Últimas
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Notícias
19 novembro 2021
Violência contra mulheres: campanha da ONU Brasil pede vida e dignidade
A ONU Brasil promove, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2021, a edição anual da campanha do secretário-geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, ela apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Neste ano, a iniciativa completa três décadas de mobilização internacional. Em todo o mundo, a ONU está abordando o tema: “Pinte o mundo de laranja: fim da violência contra as mulheres, agora!”.
A campanha da ONU Brasil pede união de esforços e de ações para garantir a vida e a dignidade a todas as mulheres e meninas, inclusive na recuperação da COVID-19. A pandemia exacerbou fatores de risco para a violência contra mulheres e meninas, incluindo desemprego e pobreza, e reforçou muitas das causas profundas, como estereótipos de gênero e normas sociais preconceituosas.
Estima-se que 11 milhões de meninas podem não retornar à escola por causa da COVID-19, o que aumenta o risco de casamento infantil. Estima-se também que os efeitos econômicos prejudiquem mais de 47 milhões de mulheres e meninas vivendo em situação de pobreza extrema em 2021, revertendo décadas de progresso e perpetuando desigualdades estruturais que reforçam a violência contra as mulheres e meninas.
“A campanha aborda as diferentes causas da violência contra mulheres e meninas e demonstra por meio de ações e propostas concretas os diferentes caminhos para superar esse problema”, explica a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks.
“A violência contra mulheres e meninas afeta a todas e todos nós e depende do engajamento das pessoas, das empresas e das instituições públicas e privadas para ser superada”, completa.
Desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vem fazendo apelos pelo fim da violência contra mulheres e meninas e pedindo paz no lar e o fim da violência em toda parte. Mais de 140 países expressaram apoio, e 149 países adotaram cerca de 832 medidas, conforme destacado na Resposta Global de Gênero à COVID-19, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com colaborações técnicas substantivas da ONU Mulheres.
Por meio da Estratégia de Engajamento Político do Secretário-Geral da ONU sobre Violência baseada em Gênero, o Sistema das Nações Unidas mobilizou várias partes interessadas para atender às necessidades imediatas e vulnerabilidades de longo prazo de meninas e mulheres em risco de violência e reconheceu o papel-chave que as organizações de direitos das mulheres desempenharam durante a crise global. Para tanto, a ONU ativou suas plataformas e redes a fim de mobilizar compromissos e ações para acabar com a violência baseada em gênero no contexto da COVID-19.
A campanha UNA-SE articula compromissos com as Coalizões de Ação Geração Igualdade, especialmente a de Violência Baseada em Gênero, para acelerar investimentos, sensibilizar autoridades públicas para políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas e mobilizar diversos setores em torno da causa.
A campanha se baseia nas determinações da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e se orienta rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, especialmente o ODS 5, que pretende alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A iniciativa busca a adesão de governos, parlamentos, sistema de Justiça, empresas, academia e sociedade para a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Campanha no Brasil - Com o mote “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - Vida e dignidade para todas”, a campanha deste ano tem como foco visibilizar a complexidade da violência contra as mulheres e meninas, em que suas identidades e condições de vida acentuam e ampliam vulnerabilidades para mulheres e meninas negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAP+ (lésbicas, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais, entre outras), com deficiência, idosas, migrantes e refugiadas. Para tanto, entende ser fundamental a abordagem interseccional de análise sobre as situações de violência sofridas pelas mulheres e meninas, entendendo que elas são diferentes a partir dos locais concretos e simbólicos ocupados por elas.
A campanha pretende evidenciar que a violência contra mulheres e meninas não ocorre apenas no ambiente privado: dentro de casa ou no corpo (como nos caso da violência doméstica e da violência sexual). Ela também está presente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, na política institucional, nos esportes, nos ambientes online, nos meios de comunicação, e também no contexto da promoção e defesa de direitos.
A campanha destaca também as formas de prevenção e eliminação das diversas formas de violência. Para tanto, além do trabalho das Nações Unidas, a campanha apresenta também iniciativas e histórias de mulheres que defendem direitos e promovem a igualdade de gênero.
Baseada no entendimento de que a violência contra mulheres e meninas é uma violação de direitos humanos, esta edição tem como objetivo também estimular uma mudança de paradigma, eliminando a ideia de mulheres 'vítimas de violência' (passivas, em uma condição insuperável) e fomentando a noção de que essas mulheres são pessoas 'em situação de violência' ou ‘que sofreram violência’.
Tal mudança estimula o entendimento de que a violência é um desafio superável e que pode ser prevenida, além da visão de mulheres como protagonistas da defesa e promoção de direitos humanos, desenvolvimento sustentável, justiça climática e democracia, cujas contribuições beneficiam toda a sociedade. Também reconhece, a partir disso, que a violência afeta todas as dimensões das vidas das mulheres que a vivenciaram e que toda a sociedade é responsável pela sua erradicação. Em outra linha de ação, a campanha quer engajar homens e meninos como aliados dos direitos das mulheres e para atingir a igualdade de gênero, da qual eles também se beneficiam.
A campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres” terá como um dos focos o empoderamento de meninas e jovens por meio do esporte, como ferramenta fundamental para prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Com histórias e experiências compartilhadas, a campanha mostrará como o esporte desenvolve habilidades para a vida das meninas, como autoconfiança, autonomia e liderança, fazendo com que rompam com estereótipos de gênero e com o ciclo de violência, não só individualmente, mas em seu entorno.
Ações no Brasil - A programação da campanha deste ano conta com a realização de eventos on-line e presenciais, iluminações de prédios na cor laranja em adesão global à mensagem da prevenção da violência, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e sites da ONU Brasil e instituições parceiras. Serão ações direcionadas a ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade e suas instâncias para a realidade da violência contra as mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
Neste ano, a campanha será inaugurada com a iluminação na cor laranja do Congresso Nacional, em Brasília, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra - início da campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres; e do Abrigo Rondon V, em Roraima, de 20 a 26 de novembro, em adesão à mensagem global de prevenção contra a violência. Ainda está programada a iluminação laranja da Casa da Mulher Brasileira, na cidade de Boa Vista (RR), de 27 de novembro a 4 de dezembro, estado em que a ONU Brasil desenvolve projetos de ajuda humanitária.
A campanha é composta pelo evento on-line “Juntas e juntos para pôr fim à Violência contra Defensoras de Direitos Humanos e do Meio Ambiente”, em 29 de novembro, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e site da ONU Brasil e de instituições parceiras. As ações pretendem ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade para a realidade da violência contra mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
16 Dias de Ativismo - A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que completa 30 anos em 2021, foi criada por ativistas do Instituto de Liderança Global das Mulheres em 1991.
Desde então, mais de 6.000 organizações em 187 países participaram da campanha, alcançando 300 milhões de pessoas. Ela continua a ser coordenada, a cada ano, pelo Centro para Liderança Global de Mulheres (CWGL, na sigla em inglês) e é usada como estratégia de organização por pessoas, instituições e organizações em todo o mundo para prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Em todo o mundo, os 16 Dias de Ativismo abrangem o período de 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, a mobilização se inicia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para buscar ações de combate ao racismo e ao sexismo e pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas negras.
Contatos para a imprensa
Isabel Clavelin (ONU Mulheres) - isabel.clavelin@unwomen.org / 61 98175 6315
Roberta Caldo (UNIC Rio) – caldo@un.org
História
25 abril 2022
Após cirurgia no quadril, homem reaprende a caminhar e reconstrói a vida
Caminhar, correr e dançar são coisas triviais para muita gente. Mas, para o aposentado Dirceu Hack, 56 anos, significa muito mais. No final do ano passado, após passar por uma cirurgia reparadora no quadril, ele finalmente pode voltar a se mover com o corpo ereto. Seu Dirceu, como é chamado, é paciente hemofílico e sofria desde os anos 1970 com as limitações provocadas pela doença.
A hemofilia é uma doença genética hereditária, que compromete a coagulação do sangue. Pessoas hemofílicas não possuem uma proteína responsável pelo crescimento e reparação de tecidos, assim, sangram mais do que o normal. Com o passar do tempo, essa situação provoca danos em todo o corpo, em especial nas articulações, que ficam enrijecidas.
“Eu tinha uns 13, 14 anos quando descobri a doença. Fiquei 30 dias sozinho em Florianópolis, fazendo muitos exames, até chegar no diagnóstico”, lembra seu Dirceu, que morava à época em Concórdia, no interior de Santa Catarina, a quase 500 quilômetros da capital do estado. “Eu tinha muitos sangramentos e muita dor, é três vezes pior que uma dor de dente. Não conseguia ir para a escola, só tenho até a 4ª série”, conta ele, que, de tanto comprometimento, andava completamente arqueado.
"Ele não conseguia caminhar direito, não conseguia se abaixar para colocar a meia. Sentia muitas dores, não tinha como deitar na cama, se ajeitar para dormir, era bem difícil." detalha Queli Cristina, 37 anos, companheira de Dirceu. “Minha família me acompanhou nesse tempo todo, elas viram o meu sofrimento. Eu não ia para nenhum lugar, não me encontrava com meus amigos, porque não conseguia caminhar”, completa ele.
O aposentado foi um dos contemplados por uma ação do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) em parceria com o Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT/SC) e com a Fundação de Apoio ao Centro de Hematologia e Hemoterapia (HEMOSC)/Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), conhecida como FAHECE. A ação teve por objetivo realizar cirurgias em pacientes hemofílicos com artropatia grave.
Dirceu foi beneficiado com três cirurgias, uma já feita no quadril, em outubro do ano passado, e as outras nos dois joelhos, previstas para serem realizadas em junho. Outros dois pacientes também serão beneficiados: Valdecir de Souza, que fará uma renovação da prótese do joelho direito em abril, e Lucas Ramos Mariano, que será operado nos dois joelhos em maio.
“Quando eu fizer as cirurgias dos dois joelhos, será a realização do meu grande sonho, terei uma qualidade de vida muito maior. Eu tô com 56 anos, mas tenho uma disposição de piá (rapaz) de 25 anos”, diz seu Dirceu, que agora faz planos para a retomada da vida com a mobilidade recuperada. “O que eu mais quero fazer é trabalhar na minha propriedade aqui no interior, cuidar dos animais, da roça”, planeja ele, que tem um sítio em Peritiba, na fronteira de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.
1 of 5
História
08 abril 2022
Professora ensina alunos a combater o desperdício de alimentos em Itajaí
No município de Itajaí, em Santa Catarina, o drama da falta de acesso a alimentos transformou a vida dos 46 alunos do 5º ano do ensino fundamental da Escola Básica Professor Judith Duarte de Oliveira. Isto porque a professora Patrícia Wanderlinde Alves ficou impactada com os números da fome – de acordo com o Programa Mundial de Alimentos (WFP), 881 milhões de pessoas não têm o que comer em todo o mundo, sendo 48,6 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar moderada ou severa.
Inconformada também com os dados do desperdício de alimentos revelado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) – em 2019, 931 milhões de toneladas de alimentos foram para o lixo -, a professora resolveu levar para sala de aula ensinamentos para diminuir o desperdício e mudar hábitos de consumo na escola e dentro de casa.
Patrícia desenvolveu e implementou para os alunos da faixa de 10 anos de idade o projeto Tempo Esgotado: durante uma semana, eles anotaram tudo o que comeram e desperdiçaram. Impressionados com os resultados, eles reuniram informações sobre o consumo consciente de alimentos e criaram um folder e cartazes, que foram distribuídos dentro da escola, em ônibus e pontos comerciais com grande circulação de pessoas.
Os alunos também fizeram palestras para as outras turmas do colégio, que foram gravadas e disponibilizadas num canal no Youtube. O projeto trabalhou com as informações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e incluiu ainda um curta metragem mostrando como o desperdício de alimentos acontece dentro de casa.
“As crianças realmente se empenharam e queriam fazer o máximo que podiam. Toda a construção dos vídeos e folders foi feita a partir de ideias delas. Os alunos arrecadaram alimentos para famílias carentes, o que envolveu toda a escola. No final, o trabalho gerou inclusive uma conscientização financeira”, contou a professora em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Ela pretende repetir a iniciativa neste ano.
“Eu gostei muito desse projeto, ele me conscientizou muito sobre a fome que acontece no mundo. Não podemos ver todo esse desperdício e não fazer nada!”, explica o aluno Henrique Rafael. A estudante Maria Luíza conta que os ensinamentos mudaram a rotina dentro de casa: “Eu vou levar esse projeto para a minha vida toda. As atitudes da minha casa mudaram muito. Meu pai começou a usar as sobras do dia anterior. Minha mãe não usava frutas feias e agora usa”, explica a garota. Para Gustavo, o projeto pode ajudar o Brasil. “ A cada um minuto, 11 pessoas morrem de fome e isso é muito triste. Por isso, temos que parar de jogar comida no lixo!”, alerta o menino.
Alimentação escolar - Projetos como o da professora Patrícia são fundamentais para uma alimentação escolar sustentável. Segundo a coordenadora do projeto Consolidação de Programas de Alimentação Escolar na América Latina e no Caribe (Programa de Cooperação Internacional entre Brasil e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura/-FAO), Najla Veloso, esse tipo de trabalho concilia o aprendizado dos estudantes com outras áreas do conhecimento, criando conexões entre as realidades locais e o e o dia a dia de cada um.
“As ações para combater o desperdício e de educação alimentar e nutricional são importantes para promover o desenvolvimento intelectual, físico, emocional e social dos estudantes. Além disso, ao estimularem hábitos de vida saudáveis, as escolas constroem entornos mais saudáveis, uma vez que os hábitos são transmitidos também para familiares e todo a comunidade”, explica Najla.
As escolas também são fundamentais no combate à fome. De acordo com a especialista da FAO, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) brasileiro, que atende a cerca de 41 milhões de estudantes, diária e universalmente, é considerado uma referência regional e global de política pública de êxito.
O Programa Mundial de Alimentos também atua no combate ao desperdício e na superação da fome. Todos os anos, o WFP promove uma campanha global de conscientização, chamada Zerar o Desperdício, e opera o Centro de Excelência contra a Fome em conjunto com o governo brasileiro. A missão do Centro é apoiar países em desenvolvimento na criação e implementação de soluções sustentáveis contra a fome a partir das experiências exitosas desenvolvidas no Brasil.
1 of 5
História
28 março 2022
Irmãos vencem festival com filme retratando impacto da COVID-19 na comunidade surda
Nos últimos dois anos as máscaras tornaram-se itens essenciais para evitar a contaminação com COVID-19. Mas para uma parte da população, ainda que elas tenham ajudado a salvar milhares de vidas, as máscaras também são sinônimo de silêncio. Um relatório divulgado em março de 2021 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou que 1,5 bilhão de pessoas têm algum grau de deficiência auditiva no mundo. Dependendo em grande parte da interpretação labial e de expressões faciais para se comunicar, a pandemia trouxe para as pessoas surdas uma sensação de impotência diante de atividades corriqueiras, como ir ao banco, supermercado ou até mesmo a consultas médicas.
São estas dificuldades que levaram os irmãos Glória e Victor Araújo, de 12 e 10 anos, a gravarem um vídeo mostrando os impactos da COVID-19 em sua família. Ambos atuam como intérpretes de libras para os pais, Jucimara e Vandro, deficientes auditivos. O filme “Silêncio na pandemia” retrata as barreiras impostas pelo uso de máscara a esta comunidade e principalmente conscientiza sobre a importância de um ensino obrigatório e universal da língua de sinais para toda população.
O filme foi premiado pelo júri internacional do PLURAL + Youth Video Festival, competição de vídeos promovida pela Agência da ONU para as Migrações (OIM), e pela Aliança de Civilizações das Nações Unidas (UNAOC). A produção dos irmãos moradores de Londrina, no Paraná, ficou em primeiro lugar na categoria até 12 anos e também recebeu outros três prêmios dentro do festival: Peacemaker Champions Award, TAL Award e o MediaB Award.
“Eu queria que as pessoas vissem esse vídeo e quisessem mais intérpretes em todos os lugares. Porque seria mais fácil para todo mundo, né?”, conta Victor.
Produção – Responsável por montar o roteiro e dirigir o filme, Glória explica que começou a produção do curta-metragem em junho de 2021, com a ajuda das primas Lorena da Silva, de 22 anos, e Alaysa Fernandes, de 18. Foi Lorena quem viu a competição promovida pelas Nações Unidas e incentivou os irmãos a se inscreverem no concurso. As duas primas também ajudaram a traduzir o conteúdo para o inglês e editar as ideias de Glória, que tem o sonho de ser cineasta. “A gente começou a gravar e acabamos esquecendo que era para a ONU. E aí a gente começou a se divertir e foi bem espontâneo. Só percebemos o que estávamos fazendo depois que a gente ganhou”, explica Glória.
O PLURAL + Youth Video Festival convida jovens de todo mundo a contarem diversas histórias sobre os temas mais urgentes do nosso tempo. Na edição de 2021, a tônica do concurso foi a diversidade, tema que chamou atenção dos jovens paranaenses. “Se a gente fosse igual, não teria graça. A gente precisa da diferença para aprender a respeitar as pessoas em qualquer hipótese”, diz Glória. “Se as pessoas fossem iguais, a gente não aprenderia muita coisa, porque para aprender é preciso ver outra pessoa fazendo diferente. Então a gente precisa de diversidade”, defende a garota.
A cerimônia online de premiação contou com a presença do diretor-geral da OIM, António Vitorino, e do alto representante da UNAOC, Miguel Ángel Moratinos. Também foi transmitida uma mensagem em vídeo da subsecretária-geral da ONU para Comunicação Global, Melissa Fleming. Na ocasião, Glória foi convidada a discursar e aproveitou para defender a universalização da linguagem de sinais como solução duradoura para as dificuldades de inclusão da comunidade surda.
Outros vencedores – Ao todo, 29 vídeos foram premiados pelas Nações Unidas. O Brasil foi o país que recebeu o maior número de condecorações: sete no total. “Silêncio na pandemia” foi o destaque da categoria principal. Os outros seis jovens brasileiros foram laureados por parceiros da ONU.
Nicole Assunção recebeu uma menção honrosa da Children’s Film Festival Seattle, com o filme “What does opening the world mean to you?”; Mickael Lima venceu o FACIUNI Award com o curta-metragem “Ubuntu”; Joana Lara recebeu uma menção honrosa do Italian Movie Award pela produção de “The human being is a genus of which diversity is a species”; Guilherme Menezes também recebeu uma menção honrosa do FilmAid pelo filme “I could never choose where to be born”; Cassia Roriz venceu o FilmAid Award e o Visual Voices Award for Peace Advocacy com o filme “Look out for us”; e Esther Cortereal, diretora de “For the right to be diverse”, venceu o Three Cultures of the Mediterranean Award.
Os curta-metragens abordam como a diversidade é um elemento importante para inclusãode pessoas que precisam viver em diferentes culturas, como é o caso de migrantes e refugiados.
"O cinema e o audiovisual são uma importante ferramenta para informar, divertir, educar, provocar debates e promover a diversidade. Há mais de um século eles estão ligados com a migração, quando desde o início dessa arte muitos cineastas migrantes retratavam um mundo em movimento. Iniciativas como o Plural+ dão força e voz a esses jovens, que colocam na tela suas mensagens, promovendo integração e tolerância entre públicos nos diferentes cantos do mundo”, relata o Chefe de Missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux.
1 of 5
História
08 março 2022
Jovem deu à luz no início da crise na Ucrânia
Mariia Shostak tem 25 anos e mora em Kyiv. Ela começou a ter contrações no dia 24 de fevereiro, data em que a Rússia lançou a ofensiva militar contra a Ucrânia.
A seguir, ela descreve as condições angustiantes que enfrentou, trazendo uma nova vida num mundo de perigo repentino e extremo.
"Tive uma gravidez complicada e fui para a maternidade mais cedo para que eu e o bebê pudemos ficar sob supervisão médica.
Quando acordei no dia 24 de fevereiro, a tela do meu celular estava cheia de mensagens de familiares. Antes mesmo de lê-las, percebi que algo havia acontecido.
Na mesma manhã, tive contrações leves e, à tarde, fomos evacuados para o abrigo do porão pela primeira vez. Foi assustador. À noite eu não dormi.
As contrações se intensificaram e as notícias também não traziam paz.
Cedo na manhã do dia 25 de fevereiro, um médico me examinou e disse que eu daria a luz naquele dia. Eu chamei meu marido para vir de casa.
Uma viagem que normalmente demoraria 20 minutos durou quatro horas por conta das filas nos postos de gasolina, lojas e farmácias.
Tive sorte em dar a luz – não foi no porão, embora algumas mulheres tenham dado à luz ali, numa sala montada para isso.
Comecei na sala de parto, mas fui transferida para o centro cirúrgico para fazer uma cesariana. Mais tarde, quando as sirenes de ataques aéreos se calaram, a equipe médica quis me levar para o porão, mas eu recusei.
Por conta da dor, eu não podia nem falar, quanto mais ir a algum lugar. O resto do tempo fiquei desconectada do mundo lá fora, e foi provavelmente a única hora em que esqueci da guerra."
Medo, fatiga e dor
"Depois da cirurgia, fiquei em cuidado intensivo por diversas horas, sem anestesia. Estava preocupada porque não sabia onde estavam meu bebê e meu marido.
Enquanto isso, mais sirenes de ataques aéreos tocaram e decidi ir para o porão. Estava com uma camisola descartável, sem sapatos, numa cadeira de rodas, carregando um cateter urinário.
Fui coberta com um cobertor e levada para o abrigo, onde vi meu filho pela primeira vez. Eu o chamei de Arthur.
Eu sentia medo, fadiga e dor. No dia depois da cirurgia, fui da enfermaria da maternidade para o porão diversas vezes. A todo o instante as sirenes de ataque aéreo tocavam.
Consegui dormir uma ou duas horas no dia. Passei a maior parte do tempo no porão, sentada em uma cadeira. Minhas costas doem e minhas pernas ainda estão inchadas pela complicação na gravidez.
A exaustão cegou o medo, até que uma bala atingiu a parte de cima do prédio, podíamos ver da nossa janela."
"Meu marido, Yurii, ajudou, tomando conta de mim e do meu recém-nascido. A equipe médica organizou refeições no bunker e depois conseguiu camas.
Eles nos ajudaram a colocar Arthur para mamar no meu peito, compartilharam remédios para os bebês, seguraram a minha mão quando tive dificuldade para andar.
Me sinto segura na capital – há abrigos suficientes e a informação precisa chega das autoridades. Meu marido conseguiu um cantinho para nós no porão de nossa casa para ficarmos.
Nasci e cresci em Kyiv, não tenho outra casa. Nós não partiremos."
Este relato foi publicado originalmente no site do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a agência da ONU para saúde reprodutiva e sexual.
Veja aqui a matéria publicada no site do UNFPA em português.
Veja aqui a matéria publicada no site do UNFPA em português.
1 of 5
História
18 fevereiro 2022
Família encontra filme de 1954 com imagens históricas da sede da ONU
Uma parte da história das Nações Unidas passou os últimos 68 anos muito bem guardada em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Imagens mostrando os primórdios da Organização e o funcionamento da sede em Nova Iorque acabam de ser recuperadas pela família Strauch. Trata-se de um filme de pouco mais de dez minutos, que agora ganha importância de documento histórico.
O material foi encontrado entre os pertences de Abigail Strauch, matriarca da família que faleceu em abril de 2021, perto de completar 99 anos. Dentro de uma lata estava o rolo de filme de 16 milímetros com a etiqueta “O Brasil nas Nações Unidas”, de 1954, produzido pelo conhecido dublador Herbert Richers e narrado por Waldemar Galvão – cuja fama na época vinha de seu trabalho como locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Nas imagens, é possível ver como era o prédio em seus primeiros anos de funcionamento, com destaque para o serviço de tradução simultânea das reuniões e assembleias. Também aparecem as primeiras obras de arte que viriam a marcar a história da sede, como o Sino da Paz Japonês – badalado anualmente na abertura da Assembleia Geral–, a réplica da estátua Poseidon de Artemísio e até mesmo a menção ao espaço onde três anos depois seriam expostos os painéis “Guerra e Paz”, do artista brasileiro Cândido Portinari.
O registro do passeio pelos corredores é feito através da perspectiva de um grupo de visitantes, composto por um menino e três brasileiras, sendo uma delas Abigail. O menino é seu filho primogênito, Carlos Henrique. “Nunca ouvimos falar deste filme antes. Eu e minha irmã imaginamos que minha mãe nunca o mencionou por ser uma memória dolorosa”, conta o engenheiro Guilherme Strauch, filho mais novo de Abigail, em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).
O filme da visita é um dos últimos registros de Carlos Henrique, que faleceu aos 13 anos, pouco tempo após as gravações. “Foi uma surpresa encontrarmos estas imagens dele e da minha mãe lá. Até então, só sabíamos que o meu pai havia feito parte da delegação brasileira na ONU”, conta.
Delegação – Não à toa a família Strauch é uma das protagonistas do vídeo. O patriarca Ottolmy Strauch foi um dos primeiros brasileiros a participar das atividades da ONU logo em sua fundação. Em 1946, quando ainda funcionário do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP), foi indicado ao Itamaraty para ser um dos nomes a compor a secretaria do governo brasileiro nas Nações Unidas.
Em seguida, entre 1952 e 1954, integrou as comitivas brasileiras que participaram das Assembleias Gerais em Nova Iorque e chegou a ser eleito, em 1953, para ocupar um cargo no Comitê de Contribuições da Organização. Recebeu 50 votos de um total de 54, estabelecendo naquele ano um recorde na eleição do Comitê.
É por este destaque que Ottolmy aparece no vídeo. Durante alguns segundos é possível acompanhar parte de seu discurso ressaltando o papel do Brasil na tarefa de garantir que as finanças da ONU fossem geridas da forma mais eficiente possível, assegurando assim recursos para a paz e o desenvolvimento social dos países mais vulneráveis.
“Eu acho difícil desassociar a surpresa em ter encontrado esse vídeo histórico da emoção em rever minha família e o orgulho da participação do meu pai. Ali a ONU estava começando, o mundo tinha acabado de sair de uma grande guerra e a Organização estava tentando estabelecer acordos, reconstruir a paz. É um grande orgulho saber que o Brasil tinha um grande destaque nisso”, relata Guilherme.
A coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks, destaca a importância do Brasil na diplomacia internacional e do filme. “Conhecemos, por documentos históricos, a participação do Brasil na fundação da Organização das Nações Unidas e acompanhamos, por décadas, esse protagonismo se materializar em forma de acordos que ajudaram a construir e até hoje guiam as ações da ONU em todo o mundo, como a própria Agenda 2030. Ter a oportunidade de assistir a uma pequena parte desse processo nesse vídeo é emocionante”.
Digitalização – O achado da família coincide com a recente capacitação do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (LUPA-UFF) para digitalização de filmes. Inaugurado em 2017, o LUPA é o único espaço do tipo a operar dentro de uma universidade e foi só no ano passado que conseguiu os equipamentos necessários para digitalizar filmes como este. Focado em rastrear vídeos amadores e que remontem pedaços da história do Rio de Janeiro, o LUPA é comandado pelo professor Rafael de Luna Freire. Foi para ele que a família Strauch entregou a cópia de “O Brasil nas Nações Unidas” para digitalização e restauração.
“A gente deu sorte porque filmes para durarem precisam ser guardados em baixa umidade e temperatura, sob condições estáveis. E este estava em relativo bom estado, até porque não foi muito exibido e ficou na lata por muito tempo, guardado no mesmo lugar”, explica o professor.
Conteúdo - Contente com a surpresa de encontrar tantos nomes famosos envolvidos na produção, o especialista em cinema avalia que a peça documental seja um cinejornal – formato popular de informativos que eram exibidos em cinemas antes das atrações principais, numa época em que a televisão ainda não era parte da rotina das famílias.
“Esse é um típico filme feito nesse contexto, onde cada audiovisual estrangeiro precisava ser exibido com um complemento nacional junto. Mas como historicamente os exibidores dos filmes não remuneravam os produtores pela criação destes curtas, era preciso que os produtores procurassem outras formas de financiar esses informativos”, explica Freire. “Geralmente este financiamento vinha em forma de propaganda ‘disfarçada’, tanto para empresas privadas como órgãos públicos etc. Era muito comum na época cinejornais como este trazerem esse tom mais institucional.”
A aposta do professor é que o filme foi gravado originalmente em 35 milímetros e a cópia de 16 milímetros, considerada para fins amadores, entregue para a família Strauch como forma de agradecimento pela participação.
Agora que as imagens foram digitalizadas, o LUPA ficou responsável pela preservação do rolo original, podendo exibir o conteúdo em sessões online. Com autorização da família Strauch e do LUPA, o filme completo “O Brasil nas Nações Unidas” também pode ser visto nos canais digitais da ONU.
1 of 5
Notícias
29 abril 2022
OIT anuncia apoio ao setor têxtil de São Paulo
A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), vai fortalecer as pequenas e médias empresas (PMEs) da cadeia têxtil e de confecções da Região Metropolitana de São Paulo, implementando pela primeira vez no Brasil a metodologia Sustentando Empresas Competitivas e Responsáveis (SCORE, na sigla em inglês).
A metodologia SCORE é uma iniciativa global da OIT que reúne experiências de sucesso em mais de 20 países na África, Ásia e América Latina, e tem como objetivo aumentar a produtividade e melhorar as condições de trabalho nas PMEs. Por meio de treinamentos práticos e consultorias in-factory, a metodologia estimula a adoção de ferramentas de cooperação no local de trabalho e o trabalho decente. Organizada em módulos e explorando temas como gestão da força de trabalho, produção limpa, controle de qualidade, saúde e segurança no trabalho e promoção da igualdade de gênero, a metodologia sempre foca no papel da cooperação entre trabalhadores e empregadores para a obtenção de ganhos compartilhados de produtividade de competitividade.
No Brasil, a SCORE conta com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT). Os recursos do projeto são utilizados para apoiar a adaptação da metodologia para o contexto brasileiro, capacitar treinadores, apoiar a realização de treinamentos piloto e desenvolver iniciativas de conscientização de atores do setor sobre os benefícios de práticas empresariais responsáveis.
Setor - Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2020, o setor têxtil e de confecções é um dos mais importantes empregadores da indústria de transformação brasileira, com mais de 730 mil trabalhadores formais, dos quais 56,7% são empregados em PMEs. Apesar de sua importância para a produção industrial e para a geração de empregos no Brasil, persistem obstáculos para a melhoria das condições de trabalho e da produtividade na cadeia têxtil.
Para Martin Hahn, diretor do Escritório da OIT no Brasil, “as PMEs do setor enfrentam desafios relevantes para a agenda do Trabalho Decente, como qualificação de trabalhadores, práticas de subcontratação e informalidade, saúde e segurança, além da integração de grupos vulneráveis, sobretudo imigrantes. Muitos desses temas têm sido abordados por iniciativas da OIT no Brasil em parceria com organizações do setor. Esse novo projeto se beneficiará das experiências bem-sucedidas que tivemos anteriormente com Abit e Abvtex.”
A participação da Abit e da Abvtex, como membros do Comitê Executivo do Projeto SCORE, contribui para aproximar a metodologia dos desafios específicos do setor têxtil e de confecções no Brasil e para mobilizar atores estratégicos para o sucesso da iniciativa.
Edmundo Lima, diretor executivo da Abvtex, observa que esta é mais uma iniciativa colaborativa entre a OIT e entidades que trará resultados positivos para o setor de moda. “A Abvtex tem como um dos seus principais pilares de atuação o desenvolvimento da cadeia de valor para a construção de uma moda socioambientalmente sustentável. Diante de uma cadeia produtiva complexa e pulverizada instalada no País, o uso de metodologias que promovam melhorias de produtividade e competitividade ajudarão a criar um novo ambiente a ser replicado para outras empresas e a participação da Abvtex no SCORE ajuda a consolidar o propósito da entidade.”
Por sua vez, Fernando Pimentel, presidente da Abit, considera que: “Se manter competitivo, aumentar a produtividade e reter trabalhadores não é tarefa fácil, principalmente para pequenas empresas da indústria têxtil e de confecção. E são essas, que representam a maioria, que movem a cadeia da moda no Brasil. Com essa união de esforços entre a indústria, o varejo e a OIT, temos a expectativa de aprimorar a oferta de capacitações para o setor e alcançar bons resultados em produtividade de forma perene, a partir da melhoria das relações de trabalho nas fábricas”.
Implementação - O projeto adota uma abordagem gradual, que se inicia com a implementação de treinamentos piloto nas PMEs selecionadas da cadeia têxtil e de confecção da Região Metropolitana de São Paulo. A definição do setor e da região de início do projeto se deve à origem dos recursos, ao potencial do cluster têxtil e de confecções de São Paulo e à infraestrutura de treinamento local para uma primeira utilização da metodologia SCORE.
As atividades serão desenvolvidas até, pelo menos, novembro de 2024 e poderão ser ampliadas para outros setores e regiões do país, a depender da disponibilidade de recursos. A longo prazo, o projeto tem como objetivo a incorporação sustentável da metodologia SCORE por parceiros nacionais.
1 of 5
Notícias
29 abril 2022
#AgendaCidadeUNICEF é lançada em Recife
O UNICEF e a prefeitura de Recife lançaram, na última quarta-feira (27/4), a iniciativa #AgendaCidadeUNICEF – Recife para cada criança e adolescente. O objetivo é fortalecer as políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes do bairro do Ibura, definido como território prioritário para a parceria a partir de análise de indicadores sociais.
O acordo de cooperação foi assinado pelo prefeito do Recife, João Campos, e pela representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer, na presença de adolescentes do bairro. A parceria prevê realizar ações integradas nas áreas de educação, saúde e bem-estar, proteção contra violência e inclusão socioprodutiva até 2024.
“A gente espera poder socializar mais, ter mais coragem e pé firme para sair na rua e poder ser quem a gente é. Ainda melhorar o Ibura, promover o respeito e a harmonia”, disse Dayann Silva, de 14 anos. A jovem Thayna Nascimento, de 15 anos, defendeu a importância da participação de adolescentes: “Nós temos nossos direitos. Soltando nossa voz, as pessoas vão entender o que a gente passa e o que a gente quer que mude”.
O prefeito João Campos destacou a importância da cooperação do UNICEF e do trabalho transversal e integrado para a conquista dos resultados. “Diante da realidade que existe hoje, por mais dura que seja, não podemos perder a capacidade de querer olhar para frente, sonhar com um futuro melhor e transformar a cada dia. Ter o UNICEF acreditando no nosso território traz uma chance de acerto muito maior”.
Ação focada - O Ibura é um dos bairros mais populosos de Recife, com aproximadamente 50 mil habitantes. Dados de 2019, reportados pela prefeitura e analisados pelo UNICEF no contexto da iniciativa anterior de cooperação com centros urbanos, demonstraram que a região apresenta as maiores taxas de homicídios da capital, alcançando entre 30 e 35 por 100.000 adolescentes entre 10 e 19 anos.
Os projetos e programas que já ocorrem em parceria entre UNICEF e prefeitura passarão a fazer parte da #AgendaCidadeUNICEF e serão intensificados no bairro. São os casos da Busca Ativa Escolar de crianças e adolescentes que estão fora da escola; da implementação das Unidades Amigas da Primeira Infância (UAPI), que vão aprimorar o atendimento a crianças pequenas; e das atividades de formação e apoio à saúde mental de adolescentes.
“A gente quer o bairro do Ibura como aqueles que a gente sonha: quando a gente for pra rua, não sentir medo e não ter preconceito com ninguém, pra não termos vergonha de dizer de onde somos. Que a gente possa andar de cabeça erguida”, destacou Joelma da Silva, de 14 anos, aluna da Escola Municipal Florestan Fernandes, que já participa de um projeto do UNICEF como parte da cooperação com a Prefeitura.
Agenda em capitais - Com a parceria, o UNICEF disponibilizará apoio técnico, compartilhamento de metodologias, monitoramento e intercâmbio com outras iniciativas locais e globais, como parte da estratégia de cooperação com governos municipais voltada aos centros urbanos. Além de Recife, farão parte dessa rede Belém, Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.
“Esse conjunto de ações busca prevenir também a violência, a discriminação e ter ainda um impacto na própria redução dos homicídios contra adolescentes. Por isso, estamos escolhendo bairros vulneráveis. Uma vez que conquistarmos resultados de impacto, essas iniciativas conjuntas e estratégias vão poder ser replicadas para outros bairros da cidade”, destacou a representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer.
1 of 5
Notícias
29 abril 2022
ONU Mulheres reforça importância de orçamento para políticas públicas destinadas às mulheres
Desde que foram criadas na Austrália, na década de 1980, as iniciativas de Orçamento Sensível ao Gênero (OSG) buscam ajustar os orçamentos públicos dos países para a promoção da igualdade entre mulheres e homens.
Cientes da importância do tema e da mobilização de toda a sociedade para a construção de políticas públicas mais inclusivas, a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, a Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal, liderança da bancada feminina do Senado, Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor) e a ONU Mulheres promoveram nesta quarta-feira, 27 de abril, o Seminário Internacional Orçamento Mulher: Expandindo os Horizontes. A atividade contou com a presença de membros do Senado, da Câmara, da sociedade civil e de organismos internacionais para debater o tema.
Na abertura do evento, a deputada federal Tereza Nelma (PSD), procuradora da mulher na Câmara dos Deputados, ressaltou a falta de participação das mulheres e de um orçamento destinado às suas demandas nas políticas públicas. “Em sociedades patriarcais, a falta de acesso das mulheres ao poder público e político, econômico e social é continuamente um obstáculo para o desenvolvimento pleno de sua capacidade e autonomia. Historicamente, os homens são quem sempre estiveram à frente das principais decisões, de forma que as necessidades femininas principais nunca foram contempladas sob diversos âmbitos. O mesmo contexto é recorrente nos processos de planejamento do orçamento de políticas públicas”, destacou.
“Entender as raízes de desigualdade e o processo orçamentário pode ter uma capacidade considerável para enquadrar a elaboração de políticas em todo o governo. Os países estão buscando as ferramentas e técnicas de elaboração de orçamentos com enfoque de gênero para ajudar a atingir as metas nacionais de gênero”, ressaltou a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya.
“Respondendo à demanda dos países para introduzir ou institucionalizar o orçamento mulher, a ONU Mulheres contribui amplamente para a construção do interesse, capacidade e compromisso de incorporar uma perspectiva de igualdade de gênero nos processos e práticas orçamentárias”, completou.
Durante todo o evento, foram promovidos debates para sensibilizar sobre a importância de políticas públicas para as mulheres, com orçamento destinado a elas. Também foram debatidos indicadores para medir os resultados e a execução desses orçamentos, o mapeamento de legislações e ferramentas ligadas ao tema, assim como a identificação de lacunas e oportunidades de capacitação voltadas para processos orçamentários.
Sobre o Orçamento Mulher
Desde que foi criado, na década de 1980, o Orçamento Sensível ao Gênero foi implementado em apenas 70 países. No Brasil, uma das primeiras iniciativas no âmbito do Orçamento Geral da União foi o projeto Orçamento Mulher: Controle Social e Equidade de Gênero, formulado pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) e implementado entre 2002 e 2015.
Neste ano, uma inserção feita na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 (Lei 14.116/20) determinou que o Poder Executivo Federal divulgasse, até 31 de janeiro de 2022, relatório de execução orçamentária do Orçamento Mulher referente ao exercício do ano passado e dispôs que seriam adotadas providências para elaborar metodologia de acompanhamento dos programas e ações destinados às mulheres, para apuração e divulgação do Orçamento Mulher. A Na LDO 2022, articulação da bancada feminina derrubou veto que tratava do Orçamento Mulher.
Em abril, o Poder Executivo enviou o Projeto de Lei do Congresso Nacional 5/22, que já traz a previsão do Orçamento Mulher, alterando a data de entrega do relatório do 31 de janeiro para até 31 de março.
Confira à integra do seminário:
Confira à integra do seminário:
1 of 5
Notícias
29 abril 2022
Na Ucrânia, Guterres reforça meta de ajuda a 8,7 milhões de pessoas
Na última quinta-feira (28), o secretário-geral das Nações Unidas visitou a capital da Ucrânia, Kyiv, onde conversou com o presidente Volodymyr Zelensky. Em uma coletiva de imprensa após o encontro, o secretário disse que “o Conselho de Segurança falhou em fazer todo o possível para evitar e acabar com esta guerra” e afirmou que isso é motivo para “um grande desapontamento, frustração e raiva”.
No entanto, o mandatário da ONU também ressaltou o trabalho que 1,4 mil funcionários das Nações Unidas no país, a maioria ucranianos, estão desempenhando para atender as 3,4 milhões de pessoas que receberam ajuda humanitária nos últimos meses. Guterres ainda afirmou que a meta é mais que dobrar este total de atendimento até o fim de agosto, atingindo 8,7 milhões de pessoas. Outro foco das operações é a assistência em dinheiro, com a distribuição de cerca de US$ 100 milhões por mês, com o objetivo de alcançar 1,3 milhão de pessoas até o final de maio e cobrir dois milhões até agosto.
“Estou aqui para focar em maneiras de como a ONU pode expandir o apoio ao povo da Ucrânia, salvando vidas, reduzindo o sofrimento e ajudando a encontrar o caminho da paz ”, disse Guterres aos repórteres. “Também sei que palavras de solidariedade não são suficientes. Estou aqui para focar nas necessidades e aumentar as operações em terreno”, acrescentou.
Mariupol - Guterres lembrou que em seu encontro com o presidente Vladimir Putin em Moscou, na terça-feira (26), houve um acordo “em princípio” para envolver a ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para ajudar na evacuação de civis da cidade portuária de Mariupol. “Hoje, o presidente Zelensky e eu tivemos a oportunidade de abordar essa questão”, disse ele, acrescentando que ao mesmo tempo em que se dava a coletiva de imprensa, aconteciam “discussões intensas” para avançar nessa proposta e torná-la realidade.
“Mariupol é uma crise dentro de uma crise. Milhares de civis precisam de assistência para salvar vidas. Muitos são idosos, precisam de cuidados médicos ou têm mobilidade limitada. Eles precisam de uma rota de fuga para fora do apocalipse”, afirmou.
Chocado - Além da capital, Guterres visitou as cidades bombardeadas de Borodyanka, Bucha e Irpin e disse ter ficado chocado com as imagens de horror. Em Bucha, o líder da ONU visitou um local no qual havia uma vala comum onde centenas de pessoas foram enterradas por familiares e vizinhos.
Em Irpin, o chefe da ONU visitou um complexo residencial destruído e afirmou que o “cenário horrível demonstra algo que infelizmente é sempre verdade: os civis sempre pagam o preço mais alto”. De acordo com o Centro de Satélites das Nações Unidas, 71% de Irpin foi destruída.
Após a visita ele voltou a afirmar que é de extrema importância abrir investigações sobre a ofensiva à Ucrânia, reforçando seu apoio ao trabalho do Tribunal Penal Internacional (TPI) e fez um apelo para que a Rússia coopere com as investigações.
Desde 2 de março, após o encaminhamento de um pedido de 43 Estados-membros, o promotor do TPI, Karim Khan conduz uma investigação sobre possíveis crimes de guerra e contra a humanidade neste caso.
1 of 5
Notícias
29 abril 2022
Em 5 anos, OIM regularizou situação de 240 mil migrantes venezuelanos
Chegar a um país desconhecido simboliza para muitos a busca por melhores condições de vida e oportunidades de emprego. Há vários anos, esse recomeço é um processo diário para centenas de venezuelanos na fronteira de Roraima, no norte do Brasil, porta de entrada para refugiados e migrantes da nação vizinha.
O primeiro passo para isso é a regularização migratória. A Agência da ONU para as Migrações (OIM), atua em apoio à Operação Acolhida, resposta humanitária do governo federal ao fluxo venezuelano, oferecendo assistência técnica relacionada as políticas e legislações de migração, procedimentos operacionais, campanhas de informação com migrantes e comunidade de acolhida e o serviço de pré-atendimento para os migrantes que desejam obter a autorização de residência temporária– documento que permite a permanência no país por até 2 anos.
Com atendimentos nas cidades de Boa Vista e Pacaraima em Roraima, e na capital do Amazonas, a OIM já prestou serviço a quase 240 mil pessoas da Venezuela desde 2017. Além dos atendimentos diários, uma mobilização liderada pela Polícia Federal (PF) durante os meses de dezembro de 2021 e janeiro deste ano, possibilitou o atendimento de 500 pessoas a mais em Boa Vista e Pacaraima por meio de atendimentos noturnos e aos sábados, dando celeridade aos atendimentos, diminuição no tempo de espera e maior fluidez das pessoas que precisariam se deslocar para outras partes do Brasil.
“A regularização migratória é uma política de Estado importante e representa o primeiro ponto da garantia de direitos e do processo de acesso a esses direitos fundamentais e serviços essenciais. Quando a pessoa está em trânsito, ela chega em um país onde pode não dominar o idioma, a legislação e os costumes locais, e acaba mais exposta a certas vulnerabilidades”, explica a coordenadora de documentação da OIM, Tehany Barros.
“Quando ela recebe informações claras sobre onde está e quais os procedimentos para se documentar, ela ganha proteção e se sente mais segura, independente e informada no país, ferramentas importantes na luta contra a discriminação, xenofobia e desinformação”, complementa a coordenadora.
Passo a passo - Logo na chegada, após o controle sanitário e aplicação de vacinas pela Operação Acolhida com apoio da equipe técnica da OIM e cadastro no sistema de tráfego internacional da PF, os venezuelanos participam de sessões informativas sobre as características da autorização de residência e do refúgio. Aqueles que desejam seguir com a autorização de residência temporária, recebem apoio da OIM para revisão documental, preenchimento dos formulários necessários e o encaminhamento para o atendimento pela PF, órgão responsável pela regularização dos migrantes.
Ainda em parceria com a PF, e com o intuito de responder às necessidades de ampliação de espaço para atendimento em Pacaraima, a OIM doou duas casas habitacionais de emergência, estruturas móveis que serviram de posto de atendimento para a emissão do cartão de entrada no Brasil, documento fornecido ao cruzar a fronteira para que os venezuelanos possam acessar o Brasil e seguir com a regularização migratória. Já em Manaus, houve apoio na melhoria da infraestrutura do Posto de Interiorização e Triagem (PITRIG), com a colocação de piso e banheiros químicos.
Documentação completa – A OIM auxilia na emissão da carteira de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), necessária para acessar serviços no país em diversas áreas como saúde, educação e assistência social, por exemplo. No pico da pandemia do novo coronavírus, entre maio e dezembro de 2020, a OIM atuou em conjunto com a Receita Federal nessa tarefa em Boa Vista e Pacaraima, facilitando a coleta e o preenchimento de dados para realizar o pedido.
O suporte continua com o fornecimento de informações sobre onde realizar a emissão do documento. Além disso, também são fornecidas orientações sobre direitos civis e de prevenção à exploração laboral e ao tráfico de pessoas, assim como sobre os procedimentos de guarda, inscrição escolar e viagens para crianças e adolescentes desacompanhadas, que podem ser encaminhados para as equipes de proteção.
A média é de 250 atendimentos diários com orientações gerais em Boa Vista e Pacaraima. As pessoas recebem informações sobre como registrar criança recém-nascida, onde buscar apoio em casos de proteção e outros procedimentos administrativos. Com documentação em mãos, os venezuelanos conseguem acessar serviços de assistência social e educação, entre outros. Também podem dar sequência à emissão de documentos importantes como a carteira de trabalho e o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).
Dignidade- “Quando os venezuelanos dão início ao processo de documentação no Brasil, eles se sentem novamente visíveis aos olhos da administração pública e isso os fortalece e traz confiança no movimento de retomada de identidade, dignidade e cidadania daqueles mais vulneráveis. A regularização é fundamental também para ajudar a solucionar problemas como dificuldade de inserção no mercado de trabalho formal e inclusão social”, destaca Barros.
A venezuelana Rosana, residente há três anos no Brasil, considera que ter obtido a documentação representou novas oportunidades para ela. “Com meus documentos posso solucionar problemas e ter um futuro para mim e meus filhos. Tenho maior facilidade de conseguir trabalho, medicamentos e educação”, disse ao se encaminhar ao PITRIG de Boa Vista para solicitar a residência por tempo indeterminado, que já está apta a obter.
Migração venezuelana - Segundo dados do Subcomitê Federal para Recepção, Identificação e Triagem dos Imigrantes, mais de 717 mil venezuelanos entraram em território brasileiro entre 2017 e março de 2022, com mais de 330 mil pessoas tendo permanecido no país. Em março de 2022, cerca de 200 mil registros de residência temporária ou por tempo indeterminado dessa população estavam ativos.
As atividades da OIM em apoio à regularização migratória contam com o financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.
1 of 5
Últimos recursos
1 / 11
Recursos
09 julho 2020
1 / 11









