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Malala na ONU: “Os direitos das mulheres e meninas não são negociáveis”
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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13 março 2026
Especialista da ONU em direitos dos migrantes visitará o Brasil
O Relator Especial da ONU para os direitos humanos dos migrantes, Gehad Madi, visitará o Brasil de 16 a 27 de março de 2026.O Relator Especial avaliará as leis, políticas e práticas atuais do país, bem como o progresso alcançado na garantia da proteção plena e efetiva dos direitos humanos dos migrantes.O especialista realizará reuniões em Brasília, Boa Vista, Pacaraima, São Paulo e Curitiba com autoridades governamentais, o poder judiciário, com agências das Nações Unidas, com organizações da sociedade civil e com migrantes. Ele também visitará centros de acolhimento e abrigos.Madi realizará uma coletiva de imprensa na sexta-feira, 27 de março de 2026, às 15h (horário local) na Casa ONU Brasil - Complexo Sérgio Vieira de Mello, em Brasília. O acesso é estritamente reservado a jornalistas. Para se inscrever na coletiva de imprensa, envie um e-mail para hrc-sr-migrant@un.org com o assunto: Solicitação de inscrição para a coletiva de imprensa.O Relator Especial apresentará seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em junho de 2027.
Gehad Madi é o Relator Especial sobre os direitos humanos dos migrantes. Os Relatores Especiais/Peritos Independentes/Grupos de Trabalho são peritos independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Juntos, esses peritos são chamados de Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham voluntariamente; eles não são funcionários da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho. Embora o escritório de Direitos Humanos da ONU atue como secretariado dos Procedimentos Especiais, os especialistas atuam a título individual e são independentes de qualquer governo ou organização, incluindo o ACNUDH e a ONU. Quaisquer pontos de vista ou opiniões apresentados são exclusivamente do autor e não representam necessariamente os da ONU ou do ACNUDH.Observações e recomendações específicas por país dos mecanismos de direitos humanos da ONU, incluindo os procedimentos especiais, os órgãos dos tratados e a Revisão Periódica Universal, podem ser encontradas no Índice Universal de Direitos Humanos https://uhri.ohchr.org/en/Acesse aqui a página da ONU Direitos Humanos da ONU sobre o Brasil.Solicitações da imprensa, entrar em contato com: Paulina Tandiono, Oficial de Direitos Humanos, paulina.tandiono@un.org ou hrc-sr-migrant@un.org. Para consultas da imprensa relacionadas a outros especialistas independentes da ONU, entrar em contato com Maya Derouaz (maya.derouaz@un.org) ou Dharisha Indraguptha (dharisha.indraguptha@un.org) Acompanhe as notícias relacionadas aos especialistas independentes em direitos humanos da ONU no X: @UN_SPExperts.
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12 março 2026
UNODC e Ministério da Justiça lançam Índice de Vulnerabilidade de Territórios Indígenas ao Crime Organizado
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), apresentaram oficialmente, durante a 69ª sessão da Comissão de Entorpecentes (CND 69), o Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado - Territórios Indígenas. A iniciativa representa um avanço importante no enfrentamento ao crime organizado e na proteção territorial de povos indígenas no Brasil.A sessão ocorre no âmbito da Comissão de Entorpecentes (CND), que em 2026 realiza sua 69ª edição como órgão central das Nações Unidas responsável por acompanhar a implementação das convenções internacionais sobre drogas e definir diretrizes globais nessa área. Composta por Estados-membros eleitos pelo Conselho Econômico e Social (ECOSOC), a CND funciona como principal fórum intergovernamental para debater tendências, desafios emergentes e respostas baseadas em evidências ao problema mundial das drogas. Reúne anualmente governos, organismos internacionais, sociedade civil e comunidade científica para negociar resoluções, lançar iniciativas e fortalecer a cooperação internacional em políticas de drogas.Desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc), em parceria com a Senad/MJSP, o UNODC e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o índice é uma ferramenta inovadora de diagnóstico territorial que integra múltiplas dimensões da vulnerabilidade — incluindo organização territorial, degradação ambiental, ameaças e violência, indicadores de atividades ilícitas e condições sociais relacionadas à renda, educação e saúde.Enfrentamento ao crime organizado e fortalecimento de territórios indígenas O índice reconhece que os territórios indígenas, especialmente na Amazônia brasileira, estão expostos a pressões crescentes relacionadas à atuação convergente de atividades ilícitas vinculadas ao crime organizado transnacional, como o tráfico de drogas, a mineração ilegal, a extração ilegal de madeira, entre outras. Essas dinâmicas afetam a segurança dos territórios, elevam os riscos de violência, agravam a degradação ambiental, tensionam formas locais de governança e comprometem as condições de proteção e de reprodução da vida comunitária.Ao sistematizar dados de múltiplas fontes públicas, o índice traz informações sobre os territórios onde vulnerabilidades sociais, pressões ambientais e atividades criminosas convergem. Essa ferramenta possibilita que gestores públicos, agências de segurança e organizações indígenas identifiquem áreas prioritárias para ações coordenadas de prevenção, proteção e desenvolvimento territorial sustentável.“Este índice representa um passo fundamental para compreendermos de forma integrada e baseada em evidências os desafios enfrentados pelos povos indígenas diante do crime organizado”, afirmou a representante do UNODC no Brasil, Elena Abbati. “Ao mapear as vulnerabilidades territoriais, contribuímos para respostas mais efetivas que combinam repressão qualificada, prevenção e fortalecimento comunitário, sempre com respeito aos direitos humanos e à autodeterminação dos povos indígenas.”A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, destacou: “O Brasil avança no desenho e implementação de políticas públicas orientadas por evidências e de base territorial. O índice permite que identifiquemos não apenas onde o crime organizado pressiona comunidades indígenas, mas também onde políticas de desenvolvimento alternativo, prevenção, proteção social e justiça podem fazer a diferença na vida dessas populações.” Sumário executivo e acesso público O documento apresentado na CND 69 é o Sumário Executivo do índice, condensando a metodologia, principais achados e implicações para políticas públicas. Um estudo completo e detalhado será lançado em breve, apresentando detalhes das análises territoriais, metodologia e conceitos teóricos utilizados.O Sumário Executivo já está disponível para consulta pública em plataforma digital acessível em www.cdesc.org.br. Com o lançamento do estudo completo, será disponibilizada também uma plataforma interativa com os resultados do índice por dimensão, na qual será possível consultar os territórios indígenas no mapa ou por nome. A ferramenta será voltada a gestores públicos, pesquisadores, organizações indígenas e à sociedade civil.Cooperação internacional e Agenda 2030 O índice e as ações do UNODC no Brasil estão alinhados aos principais marcos internacionais sobre drogas e crime organizado, em especial à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (UNTOC) e às três Convenções Internacionais sobre Drogas, que estabelecem a base normativa para respostas cooperadas, integradas e orientadas por direitos humanos e saúde pública. Essas iniciativas também contribuem diretamente para a Agenda 2030, sobretudo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, 10 e 15, ao fortalecer a proteção territorial, reduzir a violência e promover governança inclusiva em áreas impactadas pelo crime organizado.Esse esforço se soma a outras ações do UNODC na proteção de territórios indígenas diante de pressões do crime organizado, como o SAR‑TI, desenvolvido com apoio do Governo da Itália, em parceria com o UNICEF e em cooperação com o ECHO, que fortalece sistemas de vigilância territorial e respostas a crimes ambientais em territórios indígenas da Amazônia brasileira, no âmbito do Projeto Tapajós. O projeto é voltado ao enfrentamento do garimpo ilegal e de violações de direitos na cadeia do ouro, e ao fortalecimento da atuação do Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc), parceiro na produção de evidências e no apoio a estratégias de desenvolvimento comunitário em territórios indígenas no contexto do problema mundial das drogas.Para saber mais, siga @unodcprt e @pnud_brasil nas redes! Contato para a imprensa: Bruno Fortuna, Oficial de Comunicação, UNODC Brasil: bruno.delossantosfortuna@un.org
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10 março 2026
Brasil, ONU-Habitat e CAU/SP lançam novo projeto para fortalecer moradia social
Apesar de ser um direito humano, o acesso à moradia digna é um dos maiores desafios atualmente no Brasil e nos países do Sul Global. Segundo a Fundação João Pinheiro, em 2022, o estado de São Paulo contava com quase 70 mil moradias precárias, e mais de 260 mil famílias vivendo em coabitação não desejada. Nesse cenário, políticas públicas voltadas a assegurar moradia adequada a quem mais precisa são essenciais. É nesse contexto que a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) se coloca como um instrumento fundamental para garantir a famílias de baixa renda o direito à orientação e ao acompanhamento gratuito de profissionais especializados, quando há necessidade de construir, reformar, ampliar ou regularizar suas moradias, promovendo melhores condições de vida.Vendo na ATHIS uma solução capaz de acelerar o desenvolvimento urbano sustentável das cidades, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP), o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) deram início, em fevereiro, ao projeto ATHIS em Rede: fortalecendo a moradia digna no Sul Global. A iniciativa busca ampliar e fortalecer os conhecimentos técnicos e institucionais para aumentar o alcance, o monitoramento e a avaliação de soluções de ATHIS no estado de São Paulo, envolvendo profissionais de Arquitetura e Urbanismo, prefeituras e organizações da sociedade civil. Além disso, o projeto vai promover o intercâmbio de experiências com países da América Latina e da África, ampliando o debate e a cooperação internacional em torno da habitação de interesse social.ATHIS na práticaPrevista na Lei Federal nº 11.888/2008, a ATHIS se dá por meio de ações concretas nos territórios e com atuação direta nas moradias, como reformas de casas precárias, solução de problemas estruturais (rachaduras, infiltrações, risco de desabamento), melhoria de ventilação, iluminação e conforto térmico, além de adaptações para idosos e pessoas com deficiência.Diferentemente de políticas voltadas apenas à construção de novas habitações, a ATHIS atua prioritariamente na casa onde as pessoas já vivem, e também no bairro e na cidade, por meio de regularização fundiária, qualificação de espaços públicos, melhoria de infraestrutura e apoio a mutirões habitacionais e processos de autogestão. Essas ações são articuladas ao trabalho social, com participação das famílias em oficinas, processos de escuta e formação para a manutenção das moradias.Dessa maneira, a ATHIS contribui diretamente para o aumento da qualidade de vida, pois reduz riscos construtivos e garante melhores condições de saúde e bem-estar. Além disso, fortalece a segurança jurídica da posse, valoriza o patrimônio das famílias e amplia o acesso a políticas públicas e serviços urbanos. Por isso, é uma política estratégica, com menor custo do que a produção de novas unidades, integrando dimensões sociais, ambientais, urbanísticas e de saúde pública.No entanto, na prática, as cidades brasileiras enfrentam uma série de desafios estruturais, institucionais e financeiros que dificultam a consolidação da norma como política pública permanente, com resultados em grande escala. Entre os principais entraves estão a ausência de dotação orçamentária específica, a baixa prioridade nas agendas locais e a falta de capacidade operacional. ATHIS em RedePensando em acelerar a implementação da política de ATHIS no Brasil, o projeto ATHIS em Rede vai promover uma série de capacitações técnicas e institucionais voltadas para gestores públicos, principalmente municipais, e profissionais da área. Além disso, a iniciativa vai realizar um diagnóstico sobre o contexto da política de ATHIS no estado de São Paulo, sugerir diretrizes de monitoramento, implementar intervenções-piloto em comunidades prioritárias e criar uma plataforma de colaboração entre profissionais do Sul Global, consolidando uma rede internacional dedicada à ATHIS. A iniciativa prevê ainda, para o segundo semestre de 2026, a realização de um Fórum do Sul Global em ATHIS.A presidente do CAU/SP, Camila Moreno de Camargo, destaca que, “nesse projeto, o profissional de arquitetura e urbanismo é nosso público-alvo prioritário, pois tem a formação mais direcionada para atuar no território. Por isso é primordial expandir e aprimorar suas capacidades sobre ATHIS". Ela ressalta, ainda, a importância estratégica da iniciativa para o CAU/SP. “Essa é uma temática fundamental para o Conselho, que possui um histórico de atuação muito relevante na área”, explica. Camila destaca, também, o fato de o projeto ampliar e reforçar esse campo de atuação para os profissionais de arquitetura e urbanismo, ao mesmo tempo em que consolida a ATHIS enquanto política pública junto ao poder público.Camila destaca, por fim, as dificuldades que a categoria enfrenta para trabalhar na área, passando pela falta de oportunidades nas instituições, a baixa valorização da assistência técnica frente ao mercado imobiliário e a ausência de mecanismos estruturados de contratação pública. Nesse contexto, gestores públicos e OSCs também acabam sendo um público estratégico do projeto, para fortalecer capacidades institucionais, incorporar a ATHIS nas agendas e nos orçamentos municipais e garantir a continuidade e a escala das ações como política pública permanente. “A moradia adequada é o ponto de partida para cidades verdadeiramente inclusivas. É enfrentando o déficit habitacional que vamos avançar para reduzir desigualdades. O Brasil tem experiências de excelência em assistência técnica para habitação social, e por meio dessa iniciativa podemos transformar esse conhecimento em ação compartilhada, fortalecendo políticas públicas e ampliando o acesso à moradia digna em diferentes contextos do Sul Global. Esperamos que, ao final do projeto, municípios, profissionais e instituições estejam trabalhando juntos para multiplicar as soluções habitacionais”, conclui a chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferreti Moraes.Mais do que capacitar e criar uma rede dedicada ao tema, o ATHIS em Rede tem como principal finalidade melhorar a qualidade e acessibilidade das soluções de habitação social para comunidades em situação de vulnerabilidade, tanto em São Paulo quanto em países parceiros do Sul Global. Nesse sentido, a abordagem do projeto segue a da norma federal, centrada nos princípios do planejamento participativo, que reconhece as comunidades como agentes centrais na identificação de suas necessidades e na formulação de soluções. Além disso, busca identificar as demandas específicas de mulheres, que são as mais afetadas pelo déficit e inadequação habitacional.Para a gerente de projetos da ABC, Mariana Falcão, “o ATHIS em Rede reforça o compromisso da Agência Brasileira de Cooperação com a promoção de políticas públicas estruturantes e com o fortalecimento de capacidades no Sul Global. Ao articular conhecimento técnico, cooperação internacional e atuação nos territórios, a iniciativa contribui para transformar o direito à moradia digna em uma realidade concreta para as populações mais vulneráveis.” Primeiros passosOs primeiros passos do projeto tiveram início em fevereiro, com a participação da equipe na Conferência Nacional das Cidades, realizada em Brasília entre 24 e 27 de fevereiro. No evento, o ATHIS em Rede foi apresentado a lideranças de movimentos sociais e municipalistas, especialistas de entidades profissionais, acadêmicas e de pesquisa, entre outros públicos estratégicos. A participação na conferência também permitiu mapear especialistas e experiências de referência em ATHIS, divulgar o projeto e engajar gestores públicos para as fases subsequentes da iniciativa.A próxima etapa será realizada de março a maio, com visitas às dez cidades paulistas com escritórios regionais do CAU/SP: Santos, Bauru, Presidente Prudente, São José dos Campos, Guarulhos, Sorocaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas e Santo André. “Nessas ocasiões, vamos conversar com representantes das prefeituras, conhecer as organizações sociais que trabalham com ATHIS na região, visitar intervenções já realizadas, conversar com profissionais de Arquitetura e Urbanismo e realizar oficinas sobre o projeto. Tudo isso vai contribuir para o diagnóstico que realizaremos, para a formulação dos cursos de capacitação e para mobilizar esses públicos para a política de ATHIS”, explica o coordenador do projeto ATHIS em Rede, Nilcio Regueira Dias. ATHIS em RedeO projeto ATHIS em Rede integra o Simetria Urbana, iniciativa de Cooperação Sul-Sul Trilateral entre ONU-Habitat e a ABC/MRE para promover o desenvolvimento urbano sustentável em países do Sul Global por meio da troca de experiências e do fortalecimento de capacidades. Contatos para imprensa: Ana Maria Barbour: ana.alvesbarbour@un.orgAléxia Saraiva: alexia.saraiva@un.orgAntonio Biondi: antonio.biondi@causp.gov.brJanaina Plessmann: janaina.plessmann@abc.gov.br
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06 março 2026
UNOPS apoia as atividades de assistência humanitária do governo brasileiro
Entre julho e dezembro de 2025, o governo brasileiro apoiou 22 países na resposta dada a emergências humanitárias. Ao todo, foram enviadas 18,6 toneladas de refeições desidratadas; 6,5 toneladas de medicamentos; 20,4 toneladas de insumos médicos (incluindo seringas, soros e “kits” emergenciais de saúde), além de 1,4 milhão de doses de vacinas e 129 purificadores de água portáteis.
Para permitir que todas as cargas chegassem ao destino, a parceria da ABC com o UNOPS conduziu 40 operações de aquisição e logística internacional para países da América Latina, do Caribe, da África, da Ásia e da Europa.Uma das principais operações emergenciais do período foi a assistência humanitária prestada após o impacto do furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, deixando rastro de destruição e dezenas de vítimas fatais. Foram enviados 100 purificadores de água portáteis, 15 toneladas de refeições desidratadas e 10 “kits” de medicamentos e insumos de saúde para Bahamas, Cuba, Haiti e Jamaica.O apoio do organismo da ONU envolveu a aquisição de insumos, a coordenação logística nacional e internacional, o transporte das cargas e o acompanhamento da entrega nos países parceiros, garantindo transparência à luz de padrões internacionais em operações humanitárias.“As operações de ajuda humanitária ocorrem em um contexto marcado por desafios logísticos. No caso do furacão Melissa, por exemplo, os aeroportos estavam sobrecarregados. Em situações de instabilidade política, como ocorre no Haiti, a tarefa é aguardar condições de segurança para o transporte”, detalha Cecilia Abdo, gerente do projeto no UNOPS. CuidadoPara o transporte das doações, o UNOPS contrata serviço de agenciamento logístico que inclui coleta, caixas passivas refrigeradas, embalagem, paletização, etiquetagem, transporte ao aeroporto, documentação, desembaraço aduaneiro e transporte internacional, entre outros.O envio de vacinas, por exemplo, é acompanhado pelo UNOPS em todas as etapas. As caixas de armazenamento são refrigeradas para a manutenção de temperatura, entre 2° e 8°C, por 120 horas. O monitoramento é feito com tecnologia remota, que transmite em tempo real a localização e as condições térmicas. Agentes de carga cuidam da documentação e do transporte, e a temperatura é verificada continuamente, garantindo a integridade dos insumos até a entrega.“Há um cuidado e zelo rigorosos com o transporte para garantir que os itens cheguem íntegros aos destinos. A cooperação de caráter humanitário causa impacto direto na segurança alimentar, no acesso à água potável e no apoio à assistência de saúde para os países”, destaca Cecilia.Além da atuação em contextos de crise, a parceria entre a ABC e o UNOPS apoia a realização de missões técnicas e de capacitações para responder a desastres humanitários. A iniciativa contribui para a preparação e para o enfrentamento de situações de emergência e crises no Brasil e em países em situação de desastre.Firmado em dezembro de 2021, o acordo entre a ABC e o UNOPS orienta iniciativas voltadas ao fortalecimento da cooperação internacional do Brasil por meio do apoio às operações de assistência humanitária a países em situação de crise e/ou desastre. A parceria permanece em execução e contempla novas ações programadas para 2026.
Para permitir que todas as cargas chegassem ao destino, a parceria da ABC com o UNOPS conduziu 40 operações de aquisição e logística internacional para países da América Latina, do Caribe, da África, da Ásia e da Europa.Uma das principais operações emergenciais do período foi a assistência humanitária prestada após o impacto do furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, deixando rastro de destruição e dezenas de vítimas fatais. Foram enviados 100 purificadores de água portáteis, 15 toneladas de refeições desidratadas e 10 “kits” de medicamentos e insumos de saúde para Bahamas, Cuba, Haiti e Jamaica.O apoio do organismo da ONU envolveu a aquisição de insumos, a coordenação logística nacional e internacional, o transporte das cargas e o acompanhamento da entrega nos países parceiros, garantindo transparência à luz de padrões internacionais em operações humanitárias.“As operações de ajuda humanitária ocorrem em um contexto marcado por desafios logísticos. No caso do furacão Melissa, por exemplo, os aeroportos estavam sobrecarregados. Em situações de instabilidade política, como ocorre no Haiti, a tarefa é aguardar condições de segurança para o transporte”, detalha Cecilia Abdo, gerente do projeto no UNOPS. CuidadoPara o transporte das doações, o UNOPS contrata serviço de agenciamento logístico que inclui coleta, caixas passivas refrigeradas, embalagem, paletização, etiquetagem, transporte ao aeroporto, documentação, desembaraço aduaneiro e transporte internacional, entre outros.O envio de vacinas, por exemplo, é acompanhado pelo UNOPS em todas as etapas. As caixas de armazenamento são refrigeradas para a manutenção de temperatura, entre 2° e 8°C, por 120 horas. O monitoramento é feito com tecnologia remota, que transmite em tempo real a localização e as condições térmicas. Agentes de carga cuidam da documentação e do transporte, e a temperatura é verificada continuamente, garantindo a integridade dos insumos até a entrega.“Há um cuidado e zelo rigorosos com o transporte para garantir que os itens cheguem íntegros aos destinos. A cooperação de caráter humanitário causa impacto direto na segurança alimentar, no acesso à água potável e no apoio à assistência de saúde para os países”, destaca Cecilia.Além da atuação em contextos de crise, a parceria entre a ABC e o UNOPS apoia a realização de missões técnicas e de capacitações para responder a desastres humanitários. A iniciativa contribui para a preparação e para o enfrentamento de situações de emergência e crises no Brasil e em países em situação de desastre.Firmado em dezembro de 2021, o acordo entre a ABC e o UNOPS orienta iniciativas voltadas ao fortalecimento da cooperação internacional do Brasil por meio do apoio às operações de assistência humanitária a países em situação de crise e/ou desastre. A parceria permanece em execução e contempla novas ações programadas para 2026.
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03 março 2026
ONU lança catálogo de fotos das celebrações dos 80 anos das Nações Unidas no Brasil
2025 marcou o aniversário de 80 anos das Nações Unidas e os 80 anos de parceria do Brasil com a ONU. Para celebrar, a ONU Brasil convocou prefeituras, organizações da sociedade civil e instituições de ensino para organizar eventos para marcar essa data tão significativa. Isso resultou em mais de 350 propostas de eventos apresentadas, em todas as regiões do país. Mais de 50 eventos foram realizados, nos mais variados formatos, de oficinas e saraus de teatro, concertos, feiras, plantio de árvores, caminhadas, palestras, simulações da ONU e muito mais. Os eventos demonstram que, embora os desafios globais sejam imensos, a esperança de um mundo melhor, mais justo e mais sustentável, segue iluminando as pessoas e impulsionando parcerias, redes e ações em todo o Brasil.Além do suporte institucional, a ONU Brasil disponibilizou um Kit Digital com a identidade visual da campanha e brindes, como ecobags e camisetas, para que as entidades parceiras imprimissem localmente. Para Sílvia Rangel, organizadora do evento Fórum de Responsabilidade Social e ESG e Presidente da AAMAE, “o movimento de engajar pessoas em torno dos 80 anos da ONU, fortalecendo a luta pelo alcance dos ODS é o caminho para a garantia do direito à existência, é a luta em unidade pela vida no futuro.”“Apesar de sermos uma instituição presente em todo o mundo, é no nível local que está o verdadeiro impacto da ONU. É nos municípios que vemos como nosso trabalho ajuda a melhorar a vida das pessoas em áreas como educação, inclusão, saúde, promoção da igualdade, emprego e renda.”afirma a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks. Acesse o catálogo aqui! Para mais informações, visite a página especial da ONU Brasil sobre os 80 anos das Nações Unidas. Contato para a imprensa:
Isadora Ferreira, Gerente de Comunicação da ONU Brasil: contato@onu.org.br
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História
05 março 2026
Entre perdas e recomeços: a resiliência feminina frente aos desafios climáticos em Petrópolis
Com origem tupi, Itaipava significa “pedra que chora”. Por conta do volume de água que escorre sobre as formações rochosas da Serra da Estrela, esse é o nome do distrito de Petrópolis (RJ) que há 34 anos é lar de Cristina do Rosário. Nascida e criada no município, ela é funcionária de uma escola pública da região, mãe de três filhos e coordenadora do Núcleo Comunitário de Defesa Civil do Vale do Cuiabá (NUDEC). Embora o bairro seja conhecido por condomínios de alto padrão, a região também vivenciou, nos últimos anos, eventos climáticos cujo impacto deixou marcas no território e na população. O Vale do Cuiabá é uma das 13 comunidades mais vulneráveis a eventos climáticos extremos de Petrópolis. Em fevereiro de 2008, Cristina estava grávida de sete meses; sua casa com móveis recém-comprados e o quarto do bebê praticamente pronto. Quando a enchente começou, Cristina e o marido agiram como de costume, protegendo os objetos da casa para tentar salvar seus pertences. “A gente tinha ganchos na sala. Passava as cordas por trás do sofá, suspendia e jogava as coisas por cima. Sempre choveu assim, coisa de meio metro, até um metro de água. A gente secava a parede e pintava. Mas 2008 foi a primeira tragédia de uma proporção muito maior que aconteceu na região”, relembra. Cristina conta que, ao chegar à porta da sala, a água já estava na altura da cintura e continuava subindo rapidamente. Foi então que avisou o marido para largar tudo e sair, pois não havia mais tempo. Por conta da gravidez e da correnteza, precisou ser retirada de casa com a ajuda de moradores, e levada com o marido para a casa de um vizinho em uma área mais estável. A região foi severamente atingida por deslizamentos de terra que soterraram diversas casas, resultando em grandes perdas materiais e de vidas. A tragédia impactou profundamente a comunidade e dificultou o acesso dos bombeiros, devido ao acúmulo de água e terra.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
Cerca de 10 dias após o episódio de extremo estresse, Cristina perdeu o bebê. Devido ao trauma, ela perdeu temporariamente o movimento das pernas, passando a usar uma cadeira de rodas. Na mesma semana, uma vizinha de 18 anos grávida, Daniela Beatriz Maciel, acordou com a casa alagada e entrou em trabalho de parto. Nascia Ana Beatriz Maciel. Em desespero, sem saber como acalmar a recém-nascida, a mãe buscou apoio justamente em quem sempre esteve presente na comunidade em situações difíceis: Cristina. A menina, que só se acalmava em seus braços, entrou em sua vida para nunca mais sair. “Foi a Ana Beatriz que me tirou da cadeira de rodas. Lembro até hoje dos bracinhos dela no meu ombro, quando a mãe a colocou no meu colo. Em quatro dias, eu já estava andando novamente. Peguei as roupinhas que ganhei para lavar e pensava nela, ela não tinha nada. Ela me chamava de mãe”, relata. Nessa época, já existia uma rede de apoio entre as mulheres da comunidade: a mãe de Ana Beatriz contou com o suporte de Cristina, e foi assim que ela encontrou forças para recomeçar e fortalecer essa rede - que posteriormente se transformou no NUDEC do Vale do Cuiabá, formado por 14 mulheres.
O início do NUDEC
Em 2011, a Região Serrana voltou a ser atingida por fortes chuvas, e as consequências levaram a uma das maiores catástrofes do país. Esse episódio despertou em Cristina a necessidade de se capacitar para agir em situações de risco. Após uma formação de três anos e meio pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ela se tornou monitora socioambiental. Com esse processo surgiram os NUDECs, Núcleos Comunitários de Defesa Civil, que têm como objetivo mobilizar, organizar e capacitar moradores para a prevenção de desastres, promovendo informação, preparação e resposta rápida em situações de emergência. Em 2012, Cristina apoiou a criação do Núcleo do Vale do Cuiabá, que funciona até hoje no terreno de sua casa, onde atua como coordenadora. “Foi depois dos cursos e da capacitação com a Defesa Civil que percebi que quase fui uma vítima fatal por não saber o que fazer. Eu estava aqui, dentro da minha casa, onde hoje funciona o NUDEC, preocupada com meus bens materiais. Sou uma resiliente de 2008”, conta Cristina. Por se tratar de uma comunidade grande, ela se questionava se daria conta da responsabilidade. "Hoje vejo a importância do meu trabalho. Estamos sempre fazendo capacitações, e tudo o que aprendo é para salvar a minha vida, a da minha família e a da minha comunidade. Por isso digo que esse conhecimento é tão importante. Moro aqui há 34 anos e sempre sofri com as tragédias das enchentes, mas não sabia o que fazer. Hoje eu sei”, afirma a coordenadora. Em 2025, uma nova iniciativa passou a apoiar a preparação da região. O Vale do Cuiabá é um dos territórios de Petrópolis contemplados pela iniciativa RJ Resiliente, parceria do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat). A iniciativa promove ações de conscientização e mobilização comunitária voltadas à prevenção de riscos de desastres, integradas à promoção da resiliência urbana e climática. O RJ Resiliente conta com o apoio de representantes do NUDEC como Cristina, que já possuem conhecimento aprofundado sobre o território e sobre estratégicas compartilhadas nos treinamentos da Defesa Civil. Para ela, a iniciativa representa um fortalecimento concreto do trabalho que já desenvolvia na comunidade, ao ampliar o acesso para mais moradores às ações de prevenção de riscos. Como coordenadora, Cristina viabilizou a divulgação das oficinas no Vale do Cuiabá junto à rede da comunidade. Ela participa ativamente dos encontros e contribui com a aplicação de metodologias pensadas para a realidade local. Nas oficinas, realizadas nas 13 comunidades do município mais vulneráveis a eventos extremos, são compartilhadas noções básicas sobre riscos de desastres, monitoramento climático, mapeamento de áreas vulneráveis e definição de rotas seguras. A comunidade também aprende a montar sensores caseiros de baixo custo - como pluviômetros, anemômetros e infiltrômetros - que auxiliam na identificação de situações de risco e na tomada de decisão sobre o momento de se deslocar para os pontos de apoio, priorizando sempre a prevenção e a segurança coletiva. “No Brasil não tem cultura de prevenção de risco de desastres. As comunidades precisam de educação; é necessário levar para a comunidade mais conhecimento, saber o momento de sair, buscar os pontos de apoio, interpretar os alertas e as sirenes.” O apoio ao NUDEC é apenas uma das muitas frentes assumidas pelas mulheres do Vale do Cuiabá. Ao todo, são 14 mulheres envolvidas, além do marido e do filho de Cristina e do voluntário Pedro Rabello, responsável pela criação da primeira plataforma online de um NUDEC. Cristina relata que as dificuldades e o preconceito não a impediram de chegar onde desejava, sempre estudando e se esforçando para ocupar diferentes espaços. “Falamos muito sobre o poder público, mas qual é o meu papel nisso? Quando busco conhecimento e sei o que fazer, eu me fortaleço”, completa. “As mulheres cuidam do território nos mínimos detalhes: cuidam da casa, do trabalho, dos filhos, da família e ainda encontram tempo para cuidar da comunidade. Aqui são mulheres na liderança. Quem olha com preconceito vê uma mulher negra e pobre, e eu estou aqui. Só estou nesse lugar porque tenho capacidade, e vejo que inspiro outras mulheres a se sentirem empoderadas também, a saberem que podem”, completa.
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História
27 fevereiro 2026
“É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”
No Alto Rio Negro, o tempo não se mede apenas em horas, mas em dias de viagem. Entre comunidades separadas por rios extensos, florestas densas e uma das maiores biodiversidades do planeta, chegar a um hospital pode significar uma jornada longa demais para uma criança pequena com diarreia ou uma gestante em situação de risco. É nesse intervalo, entre o surgimento dos primeiros sintomas e a chegada ao atendimento especializado, que a vida, muitas vezes, é decidida.É ali que entram os Agentes Indígenas de Saúde: Maura, Doriendson e Dineia. Eles vivem e trabalham em pontos diferentes do território de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, mas compartilham uma mesma missão: garantir que mães e crianças não fiquem sozinhas diante da doença, da gravidez ou do parto, mesmo onde o acesso aos serviços de saúde é limitado. Seu trabalho se constrói no cotidiano das comunidades, em diálogo direto com o território, a biodiversidade e os modos de vida que dependem do equilíbrio entre rio, floresta, alimento e cuidado.Esse olhar atento ganhou ainda mais força após as formações da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, conhecida como AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF por meio do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal Brasileira”, desenvolvido pelo Fundo Brasil–ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (MPTF), no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto do Rio Negro.Desde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), o Instituto Amazônia Açu (Iaçu), lideranças indígenas e equipes locais de saúde para planejar ações adaptadas aos contextos culturais, linguísticos, ambientais e geográficos das comunidades. O foco é fortalecer o cuidado de base comunitária por meio da estratégia AIDPI Comunitário, reconhecendo o papel central de agentes indígenas de saúde, parteiras, pajés e lideranças comunitárias no cuidado cotidiano das crianças e de suas famílias. Dineia: saberes que nascem do territórioNo distrito de Assunção do Içana, no Alto Rio Negro, o cuidado com gestantes e recém-nascidos começa muito antes de qualquer hospital. Dineia Fernandes Dávila, 48 anos, é parteira-chefe da região e atua há mais de duas décadas acompanhando mulheres durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Seu trabalho se constrói a partir da combinação entre a medicina ocidental e os saberes tradicionais indígenas, profundamente ligados ao território e à biodiversidade local.“A gente usa o remédio do homem branco, os medicamentos que vêm da ciência da cidade, mas ao mesmo tempo usamos os nossos medicamentos tradicionais, são folhas e raízes da floresta”, explica Dineia. Esses saberes incluem práticas de cuidado transmitidas entre gerações, como o uso de chás, ervas, rezas e orientações alimentares no pós-parto, que dependem diretamente da floresta, dos rios e dos recursos naturais disponíveis nas comunidades.Para Dineia, proteger a saúde das mulheres e das crianças passa também por preservar o ambiente que sustenta essas práticas. O conhecimento que ela carrega vem das mulheres mais velhas de sua família e da convivência com outras parteiras: “Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó e com as mulheres mais velhas. É assim que a gente aprende: vivendo e cuidando juntas”.Ao longo dos anos, Dineia acompanhou dezenas de partos em comunidades onde o deslocamento até um hospital pode levar dias: “Aqui a criança nasce no normal. Só quem está em risco é que vai para o hospital.”Nas formações do AIDPI Comunitário, apoiadas pelo UNICEF, Dineia encontrou um espaço de troca entre saberes do seu povo e conhecimentos técnicos da saúde. Em 2025, foram realizadas duas oficinas presenciais, em Assunção do Içana e no Polo Base de Yauaretê, reunindo aproximadamente 100 participantes, entre Agentes Indígenas de Saúde, AISANs, parteiras, pajés e lideranças comunitárias. Nos encontros, são discutidos temas como aleitamento materno, alimentação no pós-parto, sinais de risco na gestação e os impactos da mudança climática no cuidado com mães e bebês. “É uma troca. A gente ensina e aprende”, resume. A mudança global do clima, cada vez mais frequentes na região, já influenciam práticas passadas de geração em geração: “Com a mudança do tempo, hoje a gente já não dá banho no bebê logo que nasce. Espera pelo menos 24 horas”.As formações abordaram o acompanhamento contínuo das crianças, o manejo inicial de diarreia, desidratação, infecções respiratórias e desnutrição, além da organização dos fluxos de encaminhamento. A adaptação do cuidado ao ambiente reforça o papel dos saberes tradicionais como práticas vivas, que se transformam para proteger a saúde das crianças.Além de atuar como parteira, Dineia acompanha o pré-natal em parceria com as equipes de saúde e orienta gestantes sobre alimentação, descanso e cuidados básicos. Para ela, fortalecer o cuidado comunitário é também fortalecer a autonomia das mulheres e reduzir riscos desnecessários. “A gente trabalha como voluntária, com amor e carinho. As pessoas chamam a gente quando precisam. Há, infelizmente, um grande número de jovens grávidas na nossa região que precisam de acompanhamento e informação”, afirma.Para Dineia, investir na formação contínua de parteiras e agentes indígenas de saúde é essencial para garantir que esse cuidado chegue a quem mais precisa, especialmente em um território marcado por longas distâncias e acesso limitado aos serviços especializados. “A capacitação é muito importante e precisa continuar. Hoje ainda precisamos de muito de materiais básicos como tesoura, materiais de parto, botas e bacias, mas com o projeto já conseguimos avançar muito nos cuidados da nossa comunidade”, defende.Maura: observar cedo para agir rápidoMaura Vaz Peixoto, 42 anos, mulher indígena do povo Tucano, conhece bem essa realidade de Dineia. Em sua área, ela percorre casas de duas comunidades, Boca da Estrada e Nova Esperança, como Agente Indígena de Saúde (AIS), parteira e liderança comunitária. Três vezes por semana, ao longo do mês, visita cerca de 38 famílias, acompanhando crianças pequenas, mulheres gestantes e idosos. “Eu faço visita domiciliar, casa por casa. Quando vejo que a criança está fraca, gripada ou com diarreia, eu observo bem. Se pode virar sinal de perigo, eu encaminho rápido”, explica. Esse olhar atento foi fortalecido nas oficinas da AIDPI Comunitário: “Antes, eu só visitava. Hoje eu observo mais. Aprendi a identificar quando a criança pode piorar.”No cuidado diário, ela combina o uso de medicamentos do sistema de saúde com práticas tradicionais, como chás preparados a partir de plantas locais para aliviar sintomas leves e fortalecer o organismo. “A gente usa dois tipos de cuidado: o medicamento dos brancos e o da nossa cultura. Os dois caminham juntos. Aprendemos com outros povos como preparar chás da nossa cultura. Cada região e cada etnia tem seus conhecimentos, nas oficinas de AIDPI a gente também troca essas experiências.”Em um território onde a qualidade da água varia conforme o período de cheias e secas, e onde a biodiversidade influencia diretamente a alimentação das famílias, reconhecer precocemente sinais de desidratação e desnutrição pode significar salvar vidas. “Esse conhecimento eu vou passar para nossas filhas e para nossas noras. São elas que vão cuidar no futuro,” afirma Maura.Doriendson: o cuidado que atravessa distânciasEm outra comunidade no Amazonas, em São Joaquim, Doriendson Felipe Paulino, de 31 anos, da etnia Koripako, enfrenta desafios semelhantes. As casas ficam espalhadas ao longo do rio, e muitas famílias só conseguem chegar ao polo base depois de horas, às vezes dias, de deslocamento.“Quando a criança começa a ter diarreia, se não cuidar logo, pode piorar rápido. Nem todas as crianças, mulheres e idosos falam português. Alguns não entendem, outros têm medo de falar. A gente também ajuda traduzindo e acompanhando”, conta. Nas formações apoiadas pelo UNICEF, ele também aprendeu a orientar as famílias, além de reconhecer quando o caso pode ser acompanhado na comunidade e quando precisa ser encaminhado:“Antes do curso, alguns enfermeiros já tinham me passado orientações básicas, mas com essa capacitação eu me aprofundei mais. Aprendi melhor como acompanhar os pacientes e agir em situações que fogem do normal”. O AIS também acompanha casos mais complexos, como o de um adolescente com epilepsia, cuja família enfrenta dificuldades para manter o uso regular da medicação. “Se ele não toma o remédio no horário certo, a crise vem. A gente acompanha de perto.”Doriendson atua como um elo entre a comunidade e a rede de saúde, ajudando a reduzir deslocamentos desnecessários e garantindo que os casos mais graves cheguem mais rápido ao atendimento especializado. “Esse curso foi fundamental. Seria muito bom ter capacitações como essa todos os anos, para atualizar nossos conhecimentos e ajudar ainda mais a comunidade”.Uma rede que se fortalece com a formaçãoDesde o início do projeto, o UNICEF atua em articulação com o DSEI Alto do Rio Negro, lideranças indígenas e equipes locais para adaptar a estratégia AIDPI Comunitário às realidades culturais, ambientais e geográficas do território. As oficinas utilizam metodologias participativas e práticas, começando com escuta ativa e cartografia do território para identificar riscos, saberes locais e desafios específicos de cada região.Para Maura, Doriendson e Dineia, essas formações ganham sentido no dia a dia, na casa visitada, na criança observada com atenção, na gestante acompanhada desde o início. Esse cuidado se torna ainda mais urgente em um território cada vez mais afetado pela mudança climática. Secas e cheias extremas impactam a qualidade da água, a segurança alimentar e aumentam o risco de doenças de transmissão hídrica, especialmente entre crianças pequenas.Ao fortalecer a identificação precoce de sinais de desidratação e desnutrição e orientar as famílias sobre cuidados preventivos, o projeto contribui para evitar agravamentos evitáveis em regiões onde o hospital pode estar a dias de distância.No Alto Rio Negro, onde o rio é caminho e o tempo é precioso, o cuidado começa antes do hospital. Ele começa na escuta atenta, no olhar treinado e na confiança de quem conhece o território. E é assim, com Maura, Doriendson, Dineia e tantos outros Agentes, que o cuidado chega primeiro. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
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História
26 fevereiro 2026
“Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”
O sonho de Benedita de Jesus Conceição da Costa, de 15 anos, é ser policial ou enfermeira e ela estuda muito para isso. Estudante que havia ficado afastada da escola conseguiu avançar duas séries em um ano.Vinda do interior do Amapá, onde ela morava com a avó, Benedita se mudou para o município de Santana, na região metropolitana de Macapá, no início de 2025, para morar com o irmão mais velho. Como ela tinha ficado fora da escola por dois anos, ela precisou de apoio para retomar seus estudos.Foi inicialmente matriculada no 6º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Prof. Francisco Walcy Lobato Lima e passou a participar da turma do Programa Travessia, que atende 23 estudantes de 13 a 17 anos em situação de distorção idade-série no 6º e 7º ano. Ela avançou tanto nas suas aprendizagens que começou 2026 já no oitavo ano.Lançado em 2020, o Programa Travessia tem como principal objetivo promover o enfrentamento da cultura do fracasso escolar, em especial da distorção idade-ano de estudantes dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental das escolas estaduais do Amapá.A professora de matemática de Benedita, Natally Campos Vilhena, contou que tudo encantava a estudante quando chegou: a escola grande, o contato com crianças da mesma idade, pessoas com quem queria conversar. "Ela é muito alegre, empolgada para estudar", diz a professora. Apesar do entusiasmo, Benedita chegou com muitas dificuldades para ler e escrever e para realizar as operações matemáticas.Com o acompanhamento das professoras de Língua Portuguesa e Matemática, a adolescente começou a avançar no segundo semestre. “Ela começou a vir à minha mesa só para tirar dúvida e voltava para resolver sozinha, fiquei muito impressionada com o desenvolvimento dela", relembra Natally.Benedita reconhece a importância do apoio que teve dos professores da escola: “Fiquei dois anos sem estudar, e quando entrei no Walcy tive um apoio que nem sei como explicar, eu ia na mesa dos professores até saber a resposta. Passar de ano foi aquela alegria, achei o máximo!”.Uma das mudanças que aconteceram no segundo semestre foi a transferência da turma do Travessia para uma sala de aula com cinco mesas redondas, nas quais os estudantes são agrupados considerando as aprendizagens que precisam consolidar, com quatro ou cinco em cada mesa. Essa configuração permitiu que a professora estimulasse maior interação entre os grupos, mudando os estudantes de mesa conforme avançavam.Natally afirma que a transformação de Benedita foi visível. Hoje ela está bem mais confiante, consegue responder perguntas em sala de aula e demonstra estar muito mais feliz.Sobre a estratégia Trajetórias de Sucesso EscolarO programa do governo amapaense faz parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, iniciativa do UNICEF com o objetivo de facilitar um diagnóstico amplo sobre a distorção idade-série e o fracasso escolar no País, e oferecer um conjunto de recomendações para o desenvolvimento de políticas educacionais que promovam o acesso à educação, a permanência na escola e a aprendizagem desses estudantes. O site da estratégia disponibiliza materiais pedagógicos – com as experiências didáticas –, textos, vídeos e dados relativos às taxas de distorção, abandono escolar e reprovação, com recortes por gênero, raça e localidade, que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.Para a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Grupo Profarma e Instituto Claro, e com apoio da Fundação Itaú. A estratégia é desenvolvida em parceria técnica e de implementação com a Roda Educativa. Para saber mais, siga @unicefbrasil nas redes e visite a página das Trajetórias de Sucesso Escolar: https://www.unicef.org/brazil/trajetorias-de-sucesso-escolar-0
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História
23 janeiro 2026
Do desafio à liderança: a floresta e o poder da transformação social
Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde ficam o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu e o Rio Dona Eugênia, Edgar Martins morava a poucos metros da área da reserva natural, um refúgio que o ajudou a mudar de rota e construir uma trajetória de impacto na gestão pública ambiental. O parque está localizado no Maciço do Mendanha, formado pelas serras do Mendanha, Gericinó e Madureira. É composto por 1,1 mil hectares de área protegida da Mata Atlântica, com inúmeras cachoeiras, poços e uma rica biodiversidade. Foi nessa localidade que Edgar encontrou abrigo quando, aos 12 anos, foi aliciado pelo tráfico, um cenário comum na região. O parque se tornou um lugar de fuga da realidade, e foi onde ele conheceu Dona Olga, moradora da comunidade que se preocupou ao vê-lo sempre sozinho. Quando soube o motivo de tanta frequência, ela resolveu ajudá-lo, oferecendo almoço e lanches nas longas jornadas longe de casa. Em forma de agradecimento, Edgar começou a apoiar com tarefas no entorno do parque. A convivência com a natureza acabou despertando seu conhecimento e uma forte conexão com o meio ambiente e com a conservação do local, possibilitando que posteriormente se tornasse um guia mirim. “Foi ali que entendi, ainda bem jovem, que a natureza era meu caminho para me encontrar e encontrar saúde mental. E isso me levou a focar meus estudos no meio ambiente, pela biologia”, ele conta. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Iguaçu e pós-graduado em Gestão Pública e Ambiental, Edgar é perito em Incêndio Florestal e já acumula experiências de atuação na Secretaria de Meio Ambiente de Nova Iguaçu há 20 anos. “Minha história é um exemplo para a juventude de que existem outros caminhos. Passei por muitas dificuldades, minha mãe trabalhava muito, e hoje sou pós-graduado e mestrando em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. É preciso disposição para sair da zona de conforto e fazer a diferença no mundo em que vivemos.” Evitando a poluição dos riosSe o meio ambiente sempre fez parte da vida e da rotina de Edgar, entender o panorama da agricultura no município foi um novo desafio profissional quando assumiu o cargo de Secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Nova Iguaçu, em 2023. A iniciativa do atual subsecretário foi entender as dificuldades dos profissionais de agricultura e de que maneira ele poderia colaborar com novas soluções, já que a região enfrenta problemas de abastecimento de água e grande parte dos produtores recorria ao poço artesiano para a irrigação das plantações. Muitos desses produtores fazem uso da água em regiões que usam sistemas de “sumidouro” como solução para o esgotamento sanitário, composto por paredes vazadas e fundo permeável. Esse tipo de sistema resulta, muitas vezes, na contaminação do lençol freático. Com isso, houve a preocupação das condições da água captada nos poços artesianos e o saneamento básico. A equipe do município de Nova Iguaçu precisou buscar soluções mais sustentáveis – e assim chegou até o edital “Sanear Guandu”, do Comitê de Bacia Hidrográfica Guandu.Assim surgiu a iniciativa Gestão Integrada de Recursos Hídricos em Áreas Protegidas e Rurais, com o objetivo de evitar a poluição dos rios e córregos com a ajuda dos Comitês de Bacias Hidrográficas, investindo no tratamento do esgoto por meio de obras que tragam soluções tanto individuais quanto coletivas, com a participação da comunidade local, oficinas de capacitação e ações de mobilização social. Além disso, a iniciativa também é realizada em parceria com a Empresa Municipal de Limpeza Urbana (EMLURB) e com as mulheres da cooperativa Carolinas de Jacutinga, que ajudam a dar novo destino para o lixo e os materiais recicláveis, gerando renda e impedindo que os resíduos poluam o oceano. O projeto também colabora com a recuperação da vegetação que cresce naturalmente nas margens dos rios, dentro das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e outras regiões mais afastadas. Isso cria corredores ecológicos, evita o assoreamento e protege a fauna e a flora. O plano também conta com campanhas educativas com escolas para conscientizar crianças e adolescentes sobre como cuidar da água e com a colaboração da Defesa Civil para treinar as comunidades em como reduzir os riscos de desastres, principalmente nas áreas mais vulneráveis a enchentes, deslizamentos e incêndios. Desafio dos ODSEm novembro de 2024, a ação da prefeitura de Nova Iguaçu foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) no Concurso de Boas Práticas do Desafio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na categoria ODS 6 e 14 - Uso da água e preservação dos oceanos. Promovido pelo RJ Resiliente, parceria do ONU-Habitat com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Desafio dos ODS mobilizou mais de 500 servidores públicos de 86 municípios e 9 comitês de bacia em torno de um objetivo comum: fortalecer a resiliência climática e acelerar a Agenda 2030 no estado. Ao todo, 43 iniciativas foram submetidas em 6 categorias de premiação, das quais 10 foram premiadas. A categoria vencida por ele destacou iniciativas de promoção da gestão eficiente de recursos hídricos e resíduos, assegurando o acesso à água potável e ao saneamento básico para todas as pessoas, além de proteger as fontes hídricas e os oceanos. Ela está alinhada aos ODS 6: Água e Saneamento e ODS 14: Vida na Água, buscando garantir a disponibilidade e o uso sustentável da água, assim como a biodiversidade dos ambientes marinhos. “Estar no G20, recebendo um prêmio em nome da cidade que eu nasci foi emocionante e gratificante. Relembrei de toda a minha trajetória até aquele momento. Essa é a minha obrigação como gestor público, mas o sentimento é de reconhecimento em ver a cidade de Nova Iguaçu como referência.” “Essa conquista no Desafio dos ODS é fruto do esforço coletivo e do apoio do Sanear Guandu, além do compromisso de muitas pessoas com o desenvolvimento sustentável. Agradeço a todos e todas que contribuíram ao longo do processo e destaco, em especial, o apoio de Frederico Ayres, assessor técnico de Meio Ambiente, cujo trabalho foi fundamental para que esse reconhecimento se tornasse possível”, agradeceu o gestor. Para saber mais, siga o @onuhabitatbrasil nas redes!
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História
15 janeiro 2026
FNDE e ONU avançam na construção de escolas indígenas e quilombolas
Carro emprestado, barco, bicicleta, moto, carona. No Brasil, o caminho para a escola nem sempre foi fácil, especialmente no contexto de comunidades tradicionais localizadas em locais distantes dos centros urbanos e onde a preservação da identidade cultural é também uma forma de resistência.“Eu nasci e me criei aqui. Aprendi a assinar meu nome e parei por aí. A gente não tinha como continuar, por falta de estrutura. Não tinha colégio, não tinha professor”, lembra Raimundo Claudio, 69 anos, indígena do povo Tembé, uma das 391 etnias existentes no país.A realidade descrita por Raimundo era muito comum em comunidades indígenas e quilombolas no Brasil. Com a falta de estrutura física, muitas famílias precisavam levar seus filhos para a cidade, como forma de garantir a continuidade dos estudos. A alternativa, contudo, saia mais cara e acabava por promover a separação das famílias e a perda de costumes e práticas culturais, tão importantes para as comunidades.Esse cenário mudou nos últimos anos, com o avanço de políticas públicas e mais investimentos em infraestrutura escolar - como um caminho para a garantia do acesso à educação e preservação das identidades culturais. Uma iniciativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do Ministério da Educação, com apoio do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), um organismo da ONU especializado em infraestrutura, está acelerando as melhorias nessa área. A parceria prevê a conclusão das obras de 62 escolas indígenas e quilombolas, localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Desse total, 24 obras estão contratadas. “A educação é quase tudo, porque é ela que traz desenvolvimento para a comunidade”, destaca o cacique Nilson Tembé, liderança da Aldeia Indígena Frasqueira, localizada em Capitão Poço, no Pará. “Com a educação, conseguimos formar pessoas - professores, médicos, enfermeiros, dentistas - e essas pessoas podem ocupar os espaços que antes eram dos brancos”, reforça ele.“Essa iniciativa representa uma grande aspiração e esperança de que tenhamos assistência a esses povos, que foram durante muitos anos esquecidos em políticas públicas”, afirma a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba. “E é muito importante que as obras sejam realizadas escutando as comunidades. Os povos tradicionais têm uma cultura muito forte, que precisa ser passada de geração em geração, então estamos fazendo essas obras de modo mais específico, para garantir que as pessoas tenham espaços adequados para a educação.” Escuta, cuidado e adaptaçãoOs processos de escuta começam ainda antes do primeiro tijolo ser colocado. “Neste projeto, a gestão social começa cedo. Desde o momento zero, fazemos contato com lideranças das comunidades indígenas e quilombolas, com professores e diretores escolares e com autoridades de Educação dos municípios e estados”, explica Diogo Cavallari, especialista Nacional em Gestão de Obras pelo UNOPS Brasil.Um grupo de especialistas em gestão social - que são também integrantes de comunidades indígenas e quilombolas - faz acompanhamento periódico com as lideranças, informando sobre os avanços de maneira transparente e objetiva. Na fase de diagnóstico sobre a situação das infraestruturas até então existentes - visto que as obras de algumas escolas já estavam iniciadas -, as comunidades também opinaram sobre as adaptações que poderiam ser feitas , como, por exemplo, o aumento do número de salas (para caber mais turmas) - sem impacto na área total - e a substituição de materiais por outros mais facilmente encontrados no contexto local.As novas escolas serão feitas com materiais que permitem o melhor aproveitamento da luz e da ventilação natural, a produção de energia com placas solares fotovoltaicas e o reuso de água da chuva. “Eu quero fazer curso de direito. Para poder entrar no mundo dos direitos dos povos indígenas, lutar pelos nossos direitos, que muitas vezes são violados”, planeja Zahy Tembé, estudante do ensino médio.Além da conclusão das 62 escolas, o projeto do FNDE com o UNOPS prevê o fortalecimento da gestão de infraestrutura escolar, com ações como aprimoramento de processos e redução de gargalos institucionais. Outra entrega é um novo projeto referencial para obras de escolas indígenas e quilombolas, com tipologias de construção diversas e que permitirão ainda mais facilidade e dinamismo em futuras construções.Para saber mais, leia a matéria do UNOPS e siga @unops_official nas redes!
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Notícias
13 março 2026
Com ONU-Habitat, crianças propõem melhorias para rua de escola em São Gonçalo
Já imaginou uma comunidade projetada por crianças? Esta é a proposta das oficinas participativas de Desenho de Espaços Públicos, uma das metodologias que o ONU-Habitat leva a São Gonçalo (RJ) para entender e qualificar a percepção da população local sobre o bairro onde vivem e frequentam. Realizada no dia 4 de março, a oficina promovida pela Prefeitura de São Gonçalo e pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) reuniu cerca de 30 crianças no CIEP 306 Deputado David Quindere, na comunidade da Ipuca, no bairro Jardim Catarina. A partir de técnicas lúdicas de escuta, cartografia e urbanismo, a metodologia estimula crianças e adolescentes a avaliar, imaginar e projetar melhorias para um espaço público do seu bairro. Suas contribuições ganham forma por meio de uma maquete construída coletivamente. Essas soluções serão transformadas em uma proposta de projeto arquitetônico que vai subsidiar propostas de espaços públicos no âmbito do Programa Periferia Viva, iniciativa do Ministério das Cidades. Na Ipuca, as contribuições das crianças focaram na rua Expedicionário Geraldo Martins Santana, localizada atrás da escola. Para o novo espaço, elas incluíram a construção de ciclovias, bicicletários, limites para circulação de carros, plantio de árvores, conjuntos de bancos e mesas, lixeiras, instalação de brinquedos e iluminação pública adequada.“Fiquei animada porque a gente está ajudando na melhoria do bairro e eu quero só o melhor. Anotei que a gente precisava de mais lixeiras e um campinho poliesportivo para termos mais atividades. Eu sinto que as minhas ideias podem ajudar no bairro e eu gostei da experiência”, conta Thayelle dos Santos, aluna do CIEP 306 Deputado Estadual David Quinderé. "Estamos ouvindo o que os alunos querem e o que esperam no bairro para que as vozes dos moradores, principalmente dos jovens, sejam ouvidas no processo de projetar a cidade. Os desejos dessas crianças vão subsidiar propostas de espaços públicos na Ipuca”, afirma a analista de Programas do ONU-Habitat, Cássia Rodrigues.Oficinas em São GonçaloEm outro ponto do bairro Jardim Catarina, as crianças já puderam conhecer o projeto da nova praça. Dando sequência às oficinas realizadas no final de 2025 no CIEP Anita Garibaldi, a equipe voltou à escola no início de março para apresentar a proposta às crianças participantes. O projeto final será entregue às autoridades locais, para que possam dar encaminhamento."Eu fiquei muito feliz porque é a primeira vez que perguntam algo assim para a gente. A praça ficou muito elaborada, bonita e vai ser mais perto, muito mais legal para ir. Estou muito feliz por pensarem na gente e considerarem nossa opinião”, conta Ana Clara Ferreira, aluna do CIEP Anita Garibaldi. Com o envolvimento da comunidade local, o espaço público pode se tornar mais atrativo, responder às necessidades da população, acolher as diferenças e ser seguro, acessível, confortável e democrático. Assim, surgem novas oportunidades de reduzir desigualdades e criar uma vida melhor para todas as pessoas.Periferia VivaPor meio da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais da Prefeitura de São Gonçalo, o projeto Nova Ipuca foi desenvolvido e selecionado para receber recursos federais do programa Periferia Viva, coordenado pelo Ministério das Cidades. A iniciativa vai contribuir para oferecer serviços públicos e promover uma infraestrutura urbana adequada, incluindo saneamento básico, construção de equipamentos públicos, pavimentação, iluminação pública, áreas de lazer, regularização fundiária e melhorias habitacionais.Fortalece São GonçaloA parceria entre o ONU-Habitat e a Prefeitura de São Gonçalo fortalece a gestão do município para planejar e implementar políticas públicas baseadas em dados, reduzindo as desigualdades e beneficiando ainda mais a população. A iniciativa já implementou metodologias como o Laboratório Urbano Sustentável, que promove um espaço colaborativo para cocriação e avaliação de políticas públicas; as oficinas Cidade Mulher, que promovem a escuta de mulheres e meninas para um diagnóstico de como tornar a cidade um espaço mais seguro; a Capacitação em Gestão Pública Baseada em Dados, que ofereceu treinamentos sobre o uso estratégico de dados na tomada de decisão, planejamento urbano e formulação de políticas públicas mais eficazes e inclusivas; e lançou o Observatório Fortalece São Gonçalo, uma plataforma de dados estabelecida por lei municipal que reúne mais de 130 indicadores sobre áreas como saúde, educação, cultura e ordem pública.Para saber mais, siga @onuhabitatbrasil nas redes! Contato para a imprensa: David Morais, Analista de Comunicação, ONU-Habitat: david.moraisdasilva@un.org
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Notícias
13 março 2026
ONU alerta: Metade das crianças não sabe como denunciar ciberbullying
“Hoje, nos reunimos mais uma vez em um contexto desafiador, no qual as crianças estão pagando o preço mais alto. Sua proteção e bem-estar são prejudicados pelo aumento dos conflitos, deslocamentos, pobreza, violência e múltiplas privações”, afirmou a Dra. Najat Maalla M’jid, Representante Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência contra Crianças, ao abrir um diálogo interativo sobre seu relatório anual no Conselho de Direitos Humanos, nesta terça-feira (10/03) em Genebra.
O relatório destaca tendências alarmantes no ciberbullying, ou bullying virtual, uma das principais preocupações expressas pelas próprias crianças. Uma pesquisa recente realizada pelo Escritório da Representante Especial com mais de 30 mil crianças em todas as regiões do mundo revelou que 66 % consideram que o ciberbullying aumentou e que 1 em cada 2 crianças não sabe onde e como denunciar e obter apoio. Ciberbullying, explica o UNICEF, é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Exemplos incluem: espalhar mentiras ou compartilhar fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais;enviar mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens;se passar por outra pessoa e enviar mensagens maldosas aos outros em seu nome.A IA está transformando fundamentalmente a ameaçaO rápido avanço e a acessibilidade da IA generativa estão remodelando o ciberbullying, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por várias plataformas em grande escala. Isso possibilita deepfakes, alvos automatizados e a manipulação de crianças por meio de chatbots e outras ferramentas nas quais elas muitas vezes confiam demais e não conseguem distinguir da interação humana real. Fotos e vídeos deepfake gerados por IA, inclusive por meio de aplicativos de “nudificação”, são cada vez mais usados para humilhar, ameaçar e explorar crianças on-line.O relatório alerta que as crianças não denunciam facilmente o ciberbullying porque enfrentam estigma, porque não sabem onde denunciar, temem ser rejeitadas por colegas ou julgadas pelos adultos. O impacto do ciberbullying pode ser imediato e devastador, causando sofrimento psicológico e danos duradouros à reputação em segundos. Nos casos mais trágicos, pode levar as crianças a tirarem suas próprias vidas. Participação de todas as pessoas e todos os setores da sociedade é essencial A Dra. Maalla M’jid enfatizou a necessidade de envolver todos os atores do ecossistema de proteção infantil online, incluindo governos, indústria, educadores, famílias, crianças e jovens. Essa é a única maneira de projetar uma estrutura multissetorial com o objetivo de proteger as crianças contra danos online, ao mesmo tempo em que possibilita uma participação virtual segura. Ela destacou a necessidade urgente de garantir que a segurança e a privacidade das crianças sejam incorporadas em todas as plataformas digitais e na cadeia de valor da IA.Em seu relatório anual ao Conselho de Direitos Humanos, a Dra. Maalla M’jid destacou o importante papel das crianças e dos jovens, que devem ser capacitados com pensamento crítico e cidadania digital e envolvidos nas respostas, conforme expresso por uma criança consultada por seu escritório: “Os espaços digitais não devem se tornar locais onde os danos são relatados, mas nunca resolvidos. Devem ser locais onde a ajuda chega de forma rápida, segura e humana. Não criem o futuro digital para as crianças. Façam isso conosco.”Para saber mais, siga @un_violenceagainstchildren e leia o relatório na página do Escritório da Representante Especial da ONU: https://violenceagainstchildren.un.org/en/our-work/annual-reports/human-rights-council Contato para a imprensa: Aniket Pratap Singh, Assessora de Comunicação, Escritório da Representante Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência Contra Crianças: aniket.singh@un.org
O relatório destaca tendências alarmantes no ciberbullying, ou bullying virtual, uma das principais preocupações expressas pelas próprias crianças. Uma pesquisa recente realizada pelo Escritório da Representante Especial com mais de 30 mil crianças em todas as regiões do mundo revelou que 66 % consideram que o ciberbullying aumentou e que 1 em cada 2 crianças não sabe onde e como denunciar e obter apoio. Ciberbullying, explica o UNICEF, é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Exemplos incluem: espalhar mentiras ou compartilhar fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais;enviar mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens;se passar por outra pessoa e enviar mensagens maldosas aos outros em seu nome.A IA está transformando fundamentalmente a ameaçaO rápido avanço e a acessibilidade da IA generativa estão remodelando o ciberbullying, tornando-o mais rápido, mais direcionado, mais difícil de detectar e capaz de se espalhar por várias plataformas em grande escala. Isso possibilita deepfakes, alvos automatizados e a manipulação de crianças por meio de chatbots e outras ferramentas nas quais elas muitas vezes confiam demais e não conseguem distinguir da interação humana real. Fotos e vídeos deepfake gerados por IA, inclusive por meio de aplicativos de “nudificação”, são cada vez mais usados para humilhar, ameaçar e explorar crianças on-line.O relatório alerta que as crianças não denunciam facilmente o ciberbullying porque enfrentam estigma, porque não sabem onde denunciar, temem ser rejeitadas por colegas ou julgadas pelos adultos. O impacto do ciberbullying pode ser imediato e devastador, causando sofrimento psicológico e danos duradouros à reputação em segundos. Nos casos mais trágicos, pode levar as crianças a tirarem suas próprias vidas. Participação de todas as pessoas e todos os setores da sociedade é essencial A Dra. Maalla M’jid enfatizou a necessidade de envolver todos os atores do ecossistema de proteção infantil online, incluindo governos, indústria, educadores, famílias, crianças e jovens. Essa é a única maneira de projetar uma estrutura multissetorial com o objetivo de proteger as crianças contra danos online, ao mesmo tempo em que possibilita uma participação virtual segura. Ela destacou a necessidade urgente de garantir que a segurança e a privacidade das crianças sejam incorporadas em todas as plataformas digitais e na cadeia de valor da IA.Em seu relatório anual ao Conselho de Direitos Humanos, a Dra. Maalla M’jid destacou o importante papel das crianças e dos jovens, que devem ser capacitados com pensamento crítico e cidadania digital e envolvidos nas respostas, conforme expresso por uma criança consultada por seu escritório: “Os espaços digitais não devem se tornar locais onde os danos são relatados, mas nunca resolvidos. Devem ser locais onde a ajuda chega de forma rápida, segura e humana. Não criem o futuro digital para as crianças. Façam isso conosco.”Para saber mais, siga @un_violenceagainstchildren e leia o relatório na página do Escritório da Representante Especial da ONU: https://violenceagainstchildren.un.org/en/our-work/annual-reports/human-rights-council Contato para a imprensa: Aniket Pratap Singh, Assessora de Comunicação, Escritório da Representante Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Violência Contra Crianças: aniket.singh@un.org
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11 março 2026
FIDA destaca financiamento, inovação e juventude na Conferência Regional da FAO em Brasília
O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), organismo especializado das Nações Unidas dedicado à redução da pobreza rural, participou da 39ª Sessão da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (LARC39), realizada entre 2 e 6 de março de 2026, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.A diretora regional do FIDA para a América Latina e o Caribe, Rocío Medina Bolívar, participou como painelista na sessão sobre financiamento para sistemas alimentares inclusivos e resilientes, inaugurada pelo diretor-geral da FAO, Qu Dongyu. O debate reuniu representantes de instituições multilaterais e financeiras, incluindo o Banco Mundial, FONPLATA e CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe, além de representantes de diversos países da região.Durante a sessão, Medina Bolívar destacou a importância de ampliar investimentos e parcerias para fortalecer os sistemas alimentares e promover o desenvolvimento rural sustentável na América Latina e no Caribe:“O financiamento para sistemas alimentares resilientes é essencial para enfrentar desafios como a pobreza rural, as mudanças climáticas e a insegurança alimentar”.No âmbito da conferência, o diretor país do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers, participou do Pavilhão de Soluções Transformadoras, em um painel sobre a resiliência de agricultores familiares na cadeia de valor do café.Durante a sessão, Hameleers ressaltou três pilares fundamentais para o futuro do setor cafeeiro: resiliência climática, integração aos mercados e protagonismo da juventude rural.Atualmente, cerca de 25 milhões de famílias agricultoras produzem aproximadamente 80% do café consumido no mundo, o que evidencia o papel central da agricultura familiar nessa cadeia produtiva. A programação da conferência também contou com a participação do consultor do FIDA e especialista em inovação e inclusão digital, Rodrigo Ferraz, que integrou o painel de lançamento da versão em espanhol do livro “Segurança Alimentar e Nutricional – O Papel da Ciência Brasileira no Combate à Fome”, organizado pela pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria, vencedora do World Food Prize 2025.O livro reúne contribuições de 41 autores de 23 instituições e destaca os avanços da ciência brasileira no desenvolvimento de tecnologias voltadas à produção de alimentos e ao combate à fome.O livro está disponível nas versões em português, inglês e espanhol no site da Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG): Biblioteca Digital da Fundação Alexandre de Gusmão Ao reunir governos, instituições financeiras internacionais e especialistas de diferentes regiões, a Conferência Regional destacou o papel da cooperação internacional e das parcerias para acelerar a transformação dos sistemas alimentares e promover a prosperidade rural.Para o FIDA, ampliar investimentos, fortalecer a agricultura familiar e criar oportunidades para a juventude rural serão fatores decisivos para construir sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes na região.Contato para a imprensa: Ana Lucía Llerena, FIDA: a.llerenavargas@ifad.orgNOTAS A EDITORES: O FIDA é uma instituição financeira internacional e um organismo especializado das Nações Unidas, com sede em Roma, onde se encontra o mecanismo central das Nações Unidas para o setor de alimentação e agricultura. O Fundo investe nas populações rurais e, ao empoderar essas pessoas, contribui para a redução da pobreza, o aumento da segurança alimentar, a melhoria da nutrição e o fortalecimento de sua resiliência. Desde 1978, destinou mais de 25 bilhões de dólares em doações e empréstimos em condições concessionais para financiar projetos em países em desenvolvimento.O escritório regional do FIDA para a América Latina e o Caribe opera na Cidade do Panamá, de onde o Fundo lidera a gestão de programas de desenvolvimento rural, financiamento e apoio às comunidades rurais da região.Na Galeria de Fotos do FIDA, é possível explorar e baixar uma ampla seleção de fotografias que retratam o trabalho do FIDA junto às comunidades rurais.Para mais informações, siga a conta do FIDA em espanhol no X e siga as contas em inglês no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X e YouTube.
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10 março 2026
FAO e Brasil renovam aliança para fortalecer a cooperação Sul-Sul trilateral no Sul Global
O Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinaram, durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, um novo acordo de cooperação técnica Sul-Sul trilateral para continuar trabalhando, juntamente com os governos dos países do Sul Global, pela transformação dos sistemas agroalimentares.Com base em sua bem-sucedida experiência em políticas e programas de combate à fome e à pobreza, o Brasil mantém seu firme compromisso de compartilhar conhecimentos, experiências e lições aprendidas por meio da cooperação Sul-Sul.A FAO conta com mais de 40 anos de experiência como promotora e facilitadora da cooperação Sul-Sul e da cooperação trilateral nas áreas de agricultura, segurança alimentar e nutricional.Com este novo acordo, prevê-se ampliar a participação de instituições brasileiras no intercâmbio de conhecimentos e experiências para o fortalecimento de capacidades de países do Sul Global. Além disso, busca-se implementar novas iniciativas conjuntas e continuar contribuindo para o avanço das agendas regionais e globais que têm como objetivo erradicar a fome e reduzir as desigualdades por meio de políticas inclusivas voltadas aos que mais necessitam.O documento foi assinado na última quinta-feira (05/03) pela diretora-geral adjunta da FAO, Beth Bechdol, e pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Embaixador Ruy Pereira.Ao longo dos últimos 18 anos, a FAO e o Governo do Brasil trabalharam juntos, com foco prioritário na América Latina e no Caribe, compartilhando conhecimentos e boas práticas por meio do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil–FAO.Essa atuação conjunta tem promovido o fortalecimento de capacidades em áreas prioritárias como segurança alimentar e nutricional, alimentação escolar, agricultura familiar, fortalecimento de cadeias produtivas como a do algodão, desenvolvimento rural sustentável e governança da terra. A cooperação técnica de instituições brasileiras tem sido fundamental, juntamente as contribuições da FAO como plataforma neutra, facilitadora e catalisadora de políticas que podem ser adaptadas e ampliadas para outros países.Além disso, foram incorporadas duas novas iniciativas que reforçam a cooperação: uma voltada ao fortalecimento dos sistemas agroalimentares urbanos dirigidos a populações vulneráveis, e outra focada na melhoria dos sistemas públicos de abastecimento de alimentos, ampliando o alcance e o impacto da cooperação na região.ResultadosAo longo da trajetória de cooperação entre a FAO e o Brasil, foram alcançados importantes resultados na América Latina e no Caribe, entre os quais se destacam:A capacitação de mais de 40 mil profissionais em alimentação escolar, com impacto direto em 1,6 milhão de estudantes de mais de 23 mil escolas, por meio da metodologia de Escolas Sustentáveis.A criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), que atualmente reúne 18 países e promove o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de políticas públicas na região.O fortalecimento de sistemas produtivos diversificados no âmbito do Projeto +Algodão, com a participação de mais de 100 instituições cooperantes. A iniciativa já beneficiou mais de 14 mil famílias e cerca de 10 mil produtores, ampliando o acesso à inovação, aos mercados e contribuindo para a melhoria da renda rural.O avanço na modernização dos sistemas de informação sobre a terra na América Latina e no Caribe, por meio do intercâmbio de experiências e boas práticas em governança territorial e uso sustentável dos recursos naturais.O fortalecimento de políticas públicas para a agricultura familiar no âmbito da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do MERCOSUL (REAF).O apoio ao fortalecimento da resiliência de países do Corredor Seco da América Central frente à mudança climática, por meio da introdução de inovações nos sistemas produtivos.O incentivo à inclusão de mulheres e jovens, promovendo sua participação nos diferentes projetos.Alianças estratégicasA atuação na região tem contado com a participação de pelo menos 13 instituições brasileiras que compartilham experiências e políticas públicas bem-sucedidas, promovem o intercâmbio de boas práticas e fortalecem redes e espaços de diálogo sobre políticas públicas em nível regional e sub-regional, gerando benefícios mútuos entre os países do Sul Global.Entre as instituições participantes estão o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização de Terras (Empaer-PB) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Confira mais informações sobre os resultados da cooperação na América Latina e no Caribe:A trajetória da cooperação entre Brasil e FAO na América Latina e no Caribe: uma aliança histórica na promoção do desenvolvimento sustentável e da segurança alimentar na regiãoCooperação Sul-Sul e triangularAgência Brasileira de CooperaçãoPara saber mais, siga @FAOBrasilCoop no X e visite a página do Programa de Cooperação FAO-Brasil: https://www.fao.org/in-action/programa-brasil-fao/pt/
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09 março 2026
ONU oferece bolsas para jovens jornalistas cobrirem a Assembleia Geral em Nova Iorque
Estão abertas as inscrições para o Programa de Bolsas para Jornalistas Memorial Reham Al-Farra (RAF), uma oportunidade única para jornalistas e outros profissionais de comunicação de países em desenvolvimento acompanharem de perto o trabalho das Nações Unidas. Criado em 1981, o programa já beneficiou mais de 670 jornalistas de 168 países, proporcionando acesso exclusivo a sessões com altos funcionários da ONU, briefings especializados e cobertura da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, o epicentro da diplomacia mundial. O programa é destinado a jornalistas de 22 a 35 anos, fluentes em inglês, que trabalhem em veículos de comunicação em países em desenvolvimento, tenham interesse no trabalho das Nações Unidas e alguma experiência em produzir conteúdo sobre questões-chave para a Assembleia Geral, como direitos humanos, mudança climática, desenvolvimento sustentável, multilateralismo e diplomacia internacional. Benefícios e atividadesPessoas selecionadas receberão o custeio das passagens aéreas para Nova Iorque e uma ajuda de custo diária para cobrir despesas com hospedagem, alimentação e transporte local. Durante as três semanas de imersão, além da cobertura direta da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral, participantes terão a oportunidade de acompanhar o dia a dia da diplomacia multilateral, briefings especializados e participar de coletivas de imprensa.
Além da cobertura oficial das atividades da sede da ONU, a iniciativa promove intercâmbio com organizações e empresas de comunicação renomadas, como o The New York Times e o The Wall Street Journal e da agência de jornalismo investigativo ProPublica.O legado de Reham Al-FarraO programa foi criado em 1981 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo inicial de capacitar profissionais de comunicação de países em desenvolvimento. Em 2003, o programa foi renomeado em homenagem a Reham Al-Farra, uma oficial de informação jordaniana de 29 anos que foi uma das vítimas do atentado terrorista à sede da ONU em Bagdá.Ao longo de mais de quatro décadas, o programa tem cumprido o papel de perpetuar o compromisso de Al-Farra com a comunicação pública, oferecendo a jovens talentos a chance de observar a diplomacia internacional de um ângulo privilegiado e levar essa experiência para seus países e suas comunidades.Participação do BrasilEm 2024, a jornalista Bárbara Nóbrega, da editoria de Internacional da GloboNews, foi uma das participantes do Programa Memorial Reham Al-Farra. "Durante o programa, tive a chance de aprender diretamente com autoridades da ONU e acompanhar de perto a abertura da Assembleia Geral. Assisti aos discursos do secretário-geral António Guterres e de líderes mundiais como Lula e Joe Biden. Além disso, moderei painéis sobre refugiados e missões de paz, ao lado de altos representantes da organização", relembra.Por meio de atividades online e/ou presencial, jornalistas têm a oportunidade de cobrir a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. Bárbara destaca que essa imersão no coração das discussões globais ampliou sua visão sobre o papel da ONU e o impacto do jornalismo internacional."Ver de perto as grandes decisões sendo tomadas e poder reportar sobre elas com conhecimento aprofundado foi inesquecível. É uma experiência que todo jornalista deveria viver", afirma. Como participar?As candidaturas devem ser enviadas exclusivamente por meio do formulário on-line. É necessário preparar documentos como amostras de trabalho (portfólio), carta de recomendação e comprovante de vínculo profissional.O formulário de inscrição está disponível em https://www.un.org/en/raf/application2026.O prazo final para envio de candidaturas é 3 de abril de 2026.Para mais informações, acesse a página de respostas a dúvidas frequentes e visite a página oficial do programa: https://www.un.org/en/raf
Além da cobertura oficial das atividades da sede da ONU, a iniciativa promove intercâmbio com organizações e empresas de comunicação renomadas, como o The New York Times e o The Wall Street Journal e da agência de jornalismo investigativo ProPublica.O legado de Reham Al-FarraO programa foi criado em 1981 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo inicial de capacitar profissionais de comunicação de países em desenvolvimento. Em 2003, o programa foi renomeado em homenagem a Reham Al-Farra, uma oficial de informação jordaniana de 29 anos que foi uma das vítimas do atentado terrorista à sede da ONU em Bagdá.Ao longo de mais de quatro décadas, o programa tem cumprido o papel de perpetuar o compromisso de Al-Farra com a comunicação pública, oferecendo a jovens talentos a chance de observar a diplomacia internacional de um ângulo privilegiado e levar essa experiência para seus países e suas comunidades.Participação do BrasilEm 2024, a jornalista Bárbara Nóbrega, da editoria de Internacional da GloboNews, foi uma das participantes do Programa Memorial Reham Al-Farra. "Durante o programa, tive a chance de aprender diretamente com autoridades da ONU e acompanhar de perto a abertura da Assembleia Geral. Assisti aos discursos do secretário-geral António Guterres e de líderes mundiais como Lula e Joe Biden. Além disso, moderei painéis sobre refugiados e missões de paz, ao lado de altos representantes da organização", relembra.Por meio de atividades online e/ou presencial, jornalistas têm a oportunidade de cobrir a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. Bárbara destaca que essa imersão no coração das discussões globais ampliou sua visão sobre o papel da ONU e o impacto do jornalismo internacional."Ver de perto as grandes decisões sendo tomadas e poder reportar sobre elas com conhecimento aprofundado foi inesquecível. É uma experiência que todo jornalista deveria viver", afirma. Como participar?As candidaturas devem ser enviadas exclusivamente por meio do formulário on-line. É necessário preparar documentos como amostras de trabalho (portfólio), carta de recomendação e comprovante de vínculo profissional.O formulário de inscrição está disponível em https://www.un.org/en/raf/application2026.O prazo final para envio de candidaturas é 3 de abril de 2026.Para mais informações, acesse a página de respostas a dúvidas frequentes e visite a página oficial do programa: https://www.un.org/en/raf
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