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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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19 novembro 2021
Violência contra mulheres: campanha da ONU Brasil pede vida e dignidade
A ONU Brasil promove, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2021, a edição anual da campanha do secretário-geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, ela apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Neste ano, a iniciativa completa três décadas de mobilização internacional. Em todo o mundo, a ONU está abordando o tema: “Pinte o mundo de laranja: fim da violência contra as mulheres, agora!”.
A campanha da ONU Brasil pede união de esforços e de ações para garantir a vida e a dignidade a todas as mulheres e meninas, inclusive na recuperação da COVID-19. A pandemia exacerbou fatores de risco para a violência contra mulheres e meninas, incluindo desemprego e pobreza, e reforçou muitas das causas profundas, como estereótipos de gênero e normas sociais preconceituosas.
Estima-se que 11 milhões de meninas podem não retornar à escola por causa da COVID-19, o que aumenta o risco de casamento infantil. Estima-se também que os efeitos econômicos prejudiquem mais de 47 milhões de mulheres e meninas vivendo em situação de pobreza extrema em 2021, revertendo décadas de progresso e perpetuando desigualdades estruturais que reforçam a violência contra as mulheres e meninas.
“A campanha aborda as diferentes causas da violência contra mulheres e meninas e demonstra por meio de ações e propostas concretas os diferentes caminhos para superar esse problema”, explica a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks.
“A violência contra mulheres e meninas afeta a todas e todos nós e depende do engajamento das pessoas, das empresas e das instituições públicas e privadas para ser superada”, completa.
Desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vem fazendo apelos pelo fim da violência contra mulheres e meninas e pedindo paz no lar e o fim da violência em toda parte. Mais de 140 países expressaram apoio, e 149 países adotaram cerca de 832 medidas, conforme destacado na Resposta Global de Gênero à COVID-19, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com colaborações técnicas substantivas da ONU Mulheres.
Por meio da Estratégia de Engajamento Político do Secretário-Geral da ONU sobre Violência baseada em Gênero, o Sistema das Nações Unidas mobilizou várias partes interessadas para atender às necessidades imediatas e vulnerabilidades de longo prazo de meninas e mulheres em risco de violência e reconheceu o papel-chave que as organizações de direitos das mulheres desempenharam durante a crise global. Para tanto, a ONU ativou suas plataformas e redes a fim de mobilizar compromissos e ações para acabar com a violência baseada em gênero no contexto da COVID-19.
A campanha UNA-SE articula compromissos com as Coalizões de Ação Geração Igualdade, especialmente a de Violência Baseada em Gênero, para acelerar investimentos, sensibilizar autoridades públicas para políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas e mobilizar diversos setores em torno da causa.
A campanha se baseia nas determinações da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e se orienta rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, especialmente o ODS 5, que pretende alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A iniciativa busca a adesão de governos, parlamentos, sistema de Justiça, empresas, academia e sociedade para a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Campanha no Brasil - Com o mote “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - Vida e dignidade para todas”, a campanha deste ano tem como foco visibilizar a complexidade da violência contra as mulheres e meninas, em que suas identidades e condições de vida acentuam e ampliam vulnerabilidades para mulheres e meninas negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAP+ (lésbicas, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais, entre outras), com deficiência, idosas, migrantes e refugiadas. Para tanto, entende ser fundamental a abordagem interseccional de análise sobre as situações de violência sofridas pelas mulheres e meninas, entendendo que elas são diferentes a partir dos locais concretos e simbólicos ocupados por elas.
A campanha pretende evidenciar que a violência contra mulheres e meninas não ocorre apenas no ambiente privado: dentro de casa ou no corpo (como nos caso da violência doméstica e da violência sexual). Ela também está presente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, na política institucional, nos esportes, nos ambientes online, nos meios de comunicação, e também no contexto da promoção e defesa de direitos.
A campanha destaca também as formas de prevenção e eliminação das diversas formas de violência. Para tanto, além do trabalho das Nações Unidas, a campanha apresenta também iniciativas e histórias de mulheres que defendem direitos e promovem a igualdade de gênero.
Baseada no entendimento de que a violência contra mulheres e meninas é uma violação de direitos humanos, esta edição tem como objetivo também estimular uma mudança de paradigma, eliminando a ideia de mulheres 'vítimas de violência' (passivas, em uma condição insuperável) e fomentando a noção de que essas mulheres são pessoas 'em situação de violência' ou ‘que sofreram violência’.
Tal mudança estimula o entendimento de que a violência é um desafio superável e que pode ser prevenida, além da visão de mulheres como protagonistas da defesa e promoção de direitos humanos, desenvolvimento sustentável, justiça climática e democracia, cujas contribuições beneficiam toda a sociedade. Também reconhece, a partir disso, que a violência afeta todas as dimensões das vidas das mulheres que a vivenciaram e que toda a sociedade é responsável pela sua erradicação. Em outra linha de ação, a campanha quer engajar homens e meninos como aliados dos direitos das mulheres e para atingir a igualdade de gênero, da qual eles também se beneficiam.
A campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres” terá como um dos focos o empoderamento de meninas e jovens por meio do esporte, como ferramenta fundamental para prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Com histórias e experiências compartilhadas, a campanha mostrará como o esporte desenvolve habilidades para a vida das meninas, como autoconfiança, autonomia e liderança, fazendo com que rompam com estereótipos de gênero e com o ciclo de violência, não só individualmente, mas em seu entorno.
Ações no Brasil - A programação da campanha deste ano conta com a realização de eventos on-line e presenciais, iluminações de prédios na cor laranja em adesão global à mensagem da prevenção da violência, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e sites da ONU Brasil e instituições parceiras. Serão ações direcionadas a ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade e suas instâncias para a realidade da violência contra as mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
Neste ano, a campanha será inaugurada com a iluminação na cor laranja do Congresso Nacional, em Brasília, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra - início da campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres; e do Abrigo Rondon V, em Roraima, de 20 a 26 de novembro, em adesão à mensagem global de prevenção contra a violência. Ainda está programada a iluminação laranja da Casa da Mulher Brasileira, na cidade de Boa Vista (RR), de 27 de novembro a 4 de dezembro, estado em que a ONU Brasil desenvolve projetos de ajuda humanitária.
A campanha é composta pelo evento on-line “Juntas e juntos para pôr fim à Violência contra Defensoras de Direitos Humanos e do Meio Ambiente”, em 29 de novembro, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e site da ONU Brasil e de instituições parceiras. As ações pretendem ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade para a realidade da violência contra mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
16 Dias de Ativismo - A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que completa 30 anos em 2021, foi criada por ativistas do Instituto de Liderança Global das Mulheres em 1991.
Desde então, mais de 6.000 organizações em 187 países participaram da campanha, alcançando 300 milhões de pessoas. Ela continua a ser coordenada, a cada ano, pelo Centro para Liderança Global de Mulheres (CWGL, na sigla em inglês) e é usada como estratégia de organização por pessoas, instituições e organizações em todo o mundo para prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Em todo o mundo, os 16 Dias de Ativismo abrangem o período de 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, a mobilização se inicia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para buscar ações de combate ao racismo e ao sexismo e pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas negras.
Contatos para a imprensa
Isabel Clavelin (ONU Mulheres) - isabel.clavelin@unwomen.org / 61 98175 6315
Roberta Caldo (UNIC Rio) – caldo@un.org
História
21 outubro 2022
Série brasileira é premiada pela UNESCO
A menina que perdeu a perna, o menino que desenhava com os pés e a princesa que tinha um cromossomo a mais são alguns dos protagonistas da série Literatura Acessível, do Instituto Incluir, única iniciativa brasileira a conquistar o Prêmio Confucius de Alfabetização, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A distinção, entregue no dia 8 de setembro, é um dos Prêmios Internacionais de Alfabetização da UNESCO, cujo objetivo é celebrar programas que promovam práticas eficazes de alfabetização para populações vulneráveis. Estabelecido em 2005 com apoio da China, o prêmio concede, todos os anos, 30 mil dólares a três projetos do gênero.
“Estou grata e honrada com essa premiação e feliz pela possibilidade e oportunidade de continuar”, diz a fundadora do Literatura Acessível e do Instituto Incluir, Carina Alves. “Às vezes é difícil e parece que a gente está remando sozinho, mas para mim este prêmio é uma mensagem que vale a pena continuar”.
A diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, recebeu Carina em Brasília para parabenizá-la e destacou a contribuição do projeto para a inclusão e permanência de crianças com deficiência em escolas regulares. “Trata-se de um trabalho de excelência desenvolvido pelo Instituto Incluir”, afirma Marlova. “Sem dúvida, a iniciativa contribui para o alcance do ODS 4 (Educação de Qualidade), assegurando educação inclusiva e equitativa para todos ao longo de toda a vida.”
A seleção dos honrados com o Prêmio Confucius é feita por um júri internacional que se reúne em Paris uma vez por ano e é nomeado pela diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.
Livros infantis - A linha condutora da série Literatura Acessível é a ideia de que a vida é possível para quem é diferente. “O projeto existe para reforçar que essas crianças com deficiência têm potencialidades”, explica Carina.
Nas histórias, as crianças com deficiência encontram no esporte, na cultura e na educação formas de se reinventar e levar uma vida plena. Ações extras organizadas pelo Instituto Incluir levam essas fábulas para escolas em todos os cantos do Brasil, com direito a performances teatrais seguidas por atividades com alunos e professores.
A apresentação dos livros é pensada para inquietar as crianças e as deixar curiosas com outras realidades, convidando-as, por exemplo, a sentir a escrita em braille ou a tentar desenhar com os pés. “A ideia é essa: colocar uma sementinha na cabeça das crianças”, conta Carina.
Origem - Fundado em 2014, o Literatura Acessível já conta com dez histórias– algumas assinadas em parceria com a escritora Mari Meira. O conteúdo é desdobrado em livros físicos, vídeos, obras em audiodescrição, braille e libras, que podem ser acessados pelo site do projeto e por um aplicativo disponível para smartphones.
Desde 2018, Carina também está à frente do Instituto Incluir, com sede no Rio de Janeiro. “O Instituto Incluir tem três palavras chave: democratizar, transformar e humanizar. A gente quer democratizar por meio da literatura, do esporte, dos atendimentos diretos e indiretos, e com isso transformar a realidade bárbara da exclusão que vivemos todos os dias”, explica.
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História
16 setembro 2022
Kobra sobre mural na ONU: “Sonhei com isso”
Quando os líderes mundiais desembarcarem na sede da ONU em Nova Iorque na próxima semana, para a 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas, verão um novo e colorido mural de 336 metros quadrados na fachada da organização, assinado pelo paulistano Eduardo Kobra. A obra, uma exaltação à sustentabilidade e um pedido de ação climática para o futuro das novas gerações, será finalizada nesta sexta-feira (16).
“Eu sonhei com isso, mas não imaginei que pudesse, um dia, realmente acontecer”, revelou o artista, de 47 anos, em entrevista à ONU News.
Depois de acreditar que nunca teria acesso ao mundo “oficial das artes” por suas origens como artista de rua, Kobra agora coloca seu nome ao lado de outros dois brasileiros que marcaram a história artística do prédio: o arquiteto Oscar Niemeyer, que contribuiu com o projeto do edifício; e o pintor Cândido Portinari, cujos painéis “Guerra e Paz” foram o presente do governo brasileiro para a inauguração da sede das Nações Unidas.
Autodidata, criado em Campo Limpo, na periferia de São Paulo, Kobra cresceu sem acesso ao universo oficial das artes. Foram imagens das ruas desta mesma Nova Iorque que levaram o brasileiro a pensar em uma carreira artística.
“Eu comecei a pintar por influência de artistas daqui, da década de 70, 80, do Brooklyn, do Bronks”, relata ao lembrar como os livros da fotógrafa Martha Cooper tornaram-se uma bíblia para ele ainda na juventude. “Tudo o que eu realizo aqui tem um valor emocional e sentimental muito relevante.”
O caminho de Campo Limpo ao reconhecimento internacional não foi fácil. Vítima de preconceito e discriminação por suas origens como artista de rua, Kobra começou sua jornada colorindo os muros da própria comunidade. Aos poucos seu talento foi sendo reconhecido e começaram a aparecer convites para que ele criasse murais em outros bairros, cidades, países e continentes.
“Eu queria pintar e as pessoas achavam que isso era algo relacionado a ser vagabundo, a não querer trabalhar, não querer compromisso ou algo do tipo”, recorda. “Mas sou muito insistente em meus objetivos. O que eu queria era pintar”.
Arte de rua - E Kobra pintou: foram mais de três mil murais desde o final dos anos 1980, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Paris e até Mumbai, na Índia.
Entre as séries mais famosas está o projeto “Muro das Memórias”, em que recuperou imagens históricas de São Paulo; e o painel “Olhares da Paz”, uma homenagem a quem luta por um mundo mais pacífico, representados por retratos de laureados com o Prêmio Nobel da Paz como Malala Yousafzai Malala e Nelson Mandela.
Acessível – O artista sabe que a natureza da sua arte é efêmera: painéis de rua desbotam, são destruídos ou desaparecem debaixo de outras inscrições. Ainda assim, Kobra ressalta a importância da arte de rua: “ Arte é algo que vem de dentro para fora. A beleza de pintar nas ruas é porque há o acesso de todas as pessoas. É a forma de arte mais democrática que existe.”
Ideais - A produção artística do paulistano inclui temas que o interessam ou o incomodam: a exaltação de um mundo mais tolerante, a união dos povos, o fim da violência e do racismo, a proteção do meio ambiente e dos povos indígenas.
O novo mural na sede da ONU, que deve ficar exposto pelo menos até dezembro, é protagonizado por um homem e uma criança, com o planeta terra ao meio. Kobra explica que representa um pai presenteando a filha, com a intenção de trazer a reflexão sobre o legado de cuidado com o meio ambiente que será entregue às gerações futuras.
“Eu coloquei um brasileiro comum, mostrando que a responsabilidade de cuidar do planeta é de todos nós. E lá no epicentro, na América Latina, representando o cuidado que nós temos com a nossa querida floresta Amazônica”.
Segundo Kobra, o trabalho tem o objetivo de celebrar a sustentabilidade, pauta de extrema relevância para as Nações Unidas e que deve estar no centro dos debates da semana de alto nível da Assembleia Geral, que começa em 20 de setembro.
“Meu objetivo não é apenas estético ou simplesmente a pintura pela pintura, e sim as mensagens. Isso é o mais importante em meu trabalho e foi isso que abriu as portas do mundo todo.”
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História
09 setembro 2022
PNUD apoia cidade com um dos menores IDHs do país
A dona de casa amazonense Maria Damasceno, 52, chegou a Jacareacanga (PA) há dez anos, logo após seu marido conseguir emprego na construção civil. No município, o casal adquiriu um sítio onde pretende criar bovinos e dar melhores condições de vida para o neto Pedro Henrique, de 13 anos.
O maranhense João Evangelista, 61, migrou para a cidade em 1989, em busca de trabalho no garimpo. A empreitada não deu certo, mas ele atuou como trabalhador autônomo em diversas áreas, construiu uma casa e se estabeleceu com a família na cidade, na qual trabalha agora como motorista e agricultor.
Hoje, ambos querem permanecer em Jacareacanga, onde fincaram raízes e criaram patrimônio, apesar de o município ter um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Desejam, no entanto, melhorias em saneamento básico, educação, saúde e na geração de emprego e renda diante da crise econômica.
“Meu neto está indo muito bem na escola, e lá tem merenda, o que ajuda muito. Quero que ele continue estudando”, disse Damasceno. “Aqui em Jacareacanga o problema são essas ruas (de terra), porque, quando chove, alaga. Também precisa ter esgoto (canalizado).”
O agricultor também se preocupa com o futuro da filha adolescente. “Ela terminou o Ensino Médio aqui na cidade e não pudemos enviá-la para a faculdade, porque não tivemos condições financeiras. Se tivesse faculdade (pública) no município seria ótimo”, declarou.
Projeto - Melhorar a situação de Jacareacanga no que se refere à educação, saneamento básico e outras áreas por meio de políticas públicas é um dos objetivos do projeto “Acelerando o Desenvolvimento”, fruto de parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Usina Hidrelétrica Teles Pires.
No âmbito do projeto, uma missão do PNUD na cidade promoveu em agosto seminários e capacitações com gestores e servidores para discutir formas de elaborar e implementar políticas públicas mais alinhadas à Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Localizada no sudoeste paraense, Jacareacanga está às margens do rio Tapajós, próximo à fronteira com o Mato Grosso e a cerca de dois mil quilômetros da capital, Belém. A cidade é conhecida por suas belezas naturais e pela forte influência indígena, abrigando mais de 150 aldeias.
Com território de 53 mil quilômetros quadrados e muitos desafios logísticos para a chegada de produtos e serviços, a cidade tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,505, um dos mais baixos do país, ocupando a 5.515ª posição entre 5.565 municípios brasileiros em 2010. Apesar disso, houve melhora na comparação com 1992, quando o indicador estava em 0,242.
Diagnóstico - Uma das atividades da missão do PNUD na cidade foi apresentar a secretários municipais e servidores um diagnóstico sobre a situação do desenvolvimento sustentável em Jacareacanga e uma análise de como o Plano Plurianual da cidade se adequa à Agenda 2030 e os 17 ODS.
O diagnóstico mostrou que o município precisa avançar em áreas como saneamento básico, saúde, erradicação da pobreza, entre outras. A população não conta com rede de esgoto e cerca de 50% não tinha acesso à água tratada em 2019. A cidade também tem registrado notas baixas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Outros pontos preocupantes são os altos índices de gravidez na adolescência, desnutrição e mortalidade infantil, especialmente entre indígenas. Segundo o documento, o município tem 3,7 mil famílias em situação de vulnerabilidade, o que representa 85% da população local, de acordo com dados de 2021 do Cadastro Único.
A questão ambiental é também um desafio, uma vez que Jacareacanga apresenta alto percentual de desmatamento, que dobrou de 2010 a 2019. No último ano mensurado, houve um recorde histórico, chegando a 9.404 hectares desmatados.
Políticas públicas - Durante a missão no município, oficiais do PNUD reuniram-se com o prefeito da cidade, Sebastião Pereira Silva, e seus secretários. Na ocasião, foi enfatizada a necessidade de se pensar políticas que melhorem a saúde indígena, a geração de emprego e renda com diversificação da matriz econômica, a capacitação de mão de obra e a infraestrutura em saúde na cidade.
“Essa parceria é muito importante para nosso município e nossa população, para conseguirmos melhorias (em políticas públicas). Temos desafios na saúde, no atendimento à população indígena. É importante que o PNUD esteja ao nosso lado”, disse o prefeito.
“Precisamos pensar em um plano de desenvolvimento de longo prazo e em projetos para a realidade local”, complementou a secretária de Planejamento, Edileuza Vasconcelos. “Reunimos todos os secretários aqui justamente para aprender e discutir o desenvolvimento social e econômico do município”, salientou.
Além da Capacitação Agenda 2030 e ODS, destinada a gestores e servidores municipais, e de um seminário técnico com legisladores sobre o papel das Câmaras de Vereadores na promoção dos ODS, a missão do PNUD apresentou também uma Análise Rápida Integrada do Plano Plurianual do Município (PPA), tendo como ponto de vista o alinhamento com os objetivos globais.
“É importante o município conhecer seus indicadores para elaborar políticas públicas. Também é necessário ter projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para que a administração municipal possa ter a possibilidade de acesso a recursos financeiros destinados exclusivamente a essa temática”, explicou a coordenadora do Escritório Local de Projetos do PNUD no Pará, Vanessa Gonçalves.
“Tanto o diagnóstico sobre a situação dos ODS na cidade como a análise sobre o PPA permitem identificar desafios e oportunidades para implementar a Agenda 2030 no município”, explicou a consultora do PNUD, Talita Sousa, responsável pela elaboração dos documentos.
Para o vereador Isaías Munduruku, o projeto pode intensificar o desenvolvimento econômico do município. “É importante que a gente possa avançar também na capacitação para que servidores e legisladores se envolvam mais no trabalho de elaboração das políticas públicas”.
“É ainda difícil dizer o que podemos fazer (para desenvolver o município) economicamente. Mas é necessário, por exemplo, impulsionar a agricultura familiar. Estamos na Amazônia, onde a maior parte da floresta está intacta, investir na agricultura familiar é um meio de alavancar a economia do município, preservando a floresta.”
Acelerando o Desenvolvimento - A missão deste mês em Jacareacanga foi uma das primeiras etapas do projeto “Acelerando o Desenvolvimento”. Esta fase se refere ao fortalecimento das capacidades institucionais dos três municípios envolvidos na iniciativa: Alta Floresta (MT), Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA). As capacitações nos municípios mato-grossenses já foram realizadas nos últimos meses.
As demais etapas incluem a elaboração de um documento sobre potenciais aceleradores do desenvolvimento nessas três cidades, indicando projetos de setor público, privado ou da sociedade civil. Já a última etapa envolve a implementação de mesas de diálogos com a comunidade local sobre gestão e prevenção de conflitos decorrentes da instalação de grandes empreendimentos.
O PNUD firmou parceria com a Companhia Hidrelétrica Teles Pires para promover a formação cidadã e a ampliar capacidades locais para o desenvolvimento territorial sustentável nos municípios em que a empresa atua.
A parceria apoiará atores territoriais (prefeituras, setor privado, movimentos sociais, academia, pequenos produtores) no detalhamento das dinâmicas de seus territórios, estabelecendo arranjos colaborativos em direção ao desenvolvimento sustentável.
“Baseado no levantamento de dados socioeconômicos, ativos ambientais e da sinergia dos atores institucionais da região, o projeto potencializará as cadeias produtivas dos setores estratégicos para gerar condições favoráveis ao desenvolvimento e melhoria do ambiente dos pequenos negócios e aumento da qualidade de vida da população”, observou a assessora de Desenvolvimento Territorial e Cooperação Descentralizada do PNUD Brasil, Ieva Lazareviciute.
Acesse também:
Diagnóstico situacional do município de Alta Floresta (MT)
Diagnóstico situacional do município de Paranaíta (MT).
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História
26 agosto 2022
Comunidade do Rio constrói rede de esgoto
Quando uma turista perguntou se poderia tomar banho de cascata, no fim de uma trilha ecológica na comunidade do Vale do Encantado, no Rio de Janeiro, o guia da expedição e morador local, Otávio Barros, teve que negar o pedido — a água, afinal, estava contaminada pelo esgoto não tratado. Desde então, o líder comunitário busca formas de contornar a situação.
Não é tarefa simples, visto que o problema não é fácil de resolver nem particular do Vale. Segundo dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), apenas 55% da população brasileira tem acesso a redes de esgoto, o que significa que quase 100 milhões de brasileiros não têm seus resíduos tratados.
Mas essa não é mais a realidade do Vale Encantado. Desde junho deste ano, as 28 casas da comunidade estão ligadas a um sistema biosustentável construído pelos próprios moradores, que trata o esgoto das residências antes que ele siga para os córregos da região.
“Quando eu falo em sustentabilidade, para mim ela tem que fazer um círculo completo. Se não fizer um círculo completo, ela é meia sustentabilidade”, defende Otávio. Ele não queria apenas uma solução para o saneamento básico, mas um projeto capaz de trazer oportunidades para toda a comunidade.
Inspirado em um modelo centenário da China, o biossistema capta todo o esgoto bruto da comunidade em um tanque de concreto, onde os resíduos são decompostos por uma série de bactérias, em um processo similar à digestão humana. Essa reação inicial inclusive gera gás, que pode ser aproveitado pelos moradores locais para cozinhar.
Depois disso, a água segue para outro tanque, no qual plantas consomem os nutrientes restantes, deixando a água até 80% limpa de resíduos. Em vez de correr para os córregos, o sistema leva a água até uma área de terra, onde árvores e o restante na flora local consomem o líquido já tratado.
Otávio recorda que os esforços para montar o sistema foram ininterruptos: em 2011, enquanto trabalhava na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ele conheceu o então estudante de engenharia ambiental Leonardo Adler, que se tornou um grande parceiro do projeto. Juntos, eles angariaram os recursos para um primeiro biossistema de tratamento da água, em 2015, que ligava cinco casas da comunidade. O atual projeto, que atende a todos os 100 moradores do Vale Encantado, contou com verbas de ONGs internacionais e instituições brasileiras.
Assim, cerca de quinze anos depois do questionamento da turista, a água da cascata finalmente está fora de perigo e Otávio orgulha-se em indicar o local para banho.
Agenda 2030 - O novo sistema do Vale Encantado está alinhado à Agenda 2030 acordada pelos países integrantes da Organização das Nações Unidas. Especificamente, ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número seis, sobre água potável e saneamento, destacando que até 2030 é preciso “melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos”.
A oficial nacional para o Brasil do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Rayne Michelli Ferretti Moraes, ressalta que este ODS não é apenas fundamental, como está intimamente conectado a outras metas da ONU. “É um ODS que tem um rebatimento direto na saúde, na educação, na redução das desigualdades, na redução da fome. Isso significa que ao caminhar na direção do cumprimento das metas do ODS 6, você favorece o cumprimento das metas de outros ODS.”
Iniciativas locais - A complexidade do tema também implica em uma grande dificuldade de alcançar as metas estabelecidas até o final da década. “O desafio do saneamento é muito grande, não só no Brasil, como em vários outros países”, explica Rayne, lembrando que o problema afeta bilhões ao redor do mundo.
É neste contexto que iniciativas comunitárias, mesmo que com um escopo limitado, se tornam ferramentas importantes para ampliar o acesso ao saneamento básico, principalmente em regiões pequenas ou isoladas. Exemplos como o do Vale Encantado mostram que às vezes é possível resolver localmente a questão, quando há apoio de organizações dispostas a ajudar.
“Todas as iniciativas da sociedade civil, do setor privado, de organizações do terceiro setor e de organismos internacionais são muito bem-vindas, para somar os esforços e potencializar o comprimento das metas de desenvolvimento sustentável”, afirma Rayne. “Iniciativas como essas, por mais que sejam em um nível local, em um nível de uma comunidade, e envolvam um número mais restrito de domicílios, são certamente importantes.”
Soluções – Embora as iniciativas locais sejam importantes, elas estão longe de ser a única resposta possível à questão da falta de saneamento, que requer um leque de soluções.
“É importante trabalhar com empresas, concessionárias e prestadoras de serviço. É importante trabalhar com os governos, na parte de regulamentação, na parte de gestão, bem como com a população em geral”, conclui Rayne.
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História
09 agosto 2022
Cacique brasileira ajuda refugiados e migrantes na fronteira
Desde que a violência contra indígenas Pémon-Taurepang eclodiu na Venezuela, em 2019, a pequena comunidade brasileira Sakau Motá viu seu número de moradores duplicar. Localizada na fronteira entre os dois países, em Roraima, Sakau Motá hoje é o lar de mais de 400 pessoas indígenas, boa parte delas busca o Brasil para asilo e proteção.
Do lado brasileiro da fronteira, uma cacique lidera o acolhimento: Anita Yanez foi a primeira mulher a vencer as eleições comunitárias Pemón-Taurepang, que a consagraram uma liderança indígena feminina na comunidade. Desde que começou as atividades, Anita – como é carinhosamente chamada – apoiou pessoas refugiadas e migrantes indígenas por meio da integração na comunidade e apoiando no processo de solicitação de refúgio.
“Somos da mesma etnia, muitos somos até família. Recebemos [as pessoas refugiadas e migrantes] de braços abertos por isso. Eu via a dor, e colocava gente até na minha casa, dividindo quarto com a gente”, relata Anita, lembrando que muitos dos que chegam ao Brasil por via terrestre enfrentam uma jornada exaustiva, com fome e acompanhados de muitas crianças.
Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), existem no Brasil mais de duas mil pessoas da etnia Pemón que saíram da Venezuela em busca de asilo e proteção. No total, mais de 7,5 mil indígenas de diferentes etnias cruzaram a fronteira na cidade de Pacaraima e vivem hoje em território nacional.
A responsabilidade de cada Tuxaua (forma como se denomina o/a cacique na região) é principalmente cuidar da comunidade e liderar as negociações com pessoas não indígenas para garantia de direitos e defesa da cultura e território. A partir da chegada de pessoas refugiadas, Anita também passou a empreender ações para direitos à documentação, acesso à saúde e educação de pessoas indígenas forçadas a se deslocar.
Causa pessoal - Anita sabe bem o que é ser forçada a se deslocar por causa da insegurança. Durante sua infância, ela saiu da comunidade em que vivia, mais ao norte de Roraima, para Sakau Motá, motivada justamente por episódios de violência que sua família viveu. Com apenas 7 anos, a comunidade indígena onde vivia foi invadida, as casas queimadas, e sua família foi forçada a deixar tudo para trás. “Reconheci neles a dor que senti naquele momento, por isso mantive sempre os braços abertos. É muito difícil viver com essa dor”, confessa.
Ao lado do ACNUR, Anita apoia pessoas indocumentadas a realizarem a solicitação de refúgio no Brasil, documento que regulariza a situação migratória e garante o acesso a direitos de pessoas que buscam o reconhecimento como refugiadas.
Para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em Sakau Motá, a Tuxaua investe em melhorar a educação da aldeia, busca recursos para construção de um posto de saúde e já iniciou a construção de um refeitório. “Querer, correr atrás e conseguir foi aquilo que aprendi com minha mãe e minha avó”, diz.
Lado a lado - O indígena refugiado de 38 anos, Amado, diz que a comunidade de Sakau Motá é um local onde há segurança e onde sua filha, de três anos, pode ter sonhos e crescer com saúde. “Ela tinha apenas seis meses quando viemos e estamos aqui por ela”, conta.
Ele trabalha ao lado de Anita em projetos de trabalho comunitário. Em Sakau Motá, indígenas refugiados e brasileiros, lado a lado, montam casas, aumentam a escola e negociam com autoridades para receberem a infraestrutura básica para uma vida digna e com respeito à cultura tradicional.
No entanto, para Anita, as necessidades da comunidade ainda são muitas. “Precisamos de mais salas de aula, de um local limpo para atendimentos de saúde, de parques para as crianças, de estradas seguras em que podemos ir à cidade”, relata.“Eu sonho acordada. Toda vez que olho para minha comunidade, vejo tudo isso que acabo de dizer. Mas não quero mais sonhos, quero realidades. Quero que tudo isso que quero para Sakau Motá se concretize”, finaliza.
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02 novembro 2022
FAO: reintrodução do algodão no Equador aumenta renda feminina
Para um grupo de mulheres do distrito equatoriano de Tosagua, próximo à costa do Pacífico, a vida cotidiana seguia o padrão de muitas comunidades agrícolas, cuidando de suas famílias, plantações e gado. Mas há cinco anos, as 127 integrantes da Associação Comunitária de Mulheres de Tosagua (AMUCOMT) estão na vanguarda de uma iniciativa pioneira no país para relançar a produção de algodão naquela zona.
A reintrodução do algodão, com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Agricultura e Pecuária do Equador, está ajudando a transformar a vida das comunidades rurais, e das mulheres em particular, como cotonicultoras tradicionais, dentro de uma estratégia agrícola diversificada. Seguindo o modelo de experiências bem-sucedidas no Brasil, o projeto faz a rotação de algodão com as culturas tradicionais das mulheres camponesas – amendoim, mandioca e milho – aumentando a resiliência e adaptabilidade da comunidade às mudanças climáticas.
O Equador é um dos sete países da região, junto com Argentina, Estado Plurinacional da Bolívia, Colômbia, Haiti, Paraguai e Peru, que implementam o projeto +Algodão. Esta iniciativa de cooperação sul-sul trilateral promove o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor do algodão na região para aumentar a renda de agricultores familiares.
Esse aumento de renda para essas mulheres também aumentou sua autoconfiança. "Agora sentimos que estamos no controle desta empresa, que é o algodão", diz Melva Ormaza, membro da associação.
Miniusina - O trabalho consiste na elaboração da fibra por meio de uma inovadora tecnologia de descaroçamento em pequena escala. É um avanço que capacita a comunidade a produzir algodão de forma viável sem depender das grandes descaroçadoras, das quais a última remanescente no Equador fechou no início da pandemia de COVID-19. O projeto + Algodão forneceu a miniusina de descaroçamento, que atualmente é a única no país.
As mulheres acreditam que esse equipamento garante benefícios consideráveis para o futuro, pois oferece a possibilidade de abrir um negócio e dar o salto para abrir suas próprias oficinas de costura para obter produtos com valor agregado —como roupas— e a venda das sementes como ração.
A reativação da produção de algodão na comunidade fortalecerá ainda mais o trabalho dessas mulheres que, desde a criação da associação em 2005, têm desempenhado um papel fundamental na economia local e na comunidade como agentes de mudança social, o que as torna modelos para muitas mulheres da região.
Sustentável - A importância deste projeto e do trabalho desta comunidade equatoriana “vai além da simples produção de um produto básico; mostra o potencial do algodão para ajudar a promover meios de vida decentes de forma ecologicamente correta e sustentável, obtendo produtos a preços justos”, afirma o representante da FAO no Equador, Agustín Zimmermann.
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02 novembro 2022
COP27: o que você precisa saber sobre a Conferência do Clima da ONU
Em 2022, a Conferência do Clima das Nações Unidas será realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, em um cenário de eventos climáticos extremos em todo o mundo, além de uma crise de energia impulsionada pela guerra na Ucrânia e dados mostrando que o mundo não está fazendo o suficiente para combater as emissões de carbono e proteger o futuro do planeta.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a COP27 deve resultar em soluções climáticas que correspondam à escala do problema.
A seguir, veja um guia com informações importantes do evento, que começa oficialmente em 6 de novembro.
História - As COPs são as maiores e mais importantes conferências anuais relacionadas ao clima do planeta.
Tudo teve início há 20 anos, em 1992, quando a ONU organizou a ECO-92, no Rio de Janeiro. O evento marcou a adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Na ocasião também foi criado o Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU.
Através desta convenção, as nações concordaram em “estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera para evitar interferências perigosas da atividade humana no sistema climático”. Até agora, 197 partes assinaram o documento.
Desde 1994, quando o tratado entrou em vigor, todos os anos a ONU vem reunindo quase todos os países do planeta para cúpulas climáticas globais ou “COPs”, que significa “Conferência das Partes”. Este ano marca a 27ª cúpula anual, ou COP27.
Durante essas reuniões, as nações negociaram várias extensões do tratado original para estabelecer limites juridicamente vinculativos para as emissões. Por exemplo, o Protocolo de Kyoto em 1997 e o Acordo de Paris adotado em 2015, no qual todos os países do mundo concordaram em intensificar os esforços para tentar limitar o aquecimento global a 1,5°C acima das temperaturas pré-industriais e aumentar o financiamento da ação climática.
Conferência de 2021 - A COP26, no ano passado, que marcou cinco anos desde a assinatura do Acordo de Paris, culminou no Pacto do Clima de Glasgow, que manteve viva a meta de conter o aquecimento global a 1,5 º C.
Avanços foram feitos para tornar o Acordo de Paris totalmente operacional, finalizando os detalhes para sua implementação prática, também conhecido como Livro de Regras de Paris.
Também durante a COP26, os países concordaram em entregar compromissos mais fortes em 2022, incluindo planos nacionais atualizados com metas mais ambiciosas. No entanto, apenas 23 dos 193 países apresentaram seus planos à ONU até agora.
Em Glasgow também houve muitas promessas feitas dentro e fora das salas de negociação em relação a compromissos para zerar emissões (net-zero), proteção de florestas e financiamento climático, entre muitas outras questões.
COP27 - De acordo com a declaração de visão presidencial, a COP27 será sobre sair das negociações e “planejar a implementação” de todas essas promessas feitas.
O Egito pediu uma ação completa, oportuna, inclusiva e em grande escala. De acordo com especialistas, além de revisar como implementar o Livro de Regras de Paris, a conferência também terá negociações sobre alguns pontos que permaneceram inconclusivos após Glasgow.
Essas questões incluem o financiamento de “perdas e danos” para que os países na linha de frente da crise possam lidar com as consequências das mudanças climáticas que vão além do que podem se adaptar e o cumprimento da promessa de US$ 100 bilhões todos os anos de financiamento de adaptação, de nações desenvolvidas, para países de baixa renda.
As negociações também incluirão discussões técnicas, por exemplo, para especificar a maneira pela qual as nações devem medir suas emissões de forma prática para que haja igualdade de condições para todos.
Todas essas discussões abrirão caminho para o primeiro Balanço Global na COP28, que em 2023 avaliará o progresso coletivo global na mitigação, adaptação e meios de implementação do Acordo de Paris.
Objetivos - Entre os grandes objetivos desta COP está a mitigação das emissões de gases do efeito estufa, que geram as mudanças climáticas. A mitigação pode significar o uso de novas tecnologias e fontes de energia renováveis, tornando os equipamentos mais antigos mais eficientes em termos energéticos ou mudando as práticas de gestão ou o comportamento do consumidor.
Espera-se que os países mostrem como estão planejando implementar a chamada do pacto de Glasgow, revisar seus planos climáticos e criar um programa de trabalho relacionado à mitigação.
Isso significa apresentar metas de emissões mais ambiciosas para 2030, já que a UNFCCC destaca que os planos atuais ainda não são suficientes para evitar um aquecimento catastrófico.
Adaptação - Além de fazer todo o possível para reduzir as emissões e diminuir o ritmo do aquecimento global, os países também devem se adaptar às consequências climáticas para que possam proteger seus cidadãos.
Os efeitos variam de acordo com a localização. Podem significar o risco de mais incêndios ou inundações, secas, dias mais quentes ou mais frios ou aumento do nível do mar.
Na COP26, os delegados adotaram um programa de trabalho sobre a meta global de adaptação estabelecida no Acordo de Paris.
O plano foi implementado para equipar comunidades e países com o conhecimento e as ferramentas para garantir que as ações de adaptação que eles realizam estejam de fato movendo o mundo em direção a um futuro mais resiliente ao clima.
A Presidência da COP27 espera que as nações capturem e avaliem seu progresso para aumentar a resiliência e ajudar as comunidades mais vulneráveis. Isso implica que os países assumam compromissos mais detalhados e ambiciosos nos componentes de adaptação de seus planos climáticos nacionais.
No ano passado, os países desenvolvidos concordaram em pelo menos dobrar o financiamento para adaptação, e muitas partes interessadas estão pedindo níveis ainda maiores de financiamento de adaptação para corresponder aos valores que agora estão sendo gastos em mitigação, conforme estabelecido no Acordo de Paris. Este será definitivamente um grande tópico de conversa em Sharm el-Sheikh.
A UNFCCC deixa claro que para responder aos riscos climáticos presentes e futuros é necessário aumentar significativamente a escala do financiamento da adaptação, de todas as fontes, públicas e privadas. Todos devem participar – governos, instituições financeiras e o setor privado.
Financiamento - O financiamento climático também será tema principal, mais uma vez, na COP. Muitas discussões relacionadas a finanças já estão na agenda, com os países em desenvolvimento fazendo um grande apelo aos países desenvolvidos para garantir apoio financeiro suficiente e adequado, particularmente aos mais vulneráveis.
Provavelmente muito será ouvido sobre a promessa anual de US$ 100 bilhões das nações desenvolvidas que não está sendo cumprida. Em 2009, em Copenhague, os países ricos se comprometeram com esse financiamento, mas os relatórios oficiais ainda mostram que essa meta está sendo perdida. Especialistas esperam que a COP27 realmente torne essa promessa uma realidade finalmente, em 2023.
A presidência egípcia pretende dar seguimento a este e outros compromissos e promessas assumidos em COPs anteriores.
Perdas e danos - As mudanças climáticas, por meio de fenômenos climáticos extremos, como ciclones tropicais, desertificação e elevação do nível do mar, causam danos financeiros aos países. Como a intensificação desses “desastres naturais” está sendo causada pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, principalmente de países ricos industrializados, os países em desenvolvimento, muitas vezes os mais afetados, argumentam que deveriam receber compensação.
A Dinamarca, por exemplo, ganhou manchetes durante a última semana da Assembleia Geral da ONU, depois de ser o primeiro país a anunciar que doará US$ 13 milhões aos países em desenvolvimento que sofreram danos devido às mudanças climáticas.
A questão desses pagamentos, conhecidos como “perdas e danos”, provavelmente será um grande tema de discussão na COP27, mesmo que ainda não tenha sido colocado oficialmente na agenda.
O grupo dos 77 e China, que inclui essencialmente todas as nações em desenvolvimento, pediu para adicioná-lo à agenda, o que exigirá consenso com todos os países no primeiro dia das negociações.
Até o momento, houve discussões sobre o estabelecimento de um fundo de perdas e danos, mas nada concreto. Especialistas como o relator especial da ONU sobre Direitos Humanos e Clima, Ian Fry, esperam ganhar mais impulso para conclusão.
“Existem grandes países desenvolvidos que estão bastante preocupados com isso e olhando para essa questão sob a ótica de que o poluidor paga. Agora, os países mais afetados pelas mudanças climáticas e que sofrem os custos estão tendo que lidar com esses custos. Então, é hora dos grandes países, os grandes emissores, se levantarem e dizerem: 'temos que fazer alguma coisa, temos que dar uma contribuição para esses países vulneráveis'”, disse ele durante uma entrevista recente.
Ucrânia - Segundo o representante permanente do Palau nas Nações Unidas e negociadora do clima, Ilana Seid, esta COP vai ser “confusa” diante do atual cenário sociopolítico e da crise energética.
Ela explicou que “a guerra na Ucrânia aconteceu, então há tantas coisas que tantos países concordaram e agora eles não podem fazer. Com a guerra, o cenário mudou”.
De fato, a invasão da Ucrânia pela Rússia causou uma crise global de inflação, energia, alimentos e cadeia de suprimentos. Países como a Alemanha tiveram que reduzir suas metas climáticas no curto prazo, enquanto o histórico Grupo de Trabalho Climático China-EUA anunciado em Glasgow foi suspenso.
A COP27 provavelmente verá um retrocesso nas promessas e compromissos que alguns países fizeram no ano passado. No entanto, Fry considera que a guerra também pode ser um “despertar” para que as nações se tornem autossuficientes em energia.
Ele argumenta que a maneira mais barata de fazer isso é por meio de energias renováveis, que são fundamentais para reduzir as emissões.
“Estamos vendo Portugal caminhar para 100% de energias renováveis, sabemos que a Dinamarca também está fazendo o mesmo, e penso que isso levará outros países a verem a necessidade de serem renováveis e autossuficientes em energia”, disse.
Sociedade civil - O evento principal da COP será realizado no Centro Internacional de Convenções de Sharm el-Sheikh, de 6 a 18 de novembro. Até agora, são mais de 30 mil pessoas inscritas para participar representando governos, empresas, ONGs e grupos da sociedade civil.
As 197 partes do tratado UNFCCC, muitas vezes se reúnem em grupos ou “blocos”, para negociar juntos, como o G77 e a China, o Grupo África, os Países Menos Desenvolvidos, o Fórum Guarda-Chuva, os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e a Aliança Independente da América Latina e Caribe.
As negociações também incluem observadores, que não têm participação formal nelas, mas fazem intervenções e ajudam a manter a transparência. Os observadores incluem agências das Nações Unidas, organizações intergovernamentais, ONGs, grupos religiosos e a imprensa.
Mas além das negociações oficiais, haverá salas de conferências, uma seção de pavilhão e milhares de eventos paralelos acontecendo, divididos em dias temáticos, Os temas deste ano são: Finanças, Ciência, Jovens e Gerações Futuras, Descarbonização, Adaptação e Agricultura, Gênero, Água, Sociedade Civil, Energia, Biodiversidade e Soluções, o mais novo tema desta COP.
Zonas - Como de costume, a conferência acontecerá em duas zonas: a Zona Azul e a Zona Verde, que este ano estão localizadas uma em frente à outra.
A Zona Azul é um espaço administrado pela ONU onde as negociações acontecem e, para entrar, todos os participantes devem ser credenciados pelo Secretariado da UNFCCC.
Este ano, serão 156 pavilhões dentro da Zona Azul, o dobro do que em Glasgow. Muitas agências da ONU, países e regiões estarão representados, e também haverá pela primeira vez um pavilhão da Juventude e um Pavilhão Agroalimentar.
A Zona Verde é administrada pelo governo egípcio e aberta ao público registrado. Incluirá eventos, exposições, workshops e palestras para promover o diálogo, a conscientização, a educação e o compromisso com a ação climática.
Segundo a presidência, a Zona Verde será a plataforma onde a comunidade empresarial, a juventude, as sociedades civil e indígena, a academia, os artistas e as comunidades de todo o mundo poderão se expressar e suas vozes poderão ser ouvidas.
Este ano, a Zona Verde também incluirá uma “zona de protesto” especial e um enorme lounge ao ar livre e um terraço.
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02 novembro 2022
OPAS: Brasil lança plano de resposta à possível surto de poliomielite
No ano em que o Brasil comemora 32 anos sem nenhum caso de poliomielite, a queda na cobertura vacinal tem gerado preocupação diante dos riscos de reintrodução da doença no país. Com o objetivo de ampliar os esforços junto a estados e municípios para manter o país livre da pólio, o Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Fundação Rotary promoveram um evento nesta terça-feira (1). Na ocasião, foi lançado o “Plano Nacional de Resposta a um Evento de Detecção de Poliovírus e um Surto de Poliomielite: Estratégia do Brasil”.
A poliomielite pode se espalhar rapidamente entre comunidades com cobertura vacinal inadequada, não é tratável, mas é totalmente evitável pela vacinação. No entanto, a cobertura vacinal caiu abaixo de 80% em quase todos os países das Américas nos últimos anos e quatro deles estão em risco muito alto de reintrodução do poliovírus selvagem: Brasil, Haiti, Peru e República Dominicana.
Argentina, Bahamas, Bolívia, Equador, Guatemala, Panamá, Suriname e Venezuela estão em risco alto. Outros 18 países e territórios encontram-se em risco médio e 14 em risco baixo. A cobertura vacinal recomendada para evitar a reintrodução do vírus é de 95% ou mais.
SUS - A representante da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, fez um alerta sobre esse cenário atual e destacou que o Brasil é referência no combate à poliomielite, trabalhando com a força tripartite – nacional, estadual e municipal – que o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro tem. “Nós temos a região livre da pólio desde 1994 e temos um país (Brasil) que trabalhou muito para isso, foi muito solidário com outros países da Américas e continua sendo, compartilhando vacinas, tecnologias e trabalhadores”, afirmou.
A representante da OPAS também reconheceu o trabalho de vacinação que o Brasil tem desenvolvido junto às fronteiras. “Essa iniciativa protege as áreas que são muito relevantes para o país como são as fronteiras, mas também traz o que precisamos na região das Américas: países de mãos dadas pelo bem que é a saúde”.
O curador da Fundação Rotary, Marcel Haick disse que a erradicação da pólio é identificada por eles como a prioridade humanitária com alcance global número um e que a atuação ocorre com foco na arrecadação de fundos, advocacia e defesa da causa, mobilização e melhoria da eficiência vacinal. “Hoje é um dia histórico e decisivo, somente todos juntos e alinhados poderemos vencer o vírus”, reforçou.
Plano de Resposta - Durante o evento, o Ministério da Saúde lançou o “Plano Nacional de Resposta a um Evento de Detecção de Poliovírus e um Surto de Poliomielite: Estratégia do Brasil”.
O Plano tem o objetivo de estabelecer diretrizes de resposta nas três esferas de gestão, de forma coordenada, apresentando cronogramas e indicando fluxos para fortalecer a vigilância epidemiológica, o acesso à vacinação e a capacidade nacional dos estados e municípios para manter o Brasil livre da pólio.
“Não queremos que a doença volte. Quero conclamar a todos que possam se associar nessa iniciativa. Nas 38 mil salas de vacinação, todos os dias são dias de campanha”, destacou o ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, referindo-se a todas as vacinas disponíveis no calendário nacional de vacinação.
Também estiveram presentes no lançamento o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da saúde, Arnaldo Medeiros, o secretário executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Jurandi Frutuoso, o assessor Técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), Hisham Hamida, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Além de participações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Brasileira de Infectologia, Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Sociedade Brasileira de Imunologia, Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Sociedade Brasileira de Neurologia, Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Enfermagem, Farmácia e Medicina, e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
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02 novembro 2022
Virada Sustentável: UNIC Rio promove exposição de arte no metrô de SP
Começa nesta quinta-feira (3), a 12ª edição da Virada Sustentável, o maior festival de sustentabilidade do Brasil. O Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio) participará do evento promovendo a exposição CONSCIÊNCIA, do ilustrador peruano Ivan Ciro Palomino, com o apoio da organização do evento e do Metrô de São Paulo. As obras ficarão expostas na estação de metrô Trianon-Masp, na capital paulista, até o dia 11 de dezembro.
As obras de Ciro Palomino exploram pautas como educação, mudanças climáticas e liberdade de expressão, temas relacionados diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030. Os desenhos feitos pelo artista mostram as consequências econômicas, sociais e ambientais resultantes da ação do homem sobre o planeta, dialogando também com a programação do festival.
Esta é a primeira vez que a Virada Sustentável acontecerá simultaneamente em São Paulo, Manaus e Porto Alegre com uma programação totalmente gratuita voltada para temas como consumo consciente, mudanças climáticas, meio ambiente, economia circular e responsabilidade socioambiental, entre outros. Organizações da sociedade civil, órgãos públicos, coletivos de cultura, movimentos sociais, equipamentos culturais, empresas, escolas e universidades participarão do evento.
O principal objetivo da Virada Sustentável é apresentar uma visão positiva e inspiradora sobre a sustentabilidade e seus diferentes temas para a população, gerando reflexão e discussões a fim de promover um futuro sustentável e reforçando as redes de transformação e impacto social existentes.
O encerramento da edição de 2022 da Virada Sustentável acontecerá no dia 23 de novembro. A programação completa com todas as atividades pode ser acessada no site oficial do evento.
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02 novembro 2022
Livro de receitas da FAO ajuda a conhecer, cozinhar e comer peixe
O peixe fornece a mais de 4,5 bilhões de pessoas em todo o mundo uma grande proporção de suas necessidades diárias de proteína. Para muitos, é uma refeição diária essencial para a nutrição, a saúde e o bem-estar. E mesmo que o peixe não seja suficiente para garantir a segurança alimentar mundial, não haverá segurança alimentar mundial sem peixe.
O livro “Fish: Know it, cook it, eat it” (“O peixe: conheça, cozinhe, coma”), da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), apresenta receitas tradicionais de dezenas de países e pratos de chefs reconhecidos, e também leva os leitores a uma jornada para aprender muito mais sobre a agricultura, ciência e comércio de peixes e mariscos.
Além disso, ajuda os consumidores a reconhecer os diferentes tipos de peixes, sua origem e seu valor nutricional. Com suas ilustrações impressionantes, fatos interessantes sobre comida, “entrevistas” divertidas com peixes e receitas tentadoras, é diferente de qualquer outro livro de receitas com peixes.
Para abrir o apetite, a FAO apresenta a seguir receitas e informações sobre quatro peixes.
Pirarucu - No final da década de 1990, acreditava-se que o Pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, estava à beira da extinção. O Pirarucu, nativo da Amazônia, foi recuperado graças aos rigorosos programas de manejo dos povos indígenas do Brasil. É um predador carnívoro, que pode medir três metros e pesar cerca de 200 quilos. Tem um corpo semelhante a uma píton e a língua coberta de dentes.
Nutricionistas brasileiros determinaram a presença de 27 ácidos graxos benéficos neste peixe, e agora que as populações voltaram a níveis saudáveis, o Pirarucu apareceu nos cardápios das cidades litorâneas do Brasil. Recomenda-se consumir Pirarucu no Brasil ou em países vizinhos. Se você quiser recriar pratos de Pirarucu no exterior, substitua-o por uma alternativa sustentável, como o bacalhau.
A receita da FAO de ensopado de peixe amazônico, ou moqueca, contém noz-moscada, cebola, salsa, coentro e cebolinha. Tem alguma semelhança com o gumbo de frutos do mar da Louisiana devido à origem africana de ambos os pratos. Experimente a receita aqui!
Cavala - A cavala, nome genérico que engloba cerca de 30 espécies, prefere estar em companhia e se reúne em grandes cardumes, com vastas populações ao longo das costas do Atlântico Norte e do Mar da China Oriental.
Tem a forma de um torpedo e uma pele azul-prateada brilhante. Alguns têm manchas ou listras, as quais se parecem com uma zebra do mar. Felizmente, a cavala continua abundante e acessível.
Cheio de ácidos graxos ômega-3, tem alto valor nutricional. Este peixe, longe de ser gorduroso, apesar de seu alto teor de óleo, é rico e denso no paladar. Pode ser grelhado, assado ou defumado. Finalmente, outra das vantagens culinárias da cavala é que praticamente não tem escamas.
Uma palavra de advertência: a cavala estraga rapidamente. Então, se você comprar peixe fresco e inteiro, procure olhos redondos e brilhantes, como moedas recém-cunhadas.
Para uma receita elegantemente leve que não requer calor ou cozimento, experimente esta preparação de cavala curada japonesa. É servido como aperitivo com molho de soja e wasabi ou com limão e toranja.
Carpa - Embora a rotulagem incorreta e a fraude pesqueira não sejam incomuns em todo o mundo, não há com o que se preocupar ao comprar a inconfundível carpa comum. A carpa geralmente é comprada inteira; é barata e fácil de identificar por sua boca redonda de lábios grossos e corpo reticulado cinza-acastanhado.
Mede entre trinta e sessenta centímetros e tem escamas grossas. Seu sabor é frequentemente descrito como “lamacento”, mas isso é mais um reflexo de onde ele vive e se alimenta (ou seja, principalmente no fundo de lagos e reservatórios). A carpa deve ser fresca: se compra e consome no mesmo dia.
Situada entre vários rios e lagos, a Hungria é um país de primeira classe para as carpas e tem uma longa tradição de aquicultura. As primeiras pisciculturas foram estabelecidas aqui na década de 1890. A Hungria é também o berço da páprica e daí surge uma feliz harmonização com o picante halászlé ou “sopa de pescador”.
Esta sopa consiste em um caldo rico e picante feito de carpa de água doce, tomate e pimenta picada. O sabor robusto da carpa resiste bem ao caldo ardente.
Garoupas - Os corpos das garoupas, que flutuam sobre os recifes de coral ao redor do mundo, muitas vezes parecem pedaços disformes. A cabeça não pode ser distinguida, e eles têm uma boca tão grande quanto um caldeirão para pegar sua presa inteira, esmagando-a perfeitamente quando engolida.
As 160 espécies de garoupa, variando em cores de vermelho brilhante a cinza opaco, vêm em uma ampla variedade de tamanhos. A garoupa gigante do Atlântico, por exemplo, pode medir até impressionantes 2,5 metros.
As garoupas podem não ganhar nenhum concurso de beleza, mas compensam com seu sabor. A sua carne é doce e com baixo teor de gordura e tem uma textura úmida e escamosa.
Muitas espécies de garoupa são superexploradas. A garoupa gigante está criticamente ameaçada e ainda é protegida nos Estados Unidos da América e no Caribe por restrições que foram introduzidas há trinta anos. Se você quiser ter certeza de que sua escolha é pescada de forma sustentável, verifique as espécies e a localização precisas. O berço da bonança do Golfo do México ou do Atlântico Sul, por exemplo, é uma opção segura.
Ao comprar garoupa, procure uma carne firme, elástica e úmida. Os filés devem ser de cor branca cremosa a rosa claro.
No Senegal, a garoupa é usada no prato nacional do país, o thieboudienne, um ensopado à base de tomate frequentemente servido com arroz. Hoje este prato é muitas vezes feito com frango ou carne de vaca, mas a receita da FAO mantém-se fiel à original.
Livro - Estas são apenas algumas das muitas receitas de peixe que podem ser encontradas no livro de receitas da FAO. O livro apresenta tanto peixes cultivados quanto capturados, aproveitando a oportunidade para distinguir fatos de boatos relacionados à piscicultura e aliviar algumas preocupações do consumidor. Mais da metade da demanda mundial por peixes é agora atendida pela aquicultura, ajudando a aliviar a pressão sobre os oceanos.
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