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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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19 novembro 2021
Violência contra mulheres: campanha da ONU Brasil pede vida e dignidade
A ONU Brasil promove, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2021, a edição anual da campanha do secretário-geral da ONU “Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Desenvolvida desde 2008, ela apoia os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. Neste ano, a iniciativa completa três décadas de mobilização internacional. Em todo o mundo, a ONU está abordando o tema: “Pinte o mundo de laranja: fim da violência contra as mulheres, agora!”.
A campanha da ONU Brasil pede união de esforços e de ações para garantir a vida e a dignidade a todas as mulheres e meninas, inclusive na recuperação da COVID-19. A pandemia exacerbou fatores de risco para a violência contra mulheres e meninas, incluindo desemprego e pobreza, e reforçou muitas das causas profundas, como estereótipos de gênero e normas sociais preconceituosas.
Estima-se que 11 milhões de meninas podem não retornar à escola por causa da COVID-19, o que aumenta o risco de casamento infantil. Estima-se também que os efeitos econômicos prejudiquem mais de 47 milhões de mulheres e meninas vivendo em situação de pobreza extrema em 2021, revertendo décadas de progresso e perpetuando desigualdades estruturais que reforçam a violência contra as mulheres e meninas.
“A campanha aborda as diferentes causas da violência contra mulheres e meninas e demonstra por meio de ações e propostas concretas os diferentes caminhos para superar esse problema”, explica a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Silvia Rucks.
“A violência contra mulheres e meninas afeta a todas e todos nós e depende do engajamento das pessoas, das empresas e das instituições públicas e privadas para ser superada”, completa.
Desde os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o secretário-geral da ONU, António Guterres, vem fazendo apelos pelo fim da violência contra mulheres e meninas e pedindo paz no lar e o fim da violência em toda parte. Mais de 140 países expressaram apoio, e 149 países adotaram cerca de 832 medidas, conforme destacado na Resposta Global de Gênero à COVID-19, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com colaborações técnicas substantivas da ONU Mulheres.
Por meio da Estratégia de Engajamento Político do Secretário-Geral da ONU sobre Violência baseada em Gênero, o Sistema das Nações Unidas mobilizou várias partes interessadas para atender às necessidades imediatas e vulnerabilidades de longo prazo de meninas e mulheres em risco de violência e reconheceu o papel-chave que as organizações de direitos das mulheres desempenharam durante a crise global. Para tanto, a ONU ativou suas plataformas e redes a fim de mobilizar compromissos e ações para acabar com a violência baseada em gênero no contexto da COVID-19.
A campanha UNA-SE articula compromissos com as Coalizões de Ação Geração Igualdade, especialmente a de Violência Baseada em Gênero, para acelerar investimentos, sensibilizar autoridades públicas para políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e meninas e mobilizar diversos setores em torno da causa.
A campanha se baseia nas determinações da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e se orienta rumo ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, especialmente o ODS 5, que pretende alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A iniciativa busca a adesão de governos, parlamentos, sistema de Justiça, empresas, academia e sociedade para a prevenção e a eliminação da violência contra mulheres e meninas.
Campanha no Brasil - Com o mote “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - Vida e dignidade para todas”, a campanha deste ano tem como foco visibilizar a complexidade da violência contra as mulheres e meninas, em que suas identidades e condições de vida acentuam e ampliam vulnerabilidades para mulheres e meninas negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAP+ (lésbicas, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais, entre outras), com deficiência, idosas, migrantes e refugiadas. Para tanto, entende ser fundamental a abordagem interseccional de análise sobre as situações de violência sofridas pelas mulheres e meninas, entendendo que elas são diferentes a partir dos locais concretos e simbólicos ocupados por elas.
A campanha pretende evidenciar que a violência contra mulheres e meninas não ocorre apenas no ambiente privado: dentro de casa ou no corpo (como nos caso da violência doméstica e da violência sexual). Ela também está presente em espaços públicos, no ambiente de trabalho, na política institucional, nos esportes, nos ambientes online, nos meios de comunicação, e também no contexto da promoção e defesa de direitos.
A campanha destaca também as formas de prevenção e eliminação das diversas formas de violência. Para tanto, além do trabalho das Nações Unidas, a campanha apresenta também iniciativas e histórias de mulheres que defendem direitos e promovem a igualdade de gênero.
Baseada no entendimento de que a violência contra mulheres e meninas é uma violação de direitos humanos, esta edição tem como objetivo também estimular uma mudança de paradigma, eliminando a ideia de mulheres 'vítimas de violência' (passivas, em uma condição insuperável) e fomentando a noção de que essas mulheres são pessoas 'em situação de violência' ou ‘que sofreram violência’.
Tal mudança estimula o entendimento de que a violência é um desafio superável e que pode ser prevenida, além da visão de mulheres como protagonistas da defesa e promoção de direitos humanos, desenvolvimento sustentável, justiça climática e democracia, cujas contribuições beneficiam toda a sociedade. Também reconhece, a partir disso, que a violência afeta todas as dimensões das vidas das mulheres que a vivenciaram e que toda a sociedade é responsável pela sua erradicação. Em outra linha de ação, a campanha quer engajar homens e meninos como aliados dos direitos das mulheres e para atingir a igualdade de gênero, da qual eles também se beneficiam.
A campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres” terá como um dos focos o empoderamento de meninas e jovens por meio do esporte, como ferramenta fundamental para prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Com histórias e experiências compartilhadas, a campanha mostrará como o esporte desenvolve habilidades para a vida das meninas, como autoconfiança, autonomia e liderança, fazendo com que rompam com estereótipos de gênero e com o ciclo de violência, não só individualmente, mas em seu entorno.
Ações no Brasil - A programação da campanha deste ano conta com a realização de eventos on-line e presenciais, iluminações de prédios na cor laranja em adesão global à mensagem da prevenção da violência, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e sites da ONU Brasil e instituições parceiras. Serão ações direcionadas a ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade e suas instâncias para a realidade da violência contra as mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
Neste ano, a campanha será inaugurada com a iluminação na cor laranja do Congresso Nacional, em Brasília, em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra - início da campanha dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres; e do Abrigo Rondon V, em Roraima, de 20 a 26 de novembro, em adesão à mensagem global de prevenção contra a violência. Ainda está programada a iluminação laranja da Casa da Mulher Brasileira, na cidade de Boa Vista (RR), de 27 de novembro a 4 de dezembro, estado em que a ONU Brasil desenvolve projetos de ajuda humanitária.
A campanha é composta pelo evento on-line “Juntas e juntos para pôr fim à Violência contra Defensoras de Direitos Humanos e do Meio Ambiente”, em 29 de novembro, assim como diversos conteúdos publicados nas redes sociais e site da ONU Brasil e de instituições parceiras. As ações pretendem ampliar a conscientização e responsabilização de toda a sociedade para a realidade da violência contra mulheres e meninas e chamar para a ação conjunta, em um concreto engajamento.
16 Dias de Ativismo - A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que completa 30 anos em 2021, foi criada por ativistas do Instituto de Liderança Global das Mulheres em 1991.
Desde então, mais de 6.000 organizações em 187 países participaram da campanha, alcançando 300 milhões de pessoas. Ela continua a ser coordenada, a cada ano, pelo Centro para Liderança Global de Mulheres (CWGL, na sigla em inglês) e é usada como estratégia de organização por pessoas, instituições e organizações em todo o mundo para prevenir e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Em todo o mundo, os 16 Dias de Ativismo abrangem o período de 25 de novembro (Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, a mobilização se inicia em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para buscar ações de combate ao racismo e ao sexismo e pelo enfrentamento à violência contra mulheres e meninas negras.
Contatos para a imprensa
Isabel Clavelin (ONU Mulheres) - isabel.clavelin@unwomen.org / 61 98175 6315
Roberta Caldo (UNIC Rio) – caldo@un.org
História
04 fevereiro 2022
Com fomento à economia local, moradores recuperam esperança
Muitos são os brasileiros que tiveram a vida afetada após quase 2 anos de pandemia. Esse foi o caso da dona de casa Andreia de Souza Sirtoli, 37 anos, moradora da comunidade Frei Damião, em Palhoça, na região metropolitana de Florianópolis. Em 2020, Andreia começou a cursar uma faculdade privada de pedagogia, mas não conseguiu concluir por causa do custo e da falta de emprego. Grávida de seu quarto filho, ela ganhou uma nova injeção de ânimo e esperança no final do ano passado, com a chegada do Banco Comunitário ao local onde mora.
O Banco Comunitário da Frei Damião foi instalado após uma parceria entre o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT) e o Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM). O banco permitiu repasses financeiros a 344 famílias da comunidade, por meio de moedas sociais.
A moeda social é virtual e depositada na conta de cada família cadastrada. A conta, então, pode ser acessada por meio de um aplicativo específico, usado para fazer compras de itens de alimentação, higiene e limpeza nos comércios da Frei Damião. Os moradores também podem pagar pelas mercadorias com o CPF, sem necessidade do uso do celular.
"No primeiro mês, a moeda social chegou num dia e, no outro, o meu gás acabou. Foi uma sorte, pois, com a moeda, consegui comprar um novo botijão", lembra Andreia. Vivendo uma gestação de risco, ela conseguiu garantir uma alimentação saudável e balanceada com a ajuda dos repasses do Banco Comunitário. "A gente ganha muitas cestas básicas de projetos, mas produtos de higiene, carne, misturas, temperos e frutas para as crianças não vêm. A moeda social ajudou demais nesse sentido.”
“[A moeda social] veio em uma hora que a gente não tava mais com esperança de nada, sabe? Ajudou demais", conta Andreia de Souza Sirtoli, de 37 anos, moradora de Frei Damião
Cada uma das 344 famílias da comunidade recebeu 600 reais que foram divididos em três parcelas de 200 reais cada. Comércios e empreendedores locais foram cadastrados para receber os pagamentos em moedas digitais.
A dona de casa Rafaela Conte de Souza, 34 anos, também foi impactada pela ação. "Não tenho palavras para descrever a ajuda que vocês deram. Essa solidariedade nos faz perceber que temos gente para nos apoiar na hora mais necessária", comenta.
Rafaela conta, com alegria, que – além de itens essenciais como gás e carne – ela comprou também produtos que os filhos sempre desejaram. "Consegui comprar os sucrilhos que meu filho tanto queria e shampoo e condicionador para minhas filhas.”
Além de trazer alento para as famílias, a instalação do Banco Comunitário da Frei Damião fez com que o recurso financeiro circulasse pela comunidade, impulsionando a economia local e potencializando os pequenos negócios.
Para a estudante de pedagogia Brenda da Silva Luz, 27 anos, a pandemia foi difícil. Grávida e mãe de duas crianças, ela conta que o marido teve o salário diminuído quando começou a crise sanitária, o que piorou ainda mais as condições de vida.
"Tivemos que nos virar, fazer o possível para poder nos manter. Quando veio a ajuda do Banco Comunitário, foi muito bom porque o valor caía bem no final do mês", relata Brenda. “Eu achei bem legal, porque tem pessoas que se importam com a gente, com as pessoas que moram aqui no Frei Damião. Tenho só a agradecer".
O Banco Comunitário foi criado pelo ICOM, lançado em março de 2020, com o objetivo de apoiar pessoas em vulnerabilidade social. Os recursos convertidos em moedas sociais são mobilizados por meio de doações financeiras às organizações realizadoras. Na comunidade Frei Damião, além do UNOPS e do MPT, o Instituto Padre Vilson Groh (IVG), a Associação Laura dos Santos, a Associação Evangélica Beneficente de Assistência Social (AEBAS), e organizações locais também ajudaram a implementar a iniciativa.
Com essa rede de solidariedade, muitos moradores voltaram a acreditar em seus sonhos. Andreia, por exemplo, que está no início deste texto, planeja voltar a estudar. "O programa foi um incentivo para retornar aos estudos. Se tudo der certo, vou voltar à faculdade esse ano."
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História
20 janeiro 2022
Refugiada com deficiência conquista independência financeira
A venezuelana Gabriela Peña, 34 anos, chegou ao Brasil em 2018. Com dedicação e profissionalismo, ajudou a família a alcançar a almejada independência financeira. Formada em Administração pelo Instituto Tecnológico da Venezuela, a profissional que anteriormente trabalhava em um aeroporto venezuelano na área de alfândega, agora integra a equipe de recursos humanos de um grande grupo de medicina no Brasil.
Mas sua trajetória até aqui não foi fácil. Gabriela, a mãe e o marido desembarcaram em Pacaraima (RR), na fronteira brasileira com a Venezuela, esperançosos por segurança e melhores condições de vida. Beneficiados pelo programa de interiorização da Operação Acolhida, foram para Cuiabá (Mato Grosso) e, de lá, seguiram para São Paulo.
Gabriela atendia a clientes em uma empresa de tecnologia e computadores, vaga que conseguiu a partir do programa PoupaTempo, do governo do estado de São Paulo. Durante oito meses, dividiu o tempo entre o trabalho e as aulas de português oferecidas por instituições parceiras da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), como Cáritas São Paulo e Sesc-SP.
Em 2019, ela conseguiu a colocação atual ao participar do projeto Empoderando Refugiadas, uma parceria entre ACNUR, Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres para facilitar que mulheres refugiadas tenham formação específica e continuada para o ingresso no mercado de trabalho brasileiro.
“Não é fácil. No começo nada é fácil. Mas aqui no Brasil existe uma lei que protege as pessoas com deficiência e que obriga empresas a ter uma cota de contratações. Se procurar, consegue achar. Eu já passei por duas empresas e não tenho o que reclamar de nenhuma das duas. Se a pessoa quer, ela corre atrás e consegue”, afirma Gabriela.
Atualmente, estima-se que pessoas com deficiência correspondam a 15% da população mundial. No caso do deslocamento forçado, essa proporção pode ser ainda maior, com 12 milhões de pessoas com alguma deficiência. Segundo dados coletados pelo ACNUR em abrigos localizados no norte do Brasil, existem 130 pessoas com deficiência registradas.
“É fundamental trabalharmos para garantir oportunidades para pessoas com deficiência, já que frequentemente correm maior risco de violência, exploração e abuso, além de enfrentarem barreiras para ter acesso a serviços básicos e serem excluídas das oportunidades de educação e subsistência”, afirma Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório do ACNUR em São Paulo
Para Gabriela, um dos grandes problemas relacionados à empregabilidade de pessoas refugiadas no Brasil é a questão burocrática. Ela explica que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito por ser pessoa com deficiência e refugiada, mas reforça o papel das empresas na integração no ambiente de trabalho.
“Tem muitas pessoas refugiadas que querem trabalhar, nós queremos somar. Além de termos uma remuneração e forma de viver e nos sustentar, nós também queremos somar e aprender”, acrescenta.
Hoje, a família mora em uma casa em Caucaia do Alto, no município de Cotia, região metropolitana de São Paulo, onde Gabriela e o marido acompanham passo a passo do crescimento de Frida, filha de um ano e dez meses.
Empoderando Refugiadas - O Empoderando Refugiadas está na sexta edição e trabalha a empregabilidade de mulheres refugiadas e migrantes, além de promover o engajamento de empresas para a contratação dessas mulheres.
“O projeto Empoderando Refugiadas propicia meios para que as mulheres refugiadas possam aprimorar e buscar novos conhecimentos, assegurando os saberes que já trazem consigo para que, no Brasil, possam reconstruir suas carreiras profissionais com dignidade, cientes de seus direitos”, destaca Camila Sombra, associada de Meios de Vida do ACNUR.
O projeto é uma parceria entre ACNUR, Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres e conta com o apoio das empresas Unidas, Renner, MRV, Iguatemi, Sodexo e Facebook.
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História
03 janeiro 2022
Meninas se mobilizam em favelas do Rio de Janeiro
Acordar cedo, estudar, trabalhar, ajudar em casa e ainda lidar com as pressões do dia a dia e as múltiplas violências da comunidade: ser jovem, dentro da favela, não é uma tarefa fácil. A vivência cotidiana pode ser cruel e desanimadora. É como destacam as jovens Pâmella Gabriel, de 22 anos, moradora da Pavuna, e Juliane Cruz, de 21 anos, moradora da Maré. As duas participam do Zona Nossa, projeto do UNICEF em parceria com a ONG Luta pela Paz.
Na iniciativa, adolescentes e jovens participaram de debates e criaram uma rede de apoio entre mulheres que, mesmo em territórios distintos, compartilham vivências muito semelhantes e planejam estratégias de mobilização para encontrar, juntas, soluções comuns para os desafios enfrentados diariamente.
“Eu gosto muito da possibilidade de entender as especificidades dos diferentes territórios. Existe muito estigma sobre as favelas. Acham que toda favela é igual, funciona da mesma forma. Mas muito pelo contrário. Cada local produz sua própria cultura, seus conhecimentos, comércio, formas de habitação. O que me chamou atenção no Zona Nossa foi fazer essa integração com pessoas de outros territórios que não o meu.”
Juliane Cruz, 21 anos, Maré, Rio de Janeiro (RJ)
Juliane, estudante de psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Pâmella, que trabalha no setor de perfumaria de uma farmácia e estuda para concursos, destacam a satisfação de encontrar pessoas como elas e pensar as vivências enfrentadas pelas mulheres moradoras de favelas para além dos estigmas sociais que as envolvem. “O que me interessou foi que só tinha mulheres. Eu conheci um pouquinho de cada uma. Umas meninas daqui que eu só conhecia de vista e nem trocava ideia. Agora, nós nos identificamos como apoio umas para as outras”, conta Pâmella.
Saúde mental - Um dos temas mais discutidos foi a saúde mental. Juliane afirma que é possível oferecer psicologia às favelas para além dos consultórios e clínicas. “Dá pra fazer saúde mental com cultura, esporte e arte. Não necessariamente do jeito tradicional. Promover a saúde mental é muito mais do que isso”, explica a futura psicóloga.
Pâmella concorda que esse é um desafio muito grande para os jovens do seu território. De acordo com ela, fatores como a preocupação com o futuro, pressão familiar e a vida sob constante violência desmotivam. “A depressão dá a ideia de que os sonhos estão acabando”, afirma a jovem.
Outro assunto abordado foi a violência baseada em gênero. “É um desafio enorme, principalmente porque a maioria das pessoas não entende o que é essa violência. E a gente vê isso acontecer com muita frequência”, fala Pâmella.
Juliane lamenta a falta de ações efetivas para sanar o problema. “Isso tudo demanda da gente muita política, muita revolução e muita militância. Nossos corpos são políticos desde que a gente nasce até o dia em que a gente morre. Isso precisa fazer parte da nossa vida. A gente precisa começar a ouvir essas mulheres e pensar formas alternativas para ajudá-las”.
Projeto - Pâmella e Juliana são duas das 20 adolescentes e jovens mobilizadas pelo projeto Zona Nossa no primeiro semestre de 2021. Ambas demonstram interesse em continuar levando debates importantes para dentro de seus territórios.
“Multiplicar informações entre as pessoas do nosso território é fantástico. Os debates rendem e as rodas de conversa começam a encher. Me impacta muito ver jovens e adultos com um sorriso de satisfação por estarem sendo ouvidos e por ouvirem alguém que é como eles.”
Pâmella Gabriel, 22 anos, Pavuna, Rio de Janeiro (RJ)
Juliane demonstra interesse em continuar agindo pelo seu território e deixa claro: “É muito bom construir caminhos de debates e conversas para chegar nos territórios sem colocar pessoas em risco. É um caminho difícil, mas precisa ser feito. O que a gente pode oferecer para apaziguar essas questões? Quais são os projetos que a gente pode criar? Como que a gente produz economia para essas mulheres? O Zona Nossa nos trouxe a possibilidade de aprender na prática”.
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História
23 dezembro 2021
Uma vida dedicada ao serviço, à humanidade e à resposta ao HIV no Brasil
Boa parte da história de vida profissional da socióloga Telva Barros é entrelaçada com a resposta ao HIV no Brasil. Ela foi a primeira funcionária do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no país, mas já estava envolvida com o tema desde os anos 80, quando a epidemia de AIDS estava em seu início. Hoje, aposentada, ela mantém sua convicção mais forte do que nunca sobre o papel fundamental da ONU para a paz e os direitos humanos.
A ligação de Telva com a resposta à AIDS surgiu indiretamente, em meados dos anos 80, quando começou a trabalhar em uma autarquia do governo do estado de São Paulo dedicada à prevenção às drogas, o Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC). Isto coincidiu com o início da epidemia de AIDS, que trazia também o risco de infeção por HIV para pessoas que usavam drogas injetáveis.
“Para mim, o tema de prevenção sempre foi fundamental, tanto na resposta às drogas, quanto ao HIV. Nos anos 90, trabalhei cinco anos no Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID) justamente com esta abordagem. Por conta disso, me envolvi diretamente com o início da resposta ao HIV no Brasil. Estive junto de todo esse pessoal pioneiro, que esteve à frente da resposta inicial ao HIV e à AIDS no país, seja no governo ou na sociedade civil, e que são parte da história da minha vida”, diz Telva.
Ela destaca que aquele foi um momento especial, no qual o Brasil tornou-se rapidamente referência na resposta ao HIV em todo o mundo. “As razões pelas quais nosso país virou uma vitrine mundial na resposta ao HIV acredito que se devem à conjuntura política, com o apoio de diferentes governos, à força e comprometimento das organizações da sociedade civil e de ativistas e à existência de recursos de diferentes doadores. Foi um momento muito especial.”
Desde 1996, quando ouviu falar da criação do UNAIDS, Telva aspirava a trabalhar no programa. A oportunidade chegou em 2000, quando a representação foi aberta no país. “No começo o UNAIDS não tinha escritório próprio e meu primeiro espaço de trabalho foi uma mesa na UNESCO, que liderava o grupo temático de HIV/AIDS. E ali estava eu entrando naquele mundo ONU. Com o tempo, a equipe foi crescendo e depois de três anos já tínhamos nosso escritório próprio”, relembra.
A experiência de Telva não se limitou ao Brasil. Ela foi diretora do UNAIDS em Moçambique por dois anos. Em seguida, foi para o Escritório Regional do UNAIDS para América Latina e Caribe, onde ficou por três anos e teve a oportunidade de conhecer em profundidade a realidade da região como um todo. Veio, então, o momento da aposentadoria, em 2009, quando saiu do UNAIDS, mas continuou trabalhando em consultorias por algum tempo com o tema de HIV/AIDS.
Sobre o papel das Nações Unidas, especialmente no contexto atual, Telva não hesita: “A ONU segue sendo mais essencial do que nunca porque tem a capacidade de catalizar e trazer para a pauta os temas essenciais da humanidade. Mais do que nunca é o nosso papel, como organização internacional, mostrar as falhas e indicar os caminhos”.
A aposentadoria não afastou Telva do contato com o sistema ONU. Ela tem participação ativa na Associação dos Antigos Funcionários Internacionais do Brasil (AAFIB), criada em 1987 para, entre outros objetivos, contribuir para preservar a imagem e manter a memória do Sistema das Nações Unidas.
“Somos 177 filiados, a maioria com mais de 70 anos. Cumprimos nosso papel de apoio às pessoas que se aposentaram do sistema ONU, mas que continuam sendo a memória viva da organização. Fazemos atividades culturais e neste ano até ganhei um concurso de crônicas com um texto em que compartilho um pouco das minhas memórias pessoais”.
Telva é convidada algumas vezes para dar palestras e compartilhar sua experiência, especialmente para estudantes. “É muito interessante porque muitas vezes nunca viram alguém que tenha trabalhado na ONU. Querem saber tudo. A mística da organização ainda é muito forte. Digo que sou uma pessoa normal. Apenas fiz um juramento, como international civil servant, de prestar um serviço para a humanidade, do qual muito me orgulho”, finaliza.
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História
09 dezembro 2021
Ballet Manguinhos volta aos palcos encenando resistência e inspiração
Uma mistura de lágrimas, entusiasmo, ansiedade e vontade de reafirmar a dança como resistência e arte. Foi assim que a diretora administrativa do Ballet Manguinhos, Carine Lopes, descreveu o retorno do grupo aos palcos. O balé urbano, que atende gratuitamente 250 crianças e jovens do complexo de favelas Manguinhos, no Rio de Janeiro, apresentou seu espetáculo anual no dia 15 de novembro, após meses de paralisação das aulas.
“Mulher: poder e resistência”, narrou por meio de coreografias a história de dez mulheres inspiradoras. Entre elas, a diplomata brasileira Bertha Lutz, cuja participação na redação da Carta das Nações Unidas resultou na menção à igualdade de gênero no documento, tema até então inédito em um tratado internacional.
“Esta apresentação foi muito diferente. Já fizemos sete espetáculos nos nossos quase 10 anos de história, mas neste a vontade de mostrar, reafirmar a arte e voltar a dançar deram essa sensação mágica. As bailarinas choravam nas coxias”, lembra Carine. “Este é o único momento que os alunos e alunas têm para se afirmarem como artistas. Trabalhamos com crianças e jovens que não acessam espaços culturais no seu dia a dia. Então, quando eles conseguem se ver dentro de um teatro de mil lugares, como o Riachuelo, e ainda no papel principal, é algo emocionante.”
Com o avanço da vacinação contra a COVID-19 e o retorno gradual de atividades presenciais, executar um espetáculo musical, após meses de confinamento, já seria motivo suficiente para causar euforia no grupo de dança. Mas junto com a companhia, também entrou no palco o esforço do Ballet Manguinhos para superar outros obstáculos causados pela doença, que agravaram ainda mais a situação das famílias que moram em uma das regiões com o Índice de Desenvolvimento Humano mais baixos do Rio de Janeiro: a fome e o luto.
Em janeiro, após perder a fundadora do grupo para a COVID-19-- a bailarina Daiana Ferreira, de 32 anos--, o grupo escolheu mergulhar nas campanhas de prevenção contra a doença. Desde panfletagem na comunidade até promoção de testagem em massa e distribuição de máscaras, o Ballet Manguinhos manteve vivo o ativismo de sua fundadora também fazendo campanhas de arrecadação de alimentos, produtos de higiene, absorventes e de equipamentos eletrônicos, a fim de tentar manter contato com os membros do Ballet, ainda que de maneira virtual.
“A dança expressa o que eu sinto e por causa do balé eu pude conhecer pessoas e lugares novos. Então, voltar aos palcos, em um momento tão importante, onde a gente lembraria da Daiana, foi muito emocionante. Estava ansiosa”, conta Anna Júlia Martins da Silva, de 14 anos, moradora da Favela do Mandela e aluna do Ballet Manguinhos há seis anos. No espetáculo, Anna dançou as histórias da cantora Elza Soares, Anne Frank e da astronauta Valentina Tereshkova. “Eu me sinto bem sabendo que podemos ser uma inspiração para outras meninas e motivar as pessoas da nossa comunidade”.
O projeto - Funcionando em um prédio de 600 metros quadrados na Avenida dos Democráticos, o Ballet Manguinhos oferece 15 turmas de balé e duas de circo, para crianças e jovens entre seis e 29 anos. No total, a formação completa na escola dura oito anos. Em 2021, pela primeira vez, o projeto também passou a contar com três turmas de muay thai (boxe tailandês) dentro do programa “Respeita as Minas”, que promove uma série de atividades referentes à conscientização sobre a violência contra a mulher.
Em 2021, o Ballet Manguinhos participou do programa “Uma Vitória leva à Outra”, projeto de editais da ONU Mulheres e do Comitê Olímpico Internacional, em parceria com as ONGs Women Win e Empodera. Através da ação de empoderamento de meninas pelo esporte, 90 meninas tiveram aulas de ginástica rítmica no Ballet Manguinhos por três meses. “O programa trouxe uma série de discussões muito relevantes para as meninas, sobre o que significa ser mulher na sociedade hoje, autoconhecimento, sobre o esporte em si, sexualidade e muitas outras coisas válidas e importantes para a vida delas. No ano que vem pretendemos nos inscrever novamente”, conta Carine.
Esta, no entanto, não foi a única parceria entre o Ballet Manguinhos e a Organização das Nações Unidas. Na edição 2020 dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres, a companhia montou uma coreografia especial para marcar a campanha “Onde você está que não me vê?”, unindo o balé clássico e o funk com a trilha sonora de MC Tha.
Futuro - São oportunidades como essas, aliadas a capacidade do grupo em promover importantes mudanças sociais, que explicam porque a fila de espera por uma vaga ultrapassa os 500 nomes. “Temos um índice de gravidez na adolescência, entre as mais de três mil alunas que já passaram pelo Ballet, menor do que 1% e a gravidez na adolescência é algo cultural no território. Por isso temos que continuar este trabalho. Já fizemos muito e podemos fazer ainda mais”, diz Carine.
Com o contrato de patrocínio prestes a encerrar, o Ballet agora busca uma nova forma de financiar suas atividades para 2022. Apesar do momento de tensão, Carine está confiante e tem certeza que o espetáculo “Mulher: poder e resistência” não foi a última apresentação de grande porte do Ballet Manguinhos. “Este é o legado que a Daiana nos deixou. A memória dela é uma memória de luta, do desejo de tirar crianças da ociosidade e mostrar uma outra realidade, que não apenas a da violência. Não vamos parar.”
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10 fevereiro 2022
FAO adota nova política de dados abertos
Quando se trata de dados sobre alimentação e agricultura, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é uma das líderes mundiais em conhecimento. Para tornar os dados produzidos e reunidos pela organização mais acessíveis, a organização adotou uma nova política de licenciamento de dados abertos. Agora, pesquisadores, jornalistas, acadêmicos, trabalhadores humanitários ou estudantes podem, de forma ainda mais fácil, acessar, baixar, copiar e empregar os conjuntos de dados gratuitamente e para redistribuição.
A entidade tem bancos com diferentes dados estatísticos sobre tópicos tão amplos quanto agricultura, pesca e aquicultura, silvicultura, preços dos alimentos e informações de mercado, desenvolvimento econômico, social e rural, nutrição, recursos naturais, genéticos e de biodiversidade e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A alimentação e a agricultura são fundamentais para a vida humana. Acertar esses pontos estabelece as bases para um futuro mais saudável, mais sustentável e mais justo. Sem informações confiáveis para fundamentar decisões e programas públicos, os esforços podem ser insuficientes ou simplesmente ineficazes.
O objetivo dos dados coletados e reunidos pelos especialistas da FAO é ajudar os governos a tomarem as melhores decisões sobre programas, políticas e investimentos e ajudar as pessoas a se aprofundarem em suas pesquisas científicas sobre tópicos importantes que afetam o planeta.
Algumas bases de dados - Entre os bancos de dados da FAO disponíveis em formato aberto, estão o FAOSTAT, um dos maiores bancos de dados de alimentos e agricultura. O recurso fornece dados para mais de 245 países e territórios e tem informações que datam de 1961. Se você está procurando qual país é o maior produtor de uvas ou a commodity mais exportada pelo Egito, por exemplo, o FAOSTAT pode fornecer essas informações em formatos de gráfico, tabela ou valores separados por vírgula (.csv).
Para pesquisas sobre recursos hídricos, uso da água, gestão agrícola da água e políticas e legislação relacionadas à água, a FAO disponibiliza o AQUASTAT. A base de dados é segmentada por país e fornece não apenas dados e metadados, mas também relatórios, perfis de países, perfis de bacias hidrográficas, análises regionais, mapas, tabelas, dados espaciais, diretrizes e outras ferramentas sobre temas concretos como barragens, calendários de culturas irrigadas e reutilização de águas residuais.
O banco de dados FISHSTAT fornece dados sobre a pesca e a aquicultura (produção, comércio, consumo, emprego e frota) que cobrem mais de 240 países desde 1950. Estes dados sobre o estado e as tendências dos setores da pesca e da aquicultura são fundamentais para uma boa formulação de políticas, bem como para avaliar e acompanhar o desempenho da gestão responsável da pesca e da aquicultura.
Para entender o desperdício de alimentos, o Banco de dados sobre Perda e Desperdício de Alimentos (Food loss and food waste database, disponível apenas em inglês) é a maior coleção online de dados de revisão de literatura científica e FAOSTAT sobre como os alimentos são perdidos ou desperdiçados. O banco de dados permite que os usuários filtrem informações sobre perda e desperdício de alimentos por ano, país, mercadoria, estágio da cadeia de valor e atividade.
Para entender o que pessoas de diferentes idades e sexos comem e bebem em países ao redor do mundo, é possível consultar a Ferramenta de dados de consumo de alimentos individuais globais da FAO/OMS (FAO/OMS GIFT). A plataforma apresenta dados de consumo alimentar, a nível individual, de diferentes regiões do mundo. Coletados por meio de grandes pesquisas nacionais e pesquisas de pequena escala, os dados fornecem importantes indicadores baseados em alimentos para consumo alimentar, nutrição e segurança alimentar.
Confira no site da FAO, 5 fatos interessantes extraídos dessas bases de dados.
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10 fevereiro 2022
Quase mil crianças e adolescentes da Venezuela recebem apoio para continuar a estudar
Em meio ao retorno às aulas presenciais no estado de Roraima, um mutirão de matrículas resultou em 960 crianças e adolescentes refugiadas e migrantes da Venezuela apoiadas com o processo de matrícula para ingresso no ensino formal brasileiro, sendo uma em cada cinco indígenas. Parte da estratégia da Busca Ativa Escolar, a ação foi realizada pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) em parceria com o Instituto Pirilampos e apoio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) de Boa Vista e a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (SEED), entre os dias 1º e 4 de fevereiro.
O mutirão ocorreu dentro de 9 abrigos e no Posto de Recepção e Acolhimento (PRA) em Boa Vista, com apoio do Subcomitê Federal de Acolhimento e Interiorização e da Força Tarefa Logística Humanitária da Operação Acolhida.
O impacto de dois anos de pandemia no fechamento das escolas intensificou as desigualdades na educação de crianças e adolescentes, principalmente os mais vulneráveis. No contexto do fluxo migratório da Venezuela, a situação é ainda mais desafiadora pelas dificuldades enfrentadas no deslocamento forçado, incluindo a barreira do idioma.
“Precisamos garantir que o direito à educação seja assegurado para todos, independentemente da nacionalidade. Muitas das famílias que chegam ao Brasil não têm o conhecimento do processo de matrícula no ensino formal brasileiro. É fundamental que elas tenham acesso às informações e o apoio necessário para seguirem com o pedido de adesão às escolas”, afirma a oficial de Educação do UNICEF em Roraima, Julia Caligiorne.
Composta por 96 pessoas, entre colaboradores e voluntários, a equipe do mutirão forneceu atendimento personalizado para cada pai, mãe ou responsável legal, com informações sobre o processo de matrícula, realização da pré-matrícula por meio de ligação telefônica quando possível, encaminhamento ao exame de classificação, além de um voucher para as fotocópias dos documentos necessários, assim como uma sessão de fotos 3x4, também fundamentais para a conclusão do processo.
Integração - Há oito meses no Brasil, o casal Gabriela Arriojas e José Angel está contente que três dos seus quatro filhos – com exceção da bebê – poderão finalmente estudar. A família saiu da Venezuela por motivos de saúde, preocupada depois da perda de uma gestação avançada. Aqui, esperam que a educação apoie a integração das crianças. “Sentia-me mal que não estivessem estudando. Se estivessem na escola, já teriam aprendido português”, afirma Gabriela. Com 6 anos, o filho do casal, Williams Alexander, sente falta da sala de aula para “colorir, pintar e ver os amigos”.
“O papel da nossa equipe foi facilitar a inclusão de crianças e adolescentes no ensino formal e garantir que elas tivessem o apoio necessário para a realização das matriculas nas escolas de Boa Vista. Ficou claro que muitos pais e cuidadores por vezes desistem por causa das barreiras que encontram, após receberam negativas diante da falta de documentos ou pela incompreensão dos procedimentos”, diz a presidente do Instituto Pirilampos, Mariann Mesquita.
A ação contou com a contribuição da Secretaria Municipal de Educação de Boa Vista, que disponibilizou, de forma exclusiva, a linha telefônica da central de matrículas para que as equipes pudessem realizar a pré-matrícula das crianças e adolescentes identificados fora da escola e tirar possíveis dúvidas de pais e responsáveis.
“Neste início de ano letivo, a ação do mutirão foi fundamental para reforçar e apoiar a campanha de matrículas que está sendo realizada pelo município de Boa Vista. O trabalho em conjunto da Busca Ativa Escolar está trazendo resultados significativos para que cada vez mais crianças e adolescentes estejam matriculados na escola, fortalecendo o nosso interesse em comum que é a garantia do acesso à educação”, afirmou a secretária de Educação de Boa Vista, Maria Consuelo Sales Silva.
O mutirão foi realizado no âmbito do projeto Super Panas, espaços que oferecem atividades de educação não formal e de apoio psicossocial para crianças e adolescentes refugiados e migrantes da Venezuela, mantidos através do apoio do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO, na sigla em inglês) e do Escritório para População, Refugiados e Migração do Departamento de Estado dos Estados Unidos (PRM, na sigla em inglês).
O UNICEF e parceiros continuarão acompanhando os casos atendidos, de forma a garantir que as famílias consigam concluir a matrícula e assegurar que essas crianças e adolescentes estejam na escola.
Desde o início da pandemia, mais de 80 mil crianças e adolescentes foram encontrados pela Busca Ativa Escolar e voltaram para a sala de aula, em todo o Brasil.
Busca Ativa Escolar - Presente em mais de 3 mil municípios e 20 estados do País, a Busca Ativa Escolar é uma estratégia que colabora com governos municipais e estaduais para enfrentar a exclusão escolar, desenvolvida pelo UNICEF e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), com o apoio do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). O objetivo é apoiar os governos na identificação, registro, controle e acompanhamento de crianças e adolescentes que estão fora da escola ou em risco de evasão, para que cada menina e cada menino possa recuperar a aprendizagem e ter uma trajetória de sucesso escolar.
Saiba mais em: https://buscaativaescolar.org.br/
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11 fevereiro 2022
ONU leva rastreio de câncer de mama a mulheres que vivem à beira do Rio Amazonas
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) instalou novos equipamentos de mamografia em dois navios da Marinha - Soares de Meirelles e Carlos Chagas - que prevê beneficiar 2 mil pessoas por ano.
A partir desta iniciativa, mulheres que vivem à beira do Rio Amazonas poderão fazer testes de prevenção e de detecção do câncer de mama.
A AIEA lembra que o câncer de mama representa quase 30% dos casos de câncer no Brasil, mas 40% dos pacientes são diagnosticados apenas quando a doença já está em um estágio avançado.
A agência da ONU explicou que os exames de rastreio são eficazes para detectar tumores no início, quando o tratamento pode ser mais eficaz. A primeira fase envolve a mamografia e cada navio tem a capacidade de realizar mil exames do tipo por ano.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, explicou que para combater o câncer “é absolutamente necessário aumentar o acesso ao rastreio e a outros serviços preventivos de saúde”.
Segundo ele, esta “parceria torna possível levar a áreas remotas do Brasil exames eficientes de detecção do câncer”. Neste ano, os dois navios da Marinha deverão realizar oito viagens, sendo que cada uma terá a duração de 45 dias.
As embarcações percorrerão o rio Amazonas até as fronteiras com a Colômbia, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, para que essas comunidades também possam se beneficiar dos serviços.
A AIEA explicou que as mulheres das zonas ribeirinhas do Amazonas geralmente só conseguem ter acesso a mamografias se viajarem até o centro de saúde mais próximo, o que em muitos casos pode levar vários dias.
A agência da ONU cita como exemplo as moradoras de Tabatinga, município do Amazonas que fica perto da fronteira com Peru e Colômbia, que precisam viajar por 1,6 mil km durante sete dias para poderem realizar exames de prevenção do câncer em Manaus, na capital do Estado.
Além de instalar os aparelhos de mamografia nos navios, a AIEA forneceu financiamento para que profissionais fossem treinados para operar os equipamentos.
Apesar da COVID-19, 300 mulheres de 10 cidades foram examinadas no navio Soares Meirelles em outubro de 2021 e a meta é que várias viagens sejam realizadas ao longo deste ano.
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11 fevereiro 2022
Em visita à Etiópia, vice-chefe da ONU ressalta importância da paz para o desenvolvimento sustentável
A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, concluiu na quarta-feira (09) uma visita de cinco dias à Etiópia. A viagem da oficial das Nações Unidas iniciou em 5 de fevereiro, quando chegou ao país para representar o secretário-geral, António Guterres, na 35ª sessão ordinária da Assembleia da União Africana, realizada na capital Adis Abeba. Entre os marcos da visita da vice-chefe da ONU, estão as paradas em quatro regiões do país – Amhara, Tigray, Afar e Somali.
A população etíope precisa desesperadamente de ajuda humanitária, pois tem sofrido nos últimos anos com conflitos militares internos desde 2020, agravados por insegurança alimentar e secas. Nas três regiões do norte afetadas pelo conflito, mais de nove milhões de pessoas agora precisam de assistência alimentar humanitária, o número mais alto até agora, desde o início do conflito.
Durante a visita, Mohammed destacou a determinação das Nações Unidas de permanecer um parceiro imparcial e engajado na prestação de assistência humanitária e no fornecimento de apoio ao desenvolvimento ao governo e a todos os etíopes.
“O maior apelo para as Nações Unidas na Etiópia é entregar urgentemente assistência humanitária às pessoas que mais precisam. Esta urgência é particularmente importante para as mulheres e crianças”, afirmou a vice-secretária-geral no final da sua visita.
União Africana e ONU - Após a Cúpula da União Africana, a oficial sublinhou as observações do secretário-geral sobre o evento, reforçando que a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 2063 da União Africana era “é o pilar da relação entre as duas organizações”.
Para ela, “as oportunidades para enfrentar os desafios da África são enormes”, acrescentando que “é importante alinhar a Agenda 2030 das Nações Unidas e a Agenda 2063 da União Africana para que seus diversos povos desfrutem de paz e segurança e meios de subsistência sustentáveis”.
Diálogo com líderes etíopes - Mohammed também se encontrou com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed. Durante o diálogo com o chefe de governo, ela enfatizou o compromisso das Nações Unidas de continuar a apoiar o governo em seu progresso para cumprir a Agenda 2030 em busca de fazer do país um exemplo de prosperidade ainda durante esta Década de Ação.
Além disso, de 6 a 9 de fevereiro, a vice-secretária-geral reuniu-se com outros líderes e funcionários do governo, autoridades regionais, líderes de clãs e outras partes interessadas, para discutir o apoio das Nações Unidas ao governo e aos parceiros de desenvolvimento e entender os desafios que estes encontram para atender às necessidades humanitárias das famílias em diferentes áreas, bem como evidenciar como seguir no caminho certo para cumprir a promessa dos ODS.
“Quando encontrarmos a paz, podemos começar a jornada de volta à recuperação econômica e à restauração da dignidade e dos meios de subsistência”, destacou a vice-chefe da ONU.
Ela prometeu à autoridade da região de Afar: “As Nações Unidas irão acompanhá-los na transição do conflito para a paz até o desenvolvimento. Continuaremos a fornecer ajuda humanitária a todas as regiões para que nenhum etíope sofra”.
Civis em apuros - Além disso, Mohammed se reuniu com populações locais, incluindo jovens e mulheres, impactados pelo conflito e pela seca em curso.
Expressando tristeza pelo impacto do conflito sobre os civis, ela reiterou em todos os compromissos oficiais que desempenhou no país o apelo do secretário-geral a todas as partes na Etiópia para uma cessação imediata das hostilidades para que o apoio humanitário chegue a todos aqueles que são afetados. Segundo ela, o cessar-fogo também “abrirá o caminho para um diálogo nacional inclusivo muito necessário envolvendo todos os etíopes”.
Em um coletiva de imprensa, a vice-secretária-geral expressou confiança de que o conflito possa chegar ao fim. Segundo ela, o país está hoje numa situação muito melhor do há alguns meses, com menos hostilidades e mais diálogos em busca da paz.
Referindo-se aos graves efeitos do conflito vivido por mulheres e crianças, a oficial das Nações Unidas pediu o fim imediato da violência sexual e de gênero, entre outras atrocidades, e citou a necessidade de apoio abrangente de saúde física e mental para todos que sofreram violência física e psicológica. Ela pediu às autoridades que envolvam as mulheres nos esforços de recuperação e reconstrução.
Papel promissor feminino - Para enfatizar o papel das mulheres e meninas no desenvolvimento sustentável, a vice-secretária-geral reuniu-se, em Adis Abeba, com um grupo de jovens empreendedoras, que fazem parte de um projeto apoiado pelas Nações Unidas. Elas compartilharam preocupações e destacaram tangivelmente a importância de sua contribuição para o progresso da Etiópia.
As empreendedoras fazem parte de um Centro Criativo apoiado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO). Mohammed expressou esperança ao ver o “rico espírito das mulheres etíopes” representado no grupo. Falando com as mulheres, ela as lembrou da força que elas possuem por estarem juntas e apoiando umas às outras.
“O que eu gosto sobre o espírito aqui é que vocês não estão esperando que alguém lhes diga como fazer. Vocês estão apenas dizendo: 'dê-me a oportunidade de criar o ambiente e eu posso fazê-lo. Eu posso cultivá-lo. Posso ser muito maior e melhor. E isso é emocionante”, celebrou Mohammed.
Seca é agravante - Sobre a seca prolongada na região Somali, Mohammed disse que entende a situação como um possível impacto negativo das mudanças climáticas, destacando que a ação climática e o cumprimento dos ODS são fundamentais para reverter esse tipo de crise.
Ela elogiou o plano governamental de construir mais barragens e desenvolver projetos de água na Etiópia, bem como a iniciativa da autoridade da região Somali de realizar investimentos e desenvolvimento para melhorar a vida da população. A vice-chefe da ONU também deu destaque e agradeceu às comunidades anfitriãs pelo forte apoio que estão dando à comunidade rural e outros grupos que foram deslocados para encontrar pontos de água para famílias e gado.
A coordenadora humanitária residente das Nações Unidas na Etiópia, Catherine Sozi, que fez parte da delegação da vice-secretária-geral durante a visita, observou que, em 2021, a Organização conseguiu fornecer mais de 18 milhões de dólares em ajuda aos mais necessitados em Somali. E revelou ainda que um adicional de 20 milhões de dólares estava prestes a ser alocado para a região.
Sobre o conflito na Etiópia - O conflito no país começou em 3 de novembro de 2020, quando tropas oficiais lançaram uma ofensiva contra as forças regionais em Tigray, colocando o país em uma situação instável e repleta de insegurança. Desde então, os combates vêm desestabilizando o país africano deixando milhares de pessoas mortas, deslocadas e outras 400 mil vivendo em situação de fome.
Sobre a vice-secretária-geral - Amina Mohammed foi nomeada a quinta vice-secretária-geral das Nações Unidas por António Guterres em dezembro de 2016 e atualmente é responsável pela implementação da Agenda 2030 como presidente do Grupo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
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11 fevereiro 2022
ONU abre consultas sobre plano para acelerar o desenvolvimento sustentável
A Assembleia Geral das Nações Unidas abriu na quinta-feira (10) a primeira consulta sobre as propostas inovadoras da Nossa Agenda Comum, um plano do secretário-geral lançado ano passado com foco em ações para acelerar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, liderou o evento de dois dias da primeira de cinco consultas temáticas a Estados-membros e sociedade civil.
“O bem-estar das pessoas em todo o mundo, a saúde do nosso planeta e a sobrevivência das gerações futuras dependem da nossa vontade de nos unirmos em torno de um compromisso de ação coletiva e resolução de problemas”, argumentou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na abertura da sessão. “Não temos um momento a perder”.
Aceleração - Guterres também alertou para os efeitos negativos da pandemia da COVID-19 em importantes objetivos da Agenda 2030. Ele ressaltou que cerca de 100 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza extrema e a fome cresceu em todo o mundo. Segundo ele, a pandemia atrasou o alcance dos ODS e por isso é necessário mais empenho.
O chefe das Nações Unidas pediu que seja implementado um novo acordo global para garantir oportunidades iguais, reformar o sistema financeiro global e proteger o clima. Ele ainda destacou que, nos próximos oito anos, será necessário um grande reforço para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Multilateralismo é a solução - Guterres defendeu em seu discurso que cúpulas bienais entre o G-20, Conselho Econômico e Social e representantes das instituições financeiras internacionais sejam convocadas, reunindo chefes de Estado ou de governo e fortalecendo o papel das Nações Unidas como o principal pilar do sistema multilateral.
Além disso, o líder da ONU lembrou que a Nossa Agenda Comum propõe aos Estados-membros a convocação de uma Cúpula Social Mundial em 2025. O encontro seria um processo intergovernamental para coordenar ações e gerar impulso em escala global para alcançar os ODS.
Em sua mensagem, Guterres também destacou brevemente as recomendações para retomar os avanços em cada um dos 17 objetivos previstos até 2030.
Urgências - O secretário-geral chamou a atenção dos Estados-membros para três prioridades: a transformação no setor da educação, igualdade de gênero e inclusão dos jovens.
Sobre educação, Guterres lembrou da cúpula que acontecerá em setembro. O encontro deve debater soluções inovadoras para o setor, que já era vulnerável e sofreu com os impactos da pandemia.
Para o líder da ONU, mulheres e meninas devem estar no centro dos contratos sociais. Ele lamentou que suas necessidades e aspirações sejam ignoradas e que seu trabalho seja rotineiramente subvalorizado.
Por isso, ele encorajou os Estados-membros a usarem o evento para considerar as propostas da Nossa Agenda Comum e como os processos intergovernamentais podem oferecer resultados para metade da população do mundo.
Ao concluir, o secretário-geral destacou que, entre as muitas recomendações sobre os jovens, a Nossa Agenda Comum propõe a criação de um Escritório da Juventude no Secretariado das Nações Unidas.
Nesse sentido, ele pediu apoio para que essa e outras ambições para a juventude se tornem realidade. Guterres destacou a liderança da subsecretária-geral Amina Mohammed nesses tópicos, que considera fundamentais para o alcance dos ODS.
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