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07 setembro 2026
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ONU-Habitat lança curso sobre Assistência Técnica para Habitação Social em 10 cidades paulistas
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03 setembro 2026
Paz e Tolerância nas Eleições 2026
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
Discurso
03 setembro 2026
Paz e Tolerância nas Eleições 2026
Bom dia a todas e todos e muito obrigado pelo convite. Muito me engrandece representar o Sistema das Nações Unidas no Brasil neste evento. Em nome de nosso secretário-geral, cumprimento:Senhor Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal;Senhor Ministro Nunes Marques, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Senhor Ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral;Alexandre Espinosa, da Procuradoria-Geral Eleitoral;Sidney Neves, do Conselho Federal da OAB;Autoridades presentes;Representantes das instituições religiosas, da sociedade civil e das organizações parceiras. Senhoras e senhores,É uma honra para as Nações Unidas participar deste momento em que instituições tão diversas se reúnem para firmar um compromisso com a paz, com o diálogo e com a democracia.Estive recentemente em outros eventos promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral em preparação para as eleições e fiquei muito impressionado com o preparo, a seriedade e a inovação do sistema eleitoral do país. Gostaria de deixar registrado um reconhecimento ao papel fundamental desta Corte na construção e na proteção da democracia brasileira.O Brasil possui uma das maiores democracias eleitorais do mundo. Ao longo de décadas, o país construiu instituições eleitorais sólidas, um sistema de votação reconhecido internacionalmente e uma capacidade extraordinária de organizar eleições de grande escala, de forma segura, transparente e eficiente.As eleições brasileiras são, portanto, motivo de orgulho não apenas para o Brasil, mas também para todos aqueles que, no mundo, trabalham pela democracia e pelo Estado de Direito.E é justamente porque a democracia brasileira é forte que iniciativas como esta são tão importantes.A democracia não se restringe ao ato de votar. Democracia é também conviver, ouvir, respeitar. É aceitar a diversidade de opiniões e construir caminhos a partir da divergência. Para isso, precisamos reconhecer no outro — inclusive naquele que pensa diferente de nós — um cidadão ou uma cidadã com os mesmos direitos.É nesse espírito que a iniciativa “Paz e Tolerância nas Eleições” ganha um significado especial. A democracia precisa de instituições fortes, mas também precisa de uma cultura democrática. E essa cultura é construída todos os dias — nas escolas, nas famílias, nas comunidades, nas redes sociais, nas igrejas e organizações religiosas, nos espaços públicos e nas relações entre cidadãos.Por isso, o pacto que hoje será celebrado tem um valor que vai muito além do período eleitoral. Ele reafirma que divergência não precisa significar hostilidade e que convicções diferentes podem e devem coexistir, sem animosidade ou violência. É daí que sai a riqueza do debate político, que deve, sempre, ser um espaço para que possamos desenhar coletivamente o nosso futuro comum.A visão das Nações Unidas sobre democracia parte exatamente dessa premissa.Para a ONU, a democracia é um princípio universal, indivisível e interdependente dos direitos humanos, do desenvolvimento e da paz. A democracia pertence aos povos, e seu fundamento está na vontade livremente expressa das pessoas. Como estabelece o artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: a vontade do povo deve ser a base da autoridade do governo, expressa por meio de eleições legítimas e periódicas.Mas, para que essa vontade possa ser verdadeiramente manifestada, é preciso garantir as condições que tornam a democracia possível. Cito aqui algumas: liberdade de expressão; liberdade de reunião e associação; participação; igualdade; acesso à informação.E para alcançarmos tudo isso, precisamos de instituições com condições e coragem de proteger os direitos de todas as pessoas, especialmente daquelas que historicamente enfrentam maiores barreiras para participar plenamente da vida pública.Por isso, a democracia e os direitos humanos caminham juntos.Da mesma forma, democracia e paz também caminham juntas. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável traduz essa conexão de maneira muito clara no ODS 16, que nos convoca a promover sociedades pacíficas, garantir acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.Eleições são, por definição, momentos em que precisamos administrar a diferença. É natural — e até saudável — que existam projetos políticos distintos, visões diferentes sobre o futuro do país e debates intensos sobre as escolhas que precisam ser feitas.O desafio democrático é garantir que essas diferenças possam ser expressas, debatidas e decididas de maneira pacífica e harmoniosa, afinal, ninguém possui o monopólio da verdade e ninguém deve ser privado do direito de participar porque pensa diferente.O secretário-geral das Nações Unidas tem enfatizado essa dimensão da democracia. Como ele afirmou:“A democracia é movida pela vontade do povo — pelas suas vozes, pelas suas escolhas e pela sua participação. Prospera quando os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todas as pessoas são respeitados — especialmente das mais vulneráveis.”E essa mensagem é particularmente importante no momento que vivemos.Ainda nas palavras do secretário-geral: “Num momento em que a democracia e o Estado de Direito estão sob ataque através da desinformação, da divisão e da redução do espaço cívico, estes esforços são mais vitais do que nunca.”Hoje, uma das grandes ameaças à convivência democrática não está apenas nos conflitos que acontecem no mundo físico. Ela também se manifesta no ambiente digital.A desinformação pode corroer a confiança nas instituições, a manipulação pode aprofundar divisões, e o discurso de ódio pode transformar adversários políticos em inimigos. Sabemos ainda que a violência verbal pode, em determinadas circunstâncias, abrir espaço para a violência física.Por isso, defender eleições pacíficas é também defender um ambiente público em que as pessoas possam receber informação confiável, formar suas próprias opiniões e participar do debate sem medo, intimidação ou violência.É uma responsabilidade que cabe às instituições, mas que também exige a participação de toda a sociedade. E é exatamente por isso que a presença das instituições religiosas e das organizações da sociedade civil nesta iniciativa é tão significativa.Essas instituições têm uma presença profunda e capilarizada nas comunidades brasileiras. Elas estão próximas das pessoas, conhecem suas realidades e podem desempenhar um papel fundamental na promoção do diálogo, da solidariedade e da não violência.É também nesse espírito que as Nações Unidas trabalham no Brasil. Nosso papel não é escolher candidatos, partidos ou projetos políticos. Nosso papel é apoiar os princípios que permitem que os cidadãos façam suas próprias escolhas livremente, promover os direitos humanos, fortalecer a participação, e combater a discriminação, sempre respeitando plenamente a soberania nacional. Senhoras e senhores,Às vésperas de mais um processo eleitoral, talvez a mensagem mais importante que possamos transmitir seja simples: a democracia não exige que concordemos uns com os outros; ela exige que sejamos capazes de conviver uns com os outros.Que possamos fazer deste período eleitoral uma celebração da participação cidadã e do diálogo, para lembrarmos que, acima de nossas diferenças políticas, existe algo que compartilhamos: o compromisso com uma sociedade em que todas as pessoas tenham o direito de participar e de ajudar a decidir o futuro do seu país.As Nações Unidas estão honradas em estar ao lado do Tribunal Superior Eleitoral e de todas as instituições aqui presentes nesta jornada.Muito obrigado.Para saber mais, visite a página especial da ONU Brasil sobre democracia.
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27 agosto 2026
Iniciativa de restauração do Cerrado ganha Prêmio da ONU
O Cerrado brasileiro acaba de receber um dos mais importantes reconhecimentos globais para projetos de recuperação de ecossistemas!A iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida nesta quarta (26) como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial, prêmio liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Com esse reconhecimento, o Brasil se torna o único país a contar com duas Iniciativas de Referência da Restauração Mundial. As 30 iniciativas reconhecidas pela ONU desde 2022 somam quase 20 milhões de hectares em restauração e compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, além de gerar mais de 800 mil empregos. A Araticum reúne mais de 180 organizações, incluindo Povos Indígenas, Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores e governos, com a meta de restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030. Os resultados já mostram a força da ação coletiva: ✅ Mais de 27 mil hectares já foram mapeados para restauração.
✅ Sementes de mais de 150 espécies nativas já foram coletadas e utilizadas.“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças”, destacou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Para saber mais, siga @unep_pt nas redes e acompanhe a cobertura da ONU News em português.
✅ Sementes de mais de 150 espécies nativas já foram coletadas e utilizadas.“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças”, destacou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Para saber mais, siga @unep_pt nas redes e acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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História
17 agosto 2026
“O diagnóstico não define a criança”
A Jade (Jogos de Aprendizagem para Desenvolvimento Educacional), iniciativa de aprendizagem baseada em jogos digitais para crianças neurodivergentes, foi reconhecida pelo Prêmio Global da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) de 2026. Fundada em 2018, no Espírito Santo, a iniciativa utiliza tecnologia e acompanhamento individualizado para apoiar o desenvolvimento cognitivo e a inclusão pedagógica de crianças e adolescentes neurodivergentes.Tecnologia e inclusão: acompanhamento individualizadoA ideia surgiu quando Ronaldo Cohin, ao acompanhar o crescimento do filho, percebeu a escassez de especialistas e o alto custo do atendimento voltado a crianças neurodivergentes. Em 2018, fundou a Jade App, com a proposta de utilizar jogos digitais para compreender melhor as necessidades de cada criança e apoiar seu desenvolvimento.“Nosso intuito é usar as decisões da criança durante os jogos para entendermos as funções executivas e onde estão causando um atraso na educação. A partir dessa verificação, geramos uma série de atividades especificamente para aquela criança”, contou Ronaldo Cohin em entrevista ao Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).O aplicativo utiliza uma metodologia de ensino voltada ao desenvolvimento cognitivo de pessoas neurodivergentes, por meio de associações entre palavras, objetivos e figuras. Durante as atividades, a ferramenta coleta dados sobre o que a criança faz, por quanto tempo e de que maneira realiza cada tarefa. Essas informações permitem mensurar aspectos relacionados às funções executivas e identificar possíveis fatores associados a dificuldades no desenvolvimento escolar. A proposta não substitui o diagnóstico nem o acompanhamento de profissionais especializados. Em vez disso, busca oferecer informações que contribuam para uma compreensão mais individualizada das necessidades de cada aluno e orientar atividades voltadas ao desenvolvimento de suas habilidades cognitivas.“O olhar individualizado precisa existir. O diagnóstico não define a criança”, afirma Ronaldo.A partir desses recursos, a Jade ND busca aproximar famílias, educadores e crianças de uma compreensão mais ampla e individualizada das dificuldades de aprendizagem. “Muitas vezes as famílias não têm suporte mínimo”, afirma Ricardo. As soluções desenvolvidas pela iniciativa apoiam crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, discalculia, deficiência intelectual, síndrome de Down e dislexia. Também podem ser utilizadas por crianças e adolescentes que precisam desenvolver habilidades como atenção, flexibilidade mental, memória auditiva, controle de impulsos, raciocínio lógico, reconhecimento emocional e velocidade de processamento.Além da Jade App, a iniciativa reúne atualmente outras soluções, como a Jade Edu, Jade Academy e Jade Astea. Juntas, elas ampliam a atuação da empresa na inclusão pedagógica e na avaliação cognitiva, conectando diferentes espaços de aprendizagem– da sala de aula ao ambiente familiar. Atualmente, a Jade apoia mais de 220 mil crianças em mais de 179 países.“Colher os frutos que a tecnologia nos dá, respeitando as recomendações médicas, da ciência e da proteção de dados, é um ganho muito grande”, disse Ronaldo ao UNIC Rio. Sobre o Prêmio Global da OMPIO Prêmio Global da OMPI reconhece, anualmente, pequenas e médias empresas (PMEs) e startups que demonstram excelência no uso da propriedade intelectual para levar produtos ao mercado, melhorar vidas e gerar empregos.“As PMEs constituem a maioria das empresas em todos os países, impulsionando o crescimento, gerando empregos e, muitas vezes, promovendo as inovações mais disruptivas. No entanto, a maioria ainda não tem consciência do poder da propriedade intelectual como ferramenta de negócios”, disse o diretor-geral da OMPI, Daren Tang. A iniciativa da OMPI busca contribuir para um mundo em que os direitos de propriedade intelectual apoiem a inovação e a criatividade em qualquer lugar, para o benefício de todas as pessoas. Os prêmios são definidos por um júri independente e reconhecem empresas de menor porte que contribuem para o progresso e para a melhoria da vida das pessoas.Em 2026, um júri internacional selecionou onze vencedores entre 1.300 inscrições de 126 países. A avaliação considera planos de negócios, estratégias e cultura interna de propriedade intelectual, além da contribuição das iniciativas para o enfrentamento de desafios sociais.O diretor-geral da OMPI, Daren Tang, entregou, em julho, os prêmios aos representantes dos vencedores em uma cerimônia realizada durante a Assembleia Geral dos Estados-membros da OMPI, em Genebra, na Suíça. As iniciativas vencedoras também recebem um programa de mentoria personalizado para ajudá-las a utilizar a propriedade intelectual em prol do crescimento da empresa, além de apoio para facilitar o acesso a financiamento e oportunidades de negócios. Para saber mais, siga @wipo nas redes e acesse a página da OMPI para o Brasil: https://www.wipo.int/pt/web/office-brazil
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17 agosto 2026
ONU News entrevista novo coordenador residente da ONU no Brasil
A prioridade do novo líder da ONU Brasil, Igor Garafulic, é construir pontes entre a sociedade e o setor público para garantir um futuro mais justo e verde. Liderando 3,5 mil profissionais nas 25 entidades das Nações Unidas que atuam no Brasil, o novo coordenador residente aposta na força das parcerias multissetoriais para acelerar o desenvolvimento sustentável. Com quase 30 anos de experiência na ONU, Igor Garafulic já serviu em países como Azerbaijão, Honduras, Guatemala, Paraguai e Peru. Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Garafulic foi governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores.Garafulic substitui a engenheira uruguaia Silvia Rucks, que liderou o trabalho da ONU no Brasil até o início deste ano e foi o ponto focal para a realização da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Belém do Pará.Em entrevista exclusiva à ONU News, o novo líder do Sistema da ONU no Brasil destacou a atuação estratégica da organização no país, priorizando o desenvolvimento sustentável e a proteção da região amazônica. Para saber mais, leia a matéria completa da ONU News e siga @ONUNews e @ONUBrasil nas redes sociais!
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História
18 maio 2026
“Nós, os povos das Nações Unidas”
2025 foi ano de celebrar os 80 anos de parceria do Brasil com as Nações Unidas para a promoção da paz, do desenvolvimento, da igualdade e dos direitos humanos. O Brasil teve um papel de liderança nas negociações internacionais que ergueram as Nações Unidas sobre as cinzas e a devastação da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).Desde então, a ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta. Para celebrar essas oito décadas de parceria, em todo o Brasil, celebramos, o Dia das Nações Unidas foi lembrado por pessoas e instituições que, junto com a ONU, defendem e lutam pela paz, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável, sem deixar ninguém para trás.Exposição de fotosO Ministério das Relações Exteriores e a ONU Brasil inauguraram, em 14 de outubro, a exposição “Construindo Nosso Futuro Juntos”, em alusão aos 80 anos de criação da Organização das Nações Unidas. A abertura ocorreu em solenidade realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília, com a participação da vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohammed, e a ministra substituta das Relações Exteriores, Embaixadora Maria Laura da Rocha.“A cooperação é o maior ato de coragem da humanidade. Agradeço ao governo do Brasil por tornar esta exposição possível; ela conta a história de como o mundo escolheu o multilateralismo,” afirmou a vice-chefe das Nações Unidas, Amina J. Mohammed no Palácio Itamaraty.“É com muita alegria que o Itamaraty abre suas portas para receber esse evento em celebração dos 80 anos da ONU,” disse a Embaixadora Maria Laura da Rocha na cerimônia de abertura da exposição. A exposição foi organizada pelo Escritório de Coordenação das Nações Unidas no Brasil e reuniu 80 fotos de duas mostras realizadas em Nova Iorque por ocasião dos 80 anos da ONU. A primeira parte apresentou 36 fotos históricas de “Revivendo o espírito de São Francisco”, exposição que resgatou os ideais que uniram a humanidade em seu momento mais sombrio. A segunda parte trouxe 32 fotos da exposição “Vidas compartilhadas, futuro compartilhado”, com imagens do presente que mostram o trabalho cotidiano das Nações Unidas e o impacto duradouro do multilateralismo construído em 1945. A mostra foi completada por 12 fotos do acervo das agências especializadas, fundos e programas da ONU no Brasil.Paz por todo ladoA ONU tem sido o farol global da cooperação internacional, provando que o multilateralismo salva vidas, protege direitos e preserva o nosso planeta.Para levar a celebração dos 80 anos para todo o Brasil, a ONU convocou Prefeituras, organizações da sociedade civil e instituições de ensino de todo o país a organizar eventos para marcar o 80º aniversário de fundação da ONU.Milhares de pessoas participaram de 56 eventos organizados em 41 cidades de 16 estados de todas as regiões do Brasil. Ecoando a criatividade e a alegria do povo brasileiro, as celebrações aconteceram nos mais variados formatos, desde saraus e oficinas culturais até caminhadas e ações de recuperação da natureza. As celebrações contaram com mais de 12.000 participantes presenciais e mais de 142.000 em eventos online. A ONU Brasil preparou um catálogo digital com fotos e vídeos das celebrações que tomaram conta do Brasil em 2025. A participação de cidades brasileiras reforçou que a sustentabilidade se ancora nas cidades e comunidades, e destacou a importância do multilateralismo, da Agenda 2030 e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).“Apesar de sermos uma instituição presente em todo o mundo, é no nível local que está o verdadeiro impacto da ONU. É nos municípios que vemos como nosso trabalho ajuda a melhorar a vida das pessoas em áreas como educação, inclusão, saúde, promoção da igualdade, emprego e renda”, afirma a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse o Relatório Anual das Nações Unidas no Brasil 2025.
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História
31 agosto 2026
No campo, a educação também semeia futuros
Filhas de agricultores familiares, as irmãs Maria Eduarda, de 19 anos, e Maria Clara, de 17 cresceram no campo e compartilham o sonho de, por meio da educação, construir um futuro melhor para suas famílias e comunidade. A equipe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) conheceu mais de perto as irmãs durante uma visita ao município de Grajaú, no Maranhão. O encontro ocorreu durante a missão de revisão de meio termo do Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), financiado pelo FIDA com recursos do Governo da Alemanha, por meio do Programa de Adaptação para a Agricultura Familiar (ASAP+).Maria Eduarda é egressa da Escola Família Agrícola de Grajaú (EFAGMA) e atualmente é primeira secretária da associação da escola. Está cursando Licenciatura em Ciências Naturais - Química na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Grajaú, onde pretende ampliar seu conhecimento técnico para aplicar nos investimentos produtivos da sua comunidade. Maria Clara está no terceiro ano do ensino médio na mesma escola. A EFAGMA adota a metodologia da Pedagogia da Alternância, que combina períodos de quinze dias de internato, dedicados à formação da base curricular comum e à formação técnica agrícola, com quinze dias de permanência junto às famílias. Essa dinâmica aproxima teoria e prática e permite que os conhecimentos adquiridos na escola sejam aplicados à realidade do campo e contribuam para o aprimoramento das práticas agroecológicas nas comunidades.Mas a realidade nem sempre foi essa.Maria Eduarda compartilhou que, antes do PAGES, a escola funcionava em condições muito precárias. Nem sempre havia garantia das três refeições diárias e os estudantes muitas vezes dormiam em redes ou colchonetes no chão da própria sala de aula, por falta de uma estrutura adequada de alojamento.Hoje, a realidade começa a ser transformada.Por meio do PAGES, foram realizados investimentos na infraestrutura dos alojamentos, com instalação de ar-condicionado, aquisição de beliches, colchões e móveis. Também foram reativados tanques para a produção de peixes e introduzidas tecnologias e investimentos produtivos, como técnicas de revolvimento do solo e kits de irrigação. Para Maria Eduarda, uma das maiores alegrias é ver sua irmã, Maria Clara, vivenciando uma realidade diferente daquela que ela própria encontrou quando estudava na escola. Nas palavras de Maria Eduarda:“Levantar a bandeira da educação do campo é ter força, é necessário ter coragem para levantar essa bandeira e seguir unidos na representação da educação no campo, pois na EFA de Grajaú teoria se torna prática e prática educação.”São histórias como a de Maria Eduarda e Maria Clara que nos emocionam, nos inspiram e reforçam o propósito de seguir trabalhando para que o desenvolvimento sustentável também signifique mais oportunidades, dignidade e esperança para quem vive e produz no campo.Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (espanhol).Sobre o FIDAO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.org
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História
27 agosto 2026
“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar”
“Meu país começou a sofrer uma crise muito forte e isso fez com que muitos indígenas saíssem de seus contextos deixando tudo, em muitos casos deixando comunidades vazias e eu também tive que migrar”.De origem Warao, a venezuelana está há três anos no estado de Roraima, se adaptando e traçando novos planos para sua vida e sua família, sem deixar de pensar no desenvolvimento de sua comunidade.Aos 44 anos, atualmente ela mora com seus pais e um de seus três filhos na comunidade Warao Janoko, localizada no município de Cantá (RR). Nesse contexto, Rosmery assumiu, assim como tantas outras mulheres refugiadas e migrantes, a responsabilidade de cuidar dos familiares que vivem com ela, já que seus pais são pessoas idosas. A comunidade, que é formada por famílias das etnias Warao e Kariña, sobrevive da agricultura, embora considerem que a terra não esteja apta para isso. Da produção familiar, Rosmery garante os alimentos diários e parte do sustento financeiro.Rosmery expressa o que significou essa mudança: “Para migrar você tem que aceitar sua realidade e deixar tudo o que você era para trás. Na Venezuela fui professora com 25 anos de serviço. Cobri todos os níveis de educação, desde educação inicial até a etapa universitária. Chegar ao Brasil foi uma mudança muito profunda e brusca”, afirma.“Busco que a minha vida no Brasil seja ativa e criativa. Por isso desde que cheguei, realizo alguns cursos e isso me ajudou a começar o meu próprio negócio, que é uma padaria”, conta. Rosmery foi aluna em cursos de Português, confeitaria, ajudante de cozinha, gastronomia e panificação, ofertados por projetos implementados por diferentes organizações, entre elas a ONU Mulheres, o ACNUR e o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). O pequeno negócio de Rosmery começou a funcionar este ano, após dois anos de planejamento e organização financeira. “Meu principal objetivo é fazer com que a minha comunidade, a comunidade Warao a Janoko, se desenvolva e seja vista como um lugar turístico. Começamos com essa padaria familiar e logo ela apoiará outras oportunidades de desenvolvimento”, explica. O fortalecimento da sua comunidade no Brasil é uma das principais motivações de Rosmery. A importância do seu engajamento para esse objetivo, fez com que ela estivesse em Brasília (DF), ao lado de outras 15 mulheres indígenas venezuelanas de diferentes etnias, durante o Acampamento Terra Livre (ATL). Durante o acampamento, Rosmery foi uma das vozes que levantou as demandas e necessidades das mulheres refugiadas e migrantes em diferentes agendas de articulação com organizações indígenas brasileiras e com representantes do governo federal. A participação do grupo de mulheres indígenas refugiadas e migrantes no ATL foi possível através do programa conjunto realizado por ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, com o apoio do Governo de Luxemburgo, que visa o desenvolvimento de políticas públicas sensíveis aos direitos humanos e ao gênero, que atendam as necessidades diferenciadas de mulheres refugiadas e migrantes e de outros grupos de pessoas que enfrentam múltiplas formas de discriminação.Para Rosmery, representar sua comunidade e desenvolver formas para que ela prospere em outro território é uma forma de garantir seus direitos individuais e coletivos:“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar, porque é um direito internacional. Ao ser migrante, não é possível que nos coíbam de muitos direitos que nos correspondem como humanos”, ressalta.Para saber mais, acompanhe a série #BrasilAcolhedor nas redes sociais da @onubrasil!
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História
24 agosto 2026
Juventude transforma realidades no UNOPS
A quatro mil quilômetros de casa, a jovem arquiteta Talia Fernandes, de 25 anos, encontrou seu verdadeiro propósito. Nascida em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, ela atravessou o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul para cursar o mestrado em Planejamento Urbano. Longe da família e da terra natal, a vontade de aplicar seu conhecimento em cidades devastadas por catástrofes climáticas falou mais alto e a levou a seu primeiro posto no Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). A jovem, que ingressou na organização como estagiária, hoje ocupa uma vaga regular e ajuda a monitorar de perto a recuperação de 101 unidades de saúde que foram afetadas pelas enchentes no RS no ano passado. Anteriormente, Talia sentiu a frustração com o trabalho em escritórios de arquitetura tradicionais, mas, na ONU, descobriu o valor real e prático da sua profissão. “Não é porque eu sou jovem que a minha opinião não importa. Aqui, eu me sinto muito valorizada como profissional”, destaca a arquiteta.A história de Talia reflete o tema do Dia Internacional da Juventude de 2026: “Contextos diferentes, aspirações comuns”. No UNOPS, escritório da ONU especializado em infraestrutura, 45 jovens atuam nas equipes espalhadas em todo o Brasil. Para alguns deles, a trajetória exigiu ainda mais superação. É o caso da engenheira Kércia dos Santos, 30 anos. Aos 17, ela deixou a zona rural no interior da Bahia e desembarcou em Brasília com apenas uma cesta básica e muitos sonhos. Aluna de escola pública e beneficiária de políticas públicas para acesso a transporte e alimentação, ela superou muitos obstáculos. Tornou-se a primeira pessoa da sua família inteira a conquistar um diploma de curso superior e, ao escolher a Engenharia Civil, abriu seu próprio espaço, construindo um legado em uma área tradicionalmente masculina. Hoje, atua como coordenadora de obras em um dos projetos mais complexos do UNOPS, a finalização das obras de escolas em comunidades indígenas e quilombolas afastadas dos grandes centros urbanos.“Se a minha trajetória puder fazer com que outra menina do interior olhe para a Engenharia e pense 'eu também posso chegar lá', isso já tem um significado enorme para mim”, declara a coordenadora.Por trás de cada obra monitorada por Kércia e Talia, existe uma outra frente essencial para que todo o trabalho do escritório aconteça: a área de operações. Sem o suporte técnico e o cuidado humano nos bastidores, nenhum projeto sai do papel. Gabriel Bezerra, de 26 anos, atua diariamente de forma essencial para que esse processo aconteça. Morador de uma área periférica de Brasília, o jovem cresceu longe de qualquer incentivo e atuar na ONU parecia restrito às telas de televisão.“Eu nunca iria imaginar que teria um escritório da ONU aqui em Brasília. Vindo de escola pública, isso nunca foi uma conversa que eu tive”, confessa Gabriel.Há quatro anos atrás, ele ingressou como estagiário de Tecnologia da Informação (TI) e sofreu um enorme choque cultural em um ambiente tão multicultural. O convívio transformou sua visão de mundo de maneira profunda. Ele relata que os debates sobre gênero, diversidade e inclusão dentro do escritório o auxiliaram a ter uma nova visão de mundo. Profissionalmente, apesar da insegurança, teve a oportunidade de inovar. Gabriel, mesmo tão jovem, desenvolveu um aplicativo capaz de automatizar as demandas de trabalho de uma tarde inteira em apenas 15 minutos e, com dedicação, assumiu a liderança de TI para os escritórios do UNOPS no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Inspirado na trajetória dos colegas, Gabriel iniciou um mestrado, um plano antes inexistente em sua vida. “Saber que o seu trabalho faz a diferença, desde a troca de um mouse até a compra de computadores para uma escola indígena, traz uma motivação, uma vontade de acordar com um propósito”, expressa o especialista em TI. Na operação dos Recursos Humanos, Amanda Louize, com 25 anos, apoia a seleção das equipes responsáveis por transformar vidas em todo o Brasil. Formada em Relações Internacionais, ela sofreu com rejeições sucessivas em processos seletivos na época da pandemia. O sonho de integrar as Nações Unidas parecia um objetivo distante, que somente aconteceria após anos de experiência. No entanto, esse sonho não demorou tanto quanto ela imaginava para ser realizado. Amanda entrou no UNOPS como estagiária e encontrou no setor de RH o fim das incertezas. Hoje, ela trabalha em todas as etapas dos processos de seleção de equipes do escritório e encontrou a sua vocação no trabalho: ter contato com pessoas.“Eu vivo a realidade que a Amanda de 17 anos sonhava. É uma baita responsabilidade, pois a gente lida com o sonho das pessoas”, destaca a assistente.A determinação de Talia, a força de Kércia, a superação de Gabriel e a vocação de Amanda ilustram a essência e as aspirações dos jovens profissionais que trabalham na ONU no Brasil. Mais do que um brilho no olhar, eles compartilham a mesma vontade incansável de deixar um legado no que constroem cotidianamente. Com passados e realidades tão distintas, esses jovens profissionais contribuem, cada um a seu modo, com a mudança, com a promoção da igualdade e com a superação de desafios. São as pessoas que ajudam a construir o Brasil do futuro, no presente.Para saber mais, siga @onubrasil e @unops_official nas redes sociais!
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História
11 agosto 2026
“Chega de exploração. Chega de pilhagem.”
À medida que a demanda global por minerais críticos aumenta, é necessário garantir que comunidades locais também se beneficiem das oportunidades econômicas e dos meios de subsistência que elas mesmas proporcionam à economia mundial. A ONU tem trabalhado com parceiros nacionais e comunitários em todo o mundo para garantir que os minerais críticos também gerem empregos, capacitação e benefícios locais. Em seu discurso ao Conselho de Segurança em 22 de julho de 2026, o secretário-geral António Guterres cobrou compromisso com a responsabilidade social e com práticas sustentáveis num momento em que um número cada vez maior de nações buscam capitalizar o potencial dos recursos minerais para o desenvolvimento.“Devemos garantir que o desenvolvimento do setor mineral gere resultados justos e sustentáveis para os países e para as comunidades dotadas de recursos naturais.” Na sessão do Conselho de Segurança sobre a manutenção da paz e da segurança internacionais com foco na “Governança dos recursos naturais: O fundamento da paz, segurança e prosperidade”, o líder das Nações Unidas enfatizou:“É hora de romper com o antigo padrão, em que os recursos são extraídos, o valor é capturado em outros lugares e as comunidades empobrecidas são deixadas para trás, tendo de lidar com os danos ambientais e socioeconômicos.” Com o agravamento da crise climática, a demanda global por minerais críticos para tecnologias de energia limpa – como lítio para veículos elétricos ou selênio para células solares – deve triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040, conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE).Lançado em outubro de 2025, o relatório do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) enfatiza que o financiamento da mineração responsável será fundamental para uma transição energética bem-sucedida e justa. “A demanda por minerais e metais necessários para a transição energética requer uma indústria de mineração que contribua para o desenvolvimento sustentável, respeitando os direitos humanos e o meio ambiente. Por meio de finanças sustentáveis, a mineração responsável pode se tornar o padrão, não a exceção”, disse o copresidente do Painel Internacional de Recursos, Janez Potočnik. Desde 1970, o volume de extração mineral quintuplicou, e a expectativa é que o segmento de minerais essenciais para a transição energética mantenha uma rápida trajetória de crescimento.Apenas no ano de 2023, a busca por insumos como cobalto, grafite, níquel e elementos de terras raras registrou crescimentos de 8% a 15%. Além disso, é estimado que a procura por lítio até o ano de 2050 vai corresponder a 9 vezes o volume total produzido globalmente em 2022. O relatório de setembro de 2024 do Painel do Secretário-Geral da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética enfatizou que o aproveitamento de minerais críticos requer novas abordagens, priorizando a justiça, equidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor dos minerais críticos – desde a mineração, refino e fabricação, até o transporte e reciclagem. A mensagem do secretário-geral aos membros do Conselho de Segurança, em julho deste ano, foi enfática: “O desafio é transformar a forma como os recursos naturais são extraídos, processados, comercializados e utilizados – garantindo que muito mais valor agregado seja retido pelos países produtores e pelas comunidades afetadas. Chega de exploração. Chega de saques.”“E devemos privar os grupos armados e as redes criminosas das rendas que alimentam conflitos prolongados. Se não agirmos, a exploração ilícita dos recursos naturais continuará a alimentar a desigualdade, a instabilidade e a violência”, enfatizou Guterres. Matérias relacionadas: UNODC: Crescente demanda por minerais aumenta riscos de crime, corrupção e instabilidadeONU Brasil: Histórias do Garimpo Descubra mais: Sobre o Painel do Secretário-Geral sobre Minerais Críticos: Criado pelo secretário-geral da ONU em abril de 2024, o Painel sobre Minerais Críticos para a Transição Energética reuniu governos, setor privado, organizações internacionais e sociedade civil para desenvolver princípios comuns que promovam cadeias de valor minerais justas, sustentáveis e transparentes. Entre as principais recomendações do relatório final do Painel estão: agregar mais valor localmente nos países produtores, fortalecer a rastreabilidade e a transparência das cadeias de suprimento e garantir benefícios econômicos, sociais e ambientais às comunidades afetadas pela mineração.Sobre o Painel Internacional de Recursos (IRP): O IRP foi lançado em 2007 pelo PNUMA para estabelecer uma interface ciência e política sobre o uso sustentável dos recursos naturais e, em particular, seus impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida. O Painel é composto por atores governamentais, da indústria e da sociedade civil e liderado conjuntamente pela equipe de ação climática do Secretariado da ONU, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O Painel estuda questões-chave sobre o uso global de recursos e produz relatórios de avaliação sobre as mais recentes descobertas científicas, técnicas e socioeconômicas para informar a tomada de decisões.Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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História
07 agosto 2026
“A luta indígena é a luta de todos”
Aos 53 anos, Alida se reconhece, com firmeza, como uma liderança indígena Warao.“Hoje sou uma líder de verdade. E não é porque sou boa, mas porque faço acontecer. Líder é a pessoa que trabalha, que está a frente da batalha”, explica. Mas a história de Alida prova que ela é uma liderança há muito tempo. A filha de cacique é mãe de três filhos e formada em pedagogia. Atualmente, ocupa a posição de vice-presidente do Conselho Indígena Najakara Mooru (Cinamo) organização representativa do povo indígena com sede na comunidade Warao a Janoko no município de Cantá, Roraima. Antes disso, já liderava grupos de mulheres indígenas nos abrigos onde viveu em Pacaraima e Boa Vista. “Me sinto muito contente de estar à frente de uma associação civil de comunidades indígenas onde se encontram dois povos diferentes da Venezuela, Kari’ñas e Warao, cada um com seus costumes. O objetivo da associação é zelar pela segurança da comunidade em todos os espaços: na educação, moradia, saúde”, relata.Em 2019, mesmo ano em que Alida ingressou no Brasil, dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) mostravam que mais de 2,5 mil indígenas vieram da Venezuela em busca de proteção. Hoje em dia já são mais de 13.960 mil pessoas indígenas venezuelanas no país, de acordo com dados de março de 2026 extraídos do proGres, sistema do ACNUR voltado ao registro e à gestão de casos. Na comunidade Warao a Janoko estão cerca de 150 pessoas de 28 famílias. Localizada a 35 quilômetros de Boa Vista (RR), conta com uma casa cultural, energia elétrica e banheiros. O ACNUR tem apoiado a comunidade por meio de um projeto de autoconstrução de casas. A comunidade se estabeleceu por esforço próprio na região e está, atualmente, trabalhando junto com a Prefeitura do Cantá, governo do estado de Roraima e o ACNUR para fazer parte da rota de turismo da região. “A esperança é o movimento que impulsiona a vida. Meu sonho é ter uma comunidade organizada, com boas casas e com todos os serviços necessários. Que cada pessoa dê sua contribuição e impulsione o empreendimento voltado para o turismo, e que também o governo perceba isso. Nós, povos indígenas, somos trabalhadores e continuaremos sendo. Somos verdadeiros guerreiros neste país”, afirma Alida. Segundo a líder, a comunidade está organizada em grupos que compartilham seus saberes ancestrais: cultura, contação de histórias, dança e interculturalidade por meio das línguas. A comunidade fala Warao, Kari’ña e espanhol, além de conhecimentos básicos de português.Na luta por reconhecimento, direitos e inclusão em políticas públicasEm abril de 2026, Alida e outras lideranças Taurepang, Warao e Kari’ña representaram suas etnias e comunidades na maior mobilização dos povos indígenas do país, o Acampamento Terra Livre, em Brasília. Em articulação conjunta, o ACNUR e a Agência da ONU para Migrações (OIM) apoiaram a comitiva composta por 16 pessoas indígenas refugiadas e migrantes que se deslocaram dos municípios de Pacaraima e Cantá (RR), Manaus (AM), Belém e Ananindeua (PA) para a capital federal. Durante uma semana, as lideranças tiveram a oportunidade de participar de agendas e discussões políticas sobre seus direitos e se uniram às marchas com sete mil indígenas de todas as regiões brasileiras. “Estou muito feliz por participar do ATL pela segunda vez. Nesse espaço, tive a oportunidade de participar de reuniões muito importantes com povos indígenas, representantes de direitos humanos e advogados. A questão da educação dos povos indígenas é uma das nossas bandeiras, e queremos continuar essa luta para o futuro”, explica.Alida e outras mulheres indígenas Warao e Kari’ña participaram também do encontro Diálogos Fundo Brasil ONU: Rede Brasileira dos Povos Originários das Reservas da Biosfera e Sociobiodiversidade, organizado pela Unesco, com foco na valorização cultural e linguística a partir da produção de materiais educativos em dialetos indígenas. Para Alida, participar em debates e espaços como estes são oportunidades de reconhecimento e inclusão da população indígena venezuelana nas políticas públicas brasileiras por todas as esferas de governo. “A luta indígena é a luta de todos. Espero que os indígenas venezuelanos sejam incluídos, e que não nos vejam como indígenas de outro país ou indígenas estrangeiros, mas sim como povos indígenas da América Latina que convivem com a mesma realidade e enfrentam os mesmos desafios.”A participação de Alida e dos demais indígenas venezuelanos no Acampamento Terra Livre contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá. A participação de Alida e dos demais indígenas venezuelanos no Acampamento Terra Livre contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
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Notícias
04 setembro 2026
ONU-Habitat lança curso sobre Assistência Técnica para Habitação Social em 10 cidades paulistas
Estão abertas as inscrições para o curso ATHIS em foco: transformações em territórios e vivências. Voltada a profissionais e estudantes de Arquitetura e Urbanismo, da gestão pública e de organizações da sociedade civil, a formação busca ampliar conhecimentos teóricos e práticos sobre projetos de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), buscando um diálogo com as comunidades e a compreensão das especificidades de cada território.
As inscrições podem ser realizadas neste link: https://tr.ee/vIw5pU.O curso é uma iniciativa do projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global, parceria entre o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), o ONU-Habitat e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE). O curso será realizado presencialmente de 14 de setembro até novembro, simultaneamente em 10 cidades do estado de São Paulo: Bauru, Campinas, Mogi das Cruzes, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba. As datas de encerramento variam de acordo com o município. Cada cidade terá entre 40 e 100 vagas disponíveis.Ao final da formação, espera-se que os participantes sejam capazes de: interpretar criticamente os territórios; analisar e propor soluções interdisciplinares para as condições habitacionais; planejar e gerenciar os aspectos técnicos, financeiros, estéticos, funcionais, ambientais e de sustentabilidade das intervenções nesses territórios; além de aprofundar seus conhecimentos teóricos e práticos sobre ATHIS.A formação está organizada em três etapas sequenciais, que combinam momentos de aprendizagem específicos para cada público e atividades de integração entre os participantes.Etapa 1 – Formação comum: reúne duas disciplinas e três palestras destinadas a nivelar e ampliar os conhecimentos dos participantes sobre ATHIS.Etapa 2 – Trilhas de aprendizagem: reúne seis disciplinas, três palestras com atores locais e três fóruns de discussão, todos de caráter eletivo. As atividades estão organizadas em três trilhas, definidas para cada tipo de público. Cada estudante poderá seguir uma trilha de forma vertical ou escolher livremente as atividades de acordo com seus interesses e necessidades.Etapa 3 – Integração e consolidação: reúne participantes dos três públicos em atividades de trabalho em equipe e seminários de consolidação dos conteúdos. A etapa prioriza abordagens práticas e aplicadas, com estudos de caso locais, oficinas, experiências reais e elaboração de instrumentos que possam ser utilizados após o curso. Poderá também ser complementada por visitas de campo.A avaliação será realizada por meio de questionários aplicados no início e ao final da capacitação. Para aprovação, será exigida frequência mínima de 75% nas atividades propostas. Diagnóstico e desafios locaisA estrutura do curso foi desenvolvida a partir dos resultados de um diagnóstico realizado no primeiro semestre, que envolveu visitas a 20 cidades do estado de São Paulo. O trabalho buscou identificar capacidades, experiências, demandas e desafios relacionados à ATHIS junto a prefeituras, profissionais de Arquitetura e Urbanismo e organizações da sociedade civil. “Procuramos entender o que já existia em cada região e estava funcionando, além de identificar lacunas de conhecimento, dificuldades e desafios”, explica o coordenador do projeto ATHIS em Rede pelo ONU-Habitat, Nilcio Regueira Dias.Além da coleta de informações em campo, o diagnóstico incluiu a pesquisa e análise de dados existentes sobre déficit e necessidades habitacionais, bem como o mapeamento de práticas, especialistas e experiências de ATHIS.“Tudo isso permitiu elaborar uma estrutura pedagógica adaptada às necessidades e às realidades de cada região. Também permitiu identificar e aproximar pessoas e instituições que já atuam com ATHIS, contribuindo para a formação de uma rede ativa de agentes”, ressalta Nilcio.Profissionais, poder público e sociedade civilA definição dos três públicos-alvo do curso parte da compreensão de que o fortalecimento da ATHIS depende da articulação entre profissionais, poder público e sociedade civil organizada.Os profissionais e estudantes de Arquitetura e Urbanismo constituem um público estratégico por sua formação e capacidade de atuação direta nos territórios. “É fundamental aprimorar as capacidades desses profissionais e fortalecer a ATHIS como campo de atuação. Trata-se de um passo importante para consolidar essa política, o que é uma prioridade para o Conselho”, afirma a presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo.Segundo ela, a atuação nessa área ainda enfrenta desafios, como a falta de oportunidades nas instituições, a baixa valorização da assistência técnica em comparação com o mercado imobiliário e a ausência de mecanismos estruturados de contratação pública.Nesse sentido, gestores públicos e organizações da sociedade civil também são públicos estratégicos. “A proposta é ampliar as capacidades institucionais, favorecer a incorporação da assistência técnica às agendas e aos orçamentos municipais e contribuir para a continuidade e a ampliação das ações como política pública permanente”, completa.ATHIS em RedeCriado em 2026, o projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global tem como objetivo preparar pessoas e instituições para fortalecer a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social no Sul Global, formando uma rede de profissionais e instituições atuantes no campo e contribuindo para ampliar o acesso da população à ATHIS. No Brasil, o direito à assistência técnica gratuita para projetos e construção de habitação de interesse social para famílias de baixa renda é previsto pela Lei Federal nº 11.888/2008.Saiba mais em: redus.org.br/athis-em-redeContato para imprensa:
projeto ATHIS em Rede: Ana Maria Barbour: ana.alvesbarbour@un.org
ONU-Habitat Brasil: Aléxia Saraiva - alexia.saraiva@un.org
CAU/SP: Antonio Biondi - antonio.biondi@causp.gov.br
ABC/MRE: Janaina Plessmann - janaina.plessmann@abc.gov.br
As inscrições podem ser realizadas neste link: https://tr.ee/vIw5pU.O curso é uma iniciativa do projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global, parceria entre o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), o ONU-Habitat e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE). O curso será realizado presencialmente de 14 de setembro até novembro, simultaneamente em 10 cidades do estado de São Paulo: Bauru, Campinas, Mogi das Cruzes, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba. As datas de encerramento variam de acordo com o município. Cada cidade terá entre 40 e 100 vagas disponíveis.Ao final da formação, espera-se que os participantes sejam capazes de: interpretar criticamente os territórios; analisar e propor soluções interdisciplinares para as condições habitacionais; planejar e gerenciar os aspectos técnicos, financeiros, estéticos, funcionais, ambientais e de sustentabilidade das intervenções nesses territórios; além de aprofundar seus conhecimentos teóricos e práticos sobre ATHIS.A formação está organizada em três etapas sequenciais, que combinam momentos de aprendizagem específicos para cada público e atividades de integração entre os participantes.Etapa 1 – Formação comum: reúne duas disciplinas e três palestras destinadas a nivelar e ampliar os conhecimentos dos participantes sobre ATHIS.Etapa 2 – Trilhas de aprendizagem: reúne seis disciplinas, três palestras com atores locais e três fóruns de discussão, todos de caráter eletivo. As atividades estão organizadas em três trilhas, definidas para cada tipo de público. Cada estudante poderá seguir uma trilha de forma vertical ou escolher livremente as atividades de acordo com seus interesses e necessidades.Etapa 3 – Integração e consolidação: reúne participantes dos três públicos em atividades de trabalho em equipe e seminários de consolidação dos conteúdos. A etapa prioriza abordagens práticas e aplicadas, com estudos de caso locais, oficinas, experiências reais e elaboração de instrumentos que possam ser utilizados após o curso. Poderá também ser complementada por visitas de campo.A avaliação será realizada por meio de questionários aplicados no início e ao final da capacitação. Para aprovação, será exigida frequência mínima de 75% nas atividades propostas. Diagnóstico e desafios locaisA estrutura do curso foi desenvolvida a partir dos resultados de um diagnóstico realizado no primeiro semestre, que envolveu visitas a 20 cidades do estado de São Paulo. O trabalho buscou identificar capacidades, experiências, demandas e desafios relacionados à ATHIS junto a prefeituras, profissionais de Arquitetura e Urbanismo e organizações da sociedade civil. “Procuramos entender o que já existia em cada região e estava funcionando, além de identificar lacunas de conhecimento, dificuldades e desafios”, explica o coordenador do projeto ATHIS em Rede pelo ONU-Habitat, Nilcio Regueira Dias.Além da coleta de informações em campo, o diagnóstico incluiu a pesquisa e análise de dados existentes sobre déficit e necessidades habitacionais, bem como o mapeamento de práticas, especialistas e experiências de ATHIS.“Tudo isso permitiu elaborar uma estrutura pedagógica adaptada às necessidades e às realidades de cada região. Também permitiu identificar e aproximar pessoas e instituições que já atuam com ATHIS, contribuindo para a formação de uma rede ativa de agentes”, ressalta Nilcio.Profissionais, poder público e sociedade civilA definição dos três públicos-alvo do curso parte da compreensão de que o fortalecimento da ATHIS depende da articulação entre profissionais, poder público e sociedade civil organizada.Os profissionais e estudantes de Arquitetura e Urbanismo constituem um público estratégico por sua formação e capacidade de atuação direta nos territórios. “É fundamental aprimorar as capacidades desses profissionais e fortalecer a ATHIS como campo de atuação. Trata-se de um passo importante para consolidar essa política, o que é uma prioridade para o Conselho”, afirma a presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo.Segundo ela, a atuação nessa área ainda enfrenta desafios, como a falta de oportunidades nas instituições, a baixa valorização da assistência técnica em comparação com o mercado imobiliário e a ausência de mecanismos estruturados de contratação pública.Nesse sentido, gestores públicos e organizações da sociedade civil também são públicos estratégicos. “A proposta é ampliar as capacidades institucionais, favorecer a incorporação da assistência técnica às agendas e aos orçamentos municipais e contribuir para a continuidade e a ampliação das ações como política pública permanente”, completa.ATHIS em RedeCriado em 2026, o projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global tem como objetivo preparar pessoas e instituições para fortalecer a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social no Sul Global, formando uma rede de profissionais e instituições atuantes no campo e contribuindo para ampliar o acesso da população à ATHIS. No Brasil, o direito à assistência técnica gratuita para projetos e construção de habitação de interesse social para famílias de baixa renda é previsto pela Lei Federal nº 11.888/2008.Saiba mais em: redus.org.br/athis-em-redeContato para imprensa:
projeto ATHIS em Rede: Ana Maria Barbour: ana.alvesbarbour@un.org
ONU-Habitat Brasil: Aléxia Saraiva - alexia.saraiva@un.org
CAU/SP: Antonio Biondi - antonio.biondi@causp.gov.br
ABC/MRE: Janaina Plessmann - janaina.plessmann@abc.gov.br
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Notícias
01 setembro 2026
Países da América Latina e Caribe fortalecem cooperação em políticas de alimentação escolar
Ampliar a cobertura dos programas de alimentação escolar, melhorar a qualidade nutricional dos alimentos oferecidos, fortalecer a infraestrutura e consolidar marcos normativos que garantam a alimentação escolar como uma política permanente de Estado são alguns dos principais desafios enfrentados pelos países da América Latina e do Caribe para avançar no acesso e consumo de dietas saudáveis e na garantia do direito à alimentação. Atualmente, 80 milhões de estudantes são atendidos pela alimentação escolar na região.Para promover uma agenda de cooperação e fortalecer os programas de alimentação escolar, representantes de 17 dos 18 países membros da RAES — entre autoridades governamentais, especialistas e responsáveis por programas de alimentação escolar — reuniram-se em Comayagua, Honduras, para trocar experiências, analisar desafios comuns e definir ações conjuntas para 2027.O objetivo do encontro presencial da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), intitulado “Alimentação escolar: construindo sistemas agroalimentares sustentáveis e inclusivos”, foi permitir que os países avançassem na definição de acordos e ações de acordo com as prioridades escolhidas pelos países na Agenda Regional de Alimentação Escolar da RAES e construíssem respostas coordenadas diante dos principais desafios da região.O encontro da RAES foi organizado conjuntamente pela FAO e pelo Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), com o Governo de Honduras como anfitrião, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDESOL).Honduras: compromisso com a alimentação escolarA abertura do encontro contou com a presença do presidente de Honduras, Nasry Asfura, que reafirmou o compromisso do país com o fortalecimento da alimentação escolar como uma política estratégica para o bem-estar das crianças e o desenvolvimento local. “A alimentação escolar não é apenas um prato de comida. É ajudar uma criança a aprender, crescer saudável e ter melhores oportunidades”.O Programa de Alimentação Escolar (PAE) de Honduras beneficia diariamente 1,215 milhão de estudantes em mais de 21 mil centros educacionais. Em entrevista coletiva realizada no âmbito do evento da RAES, Asfura detalhou que atualmente o Governo destina 1,022 bilhão de lempiras (US$ 38 milhões) para a alimentação escolar, valor que, segundo ele, será aumentado no próximo ano, com o objetivo de melhorar a qualidade e ampliar a cobertura.Ele detalhou ainda que o Governo busca integrar agricultores e agricultoras familiares e locais a esse processo, para que possam fornecer alimentos frescos e, dessa forma, também gerar produção e desenvolvimento nas comunidades rurais.A delegação internacional também conheceu a experiência de Lamaní, em Comayagua, Honduras, na implementação de seu programa de alimentação escolar, por meio do diálogo com autoridades e gestores de diferentes centros educacionais, bem como durante uma visita ao Centro de Educação Básica Herminio Velásquez.O grupo também dialogou com atores locais, estudantes, professores, pais e mães de família, e conheceu experiências e práticas como as hortas escolares pedagógicas, que, além de fornecer frutas e verduras para a escola, são uma importante ferramenta de educação ambiental e de educação alimentar e nutricional, capaz de gerar aprendizados para outros países da região; a inovação tecnológica agrícola, por meio do empoderamento dos jovens; e a degustação de preparações utilizadas na alimentação escolar local.Além disso, o encontro destacou dois temas que estão em debate em âmbito global: o Ano Internacional da Agricultora e a inserção do pescado na alimentação escolar. O subdiretor-geral e representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe, Rene Orellana Halkyer, destacou que a organização acompanha os países da região no fortalecimento de seus programas de alimentação escolar por meio de assistência técnica, geração de evidências e desenvolvimento de capacidades. “Este encontro é uma oportunidade para avançar nessa agenda, trocar experiências e fortalecer políticas que respondam às necessidades de cada país”. Representando o Governo do Brasil, a embaixadora do país em Honduras, Andrea Watson, destacou a importância das políticas públicas de combate à fome, especialmente dos programas de alimentação escolar.Com a FAO como secretaria executiva, a RAES foi criada em 2018 pelo Governo do Brasil para promover o intercâmbio de conhecimentos, experiências e boas práticas entre os países da região. Atualmente, a Rede conta com 18 países membros: Belize, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Honduras, Guatemala, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, Suriname e Uruguai.O encontro também contou com a participação de diversas organizações e entidades internacionais, entre elas a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, a Fundação Rockefeller, o Consórcio de Pesquisa para a Saúde e a Nutrição Escolar, o Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Observatório do Direito Humano à Alimentação Adequada da América Latina e do Caribe (ODA-ALC).Como parte das atividades, as delegações conheceram as experiências de três países na inclusão do pescado na alimentação escolar, como parte do projeto “Incorporando alimentos aquáticos de pescadores locais e produtores aquícolas nos programas de alimentação escolar na América Latina e no Caribe”, uma iniciativa que reúne Honduras, Belize e Bolívia para promover a incorporação de pescado e produtos pesqueiros e aquícolas nos programas de alimentação escolar por meio das compras públicas.A iniciativa conta com o apoio do Instrumento de Contribuições Voluntárias Flexíveis (ICVF) da FAO e dos governos de Flandres, Noruega, Catar (Qatar Fund for Development), do Principado de Mônaco e da Suécia. Além disso, Brasil e Chile apresentaram seus avanços, resultados e desafios na incorporação desses alimentos nesses programas.O Encontro da RAES realizado em Honduras evidenciou que a transformação dos programas de alimentação escolar requer liderança política, compromisso institucional e participação ativa das comunidades escolares. Ao mesmo tempo, confirmou o valor estratégico da cooperação Sul-Sul e triangular promovida pelo Brasil, bem como do acompanhamento técnico da FAO, como catalisadores para o intercâmbio de conhecimentos, a inovação e a construção de sistemas de alimentação escolar mais sustentáveis, inclusivos e resilientes na América Latina e no Caribe.
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27 agosto 2026
PNUD e Trata Brasil formalizam parceria de apoio à campanha Voto no Saneamento
O Instituto Trata Brasil lançou a campanha Voto no Saneamento para colocar o saneamento básico no centro do debate eleitoral. Agora, a iniciativa passa a contar com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência de desenvolvimento global da ONU.O saneamento básico ainda ocupa pouco espaço no debate público brasileiro, em meio a uma realidade preocupante. Mais de 32 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, e quase 90 milhões não contam com coleta de esgoto. Somente em 2024, cerca de 340 mil pessoas foram internadas por doenças associadas à falta de saneamento, como diarreia, dengue, hepatite e leptospirose.Diante desse cenário, a campanha Voto no Saneamento reúne informações em uma plataforma que ajuda eleitoras e eleitores a cobrarem propostas concretas das candidatas e candidatos e, ao mesmo tempo, apoia-os na estruturação de uma proposta de saneamento consistente para seu plano de governo.Além de somar peso institucional à campanha, a adesão do PNUD conecta a pauta eleitoral brasileira a compromissos internacionais que o país já assumiu. O programa atua no Brasil há décadas em temas ligados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, que trata de água potável e saneamento, e tem experiência de cooperação técnica internacional com os governos municipais, estaduais e Governo Federal.Essa articulação reforça que o saneamento faz parte de uma agenda de desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo nacional e global. Um estudo do Instituto Trata Brasil aponta que a universalização do saneamento traria ganhos socioeconômicos de quase R$ 1,4 trilhão entre 2021 e 2040, com um retorno estimado de R$ 4,10 para cada R$ 1,00 investido.Para o chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, “o acesso universal à água potável e ao saneamento é essencial para o desenvolvimento humano, a saúde e a dignidade das pessoas. Ao apoiar o Voto no Saneamento, o PNUD reafirma a importância de colocar essa agenda no centro das políticas públicas e das escolhas eleitorais, contribuindo para um Brasil mais inclusivo e sustentável.”“A adesão do PNUD à campanha Voto no Saneamento dá mais força e visibilidade a essa causa. Ganhamos um parceiro de peso internacional e o reconhecimento de que o saneamento básico é parte de uma agenda global de desenvolvimento sustentável. Esperamos que essa parceria ajude a mobilizar eleitores, candidatos e gestores públicos para que o saneamento ocupe o lugar central que merece nas eleições. Vivemos um momento decisivo, e ele precisa se traduzir em prioridade real, para que as famílias brasileiras tenham acesso ao básico e uma vida com mais saúde e dignidade”, aponta a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto. Para mais informações, acesse a página da campanha: https://votonosaneamento.tratabrasil.org.br/Contatos para a imprensa:PNUD Brasil: comunica.br@undp.orgInstituto Trata Brasil: imprensa@tratabrasil.org.br
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26 agosto 2026
ONU reconhece iniciativa brasileira Araticum como Referência da Restauração Mundial
A ONU reconheceu nesta quarta-feira (26) a iniciativa brasileira Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro, como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), destacando o grande esforço para restaurar o Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo e um bioma que sofre intensa pressão devido à conversão e fragmentação de terras e às mudanças climáticas.Anunciada durante um evento na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), a iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel. Com esse reconhecimento, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).Liderados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, os prêmios reconhecem algumas das iniciativas de restauração de ecossistemas mais ambiciosas e impactantes do mundo. “Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, bem como as tensões geopolíticas em curso, estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos – desde segurança alimentar e novos empregos até maior resiliência para milhões de pessoas”, afirmou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em grande escala. Esse processo prejudica os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.A iniciativa reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros. Esse trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas.O projeto já mapeou mais de 27 mil hectares em processo de restauração, com novas áreas sendo continuamente incorporadas por meio de sua plataforma de monitoramento. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas já foram coletadas e utilizadas em atividades de restauração, contribuindo para a formação de uma cadeia produtiva da restauração que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro. A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação, afirmou a coordenadora da Araticum e coletora de sementes Geraizeira, Fabrícia Santarém.”Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração até 2030, contribuindo para a valorização dos ecossistemas não florestais e para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa.Para isso, combina a restauração ecológica com ferramentas sociais e econômicas, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e articulação com políticas públicas.A iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro, é uma das 30 iniciativas de restauração reconhecidas pela ONU desde 2022. Juntas, essas iniciativas já somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e abrangem compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, ao mesmo tempo em que geram mais de 800 mil empregos e contribuem para a recuperação e o aumento das populações de espécies da biodiversidade.
NOTA AOS EDITORESSobre as Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagships)Os países já assumiram o compromisso de restaurar 1 bilhão de hectares - uma área maior que a da China - como parte de seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, das Metas de Aichi para a Biodiversidade, das Metas de Neutralidade da Degradação da Terra e do Desafio de Bonn.No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade da restauração. Por meio das Iniciativas de Referência de Restauração Mundial, a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas homenageia os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em grande escala e de longo prazo, que incorporam os 10 Princípios de Restauração da Década da ONU.O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial será monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração. Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Seu objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para levar uma vida ativa e saudável. Com mais de 193 países-membros, a FAO atua em mais de 130 países ao redor do mundo. Para mais informações, entre em contato: Carlos Gomez, PNUMA: carlos.gomezdelcampo@un.orgCarol Sacramento, Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado): rede.araticum@gmail.com
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NOTA AOS EDITORESSobre as Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagships)Os países já assumiram o compromisso de restaurar 1 bilhão de hectares - uma área maior que a da China - como parte de seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, das Metas de Aichi para a Biodiversidade, das Metas de Neutralidade da Degradação da Terra e do Desafio de Bonn.No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade da restauração. Por meio das Iniciativas de Referência de Restauração Mundial, a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas homenageia os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em grande escala e de longo prazo, que incorporam os 10 Princípios de Restauração da Década da ONU.O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial será monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração. Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Seu objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para levar uma vida ativa e saudável. Com mais de 193 países-membros, a FAO atua em mais de 130 países ao redor do mundo. Para mais informações, entre em contato: Carlos Gomez, PNUMA: carlos.gomezdelcampo@un.orgCarol Sacramento, Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado): rede.araticum@gmail.com
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Notícias
25 agosto 2026
ONU e Cruz Vermelha cobram adoção urgente de normas sobre armas autônomas
Em meio a relatos de que drones totalmente autônomos e guiados por inteligência artificial (IA) estejam sendo utilizados em campos de batalha, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, renovaram, nesta terça-feira (25/08), seu apelo urgente por controles mais rigorosos, antes que seja tarde demais.O momento em que o apelo foi feito reflete as crescentes preocupações de que armas cada vez mais sofisticadas estejam sendo fabricadas e empregadas com velocidade e escala cada vez maiores, impulsionadas por uma tecnologia de IA cada vez mais poderosa.“Estamos agora perigosamente próximos de cruzar uma linha vermelha moral: o ataque autônomo a seres humanos por máquinas”, afirmou o secretário-geral António Guterres, em um apelo conjunto com a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric Egger. Atacar civis e infraestrutura civil em conflitos já é estritamente proibido pelo direito internacional humanitário. A preocupação adicional é que decisões de vida ou morte sejam tomadas por máquinas incapazes de distinguir entre combatentes e não combatentes. Ecoando essas preocupações em Genebra, a chefe de assuntos de desarmamento da ONU em Genebra, Mélanie Régimbal, enfatizou a posição de longa data do líder das Nações Unidas de que sistemas que selecionam ou atacam alvos e tiram vidas humanas sem controle e julgamento humanos “são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser proibidos pelo direito internacional”.No apelo, Guterres e Egger observaram que as armas autônomas “não fazem parte de um futuro distante”, uma vez que a corrida rumo a uma maior autonomia já está em andamento. Cientistas e engenheiros que desenvolvem tais sistemas também manifestaram preocupações quanto aos riscos envolvidos, observaram eles.A ONU e a Cruz Vermelha exortam os governos a iniciar negociações sobre um instrumento juridicamente vinculativo que estabeleça proibições e restrições claras. O apelo é feito antes da Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW), que ocorrerá em novembro, em Genebra. Os líderes da ONU e da Cruz Vermelha descreveram o encontro como o “caminho mais claro disponível” para que os Estados cheguem a um acordo para avançar nas negociações sobre um instrumento juridicamente vinculativo.Já foram estabelecidas bases importantes para um acordo por meio de discussões na Assembleia Geral da ONU e no Grupo de Peritos Governamentais da CCW, afirmaram eles, incluindo avanços na definição do julgamento e do controle humanos necessários para garantir o cumprimento do Direito Internacional Humanitário.A ONU e o CICV lançaram seu apelo conjunto pela primeira vez em 2023, instando os Estados a negociarem um instrumento juridicamente vinculativo até 2026. O apelo inicial enfatizou que o controle humano deve ser mantido sobre decisões de vida ou morte e que máquinas capazes de tirar vidas sem envolvimento humano devem ser proibidas pelo direito internacional.O apelo desta terça (25) renova esse impulso com prazo definido, ressaltando que o trabalho meticuloso dos últimos anos deve agora levar à ação.“Exortamos os Estados a aproveitarem este momento”, afirmaram os líderes. “A inovação deve servir à humanidade – e não colocá-la em risco.”Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português e assista à gravação da coletiva de imprensa realizada na sede europeia das Nações Unidas em Genebra. NOTA A EDITORESÍntegra do apelo conjunto das Nações Unidas e da Cruz Vermelha (25 de agosto de 2026): Há três anos, pedimos aos Estados que estabelecessem proibições e restrições específicas aos sistemas de armas autônomas. Hoje, reiteramos esse pedido com uma urgência ainda maior. As preocupações básicas continuam inalteradas, mas os riscos se intensificaram. Estamos agora perigosamente perto de cruzar um limite moral: a autonomia das máquinas para determinar que seres humanos sejam alvos.O desenvolvimento da tecnologia bélica avançou a uma velocidade recorde, o que aumenta a pressão sobre os marcos jurídicos. Desde nosso pedido anterior, a lacuna entre a capacidade tecnológica e a restrição regulatória aumentou, porque as tecnologias avançadas que estão sendo empregadas no campo de batalha ampliam o risco de prejudicar populações e infraestruturas civis e de agravar o sofrimento das pessoas em conflitos armados.O desenvolvimento e o uso de sistemas de armas autônomas representam uma nova escalada, porque reduzem o controle humano sobre o uso da força. Os sistemas de armas autônomas não fazem parte de um futuro distante: a corrida rumo a uma maior autonomia nos sistemas de armas já está ocorrendo. Ao mesmo tempo, os próprios cientistas e engenheiros que desenvolvem esses sistemas fizeram um alerta. Quando os próprios arquitetos dessa tecnologia exigem limites, os Estados não podem se dar ao luxo de permanecer passivos.Este ano deve marcar uma mudança.Os Estados estabeleceram bases importantes através da Assembleia Geral das Nações Unidas e do Grupo de Especialistas Governamentais no âmbito da Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Houve um avanço significativo para uma compreensão comum do julgamento e do controle humanos requeridos e das medidas necessárias para garantir a conformidade com o Direito Internacional Humanitário, resolver as preocupações éticas e reduzir o sofrimento humano.Os Estados devem mostrar coragem política para ir além dos debates incrementais e tomar uma atitude decisiva. As negociações devem começar agora para adotar com urgência um instrumento juridicamente vinculante que regule os sistemas de armas autônomas com proibições e restrições claras. Não agir de forma rápida e decisiva custará vidas.As gerações futuras vão herdar um mundo em que a ausência de proibições e restrições claras e específicas a estas armas abre a porta a práticas que abalam as proteções que o Direito Internacional Humanitário pretende garantir. Um mundo onde a prestação de contas fica cada vez mais evasiva à medida que se torna mais difícil determinar a responsabilidade por erros e violações das normas aplicáveis.Os Estados têm uma responsabilidade para com aqueles que já sofrem as consequências dos conflitos armados atuais e para com aqueles que herdarão o mundo que está sendo moldado. As gerações futuras perguntarão se os líderes agiram quando ainda havia a chance de estabelecer limites, antes que a proliferação dessas armas saísse do controle. A Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, que ocorrerá em novembro, oferece o caminho mais claro para que os Estados decidam negociar um instrumento juridicamente vinculante. O trabalho meticuloso realizado nos últimos três anos constitui a base ideal para essas negociações e não deve ser desperdiçado.Pedimos que os Estados aproveitem este momento.Continuar criando sistemas de armas que facilitem a guerra só prejudicará nossos esforços coletivos por um mundo mais pacífico.O caminho está livre. A necessidade é urgente. A inovação deve servir à humanidade, não a colocar em risco.Acesse a versão original em inglês na página das Nações Unidas em Genebra.
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