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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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19 novembro 2021
Violência contra mulheres: campanha da ONU Brasil pede vida e dignidade
A ONU Brasil promove, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2021, a edição anual da campanha do secretário-geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, ela apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Neste ano, a iniciativa completa três décadas de mobilização internacional. Em todo o mundo, a ONU está abordando o tema: “Pinte o mundo de laranja: fim da violência contra as mulheres, agora!”.
A campanha da ONU Brasil pede união de esforços e de ações para garantir a vida e a dignidade a todas as mulheres e meninas, inclusive na recuperação da COVID-19. A pandemia exacerbou fatores de risco para a violência contra mulheres e meninas, incluindo desemprego e pobreza, e reforçou muitas das causas profundas, como estereótipos de gênero e normas sociais preconceituosas.
Estima-se que 11 milhões de meninas podem não retornar à escola por causa da COVID-19, o que aumenta o risco de casamento infantil. Estima-se também que os efeitos econômicos prejudiquem mais de 47 milhões de mulheres e meninas vivendo em situação de pobreza extrema em 2021, revertendo décadas de progresso e perpetuando desigualdades estruturais que reforçam a violência contra as mulheres e meninas.
“A campanha aborda as diferentes causas da violência contra mulheres e meninas e demonstra por meio de ações e propostas concretas os diferentes caminhos para superar esse problema”, explica a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks.
“A violência contra mulheres e meninas afeta a todas e todos nós e depende do engajamento das pessoas, das empresas e das instituições públicas e privadas para ser superada”, completa.
Desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vem fazendo apelos pelo fim da violência contra mulheres e meninas e pedindo paz no lar e o fim da violência em toda parte. Mais de 140 países expressaram apoio, e 149 países adotaram cerca de 832 medidas, conforme destacado na Resposta Global de Gênero à COVID-19, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com colaborações técnicas substantivas da ONU Mulheres.
Por meio da Estratégia de Engajamento Político do Secretário-Geral da ONU sobre Violência baseada em Gênero, o Sistema das Nações Unidas mobilizou várias partes interessadas para atender às necessidades imediatas e vulnerabilidades de longo prazo de meninas e mulheres em risco de violência e reconheceu o papel-chave que as organizações de direitos das mulheres desempenharam durante a crise global. Para tanto, a ONU ativou suas plataformas e redes a fim de mobilizar compromissos e ações para acabar com a violência baseada em gênero no contexto da COVID-19.
A campanha UNA-SE articula compromissos com as Coalizões de Ação Geração Igualdade, especialmente a de Violência Baseada em Gênero, para acelerar investimentos, sensibilizar autoridades públicas para políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas e mobilizar diversos setores em torno da causa.
A campanha se baseia nas determinações da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e se orienta rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, especialmente o ODS 5, que pretende alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A iniciativa busca a adesão de governos, parlamentos, sistema de Justiça, empresas, academia e sociedade para a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Campanha no Brasil - Com o mote “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - Vida e dignidade para todas”, a campanha deste ano tem como foco visibilizar a complexidade da violência contra as mulheres e meninas, em que suas identidades e condições de vida acentuam e ampliam vulnerabilidades para mulheres e meninas negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAP+ (lésbicas, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais, entre outras), com deficiência, idosas, migrantes e refugiadas. Para tanto, entende ser fundamental a abordagem interseccional de análise sobre as situações de violência sofridas pelas mulheres e meninas, entendendo que elas são diferentes a partir dos locais concretos e simbólicos ocupados por elas.
A campanha pretende evidenciar que a violência contra mulheres e meninas não ocorre apenas no ambiente privado: dentro de casa ou no corpo (como nos caso da violência doméstica e da violência sexual). Ela também está presente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, na política institucional, nos esportes, nos ambientes online, nos meios de comunicação, e também no contexto da promoção e defesa de direitos.
A campanha destaca também as formas de prevenção e eliminação das diversas formas de violência. Para tanto, além do trabalho das Nações Unidas, a campanha apresenta também iniciativas e histórias de mulheres que defendem direitos e promovem a igualdade de gênero.
Baseada no entendimento de que a violência contra mulheres e meninas é uma violação de direitos humanos, esta edição tem como objetivo também estimular uma mudança de paradigma, eliminando a ideia de mulheres 'vítimas de violência' (passivas, em uma condição insuperável) e fomentando a noção de que essas mulheres são pessoas 'em situação de violência' ou ‘que sofreram violência’.
Tal mudança estimula o entendimento de que a violência é um desafio superável e que pode ser prevenida, além da visão de mulheres como protagonistas da defesa e promoção de direitos humanos, desenvolvimento sustentável, justiça climática e democracia, cujas contribuições beneficiam toda a sociedade. Também reconhece, a partir disso, que a violência afeta todas as dimensões das vidas das mulheres que a vivenciaram e que toda a sociedade é responsável pela sua erradicação. Em outra linha de ação, a campanha quer engajar homens e meninos como aliados dos direitos das mulheres e para atingir a igualdade de gênero, da qual eles também se beneficiam.
A campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres” terá como um dos focos o empoderamento de meninas e jovens por meio do esporte, como ferramenta fundamental para prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Com histórias e experiências compartilhadas, a campanha mostrará como o esporte desenvolve habilidades para a vida das meninas, como autoconfiança, autonomia e liderança, fazendo com que rompam com estereótipos de gênero e com o ciclo de violência, não só individualmente, mas em seu entorno.
Ações no Brasil - A programação da campanha deste ano conta com a realização de eventos on-line e presenciais, iluminações de prédios na cor laranja em adesão global à mensagem da prevenção da violência, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e sites da ONU Brasil e instituições parceiras. Serão ações direcionadas a ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade e suas instâncias para a realidade da violência contra as mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
Neste ano, a campanha será inaugurada com a iluminação na cor laranja do Congresso Nacional, em Brasília, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra - início da campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres; e do Abrigo Rondon V, em Roraima, de 20 a 26 de novembro, em adesão à mensagem global de prevenção contra a violência. Ainda está programada a iluminação laranja da Casa da Mulher Brasileira, na cidade de Boa Vista (RR), de 27 de novembro a 4 de dezembro, estado em que a ONU Brasil desenvolve projetos de ajuda humanitária.
A campanha é composta pelo evento on-line “Juntas e juntos para pôr fim à Violência contra Defensoras de Direitos Humanos e do Meio Ambiente”, em 29 de novembro, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e site da ONU Brasil e de instituições parceiras. As ações pretendem ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade para a realidade da violência contra mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
16 Dias de Ativismo - A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que completa 30 anos em 2021, foi criada por ativistas do Instituto de Liderança Global das Mulheres em 1991.
Desde então, mais de 6.000 organizações em 187 países participaram da campanha, alcançando 300 milhões de pessoas. Ela continua a ser coordenada, a cada ano, pelo Centro para Liderança Global de Mulheres (CWGL, na sigla em inglês) e é usada como estratégia de organização por pessoas, instituições e organizações em todo o mundo para prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Em todo o mundo, os 16 Dias de Ativismo abrangem o período de 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, a mobilização se inicia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para buscar ações de combate ao racismo e ao sexismo e pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas negras.
Contatos para a imprensa
Isabel Clavelin (ONU Mulheres) - isabel.clavelin@unwomen.org / 61 98175 6315
Roberta Caldo (UNIC Rio) – caldo@un.org
História
03 janeiro 2022
Meninas se mobilizam em favelas do Rio de Janeiro
Acordar cedo, estudar, trabalhar, ajudar em casa e ainda lidar com as pressões do dia a dia e as múltiplas violências da comunidade: ser jovem, dentro da favela, não é uma tarefa fácil. A vivência cotidiana pode ser cruel e desanimadora. É como destacam as jovens Pâmella Gabriel, de 22 anos, moradora da Pavuna, e Juliane Cruz, de 21 anos, moradora da Maré. As duas participam do Zona Nossa, projeto do UNICEF em parceria com a ONG Luta pela Paz.
Na iniciativa, adolescentes e jovens participaram de debates e criaram uma rede de apoio entre mulheres que, mesmo em territórios distintos, compartilham vivências muito semelhantes e planejam estratégias de mobilização para encontrar, juntas, soluções comuns para os desafios enfrentados diariamente.
“Eu gosto muito da possibilidade de entender as especificidades dos diferentes territórios. Existe muito estigma sobre as favelas. Acham que toda favela é igual, funciona da mesma forma. Mas muito pelo contrário. Cada local produz sua própria cultura, seus conhecimentos, comércio, formas de habitação. O que me chamou atenção no Zona Nossa foi fazer essa integração com pessoas de outros territórios que não o meu.”
Juliane Cruz, 21 anos, Maré, Rio de Janeiro (RJ)
Juliane, estudante de psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Pâmella, que trabalha no setor de perfumaria de uma farmácia e estuda para concursos, destacam a satisfação de encontrar pessoas como elas e pensar as vivências enfrentadas pelas mulheres moradoras de favelas para além dos estigmas sociais que as envolvem. “O que me interessou foi que só tinha mulheres. Eu conheci um pouquinho de cada uma. Umas meninas daqui que eu só conhecia de vista e nem trocava ideia. Agora, nós nos identificamos como apoio umas para as outras”, conta Pâmella.
Saúde mental - Um dos temas mais discutidos foi a saúde mental. Juliane afirma que é possível oferecer psicologia às favelas para além dos consultórios e clínicas. “Dá pra fazer saúde mental com cultura, esporte e arte. Não necessariamente do jeito tradicional. Promover a saúde mental é muito mais do que isso”, explica a futura psicóloga.
Pâmella concorda que esse é um desafio muito grande para os jovens do seu território. De acordo com ela, fatores como a preocupação com o futuro, pressão familiar e a vida sob constante violência desmotivam. “A depressão dá a ideia de que os sonhos estão acabando”, afirma a jovem.
Outro assunto abordado foi a violência baseada em gênero. “É um desafio enorme, principalmente porque a maioria das pessoas não entende o que é essa violência. E a gente vê isso acontecer com muita frequência”, fala Pâmella.
Juliane lamenta a falta de ações efetivas para sanar o problema. “Isso tudo demanda da gente muita política, muita revolução e muita militância. Nossos corpos são políticos desde que a gente nasce até o dia em que a gente morre. Isso precisa fazer parte da nossa vida. A gente precisa começar a ouvir essas mulheres e pensar formas alternativas para ajudá-las”.
Projeto - Pâmella e Juliana são duas das 20 adolescentes e jovens mobilizadas pelo projeto Zona Nossa no primeiro semestre de 2021. Ambas demonstram interesse em continuar levando debates importantes para dentro de seus territórios.
“Multiplicar informações entre as pessoas do nosso território é fantástico. Os debates rendem e as rodas de conversa começam a encher. Me impacta muito ver jovens e adultos com um sorriso de satisfação por estarem sendo ouvidos e por ouvirem alguém que é como eles.”
Pâmella Gabriel, 22 anos, Pavuna, Rio de Janeiro (RJ)
Juliane demonstra interesse em continuar agindo pelo seu território e deixa claro: “É muito bom construir caminhos de debates e conversas para chegar nos territórios sem colocar pessoas em risco. É um caminho difícil, mas precisa ser feito. O que a gente pode oferecer para apaziguar essas questões? Quais são os projetos que a gente pode criar? Como que a gente produz economia para essas mulheres? O Zona Nossa nos trouxe a possibilidade de aprender na prática”.
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História
23 dezembro 2021
Uma vida dedicada ao serviço, à humanidade e à resposta ao HIV no Brasil
Boa parte da história de vida profissional da socióloga Telva Barros é entrelaçada com a resposta ao HIV no Brasil. Ela foi a primeira funcionária do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no país, mas já estava envolvida com o tema desde os anos 80, quando a epidemia de AIDS estava em seu início. Hoje, aposentada, ela mantém sua convicção mais forte do que nunca sobre o papel fundamental da ONU para a paz e os direitos humanos.
A ligação de Telva com a resposta à AIDS surgiu indiretamente, em meados dos anos 80, quando começou a trabalhar em uma autarquia do governo do estado de São Paulo dedicada à prevenção às drogas, o Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC). Isto coincidiu com o início da epidemia de AIDS, que trazia também o risco de infeção por HIV para pessoas que usavam drogas injetáveis.
“Para mim, o tema de prevenção sempre foi fundamental, tanto na resposta às drogas, quanto ao HIV. Nos anos 90, trabalhei cinco anos no Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID) justamente com esta abordagem. Por conta disso, me envolvi diretamente com o início da resposta ao HIV no Brasil. Estive junto de todo esse pessoal pioneiro, que esteve à frente da resposta inicial ao HIV e à AIDS no país, seja no governo ou na sociedade civil, e que são parte da história da minha vida”, diz Telva.
Ela destaca que aquele foi um momento especial, no qual o Brasil tornou-se rapidamente referência na resposta ao HIV em todo o mundo. “As razões pelas quais nosso país virou uma vitrine mundial na resposta ao HIV acredito que se devem à conjuntura política, com o apoio de diferentes governos, à força e comprometimento das organizações da sociedade civil e de ativistas e à existência de recursos de diferentes doadores. Foi um momento muito especial.”
Desde 1996, quando ouviu falar da criação do UNAIDS, Telva aspirava a trabalhar no programa. A oportunidade chegou em 2000, quando a representação foi aberta no país. “No começo o UNAIDS não tinha escritório próprio e meu primeiro espaço de trabalho foi uma mesa na UNESCO, que liderava o grupo temático de HIV/AIDS. E ali estava eu entrando naquele mundo ONU. Com o tempo, a equipe foi crescendo e depois de três anos já tínhamos nosso escritório próprio”, relembra.
A experiência de Telva não se limitou ao Brasil. Ela foi diretora do UNAIDS em Moçambique por dois anos. Em seguida, foi para o Escritório Regional do UNAIDS para América Latina e Caribe, onde ficou por três anos e teve a oportunidade de conhecer em profundidade a realidade da região como um todo. Veio, então, o momento da aposentadoria, em 2009, quando saiu do UNAIDS, mas continuou trabalhando em consultorias por algum tempo com o tema de HIV/AIDS.
Sobre o papel das Nações Unidas, especialmente no contexto atual, Telva não hesita: “A ONU segue sendo mais essencial do que nunca porque tem a capacidade de catalizar e trazer para a pauta os temas essenciais da humanidade. Mais do que nunca é o nosso papel, como organização internacional, mostrar as falhas e indicar os caminhos”.
A aposentadoria não afastou Telva do contato com o sistema ONU. Ela tem participação ativa na Associação dos Antigos Funcionários Internacionais do Brasil (AAFIB), criada em 1987 para, entre outros objetivos, contribuir para preservar a imagem e manter a memória do Sistema das Nações Unidas.
“Somos 177 filiados, a maioria com mais de 70 anos. Cumprimos nosso papel de apoio às pessoas que se aposentaram do sistema ONU, mas que continuam sendo a memória viva da organização. Fazemos atividades culturais e neste ano até ganhei um concurso de crônicas com um texto em que compartilho um pouco das minhas memórias pessoais”.
Telva é convidada algumas vezes para dar palestras e compartilhar sua experiência, especialmente para estudantes. “É muito interessante porque muitas vezes nunca viram alguém que tenha trabalhado na ONU. Querem saber tudo. A mística da organização ainda é muito forte. Digo que sou uma pessoa normal. Apenas fiz um juramento, como international civil servant, de prestar um serviço para a humanidade, do qual muito me orgulho”, finaliza.
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História
09 dezembro 2021
Ballet Manguinhos volta aos palcos encenando resistência e inspiração
Uma mistura de lágrimas, entusiasmo, ansiedade e vontade de reafirmar a dança como resistência e arte. Foi assim que a diretora administrativa do Ballet Manguinhos, Carine Lopes, descreveu o retorno do grupo aos palcos. O balé urbano, que atende gratuitamente 250 crianças e jovens do complexo de favelas Manguinhos, no Rio de Janeiro, apresentou seu espetáculo anual no dia 15 de novembro, após meses de paralisação das aulas.
“Mulher: poder e resistência”, narrou por meio de coreografias a história de dez mulheres inspiradoras. Entre elas, a diplomata brasileira Bertha Lutz, cuja participação na redação da Carta das Nações Unidas resultou na menção à igualdade de gênero no documento, tema até então inédito em um tratado internacional.
“Esta apresentação foi muito diferente. Já fizemos sete espetáculos nos nossos quase 10 anos de história, mas neste a vontade de mostrar, reafirmar a arte e voltar a dançar deram essa sensação mágica. As bailarinas choravam nas coxias”, lembra Carine. “Este é o único momento que os alunos e alunas têm para se afirmarem como artistas. Trabalhamos com crianças e jovens que não acessam espaços culturais no seu dia a dia. Então, quando eles conseguem se ver dentro de um teatro de mil lugares, como o Riachuelo, e ainda no papel principal, é algo emocionante.”
Com o avanço da vacinação contra a COVID-19 e o retorno gradual de atividades presenciais, executar um espetáculo musical, após meses de confinamento, já seria motivo suficiente para causar euforia no grupo de dança. Mas junto com a companhia, também entrou no palco o esforço do Ballet Manguinhos para superar outros obstáculos causados pela doença, que agravaram ainda mais a situação das famílias que moram em uma das regiões com o Índice de Desenvolvimento Humano mais baixos do Rio de Janeiro: a fome e o luto.
Em janeiro, após perder a fundadora do grupo para a COVID-19-- a bailarina Daiana Ferreira, de 32 anos--, o grupo escolheu mergulhar nas campanhas de prevenção contra a doença. Desde panfletagem na comunidade até promoção de testagem em massa e distribuição de máscaras, o Ballet Manguinhos manteve vivo o ativismo de sua fundadora também fazendo campanhas de arrecadação de alimentos, produtos de higiene, absorventes e de equipamentos eletrônicos, a fim de tentar manter contato com os membros do Ballet, ainda que de maneira virtual.
“A dança expressa o que eu sinto e por causa do balé eu pude conhecer pessoas e lugares novos. Então, voltar aos palcos, em um momento tão importante, onde a gente lembraria da Daiana, foi muito emocionante. Estava ansiosa”, conta Anna Júlia Martins da Silva, de 14 anos, moradora da Favela do Mandela e aluna do Ballet Manguinhos há seis anos. No espetáculo, Anna dançou as histórias da cantora Elza Soares, Anne Frank e da astronauta Valentina Tereshkova. “Eu me sinto bem sabendo que podemos ser uma inspiração para outras meninas e motivar as pessoas da nossa comunidade”.
O projeto - Funcionando em um prédio de 600 metros quadrados na Avenida dos Democráticos, o Ballet Manguinhos oferece 15 turmas de balé e duas de circo, para crianças e jovens entre seis e 29 anos. No total, a formação completa na escola dura oito anos. Em 2021, pela primeira vez, o projeto também passou a contar com três turmas de muay thai (boxe tailandês) dentro do programa “Respeita as Minas”, que promove uma série de atividades referentes à conscientização sobre a violência contra a mulher.
Em 2021, o Ballet Manguinhos participou do programa “Uma Vitória leva à Outra”, projeto de editais da ONU Mulheres e do Comitê Olímpico Internacional, em parceria com as ONGs Women Win e Empodera. Através da ação de empoderamento de meninas pelo esporte, 90 meninas tiveram aulas de ginástica rítmica no Ballet Manguinhos por três meses. “O programa trouxe uma série de discussões muito relevantes para as meninas, sobre o que significa ser mulher na sociedade hoje, autoconhecimento, sobre o esporte em si, sexualidade e muitas outras coisas válidas e importantes para a vida delas. No ano que vem pretendemos nos inscrever novamente”, conta Carine.
Esta, no entanto, não foi a única parceria entre o Ballet Manguinhos e a Organização das Nações Unidas. Na edição 2020 dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres, a companhia montou uma coreografia especial para marcar a campanha “Onde você está que não me vê?”, unindo o balé clássico e o funk com a trilha sonora de MC Tha.
Futuro - São oportunidades como essas, aliadas a capacidade do grupo em promover importantes mudanças sociais, que explicam porque a fila de espera por uma vaga ultrapassa os 500 nomes. “Temos um índice de gravidez na adolescência, entre as mais de três mil alunas que já passaram pelo Ballet, menor do que 1% e a gravidez na adolescência é algo cultural no território. Por isso temos que continuar este trabalho. Já fizemos muito e podemos fazer ainda mais”, diz Carine.
Com o contrato de patrocínio prestes a encerrar, o Ballet agora busca uma nova forma de financiar suas atividades para 2022. Apesar do momento de tensão, Carine está confiante e tem certeza que o espetáculo “Mulher: poder e resistência” não foi a última apresentação de grande porte do Ballet Manguinhos. “Este é o legado que a Daiana nos deixou. A memória dela é uma memória de luta, do desejo de tirar crianças da ociosidade e mostrar uma outra realidade, que não apenas a da violência. Não vamos parar.”
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História
12 novembro 2021
Catador, costureira e cozinheira representam o Brasil em evento paralelo à COP
Quase metade da população de Goiás depende do abastecimento do Meia Ponte, um rio que corta 39 municípios, mas que nas últimas décadas perdeu mais de 8% da vazão, 97% da mata ciliar e recebe todos os dias, em média, uma tonelada de resíduos sólidos. O catador de materiais recicláveis e servente de pedreiro Wanderson Alves Pires, 25 anos, não depende do rio apenas para conseguir água. Era de lá que ele retirava parte da alimentação da família, pescando e coletando vegetais e frutas.
Há meses, no entanto, conseguir alimento no rio tem sido difícil, ele relata. Os peixes estão sumindo, as nascentes secando, a mata desaparecendo e sendo substituída por áreas de pastagem, principalmente na região onde ele vive, a ocupação Estrela D’Alva, em Goiânia. “Antigamente, o Meia Ponte era fundo. Eu passava o tempo todo nadando lá. Hoje dá para atravessar o rio a pé”, conta Wanderson, que é neto de indígenas. “Nem neblina mais estamos vendo de manhã”.
Essa é a história que Wanderson contou nas últimas semanas, na inédita Assembleia Cidadã Global , evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26) que reúne 100 pessoas comuns, de todas as partes do mundo, para responder como a humanidade pode enfrentar a crise climática e ecológica de uma forma justa e eficaz. Wanderson foi indicado pela ONG Guardiões do Meia Ponte para integrar a Assembleia, financiada pelo governo escocês e a European Climate Foundation, apoiada por ONU e Reino Unido, e administrada por uma coalizão de mais de 100 organizações. O evento começou em outubro e segue até março do ano que vem.
Além dele, outras duas mulheres representam o Brasil neste processo: a costureira Izildete Maria de Sousa Botelho, 67, de Uberlândia (Minas Gerais) e a cozinheira Joseane Souza, 60, moradora da comunidade Alto José do Pinho, em Recife (Pernambuco). Juntos, eles compõem o grupo de oito latino-americanos que ajudaram a construir a versão preliminar da Declaração dos Povos para o Futuro Sustentável do Planeta Terra, documento entregue na semana passada para os principais líderes políticos em Glasgow, durante a COP26.
A declaração - Apesar da publicação final da declaração estar prevista para março de 2022, a versão provisória deixa claro que os cidadãos endossam as medidas de cumprimento do Acordo de Paris e também avança em questões como o reconhecimento do meio ambiente limpo e saudável como um direito humano. Além disso, adota o termo “ecocídio” para pleitear que práticas danosas ao meio ambiente sejam consideradas violações de leis internacionais.
A Assembleia buscou a diversidade da população do planeta: 60% dos convidados moram na Ásia, 17% na África, 50% são mulheres e 70% têm renda diária de até dez dólares. Usando um algoritmo de densidade populacional e distribuição geográfica da NASA, agência espacial dos Estados Unidos, a administração da Assembleia sorteou cidades que atendessem a esses critérios e acionou organizações civis locais, que indicaram moradores interessados e capazes de representar a diversidade de suas comunidades. Um novo sorteio foi feito entre os indicados para fechar o grupo de 100 pessoas.
“Este é um processo que reconhece a necessidade de vozes reais participarem de um debate deste nível e que a diversidade é importante para tomada de decisão”, diz Amanda Suarez, uma das coordenadoras do braço recifense da ClimateScience, organização internacional que recrutou Joseane.
Experiências - Em Alto José do Pinho, a realidade que Joseane precisa mudar é a de novos deslizamentos de terra causados pelas chuvas, problema que afeta diretamente sua rotina: Recife é a 16ª cidade mais ameaçada do planeta pelas mudanças climáticas com o aumento do nível do mar. Agora, a cozinheira planeja engajar os vizinhos.
“Antes da Assembleia, para mim as mudanças climáticas eram uma coisa distante. Eu me preocupava com o calor, mas não sabia a importância que isto tinha. Agora estou entendendo que muitas coisas estão sendo afetadas, as barreiras deslizando, o mar avançando... Por isso que tudo que aprendo nas reuniões estou passando para quem está perto de mim”, conta.
O mesmo movimento está sendo feito por Izildete. Além de costureira, ela também trabalha com artesanato feito a partir de materiais recicláveis. Moradora em um condomínio de 300 famílias, ela espera agora mobilizar os vizinhos no tratamento de lixo. Izildete deve contar com a ajuda do Instituto Ipê Cultural para esta missão, organização que a indicou para participar do evento.
“Nos primeiros dias da Assembleia, fiquei muito preocupada com a mudança climática, perdi noites de sono pensando nos jovens, nas crianças e na situação que eles podem enfrentar. Mas aos poucos fui entendendo o que posso fazer para mudar, como participar”, relata a mineira. “Agora considero que ter sido sorteada para participar foi como ganhar em uma loteria. É uma sensação muito gratificante representar a minha cidade e saber que a minha palavra chegou nesse nível de ação global, podendo ajudar a mudar as coisas”, conclui.
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História
29 outubro 2021
Para ex-diretor da OIT, ONU é organizadora do pensamento da civilização
Poucas áreas passaram por mudanças tão bruscas nos últimos 40 anos quanto o mercado de trabalho. A formação dos profissionais, a concorrência entre seres humanos e tecnologia, além de crises econômicas transformaram não só o cotidiano de trabalhadores e empregadores, como também das organizações nacionais e internacionais que regem o setor. O tsunami de mudanças, no entanto, parece não abater o ex-diretor do escritório de Brasília da Organização Internacional do Trabalho (OIT), João Carlos Alexim.
Do alto de seus 84 anos, o que mantém estável a fé do ex-funcionário é a missão da Organização de ser uma referência para a civilização e não uma instituição que resolve problemas por si só. “Para mim, as Nações Unidas continuam a ser o centro fundamental da organização do pensamento humano e da civilização, mesmo com todas as críticas que muitas vezes são imputadas a ela de forma errônea”, diz o aposentado. “Ela oferece uma referência dos valores fundamentais dos seres humanos em áreas como cultura, convívio, diplomacia. Sem as Nações Unidas seria o caos. E trabalhar oferecendo um exemplo, em conjunto, já é um esforço inacreditável”, pontua.
De exemplo, Alexim entende. Ingressou no sistema ainda nos anos 1980 com a missão de liderar o Centro Interamericano para o Desenvolvimento do Conhecimento na Formação Profissional. Passou 14 anos em Montevidéu ajudando a estreitar relações entre empresários, governos e instituições de ensino em toda América Latina, a fim de reduzir a dependência do continente da formação profissional e tecnologia estrangeiras, capacitando trabalhadores em todos as nações da região.
De lá, voltou para chefiar o escritório brasileiro da OIT, uma missão que lhe rendeu projetos pioneiros nas áreas de combate à exploração do trabalho infantil, igualdade de oportunidade de empregos e equidade salarial para negros e mulheres, além de implementar ferramentas de produtividade inéditas no país como a certificação profissional, mecanismo hoje adotado por todo o mercado de trabalho.
Sociólogo, Alexim acredita que todos esses importantes avanços ajudaram a moldar as relações de trabalho, item que ele julga ser primordial para a felicidade das nações e cidadãos. “Famílias são desestruturadas em funções de políticas ruins de emprego”, avalia. No entanto, o ex-diretor reconhece que os novos desafios globais colocam em xeque o trabalho feito até o momento. “O que instituições como a OIT podem garantir coletivamente, quando assistimos uma corrente anti-multilateralismo, que trabalha pelo individual, ganhar força? Neste cenário, instituições como a OIT precisam se agarrar a questões sociais fundamentais, como por exemplo, a causa do trabalho e não do emprego. O trabalho tem muitas formas de se apresentar e uma delas é através do emprego”.
Voltar aos valores fundamentais e oferecer este exemplo parece ser a saída para os desafios modernos. Também presidente emérito da Associação dos Antigos Funcionários Internacionais das Nações Unidas do Brasil (AAFIB), Alexim é enfático ao dizer que os valores que fundaram a organização continuam relevantes nos tempos atuais. “O individualismo tem corroído as estruturas, fazendo com que a OIT e a ONU percam seus correspondentes nos governos locais. No meu entender, este é o principal confronto que a sociedade ocidental tem de enfrentar atualmente. Entendendo que esta organização é um órgão que assume o poder transferido pelas nações. Ela é a soma das partes e, portanto, maior que as nações individualmente”, conclui.
Aniversário - A ONU completou 76 anos em 24 de outubro. Para marcar a data, a ONU Brasil contou semanalmente a trajetória profissional de pessoas que ajudaram a construir a história da instituição no país.
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Notícias
11 janeiro 2022
UNICEF treina 100 jovens do Complexo da Maré para informar sobre COVID-19
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promoveu, em parceria com a BemTV, uma série de atividades formativas para 100 jovens comunicadores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. O treinamento online aconteceu ao longo de 12 semanas, entre setembro e dezembro de 2021.
O projeto Jovens Comunicadores orientou adolescentes para produção de conteúdo confiável sobre questões de saúde e direitos, em especial prevenção à COVID-19. As atividades também focaram no combate à desinformação e notícias falsas e foram uma fonte de geração de renda para os jovens em situação de vulnerabilidade. O conteúdo produzido visa atingir um público de 14 mil moradores da Maré e da Pavuna, na Zona Norte da capital fluminense.
Uma das participantes do projeto é a estudante Raíssa Araújo, de 18 anos. Ela descreve como “incrível” a sensação de ajudar a informar a população da comunidade onde mora. “Combater a desinformação é essencial, principalmente neste cenário de pandemia. Com informação de qualidade, a gente ajudou a salvar vidas”, conta.
Segundo a jovem, aprender a usar uma linguagem clara e direta foi importante para a criação de vínculo com os moradores das comunidades, algo que fez ela perceber o valor de seu trabalho. “A gente não precisa falar de forma tão formal como nos jornais ou na TV para falar com as pessoas. Aprendi que precisamos usar a linguagem que seu público está pedindo. É muito gratificante conseguir achar uma forma eficaz de fazer com que a informação chegue às favelas. É só ser simples e claro”, diz.
Capacitação - Ao longo das mais de 100 horas de formação online, os adolescentes e jovens mobilizados participaram diariamente de aulas e debates sobre identificação de informações falsas, adequação de linguagem e produção de conteúdo para compartilhamento via redes sociais.
Entre os 23 temas trabalhados, a pandemia foi o principal, destacando informações sobre uso de máscaras, higiene, procedimentos em caso de infecção e saúde pública. Também foram discutidos a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), saúde feminina, educação e raça, além de tópicos mais abrangentes, como desinformação, lugar de fala e violências.
Futuro - Como resultado das aulas, os jovens ficaram responsáveis pela criação, adaptação e disseminação de conteúdos, interagindo com os moradores. Para Raíssa, o fim do projeto trouxe a sensação de realização e missão cumprida. Ela pretende continuar ajudando as pessoas de seu território, combatendo a desinformação e dando os primeiros passos para seu futuro profissional.
“A comunicação e o acesso à informação são necessários em qualquer profissão. Quero sempre ser uma jovem comunicadora. O projeto me abriu muitas portas e eu gostaria de fazer o mesmo com as pessoas com histórias como a minha. Um dos meus principais objetivos é unir a ciência e a comunicação”, finaliza a jovem, que atualmente é aluna da iniciação científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
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12 janeiro 2022
CEPAL: América Latina e Caribe desacelerarão seu crescimento para 2,1% em 2022
A região da América Latina e Caribe desacelerará seu ritmo de crescimento em 2022 para 2,1%, após crescer 6,2% em média no ano passado, segundo novas projeções divulgadas nesta quarta-feira (12) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Essa desaceleração ocorre em um contexto de importantes assimetrias entre os países desenvolvidos, emergentes e em desenvolvimento na capacidade de implementar políticas fiscais, sociais, monetárias, de saúde e de vacinação para uma recuperação sustentável da crise desencadeada pela pandemia da COVID-19.
O relatório anual da CEPAL Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2021 foi apresentado na Cidade do México em uma coletiva de imprensa virtual liderada pela secretária executiva da Comissão Regional das Nações Unidas, Alicia Bárcena.
Segundo o relatório, a região enfrenta um 2022 muito complexo: persistência e incerteza sobre a evolução da pandemia, forte desaceleração do crescimento, baixo investimento, produtividade e lenta recuperação do emprego, persistência dos efeitos sociais causados pela crise, menor espaço fiscal, aumento das pressões inflacionárias e desequilíbrios financeiros.
“A desaceleração esperada na região em 2022, juntamente com os problemas estruturais de baixo investimento e produtividade, pobreza e desigualdade, requerem que o fortalecimento do crescimento seja um elemento central das políticas, ao mesmo tempo em que são consideradas as pressões inflacionárias e os riscos macrofinanceiros”, afirmou Alicia Bárcena.
Sub-regiões - De acordo com a CEPAL, o crescimento médio esperado de 2,1% reflete uma alta heterogeneidade entre países e sub-regiões: o Caribe crescerá 6,1% (excluindo a Guiana), a América Central crescerá 4,5%, enquanto a América do Sul crescerá 1,4%. No entanto, em 2021 a região apresentou um crescimento acima do esperado, com média de 6,2%, graças à baixa base de comparação observada no ano de 2020, a maior mobilidade e o contexto externo favorável.
Segundo o Balanço Preliminar 2021, as estimativas mostram que as economias avançadas cresceriam 4,2% em 2022 e seriam as únicas que retomariam este ano a trajetória de crescimento prevista antes da pandemia. As economias emergentes, por sua vez, teriam um crescimento de 5,1% em 2022, mas só retomariam a trajetória de crescimento esperada antes da pandemia em 2025. Em 2021, 11 países da América Latina e do Caribe conseguiram recuperar os níveis do PIB anteriores à crise. Em 2022, outros três seriam agregados, totalizando 14 países dos 33 que compõem a região.
Segundo a CEPAL, é essencial que a combinação das políticas monetárias e fiscais priorizem estímulos ao crescimento juntamente com a contenção da inflação. Isso requer a utilização de políticas macroeconômicas coordenadas e o uso de todos os instrumentos disponíveis, para priorizar adequadamente os desafios do crescimento com a estabilidade monetário-financeira.
Empregos - Durante o ano passado, o emprego na região se recuperou a um ritmo mais lento do que a atividade econômica: 30% dos empregos perdidos em 2020 não foram recuperados em 2021. Da mesma forma, a desigualdade entre homens e mulheres se acentuou, o que reflete a sobrecarga do cuidado sobre as mulheres e o menor dinamismo de setores que concentram o emprego feminino, como os serviços.
Para 2022, a CEPAL projeta uma taxa de desocupação de 11,5% para as mulheres - levemente inferior aos 11,8% registrados em 2021, mas ainda muito superior aos 9,5% existentes antes da pandemia em 2019 -, enquanto para os homens a desocupação seria de 8,0% este ano, quase igual à de 2021 (8,1%), mas ainda bem acima dos 6,8% registrados em 2019.
Inflação - O relatório também aborda um dos temas econômicos mais preocupantes da atualidade no âmbito regional e mundial: o aumento dos preços de produtos e serviços. Em 2021 foram registradas pressões inflacionárias na maioria dos países da região, lideradas por aumentos nos alimentos e na energia (a inflação atingiu a média de 7,1% em novembro, excluindo a Argentina, Haiti, Suriname e Venezuela), e espera-se que essas persistam em 2022. Os bancos centrais antecipam que os níveis de inflação se mantenham acima do intervalo da meta estabelecida, embora tenderão a convergir para esses até o final de 2022, ou início de 2023. Novamente, o preço da energia e dos alimentos nos mercados internacionais, bem como a evolução da taxa de câmbio serão fundamentais para explicar a dinâmica futura dos preços.
A CEPAL enfatiza que a inflação é um fenômeno multicausal, razão pela qual as autoridades monetárias devem continuar utilizando o amplo espectro de instrumentos (monetários, cambiais e macroprudenciais) de que dispõem, além da taxa de juros, para enfrentar as pressões inflacionárias sem menosprezar os impulsos para recuperar o crescimento e o emprego e alcançar um crescimento sustentável, inclusivo e igualitário, observa o documento.
Da mesma forma, a comissão regional das Nações Unidas destaca que é fundamental aumentar os níveis de arrecadação e melhorar a estrutura tributária para dar sustentabilidade fiscal a uma trajetória crescente de demandas de gastos. Os desafios apresentados para 2022, entre eles o menor crescimento econômico, os riscos de maiores taxas de juros, desvalorizações cambiais e possíveis deteriorações nas qualificações creditícias soberanas, tornam complexa a gestão da política fiscal. Por isso, é necessária uma visão estratégica do gasto público que vincule as demandas de curto prazo com investimentos de longo prazo e que contribua para o fechamento das lacunas sociais.
Além disso, deve-se ampliar o espaço fiscal mediante a eliminação da evasão tributária (que chega a 325 bilhões de dólares, 6,1% do PIB regional), consolidar o imposto de renda de pessoas físicas e de corporações, ampliar o alcance dos impostos sobre o patrimônio e a propriedade, estabelecer impostos à economia digital, ambientais e relacionados com problemas de saúde pública, e revisar e atualizar de forma progressiva os royalties pela exploração de recursos não renováveis.
Em outro âmbito, o financiamento para o desenvolvimento também é fundamental para apoiar os espaços de política e de investimento. É necessário ampliar e redistribuir a liquidez desde os países desenvolvidos até os países em desenvolvimento; fortalecer os bancos de desenvolvimento; reformar a arquitetura da dívida internacional; proporcionar aos países um conjunto de instrumentos inovadores destinados a aumentar a capacidade de pagamento da dívida e evitar o endividamento excessivo; e integrar as medidas de redução de liquidez e de redução da dívida a uma estratégia de resiliência encaminhada para construir um futuro melhor.
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12 janeiro 2022
WFP faz parceria com universidade para incentivar pesquisas em alimentação
O Centro de Excelência do Programa Mundial de Alimentos (WFP) estabeleceu uma parceria com o Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a fim de gerar mais pesquisas em áreas como segurança alimentar e nutricional de populações vulneráveis, programas de alimentação escolar, sistemas alimentares e desenvolvimento rural. O Instituto é especializado em análises de política externa brasileira e mudanças políticas e econômicas da América Latina.
O primeiro fruto deste trabalho em conjunto foi a participação da agência das Nações Unidas na apresentação final dos projetos elaborados por alunos do Mestrado Profissional em Análise e Gestão de Políticas Internacionais, no dia 22 de dezembro. Na oportunidade, os alunos analisaram diferentes estratégias de adaptação à pandemia desenvolvidas por quatro países do Sul global para adequar e garantir a continuidade de seus programas de alimentação escolar diante do fechamento de escolas.
Os alunos focaram nas distintas estratégias de resposta emergencial destes países, destacando desafios e aprendizados na adaptação de políticas, além de ter revisado o potencial impacto da pandemia nos programas de alimentação escolar, em especial nos quesitos de nutrição, desempenho escolar e agricultura local.
Próximos passos - O Centro de Excelência e o Instituto de Relações Internacionais trabalharão juntos para produzir pesquisas e conhecimentos relevantes para os desafios e oportunidades reais vivenciados pelos países assistidos pelo Programa das Nações Unidas.
Com o apoio técnico e institucional do WFP, pós-graduandos terão a oportunidade de desenvolver trabalhos profissionais e acadêmicos que possam apoiar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o objetivo número 2, que visa acabar com a fome e promover a agricultura sustentável; e o objetivo número 17, que se concentra no fortalecimento dos meios de implementação e na revitalização das parcerias globais para o desenvolvimento sustentável até 2030.
Experiência - Vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2020, o WFP salva vidas por meio da assistência alimentar e de projetos de segurança alimentar e nutricional, contribuindo para a paz, estabilidade e prosperidade das pessoas que se recuperam de conflitos, de desastres e do impacto das mudanças climáticas.
O Centro de Excelência contra a Fome foi desenvolvido pelo Programa com o apoio do governo brasileiro. A sua missão é ajudar países em desenvolvimento na criação e implementação de soluções sustentáveis contra a fome a partir da utilização das experiências exitosas desenvolvidas no Brasil.
O Centro também atua também como um fórum global para o diálogo político e aprendizagem sobre alimentação escolar, agricultura familiar, nutrição e atividades relacionadas à segurança alimentar.
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10 janeiro 2022
Camada de gelo encolhe pelo 25º ano consecutivo na Groenlândia
O ano de 2021 marcou o 25º período consecutivo em que o manto de gelo da Groenlândia perdeu mais massa durante a estação de degelo do que ganhou durante o inverno.
Em números gerais, a camada de gelo perdeu cerca de 166 bilhões de toneladas durante o período de 12 meses que terminou em agosto de 2021. A conta é feita levando em consideração o derretimento do gelo de icebergs e das geleiras em contato com a água do mar.
As informações foram divulgadas na sexta-feira (07) no Portal Polar, um serviço dinamarquês colaborador do relatório anual do Estado do Clima da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Os dados mostram que o início do verão foi frio e úmido, com neve irregularmente forte e tardia em junho, o que atrasou o início da estação de derretimento. Depois disso, no entanto, uma onda de calor no final de julho levou a uma perda considerável de gelo.
Alterações Climáticas - Esses números significam que a camada de gelo encerrou a temporada com um balanço de massa superficial líquida de aproximadamente 396 bilhões de toneladas, tornando-se o 28º menor nível registrado na série de 41 anos.
O relatório também observa que a causa do frio do início do verão pode ser devido às condições no sudoeste do Canadá e no noroeste dos Estados Unidos. Nestes territórios, formou-se um enorme sistema de “bloqueio” de alta pressão, com a forma da letra maiúscula grega Omega (Ω). Esse padrão ocorre regularmente na troposfera, e não apenas na América do Norte, mas nunca foi observado com tanta força antes.
De acordo com o relatório, uma análise de Atributo do Clima Global demonstrou que isso só poderia ser explicado como resultado do aquecimento atmosférico causado pela atividade humana.
Ano notável - De acordo com o relatório, 2021 foi notável por vários motivos. Foi o ano em que se registou a precipitação na Estação Summit, que se encontra no topo da camada de gelo a 3.200 metros acima do nível do mar, no centro do manto de gelo da Groenlândia.
O ano também testemunhou uma aceleração das perdas na geleira Sermeq Kujalleq, onde a taxa estava estagnada por vários anos.
A queda de neve no inverno também ficou próxima da média para o período entre 1981 e 2010, o que foi uma boa notícia, pois uma combinação de baixa queda de neve no inverno e um verão quente pode resultar em grandes perdas de gelo, como ocorreu em 2019.
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12 janeiro 2022
Especialistas condenam violações contínuas em Guantánamo e pedem fechamento da prisão
Um grupo independente de especialistas em direitos humanos escolhidos pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas condenou a operação contínua do centro de detenção em Guantánamo como um local de "notoriedade inigualável” na violação de direitos e uma mancha no compromisso do governo dos EUA com o estado de direito.
O campo de detenção, situado dentro da base naval estadunidense na ilha cubana, foi criado em 2002 para aprisionar afegãos capturados. Em seu período de maior pico, manteve 780 detentos, sendo que a maioria foi presa sem um julgamento.
Dos 39 que continuam presos em Guantánamo, somente nove foram acusados e condenados por seus crimes. Entre 2002 e 2023, nove detentos morreram em custódia, dois de causas naturais e sete supostamente cometeram suicídio. Nenhum havia sido acusado ou condenado por seus crimes.
Em uma declaração publicada na segunda-feira (10), que coincide com o aniversário de 20 anos da unidade, os especialistas pediram aos Estados Unidos que fechem Guantánamo. Ele também declararam que duas décadas de práticas de detenções arbitrárias sem julgamento acompanhado de tortura e falta de tratamento médico é simplesmente inaceitável para qualquer governo, particularmente governos que alegam defenderem os direitos humanos. Os EUA recentemente foi eleito como membro do Conselho.
Um local de popularidade inigualável - Os especialistas também afirmaram que, apesar da condenação contundente, repetitiva e inequívoca da operação do complexo prisional com seus julgamentos associados, os EUA continuam a deter pessoas, muitas das quais não foram acusadas de nenhum crime.
O comunicado classifica ainda a prisão de Guantánamo com um local de “notoriedade inigualável”, definida por seu uso sistemático de tortura e outros tratametos cruéis, inumanos e degradantes contra centenas de homens trazidos de seus países e privados de seus direitos fundamentais. Eles descreveram a unidade como um símbolo da falta de responsabilização sistemática pela tortura patrocinada pelo Estado e da carência de tratamento médico, além de ruma representação da impunidade garantida aos responsáveis.
Envelhecimento dos detentos - Com o avanço da idade dos presos, sua saúde se deteriora. O Departamento de Defesa dos EUA supostamente já solicitou um orçamento de 88 milhões de dólares para construir um asilo.
O nível de assistência médica e tratamento de reabilitação de tortura disponíveis para os detentos é inadequado, segundo os especialistas, mesmo sendo exigido pela lei internacional.
Eles pediram para os Estados Unidos fecharem o local, levarem os prisioneiros de volta para casa ou para um terceiro país seguro, enquanto respeitam o princípio de não-repulsão, no qual o indivíduo não pode ser mandado a um país onde corra risco de perseguição.
Também foi solicitada a reparação por conta da tortura e prisão arbitrária e, para aqueles que autorizaram e praticaram a tortura, o julgamento pelos seus atos, como demandado pela lei internacional.
Atrasos de décadas para o julgamento - Desde a abertura do presídio em 2022, somente 12 detidos foram acusados e dois foram condenados pelas comissões militares.
O julgamento de cinco acusados de participação direta no atentado de 2001, que levou ao sequestro dos aviões e a colisão com as Torres Gemeas e o Pentágono, não começou ainda.
As audiências de pré-julgamento das propostas para suprimir as evidências de tortura agora estão chegando ao décimo ano. Os especialistas estão extremamente preocupados com esses atrasos. “Destacamos particularmente as falhas do sistema judicial dos Estados Unidos em desempenhar um papel significativo na proteção dos direitos humanos e na defesa do estado de direito, permitindo que um buraco negro legal prospere em Guantánamo com sua aparente aprovação e apoio”, declaram.
O grupo de especialistas parabenizou os advogados dos detidos que lutam pela garantia do estado de direito e identificaram as violações persistentes dos direitos humanos na operação diária das comissões, que continuam a infringir os requerimentos de imparcialidade, independência e não discriminação e não deveriam nunca terem sido usadas do jeito que foram em Guantánamo.
Papel dos especialistas - Enviados especiais e especialistas independentes são apontados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, e relatam a respeito de temas específicos sobre direitos humanos ou situações de países, a posição é honorária e eles não recebem salários da ONU.
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