Últimas
Vídeos
28 abril 2026
Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho
Saiba mais
Notícias
28 abril 2026
ONU Direitos Humanos abre inscrições para programa de bolsas de estudo para pessoas afrodescendentes
Saiba mais
Notícias
28 abril 2026
ONU convoca agentes de mudança para o Prêmio de Ação dos ODS 2026
Saiba mais
Últimas
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Notícias
14 abril 2026
Projeto em Rondônia fortalece bioeconomia com foco em mulheres empreendedoras e agricultura familiar
O estado de Rondônia passou a contar com um novo projeto voltado ao fortalecimento da bioeconomia em áreas amazônicas, com foco em mulheres empreendedoras e agricultores familiares. Anunciada em Porto Velho (RO) nesta segunda-feira (13/04), a iniciativa atuará nas cadeias produtivas do café e do cacau, promovendo capacitação técnica, sustentabilidade ambiental, agregação de valor e fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres empreendedoras.Intitulado Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia, o novo projeto ampliará a participação e a liderança de mulheres nas cadeias de valor beneficiadas, com adoção de práticas mais resilientes e alinhadas aos princípios da bioeconomia. A proposta combina desenvolvimento produtivo e promoção de oportunidades econômicas mais inclusivas e sustentáveis, beneficiando, entre intervenções diretas e indiretas, cerca de 600 mulheres e agricultores familiares das cadeias de café e cacau em seis municípios de Rondônia: Alta FlorestaCacoalNovo Horizonte d’OesteJaruAriquemesOuro Preto do OesteO anúncio oficial foi realizado no Palácio Rio Madeira, com a presença de representantes das Nações Unidas, do Governo do Estado de Rondônia, dos Governos do Brasil e do Canadá, de cooperativas locais e da sociedade civil. O projeto é liderado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com assistência técnica da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da ONU Mulheres, coordenado pelo Governo de Rondônia e financiado pelo Canadá, no âmbito do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.Durante a cerimônia, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou o papel da parceria para o desenvolvimento do estado. “Ao reunir diferentes instituições em torno desse objetivo, damos um passo importante para construir soluções mais duradouras e conectadas à realidade do nosso estado”, afirmou.A coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, ressaltou os resultados previstos para as comunidades envolvidas: “Temos aqui uma oportunidade concreta de gerar impacto positivo na vida de centenas de pessoas, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e contribuir para um modelo de desenvolvimento que possa ser adaptado e replicado em outras partes da Amazônia”.Entre as ações previstas para o projeto, estão o fortalecimento da governança territorial, capacitações técnicas (incluindo prevenção sobre violência sexual e abuso), apoio à adoção de práticas produtivas agroflorestais, estímulo à agregação de valor aos produtos derivados da cadeia produtiva e criação de Unidades de Referência Tecnológica.Durante o evento, a atuação sobre as cadeias do café e do cacau foi reforçada como estratégica para o fortalecimento das economias locais. Para o Representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, esse esforço trará benefícios concretos às comunidades locais: “Fortalecer as cadeias do café e do cacau significa investir em sistemas agroalimentares com benefícios concretos para as famílias produtoras e para o território”.Já a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, chamou atenção para a centralidade da autonomia econômica das mulheres no desenho da iniciativa. “A bioeconomia só será sustentável se for inclusiva. E só será inclusiva se enfrentar, de forma direta, as desigualdades de gênero. Garantir a participação plena das mulheres é uma questão de direitos e, principalmente, uma condição para a inovação, para a eficiência econômica e para a sustentabilidade ambiental”, ressaltou.No mesmo dia, no período da tarde, a equipe do projeto organizou uma mesa redonda incluindo representantes das instituições envolvidas e de organizações da sociedade civil ligadas às cadeias de valor locais do café e do cacau.No campo do desenvolvimento produtivo, o representante da UNIDO no Brasil, Clovis Zapata, enfatiza o potencial transformador da bioeconomia quando articulada a políticas públicas e inovação. “A bioeconomia pode gerar mais valor, renda e oportunidades quando articulada a políticas públicas, inovação e fortalecimento produtivo”, destaca.O projeto tem duração prevista até dezembro de 2027, no escopo do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O fundo é uma parceria entre o sistema das Nações Unidas no Brasil, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Brasileiro, criada para acelerar o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e visite a página do Fundo Brasil-ONU! Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.brRaphael Makarenko, Assessor de Comunicação, UNIDO Brasil: r.makarenko@unido.org
1 of 5
Notícias
09 abril 2026
Novo projeto para escolas facilita construção e manutenção em comunidades indígenas e quilombolas
Salas para até 40 estudantes, espaço para secretaria, diretoria, um sistema que permita a instalação de ar condicionado. Características que podem ser comuns na infraestrutura escolar em zonas urbanas não funcionam ao se considerar a realidade de comunidades indígenas e quilombolas. Nesses locais, as turmas são menores, não há necessidade de grandes espaços administrativos e os desafios construtivos e logísticos (associados à localização das comunidades) são grandes.Por conta disso, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) está desenvolvendo um novo projeto para construção de escolas indígenas e quilombolas, como parte da parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O novo projeto referencial prevê que as unidades sejam modulares (o que permite a ampliação e adaptação de maneira mais simples), e tenham 3 tipologias-base (2, 4 e 6 salas), cada uma delas com 3 possibilidades de sistemas construtivos: em madeira, concreto ou estrutura metálica. “A proposta é criar uma biblioteca de projetos, que possa ser usada considerando o contexto das diversas comunidades tradicionais. Com isso, cada comunidade pode receber uma tipologia adequada à demanda de alunos e ao contexto cultural, bem como à disponibilidade e ao custo-benefício dos materiais e sistemas construtivos em cada localidade” , explica o especialista Nacional em Gestão de Obras do UNOPS, Diogo Cavallari. “Pretendemos, assim, melhorar o acesso à educação em locais onde o Estado muitas vezes tem dificuldade para chegar, contribuindo para a redução das desigualdades”, completa. A presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, explica a iniciativa: “Estamos estruturando soluções que respeitam a realidade, a cultura e as necessidades específicas de cada comunidade. Esse novo projeto amplia o acesso à educação com qualidade, ao mesmo tempo em que valoriza a diversidade e promove a sustentabilidade.”Os novos projetos estão em avaliação para, em breve, serem incorporados ao portfólio de soluções do FNDE.VantagensCom a estrutura modular, as escolas podem ser ampliadas, permitindo mudanças no uso dos ambientes ao longo do tempo. Além disso, cria condições para a existência de salas de aula menores ou maiores que o padrão, a depender da quantidade de alunos, ou para a criação de alojamentos para a hospedagem de professores vindos de fora das comunidades.Os novos projetos também reúnem diversas soluções que promovem a sustentabilidade e o conforto térmico, como sistema coleta de água da chuva na cobertura, utilização da luz e ventilação naturais e placas fotovoltaicas para captação de energia solar, conectadas a um sistema de baterias nas localidades onde não há ligação com a rede pública.A adaptabilidade aos contextos locais é promovida, ainda, por meio de amplos beirais, que protegem as paredes externas da incidência direta do sol e das chuvas intensas, típicas do clima amazônico. Há também a previsão de aplicação de grafismos escolhidos por cada comunidade nas paredes externas, elevação do piso da escola em relação ao solo para proteção contra alagamentos em áreas próximas a rios e a criação de espaços de transição entre os ambientes internos e externos para práticas pedagógicas não convencionais. “Nosso maior desafio foi produzir uma arquitetura que sintetize, ao mesmo tempo, técnicas construtivas tradicionais e linguagem contemporânea de arquitetura, com a utilização de materiais locais para otimização de eficiência logística e inclusão de elementos visuais tradicionais nestes contextos, expressando a identidade de cada comunidade”, comenta o arquiteto Pablo de las Cuevas, da Archi5, empresa que trabalhou no projeto.A elaboração do novo projeto referencial faz parte do acordo de cooperação técnica do UNOPS com o FNDE - iniciativa que prevê o fortalecimento da gestão da infraestrutura escolar, além da conclusão das obras de 62 escolas indígenas e quilombolas localizadas em áreas distantes dos centros urbanos. O objetivo é ampliar o acesso de comunidades tradicionais à educação, com respeito às diversidades culturais.Cuidado com o meio ambienteUm dos principais cuidados tomados pela equipe na elaboração dos projetos referenciais foi em relação à captação e ao tratamento da água, principalmente porque muitos dos locais onde as escolas serão implantadas não estão interligados à rede pública de esgoto. "Quando vamos para áreas de maior vulnerabilidade ou com acesso dificultado, precisamos pensar em tecnologias e em um layout que favoreça a manutenção por parte da própria comunidade e o cuidado com questões ambientais", detalha o engenheiro do UNOPS Ângelo Thomás Pimentel Ferreira, que coordenou o projeto hidrossanitário. A inovação está em duas frentes principais. Na gestão de efluentes, o projeto referencial anterior previa a instalação de uma fossa a 4 ou 5 metros de profundidade. A nova versão estabelece a utilização de um tanque séptico com filtro integrado, que pode ser instalado a cerca de 2,5 metros de profundidade. Essa redução gera menos impactos ao lençol freático e facilita a manutenção pela comunidade local.Na captação de água, o projeto prevê um estudo de qualidade das fontes hídricas disponíveis (rios, poços e nascentes próximas) a ser realizado na fase executiva, permitindo definir a melhor estratégia de captação e tratamento conforme a realidade local. Essa abordagem garante tanto a saúde e segurança das pessoas quanto a preservação dos recursos hídricos da região.Para saber mais, siga @unops_official nas redes! Contato para a imprensa:Carolina Vicentin, Oficial de Comunicação, UNOPS: carolinav@unops.org
1 of 5
Notícias
23 abril 2026
ODS 18: Ministério da Igualdade Racial e ONU Brasil lançam Glossário de Termos
O Ministério da Igualdade Racial, em parceria com a ONU Brasil, lançou nesta terça-feira (22/04), em Brasília, o Glossário de Termos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 (ODS 18), ferramenta estratégica para apoiar a implementação, o monitoramento e a internacionalização da agenda de igualdade étnico-racial no país.Proposto pelo Brasil durante a 78ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2023, o ODS 18 coloca explicitamente o enfrentamento ao racismo e à discriminação étnico-racial no centro do desenvolvimento sustentável. A iniciativa responde a uma lacuna histórica dos ODS e busca enfrentar desigualdades que afetam, sobretudo, populações negras e indígenas.O Glossário do ODS 18 foi produzido para servir como um instrumento técnico e político que conecta a experiência brasileira aos debates globais sobre raça e etnia. O material reúne definições alinhadas a marcos internacionais de direitos humanos, contribuindo para qualificar o debate público.A publicação foi desenvolvida pelo Grupo Temático de Gênero, Raça e Etnia (GT-GRE) da ONU Brasil – co-liderado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e pela ONU Mulheres –, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial e o Observatório do ODS 18.A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou o caráter pioneiro e estratégico da iniciativa, como um recurso de qualificação do debate sobre o racismo a partir das políticas públicas executadas pelo Governo do Brasil dentro e fora do país e das discussões e acordos globais em torno do tema. “O Glossário do ODS 18 é mais um compromisso institucional com a qualificação e o aprofundamento dos termos e conceitos envolvendo a agenda da igualdade racial a nível global. É um ambiente direcionado para o progresso e avanços dos discursos e materialidade dos direitos das populações afrodescendentes, tradicionais e indígenas, bem como de fortalecimento transversal dessas relações étnico-raciais. Dessa forma, promovemos e valorizamos tecnologias, saberes e literaturas acadêmicas e culturais produzidas pelo povo negro”, destaca. De acordo com a representante do UNFPA no Brasil, Florbela Fernandes, “este glossário é mais do que um documento técnico – é uma ferramenta de incidência que fortalece a capacidade do país de implementar o ODS 18 com base em conceitos sólidos e alinhados internacionalmente, reforçando o compromisso de não deixar ninguém para trás”.Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, o lançamento marca um avanço importante na consolidação da agenda: “O racismo e a discriminação racial estão entre os principais obstáculos a um desenvolvimento sustentável que seja, de fato, inclusivo e justo no Brasil, na América Latina e em diversas outras regiões do mundo. É justamente por isso que um ODS voltado especificamente à igualdade étnico-racial é tão necessário e tão relevante", afirmou.O lançamento da publicação ocorre em um momento estratégico, marcado pela Segunda Década Internacional de Afrodescendentes (2025-2034), pelo Abril Indígena e pela preparação para a 1ª Conferência Nacional dos ODS, a ser realizada em junho. O Glossário, que terá tradução para inglês, reforça o protagonismo brasileiro na promoção da igualdade étnico-racial no âmbito da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.Acesse o Glossário aqui. ContextoNo Brasil, as pessoas negras representam quase 56% da população, mas seguem expostas a desigualdades estruturais em praticamente todos os indicadores sociais. Quase 70% dos jovens que não estudam nem trabalham são negros, e o risco de homicídio para eles é quase três vezes maior. As desigualdades também se refletem na insegurança alimentar, na saúde materna e na gravidez na adolescência.A expectativa é que o Glossário contribua para fortalecer capacidades institucionais, ampliar o diálogo entre os diferentes atores envolvidos e apoiar a implementação efetiva do ODS 18 em todo o país, consolidando o Brasil como referência internacional na promoção da igualdade étnico-racial.A elaboração do documento contou com a colaboração de diversas agências do Sistema ONU no Brasil, além de especialistas do Ministério da Igualdade Racial e do Observatório do ODS 18, refletindo um esforço coletivo que envolve governo, academia e sociedade civil. Essa articulação é essencial para transformar dados em políticas públicas e compromissos em mudanças concretas.Assista à gravação do evento de lançamento do Glossário do ODS 18, realizado em 22 de abril de 2026 Para mais informações, siga @unfpabrasil, @onumulheresbr e @onubrasil nas redes! Contatos para a imprensa: Luiza Olmedo, Oficial de Comunicação & Advocacy, UNFPA: luolmedo@unfpa.org Pedro Nogueira, Oficial de Comunicação, ONU Mulheres Brasil: pedro.nogueira@unwomen.org Luís Felipe Sardenberg, Oficial de Comunicação, OPAS/OMS: cunhaslui@paho.org
1 of 5
Notícias
01 abril 2026
Fundo Brasil-ONU para Amazônia apresenta resultados e lança novos projetos com apoio do Canadá
O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia realizou nesta terça-feira (31/03), na sede da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília (DF), a quarta reunião de seu Comitê Diretor, apresentando resultados de três programas em andamento e anunciando dois novos projetos para áreas amazônicas.Participaram da reunião representantes da ONU Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), da Embaixada do Canadá, dos governos do Maranhão e de Rondônia, do Consórcio da Amazônia Legal e de diferentes agências, fundos e programas das Nações Unidas, além de instituições parceiras.
Durante a reunião, a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, destacou a importância da atuação conjunta de múltiplos parceiros: “O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia demonstra que, quando trabalhamos juntos, com visão compartilhada e compromisso genuíno, é possível transformar desafios complexos em oportunidades para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.”Novos projetosA reunião marcou o anúncio de dois novos programas apoiados pelo Fundo.O projeto “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia” tem o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas do café e do cacau no estado com foco em inclusão, sustentabilidade e igualdade de gênero. Liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e ONU Mulheres como agências implementadoras, a iniciativa será executada até dezembro de 2027, em parceria com o governo de Rondônia.O projeto combina ações de governança focadas em igualdade de gênero, capacitação técnica, produção sustentável e agregação de valor. Entre as atividades previstas estão o mapeamento de capacidades institucionais, treinamentos em governança e produção sustentável, criação de Unidades de Referência Tecnológica para cacau e café, fortalecimento de processos produtivos locais e apoio à formulação de políticas públicas inclusivas.O segundo programa aprovado, “Promoção de Informação, políticas e educação no enfrentamento do crime ambiental na Amazônia Legal (INPOED)”, será implementado nos estados de Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A proposta articula informação e fortalecimento institucional para apoiar respostas mais integradas ao crime ambiental em áreas amazônicas dos estados envolvidos.O projeto tem como objetivo enfrentar atividades ilegais e processos de degradação ambiental, com foco no combate ao desmatamento, às queimadas criminosas e à mineração ilegal. Ao mesmo tempo, busca responder à vulnerabilidade socioeconômica das populações afetadas, marcada por baixos índices de desenvolvimento e alta exposição à violência. A iniciativa também pretende superar lacunas na produção e integração de dados, promovendo maior interoperabilidade para apoiar decisões baseadas em evidências. Projetos em andamentoOs três programas em andamento são fruto do primeiro ciclo de doações do Fundo, com apoio do Governo do Canadá. Um deles é o programa “Proteção e promoção integral dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Bacia Amazônica Brasileira”. O programa é implementado por sete agências da ONU: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Internacional para as Migrações (OIM) e OPAS/OMS.A iniciativa atua nos biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado, assim como em Distritos Sanitários Especiais Indígenas, em parceria com os governos dos estados de Amazonas, Pará, Roraima, Acre, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. São executadas mais de 60 atividades em 6 eixos temáticos voltados para populações indígenas, incluindo refugiados e migrantes, com foco em redução da mortalidade materno-infantil e da desnutrição, acesso à saúde reprodutiva, governança territorial e prevenção da violência.O segundo programa apresentado durante a reunião, “Terras para Elas”, é implementado pela FAO em parceria com o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma). O objetivo é combater a desigualdade de gênero no campo e promover a regularização fundiária na Amazônia Legal, com foco em comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu, sertanejas, mulheres trans e grupos LGBTQIAPN+ rurais. O programa atua na regularização de 2.500 títulos de terra em nome de mulheres, capacitação de 5.000 mulheres em práticas sustentáveis e ampliação do acesso ao crédito para 1.250 beneficiárias.O terceiro projeto apresentado, “Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) – Igarapé São Francisco e Lago do Amapá”, é conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Acre (SEMA/AC) em parceria com a UNESCO. Com foco em restauração florestal, segurança hídrica e bioeconomia, o projeto trabalha para recuperar áreas degradadas, aprimorar infraestruturas de saneamento e fomentar práticas econômicas sustentáveis, com promoção da igualdade de gênero, participação de jovens e lideranças comunitárias.Além da apresentação dos projetos, o Comitê Diretor debateu temas operacionais e institucionais do Fundo.Sobre o FundoO Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é uma parceria entre o sistema das Nações Unidas no Brasil, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Brasileiro, criada para acelerar o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Seu foco é promover uma resposta coordenada para a região, com atenção especial aos grupos populacionais mais vulneráveis, apoiando iniciativas que gerem alternativas econômicas, protejam modos de vida e fortaleçam a segurança física, hídrica, energética, climática, sanitária e alimentar das populações amazônicas.O Fundo atua para fortalecer a governança territorial, combater atividades ilícitas, promover o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável, proteger ecossistemas e melhorar a qualidade de vida de populações locais vulneráveis. Os cinco projetos em execução foram viabilizados pela parceria e generosa doação do governo do Canadá.Para saber mais, acesse: https://brasil.un.org/pt-br/253597-fundo-brasil-onu-para-amazônia
Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
Durante a reunião, a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, destacou a importância da atuação conjunta de múltiplos parceiros: “O Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia demonstra que, quando trabalhamos juntos, com visão compartilhada e compromisso genuíno, é possível transformar desafios complexos em oportunidades para um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.”Novos projetosA reunião marcou o anúncio de dois novos programas apoiados pelo Fundo.O projeto “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia” tem o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas do café e do cacau no estado com foco em inclusão, sustentabilidade e igualdade de gênero. Liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), com Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e ONU Mulheres como agências implementadoras, a iniciativa será executada até dezembro de 2027, em parceria com o governo de Rondônia.O projeto combina ações de governança focadas em igualdade de gênero, capacitação técnica, produção sustentável e agregação de valor. Entre as atividades previstas estão o mapeamento de capacidades institucionais, treinamentos em governança e produção sustentável, criação de Unidades de Referência Tecnológica para cacau e café, fortalecimento de processos produtivos locais e apoio à formulação de políticas públicas inclusivas.O segundo programa aprovado, “Promoção de Informação, políticas e educação no enfrentamento do crime ambiental na Amazônia Legal (INPOED)”, será implementado nos estados de Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A proposta articula informação e fortalecimento institucional para apoiar respostas mais integradas ao crime ambiental em áreas amazônicas dos estados envolvidos.O projeto tem como objetivo enfrentar atividades ilegais e processos de degradação ambiental, com foco no combate ao desmatamento, às queimadas criminosas e à mineração ilegal. Ao mesmo tempo, busca responder à vulnerabilidade socioeconômica das populações afetadas, marcada por baixos índices de desenvolvimento e alta exposição à violência. A iniciativa também pretende superar lacunas na produção e integração de dados, promovendo maior interoperabilidade para apoiar decisões baseadas em evidências. Projetos em andamentoOs três programas em andamento são fruto do primeiro ciclo de doações do Fundo, com apoio do Governo do Canadá. Um deles é o programa “Proteção e promoção integral dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Bacia Amazônica Brasileira”. O programa é implementado por sete agências da ONU: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Internacional para as Migrações (OIM) e OPAS/OMS.A iniciativa atua nos biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado, assim como em Distritos Sanitários Especiais Indígenas, em parceria com os governos dos estados de Amazonas, Pará, Roraima, Acre, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. São executadas mais de 60 atividades em 6 eixos temáticos voltados para populações indígenas, incluindo refugiados e migrantes, com foco em redução da mortalidade materno-infantil e da desnutrição, acesso à saúde reprodutiva, governança territorial e prevenção da violência.O segundo programa apresentado durante a reunião, “Terras para Elas”, é implementado pela FAO em parceria com o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma). O objetivo é combater a desigualdade de gênero no campo e promover a regularização fundiária na Amazônia Legal, com foco em comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu, sertanejas, mulheres trans e grupos LGBTQIAPN+ rurais. O programa atua na regularização de 2.500 títulos de terra em nome de mulheres, capacitação de 5.000 mulheres em práticas sustentáveis e ampliação do acesso ao crédito para 1.250 beneficiárias.O terceiro projeto apresentado, “Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) – Igarapé São Francisco e Lago do Amapá”, é conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Acre (SEMA/AC) em parceria com a UNESCO. Com foco em restauração florestal, segurança hídrica e bioeconomia, o projeto trabalha para recuperar áreas degradadas, aprimorar infraestruturas de saneamento e fomentar práticas econômicas sustentáveis, com promoção da igualdade de gênero, participação de jovens e lideranças comunitárias.Além da apresentação dos projetos, o Comitê Diretor debateu temas operacionais e institucionais do Fundo.Sobre o FundoO Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é uma parceria entre o sistema das Nações Unidas no Brasil, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Brasileiro, criada para acelerar o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. Seu foco é promover uma resposta coordenada para a região, com atenção especial aos grupos populacionais mais vulneráveis, apoiando iniciativas que gerem alternativas econômicas, protejam modos de vida e fortaleçam a segurança física, hídrica, energética, climática, sanitária e alimentar das populações amazônicas.O Fundo atua para fortalecer a governança territorial, combater atividades ilícitas, promover o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável, proteger ecossistemas e melhorar a qualidade de vida de populações locais vulneráveis. Os cinco projetos em execução foram viabilizados pela parceria e generosa doação do governo do Canadá.Para saber mais, acesse: https://brasil.un.org/pt-br/253597-fundo-brasil-onu-para-amazônia
Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
1 of 5
Notícias
13 abril 2026
Zico vai à ONU para oficializar adesão do Flamengo ao Futebol pelos ODS
Nesta segunda-feira (13/04), as Nações Unidas receberam em Nova Iorque, o ex-jogador e ídolo do futebol Zico, que participou da oficialização da adesão do Clube de Regatas do Flamengo à iniciativa Futebol pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Futebol pelos ODS/Football for the Goals).Em cerimônia no icônico salão da Assembleia Geral, a subsecretária-geral Melissa Fleming entregou a Zico o certificado que oficializou a entrada do Flamengo na iniciativa Futebol pelos ODS. Na ocasião, Zico foi nomeado o primeiro Campeão Brasileiro do Futebol pelos ODS, passando a integrar um seleto grupo de personalidades do futebol que utilizam suas plataformas para inspirar torcedores e a comunidade futebolística global a promover questões ambientais e de direitos humanos por meio de ações tanto online quanto em suas vidas cotidianas.
“A decisão do Flamengo de aderir ao Futebol pelos ODS ressalta o poder do futebol na América do Sul, especialmente no Brasil, para impulsionar o progresso social e inspirar ações coletivas”, disse a subsecretária-geral das Nações Unidas para Comunicação Global, Melissa Fleming. “Ao trazer um dos clubes mais influentes do mundo para esta iniciativa global, estamos fortalecendo um movimento que conecta a paixão pelo futebol com a necessidade urgente de avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um mundo mais justo, inclusivo e sustentável para todas as pessoas”. Flamengo se junta ao movimento global pelos ODSAo integrar o Futebol pelos ODS, o Clube de Regatas do Flamengo passa a fazer parte de uma rede global de organizações esportivas comprometidas com os princípios do desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos e da responsabilidade social.
Como membro da iniciativa, o clube se compromete a: apoiar a promoção dos ODS junto a seus torcedores, atletas e comunidades; promover práticas sustentáveis em sua gestão e operações; e utilizar sua visibilidade nacional e internacional para ampliar o alcance da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.“O Flamengo entende sua torcida como um ativo central de construção de marca, mas também como uma força capaz de gerar impacto real na sociedade. Estar hoje na ONU, oficializando nossa adesão ao Futebol pelos ODS, é um reconhecimento da dimensão do Flamengo e de sua responsabilidade. O clube já desenvolve iniciativas alinhadas a esses princípios e, a partir de agora, amplia sua atuação ao se conectar a uma agenda global”, afirmou a diretora de Comunicação do Flamengo, Flávia da Justa. A Agenda 2030 e os 17 ODS foram adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em setembro de 2015, como um compromisso histórico e guia para ação para erradicar a pobreza e construir um mundo mais sustentável, justo e pacífico até 2030. Zico: Campeão do Futebol pelos ODSReconhecido mundialmente como um dos maiores jogadores da história do futebol, Zico foi homenageado pelas Nações Unidas como Campeão do Futebol pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O título destaca personalidades que utilizam sua voz, legado e influência para inspirar ações em prol do desenvolvimento sustentável e da transformação social.
A homenagem simboliza a conexão entre esporte, liderança e impacto social, reforçando o papel de ídolos esportivos como referências capazes de mobilizar milhões de pessoas em torno da paz e do desenvolvimento.“Receber esse reconhecimento como ‘Campeão’ do Futebol pelos ODS é uma grande honra. O futebol sempre teve o poder de unir e inspirar as pessoas. Se a gente puder usar essa força para ajudar a construir um mundo mais justo, com mais oportunidades e respeito, já valeu a pena”, destacou Zico. Futebol pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)O Futebol pelos ODS é uma iniciativa das Nações Unidas que oferece uma plataforma para que a comunidade global do futebol — incluindo clubes, federações, atletas, ligas, torcedores e parceiros comerciais — se engaje ativamente na promoção dos ODS.Liderada pelo Departamento de Comunicação Global da ONU, a iniciativa mobiliza o alcance, a visibilidade e o poder cultural do futebol não apenas para ampliar a conscientização sobre os ODS, mas também para impulsionar mudanças de comportamento e a adoção de práticas sustentáveis na indústria do esporte.Desde campos comunitários até grandes estádios internacionais, o futebol é o esporte mais global e acessível do mundo. “As Nações Unidas reconhecem a poderosa voz que o futebol tem na comunidade global e o papel que pode desempenhar na conscientização sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável por meio da popularidade do esporte. Além de ser o esporte mais popular do mundo, o futebol também é o mais acessível”, afirma a vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed.Ao capitalizar a popularidade do futebol e trabalhar em parceria com clubes, atletas e torcedores, o Futebol pelos ODS possibilita que as Nações Unidas alcancem milhares de pessoas em todo o mundo, transformando paixão esportiva em engajamento e ação concreta.Para mais informações, visite a página da campanha Futebol pelos ODS em português: https://brasil.un.org/pt-br/293315-futebol-pelos-ods Contatos para a imprensa: Carlos Islam, Futebol pelo ODS da ONU: islamc@un.orgAna Rosa Reis, Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio): contato@onu.org.brMariucha Moneró, Flamengo: mariucha.monero@flamengo.com.br
“A decisão do Flamengo de aderir ao Futebol pelos ODS ressalta o poder do futebol na América do Sul, especialmente no Brasil, para impulsionar o progresso social e inspirar ações coletivas”, disse a subsecretária-geral das Nações Unidas para Comunicação Global, Melissa Fleming. “Ao trazer um dos clubes mais influentes do mundo para esta iniciativa global, estamos fortalecendo um movimento que conecta a paixão pelo futebol com a necessidade urgente de avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um mundo mais justo, inclusivo e sustentável para todas as pessoas”. Flamengo se junta ao movimento global pelos ODSAo integrar o Futebol pelos ODS, o Clube de Regatas do Flamengo passa a fazer parte de uma rede global de organizações esportivas comprometidas com os princípios do desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos e da responsabilidade social.
Como membro da iniciativa, o clube se compromete a: apoiar a promoção dos ODS junto a seus torcedores, atletas e comunidades; promover práticas sustentáveis em sua gestão e operações; e utilizar sua visibilidade nacional e internacional para ampliar o alcance da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.“O Flamengo entende sua torcida como um ativo central de construção de marca, mas também como uma força capaz de gerar impacto real na sociedade. Estar hoje na ONU, oficializando nossa adesão ao Futebol pelos ODS, é um reconhecimento da dimensão do Flamengo e de sua responsabilidade. O clube já desenvolve iniciativas alinhadas a esses princípios e, a partir de agora, amplia sua atuação ao se conectar a uma agenda global”, afirmou a diretora de Comunicação do Flamengo, Flávia da Justa. A Agenda 2030 e os 17 ODS foram adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em setembro de 2015, como um compromisso histórico e guia para ação para erradicar a pobreza e construir um mundo mais sustentável, justo e pacífico até 2030. Zico: Campeão do Futebol pelos ODSReconhecido mundialmente como um dos maiores jogadores da história do futebol, Zico foi homenageado pelas Nações Unidas como Campeão do Futebol pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O título destaca personalidades que utilizam sua voz, legado e influência para inspirar ações em prol do desenvolvimento sustentável e da transformação social.
A homenagem simboliza a conexão entre esporte, liderança e impacto social, reforçando o papel de ídolos esportivos como referências capazes de mobilizar milhões de pessoas em torno da paz e do desenvolvimento.“Receber esse reconhecimento como ‘Campeão’ do Futebol pelos ODS é uma grande honra. O futebol sempre teve o poder de unir e inspirar as pessoas. Se a gente puder usar essa força para ajudar a construir um mundo mais justo, com mais oportunidades e respeito, já valeu a pena”, destacou Zico. Futebol pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)O Futebol pelos ODS é uma iniciativa das Nações Unidas que oferece uma plataforma para que a comunidade global do futebol — incluindo clubes, federações, atletas, ligas, torcedores e parceiros comerciais — se engaje ativamente na promoção dos ODS.Liderada pelo Departamento de Comunicação Global da ONU, a iniciativa mobiliza o alcance, a visibilidade e o poder cultural do futebol não apenas para ampliar a conscientização sobre os ODS, mas também para impulsionar mudanças de comportamento e a adoção de práticas sustentáveis na indústria do esporte.Desde campos comunitários até grandes estádios internacionais, o futebol é o esporte mais global e acessível do mundo. “As Nações Unidas reconhecem a poderosa voz que o futebol tem na comunidade global e o papel que pode desempenhar na conscientização sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável por meio da popularidade do esporte. Além de ser o esporte mais popular do mundo, o futebol também é o mais acessível”, afirma a vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed.Ao capitalizar a popularidade do futebol e trabalhar em parceria com clubes, atletas e torcedores, o Futebol pelos ODS possibilita que as Nações Unidas alcancem milhares de pessoas em todo o mundo, transformando paixão esportiva em engajamento e ação concreta.Para mais informações, visite a página da campanha Futebol pelos ODS em português: https://brasil.un.org/pt-br/293315-futebol-pelos-ods Contatos para a imprensa: Carlos Islam, Futebol pelo ODS da ONU: islamc@un.orgAna Rosa Reis, Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio): contato@onu.org.brMariucha Moneró, Flamengo: mariucha.monero@flamengo.com.br
1 of 5
História
21 abril 2026
“No que a sociedade joga fora, encontro pedras preciosas todos os dias”
Em um galpão de 1.580 metros quadrados no Jardim Matarazzo, na zona leste de São Paulo, aproximadamente 100 pessoas trabalham diariamente com um grande volume de materiais recicláveis. Garrafas PET, papéis, plásticos em geral, vidros e muitos outros itens chegam ao espaço e passam por diferentes etapas até serem encaminhados à indústria.As equipes se revezam na triagem, separação e prensagem. O ruído das máquinas é constante e acompanha toda a rotina, enquanto fardos de papel, plástico e metal circulam pelo galpão, organizando o fluxo de trabalho. O ambiente é dinâmico e exige atenção, agilidade e coordenação entre os trabalhadores.Ali funciona uma das unidades da Cooperativa Rainha da Reciclagem, e todo o trabalho é acompanhado pela presidente, Elinéia Jesus, mais conhecida como Pastora Néia. Ela percorre o galpão, orienta os cooperados e verifica o andamento das atividades. Em seguida, segue para o escritório, onde estão expostos certificados nacionais e internacionais conquistados ao longo dos 10 anos de atuação.Entre os reconhecimentos, ela destaca um em especial, vindo dos próprios cooperados: o agradecimento pela reinserção social. Cerca de 30 trabalhadores do local viviam em situação de vulnerabilidade ou enfrentavam dependência química e são atendidos em uma casa de reabilitação ligada a cooperativa.Todo esse trabalho tornou-se referência para a Prefeitura de São Paulo e para a atualização do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS) da capital, atualmente em desenvolvimento pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Mas, para compreender melhor a cooperativa, é preciso conhecer a trajetória de sua fundadora, marcada por dor, lutas e superação. Do abandono à liderançaElinéia Jesus nasceu em 1974, na Bahia, no povoado de Mandacaru, próximo a Feira de Santana. Vivia com quatro irmãos, criados apenas pela mãe, Jolina Gomes de Jesus. Devido às dificuldades financeiras, aos 3 anos foi entregue aos cuidados de uma tia. Permaneceu com ela até os 10 anos, quando foi encaminhada para outra família como empregada doméstica. Ficou dois anos nessa condição, quando se casou e foi para a cidade de Cruz das Almas, também na Bahia. Entretanto, sua vida conjugal foi marcada por violência.No casamento, teve o primeiro filho aos 15 anos e o segundo aos 16. Após a segunda gravidez, saiu da relação e voltou à casa da mãe. Em uma difícil situação financeira, tomou a dolorosa decisão de deixar as crianças em Mandacaru e seguir para a cidade de Monte Mor, no estado de São Paulo. Ela confiou na promessa de um homem que lhe ofereceu melhores condições de vida no sudeste do país. Ao chegar, descobriu se tratar, na verdade, de um trabalho escravo de prostituição.“Eu tive a minha juventude toda roubada. Abuso em cima de abuso. Quando consegui colocar um ponto final, o homem que me explorava fez da minha vida um inferno. Eu não tinha para onde ir. Saí de casa com a roupa do corpo.”Aos 18 anos, fugiu e passou a viver em um local de comércio de drogas. Se envolveu com o tráfico e, aos 22 anos, foi presa. No cárcere, conheceu membros da comunidade Congregação Cristã no Brasil e, aos poucos, se converteu à fé cristã. Aos 23 anos, deixou o presídio e conseguiu um emprego de auxiliar de cabeleireira na cidade de Campinas, em São Paulo.Entretanto, ela estava sem contato com seus filhos desde o dia em que se despediu de Mandacaru. Com apoio do salão onde trabalhava, retornou à cidade natal e teve uma triste surpresa: devido às condições financeiras da mãe, as crianças tinham sido entregues aos cuidados de outras famílias. Depois de uma intensa procura, Elinéia conseguiu localizar os filhos, então com 8 e 9 anos, e levou-os para morar com ela em Monte Mor.Aos 33 anos, já em Itaquaquecetuba, também em São Paulo, teve sua terceira filha, prematura de sete meses. Porém, a sequência de tormentos continua: uma enchente atinge sua casa e ela perde tudo o que tem. “Voltei à estaca zero. Chorava todos os dias e perguntava a Deus até quando iria sofrer. Cheguei ao ponto de abraçar meus três filhos e pedir: Deus, nos leve. Eu não aguento mais.” Além disso, sua filha mais nova sofre uma hemorragia, ficando em estado grave. Elinéia se apega ainda mais à sua fé enquanto tem o consolo de ver a recuperação da bebê. A partir do episódio, se torna pastora evangélica e passa a ser conhecida como Pastora Néia.Com isso, ela passou a organizar grupos para distribuir comida a pessoas em situação de rua na região central de São Paulo. Com o passar do tempo, se muda para um imóvel em Itaquera, na zona leste da cidade, no Conjunto Habitacional José Bonifácio, popularmente conhecido como Cohab 2. Ali, acolhe 18 pessoas em situação de vulnerabilidade social.Posteriormente, com o apoio de lideranças comunitárias, ela vai o bairro do Jardim Pantanal, também na zona leste de São Paulo, e cria o projeto social Guerreiros de Deus, voltado ao auxílio de pessoas com dependência química. A renda para manter o projeto vem da venda de itens como balas, água e sacos de lixo; do salário de Elinéia no salão e de doações de moradores e comércios locais. Porém, as dificuldades financeiras permanecem.O ponto de virada aconteceu quando ela recebeu de um hotel itens aparentemente sem valor, como mesas quebradas e geladeiras sem motor. Uma das pessoas atendidas no projeto social tem uma ideia inesperada: instala rodas em uma das geladeiras, passa a recolher materiais descartados pelas ruas e revender em pontos de compra de recicláveis. Apesar da desconfiança inicial, o resultado é surpreendente.“O rapaz conseguiu uma quantia significativa. Eu nunca imaginei que a venda de resíduos pudesse gerar renda. Já no primeiro dia das vendas, conseguimos até comprar carne. Normalmente, só comíamos itens mais baratos.”A experiência motivou Elinéia a formar equipes para a coleta de resíduos no bairro, como papelão e garrafas PET. O grupo chegou a recolher até uma tonelada por dia. O êxito da iniciativa a levou a profissionalizar as atividades, e assim nasceu a associação de catadores Rainha da Reciclagem. Com o crescimento das atividades, o grupo buscou regularização junto à Prefeitura de São Paulo para poder se tornar uma cooperativa, enquanto Elinéia se capacitava por meio de cursos de gestão.As etapas de formalização foram concluídas em março de 2016, e a associação se tornou a Cooperativa Rainha da Reciclagem, que permanece vinculada ao projeto social Guerreiros de Deus, permitindo que pessoas em processo de recuperação de dependência química consigam trabalho e reinserção social.Além dessas conquistas, Elinéia realizou um sonho que mantinha desde a infância: oferecer conforto e dignidade a mãe. Atualmente, Jolina Gomes de Jesus, com 93 anos, sofre de Alzheimer e vive em Feira de Santana, na Bahia, com todos os seus cuidados garantidos pela filha, que a visita regularmente.“Eu sempre sonhei em voltar para a Bahia e dizer à minha mãe que venci. Quando o Alzheimer se manifestou, fui a primeira filha a ser esquecida. Mesmo assim, no fundo do meu coração, tenho certeza de que ela se lembra de mim.” O trabalho da Rainha da ReciclagemA cooperativa Rainha da Reciclagem possui duas unidades, localizadas nos municípios de São Paulo, com 100 cooperados, e de São Vicente, com 54 cooperados. A organização também integra uma rede de 29 unidades habilitadas junto à Prefeitura de São Paulo, por meio do programa SP Coopera, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. A iniciativa municipal busca fortalecer as cooperativas por meio de ações de qualificação, além de suporte técnico, jurídico e financeiro e outras frentes de apoio.A unidade paulistana realiza a triagem e o tratamento dos resíduos recicláveis coletados na região sudeste do município pela Ecourbis, uma das concessionárias responsáveis pelo manejo de resíduos sólidos urbanos da cidade. Mensalmente, são processadas cerca de 350 toneladas de resíduos.Já a unidade de São Vicente mantém um acordo com a prefeitura local para a execução da coleta seletiva em todo o município, processando cerca de 200 toneladas de resíduos mensalmente.“Após anos de trabalho e dedicação, é extremamente satisfatório podermos ter esse impacto ambiental nas cidades em que atuamos. Também somos procurados por grandes empresas e indústrias em busca de soluções para a gestão de seus resíduos”, afirma Elinéia. Referência para políticas públicasAs boas práticas da cooperativa despertaram a atenção da equipe do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), que atua junto à Prefeitura de São Paulo na elaboração da nova versão do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS).O plano irá orientar o planejamento, a implementação e o monitoramento da gestão de resíduos na capital nas próximas duas décadas. Entre os principais eixos estão o fortalecimento das cooperativas de catadores, a ampliação e a qualificação da coleta seletiva, a redução da destinação de resíduos a aterros e a promoção da economia circular.Em março de 2025, a equipe do ONU-Habitat realizou uma visita à cooperativa para conhecer melhor sua gestão e atividades, que serviram de referência para o diagnóstico do PGIRS. A visita contou com representantes do Comitê Intersecretarial da Política Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (CGIRS) da Prefeitura de São Paulo.Entre os destaques observados está a infraestrutura, com esteiras, prensas, balanças e outros equipamentos que contribuem para a triagem e o processamento dos materiais recicláveis. Os recursos permitem a otimização dos fluxos operacionais, o aumento da produtividade e a melhoria das condições de trabalho dos cooperados. Após a triagem, os resíduos são armazenados em espaços específicos e devidamente identificados.“O trabalho social na cooperativa e sua estrutura operacional demonstram como inclusão produtiva e eficiência caminham juntas, promovendo geração de renda, organização dos processos e melhores condições de trabalho”, afirma o coordenador de programas do ONU-Habitat, Luiz Gustavo Vilela, responsável pela frente do PGIRS.Outros pontos fortes da cooperativa são a governança, que conta com um conselho fiscal responsável por acompanhar e fiscalizar a gestão financeira e administrativa, e a preocupação com o futuro dos cooperados, evidenciada pelo incentivo à contribuição para a previdência social.“Ver a Rainha da Reciclagem sendo reconhecida pela Prefeitura de São Paulo, dentro de um plano tão importante como o de resíduos sólidos, é algo que emociona muito”, comenta Elinéia. “Isso mostra que, quando a gente une fé, ação social e cuidado com o meio ambiente, a transformação é real. Deus vai levantar muitos projetos a partir disso, e muitas vidas serão restauradas.”A relevância das cooperativas como agentes ambientais e econômicos em política de resíduos encontra respaldo em dados robustos. De acordo com o Anuário da Reciclagem do Instituto Pragma, que reúne informações de 2.941 organizações de catadores e catadoras em todo o país, em 2023 foram recolhidas 1,77 milhão de toneladas de materiais recicláveis, o que resultou na redução de 876,3 mil toneladas de emissões de CO₂.Do ponto de vista econômico, essas organizações faturaram R$ 1,53 bilhão no mesmo período, o que corresponde a uma média de R$ 553,8 mil de faturamento anual por organização.Para Gustavo Rabello, analista de políticas públicas e gestão governamental da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, envolvido na coordenação do PGIRS, as cooperativas de catadores são peças centrais da política de resíduos sólidos. “Pretendemos contar com um PGIRS que amplie o apoio a essas organizações, qualificando a coleta seletiva, fortalecendo a estrutura das cooperativas e promovendo a economia circular, de forma a tornar a cidade mais sustentável.”Além do plano de resíduos sólidos, o ONU-Habitat também apoia a Prefeitura de São Paulo na elaboração do Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado (PMSAI), instrumento estratégico que orientará as políticas públicas de saneamento no município.O PMSAI abordará, de forma integrada, os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo de águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, com foco na universalização do acesso, na sustentabilidade ambiental e na melhoria da qualidade de vida da população.Inovar sem perder o olhar humanoEm 2026, as ações socioambientais da Rainha da Reciclagem avançaram para um novo patamar. A cooperativa passou a integrar um projeto que oferece recompensas para que a população descarte materiais de forma correta.Trata-se do “Re.Cicle+”, iniciativa liderada pela empresa Walquiria Re.Cicle+. Inaugurado no bairro da Vila Silvia, na zona leste de São Paulo, o espaço recebe as quatro principais categorias de resíduos recicláveis (plástico, vidro, metal e papel), além de eletrônicos e óleo de cozinha, e remunera a população com créditos que podem ser utilizados como preferir, por meio de um cartão do projeto.No “Re.Cicle+”, a cooperativa é responsável pela operação, pela aquisição de materiais de trabalho, pelo cadastro de catadores e moradores e pela logística dos materiais recebidos. Para Elinéia, o projeto desempenha uma importante função de educação ambiental, pois leva a população a compreender sua responsabilidade na cadeia de gestão de resíduos da cidade. “Muitas pessoas consomem e acreditam que, depois do descarte, o resíduo deixa de ser um problema seu. Mas todos têm de entender que ele continua sendo até chegar ao local adequado”, afirma.Seja quando fala sobre projetos para o futuro, revisita a própria trajetória ou reflete sobre sua vida como pastora, líder de projetos sociais e presidente da Cooperativa Rainha da Reciclagem, Elinéia sempre ressalta não apenas o potencial econômico e ambiental da gestão de resíduos sólidos, mas também seu papel social, por ser, para muitas pessoas, a única forma de acesso ao mercado de trabalho e à melhoria das condições de dignidade.Ao falar sobre esse impacto, ela costuma sintetizar sua visão em uma frase que se tornou seu lema: “No que a sociedade joga fora, encontro pedras preciosas todos os dias.”Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes! Contatos para a imprensa: Alex Gomes, ONU-Habitat Brasil: alex.gomes@un.orgAléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.org
1 of 5
História
07 abril 2026
O que nos une: memórias de casa
Partir muitas vezes significa o que levar e o que deixar para trás. Ainda assim, alguns objetos, sejam pequenos, pessoais, frequentemente inesperados, atravessam fronteiras, carregando consigo o peso de um lar. Com o tempo, esses objetos passam a oferecer algo constante: um senso de familiaridade, um vínculo com aquilo que ficou para trás, uma forma de se agarrar a algo enquanto todo o resto muda. Para Juan Iván Espinoza Varela, esse objeto era um rádio. Aos 64 anos, ele deixou a Nicarágua, seguindo rumo ao norte pelo México em busca de um futuro melhor. Meses depois, voltou atrás, atravessando a pé a Ponte Rodolfo Robles, em Tecún Umán, entre a Guatemala e o México. Uma história entre muitas, cada uma carregada à sua maneira.No chiado do rádio Durante oito meses, Juan viveu nas ruas, aceitando qualquer trabalho que conseguia encontrar, até não conseguir mais continuar. Sua casa já havia sido vendida após a morte de sua esposa, e ele havia perdido o contato com os filhos, que agora vivem nos Estados Unidos. No caminho, alguém lhe deu um antigo rádio gravador. Ele o guardou consigo. Nas noites longas, o aparelho preenchia o silêncio. Nos dias difíceis, trazia uma sensação de companhia. Enquanto fazia o caminho de volta para casa, o rádio permaneceu ao seu lado, como um lembrete de que a gentileza existe, mesmo nos lugares mais remotos. O que a agulha guarda na memória Anna carrega o lar nas mãos. Em um pequeno quarto em Martin, na Eslováquia, ela passa horas bordando, costurando cenas coloridas que lhe lembram a vida que deixou para trás, na Ucrânia. É um processo lento e repetitivo, que traz uma sensação de cotidiano e familiaridade em meio a um tempo marcado pela incerteza. O bordado tornou-se mais do que um passatempo. Cada peça guarda fragmentos de memória, de lugares, de momentos e de uma identidade que o deslocamento não conseguiu apagar. Por meio do seu trabalho, Anna cria algo estável e seu, uma pequena ponte entre onde está agora e de onde veio. A música encontra o caminho de volta Mohammad cresceu com a música. Quando criança, aprendeu a tocar oud e ney, e mais tarde, passou a se apresentar com o irmão. A música fazia parte da vida cotidiana, o que moldou a sua visão de mundo. Por meio do programa Melodias Migrantes da OIM, na Turquia, ele voltou à música, desta vez aprendendo a tocar bağlama. O que retomou foi mais do que um instrumento. Tornou-se uma forma de se reconectar consigo mesmo e com os outros, transformando algo do seu passado em uma fonte de conforto, propósito e pertencimento. Entre dois lugares Quando Yalethe deixou a Venezuela, há sete anos, levou apenas o que conseguia carregar. Entre seus pertences estava uma rede, algo que sabia que iria precisar. Ela a acompanhou na travessia da fronteira com o Brasil, tornando-se um lugar para sentar, dormir e descansar, quando não havia mais quase nada. Em Boa Vista (RR), Yalethe e o marido encontraram abrigo temporário na casa de um amigo, um espaço que aos poucos se transformou em acolhimento para outras pessoas que chegavam sem ter para onde ir. Anos depois, a rede ainda está lá, exatamente como ela a trouxe ao cruzar a fronteira pela primeira vez: um lugar de descanso e uma lembrança de tudo o que sustentou ao longo do caminho. Uma amiga durante a noite “Ela é minha amiga, e tem medo de ficar sozinha”, diz Abeer, de sete anos, deslocada na Cidade de Gaza. Enquanto sua família fugia, Abeer segurava seu bichinho de pelúcia com força, recusando-se a deixá-lo para trás. Ela o trouxe consigo porque é sua “amiga”, a única coisa que ainda lhe parece familiar. Sua irmã, Nada, também tem um: grande, branco e fofinho. Após mais de dois anos de deslocamento, medo e perdas, esses brinquedos se tornaram mais do que simples objetos de brincar. Eles oferecem conforto, uma sensação de segurança e algo firme a que se agarrar em um mundo que mudou ao redor delas. Um pequeno jardim de outro lugar Em um abrigo temporário em El Progreso, Honduras, Elia permanece junto à janela, mantendo perto de si as plantas que trouxe. São coisas simples, mas que a fazem lembrar de casa, da vida que deixou para trás depois da Tempestade Tropical Sara. Cuidar delas lhe dá algo familiar a que se apegar. Em um lugar que ainda parece provisório, esses pequenos cuidados a ajudam a construir um espaço que se pareça um pouco mais com seu. O peso do orgulho Quando Valentina deixou sua casa na Ucrânia, não sabia por quanto tempo ficaria longe nem do que iria precisar. Ficou horas diante da mala, sem conseguir decidir o que levar. No fim, colocou nela as medalhas da filha. Elas marcavam anos de esforço e conquistas, momentos que ela acompanhou com orgulho, da escola à universidade. Valentina as levou consigo ao fugir para a Moldávia, chegando à margem esquerda do rio Nistro apenas alguns dias após o início da guerra. “Quando cheguei e finalmente abri minha mala, as medalhas estavam logo em cima”, conta ela. “Minha filha olhou para elas, surpresa, e perguntou: ‘Mãe, foi isso que você escolheu trazer com você?’ Então ela começou a chorar.”Ainda estou aqui Na vila de Sa’dah, em Anbar, no Iraque, Afif Wahesh segura uma antiga fotografia de equipe, observando rostos conhecidos de outro tempo. Encontrada entre os escombros do Fórum da Juventude de Sa’dah, antes o coração da vida comunitária, a imagem guarda memórias de uma vila que já foi vibrante e cheia de vida. Depois de retornar em 2018, Afif ajudou a reconstruir o espaço, mantendo a fotografia como lembrança de que, mesmo após anos de conflito e deslocamento, a história da comunidade permanece. A forma do conforto Karina tinha 10 anos quando ganhou dos pais o brinquedo de pelúcia. Ela o chamou de Vasya. Mais de duas décadas depois, ele ainda está com ela. Quando sua família deixou a Ucrânia em 2014, à medida que a situação na região se tornava cada vez mais insegura, ela fez as malas às pressas. Entre as poucas coisas que escolheu levar, Vasya foi a primeira. Desde então, ele viajou com ela por vários países da Europa, incluindo a Polônia, onde ela vive há 11 anos. A cada mudança, a cada novo começo, ele permaneceu como uma constante e uma lembrança de casa transportada através das fronteiras. Uma xícara de café Em Obock, no Djibuti, Zinach está sentada entre outras mulheres enquanto o café é preparado e servido, seu aroma se espalhando pelo ar. No centro, a cerimônia segue passos familiares: pequenas xícaras organizadas, mãos se movendo em ritmo, a jebena colocada no centro. Para Zinach, isso é mais do que uma rotina. “Eu adoro as cerimônias do café com as mulheres daqui”, diz ela. “Isso me faz lembrar de casa.” A ausência das coisas Noor Ahmad passou 26 anos no Irã, onde mantinha uma pequena loja. Após perder o pai, voltou-se para a cura com cristais, uma terapia alternativa na qual acredita ser possível restaurar o equilíbrio por meio da energia das pedras. Hoje, usa um anel com pedras incrustadas, uma das poucas coisas que conseguiu manter consigo após retornar ao Afeganistão com quase nada para reconstruir a própria vida. “Agora não tenho nada — nem ferramentas, nem pedras, nem um lugar para morar”, diz ele. Sobre a OIM: Estabelecida em 1951, a OIM, Agência da ONU para as Migrações, é o principal organismo intergovernamental no campo da migração. A OIM está presente no Brasil desde 2016. O trabalho da OIM tem como foco os seguintes três objetivos:Salvar vidas e proteger pessoas em movimento: para cumprir esse objetivo, a OIM coloca em primeiro lugar a segurança, dignidade e proteção das pessoas, nos contextos de resposta a crises mais desafiadores no mundo.Impulsionar soluções para o deslocamento: em resposta a esse objetivo, a OIM se esforça para reduzir os riscos e impactos da mudança do clima, degradação ambiental, conflitos e instabilidade de comunidades afetadas por ou em risco de deslocamento.Facilitar vias para a migração regular: para abordar essa meta, a OIM prioriza abordagens que abranjam de forma total o governo e a sociedade para conectar de forma segura pessoas, bens, serviços, conhecimentos e inovação.Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM no Brasil: https://brazil.iom.int/pt-br
1 of 5
História
23 março 2026
“Elas do Campo à Mesa”: a força das mulheres que sustentam a segurança alimentar no Brasil
O ofício começou cedo, uma herança passada de geração em geração sob a sombra dos coqueiros. Em Zé Doca, no interior do Maranhão, Eronildes Souza da Silva iniciou sua jornada aos 10 anos, enquanto Maria Rita Souza da Silva começou aos 12. Elas são quebradeiras de coco babaçu, mulheres que transformam a riqueza da terra em sustento, mas que muitas vezes enfrentam a invisibilidade de uma jornada dupla.“Agricultura é vida e aqui nós estamos inseridas”, resume Maria Rita, com a sabedoria de quem conhece o solo. Para Eronildes, o trabalho na extração do coco se soma aos cuidados com a casa e os filhos, evidenciando um esforço que vai além do campo. Essa sobrecarga é confirmada pelo relatório global de 2023 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que aponta que as mulheres dedicam, em média, pelo menos três vezes mais tempo do que os homens ao trabalho de cuidado não remunerado e aos afazeres domésticos. A realidade de persistência é o coração da campanha “Elas do Campo à Mesa: onde há alimento, há trabalho de mulheres”. A iniciativa é realizada no âmbito do acordo de cooperação entre o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), organismo da ONU especializado em infraestrutura, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Itaipu Binacional. A parceria estabelece o apoio do UNOPS para a reforma e modernização de armazéns graneleiros da Conab, com olhar atento às necessidades de todas as pessoas - entre elas, as mulheres. Com a campanha, que acontece ao longo de todo mês de março no Instagram da Conab, a proposta é percorrer o país para dar visibilidade às mulheres que fazem o alimento chegar ao prato dos brasileiros.Cuidado nos processosDepois do trabalho no campo, a jornada do alimento continua nos silos de armazenamento, onde a precisão é fundamental. Em Ponta Grossa, no Paraná, Juliane Aparecida Schneider de Oliveira é quem comanda esse fluxo. Com 11 anos de Conab, ela hoje opera o sistema que controla a entrada e saída de grãos, em um setor historicamente masculino.“As mulheres trazem para o setor operacional não apenas uma melhoria nas relações interpessoais, mas também uma organização ímpar e muita agilidade”, afirma. Juliane destaca que a presença feminina nos armazéns trouxe organização, mas também revelou a necessidade de adaptações estruturais. Ela lembra, por exemplo, de quando precisava dividir o banheiro com colegas homens e da falta de estrutura para motoristas mulheres. Como resposta a essas demandas, o projeto de modernização das Unidades Armazenadoras da Conab, apoiado pelo UNOPS, incluirá espaços adequados para o público feminino na sua próxima fase.Resistência nas rodoviasSeguindo o caminho dos alimentos, para que o grão saia do silo e atravesse o país, o trajeto exige resistência. É na estrada que Eliziane de Barros e Regiane Oliveira, encontram seu escritório sobre rodas. Elas fazem parte de um grupo de mais de 32 mil caminhoneiras, um número que cresceu 58% na última década, segundo dados do Ministério dos Transportes.Para Eliziane, de 26 anos, a profissão é um misto de "liberdade com responsabilidade", mas os desafios são diários: desde o preconceito até a falta de banheiros limpos e seguros nas rodovias. Regiane relata que, ao chegar para descarregar, ainda é comum ser confundida com a esposa de algum motorista. “Já passou da hora de quebrar esse tabu”, afirma.O destino final: a mesaO ciclo se encerra com a solidariedade e a nutrição. Em Santa Rosa do Piauí (PI), Francisca Idelvane Muniz recebe semanalmente alimentos frescos através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Para ela, saber que sua família é nutrida pelo alimento produzido por outras mulheres traz uma garantia extra de qualidade.“Posso garantir a segurança alimentar e nutricional da minha família com itens de qualidade, principalmente porque são produzidos por mulheres”, ressalta Francisca.Para a diretora-executiva da Conab, Rosa Neide Sandes, dar visibilidade a essas histórias é o primeiro passo para a equidade: “Tornar esse trabalho visível é fundamental, mas é igualmente fundamental que essas mulheres ocupem espaços de decisão e gestão em toda a cadeia produtiva.” Para saber mais, acompanhe a campanha no Instagram da Conab (@conab_oficial) e siga @unops_official nas redes!
1 of 5
História
05 março 2026
Entre perdas e recomeços: a resiliência feminina frente aos desafios climáticos em Petrópolis
Com origem tupi, Itaipava significa “pedra que chora”. Por conta do volume de água que escorre sobre as formações rochosas da Serra da Estrela, esse é o nome do distrito de Petrópolis (RJ) que há 34 anos é lar de Cristina do Rosário. Nascida e criada no município, ela é funcionária de uma escola pública da região, mãe de três filhos e coordenadora do Núcleo Comunitário de Defesa Civil do Vale do Cuiabá (NUDEC). Embora o bairro seja conhecido por condomínios de alto padrão, a região também vivenciou, nos últimos anos, eventos climáticos cujo impacto deixou marcas no território e na população. O Vale do Cuiabá é uma das 13 comunidades mais vulneráveis a eventos climáticos extremos de Petrópolis. Em fevereiro de 2008, Cristina estava grávida de sete meses; sua casa com móveis recém-comprados e o quarto do bebê praticamente pronto. Quando a enchente começou, Cristina e o marido agiram como de costume, protegendo os objetos da casa para tentar salvar seus pertences. “A gente tinha ganchos na sala. Passava as cordas por trás do sofá, suspendia e jogava as coisas por cima. Sempre choveu assim, coisa de meio metro, até um metro de água. A gente secava a parede e pintava. Mas 2008 foi a primeira tragédia de uma proporção muito maior que aconteceu na região”, relembra. Cristina conta que, ao chegar à porta da sala, a água já estava na altura da cintura e continuava subindo rapidamente. Foi então que avisou o marido para largar tudo e sair, pois não havia mais tempo. Por conta da gravidez e da correnteza, precisou ser retirada de casa com a ajuda de moradores, e levada com o marido para a casa de um vizinho em uma área mais estável. A região foi severamente atingida por deslizamentos de terra que soterraram diversas casas, resultando em grandes perdas materiais e de vidas. A tragédia impactou profundamente a comunidade e dificultou o acesso dos bombeiros, devido ao acúmulo de água e terra.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
1 of 5
História
27 fevereiro 2026
“É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”
No Alto Rio Negro, o tempo não se mede apenas em horas, mas em dias de viagem. Entre comunidades separadas por rios extensos, florestas densas e uma das maiores biodiversidades do planeta, chegar a um hospital pode significar uma jornada longa demais para uma criança pequena com diarreia ou uma gestante em situação de risco. É nesse intervalo, entre o surgimento dos primeiros sintomas e a chegada ao atendimento especializado, que a vida, muitas vezes, é decidida.É ali que entram os Agentes Indígenas de Saúde: Maura, Doriendson e Dineia. Eles vivem e trabalham em pontos diferentes do território de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, mas compartilham uma mesma missão: garantir que mães e crianças não fiquem sozinhas diante da doença, da gravidez ou do parto, mesmo onde o acesso aos serviços de saúde é limitado. Seu trabalho se constrói no cotidiano das comunidades, em diálogo direto com o território, a biodiversidade e os modos de vida que dependem do equilíbrio entre rio, floresta, alimento e cuidado.Esse olhar atento ganhou ainda mais força após as formações da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, conhecida como AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF por meio do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira”, desenvolvido pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (MPTF), no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto do Rio Negro.Desde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Instituto Amazônia Açu (Iaçu), lideranças indígenas e equipes locais de saúde para planejar ações adaptadas aos contextos culturais, linguísticos, ambientais e geográficos das comunidades. O foco é fortalecer o cuidado de base comunitária por meio da estratégia AIDPI Comunitário, reconhecendo o papel central de agentes indígenas de saúde, parteiras, pajés e lideranças comunitárias no cuidado cotidiano das crianças e de suas famílias. Dineia: saberes que nascem do territórioNo distrito de Assunção do Içana, no Alto Rio Negro, o cuidado com gestantes e recém-nascidos começa muito antes de qualquer hospital. Dineia Fernandes Dávila, 48 anos, é parteira-chefe da região e atua há mais de duas décadas acompanhando mulheres durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Seu trabalho se constrói a partir da combinação entre a medicina ocidental e os saberes tradicionais indígenas, profundamente ligados ao território e à biodiversidade local.“A gente usa o remédio do homem branco, os medicamentos que vêm da ciência da cidade, mas ao mesmo tempo usamos os nossos medicamentos tradicionais, são folhas e raízes da floresta”, explica Dineia. Esses saberes incluem práticas de cuidado transmitidas entre gerações, como o uso de chás, ervas, rezas e orientações alimentares no pós-parto, que dependem diretamente da floresta, dos rios e dos recursos naturais disponíveis nas comunidades.Para Dineia, proteger a saúde das mulheres e das crianças passa também por preservar o ambiente que sustenta essas práticas. O conhecimento que ela carrega vem das mulheres mais velhas de sua família e da convivência com outras parteiras: “Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó e com as mulheres mais velhas. É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”.Ao longo dos anos, Dineia acompanhou dezenas de partos em comunidades onde o deslocamento até um hospital pode levar dias: “Aqui a criança nasce no normal. Só quem está em risco é que vai para o hospital.”Nas formações do AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF, Dineia encontrou um espaço de troca entre saberes do seu povo e conhecimentos técnicos da saúde. Em 2025, foram realizadas duas oficinas presenciais, em Assunção do Içana e no Polo Base de Yauaretê, reunindo aproximadamente 100 participantes, entre Agentes Indígenas de Saúde, AISANs, parteiras, pajés e lideranças comunitárias. Nos encontros, são discutidos temas como aleitamento materno, alimentação no pós-parto, sinais de risco na gestação e os impactos da mudança climática no cuidado com mães e bebês. “É uma troca. A gente ensina e aprende”, resume. A mudança global do clima, cada vez mais frequentes na região, já influenciam práticas passadas de geração em geração: “Com a mudança do tempo, hoje a gente já não dá banho no bebê logo que nasce. Espera pelo menos 24 horas”.As formações abordaram o acompanhamento contínuo das crianças, o manejo inicial de diarreia, desidratação, infecções respiratórias e desnutrição, além da organização dos fluxos de encaminhamento. A adaptação do cuidado ao ambiente reforça o papel dos saberes tradicionais como práticas vivas, que se transformam para proteger a saúde das crianças.Além de atuar como parteira, Dineia acompanha o pré-natal em parceria com as equipes de saúde e orienta gestantes sobre alimentação, descanso e cuidados básicos. Para ela, fortalecer o cuidado comunitário é também fortalecer a autonomia das mulheres e reduzir riscos desnecessários. “A gente trabalha como voluntária, com amor e carinho. As pessoas chamam a gente quando precisam. Há, infelizmente, um grande número de jovens grávidas na nossa região que precisam de acompanhamento e informação”, afirma.Para Dineia, investir na formação contínua de parteiras e agentes indígenas de saúde é essencial para garantir que esse cuidado chegue a quem mais precisa, especialmente em um território marcado por longas distâncias e acesso limitado aos serviços especializados. “A capacitação é muito importante e precisa continuar. Hoje ainda precisamos de muito de materiais básicos como tesoura, materiais de parto, botas e bacias, mas com o projeto já conseguimos avançar muito nos cuidados da nossa comunidade”, defende.Maura: observar cedo para agir rápidoMaura Vaz Peixoto, 42 anos, mulher indígena do povo Tucano, conhece bem essa realidade de Dineia. Em sua área, ela percorre casas de duas comunidades, Boca da Estrada e Nova Esperança, como Agente Indígena de Saúde (AIS), parteira e liderança comunitária. Três vezes por semana, ao longo do mês, visita cerca de 38 famílias, acompanhando crianças pequenas, mulheres gestantes e idosos. “Eu faço visita domiciliar, casa por casa. Quando vejo que a criança está fraca, gripada ou com diarreia, eu observo bem. Se pode virar sinal de perigo, eu encaminho rápido”, explica. Esse olhar atento foi fortalecido nas oficinas da AIDPI Comunitário: “Antes, eu só visitava. Hoje eu observo mais. Aprendi a identificar quando a criança pode piorar.”No cuidado diário, ela combina o uso de medicamentos do sistema de saúde com práticas tradicionais, como chás preparados a partir de plantas locais para aliviar sintomas leves e fortalecer o organismo. “A gente usa dois tipos de cuidado: o medicamento dos brancos e o da nossa cultura. Os dois caminham juntos. Aprendemos com outros povos como preparar chás da nossa cultura. Cada região e cada etnia tem seus conhecimentos, nas oficinas de AIDPI a gente também troca essas experiências.”Em um território onde a qualidade da água varia conforme o período de cheias e secas, e onde a biodiversidade influencia diretamente a alimentação das famílias, reconhecer precocemente sinais de desidratação e desnutrição pode significar salvar vidas. “Esse conhecimento eu vou passar para nossas filhas e para nossas noras. São elas que vão cuidar no futuro,” afirma Maura.Doriendson: o cuidado que atravessa distânciasEm outra comunidade no Amazonas, em São Joaquim, Doriendson Felipe Paulino, de 31 anos, da etnia Koripako, enfrenta desafios semelhantes. As casas ficam espalhadas ao longo do rio, e muitas famílias só conseguem chegar ao polo base depois de horas, às vezes dias, de deslocamento.“Quando a criança começa a ter diarreia, se não cuidar logo, pode piorar rápido. Nem todas as crianças, mulheres e idosos falam português. Alguns não entendem, outros têm medo de falar. A gente também ajuda traduzindo e acompanhando”, conta. Nas formações apoiadas pelo UNICEF, ele também aprendeu a orientar as famílias, além de reconhecer quando o caso pode ser acompanhado na comunidade e quando precisa ser encaminhado:“Antes do curso, alguns enfermeiros já tinham me passado orientações básicas, mas com essa capacitação eu me aprofundei mais. Aprendi melhor como acompanhar os pacientes e agir em situações que fogem do normal”. O AIS também acompanha casos mais complexos, como o de um adolescente com epilepsia, cuja família enfrenta dificuldades para manter o uso regular da medicação. “Se ele não toma o remédio no horário certo, a crise vem. A gente acompanha de perto.”Doriendson atua como um elo entre a comunidade e a rede de saúde, ajudando a reduzir deslocamentos desnecessários e garantindo que os casos mais graves cheguem mais rápido ao atendimento especializado. “Esse curso foi fundamental. Seria muito bom ter capacitações como essa todos os anos, para atualizar nossos conhecimentos e ajudar ainda mais a comunidade”.Uma rede que se fortalece com a formaçãoDesde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI Alto do Rio Negro, lideranças indígenas e equipes locais para adaptar a estratégia AIDPI Comunitário às realidades culturais, ambientais e geográficas do território. As oficinas utilizam metodologias participativas e práticas, começando com escuta ativa e cartografia do território para identificar riscos, saberes locais e desafios específicos de cada região.Para Maura, Doriendson e Dineia, essas formações ganham sentido no dia a dia, na casa visitada, na criança observada com atenção, na gestante acompanhada desde o início. Esse cuidado se torna ainda mais urgente em um território cada vez mais afetado pela mudança climática. Secas e cheias extremas impactam a qualidade da água, a segurança alimentar e aumentam o risco de doenças de transmissão hídrica, especialmente entre crianças pequenas.Ao fortalecer a identificação precoce de sinais de desidratação e desnutrição e orientar as famílias sobre cuidados preventivos, o projeto contribui para evitar agravamentos evitáveis em regiões onde o hospital pode estar a dias de distância.No Alto Rio Negro, onde o rio é caminho e o tempo é precioso, o cuidado começa antes do hospital. Ele começa na escuta atenta, no olhar treinado e na confiança de quem conhece o território. E é assim, com Maura, Doriendson, Dineia e tantos outros Agentes, que o cuidado chega primeiro. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
1 of 5
Notícias
28 abril 2026
ONU Direitos Humanos abre inscrições para programa de bolsas de estudo para pessoas afrodescendentes
O programa de bolsas de estudo para pessoas afrodescendentes busca fortalecer as competências de pessoas afrodescendentes que estão engajadas na promoção dos direitos de suas comunidades. O programa é realizado uma vez por ano no Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra, Suíça.O programa de bolsas de estudo oferece aos participantes a oportunidade de:Aprender e expandir seu conhecimento e compreensão do direito internacional dos direitos humanos e do sistema de direitos humanos das Nações Unidas, da estrutura internacional para combater o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância relacionada, bem como de questões relacionadas a esses tópicos, com foco especial em pessoas afrodescendentes.Conhecer em primeira mão os mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas e o ACNUDH.Interagir com o ACNUDH e os mecanismos de direitos humanos da ONU, bem como fortalecer as habilidades dos participantes em termos de desenvolvimento de propostas de projetos e apresentações.Sobre a edição de 2026 O programa será realizado de 9 a 27 de novembro em Genebra, na Suíça. Este ano, o programa será realizado somente em inglês e em espanhol.Os/as bolsistas também deverão dedicar-se a cursos online realizados em plataformas virtuais e exercícios preparatórios durante as semanas anteriores ao programa.Data de encerramento das inscrições: 15 de maio de 2026 Quem pode se inscrever?O(a) candidato(a) deve ser uma pessoa afrodescendente.O(a) candidato(a) deve ter no mínimo 4 anos de experiência profissional relacionada aos direitos das pessoas afrodescendentes.O(a) candidato(a) deve apresentar uma carta de recomendação de uma organização que atue em questões relacionadas aos direitos das pessoas afrodescendentes ou de minorias — com o timbre oficial da organização — na qual se confirme o papel do(da) candidato(a) dentro da organizaçãoO(a) candidato(a) deve estar disponível para cursar o programa na íntegra. Espera-se que os bolsistas selecionados participem das diversas atividades planejadas e sigam o programa de forma rigorosa.Quais são os benefícios oferecidos? Cada bolsista tem direito a uma passagem de ida e volta (classe econômica) entre seu país de residência e Genebra, seguro médico básico e uma ajuda de custo para acomodação modesta e outras despesas de subsistência durante o programa.Como se inscrever?As inscrições devem ser apresentadas em inglês e espanhol.Pessoas interessadas devem enviar os seguintes documentos em um único e-mail para ohchr-africandescentfellowship@un.org:CurrículoFormulário de inscrição devidamente preenchido, assinado e digitalizado em um único documento.Uma declaração pessoal/carta de motivação (máximo de 500 palavras) na qual o(a) candidato(a) explique sua motivação para se candidatar ao programa de bolsas e indique como utilizará os conhecimentos adquiridos durante o programa para promover os interesses e os direitos das pessoas afrodescendentes.Uma carta oficial de uma organização dedicada a questões relacionadas a pessoas afrodescendentes ou outros temas afins — em papel timbrado oficial — na qual se certifique a função que o candidato desempenha dentro da organização.Cópia da página de identificação do passaporte.Importante: Mencionar no assunto do seu e-mail: “Inscrição no Programa de Bolsas de Estudo para Pessoas Afrodescendentes 2026”Para mais informações, visite a página oficial do programa do ACNUDH: https://www.ohchr.org/es/node/1527/fellowship-programme-people-african-descent NOTAS PARA EDITORESSobre o Programa de Bolsas de Estudos para Pessoas Afrodescendentes O programa intensivo de estudos é realizado uma vez por ano no Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUDH) para os Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça.O objetivo é fortalecer as competências das pessoas participantes para que contribuam com a promoção e a proteção dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais em seus respectivos países. Os/as bolsistas adquirem as ferramentas necessárias para garantir que o desenvolvimento de leis, políticas e programas esteja em conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos, para fortalecer a colaboração entre os governos e a sociedade civil e para realizar atividades locais de conscientização e defesa em nível local.Desde 2011, 169 bolsistas de 54 países participaram do programa de bolsas, incluindo Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bahamas, Barbados, Bélgica, Belize, Brasil, Bolívia, Canadá, Chile, China, Chipre, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Equador, Espanha, Estados Unidos da América, Filipinas, Finlândia, França, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Iraque, Irlanda, Israel, Itália, Jamaica, Japão, Líbano, México, Moldávia, Noruega, Países Baixos, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, Portugal, Reino Unido, Rússia, Santa Lúcia, Suécia, Suíça, Suriname, Tailândia, Trinidad e Tobago, Turquia, Uruguai e Venezuela.Para mais informações, visite a página do programa: https://www.ohchr.org/es/node/1527/fellowship-programme-people-african-descent
1 of 5
Notícias
28 abril 2026
ONU convoca agentes de mudança para o Prêmio de Ação dos ODS 2026
Em uma época de crescentes desafios globais, o progresso depende das pessoas que optam por agir agora. Com esse espírito, a Campanha da ONU de Ação dos ODS lança a edição de 2026 do Prêmios de Ação dos ODS: Heróis do Amanhã, com inscrições abertas até 17 de maio de 2026.Em comunidades e países por todo o mundo, pessoas e iniciativas estão impulsionando mudanças muitas vezes invisíveis, mas de profundo impacto. Trabalhando frequentemente em silêncio, contra todas as adversidades para construir um futuro sustentável, justo e pacífico, os heróis e as heroínas de amanhã nos lembram que sempre há esperança e que o progresso começa com as pessoas.“Os Heróis e as Heroínas do Amanhã são pessoas destemidas. Elas carregam a esperança não como um sentimento, mas como uma força para a ação. Deixemo-nos inspirar pelo poder das possibilidades, porque o futuro não é algo que narramos, é algo que moldamos juntos.” – Marina Ponti, diretora global da Campanha da ONU de Ação dos ODSO Prêmio 2026 reconhece esses esforços em três categorias:Prêmio Agente de Mudança homenageia indivíduos que lideram ações coletivas em prol da justiça, da igualdade e da paz. Prêmio Criatividade homenageia iniciativas que inspiram esperança e ação por meio da expressão visual, da arte e da inovação. Prêmio Resiliência homenageia iniciativas que fortalecem a resiliência diante de conflitos, desigualdades ou da mudança climática.Todos os anos, um painel internacional de jurados avalia uma média de 5 mil inscrições de 190 países, selecionando as três mais importantes que inspiram mudanças em todo o mundo. Como se inscreverPara se inscrever no Prêmio Criatividade ou Resiliência, ou para nomear uma pessoa ou organização ao Prêmio Agente de Mudança, acesse a página oficial de inscrições: https://sdgactionawards.org/apply/O prazo final para inscrições se encerra em 17 de maio de 2026, domingo, às 19h (horário de Brasília). Brasil foi destaque no Prêmio de 2025 Nascida nas favelas brasileiras e ativa em todos os estados brasileiros e em mais de 60 países, a Central Única das Favelas (CUFA) foi a vencedora global da edição de 2025 do Prêmio, na categoria Resiliência. O Prêmio Resiliência foi um reconhecimento global aos esforços da CUFA de transformar adversidade em ação diante de desafios sistêmicos, ambientais e sociais. O presidente da CUFA Global, Marcus Vinícius Athayde, afirmou: “Estar entre os finalistas de uma premiação tão relevante é o reconhecimento do trabalho coletivo de milhares de lideranças e moradores de favelas no Brasil e no mundo. A CUFA é um exemplo de resiliência cotidiana, de quem transforma vulnerabilidade em potência.”O Prêmio Agente de Mudança 2025 foi concedido a Jîn Dawod, que transformou sua experiência como refugiada síria em apoio à saúde mental para comunidades deslocadas em 26 países, e Julienne Lusenge, defensora de direitos humanos que apoia sobreviventes de violência de gênero e promove a construção da paz na República Democrática do Congo. Já o Prêmio Criatividade foi concedido à iniciativa Smartel, da Nigéria, que busca fortalecer a segurança alimentar no continente africano. A organização utiliza a hidroponia para ampliar oportunidades de geração de renda para mulheres, jovens e pequenos agricultores.Para mais informações, siga @sdgaction nas redes e visite a página do Prêmio de Ação dos ODS: https://sdgactionawards.org/Contato para a imprensa:Olcay Tetik, Campanha da ONU de Ação dos ODS: olcay.tetik@undp.orgNOTAS PARA EDITORESSobre o Prêmio de Ação dos ODS O Prêmio de Ação dos ODS: Heróis e Heroínas do Amanhã é promovido pela Campanha da ONU de Ação dos ODS, uma iniciativa especial do secretário-geral da ONU, sediada no escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Bonn, na Alemanha. Os vencedores do Prêmio de 2026 serão revelados na Cerimônia do Prêmio de Ação dos ODS: Heróis e Heroínas do Amanhã, em Roma, Itália, em 29 de outubro de 2026, com a presença de dignitários globais, líderes empresariais, artistas e influenciadores. A cerimônia será transmitida mundialmente pela Rai, emissora nacional da Itália e parceira de mídia oficial, e pela UN WebTV. Antes da cerimônia de premiação, nove finalistas são convidados para um programa de treinamento, incluindo eventos de networking e sessões de coaching e capacitação.O Prêmio de Ação dos ODS é possível graças ao generoso apoio financeiro do Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália (MAECI) e do Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ).Materiais de divulgação estão disponíveis no Trello do Prêmio de Ação dos ODS.
1 of 5
Notícias
27 abril 2026
OMPI abre inscrições para Summer School em Propriedade Intelectual, Tecnologias Verdes e Sustentabilidade
A Summer School da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) oferece a estudantes universitários, jovens profissionais e atores do setor de inovação a oportunidade de adquirir um conhecimento mais aprofundado sobre a legislação de propriedade intelectual (PI) e como ela pode ser usada como ferramenta para o empoderamento econômico e desenvolvimento.Este curso é oferecido conjuntamente pelo Escritório da OMPI no Brasil, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI). Nesta edição, curso terá como tema: Propriedade Intelectual, Tecnologias Verdes e SustentabilidadeO curso será on-line, entre os dias 18 a 29 de maio de 2026, de 9h às 12h30min. O curso abordará temas como:Inovação Sustentável no Sul GlobalTecnologias para Mitigação e Adaptação às Mudanças ClimáticasEstratégias de Transferência de TecnologiaTécnicas para Avaliação e Valoração de Ativos Intangíveis SustentáveisParcerias Internacionais e Subsídios com Foco em SustentabilidadeBioeconomia, Indicações Geográficas e Vigilância Tecnológica com o Uso de Patentes SustentáveisO prazo para inscrições se encerra em 14 de maio de 2026.CustosOs valores do curso são:Estudantes e membros da ABPI (Associação Brasileira de Propriedade Intelectual): R$ 200Profissionais e não-membros da ABPI: R$ 400 Nacionais de países de língua portuguesa da África e da Ásia: isentosHá gratuidade para grupos sub-representados, incluindo pessoas de baixa renda, estudantes negros, indígenas, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência. Instituições públicas podem receber gratuidades mediante solicitação.Para mais informações, siga @wipo nas redes e acesse a página de inscrições (em português).
1 of 5
Notícias
23 abril 2026
IBGE e ONU-Habitat convidam para webinários sobre dados em favelas e assentamentos informais
O IBGE e o ONU-Habitat promovem, no dia 28 de abril, das 14h às 16h, o primeiro encontro da série internacional de webinários “Diálogos para a produção de dados sobre favelas e assentamentos informais”. A participação é gratuita e a transmissão será no canal do YouTube do IBGE.Com o tema “Experiências da América Latina”, o primeiro evento reunirá representantes de instituições governamentais latino-americanas para discutir desafios, lacunas e avanços na produção de dados sobre favelas, comunidades urbanas e assentamentos informais. O objetivo é apoiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e o monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), além de fomentar a construção de uma rede colaborativa voltada ao desenvolvimento de estratégias conjuntas.A iniciativa integra a parceria entre o IBGE e o ONU-Habitat para fortalecer a produção e a gestão de dados urbanos desagregados, territorializados e comparáveis, especialmente em territórios historicamente sub-representados nos sistemas estatísticos tradicionais. Para avançar nesse objetivo, a série promoverá o diálogo técnico e institucional, a troca de experiências e a convergência de conceitos, métodos e padrões entre instituições nacionais, locais e organismos internacionais.“Produzir dados mais precisos e inclusivos sobre favelas e assentamentos informais é essencial para orientar políticas públicas eficazes e garantir que nenhuma comunidade seja deixada para trás. Com apenas quatro anos restantes para cumprir a Agenda 2030, iniciativas como essa são fundamentais para acelerar o progresso no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11, fortalecer a cooperação entre países e avançar na construção de cidades mais justas e sustentáveis”, afirma a diretora-executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, palestrante no primeiro encontro da série.Para o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, “o compromisso do IBGE e do ONU-Habitat com a produção de dados que dão visibilidade, dignidade e centralidade às favelas e assentamentos informais na agenda do desenvolvimento se confirma no fortalecimento da cooperação internacional que permita a geração de políticas públicas mais adequadas à construção de cidades mais justas e sustentáveis”.A gerente de Favelas e Comunidades Urbanas do IBGE, Letícia Giannella, ressalta que a produção de dados urbanos é desafiadora e atende a uma demanda crescente da sociedade em todo o mundo. “O IBGE é vanguardista nessa tarefa, mas ainda enfrenta uma série de desafios para que, de fato, nenhum território nem ninguém seja deixado para trás”, explica. ProgramaçãoO primeiro encontro terá a participação da diretora-executiva do ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, economista com mais de 20 anos de experiência em habitação, assentamentos informais e políticas urbanas. A moderação será de Diego Aulestia, economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) com ampla trajetória em política e gestão pública e chefe da Unidade de Assentamentos Humanos da instituição.Entre os painelistas confirmados estão o pesquisador do IBGE e copresidente do Grupo de Especialistas das Nações Unidas em Integração de Informações Estatísticas e Geoespaciais (UN EG-ISGI), Claudio Stenner; o especialista do Departamento Administrativo Nacional de Estatística da Colômbia (DANE), Carlos Alberto Durán Gil; e o responsável técnico do Registro Nacional de Bairros Populares da Argentina (Renabap), Juan Manuel D’Attolli.“A realização dessa série de diálogos gera grande expectativa, pois permitirá a troca de experiências e a articulação de iniciativas do Sul Global para o fortalecimento de dados sobre favelas e comunidades urbanas em diferentes escalas”, complementa a pesquisadora do IBGE, Letícia Giannella.Além do encontro inaugural, a série contará com os webinários “Experiências da África e Ásia”, no dia 26 de maio de 2026, e “Experiências de institutos locais de planejamento”, em 23 de junho de 2026, ambos das 14h às 16h. Os encontros darão continuidade ao diálogo internacional, ampliando a troca de experiências sobre a produção e o uso de dados sobre favelas e assentamentos informais em diferentes contextos e escalas.Serviço: Diálogos para a Produção de Dados sobre Favelas e Assentamentos InformaisTerça-feira, 28 de abril de 202614h - 16hAcompanhe a transmissão ao vivo em português e em espanhol.As próximas sessões serão anunciadas nas redes sociais do IBGE e do ONU-Habitat Brasil.Contatos para a imprensa:Aléxia Saraiva, ONU-Habitat Brasil: alexia.saraiva@un.orgLorenzo Silva, IBGE: lorenzo.silva@ibge.gov.br
1 of 5
Notícias
23 abril 2026
UNAIDS abre seleção de organizações da sociedade civil para desenvolver ações de saúde em territórios
O UNAIDS publica, nesta quinta-feira (23/04), o Edital para seleção de Organizações da Sociedade Civil (OSC), que selecionará até 10 propostas. Cada uma poderá receber até R$ 100 mil para desenvolver ações estratégicas de base comunitária nos territórios.O Edital é promovido e gerenciado pelo UNAIDS Brasil, com financiamento do Departamento de HIV/AIDS, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (Dathi/SVSA/MS).Quem pode participar? Este Edital se destina a organizações da sociedade civil sediadas no Brasil, com experiência reconhecida nas seguintes áreas:HIV/AIDS e/ou Tuberculose (TB); e/ouHepatites Virais (HV); e/ouHTLV; e/ouOutras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST); e/ouMicoses Endêmicas; e/ouMicobactérias não tuberculosas (MNT).As organizações que submeterem propostas devem possuir o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e conta bancária ativos, sem bloqueios, regularizada e pronta para o recebimento dos recursos.Em caso de redes, coletivos, movimentos ou organizações que não possuam CNPJ, será permitida a apresentação de propostas em coautoria com organizações que atendam todos os requisitos do Edital.Organizações cujas propostas foram aprovadas no edital lançado em dezembro de 2025 não poderão concorrer para este Edital.Propostas devem ser submetidas ao UNAIDS através da página do Edital até às 12h (horário de Brasília) de 22 de maio de 2026. Linhas temáticas e implementação das propostasCada organização poderá submeter apenas um (01) projeto para este Edital. Os projetos apresentados devem seguir obrigatoriamente uma das linhas temáticas abaixo:Linha temática 1: Redução de barreiras de acesso aos serviços de saúde.Linha temática 2: Educação entre pares e comunicação em saúde.Linha temática 3: Fortalecimento da resposta comunitária.As propostas podem ter 15 mil caracteres com espaços, desconsiderando os elementos já incluídos no modelo padrão. O cronograma na proposta deve considerar dez meses de implementação do projeto, a partir de agosto de 2026.Escopo de atividades a serem desenvolvidasAs propostas devem obrigatoriamente realizar ações voltadas para as populações de pessoas vivendo com HIV ou Aids, e/ou TB, e/ou HV, e/ou HTLV, e/ou outras I IST, e/ou as Micoses Endêmicas, e/ou MNT.Além das especificações acima, os projetos devem estar alinhados com as Diretrizes do DATHI, à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e às estratégias globais das Nações Unidas e precisam priorizar ao menos uma ou mais das seguintes populações:população em situação de rua;pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas;população privada de liberdade;travestis e população trans;profissionais do sexo;gays e outros HSH;adolescentes e jovens;população negra;população indígena.“O fortalecimento da sociedade civil de pessoas que vivem com e são afetadas pelo HIV precisa contar com o financiamento de ações nos territórios, e o UNAIDS acredita na disponibilidade e execução de recursos para que a sociedade civil possa propor mudanças na resposta à AIDS”, explica a diretora e representante do UNAIDS no Brasil, Andrea Boccardi Vidarte. “Com a aproximação de 2030, é necessário garantir que as ações lideradas pelas comunidades a nível territorial sejam cada vez mais sustentáveis”. Para mais informações, siga @unaidsbrasil nas redes e acesse a página do Edital.
1 of 5
Últimos recursos
1 / 11
Recursos
22 abril 2026
Recursos
10 novembro 2025
Recursos
20 outubro 2025
1 / 11