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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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19 novembro 2021
Violência contra mulheres: campanha da ONU Brasil pede vida e dignidade
A ONU Brasil promove, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2021, a edição anual da campanha do secretário-geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, ela apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Neste ano, a iniciativa completa três décadas de mobilização internacional. Em todo o mundo, a ONU está abordando o tema: “Pinte o mundo de laranja: fim da violência contra as mulheres, agora!”.
A campanha da ONU Brasil pede união de esforços e de ações para garantir a vida e a dignidade a todas as mulheres e meninas, inclusive na recuperação da COVID-19. A pandemia exacerbou fatores de risco para a violência contra mulheres e meninas, incluindo desemprego e pobreza, e reforçou muitas das causas profundas, como estereótipos de gênero e normas sociais preconceituosas.
Estima-se que 11 milhões de meninas podem não retornar à escola por causa da COVID-19, o que aumenta o risco de casamento infantil. Estima-se também que os efeitos econômicos prejudiquem mais de 47 milhões de mulheres e meninas vivendo em situação de pobreza extrema em 2021, revertendo décadas de progresso e perpetuando desigualdades estruturais que reforçam a violência contra as mulheres e meninas.
“A campanha aborda as diferentes causas da violência contra mulheres e meninas e demonstra por meio de ações e propostas concretas os diferentes caminhos para superar esse problema”, explica a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks.
“A violência contra mulheres e meninas afeta a todas e todos nós e depende do engajamento das pessoas, das empresas e das instituições públicas e privadas para ser superada”, completa.
Desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vem fazendo apelos pelo fim da violência contra mulheres e meninas e pedindo paz no lar e o fim da violência em toda parte. Mais de 140 países expressaram apoio, e 149 países adotaram cerca de 832 medidas, conforme destacado na Resposta Global de Gênero à COVID-19, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com colaborações técnicas substantivas da ONU Mulheres.
Por meio da Estratégia de Engajamento Político do Secretário-Geral da ONU sobre Violência baseada em Gênero, o Sistema das Nações Unidas mobilizou várias partes interessadas para atender às necessidades imediatas e vulnerabilidades de longo prazo de meninas e mulheres em risco de violência e reconheceu o papel-chave que as organizações de direitos das mulheres desempenharam durante a crise global. Para tanto, a ONU ativou suas plataformas e redes a fim de mobilizar compromissos e ações para acabar com a violência baseada em gênero no contexto da COVID-19.
A campanha UNA-SE articula compromissos com as Coalizões de Ação Geração Igualdade, especialmente a de Violência Baseada em Gênero, para acelerar investimentos, sensibilizar autoridades públicas para políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas e mobilizar diversos setores em torno da causa.
A campanha se baseia nas determinações da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e se orienta rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, especialmente o ODS 5, que pretende alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A iniciativa busca a adesão de governos, parlamentos, sistema de Justiça, empresas, academia e sociedade para a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Campanha no Brasil - Com o mote “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - Vida e dignidade para todas”, a campanha deste ano tem como foco visibilizar a complexidade da violência contra as mulheres e meninas, em que suas identidades e condições de vida acentuam e ampliam vulnerabilidades para mulheres e meninas negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAP+ (lésbicas, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais, entre outras), com deficiência, idosas, migrantes e refugiadas. Para tanto, entende ser fundamental a abordagem interseccional de análise sobre as situações de violência sofridas pelas mulheres e meninas, entendendo que elas são diferentes a partir dos locais concretos e simbólicos ocupados por elas.
A campanha pretende evidenciar que a violência contra mulheres e meninas não ocorre apenas no ambiente privado: dentro de casa ou no corpo (como nos caso da violência doméstica e da violência sexual). Ela também está presente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, na política institucional, nos esportes, nos ambientes online, nos meios de comunicação, e também no contexto da promoção e defesa de direitos.
A campanha destaca também as formas de prevenção e eliminação das diversas formas de violência. Para tanto, além do trabalho das Nações Unidas, a campanha apresenta também iniciativas e histórias de mulheres que defendem direitos e promovem a igualdade de gênero.
Baseada no entendimento de que a violência contra mulheres e meninas é uma violação de direitos humanos, esta edição tem como objetivo também estimular uma mudança de paradigma, eliminando a ideia de mulheres 'vítimas de violência' (passivas, em uma condição insuperável) e fomentando a noção de que essas mulheres são pessoas 'em situação de violência' ou ‘que sofreram violência’.
Tal mudança estimula o entendimento de que a violência é um desafio superável e que pode ser prevenida, além da visão de mulheres como protagonistas da defesa e promoção de direitos humanos, desenvolvimento sustentável, justiça climática e democracia, cujas contribuições beneficiam toda a sociedade. Também reconhece, a partir disso, que a violência afeta todas as dimensões das vidas das mulheres que a vivenciaram e que toda a sociedade é responsável pela sua erradicação. Em outra linha de ação, a campanha quer engajar homens e meninos como aliados dos direitos das mulheres e para atingir a igualdade de gênero, da qual eles também se beneficiam.
A campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres” terá como um dos focos o empoderamento de meninas e jovens por meio do esporte, como ferramenta fundamental para prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Com histórias e experiências compartilhadas, a campanha mostrará como o esporte desenvolve habilidades para a vida das meninas, como autoconfiança, autonomia e liderança, fazendo com que rompam com estereótipos de gênero e com o ciclo de violência, não só individualmente, mas em seu entorno.
Ações no Brasil - A programação da campanha deste ano conta com a realização de eventos on-line e presenciais, iluminações de prédios na cor laranja em adesão global à mensagem da prevenção da violência, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e sites da ONU Brasil e instituições parceiras. Serão ações direcionadas a ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade e suas instâncias para a realidade da violência contra as mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
Neste ano, a campanha será inaugurada com a iluminação na cor laranja do Congresso Nacional, em Brasília, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra - início da campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres; e do Abrigo Rondon V, em Roraima, de 20 a 26 de novembro, em adesão à mensagem global de prevenção contra a violência. Ainda está programada a iluminação laranja da Casa da Mulher Brasileira, na cidade de Boa Vista (RR), de 27 de novembro a 4 de dezembro, estado em que a ONU Brasil desenvolve projetos de ajuda humanitária.
A campanha é composta pelo evento on-line “Juntas e juntos para pôr fim à Violência contra Defensoras de Direitos Humanos e do Meio Ambiente”, em 29 de novembro, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e site da ONU Brasil e de instituições parceiras. As ações pretendem ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade para a realidade da violência contra mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
16 Dias de Ativismo - A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que completa 30 anos em 2021, foi criada por ativistas do Instituto de Liderança Global das Mulheres em 1991.
Desde então, mais de 6.000 organizações em 187 países participaram da campanha, alcançando 300 milhões de pessoas. Ela continua a ser coordenada, a cada ano, pelo Centro para Liderança Global de Mulheres (CWGL, na sigla em inglês) e é usada como estratégia de organização por pessoas, instituições e organizações em todo o mundo para prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Em todo o mundo, os 16 Dias de Ativismo abrangem o período de 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, a mobilização se inicia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para buscar ações de combate ao racismo e ao sexismo e pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas negras.
Contatos para a imprensa
Isabel Clavelin (ONU Mulheres) - isabel.clavelin@unwomen.org / 61 98175 6315
Roberta Caldo (UNIC Rio) – caldo@un.org
História
21 outubro 2022
Série brasileira é premiada pela UNESCO
A menina que perdeu a perna, o menino que desenhava com os pés e a princesa que tinha um cromossomo a mais são alguns dos protagonistas da série Literatura Acessível, do Instituto Incluir, única iniciativa brasileira a conquistar o Prêmio Confucius de Alfabetização, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A distinção, entregue no dia 8 de setembro, é um dos Prêmios Internacionais de Alfabetização da UNESCO, cujo objetivo é celebrar programas que promovam práticas eficazes de alfabetização para populações vulneráveis. Estabelecido em 2005 com apoio da China, o prêmio concede, todos os anos, 30 mil dólares a três projetos do gênero.
“Estou grata e honrada com essa premiação e feliz pela possibilidade e oportunidade de continuar”, diz a fundadora do Literatura Acessível e do Instituto Incluir, Carina Alves. “Às vezes é difícil e parece que a gente está remando sozinho, mas para mim este prêmio é uma mensagem que vale a pena continuar”.
A diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto, recebeu Carina em Brasília para parabenizá-la e destacou a contribuição do projeto para a inclusão e permanência de crianças com deficiência em escolas regulares. “Trata-se de um trabalho de excelência desenvolvido pelo Instituto Incluir”, afirma Marlova. “Sem dúvida, a iniciativa contribui para o alcance do ODS 4 (Educação de Qualidade), assegurando educação inclusiva e equitativa para todos ao longo de toda a vida.”
A seleção dos honrados com o Prêmio Confucius é feita por um júri internacional que se reúne em Paris uma vez por ano e é nomeado pela diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.
Livros infantis - A linha condutora da série Literatura Acessível é a ideia de que a vida é possível para quem é diferente. “O projeto existe para reforçar que essas crianças com deficiência têm potencialidades”, explica Carina.
Nas histórias, as crianças com deficiência encontram no esporte, na cultura e na educação formas de se reinventar e levar uma vida plena. Ações extras organizadas pelo Instituto Incluir levam essas fábulas para escolas em todos os cantos do Brasil, com direito a performances teatrais seguidas por atividades com alunos e professores.
A apresentação dos livros é pensada para inquietar as crianças e as deixar curiosas com outras realidades, convidando-as, por exemplo, a sentir a escrita em braille ou a tentar desenhar com os pés. “A ideia é essa: colocar uma sementinha na cabeça das crianças”, conta Carina.
Origem - Fundado em 2014, o Literatura Acessível já conta com dez histórias– algumas assinadas em parceria com a escritora Mari Meira. O conteúdo é desdobrado em livros físicos, vídeos, obras em audiodescrição, braille e libras, que podem ser acessados pelo site do projeto e por um aplicativo disponível para smartphones.
Desde 2018, Carina também está à frente do Instituto Incluir, com sede no Rio de Janeiro. “O Instituto Incluir tem três palavras chave: democratizar, transformar e humanizar. A gente quer democratizar por meio da literatura, do esporte, dos atendimentos diretos e indiretos, e com isso transformar a realidade bárbara da exclusão que vivemos todos os dias”, explica.
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História
16 setembro 2022
Kobra sobre mural na ONU: “Sonhei com isso”
Quando os líderes mundiais desembarcarem na sede da ONU em Nova Iorque na próxima semana, para a 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas, verão um novo e colorido mural de 336 metros quadrados na fachada da organização, assinado pelo paulistano Eduardo Kobra. A obra, uma exaltação à sustentabilidade e um pedido de ação climática para o futuro das novas gerações, será finalizada nesta sexta-feira (16).
“Eu sonhei com isso, mas não imaginei que pudesse, um dia, realmente acontecer”, revelou o artista, de 47 anos, em entrevista à ONU News.
Depois de acreditar que nunca teria acesso ao mundo “oficial das artes” por suas origens como artista de rua, Kobra agora coloca seu nome ao lado de outros dois brasileiros que marcaram a história artística do prédio: o arquiteto Oscar Niemeyer, que contribuiu com o projeto do edifício; e o pintor Cândido Portinari, cujos painéis “Guerra e Paz” foram o presente do governo brasileiro para a inauguração da sede das Nações Unidas.
Autodidata, criado em Campo Limpo, na periferia de São Paulo, Kobra cresceu sem acesso ao universo oficial das artes. Foram imagens das ruas desta mesma Nova Iorque que levaram o brasileiro a pensar em uma carreira artística.
“Eu comecei a pintar por influência de artistas daqui, da década de 70, 80, do Brooklyn, do Bronks”, relata ao lembrar como os livros da fotógrafa Martha Cooper tornaram-se uma bíblia para ele ainda na juventude. “Tudo o que eu realizo aqui tem um valor emocional e sentimental muito relevante.”
O caminho de Campo Limpo ao reconhecimento internacional não foi fácil. Vítima de preconceito e discriminação por suas origens como artista de rua, Kobra começou sua jornada colorindo os muros da própria comunidade. Aos poucos seu talento foi sendo reconhecido e começaram a aparecer convites para que ele criasse murais em outros bairros, cidades, países e continentes.
“Eu queria pintar e as pessoas achavam que isso era algo relacionado a ser vagabundo, a não querer trabalhar, não querer compromisso ou algo do tipo”, recorda. “Mas sou muito insistente em meus objetivos. O que eu queria era pintar”.
Arte de rua - E Kobra pintou: foram mais de três mil murais desde o final dos anos 1980, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Paris e até Mumbai, na Índia.
Entre as séries mais famosas está o projeto “Muro das Memórias”, em que recuperou imagens históricas de São Paulo; e o painel “Olhares da Paz”, uma homenagem a quem luta por um mundo mais pacífico, representados por retratos de laureados com o Prêmio Nobel da Paz como Malala Yousafzai Malala e Nelson Mandela.
Acessível – O artista sabe que a natureza da sua arte é efêmera: painéis de rua desbotam, são destruídos ou desaparecem debaixo de outras inscrições. Ainda assim, Kobra ressalta a importância da arte de rua: “ Arte é algo que vem de dentro para fora. A beleza de pintar nas ruas é porque há o acesso de todas as pessoas. É a forma de arte mais democrática que existe.”
Ideais - A produção artística do paulistano inclui temas que o interessam ou o incomodam: a exaltação de um mundo mais tolerante, a união dos povos, o fim da violência e do racismo, a proteção do meio ambiente e dos povos indígenas.
O novo mural na sede da ONU, que deve ficar exposto pelo menos até dezembro, é protagonizado por um homem e uma criança, com o planeta terra ao meio. Kobra explica que representa um pai presenteando a filha, com a intenção de trazer a reflexão sobre o legado de cuidado com o meio ambiente que será entregue às gerações futuras.
“Eu coloquei um brasileiro comum, mostrando que a responsabilidade de cuidar do planeta é de todos nós. E lá no epicentro, na América Latina, representando o cuidado que nós temos com a nossa querida floresta Amazônica”.
Segundo Kobra, o trabalho tem o objetivo de celebrar a sustentabilidade, pauta de extrema relevância para as Nações Unidas e que deve estar no centro dos debates da semana de alto nível da Assembleia Geral, que começa em 20 de setembro.
“Meu objetivo não é apenas estético ou simplesmente a pintura pela pintura, e sim as mensagens. Isso é o mais importante em meu trabalho e foi isso que abriu as portas do mundo todo.”
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História
09 setembro 2022
PNUD apoia cidade com um dos menores IDHs do país
A dona de casa amazonense Maria Damasceno, 52, chegou a Jacareacanga (PA) há dez anos, logo após seu marido conseguir emprego na construção civil. No município, o casal adquiriu um sítio onde pretende criar bovinos e dar melhores condições de vida para o neto Pedro Henrique, de 13 anos.
O maranhense João Evangelista, 61, migrou para a cidade em 1989, em busca de trabalho no garimpo. A empreitada não deu certo, mas ele atuou como trabalhador autônomo em diversas áreas, construiu uma casa e se estabeleceu com a família na cidade, na qual trabalha agora como motorista e agricultor.
Hoje, ambos querem permanecer em Jacareacanga, onde fincaram raízes e criaram patrimônio, apesar de o município ter um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Desejam, no entanto, melhorias em saneamento básico, educação, saúde e na geração de emprego e renda diante da crise econômica.
“Meu neto está indo muito bem na escola, e lá tem merenda, o que ajuda muito. Quero que ele continue estudando”, disse Damasceno. “Aqui em Jacareacanga o problema são essas ruas (de terra), porque, quando chove, alaga. Também precisa ter esgoto (canalizado).”
O agricultor também se preocupa com o futuro da filha adolescente. “Ela terminou o Ensino Médio aqui na cidade e não pudemos enviá-la para a faculdade, porque não tivemos condições financeiras. Se tivesse faculdade (pública) no município seria ótimo”, declarou.
Projeto - Melhorar a situação de Jacareacanga no que se refere à educação, saneamento básico e outras áreas por meio de políticas públicas é um dos objetivos do projeto “Acelerando o Desenvolvimento”, fruto de parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Usina Hidrelétrica Teles Pires.
No âmbito do projeto, uma missão do PNUD na cidade promoveu em agosto seminários e capacitações com gestores e servidores para discutir formas de elaborar e implementar políticas públicas mais alinhadas à Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Localizada no sudoeste paraense, Jacareacanga está às margens do rio Tapajós, próximo à fronteira com o Mato Grosso e a cerca de dois mil quilômetros da capital, Belém. A cidade é conhecida por suas belezas naturais e pela forte influência indígena, abrigando mais de 150 aldeias.
Com território de 53 mil quilômetros quadrados e muitos desafios logísticos para a chegada de produtos e serviços, a cidade tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,505, um dos mais baixos do país, ocupando a 5.515ª posição entre 5.565 municípios brasileiros em 2010. Apesar disso, houve melhora na comparação com 1992, quando o indicador estava em 0,242.
Diagnóstico - Uma das atividades da missão do PNUD na cidade foi apresentar a secretários municipais e servidores um diagnóstico sobre a situação do desenvolvimento sustentável em Jacareacanga e uma análise de como o Plano Plurianual da cidade se adequa à Agenda 2030 e os 17 ODS.
O diagnóstico mostrou que o município precisa avançar em áreas como saneamento básico, saúde, erradicação da pobreza, entre outras. A população não conta com rede de esgoto e cerca de 50% não tinha acesso à água tratada em 2019. A cidade também tem registrado notas baixas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Outros pontos preocupantes são os altos índices de gravidez na adolescência, desnutrição e mortalidade infantil, especialmente entre indígenas. Segundo o documento, o município tem 3,7 mil famílias em situação de vulnerabilidade, o que representa 85% da população local, de acordo com dados de 2021 do Cadastro Único.
A questão ambiental é também um desafio, uma vez que Jacareacanga apresenta alto percentual de desmatamento, que dobrou de 2010 a 2019. No último ano mensurado, houve um recorde histórico, chegando a 9.404 hectares desmatados.
Políticas públicas - Durante a missão no município, oficiais do PNUD reuniram-se com o prefeito da cidade, Sebastião Pereira Silva, e seus secretários. Na ocasião, foi enfatizada a necessidade de se pensar políticas que melhorem a saúde indígena, a geração de emprego e renda com diversificação da matriz econômica, a capacitação de mão de obra e a infraestrutura em saúde na cidade.
“Essa parceria é muito importante para nosso município e nossa população, para conseguirmos melhorias (em políticas públicas). Temos desafios na saúde, no atendimento à população indígena. É importante que o PNUD esteja ao nosso lado”, disse o prefeito.
“Precisamos pensar em um plano de desenvolvimento de longo prazo e em projetos para a realidade local”, complementou a secretária de Planejamento, Edileuza Vasconcelos. “Reunimos todos os secretários aqui justamente para aprender e discutir o desenvolvimento social e econômico do município”, salientou.
Além da Capacitação Agenda 2030 e ODS, destinada a gestores e servidores municipais, e de um seminário técnico com legisladores sobre o papel das Câmaras de Vereadores na promoção dos ODS, a missão do PNUD apresentou também uma Análise Rápida Integrada do Plano Plurianual do Município (PPA), tendo como ponto de vista o alinhamento com os objetivos globais.
“É importante o município conhecer seus indicadores para elaborar políticas públicas. Também é necessário ter projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para que a administração municipal possa ter a possibilidade de acesso a recursos financeiros destinados exclusivamente a essa temática”, explicou a coordenadora do Escritório Local de Projetos do PNUD no Pará, Vanessa Gonçalves.
“Tanto o diagnóstico sobre a situação dos ODS na cidade como a análise sobre o PPA permitem identificar desafios e oportunidades para implementar a Agenda 2030 no município”, explicou a consultora do PNUD, Talita Sousa, responsável pela elaboração dos documentos.
Para o vereador Isaías Munduruku, o projeto pode intensificar o desenvolvimento econômico do município. “É importante que a gente possa avançar também na capacitação para que servidores e legisladores se envolvam mais no trabalho de elaboração das políticas públicas”.
“É ainda difícil dizer o que podemos fazer (para desenvolver o município) economicamente. Mas é necessário, por exemplo, impulsionar a agricultura familiar. Estamos na Amazônia, onde a maior parte da floresta está intacta, investir na agricultura familiar é um meio de alavancar a economia do município, preservando a floresta.”
Acelerando o Desenvolvimento - A missão deste mês em Jacareacanga foi uma das primeiras etapas do projeto “Acelerando o Desenvolvimento”. Esta fase se refere ao fortalecimento das capacidades institucionais dos três municípios envolvidos na iniciativa: Alta Floresta (MT), Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA). As capacitações nos municípios mato-grossenses já foram realizadas nos últimos meses.
As demais etapas incluem a elaboração de um documento sobre potenciais aceleradores do desenvolvimento nessas três cidades, indicando projetos de setor público, privado ou da sociedade civil. Já a última etapa envolve a implementação de mesas de diálogos com a comunidade local sobre gestão e prevenção de conflitos decorrentes da instalação de grandes empreendimentos.
O PNUD firmou parceria com a Companhia Hidrelétrica Teles Pires para promover a formação cidadã e a ampliar capacidades locais para o desenvolvimento territorial sustentável nos municípios em que a empresa atua.
A parceria apoiará atores territoriais (prefeituras, setor privado, movimentos sociais, academia, pequenos produtores) no detalhamento das dinâmicas de seus territórios, estabelecendo arranjos colaborativos em direção ao desenvolvimento sustentável.
“Baseado no levantamento de dados socioeconômicos, ativos ambientais e da sinergia dos atores institucionais da região, o projeto potencializará as cadeias produtivas dos setores estratégicos para gerar condições favoráveis ao desenvolvimento e melhoria do ambiente dos pequenos negócios e aumento da qualidade de vida da população”, observou a assessora de Desenvolvimento Territorial e Cooperação Descentralizada do PNUD Brasil, Ieva Lazareviciute.
Acesse também:
Diagnóstico situacional do município de Alta Floresta (MT)
Diagnóstico situacional do município de Paranaíta (MT).
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História
26 agosto 2022
Comunidade do Rio constrói rede de esgoto
Quando uma turista perguntou se poderia tomar banho de cascata, no fim de uma trilha ecológica na comunidade do Vale do Encantado, no Rio de Janeiro, o guia da expedição e morador local, Otávio Barros, teve que negar o pedido — a água, afinal, estava contaminada pelo esgoto não tratado. Desde então, o líder comunitário busca formas de contornar a situação.
Não é tarefa simples, visto que o problema não é fácil de resolver nem particular do Vale. Segundo dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), apenas 55% da população brasileira tem acesso a redes de esgoto, o que significa que quase 100 milhões de brasileiros não têm seus resíduos tratados.
Mas essa não é mais a realidade do Vale Encantado. Desde junho deste ano, as 28 casas da comunidade estão ligadas a um sistema biosustentável construído pelos próprios moradores, que trata o esgoto das residências antes que ele siga para os córregos da região.
“Quando eu falo em sustentabilidade, para mim ela tem que fazer um círculo completo. Se não fizer um círculo completo, ela é meia sustentabilidade”, defende Otávio. Ele não queria apenas uma solução para o saneamento básico, mas um projeto capaz de trazer oportunidades para toda a comunidade.
Inspirado em um modelo centenário da China, o biossistema capta todo o esgoto bruto da comunidade em um tanque de concreto, onde os resíduos são decompostos por uma série de bactérias, em um processo similar à digestão humana. Essa reação inicial inclusive gera gás, que pode ser aproveitado pelos moradores locais para cozinhar.
Depois disso, a água segue para outro tanque, no qual plantas consomem os nutrientes restantes, deixando a água até 80% limpa de resíduos. Em vez de correr para os córregos, o sistema leva a água até uma área de terra, onde árvores e o restante na flora local consomem o líquido já tratado.
Otávio recorda que os esforços para montar o sistema foram ininterruptos: em 2011, enquanto trabalhava na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ele conheceu o então estudante de engenharia ambiental Leonardo Adler, que se tornou um grande parceiro do projeto. Juntos, eles angariaram os recursos para um primeiro biossistema de tratamento da água, em 2015, que ligava cinco casas da comunidade. O atual projeto, que atende a todos os 100 moradores do Vale Encantado, contou com verbas de ONGs internacionais e instituições brasileiras.
Assim, cerca de quinze anos depois do questionamento da turista, a água da cascata finalmente está fora de perigo e Otávio orgulha-se em indicar o local para banho.
Agenda 2030 - O novo sistema do Vale Encantado está alinhado à Agenda 2030 acordada pelos países integrantes da Organização das Nações Unidas. Especificamente, ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número seis, sobre água potável e saneamento, destacando que até 2030 é preciso “melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos”.
A oficial nacional para o Brasil do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Rayne Michelli Ferretti Moraes, ressalta que este ODS não é apenas fundamental, como está intimamente conectado a outras metas da ONU. “É um ODS que tem um rebatimento direto na saúde, na educação, na redução das desigualdades, na redução da fome. Isso significa que ao caminhar na direção do cumprimento das metas do ODS 6, você favorece o cumprimento das metas de outros ODS.”
Iniciativas locais - A complexidade do tema também implica em uma grande dificuldade de alcançar as metas estabelecidas até o final da década. “O desafio do saneamento é muito grande, não só no Brasil, como em vários outros países”, explica Rayne, lembrando que o problema afeta bilhões ao redor do mundo.
É neste contexto que iniciativas comunitárias, mesmo que com um escopo limitado, se tornam ferramentas importantes para ampliar o acesso ao saneamento básico, principalmente em regiões pequenas ou isoladas. Exemplos como o do Vale Encantado mostram que às vezes é possível resolver localmente a questão, quando há apoio de organizações dispostas a ajudar.
“Todas as iniciativas da sociedade civil, do setor privado, de organizações do terceiro setor e de organismos internacionais são muito bem-vindas, para somar os esforços e potencializar o comprimento das metas de desenvolvimento sustentável”, afirma Rayne. “Iniciativas como essas, por mais que sejam em um nível local, em um nível de uma comunidade, e envolvam um número mais restrito de domicílios, são certamente importantes.”
Soluções – Embora as iniciativas locais sejam importantes, elas estão longe de ser a única resposta possível à questão da falta de saneamento, que requer um leque de soluções.
“É importante trabalhar com empresas, concessionárias e prestadoras de serviço. É importante trabalhar com os governos, na parte de regulamentação, na parte de gestão, bem como com a população em geral”, conclui Rayne.
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História
09 agosto 2022
Cacique brasileira ajuda refugiados e migrantes na fronteira
Desde que a violência contra indígenas Pémon-Taurepang eclodiu na Venezuela, em 2019, a pequena comunidade brasileira Sakau Motá viu seu número de moradores duplicar. Localizada na fronteira entre os dois países, em Roraima, Sakau Motá hoje é o lar de mais de 400 pessoas indígenas, boa parte delas busca o Brasil para asilo e proteção.
Do lado brasileiro da fronteira, uma cacique lidera o acolhimento: Anita Yanez foi a primeira mulher a vencer as eleições comunitárias Pemón-Taurepang, que a consagraram uma liderança indígena feminina na comunidade. Desde que começou as atividades, Anita – como é carinhosamente chamada – apoiou pessoas refugiadas e migrantes indígenas por meio da integração na comunidade e apoiando no processo de solicitação de refúgio.
“Somos da mesma etnia, muitos somos até família. Recebemos [as pessoas refugiadas e migrantes] de braços abertos por isso. Eu via a dor, e colocava gente até na minha casa, dividindo quarto com a gente”, relata Anita, lembrando que muitos dos que chegam ao Brasil por via terrestre enfrentam uma jornada exaustiva, com fome e acompanhados de muitas crianças.
Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), existem no Brasil mais de duas mil pessoas da etnia Pemón que saíram da Venezuela em busca de asilo e proteção. No total, mais de 7,5 mil indígenas de diferentes etnias cruzaram a fronteira na cidade de Pacaraima e vivem hoje em território nacional.
A responsabilidade de cada Tuxaua (forma como se denomina o/a cacique na região) é principalmente cuidar da comunidade e liderar as negociações com pessoas não indígenas para garantia de direitos e defesa da cultura e território. A partir da chegada de pessoas refugiadas, Anita também passou a empreender ações para direitos à documentação, acesso à saúde e educação de pessoas indígenas forçadas a se deslocar.
Causa pessoal - Anita sabe bem o que é ser forçada a se deslocar por causa da insegurança. Durante sua infância, ela saiu da comunidade em que vivia, mais ao norte de Roraima, para Sakau Motá, motivada justamente por episódios de violência que sua família viveu. Com apenas 7 anos, a comunidade indígena onde vivia foi invadida, as casas queimadas, e sua família foi forçada a deixar tudo para trás. “Reconheci neles a dor que senti naquele momento, por isso mantive sempre os braços abertos. É muito difícil viver com essa dor”, confessa.
Ao lado do ACNUR, Anita apoia pessoas indocumentadas a realizarem a solicitação de refúgio no Brasil, documento que regulariza a situação migratória e garante o acesso a direitos de pessoas que buscam o reconhecimento como refugiadas.
Para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem em Sakau Motá, a Tuxaua investe em melhorar a educação da aldeia, busca recursos para construção de um posto de saúde e já iniciou a construção de um refeitório. “Querer, correr atrás e conseguir foi aquilo que aprendi com minha mãe e minha avó”, diz.
Lado a lado - O indígena refugiado de 38 anos, Amado, diz que a comunidade de Sakau Motá é um local onde há segurança e onde sua filha, de três anos, pode ter sonhos e crescer com saúde. “Ela tinha apenas seis meses quando viemos e estamos aqui por ela”, conta.
Ele trabalha ao lado de Anita em projetos de trabalho comunitário. Em Sakau Motá, indígenas refugiados e brasileiros, lado a lado, montam casas, aumentam a escola e negociam com autoridades para receberem a infraestrutura básica para uma vida digna e com respeito à cultura tradicional.
No entanto, para Anita, as necessidades da comunidade ainda são muitas. “Precisamos de mais salas de aula, de um local limpo para atendimentos de saúde, de parques para as crianças, de estradas seguras em que podemos ir à cidade”, relata.“Eu sonho acordada. Toda vez que olho para minha comunidade, vejo tudo isso que acabo de dizer. Mas não quero mais sonhos, quero realidades. Quero que tudo isso que quero para Sakau Motá se concretize”, finaliza.
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01 novembro 2022
PNUMA: acúmulo de plásticos em campos agrícolas atinge nível alarmante
De acordo com um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), plásticos vêm se acumulando nos solos do mundo a um ritmo preocupante.
A 29ª edição do Foresight Brief do PNUMA destaca como materiais plásticos usados extensivamente na agricultura - desde fertilizantes com revestimento plástico até filme de cobertura vegetal - contaminam o solo e ameaçam potencialmente a segurança alimentar. Os microplásticos também estão impactando a saúde humana quando transferidos para as pessoas através da cadeia alimentar.
"Há uma quantidade finita de terras agrícolas disponíveis", diz a professora Elaine Baker da Universidade de Sydney, coautora do relatório. "Estamos começando a entender que o acúmulo de plástico pode ter um amplo impacto sobre a saúde do solo, a biodiversidade e a produtividade, todos vitais para a segurança alimentar", diz ela.
Os plásticos estão em todo o lugar na agricultura. Os macroplásticos são utilizados como revestimentos protetores de coberturas e forragens. Eles cobrem estufas e protegem as culturas dos elementos. São utilizados em tubos, sacos e garrafas de irrigação – inclusive com a adição intencional de microplásticos como revestimento de fertilizantes, pesticidas e sementes.
Ao longo do tempo, os macroplásticos se decompõem lentamente em microplásticos - com fragmentos menores do que cinco milímetros de comprimento - e se infiltram no solo. Estes microplásticos podem alterar a estrutura física da terra e limitar sua capacidade de retenção de água, o que pode afetar as plantas, reduzindo o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes. Aditivos químicos presentes nos plásticos podem se infiltrar no solo , afetar as cadeias de valor dos alimentos e acarretar em riscos para a saúde.
De acordo com o Foresight Brief, a maior fonte de poluição microplástica no solo são os fertilizantes produzidos a partir de matéria orgânica, como o lodo proveniente do tratamento de efluentes. Conhecidos como biossólidos, estes podem ser mais baratos e melhores para o meio ambiente do que os fertilizantes fabricados. Mas o lodo vem misturado com microesferas, minúsculas partículas sintéticas comumente usadas em sabonetes, xampus, maquiagem e outros produtos de higiene pessoal, o que é motivo de preocupação.
Alguns países proibiram as microesferas de plástico, mas muitos outros microplásticos continuam a entrar no sistema de tratamento da água. Estes incluem tudo, desde filtros de cigarro a componentes de pneus e fibras sintéticas de roupas. Especialistas dizem que o tamanho e a composição variáveis dos microplásticos torna difícil sua remoção, uma vez que estão em esgoto.
Agricultura - Avanços estão sendo feitos para melhorar a biodegradabilidade dos polímeros utilizados em produtos agrícolas. Alguns filmes de cobertura vegetal - utilizados para modificar a temperatura do solo, limitar o crescimento de ervas daninhas e evitar a perda de umidade - estão sendo comercializados agora como totalmente biodegradáveis e compostáveis, o que nem sempre é o caso.
Para reduzir a dependência de polímeros à base de hidrocarbonetos, o uso de polímeros de base biológica está se expandindo. Mas nem todos são biodegradáveis - alguns podem ser tão tóxicos quanto os polímeros à base de combustíveis fósseis - e seu preço ainda é um problema. Especialistas dizem que a produção de polímeros de base biológica não deve gerar concorrência territorial com a produção de alimentos, e o aumento em sua utilização deve levar em consideração o respeito à agricultura sustentável.
As chamadas culturas de cobertura, que protegem o solo e não são destinadas à colheita, também podem ser utilizadas. Essas soluções baseadas na natureza podem suprimir ervas daninhas, combater doenças do solo e melhorar sua fertilidade, mas há preocupações que podem reduzir o rendimento e aumentar os custos.
"Nenhuma dessas soluções é mágica", diz Baker. "O plástico é barato e fácil de trabalhar, o que torna difícil a tentativa de introduzir alternativas ".
Ela disse que os governos precisam "desestimular" o uso de plásticos agrícolas, seguindo o exemplo da União Europeia, que no início deste ano restringiu certos tipos de polímeros a serem usados em fertilizantes.
Baker disse que mais pesquisa precisa ser feita para desenvolver produtos - como alguns têxteis alternativos - que não soltem microplásticos. Incentivar os consumidores a repensar seu consumo de plástico e os fabricantes a reduzir a quantidade de plástico que utilizam também é essencial, disse ela.
"Embora ainda haja apenas uma pesquisa limitada sobre os impactos dos plásticos no solo, há evidências de efeitos negativos na saúde e produtividade do solo", diz ela. "Agora é o momento de adotar o princípio da precaução e desenvolver soluções direcionadas para interromper o fluxo de plástico para o meio ambiente".
Foresight Briefs - Os Foresight Briefs são publicados pelo PNUMA para destacar um ponto focal da mudança ambiental, apresentar um tema científico emergente ou discutir uma questão ambiental contemporânea. A 29ª edição do Foresight Brief do PNUMA explora o uso do plástico na agricultura e o significativo problema de resíduos que isso implica, afetando a saúde do solo, a biodiversidade, a produtividade e a segurança alimentar.
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01 novembro 2022
FAO: Projeto +Algodão Peru fortalece intercâmbio de boas práticas
Lima sediou em 21 de outubro o encerramento oficial do projeto +Algodão Peru, com a participação de representantes dos governos brasileiro, peruano e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Durante cinco anos, a agência da ONU, a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação (MIDAGRI) do Peru trabalharam juntos para o fortalecimento do setor algodoeiro do país por meio do projeto.
Neste período, o +Algodão Peru contribuiu para o fortalecimento de conhecimentos e intercâmbio de boas práticas entre técnicos e pesquisadores de instituições brasileiras e peruanas, agricultores e agremiações do setor algodoeiro nacional.
As ações foram realizadas nos departamentos de Piura, Lambayeque e Ica, para apoiar a recuperação da competitividade da cotonicultura familiar, por meio da melhoria da produtividade e da renda das lavouras.
No evento de encerramento, a analista de projetos da ABC/MRE, Mariana Falcão, agradeceu à FAO e às instituições cooperantes por fazerem parte do projeto +Algodão “porque sem eles não haveria cooperação sul-sul para o setor algodoeiro”, disse. Ela também comentou que, com base no que foi aprendido nesta primeira etapa do projeto no Peru, “é preciso identificar necessidades e desafios em que o Brasil pode ajudar o país a avançar para mais algodão”.
Já a coordenadora regional do projeto +Algodão, Adriana Gregolin, afirmou que a FAO, juntamente com a cooperação brasileira, continuará apoiando o setor algodoeiro na América Latina. “O projeto seguiu um processo flexível e dinâmico e esse é um dos seus pontos fortes, promovendo o que o setor precisa, pois esse cultivo tem potencial.”
Gregolin também destacou o papel fundamental dos povos indígenas na manutenção do “algodão vivo, riqueza encontrada em suas comunidades, por meio do trabalho de recuperação e conservação de sua diversidade”.
Impacto - O projeto +Algodão Peru contou com o apoio da Agência Peruana de Cooperação Internacional (APCI) e instituições técnicas cooperantes como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Algodão) e o Instituto Nacional de Inovação Agrária (INIA), além da participação das Direções Regionais de Agricultura do Governo Regional de Piura, Lambayeque e Ica.
As ações desenvolvidas no âmbito do projeto impactaram 5,6 mil produtores familiares de algodão, que fortaleceram suas capacidades durante dias de campo, seminários, oficinas, entre outros.
Foram implementadas vinte Unidades Técnicas Demonstrativas (UTDs) que validaram e divulgaram boas práticas e inovações junto a técnicos, agricultores e agricultoras, onde se observou um aumento médio de rentabilidade de 23% em quatro campanhas agrícolas.
O projeto +Algodão Peru também contou com o envolvimento de organizações de famílias cotonicultoras, como a Cooperativa Agrária de Múltiplos Serviços Tallan Chusis Limitada (COSTACH), que representa 600 famílias cotonicultoras de Piura. Em 2020, a cooperativa exportou cerca de 42 toneladas de algodão Pima peruano para Europa e Ásia, graças à reformulação de seu plano de negócios que contou com o apoio do projeto. Também participa de uma iniciativa pioneira na região de rastreabilidade por meio de um piloto de blockchain.
Políticas públicas - O projeto +Algodão Peru apoiou a formulação do Plano Nacional do Algodão (PNA) como principal instrumento de política pública para promover o desenvolvimento competitivo e sustentável do setor algodoeiro. Da mesma forma, contribuiu para a elaboração do projeto de regulamentação da semente de algodão no país.
Sobre esta questão, o diretor geral de Desenvolvimento Agropecuário e Agroecologia do MIDAGRI, Jorge Isaul Moreno, informou que o Plano Nacional continua avançando no processo de aprovação. Ele também destacou a importância da continuidade da cooperação por meio do projeto +Algodão para continuar dimensionando os resultados e a aprovação do próprio plano.
Para o coordenador do projeto +Algodão Peru, Gonzalo Tejada, “tudo o que foi alcançado no trabalho de campo durante a execução do projeto pode ser massificado entre todos os agricultores, com o Plano Nacional, para nos reposicionarmos internacionalmente o algodão peruano como um produto de excelência”.
O encerramento do projeto +Algodão Peru também contou com a presença de representantes dos Ministérios da Produção (PRODUCE) e do Comércio Exterior e Turismo (MINCETUR), entre outros, que reforçaram o compromisso com o setor algodoeiro peruano. Representantes da Sociedade Nacional das Indústrias (SNI) do Peru expressaram a importância de reativar o conselho nacional do algodão, órgão que reúne os diferentes elos da cadeia do algodão do Peru.
+Algodão - O projeto +Algodão visa promover sistemas de produção sustentáveis e inclusivos, numa perspectiva abrangente da cadeia de valor do algodão para promover o desenvolvimento rural, promover a agregação de valor, o comércio justo e a promoção do sistema agro têxtil. Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru participam como países parceiros. Trata-se de uma iniciativa de cooperação sul-sul trilateral do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO.
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01 novembro 2022
OPAS/OMS: rede colaborativa estuda sequelas de COVID longa no Brasil
A Rede Colaborativa de Pesquisa Clínica sobre COVID e COVID Longa Brasil, articulada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), está desenvolvendo uma pesquisa sobre as sequelas surgidas após a infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, com o objetivo de contribuir para a qualificação do atendimento aos pacientes.
Conhecidos como síndrome pós-COVID-19 ou COVID longa, esses efeitos a médio e longo prazo – sobretudo respiratórios, neurológicos e psicológicos – são mais comuns em pacientes que apresentaram a forma grave da doença, mas também têm sido observados em indivíduos com quadro moderado. Resultam por vezes em um comprometimento funcional, que limita a capacidade de a pessoa realizar atividades da vida diária, afeta o desempenho profissional e prejudica as interações sociais.
Descoberta no decorrer da pandemia de COVID-19, a síndrome ainda precisa ser estudada a partir de um esforço global, capaz de esclarecer seu diagnóstico, tratamento e prognóstico. A pesquisa da OPAS tem buscado identificar desde o início de 2021 os sinais, os sintomas e as necessidades clínicas e de reabilitação desses pacientes, de modo a contribuir com o aperfeiçoamento das linhas de cuidado em saúde no Brasil e em outros países.
Participam da Rede Colaborativa 62 hospitais e 82 unidades de atenção primária e ambulatórios especializados vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS), em todas as regiões brasileiras. Neste momento, estão sendo analisados por esse grupo articulado pela OPAS os dados clínicos anônimos de pacientes com COVID-19 internados no período de março de 2020 a maio de 2022.
Os resultados da pesquisa vão abastecer a Plataforma Clínica Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para COVID-19 e devem ser divulgados até o final deste ano.
Rede colaborativa - A Plataforma Clínica Global da OMS foi lançada em 2020 com o objetivo de fornecer aos países e territórios um sistema padronizado de coleta de dados clínicos sobre a COVID-19.
As informações caracterizam a história natural da doença, identificam fatores de risco para doença grave e desfechos ruins, além de descreverem intervenções e resultados de tratamento em adultos, crianças e em subpopulações, incluindo gestantes e indivíduos que vivem com HIV.
No Brasil, a OPAS tem articulado a Rede Colaborativa desde 2020, com a participação do Ministério da Saúde e outras instituições de saúde brasileiras. Até o momento, o país já forneceu à Plataforma da OMS informações clínicas anonimizadas de 19.474 pacientes hospitalizados pela COVID-19, no período de janeiro de 2020 a março do ano passado, provenientes de 36 hospitais brasileiros. Os dados, aspectos demográficos, apresentação clínica, terapêutica, manifestações clínicas e desfechos estão disponíveis nesta publicação.
Análise - A análise das informações é feita por meio de um software de inteligência artificial que gera um banco de dados chamado “data hub Brasil”. A curadoria científica dessa solução digital é feita por pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), do Grupo Hospitalar Conceição e de hospitais universitários da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
“Como um todo, essas iniciativas geram uma estratégia e ferramentas poderosas de pesquisa e colaboração entre centros clínicos de alto nível no Brasil, que têm contribuído para enfrentar a pandemia de COVID-19 e, possivelmente, outras necessidades do país nessa área”, afirma o coordenador de Sistemas e Serviços de Saúde do escritório da OPAS e da OMS no Brasil, Roberto Tapia.
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01 novembro 2022
Metas climáticas precisam ser ambiciosas, alerta cientista brasileira
Coautora do “Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2022”, lançado na semana passada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a professora de Planejamento Energético na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Joana Portugal afirmou que existe uma grande discrepância entre o que os países estão prometendo fazer para reverter a crise climática e o que realmente é necessário.
Em entrevista à ONU News, a cientista defendeu que os líderes mundiais devem aproveitar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP27), que acontece esse mês em Sharm el-Sheikh, Egito, para assumirem metas climáticas mais ambiciosas.
Confira a entrevista na íntegra:
Do ano passado para cá algo mudou no cenário global de emissões de gases estufa?
O “Relatório de Lacunas de Emissões”, editado e coordenado pelo PNUMA todos os anos, compara as emissões e as metas políticas que todos os países se comprometem no contexto das COP, as denominadas Contribuições Nacionalmente Determinadas. O relatório avalia a diferença entre o que os países estão propostos a implementar para reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa e o que seria necessário para cumprir de fato o Acordo de Paris. Mais uma vez, esse ano, no relatório nós temos uma grande discrepância. Do ano passado para cá nós temos uma redução de emissão de menos de uma gigatonelada, um bilhão de toneladas de CO2 equivalente, o que é um pouco frustrante.
O relatório entra na questão de grupos de países que deveriam estar fazendo mais?
Infelizmente, todos os países deveriam estar fazendo mais. Não tem bom aluno aqui. O que mostramos no relatório é que temos que reduzir 50% das emissões na próxima década para mudar o cenário climático esperado no final do século. Em face da crise energética que estamos vivendo neste momento na Europa, alguns Estados-membros atrasaram as medidas ambiciosas que tinham anunciado, sobretudo diante do inverno severo. No Brasil, as Contribuições Nacionalmente Determinadas propostas em 2015 e ratificadas em 2016, propunham uma meta de emissão CO2 em 2030 de 1,2 bilhões de toneladas. Este valor foi revisto em em 2020 aumentando para 1,62 bilhões de toneladas. Agora, na COP27, a proposta é de 1,28 bilhões, ainda bem acima do que foi proposto em 2015.
E quais seriam os impactos para a humanidade dessa lenta redução?
Assumindo que nós congelamos as metas anunciadas antes da COP27 e que as manteríamos assim, até o final do século o aquecimento global estaria na ordem de 2,8 a 3 graus Celsius acima de níveis pré-industriais. Agora, nós estamos praticamente beirando o nível de um 1,5 grau e em todo o planeta já sofremos os impactos de eventos extremos. Com um aumento da temperatura ainda maior teremos impactos irreversíveis, cuja dimensão ainda não se sabe. A ciência não tem essa resposta para dar.
Esse relatório todo ano traz uma novidade. Qual é a desse ano?
Esse ano nós trabalhamos muito a fundo a questão de segurança e sistemas alimentares, bem como as condições necessárias para aumentarmos a ambição climática, levando em consideração a capacidade tecnológica, fundos financeiros e investimento em tecnologias de baixo carbono. Sobre sistemas alimentares, nós na verdade avaliamos qual a contribuição das nossas dietas e dos nossos sistemas agrícola e pecuário para mudança climática. Averiguamos também quais são as estratégias que podem reduzir a contribuição destes setores para a crise no clima e quais são as mudanças comportamentais necessárias, como por exemplo a redução de consumo de alimentos hiper carbônicos majoritariamente de origem animal. Avaliamos como podemos garantir simultaneamente uma sustentabilidade climática e de saúde pública, refletindo sobre como melhorar nossas dietas.
Baseado nesse relatório, o que devemos esperar dos líderes mundiais na COP27?
Esse relatório é um insumo essencial para apoiar políticos e tomadores de decisão. Ou seja, nós avaliamos que o que está neste momento posto em cima da mesa, a redução de emissões e ambição das partes, não é suficiente para cumprir o acordo que foi ratificado e assinado por esses países em 2015. Então é essencial e se espera que na COP27 todas as partes, principalmente os países do G20, que são os maiores contribuidores para a emissão de gases de efeito estufa, na verdade, aumentem a sua ambição implementem estratégias de baixo carbono em seus próprios países.
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01 novembro 2022
66% das crianças na América Latina e Caribe sofrem violência em casa
Desde o seu primeiro ano de vida, as crianças da América Latina e do Caribe correm risco de violência em casa, na escola e na rua, revela um novo relatório regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Um perfil estatístico da violência contra crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe (em espanhol) mostra que quase dois em cada três meninos e meninas de 1 a 14 anos na região sofrem disciplina violenta em casa.
Junto com o castigo físico e a agressão psicológica na primeira infância, o abuso sexual e o homicídio perseguem milhões de crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe. A taxa regional de homicídios de crianças e adolescentes (12,6 a cada 100 mil) é quatro vezes maior que a média global (3 a cada 100 mil). E o homicídio é a principal causa de morte entre meninos adolescentes de 10 a 19 anos.
“É espantoso que a maioria das crianças na América Latina e no Caribe seja exposta à violência quase desde o nascimento e, muitas vezes, pelas pessoas em quem mais confia: seus pais, cuidadores, colegas e vizinhos”, disse o diretor regional interino do UNICEF para a América Latina e o Caribe, Youssouf Abdel-Jelil. “Infelizmente, em muitas comunidades da região, a disciplina violenta é socialmente aceita. As crianças replicam esse padrão com seus próprios filhos quando adultos, perpetuando o ciclo de violência”.
Gênero - A violência afeta meninos e meninas na região de forma diferente. O relatório descobriu que os meninos são sete vezes mais propensos a morrer por homicídio do que as meninas. Enquanto isso, as meninas são particularmente vulneráveis à violência sexual após os 10 anos.
Na América Latina e no Caribe, a violência contra crianças é motivada não apenas por normas sociais negativas e baseadas em gênero, mas também por outros fatores como desigualdades, insegurança, migração e crises humanitárias. Na região, dois em cada cinco meninos e meninas também vivem em países sem proteção legal contra castigos corporais em casa, na escola e em locais de atendimento do Estado.
“Os adultos muitas vezes recorrem à violência contra as crianças porque é o que eles conhecem e vivenciaram. Para quebrar esse ciclo cedo, temos que agir cedo, promovendo alternativas. Com o compromisso de pais, cuidadores, professores, comunidades e governos, é possível criar filhos sem violência e construir sociedades mais seguras e prósperas para o benefício de todos”, acrescentou Abdel-Jelil.
Para acabar com todas as formas de violência contra crianças e adolescentes, o UNICEF pede aos governos que:
Adotem leis que proíbam totalmente o castigo corporal em todos os ambientes.
Invistam em programas para prevenir a violência, incluindo programas de parentalidade positiva que forneçam aos cuidadores o apoio e os recursos de que precisam.
Implementem intervenções de mudança social e de comportamento para abordar a normalização da violência contra crianças e adolescentes.
Fortaleçam a capacidade da força de trabalho do serviço social para prevenir, reconhecer e responder à violência contra crianças e adolescentes.
Melhorem a coleta de dados sobre violência contra crianças e adolescentes, usando medidas padrão, para preencher lacunas de dados sobre diferentes questões, como violência sexual na infância.
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