Últimas
Notícias
14 agosto 2026
‘Casamento é coisa de adulto’: UNFPA lança campanha de enfrentamento ao casamento infantil no Brasil
Saiba mais
Notícias
14 agosto 2026
FIDA e BNDES realizam 1º Encontro do Fórum Sertão Vivo
Saiba mais
Notícias
13 agosto 2026
Comissão da CEPAL propõe caminhos para a prosperidade da América Latina e do Caribe na nova era geopolítica
Saiba mais
Últimas
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
História
11 agosto 2026
“Chega de exploração. Chega de saques.”
À medida que a demanda global por minerais críticos aumenta, é necessário garantir que comunidades locais também se beneficiem das oportunidades econômicas e dos meios de subsistência que elas mesmas proporcionam à economia mundial. A ONU tem trabalhado com parceiros nacionais e comunitários em todo o mundo para garantir que os minerais críticos também gerem empregos, capacitação e benefícios locais. Em seu discurso ao Conselho de Segurança em 22 de julho de 2026, o secretário-geral António Guterres cobrou compromisso com a responsabilidade social e com práticas sustentáveis num momento em que um número cada vez maior de nações buscam capitalizar o potencial dos recursos minerais para o desenvolvimento.“Devemos garantir que o desenvolvimento do setor mineral gere resultados justos e sustentáveis para os países e para as comunidades dotadas de recursos naturais.” Na sessão do Conselho de Segurança sobre a manutenção da paz e da segurança internacionais com foco na “Governança dos recursos naturais: O fundamento da paz, segurança e prosperidade”, o líder das Nações Unidas enfatizou:“É hora de romper com o antigo padrão, em que os recursos são extraídos, o valor é capturado em outros lugares e as comunidades empobrecidas são deixadas para trás, tendo de lidar com os danos ambientais e socioeconômicos.” Com o agravamento da crise climática, a demanda global por minerais críticos para tecnologias de energia limpa – como lítio para veículos elétricos ou selênio para células solares – deve triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040, conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE).Lançado em outubro de 2025, o relatório do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) enfatiza que o financiamento da mineração responsável será fundamental para uma transição energética bem-sucedida e justa. “A demanda por minerais e metais necessários para a transição energética requer uma indústria de mineração que contribua para o desenvolvimento sustentável, respeitando os direitos humanos e o meio ambiente. Por meio de finanças sustentáveis, a mineração responsável pode se tornar o padrão, não a exceção”, disse o copresidente do Painel Internacional de Recursos, Janez Potočnik. Desde 1970, o volume de extração mineral quintuplicou, e a expectativa é que o segmento de minerais essenciais para a transição energética mantenha uma rápida trajetória de crescimento.Apenas no ano de 2023, a busca por insumos como cobalto, grafite, níquel e elementos de terras raras registrou crescimentos de 8% a 15%. Além disso, é estimado que a procura por lítio até o ano de 2050 vai corresponder a 9 vezes o volume total produzido globalmente em 2022. O relatório de setembro de 2024 do Painel do Secretário-Geral da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética enfatizou que o aproveitamento de minerais críticos requer novas abordagens, priorizando a justiça, equidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor dos minerais críticos – desde a mineração, refino e fabricação, até o transporte e reciclagem.A mensagem do secretário-geral aos membros do Conselho de Segurança, em julho deste ano, foi enfática: “O desafio é transformar a forma como os recursos naturais são extraídos, processados, comercializados e utilizados – garantindo que muito mais valor agregado seja retido pelos países produtores e pelas comunidades afetadas. Chega de exploração. Chega de saques.”“E devemos privar os grupos armados e as redes criminosas das rendas que alimentam conflitos prolongados. Se não agirmos, a exploração ilícita dos recursos naturais continuará a alimentar a desigualdade, a instabilidade e a violência”, enfatizou Guterres. Descubra mais: Sobre o Painel do Secretário-Geral sobre Minerais Críticos: Criado pelo secretário-geral da ONU em abril de 2024, o Painel sobre Minerais Críticos para a Transição Energética reuniu governos, setor privado, organizações internacionais e sociedade civil para desenvolver princípios comuns que promovam cadeias de valor minerais justas, sustentáveis e transparentes. Entre as principais recomendações do relatório final do Painel estão: agregar mais valor localmente nos países produtores, fortalecer a rastreabilidade e a transparência das cadeias de suprimento e garantir benefícios econômicos, sociais e ambientais às comunidades afetadas pela mineração.Sobre o Painel Internacional de Recursos (IRP): O IRP foi lançado em 2007 pelo PNUMA para estabelecer uma interface ciência e política sobre o uso sustentável dos recursos naturais e, em particular, seus impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida. O Painel é composto por atores governamentais, da indústria e da sociedade civil e liderado conjuntamente pela equipe de ação climática do Secretariado da ONU, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O Painel estuda questões-chave sobre o uso global de recursos e produz relatórios de avaliação sobre as mais recentes descobertas científicas, técnicas e socioeconômicas para informar a tomada de decisões.Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português.
1 of 5
Faça a sua parte
11 agosto 2026
Terremoto na Colômbia
Forte terremoto atinge comunidades que já enfrentam necessidades humanitárias.
1 of 5
Faça a sua parte
16 julho 2026
#MandelaDay
O Dia Internacional Nelson Mandela celebra a vida e o legado do líder sul-africano. Faça sua parte e #CompartilheHumanidade!
1 of 5
Faça a sua parte
24 abril 2026
Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz
O multilateralismo faz parte do DNA das Nações Unidas.
1 of 5
Notícias
14 maio 2026
ONU Brasil lança Relatório Anual 2025
O recém-lançado Relatório Anual das Nações Unidas destaca os principais resultados alcançados pelo Sistema ONU no Brasil ao longo de 2025. Por meio de planejamento integrado, coordenação interagencial e investimentos catalisadores, as 25 entidades da ONU atuaram em parceria com o Estado brasileiro e com os três níveis de governo para promover o desenvolvimento sustentável do país, considerando as necessidades específicas dos diferentes grupos populacionais e a proteção do meio ambiente.Em um ano de muito destaque internacional para o Brasil, com a Cúpula dos BRICS e a realização da COP30 na Amazônia, a ONU trabalhou incessantemente para apoiar o país e ajudou na formulação, aperfeiçoamento e implementação de 85 políticas públicas, além de 18 instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário.Seguindo as diretrizes do Marco de Cooperação, vigente de 2023 a 2027, ao longo de 2025 a ONU trabalhou em temas como direitos humanos, ação climática, combate à fome e à pobreza, comércio, justiça, prevenção de desastres e trabalho decente. Foram 338 iniciativas implementadas, às quais foram destinados US$ 213 milhões. Os benefícios alcançaram milhões de pessoas em todo o país. De acordo com a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, “o ano de 2025 marcou a consolidação do Sistema das Nações Unidas no Brasil como um parceiro estratégico, coerente e de alto valor agregado para o país, em um contexto nacional e internacional de elevada complexidade”. O relatório anual ressalta, além dos resultados, os desafios, a execução financeira, os principais doadores e os 253 parceiros que trabalham junto com o Sistema ONU para que o Brasil avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Apresenta, ainda, as principais conquistas de cada uma das 25 agências especializadas, fundos e programas da ONU que atuam no Brasil.Confira dez destaques de 2025:10 anos da Livres & Iguais no BrasilFundo Brasil-ONU para a Amazônia em açãoJovens indígenas ocupam redes da @ONUBrasilApoio aos BRICSPreparação da COP30Brasil fora do Mapa da Fome80 anos da ONUONU Brasil na COP30Revisão de meio termo do Marco de CooperaçãoEliminação da transmissão vertical do HIVMarco de CooperaçãoAssinado em 2023 com o Estado brasileiro, o Marco de Cooperação é o principal documento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação das ações da ONU no país. Ele organiza o trabalho das agências especializadas, fundos e programas das Nações Unidas com atuação no país em torno de cinco eixos temáticos:Transformação Econômica para o Desenvolvimento SustentávelInclusão Social para o Desenvolvimento SustentávelMeio Ambiente e Mudança do Clima para o Desenvolvimento SustentávelGovernança e Capacidades InstitucionaisRelação das Ações Humanitárias e de Desenvolvimento Sustentável Para saber mais, leia aqui o relatório completo e siga @onubrasil nas redes!Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
1 of 5
História
07 agosto 2026
“A luta indígena é a luta de todos”
Aos 53 anos, Alida se reconhece, com firmeza, como uma liderança indígena Warao.“Hoje sou uma líder de verdade. E não é porque sou boa, mas porque faço acontecer. Líder é a pessoa que trabalha, que está a frente da batalha”, explica. Mas a história de Alida prova que ela é uma liderança há muito tempo. A filha de cacique é mãe de três filhos e formada em pedagogia. Atualmente, ocupa a posição de vice-presidente do Conselho Indígena Najakara Mooru (Cinamo) organização representativa do povo indígena com sede na comunidade Warao a Janoko no município de Cantá, Roraima. Antes disso, já liderava grupos de mulheres indígenas nos abrigos onde viveu em Pacaraima e Boa Vista. “Me sinto muito contente de estar à frente de uma associação civil de comunidades indígenas onde se encontram dois povos diferentes da Venezuela, Kari’ñas e Warao, cada um com seus costumes. O objetivo da associação é zelar pela segurança da comunidade em todos os espaços: na educação, moradia, saúde”, relata.Em 2019, mesmo ano em que Alida ingressou no Brasil, dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) mostravam que mais de 2,5 mil indígenas vieram da Venezuela em busca de proteção. Hoje em dia já são mais de 13.960 mil pessoas indígenas venezuelanas no país, de acordo com dados de março de 2026 extraídos do proGres, sistema do ACNUR voltado ao registro e à gestão de casos. Na comunidade Warao a Janoko estão cerca de 150 pessoas de 28 famílias. Localizada a 35 quilômetros de Boa Vista (RR), conta com uma casa cultural, energia elétrica e banheiros. O ACNUR tem apoiado a comunidade por meio de um projeto de autoconstrução de casas. A comunidade se estabeleceu por esforço próprio na região e está, atualmente, trabalhando junto com a Prefeitura do Cantá, governo do estado de Roraima e o ACNUR para fazer parte da rota de turismo da região. “A esperança é o movimento que impulsiona a vida. Meu sonho é ter uma comunidade organizada, com boas casas e com todos os serviços necessários. Que cada pessoa dê sua contribuição e impulsione o empreendimento voltado para o turismo, e que também o governo perceba isso. Nós, povos indígenas, somos trabalhadores e continuaremos sendo. Somos verdadeiros guerreiros neste país”, afirma Alida. Segundo a líder, a comunidade está organizada em grupos que compartilham seus saberes ancestrais: cultura, contação de histórias, dança e interculturalidade por meio das línguas. A comunidade fala Warao, Kari’ña e espanhol, além de conhecimentos básicos de português.Na luta por reconhecimento, direitos e inclusão em políticas públicasEm abril de 2026, Alida e outras lideranças Taurepang, Warao e Kari’ña representaram suas etnias e comunidades na maior mobilização dos povos indígenas do país, o Acampamento Terra Livre, em Brasília. Em articulação conjunta, o ACNUR e a Agência da ONU para Migrações (OIM) apoiaram a comitiva composta por 16 pessoas indígenas refugiadas e migrantes que se deslocaram dos municípios de Pacaraima e Cantá (RR), Manaus (AM), Belém e Ananindeua (PA) para a capital federal. Durante uma semana, as lideranças tiveram a oportunidade de participar de agendas e discussões políticas sobre seus direitos e se uniram às marchas com sete mil indígenas de todas as regiões brasileiras. “Estou muito feliz por participar do ATL pela segunda vez. Nesse espaço, tive a oportunidade de participar de reuniões muito importantes com povos indígenas, representantes de direitos humanos e advogados. A questão da educação dos povos indígenas é uma das nossas bandeiras, e queremos continuar essa luta para o futuro”, explica.Alida e outras mulheres indígenas Warao e Kari’ña participaram também do encontro Diálogos Fundo Brasil ONU: Rede Brasileira dos Povos Originários das Reservas da Biosfera e Sociobiodiversidade, organizado pela Unesco, com foco na valorização cultural e linguística a partir da produção de materiais educativos em dialetos indígenas. Para Alida, participar em debates e espaços como estes são oportunidades de reconhecimento e inclusão da população indígena venezuelana nas políticas públicas brasileiras por todas as esferas de governo. “A luta indígena é a luta de todos. Espero que os indígenas venezuelanos sejam incluídos, e que não nos vejam como indígenas de outro país ou indígenas estrangeiros, mas sim como povos indígenas da América Latina que convivem com a mesma realidade e enfrentam os mesmos desafios.”A participação de Alida e dos demais indígenas venezuelanos no Acampamento Terra Livre contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá. A participação de Alida e dos demais indígenas venezuelanos no Acampamento Terra Livre contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
1 of 5
História
04 agosto 2026
“O objetivo principal de preservar a história é não repeti-la”
Selecionada pelo Fundo de Jovens Líderes das Nações Unidas, Ana Carolliny, estudante da Universidade Federal de Goiás, viajou ao Japão em visita de estudos sobre memória e desarmamento nuclear. Entre museus, testemunhos e eventos, ela descobriu na sensibilidade e na escuta alguns dos principais aprendizados da experiência. Do on-line ao Japão: troca intercultural e a escutaEstudante de Relações Internacionais na Universidade Federal de Goiás (UFG), Ana Carolliny Melo ainda não tinha uma trajetória consolidada na área do desarmamento nuclear. Ao conhecer o Fundo de Jovens Líderes (YLF), no entanto, logo conseguiu relacionar seu principal campo de estudo — a segurança internacional — à defesa de um mundo sem armas nucleares. A primeira etapa do programa consistiu em um treinamento on-line composto por módulos de e-learning, fóruns virtuais, oficinas e webinars ao vivo. “A fase do treinamento on-line foi um grande desafio, mas passou muito rápido e foi uma das partes de que mais gostei”, contou Ana Carolliny em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Após a conclusão dessa etapa, 50 participantes de 39 países — entre eles Ana — embarcaram para uma viagem de estudos de seis dias ao Japão. Entre 29 de junho e 3 de julho de 2026, participaram de palestras e debates com as hibakusha (pessoas sobreviventes dos bombardeios atômicos), realizaram visitas a museus e espaços de memória e conheceram de perto a história de Hiroshima e Nagasaki. A visita de estudos integrou a segunda fase da edição de 2025-2026 do YLF, lançada em julho do ano passado. “O que mais me impactou emocionalmente foi, com certeza, escutar os depoimentos dos sobreviventes”, disse Ana Carolliny ao UNIC Rio. Como era sua primeira viagem internacional, Ana relata que a experiência também representou um grande desafio pessoal.“Fui para a viagem um pouco insegura. Foi a primeira vez que saí do Brasil. Eu estava bem nervosa e questionando muito meu inglês”, lembra.Ao chegar ao Japão, porém, ela conta que foi acolhida pelas amizades que fez com jovens participantes vindos de diferentes culturas e realidades. Para Ana, as trocas interculturais foram um dos aspectos mais enriquecedores da missão de estudos da ONU, permitindo conhecer perspectivas distintas e aprender com países que enfrentam desafios muito diferentes dos vividos no Brasil.“É você se despir de tudo o que você achou que sabia e perceber que o mundo é muito diferente. Eu tenho tanto a aprender, eu tenho tanto a andar. O mundo é muito grande. Foi isso o que mais abriu meu olhar para genuinamente entender que o mundo vai além da minha própria percepção”, conta. Entre os encontros com as hibakusha, as visitas aos espaços de memória de Hiroshima e Nagasaki e o convívio com colegas de diferentes países, contextos e trajetórias, Ana destaca um aprendizado que considera central:“Ficamos com a mesma fome de escutar o outro. Eu acho que isso é o mais importante. Todo o conhecimento técnico é crucial, mas essa humanidade, sensibilidade e tato só a prática traz. E é isso o que eu mais prezo.”Memória e o papel da juventude“O objetivo principal de preservar a história é não repeti-la.”Para Ana, a juventude ocupa um papel essencial na preservação da memória dos sobreviventes e na defesa do desarmamento nuclear.“As pessoas sobreviventes, um dia, não estarão mais aqui. Justamente por isso que o programa trabalha com a juventude. Manter a voz das hibakusha viva, mesmo quando eles já não puderem contar suas próprias histórias”, afirma a jovem líder brasileira. Ao longo do programa do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (ODA), as pessoas jovens participantes são incentivados a refletir sobre os desafios relacionados ao desarmamento nuclear e compreender como esse debate se aplica às diferentes realidades de seus países. A partir das redes sociais e da construção de narrativas, os jovens tornam-se multiplicadores da defesa de um mundo livre de armas nucleares.“O principal papel, como jovens, que podemos ter é pressionar e questionar. Mas também nos educarmos para que, quando chegarmos às posições de tomada de decisão, não cometamos os mesmos erros do passado.” Brasil: como o país pode contribuir?Para Ana, a tradição pacifista da política externa brasileira coloca o país em posição estratégica na defesa do desarmamento nuclear global. Como uma importante força econômica e diplomática, especialmente na América Latina, o Brasil tem condições de contribuir para fortalecer esse debate e ampliar a cooperação internacional sobre o tema.“São decisões que afetam todo mundo. É muito importante lutarmos pelo desarmamento em países que possuem armas nucleares. Mas é igualmente importante mantermos os países que não têm, nessa condição. Não podemos pegar um problema gigante como esse e torná-lo ainda maior.”Mais do que evitar novas tragédias, defender o desarmamento nuclear significa construir um mundo que não viva sob a ameaça permanente do uso dessas armas.“Cada um vai adaptar para sua realidade, mas saímos com uma lição em comum: precisamos parar as armas nucleares, agora.”Sobre o Fundo de Líderes Jovens por um Mundo Sem Armas NuclearesO Fundo de Líderes Jovens (Young Leaders Fund for a World Without Nuclear Weapons – YLF) é um programa de aprendizagem que busca capacitar jovens de 18 a 29 anos com conhecimentos, habilidades e redes de contato para liderar iniciativas em prol do desarmamento nuclear.A cada dois anos, até 2030, 100 participantes são selecionados para receber treinamento on-line sobre os princípios do desarmamento nuclear, da não proliferação e do controle de armas. Ao final dessa etapa, um grupo é escolhido para participar de uma viagem de estudos de uma semana a Hiroshima e Nagasaki.Durante a visita, os participantes conhecem a história das hibakusha, sobreviventes dos bombardeios atômicos que, há décadas, compartilham seus testemunhos e defendem a eliminação das armas nucleares. À medida que essa geração envelhece, torna-se cada vez mais importante garantir que suas histórias e seus apelos por um mundo sem armas nucleares sejam transmitidos às futuras gerações.“Tenho muita gratidão pelo projeto. Além de tudo o que ele faz pelos outros, penso no que ele fez por mim. Agregou em todos os aspectos da minha vida, e espero conseguir retribuir por meio do meu trabalho — não apenas pelo que fiz durante o programa, mas também pelo que continuarei fazendo ao longo da minha carreira.”Para saber mais, siga @unitednations_oda nas redes e visite a página #Youth4Disarmament, do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (ODA).
1 of 5
História
03 agosto 2026
“Parecia que alguém finalmente tinha olhado para nós”
Longe das praias de cartão-postal do Rio de Janeiro, o município de São Gonçalo já foi conhecido como “Manchester fluminense” por sua concentração de indústrias pesadas. Aplicando metodologias do ONU-Habitat, o município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro identificou bairros antes não atendidos, reorganizou equipes clínicas e ampliou o acesso à saúde, transformando a vida de famílias como a de Clarice Soares de Abreu.Clarice Soares de Abreu nasceu e cresceu no bairro de Tribobó. Embora uma rodovia movimentada corte o bairro ao meio, a região também faz fronteira com áreas ambientais protegidas. Pequenos comércios e indústrias à beira da estrada dividem espaço com calçadas estreitas e áreas residenciais que dão lugar a encostas com a biodiversidade da Mata Atlântica, onde o ritmo desacelera e o tempo parece passar de forma diferente. Clarice conhece seus vizinhos — em sua maioria idosos que vivem ali há décadas — e se sente segura em Tribobó. Mas essa tranquilidade também convive com a sensação de abandono de quem vive à margem da grande cidade. “É um lugar um pouco esquecido”, conta.Mãe solo, Clarice cria o filho Pedro, de 7 anos, diagnosticado com autismo e que necessita de atenção constante. Entre os cuidados em casa e o trabalho como assistente social em um município vizinho, onde atende famílias com crianças com autismo, ela vivia um paradoxo: o cuidado que oferecia aos outros não chegava à própria família, porque Tribobó permanecia fora do radar das autoridades de saúde de São Gonçalo — até que uma metodologia do ONU-Habitat apoiou literalmente a colocar o bairro no mapa.São Gonçalo divide a cidade em polos sanitários, subdivididos em microáreas de atendimento, e a ausência de limites claros para as áreas de cobertura fazia com que muitas famílias fossem praticamente invisíveis ao sistema de saúde. Na prática, isso dificultava o acesso ao cuidado contínuo de que Pedro precisava, incluindo consultas, acompanhamento e serviços preventivos. “A gente ficava indo de porta em porta tentando atendimento em bairros mais distantes, e ninguém queria atender porque diziam que não era a nossa área”, relembra Clarice. “Era como se a gente não estivesse em lugar nenhum.” No mapaO ponto de virada aconteceu no fim de 2025. Ana Carolina Souza Campos, agente comunitária de saúde, bateu à porta de Clarice e se apresentou como responsável pela área. A princípio, Clarice ficou confusa — ela havia passado anos encontrando obstáculos ao tentar descobrir quem era responsável pelos cuidados de saúde em Tribobó, e se eles precisam alcançar. Esse foi o desafio enfrentado pela Prefeitura de São Gonçalo: ao analisar a cobertura das equipes de saúde da família, foram identificadas áreas que não estavam vinculadas a nenhuma unidade de saúde, o que significava que moradores estavam sem atendimento regular. Com apoio do ONU-Habitat, o município reorganizou a forma como a Secretaria Municipal de Saúde mapeia as áreas atendidas pelas equipes da Estratégia de Saúde da Família, modelo nacional baseado em equipes multidisciplinares que atuam em territórios definidos.O processo foi apoiado por meio de um Laboratório Urbano – metodologia internacional desenvolvida pelo ONU-Habitat por meio da qual foram realizadas oficinas colaborativas com a administração municipal para fortalecer estratégias de mapeamento da Atenção Primária à Saúde. Essa etapa foi seguida por uma Avaliação de Necessidades de Capacitação em Contextos Urbanos, que fortaleceu mais de 40 servidoras e servidores municipais na coleta, análise e visualização de dados para planejar e implementar políticas públicas mais eficazes.O trabalho envolveu diferentes etapas, como o levantamento de dados existentes, a identificação de inconsistências, a capacitação de equipes e a delimitação de microáreas de cobertura em saúde. A partir dessa nova análise territorial, a Prefeitura redistribuiu equipes, redefiniu áreas de cobertura e iniciou o cadastramento das famílias. Como resultado, agentes comunitários de saúde como Ana Carolina passaram a atuar em territórios mais precisamente definidos, com rotas estabelecidas e acompanhamento contínuo das famílias cadastradas.Monitorando os avançosOs esforços de São Gonçalo não terminaram com o mapeamento das áreas sem cobertura de saúde. Outro passo dado foi a criação do Observatório de Fortalece São Gonçalo, uma plataforma baseada no Global Urban Monitoring Framework – guia do ONU-Habitat para apoiar atores urbanos a avaliar o progresso de cidades e áreas urbanas com metas e indicadores. Instituída por lei municipal, a plataforma reúne mais de 130 indicadores de diferentes setores e tornou possível acompanhar, ao longo do tempo, os impactos das intervenções realizadas. A capacidade de transformar dados em ação ajuda a garantir que políticas públicas não apenas cheguem às comunidades, mas permaneçam eficazes e conectadas às realidades locais.A história de Clarice reflete uma transformação mais ampla. Em cidades como São Gonçalo, fora dos grandes centros administrativos e marcadas por um rápido crescimento urbano, a adoção de sistemas estruturados de dados e monitoramento territorial ainda é recente. Diferentemente de grandes centros urbanos com mais recursos e maior capacidade técnica e institucional, municípios periféricos frequentemente enfrentam desafios para reunir informações sobre suas próprias populações. Ao combinar abordagens participativas com ferramentas de análise de dados, o município não apenas reorganizou seus serviços, mas também passou a enxergar com mais clareza seu território e as pessoas que sempre estiveram ali, mas viviam à margem dos serviços públicos.“Parecia que alguém finalmente tinha olhado para nós”Quando Ana Carolina apareceu, Clarice a reconheceu como moradora da região. Mas ela não estava ali como uma vizinha pedindo um favor. Sua presença uniformizada significava que os cuidados de saúde finalmente estavam chegando ao bairro — e com um rosto humano. Ana Carolina cadastrou Clarice no sistema de saúde, orientou sobre os serviços disponíveis e organizou os primeiros atendimentos de Pedro na unidade local. “Foi um momento de virada”, conta Clarice. “Parecia que alguém finalmente tinha olhado para nós.”Agora que a área foi oficialmente mapeada e incorporada ao sistema de saúde, a unidade local — que já existia no bairro, mas ainda não alcançava todas as famílias da região — passou a fazer parte da rotina de Clarice e de seus vizinhos, que retomaram cuidados antes adiados. Hoje, eles podem caminhar poucos minutos até consultas médicas, exames de rotina, vacinação e atendimento odontológico. Pedro também passou a receber acompanhamento mais contínuo, além de encaminhamentos para serviços especializados.“É um alívio saber que a gente pode contar com um posto de saúde perto de casa”, diz Clarice. “Eu me sinto mais cuidada, mais assistida.”Embora reconheça que ainda existem desafios em Tribobó, Clarice se sente mais confiante para planejar o futuro da família. Agora, quando pensa no futuro do filho, algo mudou. Ela imagina um lugar onde Pedro possa crescer com acesso garantido à saúde — e essa mudança começa com algo simples, mas essencial: estar no mapa.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes!
1 of 5
História
24 julho 2026
Haitiana empreende com culinária multicultural em Boa Vista
Foi no dia de seu aniversário que a haitiana Guerlande recebeu o diploma pela conclusão do curso de panificação junto ao projeto Mujeres Fuertes – ou Mulheres Fortes – que formava mais uma turma de empreendedoras na capital roraimense Boa Vista. O auditório do Senai estava cheio, outras 49 mulheres comemoravam a conquista após quatro meses de aulas teóricas e práticas sobre o universo do empreendedorismo gastronômico. Um dia antes de se formar, Guerlande e as colegas de curso preparavam os quitutes que seriam servidos na formatura. O trabalho em equipe rendeu um cardápio variado: bolos, salgados, doces, pasteis. A convivência com mulheres venezuelanas, fez com que a haitiana aprendesse a preparar as famosas “empanadas”, típicas da Venezuela. “Eu já vendo pastel e empanadas, tenho um carrinho. Meu plano é ter uma padaria para fazer salgados e doces. Quero alugar um local e ter meu negócio”, planeja.No curso oferecido pelo Senai como parte do projeto Mulheres Fortes, ela aprendeu também sobre técnicas de vendas, marketing e gestão de negócios. Do Haiti ao Brasil: uma história sendo escritaEm sua terra natal, Guerlande trabalhou em bares e restaurantes. Morava com os pais e as duas filhas. Ela comenta que a vida no país estava muito complicada e não podia seguir vivendo lá. “Para não perder minha vida no Haiti eu resolvi sair. As coisas estavam muito difíceis. Quando eu falo difícil, é difícil mesmo. Às vezes eu não conto tudo porque é muita tristeza que eu passei. Tenho marcas no meu corpo. É difícil falar”, compartilha. Guerlande chegou no Brasil em 2018, por Foz do Iguaçu, cidade que faz fronteira com a Argentina e o Paraguai. Conseguiu uma vaga de trabalho no Mato Grosso do Sul, em uma empresa do setor de alimentos. Na persistência de se estabilizar no país, ela se mudou para Chapecó (SC). Parte desta trajetória foi marcada por inúmeros episódios de violência que ela não gosta de relembrar. Apesar dos avanços em políticas para acolhimento e inclusão, o estudo Análise de dados secundários sobre a integração socioeconômica da população haitiana no Brasil, conduzido pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o ACNUR, indica que pessoas haitianas permanecem em situação de maior vulnerabilidade quando comparadas a outros grupos de refugiados, devido a barreiras como idioma, perfil socioeconômico, discriminação, xenofobia e racismo. “As condições de trabalho dessa população continuam marcadas por vulnerabilidades estruturais, incluindo rendimentos inferiores aos de outros refugiados, jornadas excessivas, ausência de pagamento de horas extras, barreiras linguísticas e episódios recorrentes de discriminação. O empreendedorismo tem sido um caminho para mulheres buscarem sua autonomia econômica, valendo-se de habilidades que são valorizadas no Brasil”, destaca o oficial de inclusão socioeconômica do ACNUR, Paulo Sérgio de Almeida. No oeste catarinense, Guerlande fez amizades venezuelanas e uma delas contou sobre a cidade de Boa Vista. Em 2025, decidiu se mudar com os filhos para o norte do Brasil.“Uma mulher me disse que se eu fosse para Boa Vista eu ia poder reconstruir a minha vida sozinha com meus filhos. Assim que cheguei, conheci o Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados. Nunca vou me esquecer, me ajudaram muito. Acreditaram em mim. Diziam que sou uma pessoa muito forte e conseguiria seguir adiante. Ajudaram a colocar meu filho na escola, a conseguir o Bolsa Família, me matricularam em curso de português. Fizeram muito para mim”, conta.Depois dos primeiros passos de adaptação em Boa Vista, Guerlande também conheceu o projeto Mulheres Fortes, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Instituto Hermanitos e Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR), com apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região.“Eu cheguei aqui em Boa Vista e muita coisa maravilhosa começou a acontecer para mim. Deus começou a abrir portas. Aqui conheci o ACNUR e o Hermanitos. E consegui um incentivo financeiro para meu negócio”, comemora. “A trajetória de Guerlande mostra que a inclusão socioeconômica acontece quando reconhecemos a coragem e a capacidade que cada mulher já possui. O Mulheres Fortes oferece formação, ferramentas e conexões para que mulheres refugiadas e migrantes possam transformar suas experiências em autonomia, renda e novas perspectivas para suas famílias. Ao mesmo tempo, o projeto cria redes de confiança entre mulheres de diferentes nacionalidades, fortalecendo a integração e a convivência nas comunidades onde vivem”, explica o diretor presidente do Instituto Hermanitos, Tulio Silva.“Eu nunca vou esquecer o Mulheres Fortes. Conheci muitas pessoas boas que estão perto de mim. Foi uma experiência muito boa para me fazer mais forte, dar conselhos. Foi maravilhoso para mim, aprendi muito. Na vida você pode ter dinheiro, mas sem conhecimento você não faz nada. Abriu minha cabeça, me deu sabedoria. Vai me levar longe”, projeta Guerlande.Além dos planos para o negócio, a haitiana quer se naturalizar brasileira junto aos dois filhos. A naturalização é o processo pelo qual uma pessoa nascida em outro país adquire voluntariamente a nacionalidade brasileira, desde que cumpra os requisitos previstos na legislação. “Meu plano é ser exitosa. Tenho fé que vou ficar aqui para ter minha casa própria, criar meus filhos, comprar meu carro. Quero fazer minha vida aqui em Boa Vista. Aqui é meu lugar. Tenho planos grandes”, celebra.Para saber mais, siga @acnurbrasil nas redes e visite a página do ACNUR no Brasil.
1 of 5
História
10 julho 2026
“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida”
Enquanto aguarda o embarque, Kenny Rebolledo observa uma rotina que conhece bem. Durante mais de um ano, acompanhou pessoas surdas em cada etapa da interiorização. Agora, pela primeira vez, é ele quem segue nesse percurso, rumo a uma nova cidade onde pretende trabalhar, reconstruir sua vida e apoiar a família. Kenny Rebolledo, 38 anos, pessoa surda, nasceu em Ocumare del Tuy, no estado de Miranda, na Venezuela. Ainda adolescente, aos 15 anos, começou a aprender a língua de sinais com o apoio do primo, também surdo. Dois anos depois, já dominava a comunicação e participava ativamente da comunidade surda, incluindo atividades esportivas. Em fevereiro de 2024, tomou a decisão de sair da Venezuela. Atravessou a fronteira e chegou ao Brasil poucos dias depois.“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida.” Como pessoa surda, o recomeço exigiu adaptação a uma nova língua de sinais e a um novo idioma. Usuário da Língua de Sinais Venezuelana (LSV), em apenas três meses, aprendeu também a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A partir disso, passou a se conectar com a comunidade surda local, frequentar espaços coletivos e reconstruir, com autonomia, sua rede no Brasil. No dia a dia, também utiliza recursos como a leitura labial para se comunicar em outros contextos. Foi nesse processo de adaptação e aproximação com a comunidade local que Kenny passou a atuar com a Agência da ONU para as Migrações (OIM). Apoiando pessoas surdas na Estratégia de Interiorização, participou do programa da Operação Acolhida que leva voluntariamente pessoas venezuelanas de Boa Vista para integração em outras cidades do Brasil. Na agência, durante mais de um ano, trabalhou como intérprete, auxiliando em entrevistas, orientações e no acesso à comunicação para outras pessoas surdas, utilizando a Língua de Sinais Venezuelana e Libras. Ao longo desse período, passou a conhecer de perto cada etapa do processo de interiorização, o mesmo que agora se prepara para vivenciar. “Muitas pessoas não sabem português nem Libras, então eu ajudava”, conta. Mais do que um trabalho, foi uma experiência de troca, de escuta, de reconhecimento e de identificação com histórias que, muitas vezes, se pareciam com a sua. Atendido pelos colegas com quem costumava trabalhar, ele se despede de Roraima para iniciar seu processo de interiorização. O destino é Tijucas, estado de Santa Catarina, no sul do país, onde pretende começar uma nova etapa de vida. “Quero ajudar minha mãe, meu primo surdo… e seguir em frente”, diz. Ele conta que se sente ansioso, mas também confiante. Depois de mais de um ano vivendo em Roraima, acredita que aprendeu muito. Em seu novo caminho, quer trabalhar, se estabelecer e criar condições para apoiar sua família. Entre seus planos estão conseguir um emprego, ter sua própria casa para receber a família e construir novas relações. “Quero que seja um futuro com responsabilidade, esforço e esperança.” Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM Brasil.
1 of 5
Notícias
14 agosto 2026
FIDA e BNDES realizam 1º Encontro do Fórum Sertão Vivo
O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizou no início de agosto o 1º Encontro do Fórum de Transparência e Orientação da Iniciativa Sertão Vivo (FTOSV). O evento ocorreu na sede da Embrapa, em Brasília (DF), reunindo representantes dos estados responsáveis pela implementação do projeto, da Unidade PMEL (Plan, Monitor, Evaluate and Learn), de instituições parceiras e demais atores envolvidos na iniciativa. Instituído em caráter consultivo, o Fórum de Transparência e Orientação tem como objetivo promover maior transparência na implementação do projeto Sertão Vivo, contribuir para o aprimoramento do planejamento e da execução das ações, além de identificar sinergias com outras iniciativas desenvolvidas nos territórios de atuação do programa, conforme previsto em seu regimento interno.O projeto Sertão Vivo – Semeando Resiliência Climática em Comunidades Rurais do Nordeste é uma iniciativa conjunta do BNDES e do FIDA, com apoio do Green Climate Fund (GCF), voltada ao fortalecimento da resiliência climática das comunidades rurais do Semiárido nordestino.Este primeiro encontro representou um marco para a governança da iniciativa. Ao reunir os diversos parceiros envolvidos, o Fórum fortalece o diálogo, o alinhamento institucional e a coordenação entre os diferentes atores, além de criar um espaço permanente para o compartilhamento de informações estratégicas, lições aprendidas e avanços da implementação. O encontro também foi uma valiosa oportunidade para que os estados apresentassem os resultados alcançados até o momento e seus planejamentos para o segundo semestre de 2026, compartilhando desafios, aprendizados e conquistas que vêm contribuindo para o fortalecimento e o avanço do projeto.O Fórum contou com a participação de representantes dos estados da Bahia, Ceará, Paraíba e Piauí, Unidade PMEL (ASA), além de instituições federais, organismos de pesquisa e organizações parceiras. Estiveram presentes representantes dos ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Fazenda (MF) e do Planejamento e Orçamento (MPO), bem como da Autoridade Nacional Designada (NDA), Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), do Consórcio Nordeste, do Fórum de Secretários do Nordeste, da Embrapa, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), do Landscape Alliance, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), entre outras instituições parceiras.“O projeto Sertão Vivo é resultado de uma parceria construída sobre confiança, cooperação e uma visão compartilhada de desenvolvimento rural sustentável. O Fórum reforça esse compromisso ao criar um espaço de diálogo e transparência que permite alinhar esforços, compartilhar aprendizados e fortalecer a implementação da iniciativa, sempre com foco em gerar impactos concretos para as famílias rurais do Semiárido”, afirmou o diretor do FIDA para o Brasil, Arnoud Hameleers. Produção ResilienteSertão Vivo busca ampliar o acesso à água por meio de tecnologias de captação, armazenamento e reuso, a promoção de sistemas produtivos resilientes e sustentáveis, a recuperação de áreas degradadas, o fortalecimento da capacidade de adaptação das comunidades aos eventos climáticos extremos e a redução das emissões de gases de efeito estufa.O projeto está estruturado em três componentes: Sistemas produtivos resilientes à mudança climática.Acesso à água. Gestão do conhecimento. Trata-se da primeira operação do FIDA em parceria com um banco nacional de desenvolvimento e da primeira operação conjunta entre BNDES, FIDA e GCF.As ações serão realizadas em comunidades de pequenos agricultores rurais, incluindo povos e comunidades tradicionais, como quilombolas e quebradeiras de coco, assentamentos da reforma agrária, além de ações de educação ambiental em escolas rurais. Haverá intercâmbios entre agricultores, além do trabalho específico com a juventude, como na formação técnica para a jovens comunicadores.O programa mobiliza cerca de US$ 283,2 milhões em recursos de crédito e doação, com a meta de restaurar 84.124 hectares de sistemas produtivos resilientes e beneficiar 1 milhão de pessoas, distribuídas em 250 mil famílias rurais, das quais pelo menos 40% são mulheres e 50% são jovens.Até o momento, já foram firmados contratos com cinco estados do Nordeste — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe — além da Unidade de Planejamento, Monitoramento, Avaliação e Aprendizagem (PMEL), totalizando mais de R$ 1 bilhão em recursos reembolsáveis e não reembolsáveis. Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X, YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (em espanhol).Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.orgNOTA PARA EDITORESO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.
1 of 5
Notícias
14 agosto 2026
‘Casamento é coisa de adulto’: UNFPA lança campanha de enfrentamento ao casamento infantil no Brasil
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) lançou nesta sexta-feira (14) a campanha “Casamento é coisa de adulto”, uma iniciativa para ampliar o conhecimento da população sobre o casamento infantil no Brasil, combater a naturalização dessa prática e fortalecer a defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Casamento infantil é qualquer união, formal ou informal, em que pelo menos uma das pessoas envolvidas tem menos de 18 anos.A campanha parte de uma realidade ainda pouco conhecida pelos brasileiros: o Brasil é o país da América Latina com o maior número absoluto de uniões envolvendo pessoas com menos de 18 anos e ocupa a sexta posição no mundo. Estimativas disponíveis indicam que uma em cada quatro jovens brasileiras entrou em uma união conjugal antes da idade adulta.Mesmo assim, o casamento infantil permanece frequentemente invisível no país. Diferentemente de outros contextos, no Brasil, essas uniões acontecem majoritariamente de maneira informal, muitas vezes entendidas apenas como “morar junto”, e podem ser naturalizadas pelas próprias famílias, comunidades e pela sociedade. “Quando falamos em casamento infantil, muitas pessoas imaginam uma cerimônia formal ou uma situação explicitamente forçada. No Brasil, o casamento infantil acontece, na maioria das vezes, de forma menos perceptível, em relações informais. Meninas em contexto de pobreza passam a viver com parceiros, frequentemente mais velhos, em uniões marcadas por desigualdades de idade, renda, poder e autonomia”, afirma a representante do UNFPA no Brasil, Florbela Fernandes.‘Casamento é coisa de adulto’A campanha reúne diferentes frentes de atuação. Uma página especial criada pelo UNFPA concentra dados e informações sobre o casamento infantil no Brasil, incluindo um mapa com o número de uniões por estado e conteúdos que ajudam a compreender as causas, características e consequências da questão no país. O endereço é: unf.pa/casamentoinfantil.A iniciativa também convida a população a assinar a campanha e se somar a um movimento de conscientização e mudança de comportamento, contribuindo para que as uniões antes dos 18 anos deixem de ser naturalizadas. Nas redes sociais do @unfpabrasil, uma série de conteúdos informativos vai ampliar essa conversa, apresentando dados e evidências para levar o tema a diferentes públicos. A imprensa também tem papel fundamental nesse esforço, contribuindo para dar visibilidade ao casamento infantil, ampliar o debate público e ajudar a romper a naturalização das uniões antes dos 18 anos. A campanha inclui ainda a realização de pesquisas de opinião pública para medir o conhecimento e a percepção dos brasileiros sobre o tema. Os levantamentos vão ajudar a identificar o que a população sabe sobre o casamento infantil e suas consequências, produzindo evidências para qualificar o debate público e orientar futuras ações de conscientização e enfrentamento. Mais de 34 mil crianças em casamento infantilO Censo Demográfico de 2022 identificou 34.202 crianças de 10 a 14 anos vivendo algum tipo de união conjugal no país.Entre elas, 77% eram meninas e 69% eram pretas ou pardas. A maior parte dessas relações, 86,6%, era informal, sem casamento civil ou religioso.O dado representa apenas parte da dimensão total, já que esse recorte não inclui adolescentes de 15 a 17 anos.As últimas estimativas disponíveis, baseadas na Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 2006, mostram ainda que uma em cada quatro jovens brasileiras entrou em uma união antes dos 18 anos. Isso significa que ao longo das últimas décadas, mais de 22 milhões de mulheres brasileiras entre 20 e 24 anos tiveram suas trajetórias marcadas por uma união precoce.As consequências podem se estender por toda a vida. O casamento infantil está associado à interrupção da trajetória escolar, menores oportunidades profissionais, dependência econômica, gravidez precoce e maior exposição a diferentes formas de violência.Situações de pobreza, exclusão escolar, violência e falta de perspectivas também podem fazer com que relações apresentadas como oportunidades de amor, proteção ou estabilidade sejam percebidas como uma saída possível.“Uma relação que parece oferecer proteção pode, na prática, aprofundar desigualdades e limitar as possibilidades de escolha dessas meninas. Enfrentar o casamento infantil significa ampliar oportunidades para que crianças e adolescentes possam estudar e desenvolver seus próprios projetos de vida”, afirma Florbela Fernandes.A discussão no CongressoO lançamento da campanha acontece em um momento em que o tema também avança no Congresso Nacional.A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou no dia 15 de julho, em caráter conclusivo, uma proposta que torna nulo, em qualquer circunstância, o casamento de pessoas com menos de 16 anos.Desde 2019, a legislação brasileira proíbe esses casamentos. No entanto, o Código Civil ainda os classifica como “anuláveis”, mantendo dispositivos que poderiam permitir questionamentos sobre sua invalidação. A proposta aprovada pela CCJ elimina essa possibilidade e estabelece sua nulidade para todos os efeitos. Caso não haja recurso para análise pelo Plenário da Câmara, o texto seguirá para o Senado.Para o UNFPA, a mudança representa um avanço importante, mas a legislação brasileira ainda mantém uma lacuna ao permitir o casamento de adolescentes de 16 e 17 anos mediante autorização dos pais ou responsáveis legais.Isso contraria as recomendações do Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw) e do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas, instrumentos que historicamente orientam a aplicação de parâmetros internacionais assumidos pelo Brasil e que defendem os 18 anos como idade mínima para qualquer união, formal ou informal.Por isso, o UNFPA defende a fixação dos 18 anos como idade mínima legal para o casamento no Brasil, aliado a políticas que assegurem permanência escolar, proteção social, acesso à saúde, apoio às famílias, oportunidades de autonomia econômica e o fortalecimento das redes locais de proteção.Ao redor do mundo, mais de 50 países já avançaram em suas legislações ao estabelecer 18 anos como idade mínima para o casamento. Entre eles estão Suécia, Finlândia, Alemanha, México, Colômbia, Peru e Bolívia.Para saber mais, acesse a página da campanha e siga @unfpabrasil nas redes! Sobre o UNFPAO Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é a agência da ONU dedicada à saúde sexual e reprodutiva e à promoção dos direitos de mulheres, adolescentes e jovens em todo o mundo.No Brasil, o UNFPA atua para que meninas e adolescentes tenham acesso à informação, a serviços de saúde de qualidade e a redes de proteção, garantindo condições para que possam tomar decisões seguras e informadas sobre suas próprias vidas.
MATERIAL DA CAMPANHA DISPONÍVEL PARA JORNALISTASContato para aimprensa: Gabriel Luiz, UNFPA Brasil: gaaraujo@unfpa.org
MATERIAL DA CAMPANHA DISPONÍVEL PARA JORNALISTASContato para aimprensa: Gabriel Luiz, UNFPA Brasil: gaaraujo@unfpa.org
1 of 5
Notícias
13 agosto 2026
ONU alerta para riscos crescentes que crianças e jovens enfrentam no ambiente digital
As Nações Unidas defendem que a integridade da informação se tornou uma questão central para a proteção dos direitos das crianças e dos jovens na era digital. Em novo relatório do Departamento de Comunicação Global, a ONU alerta que estas populações estão entre as mais conectadas do mundo e, simultaneamente, entre as mais expostas aos riscos associados à desinformação, ao discurso de ódio, à manipulação algorítmica e às novas tecnologias de inteligência artificial.Segundo o documento temático “Reforçando a Integridade da Informação: Crianças, Jovens e Integridade da Informação”, publicado às vésperas do Dia Internacional da Juventude (12 de agosto), mais de 82% das pessoas jovens entre 15 e 24 anos utilizam a Internet, o que lhes proporciona oportunidades sem precedentes de aprendizagem, participação cívica e inclusão econômica. No entanto, a crescente dependência dos ambientes digitais faz com que os impactos negativos das plataformas online tenham consequências profundas no desenvolvimento cognitivo, emocional e social das novas gerações.A ONU identifica três grandes categorias de riscos para a integridade da informação: Riscos tecnológicos, relacionados com o uso abusivo de ferramentas digitais e inteligência artificial. Riscos de acesso e distribuição, ligados a algoritmos, desigualdades digitais e enfraquecimento do jornalismo independente.Riscos associados aos conteúdos, incluindo desinformação, assédio online e discurso de ódio. Estes desafios afetam particularmente crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo competências críticas para interpretar e avaliar a informação que consomem.O relatório destaca ainda o papel das grandes plataformas tecnológicas na criação de ambientes digitais desenhados para maximizar a atenção dos utilizadores. Modelos de negócio baseados na coleta de dados e na publicidade comportamental incentivam práticas que podem explorar vulnerabilidades psicológicas de menores, expondo-os a conteúdos extremos, mecanismos de dependência e estratégias de marketing altamente personalizadas.Diante desse grave cenário, governos de várias regiões do mundo têm avançado com novas medidas regulatórias para reforçar a segurança online das crianças. Entre as propostas mais debatidas estão as restrições de idade para acesso às redes sociais. Contudo, especialistas em direitos da criança alertam que tais medidas, isoladamente, não resolvem o problema e podem até limitar o acesso a espaços digitais importantes para a educação, a socialização e o apoio emocional.O documento dedica igualmente atenção ao crescente protagonismo dos jovens na esfera pública digital. Movimentos liderados por jovens utilizam plataformas online para mobilizar apoio em torno de temas como mudança climática, direitos humanos e combate à corrupção. Ainda assim, esses grupos enfrentam frequentemente campanhas de desinformação, vigilância, ataques coordenados e censura, o que reforça a necessidade de ambientes informativos mais seguros e transparentes.Como resposta, a ONU propõe a aplicação dos seus cinco Princípios Globais para a Integridade da Informação: Fortalecimento da confiança social.Estabelecimento de incentivos saudáveis para as empresas de tecnologia. Capacitação pública. Promoção de meios de comunicação livres e independentes.Fortalecimento da transparência e de pesquisas. O relatório defende que as crianças e os jovens devem ser vistos não apenas como usuários digitais que devem ser protegidos, mas também como participantes ativos na construção do ecossistema informativo. Neste contexto, a ONU apela a uma ação coordenada entre governos, empresas tecnológicas, meios de comunicação, investigadores, organizações da sociedade civil e os próprios jovens. A ONU enfatiza que a participação significativa das novas gerações, aliada a políticas baseadas em evidência científica e no respeito pelos direitos humanos, será determinante para garantir que a transformação digital contribua para sociedades mais resilientes, informadas e democráticas.Para saber mais, leia o novo documento temático em inglês e espanhol e acesse os Princípios Globais para a Integridade da Informação em português. Campanha da ONU Brasil de combate à desinformação Lançada em 23 de julho, a campanha digital #InformaçãoDeVerdade é uma iniciativa do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) voltada à promoção da integridade da informação e ao enfrentamento da desinformação e do discurso de ódio nas plataformas digitais.Com duração de 12 semanas, a série publica conteúdos explicativos nas redes sociais da @onubrasil, abordando temas como desinformação, verificação de fatos, pensamento crítico e uso responsável das plataformas digitais. O objetivo é fortalecer a capacidade do público de identificar conteúdos enganosos, compreender os impactos da desinformação e navegar de forma mais segura no ambiente digital. Ao apresentar conceitos e recomendações das Nações Unidas em linguagem acessível, a campanha #InformaçãoDeVerdade busca capacitar a população para avaliar criticamente as informações que consome e compartilha. Para saber mais, siga @onubrasil nas redes sociais.
1 of 5
Notícias
13 agosto 2026
Comissão da CEPAL propõe caminhos para a prosperidade da América Latina e do Caribe na nova era geopolítica
Lançado em 4 de agosto, o relatório Rupturas e oportunidades: propostas para que a América Latina e o Caribe prosperem na nova era geopolítica foi apresentado em evento de alto nível na sede da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em Santiago do Chile. Elaborado por 13 especialistas, o documento afirma que a América Latina e o Caribe possuem ativos estratégicos para impulsionar seu desenvolvimento, mas destaca que transformar esse potencial em oportunidades exige estratégias claras, maior cooperação e governança eficaz.Convocada no final de 2024 pelo secretário-executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, a Comissão sobre Geopolítica, Globalização e Desenvolvimento para a América Latina e o Caribe, foi copresidida pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e pelo ex-presidente da Colômbia, Iván Duque, reunindo 13 personalidades e vozes influentes da América Latina e do Caribe, da América do Norte, da África, da Ásia e da Europa. Os integrantes participaram a título individual e de forma honorária, e o trabalho da Comissão contou com o apoio do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. A mensagem central do relatório é que o mundo mudou e que a América Latina e o Caribe têm os recursos necessários para navegar com sucesso nesta nova era geopolítica. O documento identificou oito rupturas que estão ocorrendo simultaneamente em nível mundial:Reconfiguração da globalização: A interdependência econômica deixou de ser celebrada e vista como um fator de estabilidade e eficiência. Passou a ser considerada um fator de vulnerabilidade e utilizada como instrumento de poder e até mesmo de coerção.Erosão do multilateralismo e reconfiguração da governança global: A ordem multilateral pós-guerra enfraquece-se e surge uma governança mais fragmentada, com alianças seletivas e redes que competem entre si.Da hegemonia unipolar à competição multipolar: O mundo está passando de um sistema unipolar, dominado pelos Estados Unidos, para uma redistribuição progressiva do poder e para um sistema de competição multipolar assimétrica.Reconfiguração do poder brando (soft power): O poder brando ganha peso na presença global dos Estados. O nível de poder brando dos Estados Unidos diminui, enquanto o da China está em ascensão.Retrocesso da democracia e aumento da polarização política: O mundo atravessa um processo de erosão democrática, acompanhado por uma crescente polarização política. A proporção de países classificados como democracias liberais diminui.Desinformação e crise da verdade na era da inteligência artificial (IA): A desinformação, a manipulação algorítmica e o uso mal-intencionado da IA estão minando a confiança nas instituições, alimentando a polarização e reduzindo a legitimidade democrática.Retrocesso nos direitos das mulheres, na igualdade de gênero e na inclusão: Os avanços alcançados nessas áreas nas últimas décadas enfrentam questionamentos cada vez maiores e, em alguns contextos, um retrocesso.O fim do consenso global sobre o clima: As medidas relacionadas ao clima estão se tornando cada vez mais subordinadas a estratégias industriais, a preocupações com a segurança energética e à competição geopolítica. Em alguns setores, o consenso científico é posto em dúvida. Diante desse cenário mundial, a Comissão argumenta que a região conta com um conjunto de ativos que se valorizaram no atual contexto geopolítico. Entre eles estão sua abundante dotação de recursos naturais; suas capacidades produtivas, humanas e financeiras; o grande tamanho de seu mercado; sua condição de região livre de armas nucleares e de guerras entre Estados; e seus ativos intangíveis, como o poder brando (soft power). Esses ativos oferecem à região uma grande oportunidade para impulsionar seu desenvolvimento e aumentar sua projeção e influência internacional.O relatório afirma, no entanto, que isso não acontecerá espontaneamente: são necessárias estratégias claras, instituições fortes e governança eficaz. Nessa linha, propõe dez recomendações concretas, organizadas em três eixos: Aproveitar o momento mobilizando ativos estratégicos. Fortalecer a governança, as instituições e a democracia. Impulsionar a capacidade de atuação internacional e regional. Entre os dados que sustentam seu diagnóstico, o relatório destaca que a América Latina e o Caribe concentram 46% das reservas mundiais de lítio, 35% das de cobre, 28% das de grafite e 23% das de terras raras; são a principal região exportadora líquida de alimentos do mundo; abrigam quase metade da biodiversidade terrestre do planeta e um terço de seus recursos de água doce; e possuem a matriz elétrica mais limpa do mundo.O relatório acrescenta que o mercado regional, com mais de 660 milhões de pessoas, poderia ser um motor de diversificação produtiva, embora hoje o comércio intrarregional represente apenas 14% das exportações totais da região, uma das taxas mais baixas do mundo.“O título deste relatório sintetiza sua mensagem principal: as rupturas sugerem que o mundo mudou, e isso também levanta a necessidade de uma mudança de paradigma para aproveitar as oportunidades com estratégias inovadoras de desenvolvimento e de inserção internacional. As dez propostas apresentadas pelo relatório constituem um roteiro concreto para mobilizar os ativos em benefício do desenvolvimento e da projeção internacional dos países da região”, destacou o secretário-executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs.O relatório afirma que nenhuma de suas recomendações pode ser colocada em prática sem uma governança eficaz e instituições sólidas. O documento também apela ao fortalecimento da capacidade fiscal do Estado e para que o combate ao crime organizado seja tratado como uma prioridade da governança regional, e não apenas como uma questão de segurança.“Não contamos apenas com riquezas no subsolo e na superfície, mas também em nosso povo e em nossas indústrias. A América Latina e o Caribe possuem capacidades produtivas, humanas e financeiras que merecem ser valorizadas em sua justa dimensão e em seu grande potencial. Temos também influência política, embora às vezes nos custe acreditar nisso e compreendê-lo. Nossa diversidade, nosso patrimônio cultural, a influência e a visibilidade que a região tem no mundo nos conferem uma influência que devemos saber aproveitar”, afirmou a ex-presidente do Chile e copresidente da Comissão, Michelle Bachelet. O relatório destaca que a cooperação regional pode ser uma ferramenta poderosa para transformar ativos em desenvolvimento e que ela não exige unanimidade. Diante do quadro de alta polarização política existente na região, recomenda-se priorizar a cooperação funcional entre países interessados em avançar em temas específicos, com objetivos, prazos e responsabilidades claras.O relatório também destaca que ampliar a capacidade de influência internacional da região requer evitar alinhamentos rígidos diante da rivalidade entre a China e os Estados Unidos e, em vez disso, construir coalizões de geometria variável com parceiros que compartilhem interesses específicos, além de desenvolver novas capacidades de análise geopolítica nos âmbitos governamental, empresarial e acadêmico.“O desafio é desenvolver a capacidade da região de diversificar suas alianças e defender seus interesses estratégicos. Uma região com capacidade de ação coletiva tem maiores possibilidades de manter relações benéficas com as principais potências mundiais, sem se subordinar a nenhuma delas. Nossa proposta não é contra nenhum país, nem a favor de nenhum bloco. Nossa proposta é criar espaços próprios para agir e decidir”, afirmou o ex-presidente da Colômbia e copresidente da Comissão, Iván Duque. Para saber mais, acesse o relatório final da Comissão de Alto Nível da CEPAL (em inglês e espanhol) e siga @cepal_onu e @eclac_un nas redes sociais. Contato para a imprensa:Unidade de Informação Pública da CEPAL: prensa@cepal.org
1 of 5
Notícias
12 agosto 2026
FIDA Brasil apoia seminário internacional sobre tecnologias sociais de acesso à água
Nos dias 11 e 13 de agosto de 2026, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) participa, como parceiro e mediador, do webinar internacional “Tecnologias de Acesso à Água para o Fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional”. O evento parte de um dado alarmante: cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso à água potável gerida de forma segura, segundo dados da OMS e do UNICEF. Diante da intensificação dos impactos da mudança climática, o acesso regular e seguro à água é cada vez mais reconhecido como condição essencial para a segurança alimentar e nutricional, por sua relação direta com a produção de alimentos, a higiene, o preparo das refeições e a saúde das populações.Ao longo de quatro sessões temáticas, distribuídas em duas manhãs, o webinar promoverá a troca de experiências entre governos, organizações internacionais, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil sobre políticas públicas e tecnologias sociais que ampliam o acesso à água em regiões afetadas pela seca, pela degradação e pela desertificação das terras. Serão apresentadas experiências da América Latina, da África e da Ásia, com foco em soluções construídas com a participação das comunidades.ProgramaçãoDia 1 – 11 de agosto de 2026 (8h00 às 11h00, horário de Brasília)Abertura – Secretária Lilian dos Santos Rahal (SESAN/MDS), Professor Joacir Aquino (Instituto Fome Zero) e Sra. Adriana Telles Ribeiro (AESSIN/MDS).Sessão 1 – Tecnologias Sociais de Acesso à Água e Combate à Pobreza, com representantes do Brasil, da Índia, do Senegal e da China. Mediação de Júlio César Worman (FIDA).Sessão 2 – Papel Estratégico da Parceria entre Governo e Sociedade Civil, com representantes da Articulação Semiárido Brasileiro, da FUNDAPAZ e da Argentina. Mediação de Camile Marques Sahb (SESAN/MDS).Dia 2 – 13 de agosto de 2026 (8h00 às 11h00, horário de Brasília)Sessão 3 – Tecnologias Sociais, Mudanças Climáticas e Combate à Desertificação, com representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do BNDES e do Centro Sabiá. Mediação do Secretário Rafael Guerreiro Osório (SAGICAD/MDS).Sessão 4 – Cooperação Internacional e Financiamento, com representantes do PMA, da FAO, do UNICEF e do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Mediação de Mariana Falcão Dias (ABC/MRE).Considerações finais – Vitor Leal Santana (SESAN/MDS) e Adriana Telles Ribeiro (AESSIN/MDS).Formato e participaçãoO evento será realizado on-line, via Zoom, no formato de mesa-redonda interativa (talk show), com tradução simultânea para português, inglês, espanhol e francês. Ao final de cada sessão, haverá espaço para comentários e perguntas do público. As inscrições podem ser realizadas por meio do link de registro disponibilizado pelo MDS, e a Nota Conceitual completa, com a programação detalhada, está disponível nos quatro idiomas do evento.O público-alvo inclui representantes de governos nacionais e subnacionais, organizações internacionais, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas e demais atores com atuação em desenvolvimento sustentável, acesso à água, segurança alimentar e nutricional e resiliência climática.Link de inscrição: https://us06web.zoom.us/webinar/register/WN_HHrenMRwTYe6N63w_L-hjQ#/registrationUm espaço de cooperação Sul-SulA participação do FIDA reforça o compromisso da organização com a promoção de tecnologias sociais e políticas públicas que fortalecem a resiliência de populações rurais em situação de vulnerabilidade, sobretudo em regiões áridas e semiáridas. O webinar é também uma oportunidade de evidenciar experiências brasileiras bem-sucedidas, como o Programa Cisternas, e de ampliar parcerias internacionais voltadas à adaptação climática, à inclusão produtiva e ao combate à desertificação.Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X, YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (em espanhol).Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.orgNOTA PARA EDITORESO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.
1 of 5
Últimos recursos
1 / 11
Recursos
18 maio 2026
Recursos
22 abril 2026
1 / 11