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04 agosto 2026
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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27 julho 2026
Teatros da Amazônia passam a integrar Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO
O reconhecimento foi aprovado, nesta segunda-feira (27/07), pelo Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, reunido na Coreia do Sul. A candidatura conjunta do Theatro da Paz, em Belém, e do Teatro Amazonas, em Manaus, foi apresentada sob a designação Teatros da Amazônia, nome com o qual os dois sítios passam a integrar a Lista do Patrimônio Mundial.A proposta de reconhecimento foi coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com a colaboração das Secretarias de Cultura dos estados do Amazonas e do Pará. Construídos durante a chamada "Era de Ouro" da Amazônia, impulsionada pelo auge econômico do Ciclo da Borracha entre 1879 e 1912, os dois teatros refletem um período de intensa transformação urbana e prosperidade econômica na região. Inspirados na arquitetura francesa e em outras referências europeias, mas enriquecidos por elementos decorativos que evocam a Amazônia, os edifícios foram concebidos como símbolos das ambições políticas, culturais e urbanísticas de suas cidades.Inaugurado em 1878, o Theatro da Paz, juntamente com a Praça da República, consolidou o papel estratégico de Belém como porto e capital do estado, além de simbolizar os ideais da recém-instaurada República Brasileira. Já o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, integrou o amplo processo de modernização urbana de Manaus durante o ciclo da borracha. Em conjunto com o Largo de São Sebastião, tornou-se um dos principais símbolos da riqueza, do prestígio e da importância da cidade na região amazônica.A Lista do Patrimônio Mundial inclui 1.273 bens que fazem parte do patrimônio cultural e natural e que o Comitê do Patrimônio Mundial considera terem valor universal excepcional. Entre eles, estão 991 bens culturais, 240 bens naturais e 42 bens mistos, distribuídos por 173 Estados-membros da UNESCO. Até outubro de 2024, 196 Estados-membros haviam ratificado a Convenção do Patrimônio Mundial. A inscrição dos Teatros da Amazônia na Lista do Patrimônio Mundial foi aprovada por atender a dois critérios da UNESCO:Reconhecer sítios que demonstram um importante intercâmbio de valores humanos, refletido na evolução da arquitetura, da tecnologia, das artes monumentais, do planejamento urbano ou do paisagismo. Contemplar bens que constituem exemplos notáveis de edifícios, conjuntos arquitetônicos ou paisagens representativos de etapas significativas da história da humanidade. Para saber mais, acesse a Lista Completa do Patrimônio Mundial da UNESCO e siga @unescobrasil nas redes!
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07 julho 2026
Relatório ODS 2026: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável geram resultados concretos
Desde sua adoção em 2015, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) têm gerado resultados em grande escala — proporcionando acesso à água, à eletricidade e aos serviços de saúde a bilhões de pessoas. No entanto, o progresso continua desigual e insuficiente. Sem um impulso decisivo para ampliar rapidamente as iniciativas que funcionam, a promessa dos ODS corre o risco de ficar fora de alcance, de acordo com o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2026, divulgado em 7 de julho em Nova Iorque. O que uma década de evidências nos mostra: os ODS geram resultadosDesde 2015, investimentos sustentados, políticas sólidas e cooperação internacional melhoraram a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo, com ganhos mensuráveis em todos os ODS:Quase um bilhão de pessoas obtiveram acesso à água potável gerenciada com segurança e 1,2 bilhão, ao saneamento gerenciado com segurança. As novas infecções por HIV caíram 30% entre 2015 e 2024, e as mortes relacionadas à AIDS, 35%.A eletricidade agora atinge 92% da população mundial. O acesso à internet disparou, passando de 40% para 74%. A proteção social abrange mais da metade da população global pela primeira vez na história. Por trás desses resultados está uma conquista importante e muitas vezes negligenciada: a revolução dos dados. Há uma década, havia dados disponíveis apenas para metade de todos os indicadores dos ODS. Hoje, um banco de dados global com mais de 3,2 milhões de pontos de dados abrange quase todos os indicadores — permitindo que os países identifiquem onde o progresso está se acelerando, onde persistem lacunas e quais políticas estão gerando resultados.“Guiados pelos dados deste relatório, nossa visão da Agenda 2030 continua ao nosso alcance. Juntos, vamos dar um impulso final decisivo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro saudável e próspero para todas as pessoas”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Por que o mundo está ficando para trás: crises que se sobrepõem e um déficit de financiamento cada vez maiorApesar dos avanços, persistem grandes desafios: Das 139 metas dos ODS com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado. Quase metade — 49% — avança muito lentamente.15% das metas regrediram para níveis inferiores aos de 2015.Uma em cada dez pessoas ainda vive em pobreza extrema. Cerca de 2,3 bilhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave. Mais de 150 milhões de crianças continuam com atraso no crescimento. A mortalidade materna é quase três vezes maior do que a meta global. Nenhuma das metas de igualdade de gênero está no caminho certo. O número de pessoas afetadas por desastres relacionados ao clima mais que dobrou desde 2015. A escalada de conflitos, a mudança climática, a desaceleração do crescimento econômico, o aumento da dívida e uma queda recorde na assistência oficial ao desenvolvimento estão agravando o déficit e afetando de forma desproporcional as pessoas mais vulneráveis do mundo.O que precisa acontecer agora: ampliar o que funcionaO Relatório destaca que os ODS continuam sendo o plano comum do mundo para a paz, a prosperidade e a sustentabilidade. Os dados acumulados ao longo de mais de uma década de implementação mostram que é possível alcançar avanços significativos — mas somente quando o compromisso político, o financiamento, a inovação e a cooperação internacional estiverem alinhados.“Mais de uma década de implementação mostrou o que é possível”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.“A tarefa agora é ampliar o que funciona — com a urgência, o investimento e a cooperação necessários para cumprir a promessa da Agenda 2030.”É essencial eliminar o déficit anual de financiamento dos ODS, de aproximadamente US$ 4 trilhões — por meio do Compromisso de Sevilha e da reforma da arquitetura financeira internacional. Isso deve ser acompanhado por sistemas de dados mais robustos, por meio do Quadro de Medellín, para direcionar os investimentos primeiro aos mais vulneráveis. Acelerar a transição energética, aproveitar tecnologias de ponta — incluindo a inteligência artificial — para o desenvolvimento sustentável, promover a igualdade de gênero como prioridade transversal e reforçar a cooperação multilateral também serão fundamentais para o sucesso.As escolhas feitas nos próximos quatro anos — em matéria de financiamento, cooperação e resposta coletiva a crises — terão efeitos duradouros para as gerações futuras, de acordo com o Relatório das Nações Unidas. Outros fatos e números importantesProgresso:A maioria das regiões estará próxima de erradicar a pobreza extrema até 2030, com exceção da África Subsaariana, do Oriente Médio e do Norte da África, e da Oceania (excluindo a Austrália e a Nova Zelândia).Entre 2012 e 2024, a prevalência de atraso no crescimento entre crianças menores de cinco anos diminuiu, resultando em 30,2 milhões a menos de crianças com atraso no crescimento em todo o mundo.A proporção de partos assistidos por profissionais de saúde qualificados aumentou de 80% para 87% entre 2015 e 2025 e está a caminho de atingir a meta de 90% até 2030.Entre 2019 e 2025, foram promulgadas 99 reformas legislativas para eliminar leis discriminatórias e estabelecer estruturas de igualdade de gênero; as mulheres ocupam agora 27,4% das cadeiras parlamentares, contra 22,3% em 2015.O trabalho infantil diminuiu em mais de 20 milhões entre 2020 e 2024.O desemprego global atingiu um nível quase historicamente baixo de 4,9% em 2025.A capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis per capita cresceu a uma taxa recorde de 14% entre 2023 e 2024 e agora é 2,2 vezes maior do que o nível de 2015.Desafios:Estima-se que a taxa global de pobreza extrema atinja 10% até 2026 — apenas 3 pontos percentuais abaixo do nível de 2015, muito abaixo da meta de erradicar a pobreza extrema até 2030.273 milhões de crianças e jovens continuam fora da escola; um em cada cinco jovens com idades entre 15 e 24 anos não está empregado, nem estuda, nem participa de treinamento, e os jovens têm quase quatro vezes mais chances de estar desempregados do que os adultos.Estima-se que 1,16 bilhão de pessoas — aproximadamente um em cada quatro residentes urbanos — vivam em conjuntos habitacionais precários ou assentamentos informais.A ajuda oficial ao desenvolvimento sofreu uma queda recorde de 23,1% em 2025 — o maior declínio anual já registrado —, voltando a níveis próximos aos de 2015.A população global de refugiados atingiu 440 por 100.000 pessoas em meados de 2025, mais do que o dobro do nível registrado uma década antes.O risco de extinção está se agravando em todos os grupos de espécies; a proteção de áreas-chave de biodiversidade atingiu, em média, apenas 45% em 2025.Os conflitos violentos atingiram seu nível mais alto em décadas. Em dezembro de 2025, mais de 117,8 milhões de pessoas estavam deslocadas à força em todo o mundo, anulando em poucos meses anos de avanços no desenvolvimento.As temperaturas globais em 2025 atingiram 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu seu nível mais alto em dois milhões de anos.A dívida externa dos países de baixa e média renda atingiu um recorde de US$ 8,9 trilhões em 2024.Para mais informações, acesse: https://unstats.un.org/sdgs/report/2026Nas redes sociais, siga @nacoesunidas e busque #SDGReport e #RelatórioODS! Contatos para a imprensa: Sharon Birch, Departamento de Comunicação Global da ONU: birchs@un.orgHelen Rosengren, Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU: rosengrenh@un.org
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08 julho 2026
No Congresso Nacional, ONU destaca cooperativismo como aliado do desenvolvimento sustentável
“Cooperativas por um mundo pacífico”: o tema do Dia Internacional do Cooperativismo 2026, assinalado em 4 de julho, enfatiza o papel do cooperativismo na construção de sociedades mais inclusivas, resilientes e democráticas. Estabelecida pela Assembleia Geral da ONU em 1993, a data internacional celebra o poder transformador das mais de 3 milhões de cooperativas existentes em todo o mundo - que representam cerca de 12% da população mundial. Em um mundo marcado por conflitos, desigualdades, fragmentação social e declínio da confiança nas instituições, o tema escolhido para este ano enfatiza que a paz duradoura precisa ser ancorada na inclusão e no diálogo social e na segurança econômica. Em seu discurso na Sessão Solene da Câmara dos Deputados dedicada à data internacional, em 7 de julho, o coordenador residente da ONU no Brasil, Igor Garafulic, destacou que “construir vínculos duradouros entre pessoas, comunidades e instituições deixou de ser apenas uma aspiração; tornou-se uma necessidade.” Baseadas na gestão participativa, na adesão voluntária e na responsabilidade compartilhada, as cooperativas criam espaços de diálogo, fortalecem a confiança e promovem soluções coletivas para desafios sociais e econômicos. Em todo o mundo, as cooperativas empregam mais de 280 milhões de pessoas - mais de 10% da força de trabalho global. Para o coordenador residente, “as cooperativas demonstram, todos os dias, que é possível construir pontes. Elas fortalecem a confiança entre as pessoas, ampliam oportunidades econômicas, promovem a participação democrática, reduzem desigualdades e contribuem para comunidades mais resilientes e inclusivas.” Identidade cooperativa: Força poderosa em prol do desenvolvimento sustentável Definidas pela Aliança Cooperativa Internacional como associações autônomas de pessoas que se unem voluntariamente para atender às suas necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais, as cooperativas colocam as pessoas no centro da atividade econômica. Sua atuação é orientada pelos valores de autoajuda, autorresponsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Esses princípios conferem às cooperativas seu caráter particular como instituições por meio das quais as pessoas compartilham responsabilidades, exercem voz democrática e utilizam a iniciativa empresarial para promover a dignidade humana, a inclusão social e o bem-estar da comunidade. Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o coordenador Igor Garafulic explicou a o valor conferido pela ONU às cooperativas: “As Nações Unidas reconhecem o cooperativismo como um parceiro estratégico para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e vêm incentivando, de forma consistente, que os Estados criem ambientes favoráveis ao seu fortalecimento.”As 300 maiores cooperativas do mundo registraram um faturamento total de 2,4 trilhões de dólares, ao mesmo tempo em que fornecem os serviços e a infraestrutura de que a sociedade precisa para prosperar. Presentes no cotidiano de milhões de pessoas, as cooperativas oferecem acesso a crédito, moradia, alimentação, serviços, mercados, produção, cuidados e apoio social. São empresas economicamente poderosas mas socialmente responsáveis. Enraizadas localmente, mas conectadas além das fronteiras. Autônomas, mas comprometidas com o bem comum. Ao colocar as pessoas e as comunidades à frente, o movimento cooperativo demonstra que a atividade econômica pode ser organizada de forma a promover a dignidade, a prosperidade compartilhada e o desenvolvimento sustentável, sem deixar ninguém para trás. Cooperativismo no Brasil: Visão de longo prazo para o crescimento, a inclusão e o fortalecimento da democracia No Brasil, as cooperativas desempenham papel importante na geração de emprego e renda, no fortalecimento das economias locais e na ampliação de oportunidades para pequenos produtores e empreendedores, contribuindo para reduzir desigualdades regionais. “Uma visão de longo prazo contribuiu para que o cooperativismo brasileiro se consolidasse como um importante motor da economia nacional. Hoje, milhões de brasileiros participam de cooperativas nos mais diversos setores — agropecuária, crédito, saúde, transporte, habitação, infraestrutura, consumo, trabalho e tantos outros”, afirmou o coordenador residente Igor Garafulic. Organizada pela Câmara dos Deputados em colaboração com a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), a Sessão Solene para o Dia do Cooperativismo reuniu congressistas, a sociedade civil e líderes do setor para reconhecer a contribuição do modelo cooperativista para o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e o fortalecimento da democracia brasileira. Assista à gravação no YouTube: Para mais informações, acesse a página das Nações Unidas para o Dia Internacional das Cooperativas e acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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06 junho 2026
Igor Garafulic assume como coordenador residente da ONU no Brasil
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, nomeou o chileno Igor Garafulic como coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, com a aprovação do Governo brasileiro. Ele assumiu suas funções no dia 1º de junho.O Sr. Garafulic possui mais de 30 anos de experiência em desenvolvimento internacional, política econômica, diálogo político e coordenação multilateral, adquirida por meio de cargos de liderança no Sistema das Nações Unidas e no serviço público em diversos países da América Latina e de outras regiões.
Mais recentemente, atuou como Coordenador Residente interino das Nações Unidas no Azerbaijão, após desempenhar função semelhante no Paraguai. Anteriormente, foi Coordenador Residente das Nações Unidas no Peru e em Honduras. Antes de assumir essas funções, ocupou diversos cargos de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incluindo Diretor de País na Guatemala, Assessor Sênior e, posteriormente, Chefe de Gabinete do Escritório Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe.Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Sr. Garafulic foi Governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de Diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, representou o Chile em negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), ao Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).O Sr. Garafulic possui mestrado em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e graduação em Economia pela Universidade do Chile.É fluente em inglês, espanhol, português e sueco.É casado e tem dois filhos.
Mais recentemente, atuou como Coordenador Residente interino das Nações Unidas no Azerbaijão, após desempenhar função semelhante no Paraguai. Anteriormente, foi Coordenador Residente das Nações Unidas no Peru e em Honduras. Antes de assumir essas funções, ocupou diversos cargos de liderança no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incluindo Diretor de País na Guatemala, Assessor Sênior e, posteriormente, Chefe de Gabinete do Escritório Regional do PNUD para a América Latina e o Caribe.Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Sr. Garafulic foi Governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de Diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, representou o Chile em negociações junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), ao Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).O Sr. Garafulic possui mestrado em Políticas Públicas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e graduação em Economia pela Universidade do Chile.É fluente em inglês, espanhol, português e sueco.É casado e tem dois filhos.
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14 maio 2026
ONU Brasil lança Relatório Anual 2025
O recém-lançado Relatório Anual das Nações Unidas destaca os principais resultados alcançados pelo Sistema ONU no Brasil ao longo de 2025. Por meio de planejamento integrado, coordenação interagencial e investimentos catalisadores, as 25 entidades da ONU atuaram em parceria com o Estado brasileiro e com os três níveis de governo para promover o desenvolvimento sustentável do país, considerando as necessidades específicas dos diferentes grupos populacionais e a proteção do meio ambiente.Em um ano de muito destaque internacional para o Brasil, com a Cúpula dos BRICS e a realização da COP30 na Amazônia, a ONU trabalhou incessantemente para apoiar o país e ajudou na formulação, aperfeiçoamento e implementação de 85 políticas públicas, além de 18 instrumentos internacionais dos quais o Brasil é signatário.Seguindo as diretrizes do Marco de Cooperação, vigente de 2023 a 2027, ao longo de 2025 a ONU trabalhou em temas como direitos humanos, ação climática, combate à fome e à pobreza, comércio, justiça, prevenção de desastres e trabalho decente. Foram 338 iniciativas implementadas, às quais foram destinados US$ 213 milhões. Os benefícios alcançaram milhões de pessoas em todo o país. De acordo com a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, “o ano de 2025 marcou a consolidação do Sistema das Nações Unidas no Brasil como um parceiro estratégico, coerente e de alto valor agregado para o país, em um contexto nacional e internacional de elevada complexidade”. O relatório anual ressalta, além dos resultados, os desafios, a execução financeira, os principais doadores e os 253 parceiros que trabalham junto com o Sistema ONU para que o Brasil avance na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Apresenta, ainda, as principais conquistas de cada uma das 25 agências especializadas, fundos e programas da ONU que atuam no Brasil.Confira dez destaques de 2025:10 anos da Livres & Iguais no BrasilFundo Brasil-ONU para a Amazônia em açãoJovens indígenas ocupam redes da @ONUBrasilApoio aos BRICSPreparação da COP30Brasil fora do Mapa da Fome80 anos da ONUONU Brasil na COP30Revisão de meio termo do Marco de CooperaçãoEliminação da transmissão vertical do HIVMarco de CooperaçãoAssinado em 2023 com o Estado brasileiro, o Marco de Cooperação é o principal documento de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação das ações da ONU no país. Ele organiza o trabalho das agências especializadas, fundos e programas das Nações Unidas com atuação no país em torno de cinco eixos temáticos:Transformação Econômica para o Desenvolvimento SustentávelInclusão Social para o Desenvolvimento SustentávelMeio Ambiente e Mudança do Clima para o Desenvolvimento SustentávelGovernança e Capacidades InstitucionaisRelação das Ações Humanitárias e de Desenvolvimento Sustentável Para saber mais, leia aqui o relatório completo e siga @onubrasil nas redes!Contato para a imprensa: Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
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04 agosto 2026
“O objetivo principal de preservar a história é não repeti-la”
Selecionada pelo Fundo de Jovens Líderes das Nações Unidas, Ana Carolliny, estudante da Universidade Federal de Goiás, viajou ao Japão em visita de estudos sobre memória e desarmamento nuclear. Entre museus, testemunhos e eventos, ela descobriu na sensibilidade e na escuta alguns dos principais aprendizados da experiência. Do on-line ao Japão: troca intercultural e a escutaEstudante de Relações Internacionais na Universidade Federal de Goiás (UFG), Ana Carolliny Melo ainda não tinha uma trajetória consolidada na área do desarmamento nuclear. Ao conhecer o Fundo de Jovens Líderes (YLF), no entanto, logo conseguiu relacionar seu principal campo de estudo — a segurança internacional — à defesa de um mundo sem armas nucleares. A primeira etapa do programa consistiu em um treinamento on-line composto por módulos de e-learning, fóruns virtuais, oficinas e webinars ao vivo. “A fase do treinamento on-line foi um grande desafio, mas passou muito rápido e foi uma das partes de que mais gostei”, contou Ana Carolliny em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Após a conclusão dessa etapa, 50 participantes de 39 países — entre eles Ana — embarcaram para uma viagem de estudos de seis dias ao Japão. Entre 29 de junho e 3 de julho de 2026, participaram de palestras e debates com as hibakusha (pessoas sobreviventes dos bombardeios atômicos), realizaram visitas a museus e espaços de memória e conheceram de perto a história de Hiroshima e Nagasaki. A visita de estudos integrou a segunda fase da edição de 2025-2026 do YLF, lançada em julho do ano passado. “O que mais me impactou emocionalmente foi, com certeza, escutar os depoimentos dos sobreviventes”, disse Ana Carolliny ao UNIC Rio. Como era sua primeira viagem internacional, Ana relata que a experiência também representou um grande desafio pessoal.“Fui para a viagem um pouco insegura. Foi a primeira vez que saí do Brasil. Eu estava bem nervosa e questionando muito meu inglês”, lembra.Ao chegar ao Japão, porém, ela conta que foi acolhida pelas amizades que fez com jovens participantes vindos de diferentes culturas e realidades. Para Ana, as trocas interculturais foram um dos aspectos mais enriquecedores da missão de estudos da ONU, permitindo conhecer perspectivas distintas e aprender com países que enfrentam desafios muito diferentes dos vividos no Brasil.“É você se despir de tudo o que você achou que sabia e perceber que o mundo é muito diferente. Eu tenho tanto a aprender, eu tenho tanto a andar. O mundo é muito grande. Foi isso o que mais abriu meu olhar para genuinamente entender que o mundo vai além da minha própria percepção”, conta. Entre os encontros com as hibakusha, as visitas aos espaços de memória de Hiroshima e Nagasaki e o convívio com colegas de diferentes países, contextos e trajetórias, Ana destaca um aprendizado que considera central:“Ficamos com a mesma fome de escutar o outro. Eu acho que isso é o mais importante. Todo o conhecimento técnico é crucial, mas essa humanidade, sensibilidade e tato só a prática traz. E é isso o que eu mais prezo.”Memória e o papel da juventude“O objetivo principal de preservar a história é não repeti-la.”Para Ana, a juventude ocupa um papel essencial na preservação da memória dos sobreviventes e na defesa do desarmamento nuclear.“As pessoas sobreviventes, um dia, não estarão mais aqui. Justamente por isso que o programa trabalha com a juventude. Manter a voz das hibakusha viva, mesmo quando eles já não puderem contar suas próprias histórias”, afirma a jovem líder brasileira. Ao longo do programa do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (ODA), as pessoas jovens participantes são incentivados a refletir sobre os desafios relacionados ao desarmamento nuclear e compreender como esse debate se aplica às diferentes realidades de seus países. A partir das redes sociais e da construção de narrativas, os jovens tornam-se multiplicadores da defesa de um mundo livre de armas nucleares.“O principal papel, como jovens, que podemos ter é pressionar e questionar. Mas também nos educarmos para que, quando chegarmos às posições de tomada de decisão, não cometamos os mesmos erros do passado.” Brasil: como o país pode contribuir?Para Ana, a tradição pacifista da política externa brasileira coloca o país em posição estratégica na defesa do desarmamento nuclear global. Como uma importante força econômica e diplomática, especialmente na América Latina, o Brasil tem condições de contribuir para fortalecer esse debate e ampliar a cooperação internacional sobre o tema.“São decisões que afetam todo mundo. É muito importante lutarmos pelo desarmamento em países que possuem armas nucleares. Mas é igualmente importante mantermos os países que não têm, nessa condição. Não podemos pegar um problema gigante como esse e torná-lo ainda maior.”Mais do que evitar novas tragédias, defender o desarmamento nuclear significa construir um mundo que não viva sob a ameaça permanente do uso dessas armas.“Cada um vai adaptar para sua realidade, mas saímos com uma lição em comum: precisamos parar as armas nucleares, agora.”Sobre o Fundo de Líderes Jovens por um Mundo Sem Armas NuclearesO Fundo de Líderes Jovens (Young Leaders Fund for a World Without Nuclear Weapons – YLF) é um programa de aprendizagem que busca capacitar jovens de 18 a 29 anos com conhecimentos, habilidades e redes de contato para liderar iniciativas em prol do desarmamento nuclear.A cada dois anos, até 2030, 100 participantes são selecionados para receber treinamento on-line sobre os princípios do desarmamento nuclear, da não proliferação e do controle de armas. Ao final dessa etapa, um grupo é escolhido para participar de uma viagem de estudos de uma semana a Hiroshima e Nagasaki.Durante a visita, os participantes conhecem a história das hibakusha, sobreviventes dos bombardeios atômicos que, há décadas, compartilham seus testemunhos e defendem a eliminação das armas nucleares. À medida que essa geração envelhece, torna-se cada vez mais importante garantir que suas histórias e seus apelos por um mundo sem armas nucleares sejam transmitidos às futuras gerações.“Tenho muita gratidão pelo projeto. Além de tudo o que ele faz pelos outros, penso no que ele fez por mim. Agregou em todos os aspectos da minha vida, e espero conseguir retribuir por meio do meu trabalho — não apenas pelo que fiz durante o programa, mas também pelo que continuarei fazendo ao longo da minha carreira.”Para saber mais, siga @unitednations_oda nas redes e visite a página #Youth4Disarmament, do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (ODA).
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03 agosto 2026
“Parecia que alguém finalmente tinha olhado para nós”
Longe das praias de cartão-postal do Rio de Janeiro, o município de São Gonçalo já foi conhecido como “Manchester fluminense” por sua concentração de indústrias pesadas. Aplicando metodologias do ONU-Habitat, o município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro identificou bairros antes não atendidos, reorganizou equipes clínicas e ampliou o acesso à saúde, transformando a vida de famílias como a de Clarice Soares de Abreu.Clarice Soares de Abreu nasceu e cresceu no bairro de Tribobó. Embora uma rodovia movimentada corte o bairro ao meio, a região também faz fronteira com áreas ambientais protegidas. Pequenos comércios e indústrias à beira da estrada dividem espaço com calçadas estreitas e áreas residenciais que dão lugar a encostas com a biodiversidade da Mata Atlântica, onde o ritmo desacelera e o tempo parece passar de forma diferente. Clarice conhece seus vizinhos — em sua maioria idosos que vivem ali há décadas — e se sente segura em Tribobó. Mas essa tranquilidade também convive com a sensação de abandono de quem vive à margem da grande cidade. “É um lugar um pouco esquecido”, conta.Mãe solo, Clarice cria o filho Pedro, de 7 anos, diagnosticado com autismo e que necessita de atenção constante. Entre os cuidados em casa e o trabalho como assistente social em um município vizinho, onde atende famílias com crianças com autismo, ela vivia um paradoxo: o cuidado que oferecia aos outros não chegava à própria família, porque Tribobó permanecia fora do radar das autoridades de saúde de São Gonçalo — até que uma metodologia do ONU-Habitat apoiou literalmente a colocar o bairro no mapa.São Gonçalo divide a cidade em polos sanitários, subdivididos em microáreas de atendimento, e a ausência de limites claros para as áreas de cobertura fazia com que muitas famílias fossem praticamente invisíveis ao sistema de saúde. Na prática, isso dificultava o acesso ao cuidado contínuo de que Pedro precisava, incluindo consultas, acompanhamento e serviços preventivos. “A gente ficava indo de porta em porta tentando atendimento em bairros mais distantes, e ninguém queria atender porque diziam que não era a nossa área”, relembra Clarice. “Era como se a gente não estivesse em lugar nenhum.” No mapaO ponto de virada aconteceu no fim de 2025. Ana Carolina Souza Campos, agente comunitária de saúde, bateu à porta de Clarice e se apresentou como responsável pela área. A princípio, Clarice ficou confusa — ela havia passado anos encontrando obstáculos ao tentar descobrir quem era responsável pelos cuidados de saúde em Tribobó, e se eles precisam alcançar. Esse foi o desafio enfrentado pela Prefeitura de São Gonçalo: ao analisar a cobertura das equipes de saúde da família, foram identificadas áreas que não estavam vinculadas a nenhuma unidade de saúde, o que significava que moradores estavam sem atendimento regular. Com apoio do ONU-Habitat, o município reorganizou a forma como a Secretaria Municipal de Saúde mapeia as áreas atendidas pelas equipes da Estratégia de Saúde da Família, modelo nacional baseado em equipes multidisciplinares que atuam em territórios definidos.O processo foi apoiado por meio de um Laboratório Urbano – metodologia internacional desenvolvida pelo ONU-Habitat por meio da qual foram realizadas oficinas colaborativas com a administração municipal para fortalecer estratégias de mapeamento da Atenção Primária à Saúde. Essa etapa foi seguida por uma Avaliação de Necessidades de Capacitação em Contextos Urbanos, que fortaleceu mais de 40 servidoras e servidores municipais na coleta, análise e visualização de dados para planejar e implementar políticas públicas mais eficazes.O trabalho envolveu diferentes etapas, como o levantamento de dados existentes, a identificação de inconsistências, a capacitação de equipes e a delimitação de microáreas de cobertura em saúde. A partir dessa nova análise territorial, a Prefeitura redistribuiu equipes, redefiniu áreas de cobertura e iniciou o cadastramento das famílias. Como resultado, agentes comunitários de saúde como Ana Carolina passaram a atuar em territórios mais precisamente definidos, com rotas estabelecidas e acompanhamento contínuo das famílias cadastradas.Monitorando os avançosOs esforços de São Gonçalo não terminaram com o mapeamento das áreas sem cobertura de saúde. Outro passo dado foi a criação do Observatório de Fortalece São Gonçalo, uma plataforma baseada no Global Urban Monitoring Framework – guia do ONU-Habitat para apoiar atores urbanos a avaliar o progresso de cidades e áreas urbanas com metas e indicadores. Instituída por lei municipal, a plataforma reúne mais de 130 indicadores de diferentes setores e tornou possível acompanhar, ao longo do tempo, os impactos das intervenções realizadas. A capacidade de transformar dados em ação ajuda a garantir que políticas públicas não apenas cheguem às comunidades, mas permaneçam eficazes e conectadas às realidades locais.A história de Clarice reflete uma transformação mais ampla. Em cidades como São Gonçalo, fora dos grandes centros administrativos e marcadas por um rápido crescimento urbano, a adoção de sistemas estruturados de dados e monitoramento territorial ainda é recente. Diferentemente de grandes centros urbanos com mais recursos e maior capacidade técnica e institucional, municípios periféricos frequentemente enfrentam desafios para reunir informações sobre suas próprias populações. Ao combinar abordagens participativas com ferramentas de análise de dados, o município não apenas reorganizou seus serviços, mas também passou a enxergar com mais clareza seu território e as pessoas que sempre estiveram ali, mas viviam à margem dos serviços públicos. “Parecia que alguém finalmente tinha olhado para nós”Quando Ana Carolina apareceu, Clarice a reconheceu como moradora da região. Mas ela não estava ali como uma vizinha pedindo um favor. Sua presença uniformizada significava que os cuidados de saúde finalmente estavam chegando ao bairro — e com um rosto humano. Ana Carolina cadastrou Clarice no sistema de saúde, orientou sobre os serviços disponíveis e organizou os primeiros atendimentos de Pedro na unidade local.“Foi um momento de virada”, conta Clarice. “Parecia que alguém finalmente tinha olhado para nós.”Agora que a área foi oficialmente mapeada e incorporada ao sistema de saúde, a unidade local — que já existia no bairro, mas ainda não alcançava todas as famílias da região — passou a fazer parte da rotina de Clarice e de seus vizinhos, que retomaram cuidados antes adiados. Hoje, eles podem caminhar poucos minutos até consultas médicas, exames de rotina, vacinação e atendimento odontológico. Pedro também passou a receber acompanhamento mais contínuo, além de encaminhamentos para serviços especializados.“É um alívio saber que a gente pode contar com um posto de saúde perto de casa”, diz Clarice. “Eu me sinto mais cuidada, mais assistida.”Embora reconheça que ainda existem desafios em Tribobó, Clarice se sente mais confiante para planejar o futuro da família. Agora, quando pensa no futuro do filho, algo mudou. Ela imagina um lugar onde Pedro possa crescer com acesso garantido à saúde — e essa mudança começa com algo simples, mas essencial: estar no mapa.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes!
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História
24 julho 2026
Haitiana empreende com culinária multicultural em Boa Vista
Foi no dia de seu aniversário que a haitiana Guerlande recebeu o diploma pela conclusão do curso de panificação junto ao projeto Mujeres Fuertes – ou Mulheres Fortes – que formava mais uma turma de empreendedoras na capital roraimense Boa Vista. O auditório do Senai estava cheio, outras 49 mulheres comemoravam a conquista após quatro meses de aulas teóricas e práticas sobre o universo do empreendedorismo gastronômico. Um dia antes de se formar, Guerlande e as colegas de curso preparavam os quitutes que seriam servidos na formatura. O trabalho em equipe rendeu um cardápio variado: bolos, salgados, doces, pasteis. A convivência com mulheres venezuelanas, fez com que a haitiana aprendesse a preparar as famosas “empanadas”, típicas da Venezuela. “Eu já vendo pastel e empanadas, tenho um carrinho. Meu plano é ter uma padaria para fazer salgados e doces. Quero alugar um local e ter meu negócio”, planeja.No curso oferecido pelo Senai como parte do projeto Mulheres Fortes, ela aprendeu também sobre técnicas de vendas, marketing e gestão de negócios. Do Haiti ao Brasil: uma história sendo escritaEm sua terra natal, Guerlande trabalhou em bares e restaurantes. Morava com os pais e as duas filhas. Ela comenta que a vida no país estava muito complicada e não podia seguir vivendo lá. “Para não perder minha vida no Haiti eu resolvi sair. As coisas estavam muito difíceis. Quando eu falo difícil, é difícil mesmo. Às vezes eu não conto tudo porque é muita tristeza que eu passei. Tenho marcas no meu corpo. É difícil falar”, compartilha. Guerlande chegou no Brasil em 2018, por Foz do Iguaçu, cidade que faz fronteira com a Argentina e o Paraguai. Conseguiu uma vaga de trabalho no Mato Grosso do Sul, em uma empresa do setor de alimentos. Na persistência de se estabilizar no país, ela se mudou para Chapecó (SC). Parte desta trajetória foi marcada por inúmeros episódios de violência que ela não gosta de relembrar. Apesar dos avanços em políticas para acolhimento e inclusão, o estudo Análise de dados secundários sobre a integração socioeconômica da população haitiana no Brasil, conduzido pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o ACNUR, indica que pessoas haitianas permanecem em situação de maior vulnerabilidade quando comparadas a outros grupos de refugiados, devido a barreiras como idioma, perfil socioeconômico, discriminação, xenofobia e racismo. “As condições de trabalho dessa população continuam marcadas por vulnerabilidades estruturais, incluindo rendimentos inferiores aos de outros refugiados, jornadas excessivas, ausência de pagamento de horas extras, barreiras linguísticas e episódios recorrentes de discriminação. O empreendedorismo tem sido um caminho para mulheres buscarem sua autonomia econômica, valendo-se de habilidades que são valorizadas no Brasil”, destaca o oficial de inclusão socioeconômica do ACNUR, Paulo Sérgio de Almeida. No oeste catarinense, Guerlande fez amizades venezuelanas e uma delas contou sobre a cidade de Boa Vista. Em 2025, decidiu se mudar com os filhos para o norte do Brasil.“Uma mulher me disse que se eu fosse para Boa Vista eu ia poder reconstruir a minha vida sozinha com meus filhos. Assim que cheguei, conheci o Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados. Nunca vou me esquecer, me ajudaram muito. Acreditaram em mim. Diziam que sou uma pessoa muito forte e conseguiria seguir adiante. Ajudaram a colocar meu filho na escola, a conseguir o Bolsa Família, me matricularam em curso de português. Fizeram muito para mim”, conta.Depois dos primeiros passos de adaptação em Boa Vista, Guerlande também conheceu o projeto Mulheres Fortes, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Instituto Hermanitos e Ministério Público do Trabalho (MPT-AM/RR), com apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região.“Eu cheguei aqui em Boa Vista e muita coisa maravilhosa começou a acontecer para mim. Deus começou a abrir portas. Aqui conheci o ACNUR e o Hermanitos. E consegui um incentivo financeiro para meu negócio”, comemora. “A trajetória de Guerlande mostra que a inclusão socioeconômica acontece quando reconhecemos a coragem e a capacidade que cada mulher já possui. O Mulheres Fortes oferece formação, ferramentas e conexões para que mulheres refugiadas e migrantes possam transformar suas experiências em autonomia, renda e novas perspectivas para suas famílias. Ao mesmo tempo, o projeto cria redes de confiança entre mulheres de diferentes nacionalidades, fortalecendo a integração e a convivência nas comunidades onde vivem”, explica o diretor presidente do Instituto Hermanitos, Tulio Silva.“Eu nunca vou esquecer o Mulheres Fortes. Conheci muitas pessoas boas que estão perto de mim. Foi uma experiência muito boa para me fazer mais forte, dar conselhos. Foi maravilhoso para mim, aprendi muito. Na vida você pode ter dinheiro, mas sem conhecimento você não faz nada. Abriu minha cabeça, me deu sabedoria. Vai me levar longe”, projeta Guerlande.Além dos planos para o negócio, a haitiana quer se naturalizar brasileira junto aos dois filhos. A naturalização é o processo pelo qual uma pessoa nascida em outro país adquire voluntariamente a nacionalidade brasileira, desde que cumpra os requisitos previstos na legislação. “Meu plano é ser exitosa. Tenho fé que vou ficar aqui para ter minha casa própria, criar meus filhos, comprar meu carro. Quero fazer minha vida aqui em Boa Vista. Aqui é meu lugar. Tenho planos grandes”, celebra.Para saber mais, siga @acnurbrasil nas redes e visite a página do ACNUR no Brasil.
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História
10 julho 2026
“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida”
Enquanto aguarda o embarque, Kenny Rebolledo observa uma rotina que conhece bem. Durante mais de um ano, acompanhou pessoas surdas em cada etapa da interiorização. Agora, pela primeira vez, é ele quem segue nesse percurso, rumo a uma nova cidade onde pretende trabalhar, reconstruir sua vida e apoiar a família. Kenny Rebolledo, 38 anos, pessoa surda, nasceu em Ocumare del Tuy, no estado de Miranda, na Venezuela. Ainda adolescente, aos 15 anos, começou a aprender a língua de sinais com o apoio do primo, também surdo. Dois anos depois, já dominava a comunicação e participava ativamente da comunidade surda, incluindo atividades esportivas. Em fevereiro de 2024, tomou a decisão de sair da Venezuela. Atravessou a fronteira e chegou ao Brasil poucos dias depois.“No Brasil há paz e posso trabalhar para seguir em frente na vida.” Como pessoa surda, o recomeço exigiu adaptação a uma nova língua de sinais e a um novo idioma. Usuário da Língua de Sinais Venezuelana (LSV), em apenas três meses, aprendeu também a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A partir disso, passou a se conectar com a comunidade surda local, frequentar espaços coletivos e reconstruir, com autonomia, sua rede no Brasil. No dia a dia, também utiliza recursos como a leitura labial para se comunicar em outros contextos. Foi nesse processo de adaptação e aproximação com a comunidade local que Kenny passou a atuar com a Agência da ONU para as Migrações (OIM). Apoiando pessoas surdas na Estratégia de Interiorização, participou do programa da Operação Acolhida que leva voluntariamente pessoas venezuelanas de Boa Vista para integração em outras cidades do Brasil. Na agência, durante mais de um ano, trabalhou como intérprete, auxiliando em entrevistas, orientações e no acesso à comunicação para outras pessoas surdas, utilizando a Língua de Sinais Venezuelana e Libras. Ao longo desse período, passou a conhecer de perto cada etapa do processo de interiorização, o mesmo que agora se prepara para vivenciar. “Muitas pessoas não sabem português nem Libras, então eu ajudava”, conta. Mais do que um trabalho, foi uma experiência de troca, de escuta, de reconhecimento e de identificação com histórias que, muitas vezes, se pareciam com a sua. Atendido pelos colegas com quem costumava trabalhar, ele se despede de Roraima para iniciar seu processo de interiorização. O destino é Tijucas, estado de Santa Catarina, no sul do país, onde pretende começar uma nova etapa de vida. “Quero ajudar minha mãe, meu primo surdo… e seguir em frente”, diz. Ele conta que se sente ansioso, mas também confiante. Depois de mais de um ano vivendo em Roraima, acredita que aprendeu muito. Em seu novo caminho, quer trabalhar, se estabelecer e criar condições para apoiar sua família. Entre seus planos estão conseguir um emprego, ter sua própria casa para receber a família e construir novas relações. “Quero que seja um futuro com responsabilidade, esforço e esperança.” Para saber mais, siga @oimbrasil nas redes e visite a página da OIM Brasil.
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História
03 julho 2026
Do Espírito Santo à ONU: “Documentação civil é porta de entrada para o exercício da cidadania”
O projeto Identifique-se, iniciativa voltada à emissão de documentação civil para pessoas privadas de liberdade no Espírito Santo, foi uma das duas iniciativas brasileiras reconhecidas com o Prêmio de Serviço Público das Nações Unidas em 2026. A premiação ocorreu no final de junho, durante o Fórum do Serviço Público da ONU, realizado em Tbilisi, na Geórgia. Ao todo, 12 iniciativas de 9 países foram premiadas na edição deste ano. “O fornecimento de documentação civil à população prisional é um passo básico para se falar em pertencimento social”, afirmou o ex-secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Rafael Pacheco, em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Criado em 2017, o projeto surgiu para enfrentar um problema recorrente nas unidades prisionais: a ausência de documentação civil entre pessoas encarceradas. Em parceria com a Polícia Civil, a Receita Federal e o Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (SINOREG/ES), a iniciativa viabiliza a emissão de documentos essenciais, como carteira de identidade, CPF e certidões de nascimento.“Garantir que uma pessoa privada de liberdade tenha seus documentos regularizados significa assegurar o acesso a direitos previstos na legislação e criar condições para que ela participe de políticas públicas de educação, saúde, assistência social e qualificação profissional durante o cumprimento da pena”, afirmou o secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Nelson Merçon, à equipe da UNIC Rio.A iniciativa estrutura um fluxo padronizado para a regularização documental dentro do sistema prisional. O processo começa com o trabalho das equipes psicossociais das unidades, que identificam, durante os atendimentos técnicos, a situação documental de cada pessoa privada de liberdade. Em seguida, por meio das parcerias institucionais, os dados biométricos são coletados nas próprias unidades prisionais e os documentos são emitidos de forma digital e segura.“Entre os principais avanços estão a integração entre órgãos públicos, a padronização dos procedimentos e a atuação das equipes técnicas em todas as unidades”, destacou o secretário de Estado.Reintegração social, identidade e direitos humanosEntre 2013 e 2023, a população carcerária da América do Sul cresceu 28%, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O aumento foi impulsionado principalmente por países populosos, como o Brasil, e evidencia a importância de políticas públicas voltadas à garantia de direitos e à reintegração social das pessoas privadas de liberdade. Nesse contexto, a reabilitação e a reintegração social envolvem ações estruturadas que ampliam o acesso a direitos e oportunidades, reduzindo fatores associados à reincidência criminal. “A reabilitação começa com condições que permitam às pessoas presas reimaginar a si mesmas e seu futuro”, enfatiza o relatório Global Prison Population and Trends: A Focus on Rehabilitative Environments, do UNODC.Segundo o relatório, é fundamental que as pessoas privadas de liberdade tenham acesso a oportunidades e serviços públicos que lhes permitam projetar uma vida fora da criminalidade e reconstruir sua dignidade.“O serviço penitenciário possui uma finalidade: a reinserção social tendo em vista a diminuição da reincidência criminal. Essa sendo a finalidade, é preciso colocar elementos de cidadania no cumprimento da pena”, afirmou o ex-secretário de Estado Rafael Pacheco à equipe UNIC Rio. Nesse processo, a documentação civil exerce um papel essencial. Sem documentos básicos, pessoas privadas de liberdade encontram barreiras para acessar educação, qualificação profissional, serviços de saúde, assistência social e até procedimentos legais — direitos fundamentais para a construção de novas oportunidades e para a redução dos fatores associados à reincidência.“Sem documentos básicos, diversos serviços públicos ficam inacessíveis ou são dificultados”, explica o secretário de Estado Nelson Merçon. Segundo o secretário capixaba, os resultados da iniciativa já podem ser observados na trajetória de diversas pessoas beneficiadas.“Há casos de pessoas que chegaram ao sistema prisional sem qualquer documento de identificação e, após a regularização documental, puderam ingressar em cursos profissionalizantes, participar de programas de educação, formalizar vínculos de trabalho dentro das unidades e, posteriormente, deixar o sistema prisional com condições de acessar emprego formal e políticas públicas”, relata.Desde sua criação, em 2017, o Identifique-se emitiu mais de 27 mil documentos, entre eles cerca de 10 mil carteiras de identidade, 9 mil CPFs e 8,5 mil certidões de nascimento.“Mais do que emitir documentos, a política devolve identidade civil e amplia as possibilidades de reconstrução da trajetória dessas pessoas”, resume o secretário.Prêmio de Serviço Público da ONU Estabelecido em 2003, o Prêmio de Serviço Público reconhece realizações excepcionais no serviço público, com o objetivo de promover e apoiar abordagens inovadoras para a prestação de serviços públicos.Iniciativas de instituições públicas nos níveis nacional, subnacional e local de todos os 193 Estados-membros da ONU podem submeter inscrições para o Prêmio.O projeto Identifique-se foi reconhecido na categoria “Prestação de serviços inclusivos e equitativos para não deixar ninguém para trás”, na edição deste ano. Entre mais de 700 candidaturas de 62 países, 12 iniciativas inovadoras de 9 países receberam o Prêmio das Nações Unidas para o Serviço Público 2026.Desde sua primeira edição em 2003, mais de 300 iniciativas foram premiadas em todo o mundo. Iniciativas brasileiras premiadas nos últimos anos incluem a Prefeitura de São Paulo e a Prefeitura de Salvador (2024), a Prefeitura de Recife (2022), o Governo da Bahia (2021) e a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (2020). “O Prêmio da ONU representa o reconhecimento internacional de uma política pública construída de forma colaborativa, que coloca a garantia de direitos e a ressocialização como pilares da gestão penitenciária”, afirma o secretário Nelson Merçon. Para saber mais, visite a página do Prêmio de Serviço Público da ONU.
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04 agosto 2026
ONU lança página em português sobre escravidão e comércio transatlântico de pessoas escravizadas
Estabelecido em 2007 através da resolução 62/122 da Assembleia Geral da ONU, o Programa Global de Divulgação sobre o Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas e a Escravidão oferece informações sobre os impactos duradouros da escravidão nas sociedades contemporâneas e as contribuições históricas, culturais e sociais das populações africanas e afrodescendentes. Segundo a UNESCO, cerca de 12,5 milhões de africanos e africanas foram deportados à força por meio do comércio transatlântico de pessoas escravizadas entre os séculos 16 e 19. Desse total, estima-se que aproximadamente 5 milhões tenham sido levados para o Brasil, tornando o país o principal destino desse sistema de exploração humana nas Américas.O Programa de Divulgação das Nações Unidas busca fortalecer o reconhecimento das consequências históricas da escravidão e do racismo, promovendo pesquisas, educação pública e iniciativas de memória. A iniciativa também destaca histórias de resistência, liberdade e resiliência das pessoas escravizadas e de seus descendentes. Entre os marcos centrais do Programa está a Arca do Retorno, memorial permanente das Nações Unidas instalado na sede da ONU, em Nova Iorque. O monumento homenageia as vítimas da escravidão e do comércio transatlântico de pessoas escravizadas, ao mesmo tempo em que convida visitantes a refletirem sobre os legados contemporâneos do racismo e da discriminação. O novo portal em português reúne recursos educativos, materiais multimídia e conteúdos sobre iniciativas das Nações Unidas relacionadas à promoção da igualdade racial, dos direitos humanos e da justiça histórica. A página também destaca o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Pessoas Escravizadas, observado anualmente em 25 de março. A data é uma oportunidade para recordar as vítimas, reconhecer a resistência das pessoas escravizadas e mobilizar esforços globais contra o racismo, a discriminação racial e as desigualdades persistentes.Em sua mensagem para a data internacional, o secretário-geral António Guterres declarou:“O tráfico transatlântico de pessoas escravizadas foi um crime contra a humanidade que atingiu o cerne da dignidade humana, separou famílias e devastou comunidades.” Em sua mensagem para o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, em 21 de março de 2026, o secretário-geral alertou:“O antigo veneno do racismo está vivo e ativo em todas as comunidades, sociedades, países e regiões do mundo. O racismo perdura no legado da colonização, da escravidão e da opressão, que impulsionam muitos dos problemas que enfrentamos atualmente – desde desigualdades econômicas, sociais e políticas, a práticas discriminatórias, até conflitos diretos.”Ao disponibilizar esta página em português, as Nações Unidas reafirmam seu compromisso com a preservação da memória histórica, a promoção da verdade e da justiça e o combate ao racismo em todas as suas formas. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação para milhões de falantes de português em todo o mundo e fortalecer a compreensão dos legados da escravidão e da necessidade de construir sociedades mais inclusivas e equitativas, fundamentadas nos direitos humanos.Para saber mais, acesse a nova página em https://www.un.org/pt/rememberslavery
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03 agosto 2026
Viva o Verde SP fortalece gestão de parques com 10 comunidades de São Paulo
Parques municipais de todas as regiões da cidade de São Paulo estão recebendo um reforço para aprimorar sua gestão e desenvolvimento, em busca de melhorias para esses espaços públicos e maior participação da população. O Viva o Verde SP, parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), vai elaborar, junto à sociedade civil, planos participativos de gestão e financiamento de 10 parques do município. E o pontapé inicial está acontecendo diretamente nas comunidades que serão beneficiadas.Desde junho, a equipe do Viva o Verde SP participa de reuniões dos Conselhos Gestores e Conselhos Municipais do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES) regionais da cidade para apresentar a segunda fase da iniciativa, que busca seguir promovendo uma reaproximação da população com as áreas verdes. Na primeira etapa, que durou 3 anos – de 2022 a 2025 –, foi realizado o diagnóstico de mais de 100 parques, a elaboração de planos de gestão de oito deles (confira aqui os documentos), entre diversas outras ações.Agora, o projeto está desenvolvendo um guia metodológico para a elaboração dos Planos de Gestão e Financiamento, documentos que guiam a administração, usos e normas de parques da cidade. Eventualmente, todos esses espaços (atualmente somando 124 parques municipais administrados pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente - SVMA) terão seus próprios planos de gestão.Os 10 parques atualmente representados, definidos a partir do Quadro de Priorização dos Parques elaborado na primeira fase do Viva o Verde SP, são:- Linear Água Vermelha, Sapopemba, Vila do Rodeio e Linear Zilda Arns Neumann na Zona Leste;- Linear Sapé na Zona Centro-Oeste;- Jardim Prainha, Nascentes do Ribeirão Colônia e Sete Campos na Zona Sul;- Anhanguera e Linear Bananal-Canivete na Zona Norte. O propósito de um Plano de Gestão e Financiamento é subsidiar a estrutura de governança de um parque, servindo de guia para as pessoas gestoras, e atuar como um mecanismo de controle social por parte da sociedade. O documento busca garantir a continuidade de políticas, programas, projetos e iniciativas para o espaço público e orientar as prioridades e recursos necessários para implementação de cada ação proposta.Participação popular As reuniões nos Conselhos Gestores dos parques selecionados e nos CADES têm contribuído para dar destaque aos anseios da população em relação a esses parques. Nesses encontros, gestoras e gestores, pessoas frequentadoras e integrantes dos Conselhos Gestores têm reforçado que engajar as comunidades e realizar oficinas participativas para validar propostas e ouvir moradoras e moradores são ações fundamentais para garantir a inclusão da sociedade na gestão e desenvolvimento dos parques."O Viva o Verde SP fortalece nosso compromisso com uma gestão cada vez mais participativa dos parques municipais e ao envolver conselhos gestores, lideranças locais e a população na construção dos planos de gestão, garantimos que esses espaços atendam às necessidades de cada território. Essa parceria com o ONU-Habitat contribui para tornar nossos parques mais acolhedores, sustentáveis e conectados com as comunidades que os utilizam", afirma o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Soares.A gestão do Parque Municipal Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, local que é exemplo de área recuperada de aterro e hoje atende uma função social de lazer e prática esportiva, somada à função ambiental – fortalecida com a plantação de centenas de árvores –, destaca que essa aproximação com a comunidade está sendo muito bem recebida na região.“O pessoal está bastante confiante com a evolução, com a questão da segurança, do uso dos espaços, com as opções que estão surgindo no parque, que não tinha há um tempo. O que ainda se cobra é a arborização, porque o parque tem poucas árvores. Acredito que a população, o pessoal que mora no entorno, que frequenta o parque, todos gostaram muito da ideia desse projeto, de a gente tentar melhorar, fazer com que a população abrace o local como um parque, e deixe de ver como um extinto aterro sanitário. Essa parceria com o Viva o Verde SP é muito bem-vinda. A parceria está formada: a gente só tem a ganhar com isso”, afirma o gestor Adilson Marcio Ferreira.Próximos passos Os encontros incluem uma mobilização prévia de lideranças comunitárias e integrantes dos Conselhos Gestores dos parques, seguida do processo de criação dos planos de gestão. Os próximos passos envolvem etapas como a realização de oficinas participativas para diagnóstico e desenvolvimento de soluções junto à população, validação desses documentos junto à prefeitura e sociedade civil, e realização de sessões de treinamento para implementação dos planos no dia a dia dos parques.
"A participação do conselho gestor e de lideranças locais na elaboração do plano de gestão e financiamento é fundamental por vários motivos: faz com que o plano atenda com precisão as necessidades específicas da população local, estimula o sentimento de pertencimento e atrai mais visitantes”, explica o coordenador do Viva o Verde SP, Jordi Sánchez-Cuenca. Em maio, técnicos da prefeitura e do ONU-Habitat se reuniram com representantes da gestão dos parques atendidos pelo projeto para tratar da construção conjunta dos novos planos de gestão. Essas e esses profissionais terão participação direta na elaboração dos documentos, apoiando e conduzindo ações, em especial no contato com os Conselhos Gestores.Sobre o Viva o Verde SP O Viva o Verde SP busca promover uma reaproximação da população com as áreas verdes. Para isso, em sua primeira fase (2022-2025), realizou ações voltadas a fortalecer a capacidade de São Paulo para promover espaços públicos verdes no município e nos bairros de forma inclusiva, aprimorando sua estrutura de gestão com foco na participação popular e no protagonismo de meninas e mulheres.
Ao colaborar com modelos inovadores de gestão e manutenção das áreas verdes, o projeto também contribuiu com o Programa de Metas 2021-2024 do município, que tratou da implementação de oito novos parques no período. Envolvendo diversas frentes de atuação e projetando São Paulo internacionalmente, o Viva o Verde SP vem contribuindo para viabilizar novas e futuras parcerias da capital paulistana com outras cidades comprometidas com a igualdade na distribuição, acesso e uso de espaços públicos verdes.Em sua segunda fase, iniciada em 2026, a parceria está implementando as principais recomendações levantadas na primeira etapa. Com foco nas áreas de digitalização, avaliação, gestão e comunicação, a iniciativa vai aplicar estratégias para distribuir mais equitativamente os espaços públicos verdes, elaborar ferramentas digitais de monitoramento e desenho participativo desses locais e ampliar os espaços de engajamento da sociedade civil na gestão dos parques municipais de São Paulo.Contatos para a imprensa:Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)Guilherme Justino (guilherme.justino@un.org)
"A participação do conselho gestor e de lideranças locais na elaboração do plano de gestão e financiamento é fundamental por vários motivos: faz com que o plano atenda com precisão as necessidades específicas da população local, estimula o sentimento de pertencimento e atrai mais visitantes”, explica o coordenador do Viva o Verde SP, Jordi Sánchez-Cuenca. Em maio, técnicos da prefeitura e do ONU-Habitat se reuniram com representantes da gestão dos parques atendidos pelo projeto para tratar da construção conjunta dos novos planos de gestão. Essas e esses profissionais terão participação direta na elaboração dos documentos, apoiando e conduzindo ações, em especial no contato com os Conselhos Gestores.Sobre o Viva o Verde SP O Viva o Verde SP busca promover uma reaproximação da população com as áreas verdes. Para isso, em sua primeira fase (2022-2025), realizou ações voltadas a fortalecer a capacidade de São Paulo para promover espaços públicos verdes no município e nos bairros de forma inclusiva, aprimorando sua estrutura de gestão com foco na participação popular e no protagonismo de meninas e mulheres.
Ao colaborar com modelos inovadores de gestão e manutenção das áreas verdes, o projeto também contribuiu com o Programa de Metas 2021-2024 do município, que tratou da implementação de oito novos parques no período. Envolvendo diversas frentes de atuação e projetando São Paulo internacionalmente, o Viva o Verde SP vem contribuindo para viabilizar novas e futuras parcerias da capital paulistana com outras cidades comprometidas com a igualdade na distribuição, acesso e uso de espaços públicos verdes.Em sua segunda fase, iniciada em 2026, a parceria está implementando as principais recomendações levantadas na primeira etapa. Com foco nas áreas de digitalização, avaliação, gestão e comunicação, a iniciativa vai aplicar estratégias para distribuir mais equitativamente os espaços públicos verdes, elaborar ferramentas digitais de monitoramento e desenho participativo desses locais e ampliar os espaços de engajamento da sociedade civil na gestão dos parques municipais de São Paulo.Contatos para a imprensa:Aléxia Saraiva (alexia.saraiva@un.org)Guilherme Justino (guilherme.justino@un.org)
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31 julho 2026
OIT: Compreender a informalidade pode orientar respostas mais eficazes na América Latina e no Caribe
Os mercados de trabalho na América Latina e no Caribe deixaram para trás a fase de recuperação e entraram em um novo período, caracterizado pela crescente influência de fatores estruturais como a transição demográfica, as transformações tecnológicas e a persistência da informalidade, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).O relatório intitulado "Tendências do Mercado de Trabalho na América Latina e no Caribe" (Tendencias del mercado laboral en América Latina y el Caribe) indica que a taxa de desemprego caiu para 5,3%, um dos níveis mais baixos das últimas décadas. Destaca também que a relação entre informalidade e produtividade exige políticas mais diferenciadas, que considerem as diversas habilidades e os desafios enfrentados por empresas e trabalhadores e trabalhadoras.A informalidade não é uma realidade única: algumas empresas geram receita insuficiente para cobrir os custos das operações formais; outras têm capacidade para operar formalmente, mas não possuem benefícios ou incentivos suficientes. Além disso, parte do emprego informal ocorre dentro de empresas registradas que não formalizam todas as suas relações trabalhistas.Nesse contexto, as políticas de emprego também precisam se adaptar. Além de promover a criação de empregos, é necessário impulsionar simultaneamente a produtividade, a formalização, o desenvolvimento de competências e a proteção social.“Uma microempresa que apenas consegue se manter não enfrenta os mesmos obstáculos que uma empresa com capacidade de crescimento que continua operando de maneira informal. Portanto, as respostas devem começar com um diagnóstico mais preciso e combinar ferramentas de acordo com as necessidades e capacidades de cada grupo”, afirmou Ana Virginia Moreira Gomes, diretora Regional da OIT para a América Latina e o Caribe.A análise sugere que a relação entre formalização e produtividade funciona em ambos os sentidos. A formalização pode facilitar o acesso de empresas e trabalhadores a financiamento, tecnologia, mercados e proteção institucional. Por sua vez, uma maior capacidade produtiva pode permitir que as unidades econômicas cresçam, melhorem sua renda e atendam às condições necessárias para a formalização.Portanto, o relatório sugere que as políticas podem ser mais eficazes quando combinam diferentes instrumentos, em vez de se concentrarem apenas na redução dos custos de registro ou no aumento da fiscalização. Capacitação, financiamento, tecnologia, proteção social, serviços empresariais e acesso ao mercado podem abordar simultaneamente as barreiras à formalização e as limitações que dificultam o crescimento da produtividade.Tendência do mercado de trabalho em 2026O relatório também fornece uma visão geral abrangente de 2025. A taxa de emprego regional aumentou de 59,7% para 59,9%, enquanto a taxa de participação na força de trabalho ficou em 63,2% e permaneceu praticamente estagnada.O desemprego caiu para 5,3%, o nível mais baixo nos últimos dez anos. Essa queda no desemprego mascara uma mudança silenciosa no mercado de trabalho: a transição demográfica está começando a alterar a dinâmica do emprego na região.“As tendências para 2025 são favoráveis, mas devem ser interpretadas em conjunto. O emprego aumentou e o desemprego diminuiu, enquanto a participação na força de trabalho permaneceu praticamente estagnada. Compreender quem está entrando no mercado de trabalho, quem permanece fora dele e que tipos de oportunidades estão sendo criadas se tornará cada vez mais importante”, explicou Gerson Martínez, autor principal do relatório e especialista regional em economia do trabalho da OIT.Os primeiros dados para 2026 indicam que o emprego continua a crescer e o desemprego a diminuir em vários países. Até o momento, não se observa uma deterioração generalizada, embora as trajetórias sejam diferentes: em algumas economias, o emprego continua a crescer favoravelmente, enquanto em outras avança mais lentamente. O relatório destaca que será essencial acompanhar a evolução desses acontecimentos ao longo dos próximos trimestres para determinar se essas diferenças são temporárias ou se sinalizam o surgimento de uma nova tendência.Nesse cenário de relativa estabilidade, mas em um contexto global de grande incerteza e diante de transformações estruturais, a OIT destaca a oportunidade e a urgência para fortalecer desde agora as políticas de formalização, produtividade, formação e proteção social, com respostas adaptadas às diferentes realidades das empresas e dos trabalhadores.Contato para imprensa: prensa@ilo.org
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30 julho 2026
Cristo Redentor será iluminado em azul pelo Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas
O monumento ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), será iluminado em azul, na noite desta quinta-feira, 30 de julho, para marcar o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A partir das 20h30, será realizada uma cerimônia no Santuário Cristo Redentor, presidida pelo reitor do Santuário, Padre Omar, com a presença de representantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) e da imprensa. Também estarão presentes membros dos Ministérios Públicos do Mercosul e de outras instituições parceiras.
O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para a gravidade desse crime, que se aproveita da vulnerabilidade das vítimas. Muitas vezes, o tráfico só se concretiza porque a pessoa é enganada por falsas promessas de um trabalho melhor ou pressionada pela falta de dinheiro — situação que expõe famílias a golpes que vão da exploração laboral à adoção ilegal de crianças. As campanhas de conscientização são fundamentais para evitar que mais pessoas caiam nessas armadilhas e reforçam a importância do acolhimento das vítimas e da responsabilização dos criminosos.O uso da cor remete à campanha “Coração Azul”, uma iniciativa internacional criada pelo UNODC que busca conscientizar a sociedade para combater o tráfico de pessoas e inspirar aqueles que detêm poder de decisão a promover as mudanças necessárias para acabar com esse crime.O MPF, por meio da Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), atua diretamente no combate ao crime. A UNTC atuou em mais de 1,1 mil processos judiciais no último ano e meio. Como fruto do trabalho, de 2025 até junho deste ano, 216 pessoas foram denunciadas à Justiça pela prática dos crimes.A data, 30 de julho, também foi adotada no Brasil como Dia Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, por meio da Lei nº 13.344/16, que prevê um esforço conjunto de governos, órgãos públicos e da sociedade civil para reforçar medidas preventivas, combater a impunidade e aprimorar a identificação e o acolhimento das vítimas.SERVIÇO:Cerimônia e Iluminação do monumento ao Cristo Redentor em azul pelo Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de PessoasData: 30 de julho de 2026Horário: 20h30Local: Santuário Cristo Redentor
O objetivo da iniciativa é chamar a atenção para a gravidade desse crime, que se aproveita da vulnerabilidade das vítimas. Muitas vezes, o tráfico só se concretiza porque a pessoa é enganada por falsas promessas de um trabalho melhor ou pressionada pela falta de dinheiro — situação que expõe famílias a golpes que vão da exploração laboral à adoção ilegal de crianças. As campanhas de conscientização são fundamentais para evitar que mais pessoas caiam nessas armadilhas e reforçam a importância do acolhimento das vítimas e da responsabilização dos criminosos.O uso da cor remete à campanha “Coração Azul”, uma iniciativa internacional criada pelo UNODC que busca conscientizar a sociedade para combater o tráfico de pessoas e inspirar aqueles que detêm poder de decisão a promover as mudanças necessárias para acabar com esse crime.O MPF, por meio da Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), atua diretamente no combate ao crime. A UNTC atuou em mais de 1,1 mil processos judiciais no último ano e meio. Como fruto do trabalho, de 2025 até junho deste ano, 216 pessoas foram denunciadas à Justiça pela prática dos crimes.A data, 30 de julho, também foi adotada no Brasil como Dia Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, por meio da Lei nº 13.344/16, que prevê um esforço conjunto de governos, órgãos públicos e da sociedade civil para reforçar medidas preventivas, combater a impunidade e aprimorar a identificação e o acolhimento das vítimas.SERVIÇO:Cerimônia e Iluminação do monumento ao Cristo Redentor em azul pelo Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de PessoasData: 30 de julho de 2026Horário: 20h30Local: Santuário Cristo Redentor
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Notícias
29 julho 2026
UNAIDS: Resposta global ao HIV perde força enquanto aumenta o risco de agravamento da epidemia
Relatório especial divulgado pelo UNAIDS na 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada entre os dias 27 e 31 de julho na cidade do Rio de Janeiro (RJ), mostra que a redução do financiamento internacional e os cortes nos serviços comunitários e de prevenção ao HIV provavelmente levarão a um ressurgimento da epidemia. Embora as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à AIDS estejam nos níveis mais baixos dos últimos 30 anos, a resposta atual ao HIV está fragilizada. Os esforços para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 estão em risco, a menos que a solidariedade global seja restaurada e as desigualdades sejam abordadas. Em 2025, globalmente, houve 1,2 milhão de novas infecções por HIV, mas o progresso é desigual. As novas infecções por HIV aumentaram em três regiões e em 21 países em 2025. Cerca de 22% das 41 milhões de pessoas vivendo com HIV não estavam em tratamento, e quase metade de todas as crianças vivendo com HIV não teve acesso à terapia antirretroviral em 2025. Cerca de 570 mil pessoas morreram por doenças relacionadas à AIDS em 2025. Sete países* alcançaram uma redução de quase 80% nas novas infecções desde 2010, e 11 países atingiram as metas de tratamento 95-95-95**, demonstrando que o progresso é possível. A ciência e a inovação oferecem uma grande oportunidade. O mundo se aproxima de uma revolução na prevenção do HIV, com medicamentos para a prevenção que oferecem um nível de proteção contra o HIV semelhante ao de uma vacina. Medicamentos injetáveis mensais e semestrais estão chegando ainda de forma lenta ao mercado, e comprimidos de uso mensal encontram-se em estágios avançados de testes. O que já está disponível e o que está em desenvolvimento são avanços extraordinários; no entanto, a escala e o acesso equitativo continuam sendo o maior desafio. “Os avanços científicos estão nos dando ferramentas com as quais as gerações anteriores só podiam sonhar”, afirmou a diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima. “No entanto, inovação sem acesso não é inovação, é injustiça. O verdadeiro teste do sucesso não é se os medicamentos existem, mas se as pessoas que precisam deles conseguem obtê-los, e a um preço acessível.” O Brasil aumentou em 41% o número de pessoas que acessaram medicamentos de prevenção ao HIV pelo menos uma vez no último ano. Etiópia e Uganda também adotaram medidas para ampliar o acesso por meio de financiamento doméstico e de outras fontes, enquanto a África do Sul continua negociando preços para as injeções preventivas semestrais de lenacapavir. No entanto, apesar de ter participado dos ensaios clínicos do lenacapavir, o Brasil não recebeu uma licença voluntária da fabricante Gilead que permita preços mais acessíveis ou a introdução de versões genéricas, e está considerando o uso de licenciamento compulsório. A UNITAID, o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária e demais parcerias reuniram recursos para iniciar a implementação do lenacapavir com o objetivo de alcançar 3 milhões de pessoas até 2028, o que é uma notícia bem-vinda. Entretanto, isso representa apenas uma pequena fração da necessidade existente, alcançando atualmente apenas algumas milhares de pessoas. O UNAIDS estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à prevenção baseada em antirretrovirais para gerar um impacto real na redução das novas infecções por HIV. A Assistência Oficial ao Desenvolvimento (ODA) entrou em colapso. Os recursos financeiros dos países industrializados para o desenvolvimento internacional caiu 23% em 2025 — a maior queda já registrada — e uma grande parte dessa redução ocorreu na área da saúde global, afetando fortemente os programas de HIV. Países africanos de baixa renda, com altas dívidas e com elevada incidência da epidemia dependiam de ajuda externa para uma resposta eficaz à AIDS em seus países. Muitos desses países dependiam de financiamento externo para mais de 90% das ações relacionadas à epidemia. “A era de depender da ajuda internacional acabou”, declarou a diretora executiva Winnie Byanyima. “Os países não podem esperar e não podem retroceder. O mundo deve corrigir urgentemente o sistema financeiro que já não é mais funcional e acelerar a reestruturação da dívida para que os governos possam investir no que mais importa: a saúde, a educação e o futuro de suas populações.” O financiamento internacional para o HIV proveniente de diversos países caiu mais de US$ 1,5 bilhão, passando de US$ 8,8 bilhões em 2024 para US$ 7,3 bilhões em 2025, uma redução de 18% e o menor nível registrado em quase duas décadas. Os serviços de prevenção ao HIV eram amplamente financiados por recursos internacionais. Na África Subsaariana, por exemplo, 80% do financiamento para prevenção veio de financiamento internacional. Organizações lideradas pela comunidade receberam até 25% da assistência internacional para HIV em 2024. Pesquisas mostram que, em alguns países, essas organizações alcançaram 22% das pessoas vivendo com HIV e até 60% das populações marginalizadas com serviços essenciais para manutenção de prevenção e tratamento. Na ausência do apoio de países e organismos doadores e sem investimentos domésticos mais robustos, os serviços de prevenção e a prestação de serviços de HIV liderados pela comunidade correm risco de colapso total. O financiamento para preservativos foi reduzido em mais de 90% em alguns países. Um estudo realizado em 2026, abrangendo 47 países, identificou reduções acentuadas nos serviços comunitários: 50% nos serviços comunitários de apoio à prevenção baseada em medicamentos e ao cuidado do HIV; 85% nos serviços destinados a homens gays e outros homens que fazem sexo com homens; 82% nos serviços para profissionais do sexo; 72% nos serviços voltados a sobreviventes de violência baseada em gênero. Os direitos humanos estão sob ataque e observa-se um retrocesso em direitos, incluindo os direitos sexuais e reprodutivos de mulheres, meninas e populações marginalizadas. Pela primeira vez desde que o UNAIDS começou a monitorar essas tendências, a criminalização das populações marginalizadas aumentou. Em 2025, Burkina Faso e Níger passaram a criminalizar relações sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo, e o Senegal aumentou as penalidades para essas relações em 2026. Também em 2026: 168 países criminalizavam o trabalho sexual; 152 países criminalizavam a posse de pequenas quantidades de drogas; 66 países criminalizavam relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo; 14 países criminalizavam pessoas trans. “Não é possível acabar com a AIDS enquanto se criminalizam as pessoas que vivem com HIV e aquelas mais vulneráveis à infecção”, afirmou Winnie Byanyima. “Quando as pessoas têm medo de prisão, violência ou discriminação, elas se afastam dos serviços de HIV. Os direitos humanos não são algo separado da resposta ao HIV; eles são essenciais para o seu sucesso.” Apesar dos retrocessos em direitos humanos, em junho de 2026, 149 Estados-membros adotaram uma Declaração Política sobre HIV e AIDS progressista, alinhada à Estratégia Global para a AIDS do UNAIDS 2026-2031 e às metas para 2030. As novas metas para 2030 incluem: 40 milhões de pessoas em tratamento; 20 milhões de pessoas com acesso à prevenção baseada em antirretrovirais; Menos de 10% das pessoas vivendo com HIV ou em risco de infecção sofrendo estigma e discriminação; Menos de 10% das mulheres e meninas e das pessoas vivendo com HIV ou em risco enfrentando desigualdade de gênero e violência; Menos de 10% dos países mantendo ambientes legais e políticos punitivos que neguem ou limitem o acesso aos serviços de HIV. Se totalmente alcançados, esses compromissos evitarão 3,2 milhões adicionais de novas infecções por HIV e 1,3 milhão de mortes relacionadas à AIDS até 2030. “Apesar dos enormes desafios, acabar com a AIDS ainda está ao nosso alcance”, disse Winnie Byanyima no Rio de Janeiro. “Na AIDS 2026, o UNAIDS conclama todas as parcerias e governos a se remobilizarem e avançarem para alcançar as metas ambiciosas estabelecidas na Declaração Política. Isso exigirá solidariedade renovada, financiamento sustentável e compromisso inabalável com os direitos humanos. A escolha diante de nós é nítida: recuar e arriscar um ressurgimento da epidemia, ou repensar, reconstruir e avançar para acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030.” Para saber mais, siga @unaidsbrasil e acesse a página do UNAIDS Brasil! Notas: *Benin, Essuatíni, Quênia, Lesoto, Nepal, Ruanda e Zimbábue são os países que alcançaram quase 80% de redução nas novas infecções desde 2010. **Metas 95-95-95: 95% de todas as pessoas vivendo com HIV conhecem seu status sorológico; 95% de todas as pessoas diagnosticadas com HIV têm acesso à terapia antirretroviral; 95% de todas as pessoas em terapia antirretroviral apresentam supressão viral. Contato para imprensa internacional: Sophie Barton Knott, UNAIDS Genebra: bartonknotts@unaids.org Contato para imprensa brasileira: Thainá Kedzierski, UNAIDS Brasil: kedzierskith@unaids.org
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