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28 agosto 2026
Guterres: “O mundo nunca mais deve testemunhar outra explosão nuclear”
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27 agosto 2026
“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar”
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27 agosto 2026
PNUD e Trata Brasil formalizam parceria de apoio à campanha Voto no Saneamento
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo a fim de que possamos atingir a Agenda 2030 no Brasil.
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27 agosto 2026
Iniciativa de restauração do Cerrado ganha Prêmio da ONU
O Cerrado brasileiro acaba de receber um dos mais importantes reconhecimentos globais para projetos de recuperação de ecossistemas!A iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida nesta quarta (26) como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial, prêmio liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Com esse reconhecimento, o Brasil se torna o único país a contar com duas Iniciativas de Referência da Restauração Mundial. As 30 iniciativas reconhecidas pela ONU desde 2022 somam quase 20 milhões de hectares em restauração e compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, além de gerar mais de 800 mil empregos. A Araticum reúne mais de 180 organizações, incluindo Povos Indígenas, Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores e governos, com a meta de restaurar 2 milhões de hectares do Cerrado até 2030. Os resultados já mostram a força da ação coletiva: ✅ Mais de 27 mil hectares já foram mapeados para restauração.
✅ Sementes de mais de 150 espécies nativas já foram coletadas e utilizadas.“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças”, destacou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Para saber mais, siga @unep_pt nas redes e acompanhe a cobertura da ONU News em português.
✅ Sementes de mais de 150 espécies nativas já foram coletadas e utilizadas.“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças”, destacou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Para saber mais, siga @unep_pt nas redes e acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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Notícias
20 agosto 2026
ONU abre inscrições para eventos durante a Conferência da Década do Oceano de 2027 no Rio de Janeiro
A Conferência da Década do Oceano de 2027 convoca instituições e parceiros interessados em liderar Eventos Especiais nos dias 5 e 6 de abril de 2027. Organizada pelo Brasil e pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, a Conferência das Nações Unidas será realizada no Rio de Janeiro.O encontro deverá reunir aproximadamente 3 mil participantes, entre representantes de governos, entidades das Nações Unidas, organizações intergovernamentais, instituições científicas, sociedade civil e setor privado.“Os Eventos Especiais são um dos momentos-chave em que a Conferência da Década do Oceano realmente ganhará vida. É aqui que as instituições podem trazer seu conhecimento compartilhado, suas parcerias e suas contribuições para as Soluções da Década do Oceano para a discussão na Conferência, ajudando a moldar o que levaremos adiante do Rio até 2030 e além”, disse o coordenador global da Década do Oceano na COI, Julian Barbière.A Conferência será o ponto alto da Década da ONU do Oceano em 2027, um programa de uma semana que reunirá Eventos Especiais, reuniões técnicas, exposições, oportunidades de networking e atividades de engajamento público, de 5 a 9 de abril de 2027.Eventos EspeciaisUm Evento Especial consiste em um dia inteiro de atividades dedicado a uma das oito Soluções da Década do Oceano ou a uma região oceânica. Cada evento temático ou regional poderá incluir workshops, palestras científicas, discussões sobre políticas públicas, treinamentos, exposições, apresentações culturais, mostras de inovação e diálogos com jovens e povos indígenas, entre outros.Esses eventos não são atividades paralelas ao programa da Conferência. Eles integram o programa oficial da Semana da Década do Oceano e da Conferência, e seus resultados contribuirão diretamente para os resultados e o legado do encontro.Os Eventos Especiais estarão alinhados à estrutura das Soluções da Década do Oceano, organizados em eixos temáticos, regionais e transversais.Os eixos temáticos são: Vida MarinhaSaúde do OceanoResiliência CosteiraSistemas Alimentares OceânicosEconomias OceânicasInformação e Serviços OceânicosInvestimento OceânicoCompetências e Inspiração OceânicasConsulte a Nota de Orientação sobre Eventos Especiais para obter mais informações e todos os detalhes sobre a chamada.Quem pode se inscrever?Estão abertas as inscrições para governos, entidades da ONU, organizações intergovernamentais, instituições de pesquisa, organizações não governamentais, fundações, organizações regionais, entidades do setor privado e parcerias multissetoriais. Inscrições conjuntas são fortemente incentivadas.Será dada atenção especial às propostas que demonstrem participação significativa de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Países Menos Desenvolvidos, povos indígenas, profissionais em início de carreira na área oceânica, jovens, regiões sub-representadas e instituições e parceiros brasileiros.As inscrições devem ser enviadas por meio do portal online até 31 de agosto de 2026 e serão avaliadas continuamente. A previsão é que as iniciativas selecionadas sejam confirmadas em setembro de 2026. Sobre a Década dos OceanosProclamada em 2017 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), conhecida como Década do Oceano, busca estimular a ciência oceânica e a geração de conhecimento para reverter o declínio do estado do sistema oceânico e catalisar novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável do ecossistema marinho.A Década do Oceano oferece uma estrutura de articulação para que cientistas e partes interessadas desenvolvam o conhecimento científico e as parcerias necessárias para acelerar e aproveitar os avanços na ciência oceânica. O objetivo é ampliar a compreensão sobre o sistema oceânico e oferecer soluções baseadas na ciência para contribuir com o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A Assembleia Geral da ONU encarregou a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO de coordenar os preparativos e a implementação da Década.Para saber mais, acesse a página da Década do Oceano e siga @unoceandecade e @decadacienciaoceanica nas redes sociais.
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17 agosto 2026
ONU News entrevista novo coordenador residente da ONU no Brasil
A prioridade do novo líder da ONU Brasil, Igor Garafulic, é construir pontes entre a sociedade e o setor público para garantir um futuro mais justo e verde. Liderando 3,5 mil profissionais nas 25 entidades das Nações Unidas que atuam no Brasil, o novo coordenador residente aposta na força das parcerias multissetoriais para acelerar o desenvolvimento sustentável. Com quase 30 anos de experiência na ONU, Igor Garafulic já serviu em países como Azerbaijão, Honduras, Guatemala, Paraguai e Peru. Antes de ingressar nas Nações Unidas, o Garafulic foi governador da Região Metropolitana de Santiago, no Chile. Também exerceu funções de alto nível nas áreas econômica e diplomática no governo chileno, incluindo a liderança das negociações agrícolas de livre comércio com China, Japão e Coreia, além do cargo de diretor de Assuntos Econômicos Multilaterais no Ministério das Relações Exteriores.Garafulic substitui a engenheira uruguaia Silvia Rucks, que liderou o trabalho da ONU no Brasil até o início deste ano e foi o ponto focal para a realização da COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Belém do Pará.Em entrevista exclusiva à ONU News, o novo líder do Sistema da ONU no Brasil destacou a atuação estratégica da organização no país, priorizando o desenvolvimento sustentável e a proteção da região amazônica. Para saber mais, leia a matéria completa da ONU News e siga @ONUNews e @ONUBrasil nas redes sociais!
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História
11 agosto 2026
“Chega de exploração. Chega de saques.”
À medida que a demanda global por minerais críticos aumenta, é necessário garantir que comunidades locais também se beneficiem das oportunidades econômicas e dos meios de subsistência que elas mesmas proporcionam à economia mundial. A ONU tem trabalhado com parceiros nacionais e comunitários em todo o mundo para garantir que os minerais críticos também gerem empregos, capacitação e benefícios locais. Em seu discurso ao Conselho de Segurança em 22 de julho de 2026, o secretário-geral António Guterres cobrou compromisso com a responsabilidade social e com práticas sustentáveis num momento em que um número cada vez maior de nações buscam capitalizar o potencial dos recursos minerais para o desenvolvimento.“Devemos garantir que o desenvolvimento do setor mineral gere resultados justos e sustentáveis para os países e para as comunidades dotadas de recursos naturais.” Na sessão do Conselho de Segurança sobre a manutenção da paz e da segurança internacionais com foco na “Governança dos recursos naturais: O fundamento da paz, segurança e prosperidade”, o líder das Nações Unidas enfatizou:“É hora de romper com o antigo padrão, em que os recursos são extraídos, o valor é capturado em outros lugares e as comunidades empobrecidas são deixadas para trás, tendo de lidar com os danos ambientais e socioeconômicos.” Com o agravamento da crise climática, a demanda global por minerais críticos para tecnologias de energia limpa – como lítio para veículos elétricos ou selênio para células solares – deve triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040, conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE).Lançado em outubro de 2025, o relatório do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) enfatiza que o financiamento da mineração responsável será fundamental para uma transição energética bem-sucedida e justa. “A demanda por minerais e metais necessários para a transição energética requer uma indústria de mineração que contribua para o desenvolvimento sustentável, respeitando os direitos humanos e o meio ambiente. Por meio de finanças sustentáveis, a mineração responsável pode se tornar o padrão, não a exceção”, disse o copresidente do Painel Internacional de Recursos, Janez Potočnik. Desde 1970, o volume de extração mineral quintuplicou, e a expectativa é que o segmento de minerais essenciais para a transição energética mantenha uma rápida trajetória de crescimento.Apenas no ano de 2023, a busca por insumos como cobalto, grafite, níquel e elementos de terras raras registrou crescimentos de 8% a 15%. Além disso, é estimado que a procura por lítio até o ano de 2050 vai corresponder a 9 vezes o volume total produzido globalmente em 2022. O relatório de setembro de 2024 do Painel do Secretário-Geral da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética enfatizou que o aproveitamento de minerais críticos requer novas abordagens, priorizando a justiça, equidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor dos minerais críticos – desde a mineração, refino e fabricação, até o transporte e reciclagem.A mensagem do secretário-geral aos membros do Conselho de Segurança, em julho deste ano, foi enfática: “O desafio é transformar a forma como os recursos naturais são extraídos, processados, comercializados e utilizados – garantindo que muito mais valor agregado seja retido pelos países produtores e pelas comunidades afetadas. Chega de exploração. Chega de saques.”“E devemos privar os grupos armados e as redes criminosas das rendas que alimentam conflitos prolongados. Se não agirmos, a exploração ilícita dos recursos naturais continuará a alimentar a desigualdade, a instabilidade e a violência”, enfatizou Guterres. Descubra mais: Sobre o Painel do Secretário-Geral sobre Minerais Críticos: Criado pelo secretário-geral da ONU em abril de 2024, o Painel sobre Minerais Críticos para a Transição Energética reuniu governos, setor privado, organizações internacionais e sociedade civil para desenvolver princípios comuns que promovam cadeias de valor minerais justas, sustentáveis e transparentes. Entre as principais recomendações do relatório final do Painel estão: agregar mais valor localmente nos países produtores, fortalecer a rastreabilidade e a transparência das cadeias de suprimento e garantir benefícios econômicos, sociais e ambientais às comunidades afetadas pela mineração.Sobre o Painel Internacional de Recursos (IRP): O IRP foi lançado em 2007 pelo PNUMA para estabelecer uma interface ciência e política sobre o uso sustentável dos recursos naturais e, em particular, seus impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida. O Painel é composto por atores governamentais, da indústria e da sociedade civil e liderado conjuntamente pela equipe de ação climática do Secretariado da ONU, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O Painel estuda questões-chave sobre o uso global de recursos e produz relatórios de avaliação sobre as mais recentes descobertas científicas, técnicas e socioeconômicas para informar a tomada de decisões.Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português.
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24 abril 2026
Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz
O multilateralismo faz parte do DNA das Nações Unidas.
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História
27 agosto 2026
“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar”
“Meu país começou a sofrer uma crise muito forte e isso fez com que muitos indígenas saíssem de seus contextos deixando tudo, em muitos casos deixando comunidades vazias e eu também tive que migrar”.De origem Warao, a venezuelana está há três anos no estado de Roraima, se adaptando e traçando novos planos para sua vida e sua família, sem deixar de pensar no desenvolvimento de sua comunidade.Aos 44 anos, atualmente ela mora com seus pais e um de seus três filhos na comunidade Warao Janoko, localizada no município de Cantá (RR). Nesse contexto, Rosmery assumiu, assim como tantas outras mulheres refugiadas e migrantes, a responsabilidade de cuidar dos familiares que vivem com ela, já que seus pais são pessoas idosas. A comunidade, que é formada por famílias das etnias Warao e Kariña, sobrevive da agricultura, embora considerem que a terra não esteja apta para isso. Da produção familiar, Rosmery garante os alimentos diários e parte do sustento financeiro.Rosmery expressa o que significou essa mudança: “Para migrar você tem que aceitar sua realidade e deixar tudo o que você era para trás. Na Venezuela fui professora com 25 anos de serviço. Cobri todos os níveis de educação, desde educação inicial até a etapa universitária. Chegar ao Brasil foi uma mudança muito profunda e brusca”, afirma.“Busco que a minha vida no Brasil seja ativa e criativa. Por isso desde que cheguei, realizo alguns cursos e isso me ajudou a começar o meu próprio negócio, que é uma padaria”, conta. Rosmery foi aluna em cursos de Português, confeitaria, ajudante de cozinha, gastronomia e panificação, ofertados por projetos implementados por diferentes organizações, entre elas a ONU Mulheres, o ACNUR e o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). O pequeno negócio de Rosmery começou a funcionar este ano, após dois anos de planejamento e organização financeira. “Meu principal objetivo é fazer com que a minha comunidade, a comunidade Warao a Janoko, se desenvolva e seja vista como um lugar turístico. Começamos com essa padaria familiar e logo ela apoiará outras oportunidades de desenvolvimento”, explica. O fortalecimento da sua comunidade no Brasil é uma das principais motivações de Rosmery. A importância do seu engajamento para esse objetivo, fez com que ela estivesse em Brasília (DF), ao lado de outras 15 mulheres indígenas venezuelanas de diferentes etnias, durante o Acampamento Terra Livre (ATL). Durante o acampamento, Rosmery foi uma das vozes que levantou as demandas e necessidades das mulheres refugiadas e migrantes em diferentes agendas de articulação com organizações indígenas brasileiras e com representantes do governo federal. A participação do grupo de mulheres indígenas refugiadas e migrantes no ATL foi possível através do programa conjunto realizado por ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, com o apoio do Governo de Luxemburgo, que visa o desenvolvimento de políticas públicas sensíveis aos direitos humanos e ao gênero, que atendam as necessidades diferenciadas de mulheres refugiadas e migrantes e de outros grupos de pessoas que enfrentam múltiplas formas de discriminação.Para Rosmery, representar sua comunidade e desenvolver formas para que ela prospere em outro território é uma forma de garantir seus direitos individuais e coletivos:“Migrar é um direito e como indígenas também podemos migrar, porque é um direito internacional. Ao ser migrante, não é possível que nos coíbam de muitos direitos que nos correspondem como humanos”, ressalta.Para saber mais, acompanhe a série #BrasilAcolhedor nas redes sociais da @onubrasil!
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História
24 agosto 2026
Juventude transforma realidades no UNOPS
A quatro mil quilômetros de casa, a jovem arquiteta Talia Fernandes, de 25 anos, encontrou seu verdadeiro propósito. Nascida em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, ela atravessou o Brasil com destino ao Rio Grande do Sul para cursar o mestrado em Planejamento Urbano. Longe da família e da terra natal, a vontade de aplicar seu conhecimento em cidades devastadas por catástrofes climáticas falou mais alto e a levou a seu primeiro posto no Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). A jovem, que ingressou na organização como estagiária, hoje ocupa uma vaga regular e ajuda a monitorar de perto a recuperação de 101 unidades de saúde que foram afetadas pelas enchentes no RS no ano passado. Anteriormente, Talia sentiu a frustração com o trabalho em escritórios de arquitetura tradicionais, mas, na ONU, descobriu o valor real e prático da sua profissão. “Não é porque eu sou jovem que a minha opinião não importa. Aqui, eu me sinto muito valorizada como profissional”, destaca a arquiteta.A história de Talia reflete o tema do Dia Internacional da Juventude de 2026: “Contextos diferentes, aspirações comuns”. No UNOPS, escritório da ONU especializado em infraestrutura, 45 jovens atuam nas equipes espalhadas em todo o Brasil. Para alguns deles, a trajetória exigiu ainda mais superação. É o caso da engenheira Kércia dos Santos, 30 anos. Aos 17, ela deixou a zona rural no interior da Bahia e desembarcou em Brasília com apenas uma cesta básica e muitos sonhos. Aluna de escola pública e beneficiária de políticas públicas para acesso a transporte e alimentação, ela superou muitos obstáculos. Tornou-se a primeira pessoa da sua família inteira a conquistar um diploma de curso superior e, ao escolher a Engenharia Civil, abriu seu próprio espaço, construindo um legado em uma área tradicionalmente masculina. Hoje, atua como coordenadora de obras em um dos projetos mais complexos do UNOPS, a finalização das obras de escolas em comunidades indígenas e quilombolas afastadas dos grandes centros urbanos.“Se a minha trajetória puder fazer com que outra menina do interior olhe para a Engenharia e pense 'eu também posso chegar lá', isso já tem um significado enorme para mim”, declara a coordenadora.Por trás de cada obra monitorada por Kércia e Talia, existe uma outra frente essencial para que todo o trabalho do escritório aconteça: a área de operações. Sem o suporte técnico e o cuidado humano nos bastidores, nenhum projeto sai do papel. Gabriel Bezerra, de 26 anos, atua diariamente de forma essencial para que esse processo aconteça. Morador de uma área periférica de Brasília, o jovem cresceu longe de qualquer incentivo e atuar na ONU parecia restrito às telas de televisão.“Eu nunca iria imaginar que teria um escritório da ONU aqui em Brasília. Vindo de escola pública, isso nunca foi uma conversa que eu tive”, confessa Gabriel.Há quatro anos atrás, ele ingressou como estagiário de Tecnologia da Informação (TI) e sofreu um enorme choque cultural em um ambiente tão multicultural. O convívio transformou sua visão de mundo de maneira profunda. Ele relata que os debates sobre gênero, diversidade e inclusão dentro do escritório o auxiliaram a ter uma nova visão de mundo. Profissionalmente, apesar da insegurança, teve a oportunidade de inovar. Gabriel, mesmo tão jovem, desenvolveu um aplicativo capaz de automatizar as demandas de trabalho de uma tarde inteira em apenas 15 minutos e, com dedicação, assumiu a liderança de TI para os escritórios do UNOPS no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Inspirado na trajetória dos colegas, Gabriel iniciou um mestrado, um plano antes inexistente em sua vida. “Saber que o seu trabalho faz a diferença, desde a troca de um mouse até a compra de computadores para uma escola indígena, traz uma motivação, uma vontade de acordar com um propósito”, expressa o especialista em TI. Na operação dos Recursos Humanos, Amanda Louize, com 25 anos, apoia a seleção das equipes responsáveis por transformar vidas em todo o Brasil. Formada em Relações Internacionais, ela sofreu com rejeições sucessivas em processos seletivos na época da pandemia. O sonho de integrar as Nações Unidas parecia um objetivo distante, que somente aconteceria após anos de experiência. No entanto, esse sonho não demorou tanto quanto ela imaginava para ser realizado. Amanda entrou no UNOPS como estagiária e encontrou no setor de RH o fim das incertezas. Hoje, ela trabalha em todas as etapas dos processos de seleção de equipes do escritório e encontrou a sua vocação no trabalho: ter contato com pessoas.“Eu vivo a realidade que a Amanda de 17 anos sonhava. É uma baita responsabilidade, pois a gente lida com o sonho das pessoas”, destaca a assistente.A determinação de Talia, a força de Kércia, a superação de Gabriel e a vocação de Amanda ilustram a essência e as aspirações dos jovens profissionais que trabalham na ONU no Brasil. Mais do que um brilho no olhar, eles compartilham a mesma vontade incansável de deixar um legado no que constroem cotidianamente. Com passados e realidades tão distintas, esses jovens profissionais contribuem, cada um a seu modo, com a mudança, com a promoção da igualdade e com a superação de desafios. São as pessoas que ajudam a construir o Brasil do futuro, no presente.Para saber mais, siga @onubrasil e @unops_official nas redes sociais!
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História
17 agosto 2026
“O diagnóstico não define a criança”
A Jade (Jogos de Aprendizagem para Desenvolvimento Educacional), iniciativa de aprendizagem baseada em jogos digitais para crianças neurodivergentes, foi reconhecida pelo Prêmio Global da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) de 2026. Fundada em 2018, no Espírito Santo, a iniciativa utiliza tecnologia e acompanhamento individualizado para apoiar o desenvolvimento cognitivo e a inclusão pedagógica de crianças e adolescentes neurodivergentes.Tecnologia e inclusão: acompanhamento individualizadoA ideia surgiu quando Ronaldo Cohin, ao acompanhar o crescimento do filho, percebeu a escassez de especialistas e o alto custo do atendimento voltado a crianças neurodivergentes. Em 2018, fundou a Jade App, com a proposta de utilizar jogos digitais para compreender melhor as necessidades de cada criança e apoiar seu desenvolvimento.“Nosso intuito é usar as decisões da criança durante os jogos para entendermos as funções executivas e onde estão causando um atraso na educação. A partir dessa verificação, geramos uma série de atividades especificamente para aquela criança”, contou Ronaldo Cohin em entrevista ao Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).O aplicativo utiliza uma metodologia de ensino voltada ao desenvolvimento cognitivo de pessoas neurodivergentes, por meio de associações entre palavras, objetivos e figuras. Durante as atividades, a ferramenta coleta dados sobre o que a criança faz, por quanto tempo e de que maneira realiza cada tarefa. Essas informações permitem mensurar aspectos relacionados às funções executivas e identificar possíveis fatores associados a dificuldades no desenvolvimento escolar. A proposta não substitui o diagnóstico nem o acompanhamento de profissionais especializados. Em vez disso, busca oferecer informações que contribuam para uma compreensão mais individualizada das necessidades de cada aluno e orientar atividades voltadas ao desenvolvimento de suas habilidades cognitivas.“O olhar individualizado precisa existir. O diagnóstico não define a criança”, afirma Ronaldo.A partir desses recursos, a Jade ND busca aproximar famílias, educadores e crianças de uma compreensão mais ampla e individualizada das dificuldades de aprendizagem. “Muitas vezes as famílias não têm suporte mínimo”, afirma Ricardo. As soluções desenvolvidas pela iniciativa apoiam crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, discalculia, deficiência intelectual, síndrome de Down e dislexia. Também podem ser utilizadas por crianças e adolescentes que precisam desenvolver habilidades como atenção, flexibilidade mental, memória auditiva, controle de impulsos, raciocínio lógico, reconhecimento emocional e velocidade de processamento.Além da Jade App, a iniciativa reúne atualmente outras soluções, como a Jade Edu, Jade Academy e Jade Astea. Juntas, elas ampliam a atuação da empresa na inclusão pedagógica e na avaliação cognitiva, conectando diferentes espaços de aprendizagem– da sala de aula ao ambiente familiar. Atualmente, a Jade apoia mais de 220 mil crianças em mais de 179 países.“Colher os frutos que a tecnologia nos dá, respeitando as recomendações médicas, da ciência e da proteção de dados, é um ganho muito grande”, disse Ronaldo ao UNIC Rio. Sobre o Prêmio Global da OMPIO Prêmio Global da OMPI reconhece, anualmente, pequenas e médias empresas (PMEs) e startups que demonstram excelência no uso da propriedade intelectual para levar produtos ao mercado, melhorar vidas e gerar empregos.“As PMEs constituem a maioria das empresas em todos os países, impulsionando o crescimento, gerando empregos e, muitas vezes, promovendo as inovações mais disruptivas. No entanto, a maioria ainda não tem consciência do poder da propriedade intelectual como ferramenta de negócios”, disse o diretor-geral da OMPI, Daren Tang. A iniciativa da OMPI busca contribuir para um mundo em que os direitos de propriedade intelectual apoiem a inovação e a criatividade em qualquer lugar, para o benefício de todas as pessoas. Os prêmios são definidos por um júri independente e reconhecem empresas de menor porte que contribuem para o progresso e para a melhoria da vida das pessoas.Em 2026, um júri internacional selecionou onze vencedores entre 1.300 inscrições de 126 países. A avaliação considera planos de negócios, estratégias e cultura interna de propriedade intelectual, além da contribuição das iniciativas para o enfrentamento de desafios sociais.O diretor-geral da OMPI, Daren Tang, entregou, em julho, os prêmios aos representantes dos vencedores em uma cerimônia realizada durante a Assembleia Geral dos Estados-membros da OMPI, em Genebra, na Suíça. As iniciativas vencedoras também recebem um programa de mentoria personalizado para ajudá-las a utilizar a propriedade intelectual em prol do crescimento da empresa, além de apoio para facilitar o acesso a financiamento e oportunidades de negócios. Para saber mais, siga @wipo nas redes e acesse a página da OMPI para o Brasil: https://www.wipo.int/pt/web/office-brazil
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História
07 agosto 2026
“A luta indígena é a luta de todos”
Aos 53 anos, Alida se reconhece, com firmeza, como uma liderança indígena Warao.“Hoje sou uma líder de verdade. E não é porque sou boa, mas porque faço acontecer. Líder é a pessoa que trabalha, que está a frente da batalha”, explica. Mas a história de Alida prova que ela é uma liderança há muito tempo. A filha de cacique é mãe de três filhos e formada em pedagogia. Atualmente, ocupa a posição de vice-presidente do Conselho Indígena Najakara Mooru (Cinamo) organização representativa do povo indígena com sede na comunidade Warao a Janoko no município de Cantá, Roraima. Antes disso, já liderava grupos de mulheres indígenas nos abrigos onde viveu em Pacaraima e Boa Vista. “Me sinto muito contente de estar à frente de uma associação civil de comunidades indígenas onde se encontram dois povos diferentes da Venezuela, Kari’ñas e Warao, cada um com seus costumes. O objetivo da associação é zelar pela segurança da comunidade em todos os espaços: na educação, moradia, saúde”, relata.Em 2019, mesmo ano em que Alida ingressou no Brasil, dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) mostravam que mais de 2,5 mil indígenas vieram da Venezuela em busca de proteção. Hoje em dia já são mais de 13.960 mil pessoas indígenas venezuelanas no país, de acordo com dados de março de 2026 extraídos do proGres, sistema do ACNUR voltado ao registro e à gestão de casos. Na comunidade Warao a Janoko estão cerca de 150 pessoas de 28 famílias. Localizada a 35 quilômetros de Boa Vista (RR), conta com uma casa cultural, energia elétrica e banheiros. O ACNUR tem apoiado a comunidade por meio de um projeto de autoconstrução de casas. A comunidade se estabeleceu por esforço próprio na região e está, atualmente, trabalhando junto com a Prefeitura do Cantá, governo do estado de Roraima e o ACNUR para fazer parte da rota de turismo da região. “A esperança é o movimento que impulsiona a vida. Meu sonho é ter uma comunidade organizada, com boas casas e com todos os serviços necessários. Que cada pessoa dê sua contribuição e impulsione o empreendimento voltado para o turismo, e que também o governo perceba isso. Nós, povos indígenas, somos trabalhadores e continuaremos sendo. Somos verdadeiros guerreiros neste país”, afirma Alida. Segundo a líder, a comunidade está organizada em grupos que compartilham seus saberes ancestrais: cultura, contação de histórias, dança e interculturalidade por meio das línguas. A comunidade fala Warao, Kari’ña e espanhol, além de conhecimentos básicos de português.Na luta por reconhecimento, direitos e inclusão em políticas públicasEm abril de 2026, Alida e outras lideranças Taurepang, Warao e Kari’ña representaram suas etnias e comunidades na maior mobilização dos povos indígenas do país, o Acampamento Terra Livre, em Brasília. Em articulação conjunta, o ACNUR e a Agência da ONU para Migrações (OIM) apoiaram a comitiva composta por 16 pessoas indígenas refugiadas e migrantes que se deslocaram dos municípios de Pacaraima e Cantá (RR), Manaus (AM), Belém e Ananindeua (PA) para a capital federal. Durante uma semana, as lideranças tiveram a oportunidade de participar de agendas e discussões políticas sobre seus direitos e se uniram às marchas com sete mil indígenas de todas as regiões brasileiras. “Estou muito feliz por participar do ATL pela segunda vez. Nesse espaço, tive a oportunidade de participar de reuniões muito importantes com povos indígenas, representantes de direitos humanos e advogados. A questão da educação dos povos indígenas é uma das nossas bandeiras, e queremos continuar essa luta para o futuro”, explica.Alida e outras mulheres indígenas Warao e Kari’ña participaram também do encontro Diálogos Fundo Brasil ONU: Rede Brasileira dos Povos Originários das Reservas da Biosfera e Sociobiodiversidade, organizado pela Unesco, com foco na valorização cultural e linguística a partir da produção de materiais educativos em dialetos indígenas. Para Alida, participar em debates e espaços como estes são oportunidades de reconhecimento e inclusão da população indígena venezuelana nas políticas públicas brasileiras por todas as esferas de governo. “A luta indígena é a luta de todos. Espero que os indígenas venezuelanos sejam incluídos, e que não nos vejam como indígenas de outro país ou indígenas estrangeiros, mas sim como povos indígenas da América Latina que convivem com a mesma realidade e enfrentam os mesmos desafios.”A participação de Alida e dos demais indígenas venezuelanos no Acampamento Terra Livre contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá. A participação de Alida e dos demais indígenas venezuelanos no Acampamento Terra Livre contou com apoio do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia - uma iniciativa das Nações Unidas no Brasil, Consórcio Amazônia Legal, Governo do Brasil e financiamento do Governo do Canadá.Para saber mais, siga @onubrasil nas redes e acesse a página do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia.
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História
04 agosto 2026
“O objetivo principal de preservar a história é não repeti-la”
Selecionada pelo Fundo de Jovens Líderes das Nações Unidas, Ana Carolliny, estudante da Universidade Federal de Goiás, viajou ao Japão em visita de estudos sobre memória e desarmamento nuclear. Entre museus, testemunhos e eventos, ela descobriu na sensibilidade e na escuta alguns dos principais aprendizados da experiência. Do on-line ao Japão: troca intercultural e a escutaEstudante de Relações Internacionais na Universidade Federal de Goiás (UFG), Ana Carolliny Melo ainda não tinha uma trajetória consolidada na área do desarmamento nuclear. Ao conhecer o Fundo de Jovens Líderes (YLF), no entanto, logo conseguiu relacionar seu principal campo de estudo — a segurança internacional — à defesa de um mundo sem armas nucleares. A primeira etapa do programa consistiu em um treinamento on-line composto por módulos de e-learning, fóruns virtuais, oficinas e webinars ao vivo. “A fase do treinamento on-line foi um grande desafio, mas passou muito rápido e foi uma das partes de que mais gostei”, contou Ana Carolliny em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). Após a conclusão dessa etapa, 50 participantes de 39 países — entre eles Ana — embarcaram para uma viagem de estudos de seis dias ao Japão. Entre 29 de junho e 3 de julho de 2026, participaram de palestras e debates com as hibakusha (pessoas sobreviventes dos bombardeios atômicos), realizaram visitas a museus e espaços de memória e conheceram de perto a história de Hiroshima e Nagasaki. A visita de estudos integrou a segunda fase da edição de 2025-2026 do YLF, lançada em julho do ano passado. “O que mais me impactou emocionalmente foi, com certeza, escutar os depoimentos dos sobreviventes”, disse Ana Carolliny ao UNIC Rio. Como era sua primeira viagem internacional, Ana relata que a experiência também representou um grande desafio pessoal.“Fui para a viagem um pouco insegura. Foi a primeira vez que saí do Brasil. Eu estava bem nervosa e questionando muito meu inglês”, lembra.Ao chegar ao Japão, porém, ela conta que foi acolhida pelas amizades que fez com jovens participantes vindos de diferentes culturas e realidades. Para Ana, as trocas interculturais foram um dos aspectos mais enriquecedores da missão de estudos da ONU, permitindo conhecer perspectivas distintas e aprender com países que enfrentam desafios muito diferentes dos vividos no Brasil.“É você se despir de tudo o que você achou que sabia e perceber que o mundo é muito diferente. Eu tenho tanto a aprender, eu tenho tanto a andar. O mundo é muito grande. Foi isso o que mais abriu meu olhar para genuinamente entender que o mundo vai além da minha própria percepção”, conta. Entre os encontros com as hibakusha, as visitas aos espaços de memória de Hiroshima e Nagasaki e o convívio com colegas de diferentes países, contextos e trajetórias, Ana destaca um aprendizado que considera central:“Ficamos com a mesma fome de escutar o outro. Eu acho que isso é o mais importante. Todo o conhecimento técnico é crucial, mas essa humanidade, sensibilidade e tato só a prática traz. E é isso o que eu mais prezo.”Memória e o papel da juventude“O objetivo principal de preservar a história é não repeti-la.”Para Ana, a juventude ocupa um papel essencial na preservação da memória dos sobreviventes e na defesa do desarmamento nuclear.“As pessoas sobreviventes, um dia, não estarão mais aqui. Justamente por isso que o programa trabalha com a juventude. Manter a voz das hibakusha viva, mesmo quando eles já não puderem contar suas próprias histórias”, afirma a jovem líder brasileira. Ao longo do programa do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (ODA), as pessoas jovens participantes são incentivados a refletir sobre os desafios relacionados ao desarmamento nuclear e compreender como esse debate se aplica às diferentes realidades de seus países. A partir das redes sociais e da construção de narrativas, os jovens tornam-se multiplicadores da defesa de um mundo livre de armas nucleares.“O principal papel, como jovens, que podemos ter é pressionar e questionar. Mas também nos educarmos para que, quando chegarmos às posições de tomada de decisão, não cometamos os mesmos erros do passado.” Brasil: como o país pode contribuir?Para Ana, a tradição pacifista da política externa brasileira coloca o país em posição estratégica na defesa do desarmamento nuclear global. Como uma importante força econômica e diplomática, especialmente na América Latina, o Brasil tem condições de contribuir para fortalecer esse debate e ampliar a cooperação internacional sobre o tema.“São decisões que afetam todo mundo. É muito importante lutarmos pelo desarmamento em países que possuem armas nucleares. Mas é igualmente importante mantermos os países que não têm, nessa condição. Não podemos pegar um problema gigante como esse e torná-lo ainda maior.”Mais do que evitar novas tragédias, defender o desarmamento nuclear significa construir um mundo que não viva sob a ameaça permanente do uso dessas armas.“Cada um vai adaptar para sua realidade, mas saímos com uma lição em comum: precisamos parar as armas nucleares, agora.”Sobre o Fundo de Líderes Jovens por um Mundo Sem Armas NuclearesO Fundo de Líderes Jovens (Young Leaders Fund for a World Without Nuclear Weapons – YLF) é um programa de aprendizagem que busca capacitar jovens de 18 a 29 anos com conhecimentos, habilidades e redes de contato para liderar iniciativas em prol do desarmamento nuclear.A cada dois anos, até 2030, 100 participantes são selecionados para receber treinamento on-line sobre os princípios do desarmamento nuclear, da não proliferação e do controle de armas. Ao final dessa etapa, um grupo é escolhido para participar de uma viagem de estudos de uma semana a Hiroshima e Nagasaki.Durante a visita, os participantes conhecem a história das hibakusha, sobreviventes dos bombardeios atômicos que, há décadas, compartilham seus testemunhos e defendem a eliminação das armas nucleares. À medida que essa geração envelhece, torna-se cada vez mais importante garantir que suas histórias e seus apelos por um mundo sem armas nucleares sejam transmitidos às futuras gerações.“Tenho muita gratidão pelo projeto. Além de tudo o que ele faz pelos outros, penso no que ele fez por mim. Agregou em todos os aspectos da minha vida, e espero conseguir retribuir por meio do meu trabalho — não apenas pelo que fiz durante o programa, mas também pelo que continuarei fazendo ao longo da minha carreira.”Para saber mais, siga @unitednations_oda nas redes e visite a página #Youth4Disarmament, do Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (ODA).
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27 agosto 2026
PNUD e Trata Brasil formalizam parceria de apoio à campanha Voto no Saneamento
O Instituto Trata Brasil lançou a campanha Voto no Saneamento para colocar o saneamento básico no centro do debate eleitoral. Agora, a iniciativa passa a contar com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência de desenvolvimento global da ONU.O saneamento básico ainda ocupa pouco espaço no debate público brasileiro, em meio a uma realidade preocupante. Mais de 32 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, e quase 90 milhões não contam com coleta de esgoto. Somente em 2024, cerca de 340 mil pessoas foram internadas por doenças associadas à falta de saneamento, como diarreia, dengue, hepatite e leptospirose.Diante desse cenário, a campanha Voto no Saneamento reúne informações em uma plataforma que ajuda eleitoras e eleitores a cobrarem propostas concretas das candidatas e candidatos e, ao mesmo tempo, apoia-os na estruturação de uma proposta de saneamento consistente para seu plano de governo.Além de somar peso institucional à campanha, a adesão do PNUD conecta a pauta eleitoral brasileira a compromissos internacionais que o país já assumiu. O programa atua no Brasil há décadas em temas ligados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, que trata de água potável e saneamento, e tem experiência de cooperação técnica internacional com os governos municipais, estaduais e Governo Federal.Essa articulação reforça que o saneamento faz parte de uma agenda de desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo nacional e global. Um estudo do Instituto Trata Brasil aponta que a universalização do saneamento traria ganhos socioeconômicos de quase R$ 1,4 trilhão entre 2021 e 2040, com um retorno estimado de R$ 4,10 para cada R$ 1,00 investido.Para o chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, “o acesso universal à água potável e ao saneamento é essencial para o desenvolvimento humano, a saúde e a dignidade das pessoas. Ao apoiar o Voto no Saneamento, o PNUD reafirma a importância de colocar essa agenda no centro das políticas públicas e das escolhas eleitorais, contribuindo para um Brasil mais inclusivo e sustentável.”“A adesão do PNUD à campanha Voto no Saneamento dá mais força e visibilidade a essa causa. Ganhamos um parceiro de peso internacional e o reconhecimento de que o saneamento básico é parte de uma agenda global de desenvolvimento sustentável. Esperamos que essa parceria ajude a mobilizar eleitores, candidatos e gestores públicos para que o saneamento ocupe o lugar central que merece nas eleições. Vivemos um momento decisivo, e ele precisa se traduzir em prioridade real, para que as famílias brasileiras tenham acesso ao básico e uma vida com mais saúde e dignidade”, aponta a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto. Para mais informações, acesse a página da campanha: https://votonosaneamento.tratabrasil.org.br/Contatos para a imprensa:PNUD Brasil: comunica.br@undp.orgInstituto Trata Brasil: imprensa@tratabrasil.org.br
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26 agosto 2026
ONU reconhece iniciativa brasileira Araticum como Referência da Restauração Mundial
A ONU reconheceu nesta quarta-feira (26) a iniciativa brasileira Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro, como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), destacando o grande esforço para restaurar o Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo e um bioma que sofre intensa pressão devido à conversão e fragmentação de terras e às mudanças climáticas.Anunciada durante um evento na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), a iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel. Com esse reconhecimento, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).Liderados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, os prêmios reconhecem algumas das iniciativas de restauração de ecossistemas mais ambiciosas e impactantes do mundo. “Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, bem como as tensões geopolíticas em curso, estão afetando duramente os sistemas alimentares globais. Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos – desde segurança alimentar e novos empregos até maior resiliência para milhões de pessoas”, afirmou a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. Com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em grande escala. Esse processo prejudica os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.A iniciativa reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros. Esse trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas.O projeto já mapeou mais de 27 mil hectares em processo de restauração, com novas áreas sendo continuamente incorporadas por meio de sua plataforma de monitoramento. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas já foram coletadas e utilizadas em atividades de restauração, contribuindo para a formação de uma cadeia produtiva da restauração que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro. A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação, afirmou a coordenadora da Araticum e coletora de sementes Geraizeira, Fabrícia Santarém.”Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração até 2030, contribuindo para a valorização dos ecossistemas não florestais e para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa.Para isso, combina a restauração ecológica com ferramentas sociais e econômicas, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e articulação com políticas públicas.A iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro, é uma das 30 iniciativas de restauração reconhecidas pela ONU desde 2022. Juntas, essas iniciativas já somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e abrangem compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, ao mesmo tempo em que geram mais de 800 mil empregos e contribuem para a recuperação e o aumento das populações de espécies da biodiversidade.
NOTA AOS EDITORESSobre as Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagships)Os países já assumiram o compromisso de restaurar 1 bilhão de hectares - uma área maior que a da China - como parte de seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, das Metas de Aichi para a Biodiversidade, das Metas de Neutralidade da Degradação da Terra e do Desafio de Bonn.No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade da restauração. Por meio das Iniciativas de Referência de Restauração Mundial, a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas homenageia os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em grande escala e de longo prazo, que incorporam os 10 Princípios de Restauração da Década da ONU.O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial será monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração. Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Seu objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para levar uma vida ativa e saudável. Com mais de 193 países-membros, a FAO atua em mais de 130 países ao redor do mundo. Para mais informações, entre em contato: Carlos Gomez, PNUMA: carlos.gomezdelcampo@un.orgCarol Sacramento, Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado): rede.araticum@gmail.com
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NOTA AOS EDITORESSobre as Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagships)Os países já assumiram o compromisso de restaurar 1 bilhão de hectares - uma área maior que a da China - como parte de seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris, das Metas de Aichi para a Biodiversidade, das Metas de Neutralidade da Degradação da Terra e do Desafio de Bonn.No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade da restauração. Por meio das Iniciativas de Referência de Restauração Mundial, a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas homenageia os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em grande escala e de longo prazo, que incorporam os 10 Princípios de Restauração da Década da ONU.O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial será monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração. Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Seu objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para levar uma vida ativa e saudável. Com mais de 193 países-membros, a FAO atua em mais de 130 países ao redor do mundo. Para mais informações, entre em contato: Carlos Gomez, PNUMA: carlos.gomezdelcampo@un.orgCarol Sacramento, Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado): rede.araticum@gmail.com
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25 agosto 2026
ONU e Cruz Vermelha cobram adoção urgente de normas sobre armas autônomas
Em meio a relatos de que drones totalmente autônomos e guiados por inteligência artificial (IA) estejam sendo utilizados em campos de batalha, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, renovaram, nesta terça-feira (25/08), seu apelo urgente por controles mais rigorosos, antes que seja tarde demais.O momento em que o apelo foi feito reflete as crescentes preocupações de que armas cada vez mais sofisticadas estejam sendo fabricadas e empregadas com velocidade e escala cada vez maiores, impulsionadas por uma tecnologia de IA cada vez mais poderosa.“Estamos agora perigosamente próximos de cruzar uma linha vermelha moral: o ataque autônomo a seres humanos por máquinas”, afirmou o secretário-geral António Guterres, em um apelo conjunto com a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric Egger. Atacar civis e infraestrutura civil em conflitos já é estritamente proibido pelo direito internacional humanitário. A preocupação adicional é que decisões de vida ou morte sejam tomadas por máquinas incapazes de distinguir entre combatentes e não combatentes. Ecoando essas preocupações em Genebra, a chefe de assuntos de desarmamento da ONU em Genebra, Mélanie Régimbal, enfatizou a posição de longa data do líder das Nações Unidas de que sistemas que selecionam ou atacam alvos e tiram vidas humanas sem controle e julgamento humanos “são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser proibidos pelo direito internacional”.No apelo, Guterres e Egger observaram que as armas autônomas “não fazem parte de um futuro distante”, uma vez que a corrida rumo a uma maior autonomia já está em andamento. Cientistas e engenheiros que desenvolvem tais sistemas também manifestaram preocupações quanto aos riscos envolvidos, observaram eles.A ONU e a Cruz Vermelha exortam os governos a iniciar negociações sobre um instrumento juridicamente vinculativo que estabeleça proibições e restrições claras. O apelo é feito antes da Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW), que ocorrerá em novembro, em Genebra. Os líderes da ONU e da Cruz Vermelha descreveram o encontro como o “caminho mais claro disponível” para que os Estados cheguem a um acordo para avançar nas negociações sobre um instrumento juridicamente vinculativo.Já foram estabelecidas bases importantes para um acordo por meio de discussões na Assembleia Geral da ONU e no Grupo de Peritos Governamentais da CCW, afirmaram eles, incluindo avanços na definição do julgamento e do controle humanos necessários para garantir o cumprimento do Direito Internacional Humanitário.A ONU e o CICV lançaram seu apelo conjunto pela primeira vez em 2023, instando os Estados a negociarem um instrumento juridicamente vinculativo até 2026. O apelo inicial enfatizou que o controle humano deve ser mantido sobre decisões de vida ou morte e que máquinas capazes de tirar vidas sem envolvimento humano devem ser proibidas pelo direito internacional.O apelo desta terça (25) renova esse impulso com prazo definido, ressaltando que o trabalho meticuloso dos últimos anos deve agora levar à ação.“Exortamos os Estados a aproveitarem este momento”, afirmaram os líderes. “A inovação deve servir à humanidade – e não colocá-la em risco.”Para saber mais, acompanhe a cobertura da ONU News em português e assista à gravação da coletiva de imprensa realizada na sede europeia das Nações Unidas em Genebra. NOTA A EDITORESÍntegra do apelo conjunto das Nações Unidas e da Cruz Vermelha (25 de agosto de 2026): Há três anos, pedimos aos Estados que estabelecessem proibições e restrições específicas aos sistemas de armas autônomas. Hoje, reiteramos esse pedido com uma urgência ainda maior. As preocupações básicas continuam inalteradas, mas os riscos se intensificaram. Estamos agora perigosamente perto de cruzar um limite moral: a autonomia das máquinas para determinar que seres humanos sejam alvos.O desenvolvimento da tecnologia bélica avançou a uma velocidade recorde, o que aumenta a pressão sobre os marcos jurídicos. Desde nosso pedido anterior, a lacuna entre a capacidade tecnológica e a restrição regulatória aumentou, porque as tecnologias avançadas que estão sendo empregadas no campo de batalha ampliam o risco de prejudicar populações e infraestruturas civis e de agravar o sofrimento das pessoas em conflitos armados.O desenvolvimento e o uso de sistemas de armas autônomas representam uma nova escalada, porque reduzem o controle humano sobre o uso da força. Os sistemas de armas autônomas não fazem parte de um futuro distante: a corrida rumo a uma maior autonomia nos sistemas de armas já está ocorrendo. Ao mesmo tempo, os próprios cientistas e engenheiros que desenvolvem esses sistemas fizeram um alerta. Quando os próprios arquitetos dessa tecnologia exigem limites, os Estados não podem se dar ao luxo de permanecer passivos.Este ano deve marcar uma mudança.Os Estados estabeleceram bases importantes através da Assembleia Geral das Nações Unidas e do Grupo de Especialistas Governamentais no âmbito da Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Houve um avanço significativo para uma compreensão comum do julgamento e do controle humanos requeridos e das medidas necessárias para garantir a conformidade com o Direito Internacional Humanitário, resolver as preocupações éticas e reduzir o sofrimento humano.Os Estados devem mostrar coragem política para ir além dos debates incrementais e tomar uma atitude decisiva. As negociações devem começar agora para adotar com urgência um instrumento juridicamente vinculante que regule os sistemas de armas autônomas com proibições e restrições claras. Não agir de forma rápida e decisiva custará vidas.As gerações futuras vão herdar um mundo em que a ausência de proibições e restrições claras e específicas a estas armas abre a porta a práticas que abalam as proteções que o Direito Internacional Humanitário pretende garantir. Um mundo onde a prestação de contas fica cada vez mais evasiva à medida que se torna mais difícil determinar a responsabilidade por erros e violações das normas aplicáveis.Os Estados têm uma responsabilidade para com aqueles que já sofrem as consequências dos conflitos armados atuais e para com aqueles que herdarão o mundo que está sendo moldado. As gerações futuras perguntarão se os líderes agiram quando ainda havia a chance de estabelecer limites, antes que a proliferação dessas armas saísse do controle. A Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, que ocorrerá em novembro, oferece o caminho mais claro para que os Estados decidam negociar um instrumento juridicamente vinculante. O trabalho meticuloso realizado nos últimos três anos constitui a base ideal para essas negociações e não deve ser desperdiçado.Pedimos que os Estados aproveitem este momento.Continuar criando sistemas de armas que facilitem a guerra só prejudicará nossos esforços coletivos por um mundo mais pacífico.O caminho está livre. A necessidade é urgente. A inovação deve servir à humanidade, não a colocar em risco.Acesse a versão original em inglês na página das Nações Unidas em Genebra.
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24 agosto 2026
América Latina, Caribe e FAO reforçam o compromisso com o abastecimento alimentar
A região registrou avanços na redução da fome e da insegurança alimentar. Em 2025, cerca de 32 milhões de pessoas passaram fome, o equivalente a 4,8% da população regional. No entanto, o acesso econômico a uma dieta saudável continua sendo um dos maiores desafios. Em 2025, o custo médio de uma dieta saudável na América Latina e no Caribe chegou a US$ 4,91 por pessoa ao dia, o valor mais alto do mundo.Diante desse cenário e dos desafios climáticos, representantes de 16 países membros da Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (Rede SPAA) reafirmaram seu compromisso de fortalecer esses sistemas como ferramentas estratégicas para enfrentar a inflação dos alimentos, melhorar o funcionamento dos mercados de alimentos, a transparência dos preços, a geração de estoques e reservas estratégicas e o fortalecimento de programas voltados a garantir o acesso a alimentos saudáveis que contribuam diretamente para a população, especialmente para aquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade nas áreas rurais, urbanas e periurbanas. A essa iniciativa também se juntou a Comunidade do Caribe (CARICOM), que participou pela primeira vez desse espaço de integração regional.A XI Reunião da Rede SPAA foi organizada em Santo Domingo conjuntamente pela FAO e pelo Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO, e pelo Instituto de Estabilização de Preços (INESPRE) da República Dominicana. A FAO desempenha um importante papel como Secretaria Executiva da Rede há mais de uma década, coordenando seu funcionamento, prestando assistência e assessoria às instituições públicas dos países membros, além de facilitar a cooperação.No encontro, os países-membros trocaram experiências e analisaram os principais desafios da América Latina e do Caribe para garantir o acesso a alimentos saudáveis e a melhores preços em benefício dos consumidores, bem como para alcançar sistemas públicos de abastecimento cada vez mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis.Os membros da Rede aprovaram uma declaração que estabelece uma agenda de ações conjuntas, tendo entre as prioridades o fortalecimento das capacidades institucionais dos sistemas públicos de abastecimento; o desenvolvimento de mecanismos transparentes de gestão e estabilização de preços; a melhoria dos sistemas públicos de informação e inteligência de mercados; o estabelecimento de mecanismos de alerta precoce e reservas estratégicas de alimentos; e a ampliação dos programas de compras públicas de alimentos com a participação da agricultura familiar, camponesa e indígena, das mulheres e dos jovens rurais, das cooperativas e das associações de produtores.A XI Reunião foi inaugurada pelo presidente da República Dominicana, Luis Abinader, que destacou que combater a fome exige atuar simultaneamente sobre a produção, a geração de renda para os produtores, a proteção social e o abastecimento eficiente e inclusivo, aproximando produtores e consumidores. Além disso, afirmou que a fome não é combatida pelo trabalho de uma única instituição, mas que é necessário estabelecer uma estratégia de trabalho que reúna mais instituições em um esforço conjunto para a busca de soluções.O representante da FAO na República Dominicana, Rodrigo Castañeda, afirmou que “diante da crise climática, das tensões geopolíticas e da inflação dos alimentos, fortalecer os Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos é fundamental para construir sistemas alimentares resilientes e garantir um acesso mais equitativo e eficiente aos alimentos”.O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Eric Moura, afirmou: “Esperamos que a Rede SPAA se fortaleça como um espaço permanente de cooperação, aprendizagem mútua e construção de uma agenda regional duradoura de combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional”.Panamá na presidência da RedeDurante a reunião, o Panamá, representado pelo Instituto de Mercado Agropecuário (IMA), foi escolhido para a presidência da Rede SPAA para o período 2026–2028. A instituição governamental tem como função implementar as políticas de comercialização, apoiando o produtor nacional na comercialização e no mercado de seus produtos, para o crescimento e desenvolvimento do setor agrário. A vice-presidência ficará a cargo do Uruguai, representado pelo Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP).Nilo Murillo Robles, diretor-geral do IMA, ressaltou que a integração entre os países para enfrentar problemas comuns, como a inflação dos alimentos e a fome, é fundamental para tornar as políticas públicas mais eficientes. Além disso, expressou seu compromisso e reconheceu a importância de assumir a presidência da Rede SPAA e o papel estratégico desse espaço regional, que atualmente conta com 19 países membros.Por outro lado, os países decidiram que o Panamá será a sede da XII Reunião da Rede, em 2027.SPAA: a conexão entre a produção local e o consumoOs Sistemas Públicos de Abastecimento e Comercialização de Alimentos (SPAA) desempenham um papel estratégico para assegurar uma oferta estável, melhorar a transparência dos mercados, reduzir as diferenças entre os preços na origem e os preços ao consumidor e aproximar alimentos saudáveis das populações rurais, das mulheres, dos povos indígenas, das comunidades afrodescendentes, dos pequenos produtores e das famílias de menor renda nas cidades.As compras públicas, os programas de alimentação escolar, os mercados públicos e populares, as feiras livres, as reservas estratégicas de alimentos básicos, as lojas e unidades móveis, os circuitos curtos de comercialização e a venda direta constituem ferramentas fundamentais para conectar a produção local ao consumo, direcionando as políticas públicas de alimentação. Quando esses instrumentos incorporam efetivamente a agricultura familiar, permitem melhorar a renda dos produtores, dinamizar as economias territoriais e locais, além de reduzir a intermediação desnecessária e facilitar o acesso da população a alimentos frescos, de melhor qualidade, saudáveis e culturalmente adequados.
Contato para imprensa:Palova Brito, Comunicação do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: Palova.SouzaBrito@fao.org
Contato para imprensa:Palova Brito, Comunicação do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO: Palova.SouzaBrito@fao.org
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18 agosto 2026
FIDA recebe Troféu Babaçu por fortalecer agricultura familiar no Maranhão
O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência especializada das Nações Unidas, recebeu o Troféu Babaçu durante o encerramento da 4ª edição da Feira Maranhense da Agricultura Familiar (FEMAF 2026), realizada na Lagoa da Jansen, em São Luís. A honraria, concedida pela Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF) do Maranhão, reconhece pessoas, projetos e instituições que se destacam na promoção da agricultura familiar, da produção agroecológica e das comunidades tradicionais no estado.O reconhecimento foi recebido pelo diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers, que destacou o significado da homenagem para o organismo: “O FIDA recebe o troféu como reconhecimento a um trabalho coletivo construído há muitos anos no Brasil, fruto de uma construção conjunta com governos, comunidades e organizações da sociedade civil comprometidos com um desenvolvimento rural mais justo, inclusivo e sustentável”. Para o FIDA, esse trabalho só se sustenta quando caminha lado a lado com a valorização das pessoas que vivem, trabalham e constroem seus territórios.Atualmente, o Brasil possui a 5ª maior carteira de projetos do FIDA no mundo, com 8 projetos ativos que já beneficiam 810 mil famílias em todo o país, mobilizando mais de 1 bilhão de dólares em financiamento. No Maranhão, essa parceria se materializa de forma concreta por meio do PAGES, projeto que busca fortalecer a agricultura familiar, as organizações rurais e as comunidades locais, valorizando a riqueza natural e cultural dos territórios e criando oportunidades de desenvolvimento sustentável.Ao receber a homenagem, Hameleers dedicou o troféu às famílias agricultoras e às comunidades rurais do Maranhão, com destaque especial às mulheres quebradeiras de coco, para quem o babaçu representa fonte de trabalho, renda, autonomia e identidade.Para saber mais, siga o FIDA no Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, X, YouTube e siga o FIDA na América Latina e o Caribe no X (espanhol).Contato para a imprensa: Justina Tellechea, FIDA no Brasil: j.tellechea@ifad.orgNOTA PARA EDITORESO Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) é a única instituição financeira internacional dedicada exclusivamente à transformação das economias rurais. O FIDA investe nas populações rurais, promovendo a segurança alimentar, a prosperidade compartilhada e a estabilidade. Atualmente, o FIDA e seus parceiros têm cerca de US$ 23 bilhões investidos em projetos em andamento que estão transformando as economias rurais.
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