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06 novembro 2026
UNOPS entrega nova escola indígena para ampliar acesso à educação no interior do Pará
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06 novembro 2026
No Pará, nova escola fortalece comunidade e melhora acesso à educação
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04 novembro 2026
Empresas destacam benefícios crescentes da igualdade de gênero
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
História
14 setembro 2026
Cooperação Sul-Sul: como as soluções viajam
E se uma solução que funciona em um país também pudesse funcionar em outro? Essa é a premissa da Cooperação Sul-Sul. Em 12 de setembro, as Nações Unidas celebram o dia dedicado a essa forma de cooperação.“Em uma época de divisão e conflito, a Cooperação Sul-Sul pode ser um catalisador para reviver a solidariedade global e um forte lembrete de que, juntos, somos sempre mais fortes.” - António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, 12 de setembro de 2026Descubra nesta história como a Cooperação Sul-Sul se manifesta: soluções que viajaram a países transformando intercâmbio em práticas permanentes. Acesse a versão original na página do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG). O que é Cooperação Sul-Sul?Cooperação Sul-Sul é a prática de países do Sul Global compartilharem entre si conhecimentos, capacidades e soluções comprovadas para enfrentar desafios comuns.Experiências e conhecimentos circulam entre países que enfrentam restrições semelhantes, têm condições climáticas comparáveis ou instituições com características parecidas – fatores que ajudam a explicar por que essas soluções podem ser adaptadas e aplicadas com sucesso em outros contextos. Como a Cooperação Sul-Sul funciona na prática? O Brasil oferece um bom exemplo.Em 2025, a ONU Brasil apoiou 12 iniciativas de Cooperação Sul-Sul e Triangular, envolvendo 25 países e US$ 7 milhões em recursos executados. Participaram 18 países africanos e seis países latino-americanos, enquanto Colômbia e Peru concentraram o maior número de iniciativas. Outras cinco iniciativas foram implementadas em âmbito regional na América Latina e no Cone Sul.Uma amostra da potência de Cooperação Sul-Sul que é o Brasil vem do Programa Mundial de Alimentos (WFP). No ano passado, o Centro de Excelência contra a Fome, escritório do WFP dedicado exclusivamente à Cooperação Sul-Sul, fortaleceu seu papel como referência global em alimentação escolar, segurança alimentar e cooperação técnica.O Centro apoiou a 2ª Cúpula Global da Coalizão para a Alimentação Escolar, realizada no Ceará, reunindo autoridades governamentais de cerca de 80 países.Também ampliou a cooperação técnica do Brasil com países da África, Ásia e América Latina por meio de missões, visitas de estudo e ações de capacitação em nutrição e agricultura familiar. Além disso, tecnologias sociais para fortalecer programas de alimentação escolar foram implementadas em Benin, São Tomé e Príncipe e República do Congo.Diversas instituições do Estado brasileiro aportam conhecimentos e experiências para viabilizar esse tipo de ação, com apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A Cooperação Sul-Sul assumiu outros exemplos concretos ao redor do mundo em 2026: um especialista agrícola chinês trabalhando em uma plantação de arroz em Uganda ou um método de análise da qualidade da água desenvolvido em comunidades rurais da Índia sendo ensinado em uma aldeia Miskito, em Honduras.Uganda e China: técnicas agrícolasDurante anos, agricultores ugandenses produziram muito menos alimentos por área cultivada do que poderiam.Desde 2012, pelo menos 56 especialistas agrícolas chineses viajaram para Uganda para ajudar a mudar essa realidade, trabalhando lado a lado com agricultores ugandenses e especialistas locais.Eles compartilharam técnicas práticas para o cultivo de arroz, milheto, sorgo e pimenta, além de conhecimentos sobre criação de gado e piscicultura.Os resultados foram expressivos. Em uma região, a produção de arroz por hectare quadruplicou. Em outras, a produção de leite das vacas passou de 2 para 7 litros por dia.A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estruturou e coordenou a parceria, articulando a demanda de Uganda com a expertise chinesa, oferecendo apoio técnico e acompanhando a implementação das atividades.A fase final foi concluída em abril de 2026, tendo alcançado mais de 100 mil agricultores.Mas o aspecto mais significativo não está em um número relacionado à produção agrícola. Na última fase, Uganda cofinanciou a iniciativa, contribuindo com US$ 1,6 milhão, ao lado de US$ 3 milhões aportados pela China.Uganda não apenas recebeu uma solução. Investiu para mantê-la. Honduras e Índia: métodos de análise da qualidade da águaGracias a Dios, um departamento no leste de Honduras, é uma das regiões de mais difícil acesso da América Central. Não há estradas para chegar até lá: é preciso viajar de pequeno avião ou pelo rio.Para as comunidades Miskito que vivem na região, o acesso à água potável e ao saneamento seguro sempre foi um desafio. Muitos moradores não tinham banheiro e quase metade da população não tinha acesso a água potável segura.A Índia passou anos enfrentando problemas semelhantes em suas comunidades rurais: desenvolveu formas de baixo custo para tratar a água, métodos de análise que não dependem de laboratórios e capacitou moradores locais para monitorar a qualidade da água.Foram esses métodos que chegaram a La Mosquitia, levados pelo UNICEF e adaptados à realidade das comunidades Miskito.Profissionais de saúde foram capacitados em tratamento e análise da qualidade da água, materiais sobre higiene foram traduzidos para a língua Miskito e 185 voluntários locais agora visitam as famílias para ajudá-las a manter as novas práticas.A atuação das Nações Unidas envolve dois escritórios. O Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul (UNOSSC) administra o financiamento, proveniente do Governo da Índia. O UNICEF Honduras coordena o trabalho em campo, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, o município e os conselhos indígenas locais.Até o início de 2026, 12.199 pessoas haviam sido alcançadas por ações de capacitação em higiene e água. IndonésiaA Indonésia também vem adotando uma abordagem mais explicitamente institucional para a Cooperação Sul-Sul e Triangular.Em 2025, a ONU Indonésia desenvolveu uma estratégia de Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST) para apoiar o Governo na elaboração de seu futuro Grande Plano de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e formalizar parcerias, especialmente com a Indonesia AID.Desde 2021, as Nações Unidas na Indonésia apoiaram 75 iniciativas de cooperação Sul-Sul e triangular, envolvendo 18 agências da ONU e utilizando a experiência de desenvolvimento da Indonésia e as redes globais das Nações Unidas para responder à crescente demanda pela expertise indonésia e posicionar o país como um parceiro regional e global mais forte na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.Como a ONU ajuda a fazer a Cooperação Sul-Sul acontecer?Por trás de muitos desses intercâmbios existe um esforço de coordenação que nem sempre é visível.Por meio das Equipes Nacionais e dos Escritórios de Coordenação Residente, as Nações Unidas ajudam os países a identificar conhecimentos e experiências relevantes, conectar-se aos parceiros certos e adaptar soluções comprovadas aos seus próprios contextos, tornando mais fácil que ideias que funcionam possam viajar de um país para outro.Para saber mais, siga @unsdg nas redes e acesse o portal do Escritório do Grupo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UNSDG).
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História
05 outubro 2026
“A agricultura nunca saiu de mim”
As Nações Unidas declararam 2026 como o Ano Internacional da Agricultora (IYWF 2026), trazendo atenção para os papéis essenciais das mulheres em sistemas agroalimentares, que frequentemente passam despercebidos. A iniciativa foi lançada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante a Conferência Regional LARC39, em Brasília, em março de 2026.Na América Latina e no Caribe, as mulheres representam 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares, com 71% atuando fora da agricultura, no processamento e na comercialização.Historicamente enfrentam desigualdades estruturais, menor acesso à terra, crédito e tecnologia, além da sobrecarga do trabalho não remunerado e da dupla jornada de trabalho.Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), a bióloga Jaqueline Sadi e a engenheira agrônoma Lidiane Lima, coordenadoras de diferentes iniciativas municipais do Sítio Agrícola de Casimiro de Abreu (RJ), contam como construíram suas carreiras de liderança com agricultura, e, mais recentemente, um negócio próprio de consultoria ambiental e paisagismo. O município de forte tradição agrícola Casimiro de Abreu fica na região da Mata Atlântica fluminense. Para enfrentar os desafios ambientais e sociais decorrentes do êxodo rural, o município passou a investir na criação de unidades de conservação e em programas voltados à agricultura familiar e à agroecologia.É nesse contexto que nasce, em 1993, o Sítio Agrícola, vinculado à Fundação Municipal de Casimiro de Abreu, criado como espaço de demonstração de práticas agrícolas sustentáveis e de extensão rural, com foco em jovens e famílias da região. Em 2003, o Sítio deu um passo importante ao iniciar a implantação de sistemas agroflorestais, envolvendo técnicos, agricultores e jovens do programa de certificação. Nos anos seguintes, foram criados os programas de certificação que oferecem bolsa de estudo, capacitação técnica e apoio socioeducativo a adolescentes da região. A bióloga Jaqueline Sadi, uma das coordenadoras dos programas de certificação Paisagista Mirim e Jovem Agricultor Orgânico, e a engenheira agrônoma Lidiane Lima, coordenadora dos projetos de pesquisa, cresceram em famílias de agricultores. Os avós e os pais de Jaqueline, naturais do Espírito Santo e agricultores, mantiveram o vínculo com a terra mesmo depois de se mudarem para o Rio de Janeiro, onde ela chegou aos três anos de idade. Lidiane também vem de uma família de agricultores, feirantes que plantavam para subsistência e venda. O pai dela trabalha há 43 anos na mesma fazenda em Casimiro de Abreu.“A agricultura nunca saiu de mim, nem dos meus pais. E aí a gente percebe o quanto a gente consegue carregar, não vou dizer geneticamente, mas a gente carrega essa carga emocional desse amor à agricultura”, diz Jaqueline. “Com o trabalho com os jovens, percebi que amo trabalhar com a terra e colocar a mão na massa. O que mais me dá orgulho é saber que posso influenciar pessoas, e foi assim que me mantive na agricultura.”Formada em área com forte predominância masculina, Lidiane lembra que, em turmas na faculdade de agronomia, a proporção chegava a cinco ou seis mulheres para dezenas de homens.As duas relatam sobre experiências de liderança onde sofreram estigmatização, principalmente com equipes majoritariamente femininas. Contaram também sobre a dificuldade de serem ouvidas como especialistas técnicas por colegas de trabalho. “A gente, com o trabalho desenvolvido, conseguiu tirar esse estigma. Hoje eu não sinto mais nenhum olhar torto, pelo contrário: as pessoas vêm falar com a gente com admiração pelo trabalho que tem sido desenvolvido”, afirma Lidiane.Ainda assim, apesar da estabilidade que constroem tecnicamente, Lidiane e Jaqueline enfrentavam constante incerteza financeira, e a escassez de tempo para a família, um reflexo da sobrecarga da dupla jornada que afeta historicamente as mulheres no mercado de trabalho e no meio rural. Foi assim que nasceu a Jardim Vitrô, uma empresa de consultoria ambiental e de paisagismo fundada pelas duas em janeiro: “A gente viu que aquilo que parecia seguro não era tão seguro. E também viu que podia avançar muito mais do que estava avançando”, resume Jaqueline.Além da consultoria, as duas seguem trabalhando com sistemas agroflorestais (SAFs) tanto no sítio agrícola quanto na nova propriedade onde atuam, onde recuperaram um pomar antigo tomado pelo mato. “Agrofloresta pra mim é reformular a rota. É pegar algo desequilibrado, uma área que parece desertificada, que parece que não dá pra nada, e colocar as peças certas até a natureza tomar seu lugar de novo”, diz Lidiane. O que elas esperam para o futuro das mulheres na agriculturaPara Jaqueline, o maior avanço necessário é o reconhecimento:“Por muitos anos foi uma área em que os homens predominavam, e hoje a gente está assumindo esse protagonismo em grandes partes. A gente vai a reuniões de agroecologia e vê que as mulheres estão tendo voz, estão tendo vez.”Lidiane fala sobre a mudança no papel histórico da mulher na agricultura familiar, responsável pela produção de subsistência e pelo beneficiamento na ponta da cadeia, mas raramente pelo planejamento estratégico das propriedades:“Hoje a gente vê que a mulher também pode estar no planejamento, não só no operacional. Não é só mão de obra, a gente pode gerenciar, pode treinar. Isso é o que eu gostaria de ver mais.”O que vocês diriam para mulheres que pensam em trabalhar com agricultura?“A mulher carrega muito peso sobre si. Eu acho que a palavra seria resiliência, calma, menos culpa. A gente sabe que tem um propósito, e que aquilo que a gente faz inspira outras pessoas”, diz Lidiane.“Se elas tiverem certeza de que querem seguir nesse caminho, que não desistam. Não é um caminho fácil para a mulher. Tem dias que o sol brilha, e tem dias de chuva — mas a gente pode, a gente consegue, a gente supera e segue em frente. Já botamos a mão no arado”, completa Jaqueline. Descubra mais: Os dados abaixo, divulgados pela FAO no contexto do Ano Internacional da Agricultora, mostram a dimensão global das desigualdades de gênero no campo e o que está em jogo se elas forem reduzidas.41% das pessoas empregadas nos sistemas agroalimentares em todo o mundo, em 2021, eram mulheres, uma proporção quase igual à dos homens. Ainda assim, as mulheres rurais enfrentam de forma desproporcional empregos precários, más condições de trabalho e direitos limitados.24% é a diferença de produtividade da terra entre gêneros, mesmo quando mulheres e homens administram propriedades do mesmo tamanho. As agricultoras geralmente trabalham em parcelas menores.78 centavos é o que as mulheres assalariadas nos sistemas agroalimentares recebem, em média, para cada dólar pago aos homens.É estimado que o trabalho de cuidados não remunerado realizados por mulheres e meninas seja de no mínimo USD 10,8 trilhões para a economia global. Essa carga compromete a participação das agricultoras no mercado de trabalho, seu empoderamento econômico e seu bem-estar físico e mental.USD 1 trilhão seria o aumento do PIB global se as desigualdades de gênero na produtividade agrícola e nos salários fossem reduzidas, o que também reduziria a insegurança alimentar de 45 milhões de pessoas.52% da diferença na insegurança alimentar poderia ser eliminada com a redução das desigualdades de gênero em emprego, educação e renda. A prevalência da insegurança alimentar é maior entre as mulheres do que entre os homens em todas as regiões do mundo.58 milhões de pessoas poderiam ter a renda aumentada, e 235 milhões teriam a resiliência fortalecida, com o empoderamento das mulheres rurais por meio de intervenções direcionadas. Esse potencial permanece em grande parte inexplorado.Para saber mais, siga @FAOBrasil nas redes sociais e acesse a página do Ano Internacional da Agricultora na página global da FAO.
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História
15 outubro 2026
A arte de ensinar além das fronteiras
Franco Marval é o mais velho dos cinco irmãos criados em Santa Elena do Uairén, cidade da região de Gran Sabana na Venezuela. A mãe é indígena da etnia Taurepang e essa ancestralidade tem moldado sua história. Franco é o único da família que se tornou professor. Estudar e ensinar têm sido seu projeto de vida, junto com a meta de conhecer todos os estados brasileiros – já visitou 13. A inspiração para lecionar veio de seus professores, mas não só deles. “Professores e a televisão. A gente está falando dos anos 90, quando eu era criança. [a televisão] era a única janela que tinha para conhecer o mundo. A partir dela eu percebi que tem muita coisa interessante para fazer. Os professores na escola falavam que estávamos em um pontinho do globo terrestre, que existia todo o mundo afora. Na universidade, os professores seguiam com o mesmo papo. QQDepois chegou a internet, a globalização se reforçou. Graças a esse a essas janelinhas é que eu pude construir meu projeto de vida” conta.A cidade natal de Franco fica apenas 15 quilômetros de distância da fronteira com o município brasileiro de Pacaraima, no estado de Roraima. A proximidade geográfica fez com que ele tivesse convivência com a cultura nortista do Brasil, mas não com o idioma português.“Acho que a gente se acostuma com a ideia de que entendemos o português e o espanhol e ninguém faz o esforço para falar, tanto do lado venezuelano como o lado brasileiro. Eu cresci falando a língua indígena Taurepang e a espanhola. O português nunca esteve inserido na minha vida”, relembra.Em 2015, isso começou a mudar. Com o agravamento da crise na Venezuela e da doença renal crônica da mãe, ele e os irmãos foram para Boa Vista e solicitaram a condição de refugiado. Nesta mesma época, Franco decidiu que precisava aprender português. A determinação foi fundamental para ele conseguir ser naturalizado anos depois, revalidar seu diploma, concluir o mestrado e ser aprovado no doutorado. Professor venezuelano é Orgulho de RoraimaFranco se graduou em Educação Intercultural Bilíngue na Universidad Pedagógica Experimental Libertador (UPEL), instituição pública da Venezuela dedicada à formação de professores e profissionais da educação, conhecida também como a La Universidad de los Maestros, “a universidade dos professores”. Apto a atuar com o ensino de espanhol e língua indígena Taurepang, ele trabalhou por sete anos no Ministério da Educação da Venezuela. Em Boa Vista, enquanto lidava com a rotina hospitalar da mãe, estudou português para se comunicar com os médicos e se adaptar melhor ao Brasil. Fez o exame de proficiência, que era requisito para revalidação do diploma na época. Com o processo em andamento, ele começou a lecionar em uma escola particular da capital roraimense. Foi a partir do trabalho nesta escola que Franco recebeu a Comenda Orgulho de Roraima, da Assembleia Legislativa do Estado. A honraria reconheceu o projeto desenvolvido junto a alunos do ensino fundamental. O grupo pesquisou as propriedades do tucupi negro, produzido a partir da fermentação da mandioca, para as comunidades indígenas conservarem carnes, já que muitas não possuem energia elétrica. Do diploma revalidado à história de MacunaímaCom o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da organização social Compassiva, o diploma de Franco foi revalidado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Além da análise curricular, ele passou por uma entrevista detalhada de quatro horas de duração para testar seus conhecimentos. “Lembro que a secretária da universidade me disse que eu estava levando um diploma de uma das melhores instituições de ensino da do Brasil. Ela me explicou o que as universidades federais representam para o país”, comenta. A UFRR é uma das 54 instituições de ensino superior que fazem parte da Cátedra Sérgio Vieira de Mello e têm desenvolvido ações para fomentar o acesso e permanência de pessoas refugiadas no ensino superior. “A revalidação de diplomas muda vidas. Não se trata apenas de abrir portas para melhores oportunidades de trabalho e renda, mas também de resgatar a identidade profissional de pessoas refugiadas. Significa poder voltar a fazer aquilo para o qual se prepararam durante anos, sentir-se útil, reencontrar um espaço de reconhecimento e colocar suas capacidades a serviço da sociedade que as acolhe”, destaca a oficial assistente de proteção do ACNUR no Brasil, Andrea Zamur. Recente relatório de educação lançado pelo ACNUR indica que, no contexto global, a matrícula de refugiados no ensino superior atingiu o recorde de 11% em 2025, acima dos 9% registrados em 2024, com mais de 450 mil refugiados ingressando no ensino superior pela primeira vez. Esse aumento mantém o ACNUR e seus parceiros no caminho para alcançar a meta de 15% de matrícula de refugiados no ensino superior até 2030, por meio da ampliação do acesso a universidades, formação profissional, oportunidades de aprendizagem conectada e bolsas de estudo. Após o falecimento da mãe em Boa Vista, Franco e uma irmã mudaram para Caxias do Sul (RS) em 2024. Buscaram um lugar no Brasil que tivesse um clima parecido com a terra natal. A revalidação do diploma abriu portas para que ele pudesse fazer o mestrado em Letras e Cultura pela Universidade de Caxias do Sul. Naturalizado brasileiro, Franco foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Em junho deste ano, defendeu sua dissertação em português e na língua Taurepang. A pesquisa A Cosmovisão das Histórias de Origem na Literatura Indígena Pemon-Taurepang foi avaliada com nota máxima. Franco quer seguir aprofundando os estudos em línguas e interculturalidade indígena. Incentivado pela orientadora doutora em História, Cristine Fortes Lia, ele aplicou para o doutorado e foi aprovado. Vai estudar o personagem mítico Makunaimö, abordado por Mário de Andrade na sua obra Macunaíma: um herói sem caráter (1928). “Meu povo junto com os Makuxi e Wapichana somos descendentes desse ente sagrado”, contextualiza que o autor modernista se inspirou nas etnias para escrever o clássico. A sala de aula como segunda casaFranco foi aprovado em concurso público e, atualmente, é professor da Escola Estadual Professora Ivonne Lúcia Triches dos Reis. Em junho deste ano, o governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Educação, lançou o projeto Acolhe RS, para reduzir as barreiras de acesso e de aprendizagem vivenciadas por estudantes vindos de outros países. Franco faz parte do piloto implementado em Caxias do Sul, com a proposta de integração linguística e sociocultural para a inclusão.“Temos aproximadamente 700 alunos matriculados na escola, dos quais 12% são refugiados e migrantes. Nós oferecemos de um processo de alfabetização na língua portuguesa. Estamos recebendo também vítimas do terremoto na Venezuela, então temos palestras iniciais em espanhol. A parceria com professores e alunos brasileiros tem sido incrível”, explica.Como parte do Acolhe RS, ACNUR e UNESCO lançaram o guia Direito à educação de pessoas refugiadas e migrantes: formação de professores para o acolhimento escolar. O objetivo é fortalecer práticas pedagógicas inclusivas nas escolas que devem promover transformação social, valorização da diversidade cultural e respeito aos direitos humanos. Saiba mais aqui. Sua vez de inspirar estudantesA trajetória acadêmica já levou Franco ao Peru e ao México. Os planos de seguir viajando são muitos. Além de completar os estados brasileiros, ele quer conhecer todos os municípios do Rio Grande do Sul. “Sou muito aberto, então viajar faz parte do meu projeto de vida. No fim de semana, pego uma bicicleta e conheço muitos lugares. Eu estou muito apaixonado pelo país. Meus alunos me acompanham na rede social, me apoiam bastante. Eu os incentivo a conhecerem o estado, o município”, compartilha o professor.Franco está comprando sua casa própria e pretende comprar um meio de transporte ano que vem. “Já sou concursado, pretendo terminar o doutorado e fico por aqui”, planeja. Para saber mais, siga @acnubrasil nas redes sociais!
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História
11 agosto 2026
“Chega de exploração. Chega de pilhagem.”
À medida que a demanda global por minerais críticos aumenta, é necessário garantir que comunidades locais também se beneficiem das oportunidades econômicas e dos meios de subsistência que elas mesmas proporcionam à economia mundial. A ONU tem trabalhado com parceiros nacionais e comunitários em todo o mundo para garantir que os minerais críticos também gerem empregos, capacitação e benefícios locais. Em seu discurso ao Conselho de Segurança em 22 de julho de 2026, o secretário-geral António Guterres cobrou compromisso com a responsabilidade social e com práticas sustentáveis num momento em que um número cada vez maior de nações buscam capitalizar o potencial dos recursos minerais para o desenvolvimento.“Devemos garantir que o desenvolvimento do setor mineral gere resultados justos e sustentáveis para os países e para as comunidades dotadas de recursos naturais.” Na sessão do Conselho de Segurança sobre a manutenção da paz e da segurança internacionais com foco na “Governança dos recursos naturais: O fundamento da paz, segurança e prosperidade”, o líder das Nações Unidas enfatizou:“É hora de romper com o antigo padrão, em que os recursos são extraídos, o valor é capturado em outros lugares e as comunidades empobrecidas são deixadas para trás, tendo de lidar com os danos ambientais e socioeconômicos.” Com o agravamento da crise climática, a demanda global por minerais críticos para tecnologias de energia limpa – como lítio para veículos elétricos ou selênio para células solares – deve triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040, conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE).Lançado em outubro de 2025, o relatório do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) enfatiza que o financiamento da mineração responsável será fundamental para uma transição energética bem-sucedida e justa. “A demanda por minerais e metais necessários para a transição energética requer uma indústria de mineração que contribua para o desenvolvimento sustentável, respeitando os direitos humanos e o meio ambiente. Por meio de finanças sustentáveis, a mineração responsável pode se tornar o padrão, não a exceção”, disse o copresidente do Painel Internacional de Recursos, Janez Potočnik. Desde 1970, o volume de extração mineral quintuplicou, e a expectativa é que o segmento de minerais essenciais para a transição energética mantenha uma rápida trajetória de crescimento.Apenas no ano de 2023, a busca por insumos como cobalto, grafite, níquel e elementos de terras raras registrou crescimentos de 8% a 15%. Além disso, é estimado que a procura por lítio até o ano de 2050 vai corresponder a 9 vezes o volume total produzido globalmente em 2022. O relatório de setembro de 2024 do Painel do Secretário-Geral da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética enfatizou que o aproveitamento de minerais críticos requer novas abordagens, priorizando a justiça, equidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor dos minerais críticos – desde a mineração, refino e fabricação, até o transporte e reciclagem. A mensagem do secretário-geral aos membros do Conselho de Segurança, em julho deste ano, foi enfática: “O desafio é transformar a forma como os recursos naturais são extraídos, processados, comercializados e utilizados – garantindo que muito mais valor agregado seja retido pelos países produtores e pelas comunidades afetadas. Chega de exploração. Chega de saques.”“E devemos privar os grupos armados e as redes criminosas das rendas que alimentam conflitos prolongados. Se não agirmos, a exploração ilícita dos recursos naturais continuará a alimentar a desigualdade, a instabilidade e a violência”, enfatizou Guterres. Matérias relacionadas: UNODC: Crescente demanda por minerais aumenta riscos de crime, corrupção e instabilidadeONU Brasil: Histórias do Garimpo Descubra mais: Sobre o Painel do Secretário-Geral sobre Minerais Críticos: Criado pelo secretário-geral da ONU em abril de 2024, o Painel sobre Minerais Críticos para a Transição Energética reuniu governos, setor privado, organizações internacionais e sociedade civil para desenvolver princípios comuns que promovam cadeias de valor minerais justas, sustentáveis e transparentes. Entre as principais recomendações do relatório final do Painel estão: agregar mais valor localmente nos países produtores, fortalecer a rastreabilidade e a transparência das cadeias de suprimento e garantir benefícios econômicos, sociais e ambientais às comunidades afetadas pela mineração.Sobre o Painel Internacional de Recursos (IRP): O IRP foi lançado em 2007 pelo PNUMA para estabelecer uma interface ciência e política sobre o uso sustentável dos recursos naturais e, em particular, seus impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida. O Painel é composto por atores governamentais, da indústria e da sociedade civil e liderado conjuntamente pela equipe de ação climática do Secretariado da ONU, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O Painel estuda questões-chave sobre o uso global de recursos e produz relatórios de avaliação sobre as mais recentes descobertas científicas, técnicas e socioeconômicas para informar a tomada de decisões.Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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História
18 maio 2026
“Nós, os povos das Nações Unidas”
2025 foi ano de celebrar os 80 anos de parceria do Brasil com as Nações Unidas para a promoção da paz, do desenvolvimento, da igualdade e dos direitos humanos. O Brasil teve um papel de liderança nas negociações internacionais que ergueram as Nações Unidas sobre as cinzas e a devastação da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).Desde então, a ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta. Para celebrar essas oito décadas de parceria, em todo o Brasil, celebramos, o Dia das Nações Unidas foi lembrado por pessoas e instituições que, junto com a ONU, defendem e lutam pela paz, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável, sem deixar ninguém para trás.Exposição de fotosO Ministério das Relações Exteriores e a ONU Brasil inauguraram, em 14 de outubro, a exposição “Construindo Nosso Futuro Juntos”, em alusão aos 80 anos de criação da Organização das Nações Unidas. A abertura ocorreu em solenidade realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília, com a participação da vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, e a ministra substituta das Relações Exteriores, Embaixadora Maria Laura da Rocha.“A cooperação é o maior ato de coragem da humanidade. Agradeço ao governo do Brasil por tornar esta exposição possível; ela conta a história de como o mundo escolheu o multilateralismo,” afirmou a vice-chefe das Nações Unidas, Amina J. Mohammed no Palácio Itamaraty.“É com muita alegria que o Itamaraty abre suas portas para receber esse evento em celebração dos 80 anos da ONU,” disse a Embaixadora Maria Laura da Rocha na cerimônia de abertura da exposição. A exposição foi organizada pelo Escritório de Coordenação das Nações Unidas no Brasil e reuniu 80 fotos de duas mostras realizadas em Nova Iorque por ocasião dos 80 anos da ONU. A primeira parte apresentou 36 fotos históricas de “Revivendo o espírito de São Francisco”, exposição que resgatou os ideais que uniram a humanidade em seu momento mais sombrio. A segunda parte trouxe 32 fotos da exposição “Vidas compartilhadas, futuro compartilhado”, com imagens do presente que mostram o trabalho cotidiano das Nações Unidas e o impacto duradouro do multilateralismo construído em 1945. A mostra foi completada por 12 fotos do acervo das agências especializadas, fundos e programas da ONU no Brasil.Paz por todo ladoA ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta.Para levar a celebração dos 80 anos para todo o Brasil, a ONU convocou Prefeituras, organizações da sociedade civil e instituições de ensino de todo o país a organizar eventos para marcar o 80º aniversário de fundação da ONU.Milhares de pessoas participaram de 56 eventos organizados em 41 cidades de 16 estados de todas as regiões do Brasil. Ecoando a criatividade e a alegria do povo brasileiro, as celebrações aconteceram nos mais variados formatos, desde saraus e oficinas culturais até caminhadas e ações de recuperação da natureza. As celebrações contaram com mais de 12.000 participantes presenciais e mais de 142.000 em eventos online. A ONU Brasil preparou um catálogo digital com fotos e vídeos das celebrações que tomaram conta do Brasil em 2025. A participação de cidades brasileiras reforçou que a sustentabilidade se ancora nas cidades e comunidades, e destacou a importância do multilateralismo, da Agenda 2030 e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).“Apesar de sermos uma instituição presente em todo o mundo, é no nível local que está o verdadeiro impacto da ONU. É nos municípios que vemos como nosso trabalho ajuda a melhorar a vida das pessoas em áreas como educação, inclusão, saúde, promoção da igualdade, emprego e renda”, afirma a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse o Relatório Anual das Nações Unidas no Brasil 2025.
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História
06 novembro 2026
No Pará, nova escola fortalece comunidade e melhora acesso à educação
Vozes fininhas, risadas, olhos felizes e curiosos. Um “tour guiado” por uma área pequena, (cerca de 300 metros quadrados), mas que representa muito.“Aqui a minha tia vai cozinhar a merenda”, mostra orgulhosa Zakyran dos Santos da Silva Tembé, 9 anos, abrindo a porta da cozinha da escola, equipada com pia e fogão industrial. Ela é uma das crianças que agora usufruem de um novo espaço para a Escola Indígena Félix Tembé, na Aldeia Pirá, próxima ao município de Capitão Poço, no Pará. Zakyran e os amigos contam que, até então, estudavam “naquela escola velhinha ali”. “Era ruim, quente… quando chovia, dava trovoada. O ventilador queimou, fazia muito calor”, detalha Tayr Santos da Paixão Tembé, 11 anos. A nova escola tem quatro salas de aula (adaptadas ao tamanho e às necessidades da comunidade), banheiros acessíveis, cozinha e espaço administrativo - além do refeitório externo.A parte mais celebrada pelas crianças, contudo, fica na área externa, contígua à escola. Um parquinho de madeira, que, no dia da entrega da escola, estava tomado, tal qual uma árvore cheia de passarinhos. “Foi o que eu mais gostei”, confessa Tayr. A escola vai atender a uma comunidade composta por 13 famílias do povo Tembé. “A gente esperou muito por isso. Foram 18 anos nessa luta e hoje conseguimos concluir o nosso sonho de ter uma escola de qualidade. Nossos alunos, meus filhos, meus netos, vão ter um local que dá pra estudar com gosto, sem dificuldade”, comemora o cacique Cláudio Tembé, lembrando que as infraestruturas improvisadas eram a regra na comunidade. A construção da escola foi viabilizada por meio de um acordo de cooperação entre o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores. A parceria prevê a entrega de até 62 escolas indígenas e quilombolas localizadas em áreas distantes dos centros urbanos - sendo 17 delas no estado do Pará.“Eu desejo que as nossas crianças indígenas sejam o que elas quiserem. Que saiam, voltem para ajudar a comunidade. Podem ser doutores, professores, porque nossos indígenas são cidadãos brasileiros com direitos iguais a todos os demais”, celebrou a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba.Do presente para o futuroDentro da escola, as aberturas no teto e as telhas termoacústicas auxiliam no conforto térmico, mesmo com o calor de mais de 32°C do lado de fora. O resultado é fruto de adaptações de projeto, pactuadas em diálogo com a comunidade. “A escola segue o projeto arquitetônico padrão do FNDE, mas modificações foram feitas para melhorar a eficiência climática do edifício e acolher pedidos das famílias que vivem aqui, principalmente no que diz respeito às manutenções futuras”, explica o especialista Nacional em Gestão de Obras do UNOPS, Diogo Cavallari. Entre as mudanças, está a instalação de placas solares para geração de energia fotovoltaica e de cisternas, para o aproveitamento de água da chuva - além da substituição e ampliação das janelas (tradicionalmente de metal) por modelos em madeira.“A comunidade aqui vive em perfeita harmonia com a natureza, e isso é incrível, mas faltava uma escola que fosse condigna, onde as crianças pudessem ter as mesmas oportunidades daquelas que vivem na cidade”, completa o chefe de Programa do UNOPS, Nuno Paulo.Durante a entrega da escola, professores e estudantes foram saudados. Um dos pedagogos, Gutemberg Tavares - que dá aulas de Geografia, Estudos Amazônicos e Educação Ambiental e trabalha há 16 anos com o povo Tembé - lembra que, até pouco tempo, não havia sequer energia elétrica na comunidade. “Nós chegamos a dar aulas em salas de palha, cavaco e madeira. A comunidade sente que, agora, a luta chegou à glória. As novas gerações poderão estudar de maneira mais confortável e harmônica”, diz. “A educação deve transformar alunos e comunidade em protagonistas das suas próprias histórias”. Se depender de Zakyran e Tayr, isso já é garantido. Em meio às aulas regulares e ao aprendizado da língua indígena, eles planejam o futuro. “Eu quero ser veterinária, cuidar dos bichos”, diz Zakyran. “E eu quero ser operador de máquinas”, afirma o menino. Para saber mais, assista ao vídeo sobre a inauguração da escola e siga @onubrasil e @unops_official nas redes sociais!
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História
21 outubro 2026
De educadora a empreendedora
Quando Yedimar Castellano deixou a Venezuela e chegou ao Brasil, em dezembro de 2022, acompanhada do marido e do filho, precisou enfrentar os desafios de reconstruir a vida em um novo país. A adaptação a outro idioma, as diferenças culturais e a busca por oportunidades profissionais faziam parte de uma realidade que exigia disposição para aprender e recomeçar. Em Curitiba, no Paraná, ela encontrou uma maneira de transformar essa experiência em um projeto que hoje ajuda outras pessoas refugiadas e migrantes a desenvolver seus negócios, como foco nas mulheres empreendedoras.Pedagoga de formação e com experiência no desenvolvimento de pessoas, Yedimar já tinha familiaridade com o empreendedorismo antes de se deslocar com sua família em busca de proteção. No Brasil e sem conhecidos ou familiares, ela precisou conhecer novas formas de trabalhar, compreender a dinâmica do mercado local e construir uma rede de contatos. A decisão de permanecer por um período em casa, acompanhando o filho enquanto o marido buscava oportunidades profissionais, não significou interromper seus planos.“Eu fazia voluntariado e estudava muito. Qualquer aula de empreendedorismo do Sebrae, do Vale do Pinhão, curso de palhaçaria, eu fazia para ter mais conhecimentos. Eu me esforcei para conseguir me adaptar e conhecer o idioma, a forma como os negócios aconteciam por aqui”, conta.A preparação abriu caminho para uma decisão importante: em vez de limitar sua busca à inserção no mercado de trabalho formal, Yedimar decidiu investir no próprio projeto: “Com a dificuldade de encontrar um emprego formal em minha área de formação, vou impulsionar meu sonho de empreender”.A experiência de migrar como ponto de partidaEm dezembro de 2024, nasceu o Hub Terra Latina, uma iniciativa voltada ao desenvolvimento, à criatividade e à geração de oportunidades para a comunidade latino-americana no Brasil. O projeto reúne atividades de consultoria, mentoria, gastronomia, turismo e cultura, conectando empreendedores a conhecimentos e redes de apoio que podem contribuir para a consolidação de seus negócios.A ideia surgiu também da observação de uma dificuldade compartilhada por muitas pessoas de outras nacionalidades: profissionais com competências, experiências diversas e produtos de qualidade que nem sempre conseguem acessar as redes necessárias para crescer.Para Yedimar, a experiência de se deslocar pode ser uma fonte de conhecimento, e não algo que precise ser deixado para trás para que a integração aconteça:“Nas mentorias, mudamos a pergunta de ‘como me adaptar?’ para ‘o que existe na minha história que gera valor aqui?’. Não queremos que a pessoa esconda sua essência para ser aceita. Um toque cultural no atendimento, na culinária ou na forma de enxergar o mundo é o que destaca um negócio no mercado”.Essa perspectiva também aparece no apoio que oferece a outros empreendedores. Ao aproximar pessoas, conhecimentos e experiências culturais, o Hub Terra Latina procura mostrar que a integração econômica pode beneficiar tanto quem chega ao país quanto as comunidades que o recebem.Diploma revalidado: reconhecimento de uma trajetóriaA construção de uma nova vida profissional também passa pelo reconhecimento das qualificações obtidas no país de origem. Em 2026, Yedimar alcançou uma conquista importante ao ter seu diploma de pedagogia revalidado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).O reconhecimento representa mais do que uma etapa burocrática: permite que sua formação acadêmica considerada no Brasil e reafirma o valor dos conhecimentos que ela trouxe consigo. Sua trajetória ilustra um dos desafios enfrentados por pessoas refugiadas qualificadas, que muitas vezes precisam percorrer um caminho adicional para que diplomas e experiências profissionais tenham validade no novo país.No caso de Yedimar, a revalidação se soma ao trabalho que vem desenvolvendo como empreendedora. Sua história combina a busca pelo reconhecimento profissional com a criação de uma iniciativa própria, capaz de mobilizar conhecimentos adquiridos ao longo da vida e colocá-los a serviço de outras pessoas.Reconhecimento que amplia oportunidadesO trabalho desenvolvido à frente do Hub Terra Latina ganhou destaque em Curitiba. Em outubro de 2026, Yedimar conquistou o primeiro lugar na categoria Microempreendedora Individual (MEI) do Prêmio Empreendedora 2026, promovido pela Prefeitura de Curitiba e pela Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação. Ela também recebeu o reconhecimento por voto popular, após mobilizar pessoas de diferentes países em apoio à iniciativa.A premiação reconhece o trabalho de impacto cultural e comunitário do Hub Terra Latina. Além de celebrar os resultados alcançados, o reconhecimento amplia a visibilidade de um negócio que busca transformar experiências de deslocamento forçado em oportunidades econômicas e de convivência intercultural.Para Yedimar, manter esse propósito também exige aprender a gerir o empreendimento de forma sustentável: “No começo, a vontade de ajudar fala mais alto, mas para que o impacto seja duradouro, o negócio precisa ser viável. Aprendi a precificar corretamente, criar processos e valorizar o trabalho. Sustentabilidade financeira também é uma forma de proteger o propósito e ampliar o alcance da nossa ajuda”.A trajetória da empreendedora mostra como a reconstrução da vida em outro país pode envolver diferentes dimensões: cuidar da família, aprender uma nova cultura, reconstruir o espaço profissional, ampliar conhecimentos e criar oportunidades para outras pessoas. Ao transformar sua experiência em uma iniciativa coletiva, Yedimar não apenas constrói o próprio caminho, mas também contribui para que outras pessoas que tiveram que se deslocar encontrem formas de empreender sem abrir mão de suas histórias e identidades.Para saber mais, siga @acnurbrasil nas redes sociais e visite a página da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) no Brasil.
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História
09 outubro 2026
“É natural querermos aprender mais sobre aquilo que achamos bonito”
Escolhida para criar a identidade visual do Dia Mundial das Aves Migratórias 2026, a cantora, violonista e bordadeira carioca Luísa Lacerda uniu arte e conservação para representar sete aves migratórias. Com o lema “Cada ave conta: suas observações importam!”, a campanha deste ano destaca como registros feitos por pessoas de todo o mundo podem contribuir para a ciência e orientar políticas de proteção da biodiversidade. Quando recebeu a lista das aves que deveria bordar para a campanha, Luísa Lacerda não conhecia várias das espécies selecionadas. Antes de começar a trabalhar com linhas, tecidos e cores, ela precisou observar.Pesquisou fotografias, examinou detalhes das plumagens, conheceu a distribuição geográfica das espécies e procurou compreender as características que tornavam cada ave única. O processo artístico transformou-se, também, em uma experiência de descoberta.“Quando recebi a lista das 7 aves que teria que bordar, eu não conhecia metade, e isso foi muito interessante pois me fez pesquisar sobre cada uma das espécies, procurar por detalhes em diferentes fotos, conhecer a distribuição geográfica e até imaginar (e torcer!) para algum dia poder avistá-las mundo afora”, conta. Dentre elas, uma conquistou especialmente a artista: a marreca-colorada. “Das sete aves, a que eu mais gostei de bordar e gostaria de um dia avistar, é o Spatula cyanoptera, a Marreca-colorada”, explica. Da música para o bordadoNascida no Rio de Janeiro, Luísa Lacerda é cantora, violonista e bordadeira. Formada em violão clássico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), construiu uma trajetória profissional de mais de uma década na música e lançou seis álbuns e EPs. O bordado entrou em sua vida durante a pandemia da COVID-19, quando apresentações presenciais e projetos de gravação foram interrompidos. O que começou como passatempo tornou-se uma nova forma de expressão artística. À medida que aperfeiçoava a técnica, Luísa criou a marca Borda do Céu, que já recebeu mais de cem encomendas de diferentes partes do Brasil. Em 2025, ela começou a experimentar novos materiais e formatos, utilizando lã na criação de painéis maiores e aprendendo a costurar. Mesmo ampliando o repertório, manteve um tema recorrente em suas obras: as aves. Hoje, música e bordado convivem como linguagens complementares de sua produção artística. Seu interesse pelas aves nasceu justamente da experiência de representá-las: “Meu interesse por aves começou justamente por gostar de representá-las através dos meus bordados, por descobrir que as linhas criavam belas texturas que poderiam imitar bem a beleza das aves”. Para a artista, essa aproximação estética pode abrir caminho para a curiosidade, o aprendizado e o compromisso com a proteção da natureza.“É natural querermos aprender mais sobre aquilo que achamos bonito, interessante, instigante.” Cada ave contaCelebrado em 2026 nos dias 9 de maio e 10 de outubro, o Dia Mundial das Aves Migratórias chama a atenção para a conservação das aves migratórias e de seus habitats. A campanha acontece em duas datas para refletir o caráter cíclico das migrações e os diferentes períodos de maior movimento nos hemisférios Norte e Sul. O tema deste ano é o papel da ciência comunitária, também conhecida como ciência cidadã, na conservação das aves migratórias. Sob o lema “Cada ave conta: suas observações importam!”, a campanha reconhece a contribuição de milhões de pessoas que registram aves, ninhos, habitats e alterações percebidas na natureza.Observações realizadas em quintais, varandas, escolas, parques, praias e áreas úmidas podem ajudar pesquisadores a acompanhar rotas migratórias, tendências populacionais, transformações nos habitats e ameaças como poluição, perda de áreas naturais e colisões contra edifícios. Quando compartilhados de maneira responsável e por meio de iniciativas estruturadas, esses registros apoiam pesquisas e decisões de conservação em escala local, nacional e internacional. Como as aves migratórias atravessam fronteiras, continentes e oceanos, sua proteção depende de observações realizadas em muitos lugares e durante longos períodos. A ciência comunitária amplia o alcance do monitoramento e ajuda a construir uma visão mais completa das rotas migratórias mundiais. Os materiais da campanha buscam aproximar as pessoas da natureza. Ao observar e contar aves, participantes ampliam sua compreensão sobre as pressões enfrentadas pelas espécies e podem tornar-se agentes da proteção ambiental em suas próprias comunidades. Sete aves bordadas, nove espécies em destaqueA identidade visual criada por Luísa Lacerda apresenta sete representações artísticas que correspondem às nove espécies embaixadoras da campanha. Isso ocorre porque uma das composições reúne três espécies de ostraceiros: americano, australiano e eurasiático.As aves embaixadoras de 2026 são:marreca-colorada (Spatula cyanoptera);esmerilhão (Falco columbarius);beija-flor-de-papo-vermelho (Archilochus colubris);andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica);ostraceiro-americano (Haematopus palliatus);ostraceiro-australiano (Haematopus longirostris);ostraceiro-eurasiático (Haematopus ostralegus);maçarico-de-bico-de-colher (Calidris pygmaea);cegonha-de-abdim (Ciconia abdimii). Cada uma ajuda a contar uma parte da história das grandes rotas migratórias do planeta. Algumas podem ser acompanhadas por meio do registro de ninhos e avistamentos. Outras dependem da identificação de anilhas ou marcações individuais. Mesmo a observação de espécies mais comuns pode contribuir para detectar mudanças que somente aparecem em séries históricas construídas ao longo de muitos anos. Arte como instrumento de mudançaVer seus bordados aplicados em materiais de divulgação utilizados em diferentes países deu a Luísa uma nova dimensão do alcance do trabalho.“Fiquei muito surpresa e feliz com a divulgação da campanha. Quando vi as peças de divulgação (bottons, sacolas, materiais didáticos etc.) se espalhando por vários países com meus bordados estampados, fiquei muito emocionada”, afirma. Participar de uma mobilização internacional também permitiu que a artista conectasse seu trabalho a temas que considera urgentes.“Foi uma oportunidade não somente de divulgação do meu trabalho artístico, mas também de poder contribuir para uma campanha de conhecimento científico e preservação ambiental, temas cada vez mais urgentes e caros para nossa sociedade.” Na visão de Luísa, a arte pode aproximar assuntos complexos da experiência cotidiana e despertar interesse por espécies, ecossistemas e desafios ambientais.“Eu acredito na arte como ferramenta de mudança social e sensibilização para as mais diversas questões relacionadas ao ser humano e à natureza.” Essa relação está presente também na concepção gráfica da campanha. Segundo as orientações oficiais, o bordado representa os trajetos complexos e interligados das aves migratórias. Cada fio ajuda a construir uma espécie de tapeçaria global, ligando lugares, comunidades e ações de conservação. Observações locais, impacto globalA campanha incentiva pessoas de todas as idades e níveis de experiência a observar as aves ao seu redor e compartilhar informações com projetos de monitoramento. Aplicativos e plataformas digitais podem facilitar a identificação das espécies e o envio dos registros, mas a participação deve seguir os métodos definidos por cada iniciativa para garantir que os dados tenham qualidade e possam ser utilizados em pesquisas.Também é importante adotar práticas responsáveis: não perturbar ninhos ou locais de alimentação e descanso, manter distância das aves, evitar ruídos e respeitar os habitats visitados. Dados confiáveis dependem tanto de observações cuidadosas quanto do bem-estar dos animais observados. Em 2026, o Dia Mundial das Aves Migratórias também coincide com o 60º aniversário do Censo Internacional de Aves Aquáticas, iniciativa global de monitoramento que reúne informações sobre aves aquáticas e os ambientes dos quais elas dependem. A data reforça a importância dos registros realizados de forma contínua e da cooperação entre pessoas, instituições e países. Para Luísa Lacerda, artistas também têm um papel nesse esforço coletivo. Sua mensagem para profissionais interessados em participar de campanhas ambientais é que a responsabilidade artística ultrapassa a dimensão estética.“Acredito que nosso ofício ultrapassa a função de somente “embelezar” o mundo. Cabe aos artistas também serem críticos, responsáveis, conscientes e estudiosos daquilo que decidiram realizar.” Como participarQualquer pessoa pode contribuir com a ciência comunitária:Observe as aves de seu quintal, varanda, escola, praça, praia ou parque.Registre a data, o local e as espécies observadas.Participe de contagens e projetos locais, regionais ou globais.Compartilhe observações em plataformas de ciência comunitária.Informe o avistamento de aves anilhadas ou marcadas nos canais indicados.Acompanhe regularmente um mesmo local para perceber mudanças ao longo do tempo.Respeite ninhos, áreas de descanso e alimentação.Ajude outras pessoas, especialmente crianças e novos observadores, a conhecer as aves de sua região. Para conhecer a campanha, encontrar atividades, consultar materiais educativos ou registrar um evento, visite a página do Dia Mundial das Aves Migratórias. Nas redes sociais, acompanhe as hashtags #DiaDasAvesMigratórias #WMBD2026, #EveryBirdCounts e #YourObservationsMatter. Sobre o Dia Mundial das Aves MigratóriasO Dia Mundial das Aves Migratórias é uma campanha internacional de educação e conscientização dedicada à conservação das aves migratórias e de suas jornadas através das fronteiras. A iniciativa é coordenada por uma parceria formada pela Convenção sobre a Conservação das Nações Unidas de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), pelo Acordo sobre a Conservação das Aves Aquáticas Migratórias Afro-Eurasianas (AEWA), pela East Asian–Australasian Flyway Partnership (EAAFP) e pela Environment for the Americas (EFTA).
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História
09 setembro 2026
“Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito”
Há sete anos, Glaiddys deixou a Venezuela em busca de novas oportunidades. Os caminhos no Brasil convergiram em Pacaraima, cidade fronteiriça entre o Brasil e o país vizinho, onde encontrou no trabalho a possibilidade de recomeçar. Natural de Ciudad Bolívar, no estado de Bolívar, Glaiddys começou a trabalhar como cabeleireira aos 18 anos. Após ter experiência em diferentes salões, realizou o sonho de abrir o próprio negócio na Venezuela. Porém, as dificuldades no país a levaram a deixar para trás o salão, a casa e a família para uma nova vida. Ao chegar a Pacaraima, em Roraima, ela contou com o apoio da irmã e do cunhado para dar os primeiros passos. Enquanto conhecia a cidade e construía uma nova rede de contatos, trabalhou em dois salões de beleza até perceber que era hora de voltar a empreender. O desejo de ter um espaço próprio voltava a ganhar forma. Hoje, aos 50 anos, atende clientes em um salão montado em sua própria casa. Entre o ambiente acolhedor e o cuidado com cada detalhe, reencontrou na profissão a felicidade que sempre a acompanhou. “Eu sou feliz. Quando estou trabalhando, sou feliz. Amo este trabalho e não o trocaria por outro.” Mais do que estabilidade, Glaiddys busca aperfeiçoamento constante. Desde que chegou ao Brasil, aprendeu um novo idioma, participou de cursos e segue investindo em sua formação.Em 2025, Glaiddys recebeu apoio da iniciativa “Empreendedores em Movimento”, promovida pela Agência da ONU para as Migrações (OIM). Com a doação de equipamentos e insumos, como cadeiras, lavatórios, gaveteiros e outros materiais de trabalho, foi possível ampliar a estrutura do negócio e aprimorar o atendimento. “Comecei a estudar para me preparar melhor, porque para mim isso não é apenas um trabalho. É uma forma de transformar, cuidar e ajudar outras pessoas. Quero compartilhar meu conhecimento e mostrar a outras mulheres este ofício tão bonito.” Hoje, o som do secador, as conversas que envolvem o espaço e a confiança das clientes seguem marcando a rotina de Glaiddys, que demonstra como os acessos a oportunidades para pessoas migrantes fortalecem a integração e autonomia. Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes!
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História
31 agosto 2026
No campo, a educação também semeia futuros
Filhas de agricultores familiares, as irmãs Maria Eduarda, de 19 anos, e Maria Clara, de 17 cresceram no campo e compartilham o sonho de, por meio da educação, construir um futuro melhor para suas famílias e comunidade. A equipe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) conheceu mais de perto as irmãs durante uma visita ao município de Grajaú, no Maranhão. O encontro ocorreu durante a missão de revisão de meio termo do Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), financiado pelo FIDA com recursos do Governo da Alemanha, por meio do Programa de Adaptação para a Agricultura Familiar (ASAP+).Maria Eduarda é egressa da Escola Família Agrícola de Grajaú (EFAGMA) e atualmente é primeira secretária da associação da escola. Está cursando Licenciatura em Ciências Naturais - Química na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Grajaú, onde pretende ampliar seu conhecimento técnico para aplicar nos investimentos produtivos da sua comunidade. Maria Clara está no terceiro ano do ensino médio na mesma escola. A EFAGMA adota a metodologia da Pedagogia da Alternância, que combina períodos de quinze dias de internato, dedicados à formação da base curricular comum e à formação técnica agrícola, com quinze dias de permanência junto às famílias. Essa dinâmica aproxima teoria e prática e permite que os conhecimentos adquiridos na escola sejam aplicados à realidade do campo e contribuam para o aprimoramento das práticas agroecológicas nas comunidades.Mas a realidade nem sempre foi essa.Maria Eduarda compartilhou que, antes do PAGES, a escola funcionava em condições muito precárias. Nem sempre havia garantia das três refeições diárias e os estudantes muitas vezes dormiam em redes ou colchonetes no chão da própria sala de aula, por falta de uma estrutura adequada de alojamento.Hoje, a realidade começa a ser transformada.Por meio do PAGES, foram realizados investimentos na infraestrutura dos alojamentos, com instalação de ar-condicionado, aquisição de beliches, colchões e móveis. Também foram reativados tanques para a produção de peixes e introduzidas tecnologias e investimentos produtivos, como técnicas de revolvimento do solo e kits de irrigação. Para Maria Eduarda, uma das maiores alegrias é ver sua irmã, Maria Clara, vivenciando uma realidade diferente daquela que ela própria encontrou quando estudava na escola. Nas palavras de Maria Eduarda:“Levantar a bandeira da educação do campo é ter força, é necessário ter coragem para levantar essa bandeira e seguir unidos na representação da educação no campo, pois na EFA de Grajaú teoria se torna prática e prática educação.”São histórias como a de Maria Eduarda e Maria Clara que nos emocionam, nos inspiram e reforçam o propósito de seguir trabalhando para que o desenvolvimento sustentável também signifique mais oportunidades, dignidade e esperança para quem vive e produz no campo.Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (espanhol).Sobre o FIDAO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.org
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Notícias
04 novembro 2026
Empresas destacam benefícios crescentes da igualdade de gênero
As mulheres estão alcançando cada vez mais os níveis mais altos de liderança empresarial, e as empresas relatam benefícios crescentes da igualdade de gênero e da diversidade. No entanto, as desigualdades na trajetória de ascensão profissional a cargos de gestão e a redução na implementação de iniciativas empresariais nessas áreas podem dificultar a manutenção desses avanços, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O relatório intitulado em inglês Women in Business and Management: Scaling Success (Mulheres nas Empresas e na Gestão: ampliar os bons resultados) aponta que a representação das mulheres nos cargos mais altos de liderança empresarial aumentou na última década. A proporção de empresas com mulheres na presidência do conselho de administração passou de 13,1%, em 2013, para 30,9%, em 2025, enquanto a proporção de empresas lideradas por mulheres no cargo diretora-executiva (CEO) aumentou de 23,4% para 28,2% no mesmo período.Apesar dos avanços nos cargos mais altos de liderança, as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de gestão em geral, ocupando menos de um terço (30%) dessas posições em todo o mundo. Os progressos ao longo da trajetória profissional até os cargos de liderança também são desiguais: entre 2013 e 2025, houve uma melhora no equilíbrio de gênero nos níveis mais altos de gestão, mas um declínio nos níveis de gestão inicial e intermediária.Sólidos argumentos econômicos a favor da igualdade de gêneroQuase sete em cada 10 empresas entrevistadas em 2025 afirmaram que as iniciativas de igualdade de gênero e diversidade contribuíram para melhorar seus resultados empresariais, um aumento de 11,1 pontos percentuais em relação ao ano de 2018. Entre as empresas que relataram aumento nos lucros decorrente de iniciativas para promover a participação de mulheres em cargos de gestão, 87,4% registraram ganhos de pelo menos 5%. As empresas com mulheres nos cargos de CEO (diretora-presidente) e de presidente do conselho de administração também apresentaram maior probabilidade de relatar melhores resultados empresariais.Apesar das evidências cada vez mais sólidas, há uma crescente distância entre os compromissos assumidos e sua implementação. Em 2025, quase três quartos das empresas (74,8%) relataram contar com uma política de igualdade de gênero e diversidade ou equivalente. No entanto, a proporção de empresas que implementaram iniciativas nessas áreas caiu de 37,4%, em 2018, para 26,5%, em 2025. Essa redução incluiu medidas apontadas pelas próprias empresas como algumas das mais eficazes, incluindo a licença-maternidade, os programas de apoio à maternidade e as iniciativas de igualdade salarial.“A igualdade de gênero é um direito fundamental e os dados mostram claramente que ela também é um poderoso motor para o desenvolvimento de empresas sustentáveis e o crescimento econômico. A prioridade agora é transformar políticas e compromissos em avanços concretos e mensuráveis”, afirmou o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo.Talento ainda pouco aproveitado Esses resultados contrastam com os avanços significativos das mulheres na educação. Em todo o mundo, as mulheres já superam os homens no acesso ao ensino superior: em 2023, a taxa de matrícula nesse nível de ensino era de 46,4% entre as mulheres, em comparação com 40,3% entre os homens. No entanto, o relatório aponta que as mulheres continuam sub-representadas em determinados funções e setores empresariais que frequentemente oferecem oportunidades de ascensão a cargos de alta liderança.“Em um momento em que as empresas competem por qualificação e talentos, deixar de aproveitar o potencial das mulheres faz pouco sentido do ponto de vista empresarial”, afirmou Maria Paz Anzorreguy, diretora do Departamento de Atividades para os Empregadores da OIT. Transformando compromisso em açãoO relatório destaca medidas práticas que podem ajudar as empresas a transformar compromissos em resultados concretos, incluindo o fortalecimento das oportunidades de desenvolvimento e ascensão profissional das mulheres a cargos de liderança, a utilização de indicadores de gênero e metas voluntárias, a melhoria do acesso das mulheres a funções e setores nos quais ainda estão sub-representadas e a incorporação da igualdade de gênero às estratégias empresariais e aos mecanismos de prestação de contas.O relatório também defende a adoção de medidas para enfrentar barreiras fora do ambiente de trabalho, incluindo a distribuição desigual das responsabilidades de cuidados, a segregação ocupacional e a persistência de normas sociais que perpetuam as desigualdades de gênero.O relatório tem como base a pesquisa mundial da OIT realizada em 2025 com 11.957 empresas de 99 países, além de pesquisas anteriores conduzidas em 2013 e 2018, dados do mercado de trabalho referentes às últimas três décadas, estudos e pesquisas complementares e estudos de caso de empresas.
O relatório intitulado em inglês Women in Business and Management: Scaling Success (Mulheres nas Empresas e na Gestão: ampliar os bons resultados) aponta que a representação das mulheres nos cargos mais altos de liderança empresarial aumentou na última década. A proporção de empresas com mulheres na presidência do conselho de administração passou de 13,1%, em 2013, para 30,9%, em 2025, enquanto a proporção de empresas lideradas por mulheres no cargo diretora-executiva (CEO) aumentou de 23,4% para 28,2% no mesmo período.Apesar dos avanços nos cargos mais altos de liderança, as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de gestão em geral, ocupando menos de um terço (30%) dessas posições em todo o mundo. Os progressos ao longo da trajetória profissional até os cargos de liderança também são desiguais: entre 2013 e 2025, houve uma melhora no equilíbrio de gênero nos níveis mais altos de gestão, mas um declínio nos níveis de gestão inicial e intermediária.Sólidos argumentos econômicos a favor da igualdade de gêneroQuase sete em cada 10 empresas entrevistadas em 2025 afirmaram que as iniciativas de igualdade de gênero e diversidade contribuíram para melhorar seus resultados empresariais, um aumento de 11,1 pontos percentuais em relação ao ano de 2018. Entre as empresas que relataram aumento nos lucros decorrente de iniciativas para promover a participação de mulheres em cargos de gestão, 87,4% registraram ganhos de pelo menos 5%. As empresas com mulheres nos cargos de CEO (diretora-presidente) e de presidente do conselho de administração também apresentaram maior probabilidade de relatar melhores resultados empresariais.Apesar das evidências cada vez mais sólidas, há uma crescente distância entre os compromissos assumidos e sua implementação. Em 2025, quase três quartos das empresas (74,8%) relataram contar com uma política de igualdade de gênero e diversidade ou equivalente. No entanto, a proporção de empresas que implementaram iniciativas nessas áreas caiu de 37,4%, em 2018, para 26,5%, em 2025. Essa redução incluiu medidas apontadas pelas próprias empresas como algumas das mais eficazes, incluindo a licença-maternidade, os programas de apoio à maternidade e as iniciativas de igualdade salarial.“A igualdade de gênero é um direito fundamental e os dados mostram claramente que ela também é um poderoso motor para o desenvolvimento de empresas sustentáveis e o crescimento econômico. A prioridade agora é transformar políticas e compromissos em avanços concretos e mensuráveis”, afirmou o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo.Talento ainda pouco aproveitado Esses resultados contrastam com os avanços significativos das mulheres na educação. Em todo o mundo, as mulheres já superam os homens no acesso ao ensino superior: em 2023, a taxa de matrícula nesse nível de ensino era de 46,4% entre as mulheres, em comparação com 40,3% entre os homens. No entanto, o relatório aponta que as mulheres continuam sub-representadas em determinados funções e setores empresariais que frequentemente oferecem oportunidades de ascensão a cargos de alta liderança.“Em um momento em que as empresas competem por qualificação e talentos, deixar de aproveitar o potencial das mulheres faz pouco sentido do ponto de vista empresarial”, afirmou Maria Paz Anzorreguy, diretora do Departamento de Atividades para os Empregadores da OIT. Transformando compromisso em açãoO relatório destaca medidas práticas que podem ajudar as empresas a transformar compromissos em resultados concretos, incluindo o fortalecimento das oportunidades de desenvolvimento e ascensão profissional das mulheres a cargos de liderança, a utilização de indicadores de gênero e metas voluntárias, a melhoria do acesso das mulheres a funções e setores nos quais ainda estão sub-representadas e a incorporação da igualdade de gênero às estratégias empresariais e aos mecanismos de prestação de contas.O relatório também defende a adoção de medidas para enfrentar barreiras fora do ambiente de trabalho, incluindo a distribuição desigual das responsabilidades de cuidados, a segregação ocupacional e a persistência de normas sociais que perpetuam as desigualdades de gênero.O relatório tem como base a pesquisa mundial da OIT realizada em 2025 com 11.957 empresas de 99 países, além de pesquisas anteriores conduzidas em 2013 e 2018, dados do mercado de trabalho referentes às últimas três décadas, estudos e pesquisas complementares e estudos de caso de empresas.
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Notícias
03 novembro 2026
ONU-Habitat e Niterói iniciam parceria para melhorar qualidade de vida nas comunidades
O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) iniciou, na terça-feira (27), as visitas domiciliares na comunidade do Pau-Ferro, em Jurujuba, Niterói. A atividade marca o início do trabalho de campo da parceria com a Prefeitura de Niterói para apoiar o programa Vida Nova no Morro, que busca melhorar as condições de moradia e a qualidade de vida da população das 83 comunidades do município.Inspirado em experiências de urbanização integrada, o Vida Nova no Morro reúne ações de melhorias habitacionais, urbanização integrada e fortalecimento comunitário. O programa busca reduzir as desigualdades entre as comunidades e os demais bairros da cidade, identificando as necessidades mais urgentes dos territórios e promovendo o acesso à moradia adequada, aos serviços públicos e a espaços urbanos mais seguros, acessíveis e inclusivos.A parceria com o ONU-Habitat contempla, inicialmente, 20 comunidades e prevê a produção de dados para orientar o planejamento das intervenções. Para isso, serão utilizadas metodologias do ONU-Habitat aplicadas em diferentes territórios brasileiros, como o Mapa Rápido Participativo (MRP) e as Oficinas Cidade Mulher. As atividades combinam levantamentos socioeconômicos e de condições habitacionais, e atividades de escuta da população. Além do foco na qualidade de vida da população, o trabalho busca fortalecer as capacidades institucionais da Prefeitura de Niterói, oferecendo apoio técnico e produzindo informações qualificadas para o planejamento, a priorização e o acompanhamento das ações. Dessa forma, a parceria contribui para a implementação de políticas públicas habitacionais mais integradas, inclusivas e orientadas pelas necessidades da população.A secretária municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Marcele Sardinha, reforça a importância de dados que informem as reais necessidades da população. “Esse trabalho é fundamental para conhecermos ainda mais de perto a realidade da comunidade e construirmos políticas públicas que respondam, de fato, às necessidades dos moradores. Junto ao ONU-Habitat, agência das Nações Unidas especializada em desenvolvimento urbano sustentável, estamos dando mais um importante passo no Programa Vida Nova no Morro para entregar uma política pública consistente, integrada e transformadora.”Início das atividades Como parte da preparação para o início das atividades de campo, o ONU-Habitat e a Prefeitura de Niterói realizaram, em 22 de outubro, duas reuniões de articulação com pontos focais da prefeitura, incluindo representantes das administrações regionais e de outros órgãos municipais, além de lideranças comunitárias. Os encontros tiveram como objetivo apresentar as ações previstas, fortalecer o diálogo entre as partes e valorizar o conhecimento de quem vive e atua nos territórios. Para a Chefe do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti Moraes, essa etapa é fundamental para que as ações de melhorias habitacionais cheguem de fato a quem mais precisa. "A moradia adequada está no centro do trabalho do ONU-Habitat. É por meio dela que a população pode acessar outros direitos, como saúde, educação e oportunidades econômicas. Entrevistando os moradores e as moradoras das comunidades, teremos informações necessárias para mapear as regiões que mais precisam de apoio, e quais são as necessidades mais urgentes para promover melhorias habitacionais. São dados que permitem uma atuação rápida e eficiente, sem deixar ninguém para trás", destaca.Após as reuniões de articulação, as equipes de campo do ONU-Habitat iniciaram o trabalho de campo na comunidade do Pau-Ferro, em Jurujuba. Durante as visitas domiciliares, agentes aplicam questionários para conhecer as condições socioeconômicas e de moradia das famílias, incluindo possíveis necessidades de melhorias habitacionais. O levantamento permitirá identificar as famílias em maior vulnerabilidade, considerando tanto as características das residências quanto as condições de vida apresentadas. As informações coletadas serão utilizadas na produção de diagnósticos que vão ajudar a prefeitura a definir prioridades e planejar intervenções adequadas à realidade de cada território.Contato para imprensa: Thayane Massopust (thayane.massopust@un.org)
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29 outubro 2026
Alagoas e ONU-Habitat apresentam proposta para a Política Estadual de Cidadania Digital
O Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Comunicação (SECOM), e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) lançaram, em outubro, a proposta da Política Estadual de Cidadania Digital de Alagoas. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação de qualidade, incentivar o uso crítico e seguro das tecnologias digitais e fortalecer a participação cidadã no ambiente digital.Desenvolvido no âmbito do Visão Alagoas 2030, parceria entre as instituições para promover o desenvolvimento urbano sustentável no estado, o documento reúne uma análise das iniciativas já realizadas no estado, referências de boas práticas, proposta de regulamentação da política e um plano de ação para os próximos cinco anos. A proposta está organizada em quatro eixos estratégicos.Educação midiática e informacional: ajudar as pessoas a entender as informações que encontram na internet e a identificar o que é confiável.Participação social e inclusão digital: garantir que mais pessoas tenham acesso à internet e possam usar as tecnologias no dia a dia e participar das decisões públicas.Integridade da informação e combate à desinformação: incentivar o compartilhamento de informações verdadeiras e ajudar a identificar informações falsas.Comunicação pública: tornar as informações dos governos e das instituições públicas mais claras, fáceis de entender. Diagnóstico e escutaA construção do documento começou com o mapeamento de iniciativas já desenvolvidas em Alagoas, além da análise de boas práticas nacionais e internacionais sobre cidadania digital, educação midiática, comunicação pública e integridade da informação. A participação da população foi incorporada por meio de rodas de conversa com pessoas idosas, pessoas com deficiência e representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais, realizados nos dias 11 e 12 de março de 2026, em Maceió. Os encontros permitiram conhecer experiências relacionadas ao acesso à informação, ao uso de serviços e plataformas digitais, à verificação de conteúdos e às dificuldades enfrentadas por diferentes grupos no ambiente digital. O processo também incluiu diálogos com o governo federal, órgãos do Poder Judiciário e instituições acadêmicas, além de um levantamento para identificar capacidades institucionais, desafios e oportunidades de atuação no estado.Para a coordenadora do Visão Alagoas 2030, Paula Zacarias, a participação dos diferentes grupos foi uma etapa central do processo. “A escuta permite identificar desafios concretos e fortalecer uma política pública mais inclusiva e alinhada às necessidades da população. A proposta reconhece como públicos prioritários crianças e adolescentes, mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência, povos indígenas e comunidades tradicionais. A definição considera as diferentes formas de exposição às desigualdades informacionais e orienta ações que deverão adotar abordagens acessíveis e adequadas às características de cada público”, afirma.Do Digaê! à construção de uma política estruturadaA construção da política também considerou experiências desenvolvidas pelo Governo de Alagoas e pelo ONU-Habitat, como o programa Digaê! – Juventudes, Comunicação e Cidade, realizado entre 2022 e 2023. A iniciativa aproximou jovens de favelas e comunidades urbanas de Maceió de ferramentas de comunicação, da produção de narrativas sobre seus territórios e do debate sobre o direito à cidade. A partir dele, foi criado o Filmaê, iniciativa da SECOM que ampliou a formação de jovens em produção audiovisual e comunicação pública. Na proposta da Política Estadual de Cidadania Digital, o Filmaê é apresentado como uma iniciativa estratégica, com potencial de continuidade e ampliação para outros públicos prioritários. O modelo prevê integrar educação midiática e letramento digital, formação audiovisual e produção de conteúdos relacionados a políticas públicas e serviços estaduais.Para o secretário de estado da Comunicação de Alagoas, Wendel Palhares, a proposta permite estruturar e dar continuidade a iniciativas já desenvolvidas no estado. “Estamos construindo uma política que aproxima a comunicação pública do cidadão, fortalecendo o acesso à informação de qualidade e ampliando as possibilidades de participação social”, destaca. Plano de ação orienta os próximos passosAlém da proposta de regulamentação, o documento apresenta ações para orientar a concretização da política. Entre elas estão a promoção da acessibilidade digital, o incentivo à comunicação comunitária, a formação de servidores e da população, a articulação entre órgãos públicos, a produção de diagnósticos de hábitos de consumo da informação e o monitoramento dos resultados. O plano de ação também propõe ampliar a participação da população e aproximar iniciativas atualmente desenvolvidas por diferentes instituições do estado.Sobre o Visão Alagoas 2030A Política Estadual de Cidadania Digital integra o Visão Alagoas 2030, parceria entre o Governo de Alagoas e o ONU-Habitat iniciada em 2017 para produzir informações, fortalecer a atuação dos órgãos públicos e apoiar a formulação de políticas públicas alinhadas ao desenvolvimento sustentável.A proposta agora oferece ao Governo do Estado subsídios técnicos para avançar na formalização da política e definir os próximos passos para sua implementação, contribuindo para ampliar o acesso à informação, a inclusão digital e a participação cidadã no estado.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes sociais! Contato para a imprensa:Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.orgAdônis Matos, ONU-Habitat Brasil: adonis.matos@un.org
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28 outubro 2026
UNAIDS: Junta de Coordenação rejeita encerramento do Programa
A Junta de Coordenação do Programa do UNAIDS (PCB) reafirmou seu forte apoio à continuidade de um Programa Conjunto do UNAIDS mais enxuto e eficiente.Os membros do PCB foram unânimes ao defender que a transformação preserve a proteção de pessoas e comunidades que vivem com, são afetadas por, ou estão mais expostas ao HIV. Além disso, destacaram a importância de garantir que governos e comunidades mantenham e ampliem os avanços da resposta à AIDS.Junta aprova diretrizes para transformar o UNAIDSEm sua declaração, a diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, destacou a importância da decisão: “Vocês rejeitaram o encerramento do UNAIDS e escolheram, em vez disso, transformar e fortalecer este Programa Conjunto único. Agradeço aos países que integram o Programa, aos organismos doadores, à sociedade civil e ativistas que se mantiveram firmes e se empenharam pelo futuro do UNAIDS. Salvar o UNAIDS é apenas o começo. Agora, precisamos transformá-lo e garantir que essa transformação seja bem-sucedida.”Na sessão especial realizada em 26 de outubro, a Junta tomou conhecimento do relatório final do Grupo de Trabalho do PCB e aprovou as diretrizes estratégicas gerais para a transição do UNAIDS, conforme estabelecidas no documento. Em seguida, solicitou ao presidente da Junta que encaminhe essas diretrizes e as decisões tomadas ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC).As decisões apoiam as diretrizes estabelecidas pelas reformas pela Iniciativa ONU80 do secretário-geral das Nações Unidas. Nesse contexto, uma ONU transformada deve avaliar seu sucesso não pelas estruturas que mantém ou extingue, mas pelo impacto que gera na vida das pessoas.Ao se dirigir ao Conselho, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, afirmou: “A intenção do secretário-geral é preservar e fortalecer a resposta da ONU ao HIV diante das mudanças e ancorá-la de forma mais sólida nos países.” Sete diretrizes para a transição do UNAIDSO relatório apresenta as principais orientações estratégicas para a transformação do Programa Conjunto:Continuidade do mandato: o UNAIDS não será encerrado, e o mandato das Nações Unidas sobre HIV será mantido.Secretariado fortalecido: uma estrutura central, mais enxuta e focada, liderará quatro funções essenciais.Maior liderança dos copatrocinadores: as organizações copatrocinadoras assumirão maior protagonismo nas áreas técnicas, de acordo com a divisão de responsabilidades.Comunidades no centro das decisões: o novo modelo priorizará a cocriação e a coliderança em todos os níveis.Proteção de direitos: os direitos humanos e a igualdade de gênero serão preservados.Governança inclusiva: o mandato do ECOSOC e a governança inclusiva por meio do PCB serão mantidos.Transição gradual: o processo não será acelerado e levará em conta o contexto e o nível de preparação de cada país.Além disso, a Junta solicitou à diretora executiva a criação de uma equipe de trabalho para a transição. O grupo reunirá representantes do Secretariado, das organizações copatrocinadoras e duas pessoas representantes das comunidades, indicadas pela delegação de organizações não governamentais (ONGs) do PCB.A equipe trabalhará em estreita colaboração com os países que implementam o Programa e consultará as partes interessadas relevantes. Também deverá prestar contas à Junta e apresentar um plano de implementação com todos os custos detalhados.Países reforçam apoio à presença do UNAIDSDiante dos cortes de financiamento e da possibilidade de retirada de países, diversos governos que integram o Programa se mobilizaram para apoiar o UNAIDS. O embaixador da Argélia, Idris Latreche, anunciou uma contribuição voluntária antecipada de US$ 40 mil — cerca de R$ 220 mil — para o escritório do UNAIDS no país, destinada a 2027. Além disso, a Argélia disponibiliza gratuitamente as instalações do escritório e profissionais nacionais para apoiar suas operações.Outros países também contribuíram, entre eles Benin, Brasil, Camboja, China, Costa do Marfim, Cazaquistão, Laos, Filipinas, África do Sul e Tailândia.“Essas contribuições refletem o compromisso da Argélia com nossos esforços coletivos para manter uma presença eficaz do UNAIDS nos países, garantir a continuidade dos serviços e evitar interrupções que possam afetar as pessoas que dependem deles”, afirmou o embaixador Latreche.Junta aprova orçamento para 2027A Junta também aprovou o plano de trabalho e o orçamento do UNAIDS para 2027, que incluem a simplificação dos relatórios de desempenho.Na ocasião, agradeceu aos governos que contribuíram para o orçamento de 2026 e pediu aos demais que liberem suas contribuições o mais rápido possível. Além disso, incentivou os governos a assumirem compromissos plurianuais e a disponibilizarem prontamente os recursos destinados a 2027.Winnie Byanyima concluirá mandato em dezembroDurante a reunião, Winnie Byanyima informou à Junta que concluirá seu mandato como diretora executiva do UNAIDS em 31 de dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, o secretário-geral das Nações Unidas nomeará uma pessoa para exercer interinamente a função de diretora executiva, enquanto a Junta inicia o processo de seleção da próxima liderança do Programa.Para saber mais, siga @unaidsbrasil nas redes sociais e visite a página do UNAIDS no Brasil: https://unaids.org.br/
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26 outubro 2026
Quatro empreendedoras brasileiras são finalistas do Prêmio Mulheres nos Negócios 2026
O Brasil é o país com maior número de finalistas na 9ª edição do Prêmio Mulheres nos Negócios da UNCTAD, premiação internacional das Nações Unidas que reconhece mulheres empreendedoras de países em desenvolvimento cujos negócios impulsionam crescimento sustentável e inclusivo. Quatro brasileiras estão entre as 12 finalistas selecionadas em todo o mundo.A cerimônia de premiação ocorrerá nesta segunda-feira (26/10), durante o Fórum Mundial sobre Investimento (WIF2026), principal conferência da ONU sobre investimento e desenvolvimento sustentável, realizada em Doha, no Catar. As vencedoras serão anunciadas em categorias que destacam liderança, inovação, sustentabilidade e tecnologia.As empreendedoras brasileiras finalistas representam iniciativas que unem impacto social, inclusão, tecnologia e inovação para responder a desafios concretos nas áreas de agricultura, moda, alimentação e geração de renda. Juntas, elas evidenciam a força do empreendedorismo feminino brasileiro no avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). As quatro finalistas são participantes do Empretec, o principal programa de formação de empreendedores do mundo. Iniciativa da UNCTAD em 40 países, o Empretec é implementado no Brasil pelo Sebrae.O Prêmio Mulheres nos Negócios celebra mulheres que transformam desafios em soluções inovadoras com impacto econômico e social. Em 2026, o Brasil se destaca como a nação mais representada entre as finalistas, com quatro empreendedoras indicadas em duas categorias: Tecnologia e Inovação.Na categoria Tecnologia, a gaúcha Paula Dalla Vecchia, fundadora da Zeit Artificial Intelligence Solutions, foi selecionada pelo desenvolvimento de dispositivos portáteis baseados em inteligência artificial capazes de analisar, em campo e em poucos minutos, a qualidade de grãos, leite e culturas agrícolas, sem necessidade de produtos químicos ou conexão à internet. A solução busca ampliar o acesso a diagnósticos rápidos e precisos para produtores rurais.Também na categoria Tecnologia, a pernambucana Andreyna Silva, fundadora da plataforma digital Coostura, foi reconhecida por criar um modelo que conecta costureiras autônomas à indústria da moda. Inspirada pela trajetória da mãe, que trabalhou por anos sem proteção trabalhista formal, Andreyna desenvolveu uma ferramenta que amplia oportunidades de trabalho e geração de renda para profissionais da costura. Em apenas seis meses, mais de 200 costureiras de sete estados brasileiros passaram a integrar a plataforma.Na categoria Inovação, a empreendedora Adriana Fernandes, fundadora da Mátrika Comidas Especiais, foi selecionada por criar uma linha de alimentos livres de glúten e dos principais alergênicos alimentares. A iniciativa surgiu após o diagnóstico de múltiplas alergias alimentares de seu filho e hoje fornece refeições para hospitais, escolas e companhias aéreas internacionais, ampliando o acesso à alimentação segura para diferentes públicos.Também finalista em Inovação, Silvana Louro, fundadora da Equal, é reconhecida por promover a inclusão por meio da moda. O negócio surgiu a partir do desenvolvimento de uniformes para atletas paralímpicos e evoluiu para uma proposta em que todas as peças são concebidas simultaneamente para pessoas com e sem deficiência. Atualmente, os produtos da marca estão presentes em mais de 130 pontos de venda no Brasil.Realizado a cada dois anos, o Fórum Mundial sobre Investimento reúne chefes de Estado, ministros, líderes empresariais, investidores e representantes da sociedade civil para debater caminhos para o desenvolvimento sustentável por meio do investimento. A edição de 2026 acontece de 25 a 27 de outubro, em Doha, sob a organização da ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e do Estado do Catar.As vencedoras do Prêmio Mulheres nos Negócios 2026 serão anunciadas em 26 de outubro, em cerimônia oficial durante o Fórum Mundial sobre Investimento. Serviço: Cerimônia de Premiação “Mulheres nos Negócios 2026”Data: 26 de outubro de 2026Horário: 10:00 - 11:00 (horário de Brasília) Local: Doha, CatarMais informações: https://worldinvestmentforum.unctad.org/wif2026/session/9th-women-business-awards-ceremony-celebrating-women-entrepreneurship-excellence Para mais informações, siga @unctad nas redes sociais e use #WIF2026 e #DohaWIF2026.Contato para a imprensa: Unidade de Comunicação e Relações Externas da UNCTAD, Gabinete do Secretário-Geral: unctadpress@unctad.org Sobre a UNCTADA ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apoia países em desenvolvimento na integração à economia global de forma mais justa e sustentável, promovendo comércio, investimento, financiamento e tecnologia para o desenvolvimento.
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