras pessoas surdas, utilizando a Língua de Sinais Venezuelana e Libras. Ao longo desse período, passou a conhecer de perto cada etapa do processo de interiorização, o mesmo que agora se prepara para vivenciar. “Muitas pessoas não sabem português nem Libras, então eu ajudava”, conta. Mais do que um trabalho, foi uma experiência de troca, de escuta, de reconhecimento e de identificação com histórias que, muitas vezes, se pareciam com a sua. Atendido pelos colegas com quem costumava trabalhar, ele se despede de Roraima para iniciar seu processo de interiorização. O destino é Tijucas, estado de Santa Catarina, no sul do país, onde pretende começar uma nova etapa de vida. “Quero ajudar minha mãe, meu primo surdo… e seguir em frente”, diz. Ele conta que se sente ansioso, mas também confiante. Depois de mais de um ano vivendo em Roraima, acredita que aprendeu muito. Em seu novo caminho, quer trabalhar, se estabelecer e criar condições para apoiar sua família. Entre seus planos estão conseguir um emprego, ter sua própria casa para receber a família e construir novas relações. “Quero que seja um futuro com responsabilidade, esforço e esperança.” Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM Brasil.
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História
03 julho 2026
Do Espírito Santo à ONU: “Documentação civil é porta de entrada para o exercício da cidadania”
O projeto Identifique-se, iniciativa voltada à emissão de documentação civil para pessoas privadas de liberdade no Espírito Santo, foi uma das duas iniciativas brasileiras reconhecidas com o Prêmio de Serviço Público das Nações Unidas em 2026. A premiação ocorreu no final de junho, durante o Fórum do Serviço Público da ONU, realizado em Tbilisi, na Geórgia. Ao todo, 12 iniciativas de 9 países foram premiadas na edição deste ano. “O fornecimento de documentação civil à população prisional é um passo básico para se falar em pertencimento social”, afirmou o ex-secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Rafael Pacheco, em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Criado em 2017, o projeto surgiu para enfrentar um problema recorrente nas unidades prisionais: a ausência de documentação civil entre pessoas encarceradas. Em parceria com a Polícia Civil, a Receita Federal e o Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (SINOREG/ES), a iniciativa viabiliza a emissão de documentos essenciais, como carteira de identidade, CPF e certidões de nascimento.“Garantir que uma pessoa privada de liberdade tenha seus documentos regularizados significa assegurar o acesso a direitos previstos na legislação e criar condições para que ela participe de políticas públicas de educação, saúde, assistência social e qualificação profissional durante o cumprimento da pena”, afirmou o secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Nelson Merçon, à equipe da UNIC Rio.A iniciativa estrutura um fluxo padronizado para a regularização documental dentro do sistema prisional. O processo começa com o trabalho das equipes psicossociais das unidades, que identificam, durante os atendimentos técnicos, a situação documental de cada pessoa privada de liberdade. Em seguida, por meio das parcerias institucionais, os dados biométricos são coletados nas próprias unidades prisionais e os documentos são emitidos de forma digital e segura.“Entre os principais avanços estão a integração entre órgãos públicos, a padronização dos procedimentos e a atuação das equipes técnicas em todas as unidades”, destacou o secretário de Estado.Reintegração social, identidade e direitos humanosEntre 2013 e 2023, a população carcerária da América do Sul cresceu 28%, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O aumento foi impulsionado principalmente por países populosos, como o Brasil, e evidencia a importância de políticas públicas voltadas à garantia de direitos e à reintegração social das pessoas privadas de liberdade. Nesse contexto, a reabilitação e a reintegração social envolvem ações estruturadas que ampliam o acesso a direitos e oportunidades, reduzindo fatores associados à reincidência criminal. “A reabilitação começa com condições que permitam às pessoas presas reimaginar a si mesmas e seu futuro”, enfatiza o relatório Global Prison Population and Trends: A Focus on Rehabilitative Environments, do UNODC.Segundo o relatório, é fundamental que as pessoas privadas de liberdade tenham acesso a oportunidades e serviços públicos que lhes permitam projetar uma vida fora da criminalidade e reconstruir sua dignidade.“O serviço penitenciário possui uma finalidade: a reinserção social tendo em vista a diminuição da reincidência criminal. Essa sendo a finalidade, é preciso colocar elementos de cidadania no cumprimento da pena”, afirmou o ex-secretário de Estado Rafael Pacheco à equipe UNIC Rio. Nesse processo, a documentação civil exerce um papel essencial. Sem documentos básicos, pessoas privadas de liberdade encontram barreiras para acessar educação, qualificação profissional, serviços de saúde, assistência social e até procedimentos legais — direitos fundamentais para a construção de novas oportunidades e para a redução dos fatores associados à reincidência.“Sem documentos básicos, diversos serviços públicos ficam inacessíveis ou são dificultados”, explica o secretário de Estado Nelson Merçon. Segundo o secretário capixaba, os resultados da iniciativa já podem ser observados na trajetória de diversas pessoas beneficiadas.“Há casos de pessoas que chegaram ao sistema prisional sem qualquer documento de identificação e, após a regularização documental, puderam ingressar em cursos profissionalizantes, participar de programas de educação, formalizar vínculos de trabalho dentro das unidades e, posteriormente, deixar o sistema prisional com condições de acessar emprego formal e políticas públicas”, relata.Desde sua criação, em 2017, o Identifique-se emitiu mais de 27 mil documentos, entre eles cerca de 10 mil carteiras de identidade, 9 mil CPFs e 8,5 mil certidões de nascimento.“Mais do que emitir documentos, a política devolve identidade civil e amplia as possibilidades de reconstrução da trajetória dessas pessoas”, resume o secretário.Prêmio de Serviço Público da ONU Estabelecido em 2003, o Prêmio de Serviço Público reconhece realizações excepcionais no serviço público, com o objetivo de promover e apoiar abordagens inovadoras para a prestação de serviços públicos.Iniciativas de instituições públicas nos níveis nacional, subnacional e local de todos os 193 Estados-membros da ONU podem submeter inscrições para o Prêmio.O projeto Identifique-se foi reconhecido na categoria “Prestação de serviços inclusivos e equitativos para não deixar ninguém para trás”, na edição deste ano. Entre mais de 700 candidaturas de 62 países, 12 iniciativas inovadoras de 9 países receberam o Prêmio das Nações Unidas para o Serviço Público 2026.Desde sua primeira edição em 2003, mais de 300 iniciativas foram premiadas em todo o mundo. Iniciativas brasileiras premiadas nos últimos anos incluem a Prefeitura de São Paulo e a Prefeitura de Salvador (2024), a Prefeitura de Recife (2022), o Governo da Bahia (2021) e a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (2020). “O Prêmio da ONU representa o reconhecimento internacional de uma política pública construída de forma colaborativa, que coloca a garantia de direitos e a ressocialização como pilares da gestão penitenciária”, afirma o secretário Nelson Merçon. Para saber mais, visite a página do Prêmio de Serviço Público da ONU.
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História
03 julho 2026
Do Pará à ONU: “Meio ambiente é direito humano”
“O rio é a nossa rua. É ele que nos dá o nosso alimento. Dos rios nós tomamos essa água.” - Cristina Fernandes, presidente da Colônia Z-15 de Igarapé Miri, no Pará. Cristina participa dos Acordos de Pesca, um programa paraense de gestão participativa voltado ao ordenamento da atividade pesqueira e à proteção de comunidades ribeirinhas. Na última quinta (25), em Tbilisi, Geórgia, o programa Acordos de Pesca foi uma das 12 iniciativas premiadas pelas Nações Unidas na edição de 2026 do Prêmio de Serviço Público. A iniciativa do Pará foi premiada na categoria “Participação e engajamento para a tomada de decisões inclusivas”. Acordos de Pesca: governança participativa e comunitáriaA iniciativa Acordos de Pesca da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará é um modelo de governança participativa que atua na mediação e validação das decisões comunitárias sobre a atividade pesqueira do estado. A política pública, estruturada no Programa Regulariza Pará, aborda a sobrepesca, a fraca efetividade das regulamentações impostas sem participação das comunidades e os conflitos sociais entre pescadores artesanais e industriais.“É uma política que, primeiro, tem uma escolha: ela nasce dos territórios e dialoga com eles”, afirma o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental do Pará, Rodolpho Bastos, coordenador da delegação premiada em Tbilisi. Os principais objetivos são conservar os estoques pesqueiros, garantir a segurança alimentar, fortalecer os meios de subsistência tradicionais, reduzir conflitos e promover o desenvolvimento sustentável na região amazônica. Os acordos de pesca são elaborados por meio de assembleias comunitárias, que envolvem comunidades ribeirinhas, povos indígenas, quilombolas e extrativistas. Nesse processo, as comunidades definem coletivamente regras específicas de seu território, como zonas de pesca, artes de pesca permitidas, épocas de defeso e espécies-alvo. Uma vez validados pelas autoridades ambientais, os acordos tornam-se juridicamente vinculativos para todos os usuários do território.“A política de acordos de pesca é uma microssolução territorial para co-gestão dos recursos pesqueiros, mas é uma macropolítica porque carrega a ideia de permanência e continuidade das pessoas de cada território”, afirma Selma Solange Santos, analista ambiental e assessora da Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará.Os acordos de pesca mediados pelo Estado e desenvolvidos pelas comunidades pesqueiras e ribeirinhas são adaptados para cada realidade territorial. “A norma é construída pelas comunidades, em conjunto, nessas assembleias. E o Estado faz a mediação desse diálogo e valida essa norma. Uma norma que emana diretamente da população que vive da pesca e conhece o território”, afirma Rodolpho. Em números, os impactos da iniciativa, que teve início em 2021, são: 6.000 quilômetros quadrados de territórios de pesca conservados e gerenciados sob governança comunitária.337 comunidades com acordos homologados garantem direitos sobre territórios de pesca, beneficiando mais de 21.000 famílias.85% das comunidades representadas em comitês (2023).200 jovens capacitados como monitores agentes ambientais.Saber tradicional e comunidades ribeirinhas A iniciativa parte da aprendizagem territorial, isto é, incentivar o território e empoderamento dos saberes locais e tradicionais como fonte primária do conhecimento socioambiental, a partir da governança comunitária. Ela realiza uma função importante no fortalecimento da atividade pesqueira artesanal. “As comunidades já fazem, na Amazônia, o manejo de seu território. Nesse manejo, os recursos fazem parte da reprodução da vida. As comunidades fazem isso ancestralmente, de forma diversificada e estruturada com suas tecnologias tradicionais”, afirma a analista ambiental. O projeto, ao contribuir para a proteção das comunidades ribeirinhas pesqueiras, também impulsiona a visibilidade dessas pessoas e o reconhecimento de seus modos de vida e existência. Ao garantir a sustentabilidade da pesca, a iniciativa também contribui diretamente para a conservação da floresta. Em entrevista para o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), o secretário Rodolpho Bastos enfatiza: “Onde tem Acordo de Pesca, onde tem pescador atuando, a floresta é preservada”. A política atua, assim, diretamente na conservação da biodiversidade e no equilíbrio dos ecossistemas, aquáticos e terrestres. “A iniciativa não é levar o conhecimento técnico para o território e sim uma política de aprendizagem territorial: aprender com quem está lá e com o conhecimento que foi passado de geração em geração”, disse Selma à equipe do UNIC Rio.Ela também argumenta que encarar a pesca como uma das principais bioeconomias da Amazônia é essencial. “Já existe nessas regiões toda uma economia coletiva muito forte. A política traz muito esse senso de reconhecimento do papel que essas economias coletivas possuem dentro do território amazônico”, explica Selma. Políticas públicas voltadas à permanência nos territórios se mostram indispensáveis no reconhecimento do papel das economias coletivas e locais e na preservação da pesca artesanal.Assim, a iniciativa estabelece uma relação indissociável entre pesca, direitos humanos e cidadania. “A partir do momento que eles nos convidam e começamos a estabelecer uma relação virtuosa com os acordos de pesca, começamos a trabalhar em parceria com diversos serviços públicos”, explica Selma. Os acordos de pesca servem como ponto de entrada para políticas públicas, com efeitos concretos na Regularização Fundiária e Ambiental. As comunidades têm acesso a Programas Sociais, como o cadastro no Programa Pesca Justa (Governo do Pará), que beneficiou 1.200 famílias com crédito para equipamentos (freezers, geladeiras comunitárias), certificação para vendas diretas a mercados institucionais e infraestrutura básica. “Trabalhamos a relação conservação da biodiversidade e o fortalecimento da economia local, mas também nos preocupamos muito com a presença do serviço público e garantias de direitos territoriais, sociais e humanos”, destaca Rodolpho. Prêmio de Serviço Público da ONU 2026 e Agenda 2030 Para o secretário Rodolpho, a cerimônia destaca o papel da cooperação e da troca de experiências entre servidores públicos. Diante das dificuldades no acesso ao financiamento climático, o prêmio simboliza a valorização de iniciativas do setor público para o desenvolvimento sustentável. “Ficamos muito contentes de nos sentirmos parte desse prêmio”, afirma. Além da visibilidade que o recebimento do prêmio proporcionou, a iniciativa, para Selma, “mostrou que vale a pena investir na participação comunitária e na governança participativa e principalmente na importância de não deixar ninguém para trás”, disse, fazendo menção à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A iniciativa contribui de maneiras diversas para múltiplos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): sustentabilidade da pesca, da bioeconomia, da conservação ambiental, da segurança alimentar, das instituições reguladoras, dos serviços públicos e das próprias comunidades. Trata-se de impacto intersetorial em prol da conservação ambiental e da defesa dos direitos humanos, sem deixar ninguém para trás. Para saber mais, leia a matéria da ONU Brasil sobre o Prêmio de Serviço Público da ONU 2026 e acesse a página do Prêmio das Nações Unidas sobre os Acordos de Pesca.
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História
02 julho 2026
“O UNICEF foi o lugar onde eu entendi que a minha voz tinha força’’
Moradora da Pavuna, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Larissa Lúcia cresceu acompanhando de perto os desafios que atravessam a juventude periférica: violência, falta de acesso a direitos e oportunidades que raramente chegam à borda da cidade.Entre projetos, formações e mobilizações, Larissa construiu uma trajetória marcada pelo protagonismo juvenil e pela parceria contínua com o UNICEF, que se tornou referência e ponto de apoio ao longo de sua caminhada.A relação de Larissa com a mobilização juvenil começou cedo, aos 16 anos, quando ainda buscava entender qual poderia ser seu lugar dentro das discussões sobre direitos, cidadania e transformação social. Foi por meio de iniciativas voltadas a adolescentes e jovens que ela começou a se aproximar de temas como educação, saúde e participação democrática. “Eu sempre gostei de me envolver, de estar em grupo, de pensar projetos coletivos. Mas eu ainda não sabia que isso tinha nome, que isso era participação social.”Esse despertar inicial abriu portas para outros espaços, nos quais ela pôde desenvolver habilidades, assumir responsabilidades e se reconhecer enquanto liderança.A conexão com o UNICEF se deu de forma quase inevitável para quem já vinha observando o cotidiano do território com espírito crítico e desejo de mudança.“O UNICEF foi o lugar onde eu entendi que a minha voz tinha força. Eu cheguei ali meio tímida, meio sem saber se eu tinha algo a dizer, mas percebi rápido que não só tinha como era necessário dizer”, conta. Larissa participou de diferentes iniciativas do UNICEF, entre elas: Zona Nossa, onde começou a compreender a dimensão política das experiências que vivia.Chama na Solução, que a aproximou da educomunicação e da criação de projetos voltados ao território.Incubadora de Comunicação Popular (iComPop), no qual atuou como mentora, experiência em que passou a coordenar jovens e construir processos coletivos de comunicação no território. Também participou de pesquisas, rodas de conversa e eventos que aproximavam jovens do debate sobre políticas públicas, como encontros voltados para saúde, prevenção e direitos sexuais e reprodutivos e atuação em momentos de mobilização sobre violência urbana, direitos humanos e garantia de acesso à escola. Aos poucos, os projetos se tornaram parte fundamental de sua trajetória. “O UNICEF me ensinou a olhar para a minha comunidade com a lente da transformação. Não como um lugar condenado, mas como um lugar cheio de potência, onde a gente pode e deve construir alternativas.”A parceria com o UNICEF não se limitou às atividades pontuais, ela se tornou uma presença constante: “O UNICEF estava ali através da Agenda, acompanhando, incentivando, abrindo caminhos. Não era só o projeto em si, era saber que existia uma instituição internacional, gigante, confiando no que a gente podia construir em nosso território.”Essa confiança fortaleceu sua atuação. Larissa passou a facilitar encontros, participar de debates públicos e contribuir para discussões sobre juventude nos espaços do UNICEF. “Cada vez que eu participava de alguma coisa, eu crescia um pouco. Ganhei segurança, conhecimento, maturidade e clareza sobre o meu papel”, conta.Esse processo se aprofundou quando Larissa assumiu o papel de mentora do iComPop (Incubadora de Comunicação Popular), projeto do UNICEF implementado pela Bem.TV. Larissa explica como essa experiência transformou sua trajetória e reflete sobre a importância de participar de um projeto do UNICEF em seu território. “Eu acredito que a minha percepção enquanto comunicadora mudou a partir do momento que eu assumi a mentoria da iComPop. Me fez me entender enquanto comunicadora popular, enquanto liderança do meu território. Me fez entender que eu tinha um papel na minha comunidade. Eu tive a oportunidade de me redescobrir, me reinventar”, conta. Hoje, depois de tantos caminhos construídos, a jovem de 21 anos é estudante de comunicação social pela universidade Estácio de Sá, atua como estagiária de comunicação Defensoria Pública do Rio de Janeiro e no Centro de Promoção de Saúde (CEDAPS). Ela aponta que os projetos tiveram efeitos profundos em sua trajetória, criando redes de apoio, de afeto, trabalho e de construção política. “Eu conheci pessoas que mudaram minha forma de viver e de pensar. Gente que queria transformar junto, que tinha histórias parecidas com as minhas, que me fazia sentir parte de algo maior.” Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do UNICEF Brasil!
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História
01 julho 2026
“Essa tranquilidade e apoio que estamos recebendo amortecem os traumas e nos devolvem a esperança”
Sofía del Carmen, técnica ambiental, e Luis Beltrán Fuentes, técnico superior petroleiro, chegaram ao Brasil atravessados por incertezas. “Chegamos nervosos, cheios de expectativas e temores”, contou Sofía. O filho do casal, Luciano Stefano, resume o período: “Eu me sentia assustado”.Luis, o pai, foi perseguido político na Venezuela, o que forçou a família a deixar tudo para trás. “Tivemos que sair do nosso país com todos esses traumas… Em alguns momentos, precisamos deixar de comer para que nosso filho comesse”, relembrou.“Mas aqui isso mudou. Essa tranquilidade e apoio que estamos recebendo amortecem os traumas e nos devolvem a esperança”, acrescentou.A mudança que se descortina agora, segundo a família, é a possibilidade de pensar no futuro sem que o presente esteja permeado por emergências. “Sempre mantivemos uma postura positiva, independentemente das adversidades”, afirmou Luis. “Mas as oportunidades que nos foram oferecidas aqui nos permitem fazer aquilo que toda família deveria poder fazer: planejar a própria vida.” O planejamento inclui também retribuir. “Queremos colocar nosso grão de areia, nossa força de trabalho e tudo o que temos de bom para colaborar com o desenvolvimento do Brasil”, disse. Sobre o futuro, Luciano reflete: “Quero aprender português, estudar o máximo que puder e depois seguir a carreira que eu gostar. Quero ser arquiteto.” A realidade da família se assemelha com a de muitas outras. Kariannys veio de Ciudad Guayana, na Venezuela. “Viemos quase sem nada. Tivemos que começar do zero”, lembrou. O que encontrou no abrigo da Aldeias Infantis SOS em Brasília, portanto, foi o início de um tempo diferente. Um tempo em que se pode fechar a porta do quarto, tomar banho com privacidade, guardar roupas em um armário, ter segurança alimentar e voltar a fazer planos.“Meus filhos têm muitos sonhos”, contou. “Aqui eu me sinto confiante de que poderei realizá-los. Quero que estudem, que sejam alguém na vida. Estamos, de verdade, contentes por esse cuidado conosco.” Ela adiciona: “Aqui nos fizeram sentir em casa. É um alívio e nos devolve a confiança e a esperança para seguir adiante”.ACNUR em ação: Operação Acolhida Chegaram a Brasília, em janeiro, 13 famílias, 60 pessoas ao todos, por meio do processo de interiorização nas Aldeias Infantis SOS, coordenado pela Operação Acolhida - estratégia do Governo Federal em resposta ao fluxo migratório venezuelano - com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).O acolhimento ocorre no âmbito do projeto Brasil Sem Fronteiras, uma parceria que garante abrigo temporário, apoio psicossocial e acompanhamento para a integração local. A iniciativa agora entra em um novo momento, com sua continuidade assegurada por um aporte da Children’s Village Worldwide (CVW), organização que integra a rede global da Aldeias Infantis SOS, presente em mais de 130 países, referência em cuidado de crianças. Do abrigamento emergencial ao recomeço possível: a rede por trás da integraçãoPara Edson Neris Bahia, representante das Aldeias Infantis SOS, o momento traz um significado especial. “Para nós é um momento de muita alegria. Estávamos ansiosos pela chegada das primeiras famílias nessa nova fase do projeto, contemplada pela CVW. Um espaço bonito e tranquilo, com uma equipe que dará o apoio necessário para que essas famílias possam ter novas oportunidades para conquistar autonomia e independência”, relatou.A realocação voluntária dessas famílias integra o processo de interiorização coordenado pela Operação Acolhida, estratégia do Governo Federal em resposta ao fluxo migratório venezuelano iniciado em 2018. Em colaboração com parceiros estratégicos como o ACNUR, a Força-Tarefa Logística Humanitária já interiorizou mais de 156 mil pessoas para cerca de 1.100 municípios brasileiros.“Transformar vidas é a essência do nosso trabalho. A Operação Acolhida chega ao seu oitavo ano como um marco de dignidade e proteção social, buscando garantir a integração de refugiados e migrantes venezuelanos em situação de extrema vulnerabilidade nos municípios de todo o país”, declarou o chefe da Assessoria de Comunicação da Operação Acolhida, Tenente-Coronel Magno Barros.O processo de interiorização, explica, é uma das chaves dessa estratégia. “Aqui, essas famílias passam a ter acesso a serviços, como educação, trabalho e geração de renda, com o objetivo de reconstruir suas vidas com dignidade.” Um trabalho que se faz em rede e que cria condições para que famílias como as de Kariannys, Sofía, Luis e Luciano possam voltar a permanecer, planejar e seguir adiante com segurança e pertencimento.Para saber mais, siga @acnurbrasil e visite a página do ACNUR no Brasil!
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Notícias
23 julho 2026
Rio de Janeiro sedia 26ª Conferência Internacional da AIDS
A Conferência Internacional da AIDS (AIDS 2026) será o primeiro grande encontro global após a Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre HIV e AIDS, na qual os países se reuniram e assumiram novos compromissos e metas para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030. A conferência acontece em um momento crítico, em que esses compromissos globais precisam implementados nos países. O UNAIDS estará presente na Conferência.Será necessária uma liderança política sustentada, além de compromissos concretos de financiamento tanto por parte de organismos doadores quanto dos países mais afetados pelo HIV, especialmente em um contexto de restrição de recursos.Em 27 de julho, dia da abertura oficial da conferência, o UNAIDS lançará o relatório especial “Unidas e unidos para acabar a AIDS”, que apresenta os dados mais recentes sobre HIV no mundo. O UNAIDS concentrará sua atuação em três áreas estratégicas:Apoiar todos os países no alcance das metas estabelecidas na Estratégia Global para a AIDS 2026–2031 e na Declaração Política sobre HIV e AIDS de 2026.Proteger os serviços de prevenção do HIV e liderados pela comunidade, especialmente para populações-chave, mulheres, meninas e jovens.Mobilizar financiamento sustentável para a resposta ao HIV, incluindo a manutenção de recursos internacionais, o fortalecimento do financiamento doméstico e o planejamento da transição. PROGRAMAÇÃOSábado, 25 de julhoLiving 2026 – Pré-conferência | 08h00 às 17h00A LIVING2026 é organizada pela GNP+ em parceria com a Prevention Access Campaign (PAC), marcando os dez anos da campanha Indetectável = Intransmissível (I=I).Domingo, 26 de julhoRepensar, Reconstruir, Avançar: integração entre SSR e HIV e liderança comunitária em uma nova era de financiamento | Sala 103 | 14h00 às 15h00Diálogo de abertura sobre o contexto político da resposta ao HIV, com foco em direitos humanos, equidade global e na coragem política necessária para repensar e reconstruir sistemas de saúde resilientes.Segunda-feira, 27 de julhoTornando a eliminação do HIV nas Américas uma realidade: liderança, evidências e ação | Sala 204 | 11h30 às 12h30O simpósio apresentará a eliminação do HIV como uma prioridade urgente de saúde pública e uma meta realista para as Américas. Também destacará experiências nacionais e lançará oficialmente a Aliança para a Eliminação do HIV nas Américas, plataforma regional criada para acelerar o progresso rumo a 2030.Coletiva de imprensa de abertura: lançamento do relatório especial do UNAIDS – Unidas e unidos para acabar com a AIDS | Sala de imprensa | 14h00 às 15h00No primeiro dia de eventos oficiais da AIDS 2026, o UNAIDS divulgará um novo relatório que apresenta o impacto dos cortes e interrupções no financiamento ocorridos em 2025, bem como os avanços globais na resposta à AIDS.Cerimônia de abertura da Women’s Networking Zone 2026 | Global Village | 15h00 às 16h30 Terça-feira, 28 de julhoUm alerta para as respostas ao HIV lideradas por jovens: a juventude está ficando para trás? | Youth Pavilion | 13h00 às 14h00Painel que reunirá representantes dos programas da Y+ Global e parcerias para discutir a evolução das respostas lideradas por jovens no cenário atual. O debate abordará os desafios vivenciados por organizações juvenis, discutirá o que caracteriza uma resposta verdadeiramente inclusiva e integrada e destacará soluções para garantir que os jovens permaneçam no centro do desenho, implementação, incidência política e tomada de decisões.Quarta-feira, 29 de julhoLiderança no ponto de inflexão: protegendo conquistas e acelerando o progresso em uma nova era da resposta ao HIV | Sala 201 | 10h30 às 11h30O simpósio discutirá formas de equilibrar solidariedade global e soberania nacional diante do cenário atual, apresentando estratégias para fortalecer a resposta ao HIV por meio de investimentos nacionais, coordenação regional e financiamento da inovação.Liderando o futuro: recolocando mulheres, crianças e adolescentes no centro do controle sustentável da epidemia de HIV | Sala 201 | 18h00 às 19h30Neste simpósio, a diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, fará a palestra principal sobre a liderança e o compromisso coletivo necessários para construir o futuro da resposta ao HIV, em consonância com a nova Declaração Política das Nações Unidas e com protagonismo das comunidades.Quinta-feira, 30 de julhoReunião de Alto Nível do Conselho Global sobre Desigualdade | Ebola, AIDS, COVID e além: rompendo o ciclo entre desigualdade e pandemias | 10h30 às 11h30Da Declaração Política à ação comunitária: utilizando a Reunião de Alto Nível da ONU sobre HIV e AIDS de 2026 como ferramenta de incidência política. Encontro com participação de Joseph Stiglitz. | Sala 101C | 16h30 às 17h30O workshop discutirá os resultados da Reunião de Alto Nível da ONU sobre HIV e AIDS de 2026 e o significado da nova Declaração Política para comunidades, incidência política, prestação de contas e o futuro da resposta ao HIV. Participantes analisarão como o documento pode ser utilizado como instrumento prático de advocacy em diferentes países e regiões.Sexta-feira, 31 de julhoLiderança política importa: renovando a ação parlamentar na resposta ao HIV | Sala 205 | 16h30 às 17h30Após a Reunião de Alto Nível da ONU, esta sessão da Plataforma Parlamentar Global sobre HIV e AIDS mostrará como a liderança parlamentar pode contribuir para renovar estratégias, reconstruir o compromisso político e enfrentar os desafios futuros da resposta global ao HIV.Para saber mais, siga @unaidsbrasil nas redes e visite a página da Conferência Internacional da AIDS 2026.
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Notícias
23 julho 2026
ONU Brasil lança série digital sobre combate à desinformação
A ONU Brasil lança a série digital #InformaçãoDeVerdade, uma iniciativa de comunicação digital voltada à promoção da integridade da informação e ao fortalecimento das capacidades do público para identificar conteúdos enganosos, compreender os impactos da desinformação e navegar de forma mais segura e crítica no ambiente digital.A série foi desenvolvida para apresentar, de maneira acessível e em linguagem simples, conceitos, recomendações e ferramentas reunidos em três importantes materiais produzidos pelas Nações Unidas sobre o tema: Informe de Política do Secretário-Geral da ONU sobre Integridade da Informação nas Plataformas Digitais.Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação.Curso “Como Identificar Informações Falsas na Internet”, produzido pela Iniciativa Verificado da ONU em parceria com o WikiHow. Ao longo dos episódios, a série abordará temas como integridade da informação, desinformação, informação falsa, discurso de ódio, verificação de fatos e pensamento crítico nas plataformas digitais e meios de comunicação, além da importância do acesso a informações precisas para a proteção dos direitos humanos e o fortalecimento da democracia.Desde o lançamento da Estratégia e Plano de Ação da ONU sobre Discurso de Ódio em 2019, o secretário-geral António Guterres tem alertado que a proliferação de informações falsas, da desinformação e do discurso de ódio nas redes sociais representa uma ameaça crescente à paz, à segurança e às instituições democráticas em todo o mundo. “Na nossa era digital, o discurso de ódio propaga-se mais rápido do que nunca, amplificado por plataformas desreguladas e intensificado pela Inteligência Artificial. [...] Mas existem soluções práticas que podem quebrar este ciclo perigoso, desde a educação para reconhecer e rejeitar o discurso de ódio, ao apoio às vítimas de ataque por abuso, até a intervenções mais firmes por parte de governos e empresas de tecnologia.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, em mensagem para o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio (18 de junho de 2026) Para as Nações Unidas, a integridade da informação se refere à precisão, consistência e confiabilidade das informações disponíveis à sociedade. O Informe de Política da ONU sobre o tema diferencia conceitos frequentemente confundidos no debate público: informação falsa é o compartilhamento não intencional de conteúdo incorreto; desinformação é a disseminação deliberada de informações falsas com a intenção de enganar ou causar danos; e discurso de ódio corresponde a formas de comunicação que atacam ou promovem discriminação contra indivíduos ou grupos com base em características identitárias. A série #InformaçãoDeVerdade enfatiza que enfrentar a desinformação não significa restringir a liberdade de expressão. Pelo contrário, a proposta das Nações Unidas é promover um ambiente informacional mais seguro e transparente, preservando o livre fluxo de informações e fortalecendo a capacidade das pessoas de avaliar criticamente o conteúdo que consomem e compartilham. Os conteúdos da série serão publicados nas plataformas digitais da ONU Brasil (@onubrasil) em formatos visuais e de fácil compartilhamento, buscando alcançar diferentes públicos, especialmente jovens, educadores, comunicadores, estudantes e usuários frequentes das redes sociais. A série combina conceitos fundamentais, exemplos práticos e orientações para identificar sinais de conteúdos enganosos, verificar fontes e adotar hábitos digitais mais seguros. #InformaçãoDeVerdade integra os esforços contínuos das Nações Unidas para promover um ecossistema informacional baseado na confiança, na transparência e no respeito aos direitos humanos, ampliando o acesso do público brasileiro a recursos e orientações internacionais sobre o combate à desinformação.Confira os documentos-base em português na página da ONU Brasil: Informe de Política do Secretário-Geral da ONU sobre Integridade da Informação nas Plataformas Digitais (2023)Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação (2024)Curso da ONU e WikiHow sobre “Como Identificar e Combater Informações Falsas na Internet” (2022)Contato para imprensa:Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio): contato@onu.org.br
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22 julho 2026
Debate com pessoas candidatas à liderança da ONU será transmitido ao vivo em 23 de julho
O “UN Town Hall: The Next Secretary-General” integra o processo de seleção e nomeação do posto máximo das Nações Unidas e permitirá que as pessoas candidatas apresentem suas visões para o futuro da Organização, além de responderem a perguntas sobre os principais desafios globais da atualidade. A transmissão oferecerá ao público a oportunidade de conhecer as propostas e prioridades dos candidatos e candidatas para liderar a ONU a partir de 1º de janeiro de 2027.O debate está sendo organizado pelo Escritório da presidente da Assembleia Geral, com o apoio da Bloomberg como parceira de produção e mídia do evento. A transmissão será feita pela UN Web TV e pelas plataformas da Bloomberg e nos canais Bloomberg On Demand.A iniciativa faz parte do processo de seleção e nomeação da próxima liderança da ONU, conduzido pelos Estados-membros em conformidade com o Artigo 97 da Carta das Nações Unidas. As pessoas candidatas terão a oportunidade de apresentar suas visões para o futuro da Organização e responder a perguntas sobre questões centrais da agenda internacional, incluindo paz e segurança, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e fortalecimento do multilateralismo. O atual processo de seleção baseia-se na Resolução 79/327, “Revitalização do Trabalho da Assembleia Geral”, adotada em 5 de setembro de 2025. A resolução reafirma os princípios de transparência, inclusão e participação dos Estados-Membros, dando continuidade aos avanços introduzidos por resoluções anteriores sobre o tema, incluindo a Resolução 69/321, adotada em 11 de setembro de 2015, que estabeleceu novas práticas para tornar o processo mais transparente e participativo.O processo passou a incluir a divulgação pública das candidaturas, currículos, declarações de visão estratégica e informações sobre financiamento de campanha, bem como a realização de diálogos e encontros públicos com os(as) candidatos(as). O processo formal para a seleção do próximo secretário-geral foi iniciado em 25 de novembro de 2025 por meio de carta conjunta da presidente da Assembleia Geral e do presidente do Conselho de Segurança dirigida aos 193 Estados-membros.O “UN Town Hall: The Next Secretary-General” representa mais uma oportunidade para ampliar o conhecimento público sobre os(as) candidatos(as) e estimular a participação e o interesse global em um dos processos de nomeação mais importantes do sistema das Nações Unidas.Quem são as pessoas candidatas?Até o momento, as seguintes candidaturas foram oficialmente recebidas e publicadas no âmbito do processo de seleção e nomeação do próximo secretário-geral das Nações Unidas:Michelle Bachelet Jeria (indicada em 2 de fevereiro de 2026);María Fernanda Espinosa Garcés (indicada em 11 de maio de 2026);Rafael Mariano Grossi (indicado em 26 de novembro de 2025);Rebeca Grynspan Mayufis (indicada em 3 de março de 2026);Carolyn Rodrigues Birkett (indicada em 15 de junho de 2026);Macky Sall (indicado em 2 de março de 2026).As informações atualizadas sobre candidaturas, declarações de visão estratégica, currículos e divulgações relacionadas ao financiamento de campanha são disponibilizadas publicamente pelas Nações Unidas na página oficial do processo de seleção e nomeação do(a) próximo(a) secretário(a)-geral.SERVIÇO: “UN Town Hall: The Next Secretary-General”Data: 23 de julho de 2026 (quinta-feira)Horário: 18h - 19h30 (horário de Brasília)Local: Salão da Assembleia Geral, Sede das Nações Unidas, Nova IorqueTransmissão ao vivo pela UN Web TV (https://webtv.un.org) e pelas plataformas da Bloomberg e nos canais Bloomberg On DemandPara mais informações, acompanhe a cobertura completa da ONU News em português e visite a página das Nações Unidas sobre o processo de seleção e nomeação da liderança da ONU. Siga @unpga nas redes sociais!
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16 julho 2026
OMPI seleciona 10 startups para workshop sobre Propriedade Intelectual na Rio Innovation Week 2026
Você faz parte de uma startup que busca fortalecer sua estratégia de propriedade intelectual (PI) e desbloquear novas oportunidades de crescimento?A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) está trazendo seu Workshop de Propriedade Intelectual para Startups para a Rio Innovation Week 2026, que acontecerá de 4 a 7 de agosto de 2026, no Rio de Janeiro (RJ). O workshop oferece a 10 startups selecionadas uma oportunidade única de receber orientação personalizada e individual de especialistas em propriedade intelectual. Antes do evento, as startups participantes deverão preencher a ferramenta de Diagnóstico de Propriedade Intelectual da OMPI, que servirá de base para discussões personalizadas sobre como a propriedade intelectual pode apoiar seus objetivos de negócios.Quem pode se candidatar?Startups que:Possuem um produto, tecnologia ou serviço inovador.Estão interessadas em fortalecer sua estratégia de propriedade intelectual.Estão dispostos a concluir o processo de Diagnóstico de Propriedade Intelectual da OMPI antes do eventoTenham um representante confirmado para participar na Rio Innovation Week 2026** Este é um workshop presencial e espera-se que os participantes selecionados estejam presentes durante a Rio Innovation Week.Como funciona?As startups selecionadas irão:Realizar a avaliação completa de diagnóstico de propriedade intelectual da OMPI antes do evento;Receber uma consultoria individual dedicada com um especialista em propriedade intelectual durante a Rio Innovation Week;Discutir os desafios e oportunidades práticos de propriedade intelectual específicos para o negócio deles;Obter recomendações personalizadas sobre como usar a propriedade intelectual para apoiar o crescimento, as parcerias e a preparação para investimentos.O que as startups ganharão com isso?Os participantes irão:Compreender melhor o valor dos seus ativos de propriedade intelectual;Aprender como a propriedade intelectual pode impulsionar o crescimento e a competitividade dos negócios;Receber orientação prática de profissionais experientes em propriedade intelectual;Ter acesso a recursos desenvolvidos para startups e PMEs.Receber um ingresso para participar da Rio Innovation Week.Como se inscrever?As startups interessadas em participar puderam se inscrever até 21 de julho de 2026, através do formulário disponível na página da OMPI. As inscrições já foram encerradas. Para saber mais, visite a página do Escritório da OMPI no Brasil.
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09 julho 2026
UNCTAD: Brasil é o quinto principal destino de investimento estrangeiro do mundo
O investimento estrangeiro direto (IED) global cresceu 6%, atingindo US$ 1,6 trilhão em 2025 e encerrando dois anos de declínio. O Brasil foi o principal destaque da América Latina, ao registrar aumento dos fluxos de US$ 63 bilhões para US$ 77 bilhões e figurar entre os cinco maiores destinos de investimento estrangeiro do mundo. Apesar disso, a recuperação global dos investimentos continua limitada, frágil e desigual, de acordo com o Relatório Mundial de Investimentos 2026, elaborado pela ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).Os fluxos de capital para as economias desenvolvidas aumentaram 11%, enquanto as economias em desenvolvimento registraram crescimento de apenas 2%, atingindo US$ 901 bilhões. Os números apontam para uma recuperação que não está se traduzindo de maneira uniforme em oportunidades de desenvolvimento. A questão não é apenas quanto capital está circulando, mas para onde ele está indo, o que está sendo construído e se esse investimento está expandindo a capacidade produtiva, criando empregos, fortalecendo competências e apoiando a transferência de tecnologia.O IED continua sendo uma importante fonte de financiamento externo para as economias em desenvolvimento, mas seu impacto depende da capacidade de gerar capacidade produtiva, empregos, qualificação profissional e transferência de tecnologia.Recuperação frágil e concentradaAs 20 principais economias receptoras do mundo atraíram mais de 80% do investimento estrangeiro direto (IED) global em 2025, ressaltando uma tendência presente em todo o relatório: o investimento está se tornando mais concentrado entre países, setores e projetos.A recuperação deve ser interpretada com cautela: os números gerais do IED nem sempre se traduzem em novas infraestruturas, empregos ou transferência de tecnologia. As economias em desenvolvimento receberam mais da metade do IED global em 2025, mas o crescimento foi modesto e desigual entre as regiões.A Ásia em desenvolvimento continuou sendo a maior região receptora, atraindo US$ 644 bilhões, enquanto a América Latina e o Caribe registraram aumento de 14%, para US$ 188 bilhões, e a África recebeu cerca de US$ 70 bilhões — ainda um terço acima da média registrada entre 2010 e 2024, apesar da queda em relação ao nível excepcional alcançado em 2024.Os países menos desenvolvidos viram os influxos aumentarem 21%, para US$ 43 bilhões, mas ainda representaram apenas 2,7% do IED global, com os fluxos concentrados em um pequeno número de economias, em sua maioria ricas em recursos naturais.Essa concentração é particularmente visível em setores ligados à tecnologia, à energia e à política industrial. Setores estratégicos, como infraestrutura para IA, semicondutores, minerais críticos e tecnologias e serviços voltados para a transição energética, representaram 44% do valor global dos novos projetos em 2025, um aumento em relação aos 16% registrados em 2020.As economias de baixa renda e de renda média baixa atraíram apenas cerca de 10% dos investimentos em setores estratégicos entre 2020 e 2025, em comparação com mais de 20% nos demais setores.Os governos também estão assumindo um papel mais ativo na definição dos fluxos de investimento. Em 2025, os países adotaram um número recorde de 229 medidas de política de investimento. Embora a maioria continuasse favorável aos investidores, muitas foram concebidas para atrair investimentos para setores estratégicos, fortalecer prioridades econômicas nacionais ou responder a preocupações relacionadas à segurança econômica.Transformando investimento em ganhos de desenvolvimentoPara os países em desenvolvimento, o novo cenário de investimento traz tanto oportunidades quanto riscos. No entanto, muitos correm o risco de ficar para trás, à medida que o investimento se torna mais intensivo em capital e tecnologia e passa a ser moldado por políticas de apoio que muitas economias em desenvolvimento não conseguem igualar.A UNCTAD afirma que os países em desenvolvimento precisam de mais do que apenas promoção de investimentos para competir nesse ambiente.Eles precisam de maior facilitação de investimentos, infraestrutura confiável, qualificação da força de trabalho, desenvolvimento de fornecedores e mercados regionais que tornem os projetos mais viáveis. A cooperação internacional também será necessária para garantir que as parcerias de investimento apoiem tanto a resiliência dos investidores quanto as prioridades de desenvolvimento das economias anfitriãs.Mais capital, menos projetos: o investimento na América LatinaA América Latina e o Caribe atraíram mais investimento estrangeiro em 2025 do que no ano anterior, apesar da incerteza da economia global. De acordo com o Relatório Mundial de Investimentos 2026 da UNCTAD, os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) para a região, excluindo os centros financeiros offshore do Caribe, aumentaram 14%, atingindo US$ 188 bilhões.Isso representou cerca de um quinto de todos os fluxos de IED destinados às economias em desenvolvimento. O aumento foi impulsionado, em grande parte, pela América do Sul, particularmente pelo Brasil, enquanto os investimentos ligados a commodities e a setores que apoiam a transição energética continuaram a atrair o interesse dos investidores.As 10 principais economias receptoras representaram 95% de todos os influxos de IED na América Latina e no Caribe em 2025. Brasil e México, juntos, responderam por cerca de dois terços do total de influxos regionais, demonstrando o quanto as tendências da região foram moldadas por poucas grandes economias e por um número limitado de grandes projetos.O Brasil foi o maior responsável pelo crescimento regional, com os fluxos aumentando de US$ 63 bilhões para US$ 77 bilhões, o que o colocou entre os cinco maiores destinos de investimento estrangeiro do mundo.O México também continuou sendo um dos principais destinos da região, com os fluxos subindo de cerca de US$ 38 bilhões para US$ 41 bilhões, apoiados por seu papel nas redes regionais de produção e pelo investimento contínuo em serviços e manufatura.Os maiores fluxos de entrada estiveram ligados a grandes mercados, commodities, setores relacionados à transição energética e economias integradas às principais redes comerciais e de produção. No entanto, esses fatores não se traduziram em um número maior de novos projetos na região.Os números destacam um desafio persistente: o aumento dos fluxos de entrada não se traduz automaticamente em ganhos generalizados entre países ou setores.Para o desenvolvimento, a preocupação não é apenas se o capital está entrando na região, mas se ele está criando nova capacidade produtiva, diversificando as economias e apoiando atividades de maior valor agregado. Grande parte do aumento concentrou-se em um pequeno grupo de países e transações, enquanto os indicadores de investimentos produtivos futuros enfraqueceram.O relatório aponta para a necessidade de políticas que transformem o interesse dos investidores em projetos produtivos financeiramente viáveis. Para a América Latina e o Caribe, isso significa fortalecer a facilitação de investimentos e o acompanhamento pós-investimento, melhorar a logística e a infraestrutura energética, apoiar o desenvolvimento de fornecedores e utilizar a integração regional para conectar economias menores a mercados maiores e cadeias de valor. Países ricos em minerais ou com potencial para energia renovável também precisam de estratégias que incentivem a agregação de valor local, em vez de depender apenas de influxos vinculados a commodities.Perspectivas para 2026As perspectivas para 2026 continuam desafiadoras. A incerteza em relação à política comercial, as tensões geopolíticas, os conflitos, os altos custos de financiamento e a fragmentação econômica continuam a pesar sobre as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, espera-se que a competição por projetos ligados a setores estratégicos se intensifique, à medida que os governos buscam garantir futuras fontes de crescimento e vantagem tecnológica.As conclusões do relatório ajudarão a orientar as discussões no Fórum Mundial de Investimento 2026 da UNCTAD, a ser realizado em Doha, no Catar, de 25 a 27 de outubro, onde governos, investidores e parceiros de desenvolvimento discutirão como transformar um cenário de investimento mais seletivo em ganhos de desenvolvimento mais amplos.A questão central não é mais simplesmente quanto investimento está cruzando fronteiras. É para onde esse investimento está indo, o que ele está construindo e quem se beneficiará dele.Para saber mais, leia o Relatório Mundial de Investimentos 2026 e acesse https://unctad.org/.Contato para a imprensa: Marcelo Risi, Unidade de Comunicação e Relações Externas da UNCTAD: unctadpress@unctad.org
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